InauguraçÃo do teatro micaelense – centro cultural e de congressos ponta Delgada, 5 de Setembro de 2004



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INAUGURAÇÃO DO TEATRO MICAELENSE – CENTRO CULTURAL E DE CONGRESSOS
Ponta Delgada, 5 de Setembro de 2004

Intervenção do presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César
A inauguração do Teatro Micaelense – Centro Cultural e de Congressos - poucos dias após a reabertura da Igreja do Colégio - é, sem dúvida, um acontecimento muito marcante para o presente e o futuro próximo da cidade de Ponta Delgada e da ilha de S. Miguel.
Em ambos os casos, não se trata apenas da reabilitação física de exemplares relevantes do nosso património construído, mas também, e, sobretudo, da devolução à cidade, à ilha e à Região, de memórias reconstruídas que povoaram gerações, ainda que com finalidades diferentes. Porém, quer num caso quer noutro, sem nos desviarmos dos seus percursos históricos, renovámos o sentido dessas memórias reconstituindo-as para o desenvolvimento de funções e actividades que se projectam na vitalização cultural e económica dos Açores.
A obra que hoje mostramos – através deste acto inaugural – não pode, porém, estar dissociada também da homenagem que é devida àqueles que, há mais de meio século atrás, com ousadia empreendedora, profundo amor à terra e enorme esforço, construíram o Teatro Micaelense, bem como àqueles que, com tanto trabalho, criatividade e dificuldades, o mantiveram, sucessivamente, como uma referência cultural e social para milhares de açorianos.
Por isso mesmo, a peça escultórica concebida por José Aurélio e colocada neste Salão Nobre, visa perpetuar o arrojo dos fundadores e a perseverança dos continuadores, avivando, para sempre, a sua obra e o seu espírito.
Na verdade, ao Dr. Francisco Luís Tavares, então administrador-delegado do “Carregadores Associados”, deve-se muito a edificação do Teatro Micaelense. Conjugando a sua audácia com a sua visão de modernidade, ele foi intérprete da ambição da maioria dos pontadelgadenses e o motor da construção de um edifício que, para além de constituir na época um importante corpo na ocupação da estrutura urbana, logo se revelou como um espaço de síntese de impulsos de progresso e de cultura. É indispensável, por isso, neste momento, e na presença dos seus familiares descendentes, registar a nossa gratidão e exaltar o seu sentido de serviço à comunidade.
Por sua vez, o Engenheiro José Honorato Gago de Medeiros, Visconde do Botelho – aqui representado pelo seu filho, o Conde de Botelho – não ficou atrás nesse espírito original impulsionador, conseguindo, além disso, através da “Cinaçor” e da “Fundação dos Botelhos de Nossa Senhora da Vida”, prolongar este precioso testemunho. Quando em outros lugares, e a pretexto da “crise do cinema”, houve quem não resistisse a ceder às enormes vantagens financeiras da exploração imobiliária ou para fins exclusivamente comerciais de espaços similares, aqui, o Teatro Micaelense, por vontade do Governo, dos seus fundadores e familiares, e dos seus accionistas, continuará, como no seu momento inicial e puro, agora readaptado numa linha de continuidade, como um centro de génese e de fruição na interacção das artes, da cultura e da economia.
Deixo, pois, em nome do Governo, o meu agradecimento àqueles e a tantos outros que não posso agora enumerar, como, por exemplo - permitam-me a excepção – o Senhor Santos Figueira, recentemente falecido, mas que teve um dos dias felizes da sua vida quando ainda pôde assistir ao lançamento desta obra.
Graças a um empenho conjunto do Governo com a Fundação dos Botelhos de Nossa Senhora da Vida, a que está intimamente associado Nuno Botelho – ao qual me liga uma amizade antiga e sincera - chegámos hoje ao fim do princípio de uma nova era deste Teatro que, doravante, tem uma missão renovada e exigente para cumprir. À sua reconstrução e adaptação a Centro Cultural e de Congressos fica, igualmente ligado, o nome de Manuel Salgado – um dos mais notáveis arquitectos portugueses contemporâneos. Em toda a organização e gestão deste empreendimento está, do mesmo modo, incluído o trabalho proficiente desenvolvido pela Administração da nova sociedade entretanto criada, presidida pelo Dr. Mário Mota Correia, com o apoio e a orientação da Secretaria Regional da Economia.
