InauguraçÃo da escola básica dos º, º e º ciclos e jardim de infância da vila do topo, 6 de Outubro de 2003



Baixar 12.97 Kb.
Encontro31.07.2016
Tamanho12.97 Kb.
INAUGURAÇÃO DA ESCOLA BÁSICA DOS 1.º, 2.º E 3.º CICLOS E JARDIM DE INFÂNCIA DA VILA DO TOPO
Vila do Topo, 6 de Outubro de 2003

Intervenção do presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César
Com toda a probabilidade, foi neste local da ilha de S. Jorge, que pelo anos de 1470 a 1480 se iniciou o povoamento da ilha, conforme o atestam as crónicas e a existência, a poucas centenas de metros desta escola, da mais antiga ermida nela conhecida.
Aqui, gozando da relativa proximidade em relação à ilha Terceira e aproveitando os fartos recursos da terra, fixou-se um pequeno grupo de povoadores, capitaneados pelo flamengo Wilhelm van der Haagen, que depois adoptou o nome de Guilherme da Silveira, e que serviu de tronco a uma da mais numerosas famílias do arquipélago, a povoação rapidamente cresceu e prosperou.
Assim, logo a 12 de Setembro de 1510, já lá vai quase meio milénio, a jovem povoação do Topo foi elevada a vila, encabeçando um dos mais antigos concelhos dos Açores. O Doutor Gaspar Frutuoso, escrevendo no final do século XVI, fez uma curiosa descrição da vila: “na ponta do Topo está uma vila, chamada Topo, de 87 fogos e 359 almas de confissão, cuja igreja e freguesia é da advocação de Nossa Senhora do Rosário .... Estende-se seu termo mais de uma légua com muitas ribeiras entre matos. São terras de pão e de pastos. Tem o porto de tufo, feito ao picão, em que saem batéis de pescar e bateiras e entram por cima de uma laje. Há nesta vila mitos homens nobres de diversos apelidos. Junto à ponta do Topo, espaço de dois tiros de arcabuz, afastado dela, está um ilhéu raso com o mar, que terá cinco mios de terra, onde se semeiam trigo e se apascentam gados”.
A vila do Topo, apesar do seu progresso e da sua pujança, não escapou à reforma administrativa que se seguiu à implantação do regime liberal. O concelho foi extinto a 24 de Outubro de 1855, perdendo o povoado a categoria de vila.
Apesar dessa realidade administrativa, o povo continuou a chamar vila ao Topo, reconhecendo a sua história. Passados 148 anos, pelo Decreto Legislativo Regional n.º 29/2003/A, de 24 de Junho, o Topo reganhou o seu estatuto de vila, podendo assim juridicamente ostentar a categoria que os seus habitantes sempre lhe reconheceram.
Assim, as freguesias de Topo e Santo Antão, pela sua localização geográfica e pela sua história, sempre constituíram uma das unidades mais distintas do povoamento de S. Jorge.

As dificuldades de ligação ao resto da ilha, impostas pela Serra do Topo, a qual obriga a estrada a atravessar altitudes superiores a 700 m, a frequência dos nevoeiros e a distância, contribuíram para a criação aqui de uma comunidade coesa e naturalmente auto-suficiente.


No que respeita ao sistema educativo, as longas distâncias e a penosidade do percurso dificultaram o acesso à escola da sede do concelho da Calheta, obrigando à persistência local de soluções alternativas de escolaridade. Assim, até 1997 funcionou em Santo Antão um posto de telescola, um dos últimos dos Açores.
Reconhecendo as dificuldades de acesso à Calheta, e tendo em conta que a escola que serve aquela vila se encontrava sobrelotada, resolveu o Governo Regional reformular a rede escolar das freguesias do Topo e Santo Antão, dotando-as das estruturas necessárias para o cumprimento local da escolaridade obrigatória. Foi assim que nasceu a escola onde hoje nos encontramos.
Aproveitando as instalações do extinto convento de S. Diogo e a sua cerca, e após um investimento de 4 milhões e 125 mil euros, o Governo Regional construiu aqui uma das melhores escolas dos Açores, ou talvez do país. Dotada de todas as instalações especificas para o funcionamento até ao 3.º ciclo do ensino básico, incluindo as desportivas, a escola serve hoje 182 alunos, tendo capacidade para receber todas as crianças e alunos do ensino básico das freguesias da sua zona pedagógica.
No âmbito da reformulação da rede, foram aqui agrupados o jardim de infância do Topo e as escolas de S. Tomé, do Engenho e da Vila, que funcionavam em instalações degradadas, na sua maioria pré-fabricados que datavam do sismo de 1 de Janeiro de 1980. Nesse aspecto, apresente inauguração é também, passados 24 anos, o final do processo de reconstrução nesta freguesia.
No contexto regional, a construção desta escola insere-se no plano, iniciado pelo VII Governo Regional, contrariando a anterior orientação da administração regional, de criar escolas de proximidade, evitando a deslocação dos alunos provenientes das zonas rurais para locais distantes das suas residências. Esta escola, tal como a dos Ginetes, a da Maia e a das Furnas, são o testemunho do empenho colocado pelo Governo Regional no desenvolvimento integral do território e na criação de condições de igualdade de oportunidades para todos os jovens, sejam eles oriundos das zonas rurais mais periféricas ou das zonas urbanas de maior centralidade.
Na realidade, as longas deslocações, os largos períodos fora de casa, a necessidade de partir de casa muito cedo, quantas vezes antes do nascer do sol, são factores de desfavorecimento que urge eliminar.
Com a inauguração desta escola, a que por feliz coincidência se junta a justa reposição do título de Vila, ficam as freguesias do antigo concelho do Topo dotadas de condições para um renovado desenvolvimento. Na verdade, uma escola é um poderoso elemento de fixação das populações, atraindo recursos humanos qualificados e criando oportunidades de emprego e de crescimento populacional.
Com a sua escola, a renovada Vila do Topo fica com condições para retomar a sua antiga dinâmica, constituindo-se num dos pólos de desenvolvimento de S. Jorge e dos Açores.
Estão de parabéns os habitantes desta zona da ilha. Graças ao investimento do Governo Regional, que também aqui está a mudar os Açores, as suas crianças e jovens passaram a beneficiar deste belíssimo equipamento. Agora há que quebrar antigas barreiras e entrar na senda do progresso.



©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal