Inclusiva na realidade dos deficientes intelectuais



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XXII Semana de Educação da Universidade Estadual do Ceará

31 de agosto a 04 de setembro de 2015







OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO

INCLUSIVA NA REALIDADE DOS DEFICIENTES INTELECTUAIS

Vilma Soares Duarte, (UECE)

vilma.duarte@aluno.uece.br
Luziete Oliveira Silva Ribeiro, (UECE)

luzieteribeiro@hotmail.com


Ana Karla Trindade de oliveira Lima, (UECE)

akto.lima@aluno.uece.br


Resumo

Este trabalho apresenta relatos de estudos sobre aspectos históricos, sociais e culturais no âmbito da inclusão de pessoas com deficiência intelectual, salientando as dificuldades encontradas para a efetiva inclusão desses alunos e suas peculiaridades quanto ao processo de ensino e aprendizagem dentro da sala de aula regular, como também a importância da formação continuada dos profissionais que atuam no atendimento educacional especializado. Desenvolvido por alunas do curso de licenciatura de Pedagogia do Centro de Educação – CED da Universidade Estadual do Ceará – UECE. O trabalho objetivou compreender como se realiza a inclusão no ambiente da sala de aula regular, mediante observação dos profissionais e suas ações. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, em uma escola regular da rede pública municipal de Fortaleza apoiada pelo referencial teórico de Mazzota, Esther Lopes, Mantoam e textos normativos que regulamentam a educação especial e dão suporte a formação de professores para o ensino nas escolas regulares como também nas salas do atendimento educacional especial. Para isso, utilizamos como instrumento de pesquisa questionários e entrevistas semi estruturada, através dos quais podemos observar problematizar e refletir nosso objeto de estudo no desenvolver da pesquisa. Observamos como se dá o processo de inclusão, se esse de fato acontece, como acontece, e como se dá a relação escola-família no quesito “inclusão”. Compreendemos que o trabalho em conjunto da escola, do professor e da família, traz resultados satisfatório no desenvolvimento das atividades para os alunos com deficiência intelectual. Constatamos também o empenho da equipe pedagógica na elaboração do planejamento coletivo, e o comprometimento dos professores da sala regular,e do profissional do atendimento especial, como fatores importantes para um melhor desenvolvimento dos alunos.


Palavras-chave: Deficiência intelectual. Diversidade. Inclusão social.

1. INTRODUÇÃO

A inclusão de pessoas com deficiência intelectual na sociedade contemporânea, ganha espaços na busca pelos seus direitos através de muitas lutas, reivindicações e regulamentações de leis especificas para atender as diversidades das pessoas com deficiência tendo em vista as várias formas de segregação, extermínios e abandonos. Em 24 de dezembro de 1945 se institui oficialmente a Organização das Nações Unidas (ONU). Em dezembro de 1948 surge a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, o primeiro e mais importante documento internacional de Direitos Humanos, ou seja, de proteção jurídica as minorias sociais. A Declaração sobre os direitos do deficiente mental, da Assembléia Geral das nações Unidas de 20 de dezembro de 1971, que visa integrar os direitos de bem estar e readaptação dos deficientes físicos e mentais. Em 1990 a Conferencia Mundial sobre Educação para Todos, Jomtien – Tailândia define que o deficiente mental deve ser beneficiado com os mesmos direitos que os outros seres humanos. Seguido a isto, a publicação da Declaração de Salamanca institui em 1994 o uso do termo “necessidades educacionais especiais”.

