In memoriam de Gerardo Pereira Menaut



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Encontro29.07.2016
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In memoriam de Gerardo Pereira Menaut
Não posso, como é natural, ser exaustivo na recordação de um bom Amigo que ora nos deixou e cuja morte, aos 68 anos, me deixa com a natural tristeza de quem perde um Amigo de mais de quatro décadas! É-me impossível, porém, não partilhar com os investigadores de História Antiga, Arqueologia e Epigrafia, a enorme dor da sua inesperada perda, ocorrida hoje por volta das três e meia da tarde (hora local). Havia-lhe sido identificado um cancro hepático há umas três semanas que estava já bastante avançado e de que estava a tratamento de quimio. «Mas hoje, acrescentou Manuel Villanueva que fez o favor de me escrever, o que falhou foi o coração. Teve un enfarto fatal».

Mais triste ainda é sublinhar que a sua partida segue de muito perto a que fora sua mulher, Pilar Rodríguez Álvarez, de 58 anos de idade, professora titular no mesmo Departamento de Historia Antigua de Santiago de Compostela, onde Gerardo era catedrático, que morreu no passado dia 9. Está, pois, duplamente de luto a Universidade de Santiago e estamos todos nós, que tínhamos em ambos mui bons amigos.

Nunca se podia estar mal disposto junto de Gerardo. A sua proverbial serenidade a todos encantava. E que me seja permitido recordar os bons momentos que vivemos com ele, em Outubro de 2013, no Colóquio Internacional «Las Ciudades del Poder en Hispania», realizado em Lugo (foto anexa, juntamente com Carlos Fabião).

Gerardo Pereira trabalhou com Géza Alföldy, em Heidelberg, de que resultou a publicação Inscripciones Romanas de Valentia (Valência, 1979).

Entre outras actividades, iniciou, em Julho de 1986, a série dos Congressos Peninsulares de História Antiga, em Santiago de Compostela, que teria seguimento em Coimbra (Outubro de 1990), onde apresentou, com Dolores Dopico a comunicação «La gran inscripción de Remeseiros (CIL II 2476). Sobre la forma jurídica de tenencia de la tierra entre los indigenas bajo dominio romano» e onde tive a honra de o convidar a fazer o discurso de encerramento (publicado nas actas, p. 1177-1178). O III destes congressos viria a decorrer em Vitória (Julho 1994), por iniciativa de Juan Santos Yanguas, amigo comum, mas a série sonhada por Gerardo não teve o seguimento esperado.

Foi, de facto, a Epigrafia a sua primeira grande paixão, tendo lançado mão à preparação de novos corpora da Galiza romana: Corpus de Inscripcións Romanas de Galicia. I Provincia de A Coruña. Santiago de Compostela, 1991. O II – Provincia de Pontevedra (1994) deve-se a Gemma Baños Rodríguez.

Recordo as grandes questões que o entusiasmaram: o significado do C invertido, as epígrafes da Fonte do Ídolo de Braga, a organização dos povos galaicos sob o domínio romano. Refiro infra algums dos trabalhos que publicou (rolque pode ser completado com a consulta do currículo mantido actualizadao por Juan Manuel Abascal: http://www.ua.es/personal/juan.abascal/pereira_menaut.html )

Mais recentemente a sua preocupação – como a de todos nós, aliás – foi a do risco, perante a avassaladora globalização, de os povos (neste caso, a sua querida Galiza) perderem a identidade. Em 2010, na sua condição de «Director del Observatorio Galego do Território», proclamava, por exemplo: "Al destruir el paisaje hemos destruido también la identidad del país".

Em mensagem que acabo de receber, Patrick Le Roux comenta assim a triste notícia:

«J'avais revu Gerardo à Lugo en octobre 2013 et il m'avait ensuite contacté pour un projet d'article en commun. Il semblait en forme et avoir surmonté certains de ses problèmes.

Je l'ai connu dès 1972 et je l'ai toujours tenu pour un intellectuel de talent, curieux et original en même temps que fidèle à ses engagements. Il laisse des travaux importants qui font réfléchir et il est dommage qu'il ait choisi trop tôt de rester à l'écart dans son Finisterre qu'il aimait plus que tout.»

Aliás, de imediato após a notícia do seu falecimento, que divulguei há pouco mais de uma hora, vários colegas me enviaram mensagens, condoídos com a perda que ora sofremos os que com ele navegávamos no mesmo barco da investigação sobre História Antiga e Epigrafia e como ele temos as mesmas preocupações em relação ao risco de um futuro sem memória.

O meu voto renovado, que sei ser também o de todos os seus amigos: que descanse em paz!

À família enlutada, um forte abraço amigo dos mais sentidos pêsames!


José d’Encarnação


Breve bibliografia de Gerardo Pereira Menaut

PEREIRA MENAUT, G. (1978) - Caeleo Cadraiolonis f. Cilenus É Berisamo et Al. Centuria ou castellum. Uma discussão. I Colóquio Galaico-minhoto. III vol. Póvoa de Varzim. p. 445-457.

PEREIRA MENAUT, G. (1980): “Historical Landscapes and Structures. A reflexion on the case of Roman Galicia”, Boletín Auriense, 10, 25-31.

PEREIRA, G. & SANTOS, J.( 1980) - Sobre la romanización del noroeste de la Península Ibérica: Las inscripciones com mención del origo personal. Actas do Seminário de Arqueologia do Noroeste Peninsular. III. Guimarães.p. 117-30.

PEREIRA, G. & ALMEIDA, C. A. F. de (1981) - A grande inscrição do penedo de Rameseiros. Vilar de Perdizes. Montalegre (CIL II 2476). Arqueologia. Porto. 4. p. 142-45.

PEREIRA MENAUT, G. (1982) - Los castella y las comunidades de Gallaecia. Zephyrus. 34-35, p. 249-267.

PEREIRA MENAUT, G. (1983) - Las comunidades galaico-romanas. Habitat y sociedad en transformación. Estudos de cultura castrexa e de historia antiga de Galicia. Santiago de Compostela, p. 199-212.

PEREIRA MENAUT, G. (1984-85) - Nueva tabula patronatus del Noroeste de Hispania. Studia Palaeohispanica. Actas del IV Coloquio Internacional de Lenguas y Culturas Paleohispánicas = Veleia. 2-3. Vitoria, p. 299-303.

PEREIRA MENAUT, G. (1985) - La inscriptión del Ídolo da Fonte. Braga. CIL II 2419. Symbola Ludovico Mitxelena Septuagenario oblatae. Pars Prior. Vitoria, p. 531-535.

PEREIRA MENAUT, G. (1991) - Corpus de inscripcións romanas de Galicia. I. Provincia de A Coruña. Santiago de Compostela.

PEREIRA MENAUT, G. (1992): “Callaecia”, en Actas del I Congreso Hispano-Italiano Conquista Romana y Modos de intervención en la organización urbana y territorial (F. Coarelli, M. Torelli y J. Uroz, coords.), Dialoghi di Archeologia, 1-2, 319-325.

PEREIRA MENAUT, G. (1993) - Cognatio Magilancum.Una forma de organización indígena de la Hispania indoeuropea. Actas del V Coloquio sobre Lenguas y Culturas Prerromanas de la Península Ibérica (Colonia. Novembre 1989). Salmanca, p. 411-24.



BAÑOS, G. & PEREIRA, G. (1993) - Novedades y correciones en la teonimia galaica. Studia paleohispanica et indogermanica J. Untermann ab amicis hispanicis oblata. Barcelona, p. 37-65.

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