O Centro Cultural e de Congressos de Ponta Delgada implicou um investimento de cerca de oito milhões e duzentos e sessenta mil euros, constituindo, a partir deste momento, uma infra-estrutura central e uma mais-valia de enorme importância nesta cidade.
Confrontados com esta obra concluída, deparamos com a sua beleza e a sua memória, mas detemo-nos perante a sua utilidade e as suas funções logo associando-as à Cultura e ao Turismo.
Na verdade, são, hoje, visíveis os efeitos de uma política nos Açores que, nos últimos anos, tem vindo a apostar numa mudança social e cívica, prestando uma atenção mais cuidada ao património construído, ao património imaterial e ao património ambiental – elementos basilares e definidores de uma referência civilizacional e identitária e de uma estratégia do desenvolvimento do Turismo. Com efeito, a valorização pessoal, o envolvimento comunitário e a apropriação dos espaços patrimoniais conduzem a um revigoramento da vida social e, por consequência, a uma revitalização económica. Desse modo, as políticas culturais geram instrumentos fiáveis para a diversificação da base económica regional e contaminam sectores económicos diversificados – as indústrias gráficas, os media e as indústrias do lazer, por exemplo. Mas, sobretudo, são elementos cruciais para o marketing turístico, para a promoção no exterior da Região, para a animação interna e para o crescimento sustentável e qualificado.
E é neste campo que se inscreve o sector de Turismo de Congressos. O Turismo é a primeira indústria mundial e o sector de congressos revela-se de grande importância, porquanto é centro de permutas culturais, local de transacções económicas e de gestação de empresas. Um bom Centro de Congressos é, pois, um verdadeiro instrumento de atracção para o desenvolvimento local, porque é factor de dinamização e estímulo, tanto do ponto de vista económico como no plano social.
Embora mantendo as principais características arquitectónicas do Velho Teatro, muitas e diversas remodelações efectuadas fizeram deste edifício uma estrutura polivalente com áreas adequadas e de qualidade para receber diferentes tipos de eventos.
Já no pleno âmbito do seu funcionamento, o Centro Cultural e de Congressos reabrirá as suas portas no próximo dia 17 de Setembro, com um concerto inaugural de José Carreras e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, cujo produto da venda dos bilhetes reverterá para a delegação local da Liga Portuguesa contra o Cancro e que marcará o início da programação desta sua primeira temporada.
Queremos que este espaço seja também um poderoso incentivo para as mais diversas expressões artísticas que a sua concepção proporciona, despertando os sentidos não só para a observação do que nos chega como para aquilo que nós, Açorianos, somos capazes de criar. Por isso, homens e mulheres como Zeca Medeiros, Natália Almeida, Aníbal Raposo, Milagres Paz, Rodolfo Vieira, na continuidade do que têm vindo a fazer, irão, brevemente, estrear aqui novos espectáculos, no quadro de uma densa e sonante programação já estabelecida. Também outras instituições, associações e artistas Açorianos terão neste Centro um desafio exigente para mostrarem o seu trabalho e evidenciarem a sua qualidade.
Minhas Senhoras e meus Senhores
Se há poucos dias exultei, como governante, ao inaugurar a Igreja do Colégio, também nesta cidade, restituindo com esplendor um valioso património abandonado, tenho, hoje, uma acrescida emoção ao estar ligado à recuperação deste Teatro. Não o vi nascer mas ele viu-me, aqui bem à frente, quando ainda se nascia em casa. Lembro-me, então criança, por detrás dos vidros das janelas, que se embaciavam pela minha respiração deslumbrada: do ver chegar, do assomar à varanda e do sair de tanta gente que agitava o silêncio das noites de uma cidade tão recatada.
Hoje, Ponta Delgada já pode ser considerada como uma importante cidade, pejada, aliás, de gentes de outras paragens que aqui demandam por necessidade, por negócios ou pelo lazer, e que entram e saem num movimento múltiplo, entre lugares e serviços. Mas o novo “Centro Cultural e de Congressos – Teatro Micaelense” não é um lugar qualquer: é um espaço de memória, de excelência e de futuro.
Assim o quisemos, assim o fizemos.
Parabéns e o meu obrigado.






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