Seguindo sua evolução, a História da Humanidade foi-se diversificando a visão e a compreensão que as diferentes sociedades tinham acerca da deficiência. No Egito, uma das mais antigas civilizações da humanidade, os relatos são poucos, somente eram destacadas as pessoas deficientes que participavam do alto escalão. Desde tempos remotos a exclusão é mais destacada entre os menos favorecidos, logo, uma pessoa com deficiência da classe abastada, seria mais favorecida que uma pessoa de classe inferior. Na Cidade-Estado de Esparta os bebês que nasciam com alguma deficiência eram sacrificados, sendo lançados ao mar ou em precipícios, com o objetivo de selecionar os mais fortes para as funções de guerreiros. No antigo Peloponeso os bebês deficientes eram deixados bem embrulhados numa grande panela de barro ou em um cesto, em lugares considerados sagrados. Prática essa que parecia ser menos intolerável que as demais na sociedade.

Aristóteles e Platão também concordavam com a política de exclusão dos espartanos. Porém, aos espartanos que vinham adquirir qualquer deficiência no decorrer da vida, criaram-se leis protetoras que lhes asseguravam a inclusão. Em Atenas, eram-lhe garantidos a alimentação, e qualquer agressor poderia ser processado por atos de injúria ou ataques físicos. Caso atacassem um cidadão deficiente físico, ou se o mesmo sofresse um assalto ou se fosse espancado, ou qualquer outro tipo de violência, esse cidadão tinha a liberdade de processar o agressor.

No final do século XV, a questão das pessoas com deficiência estava totalmente integrada ao contexto de pobreza e marginalidade em que se encontrava grande parte da população. Entre os séculos XV e XVIII se fortalece a ideia de que o grupo de pessoas com deficiência deveria ter atenção própria, não sendo relegado apenas a sua condição de uma parte integrante da massa de pobres ou marginalizados. A exclusão dos deficientes deixa de ser uma questão social e passa a ser entendida como um problema médico. A partir do século XX, passa a ser vivenciado o modelo médico influenciado por Philippe Pinel, que despreza a crendice entre o povo, e até entre os médicos, de que doenças mentais fossem resultados de possessão demoníaca. Pinel considerava que as doenças mentais eram resultados de pressões sociais e psicológicas excessivas, de causa hereditária ou originada de acidentes físicos.

Em diferentes países europeus foram sendo construídos os primeiros locais de atendimento específico para pessoas com deficiência, fora dos tradicionais abrigos ou asilos para pobres e velhos, que até então eram mantidos por entidades religiosas. Pedro Ponce de Leon, um monge católico da ordem dos Beneditinos, iniciou, mundialmente, a história da educação dos surdos. A primeira escola para cegos foi fundada em Paris, em 1784 por Valentin Hauyo Instituto Nacional dos Jovens Cegos. Um de seus discípulos Louis Braille, que perdeu a visão com três anos de idade, criou um sistema de letras tátil, que além das letras também tinha números e notações musicais. Na Itália, Maria Montessori, médica e educadora, desenvolveu um programa de treinamento para crianças deficientes mentais, baseado no uso sistemático e manipulação de objetos concretos.



  1. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL

Já no século XIX, alguns brasileiros iniciaram a organização de serviços de atendimento a cegos, surdos, deficientes mentais e deficientes físicos, refletindo o interesse de alguns educadores pelo atendimento educacional das pessoas com deficiências. De acordo com Mazzota (1996), o movimento mundial da inclusão chega ao Brasil com a Declaração Mundial de Educação para Todos, (Conferência de Jomtien – 1990) que propõe: uma educação, destinada a satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem, o desenvolvimento pleno das potencialidades humanas, a melhoria da qualidade de vida, e do conhecimento e a participação do cidadão na transformação cultural de sua comunidade. (art. 1º)

O atendimento escolar especial de deficiência teve seu inicio, no Brasil, na década de cinquenta do século XIX. Em 12 de setembro de 1854 foi concretizada a primeira providencia por D Pedro II, através do decreto Imperial nº 1.428, fundou o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, na cidade do Rio de Janeiro. A Instalação do Instituto Benjamim Constant (IBC) e do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) abriu possibilidade de discussão da educação dos portadores de deficiência, no 1º Congresso de Instrução Pública, em 1883. A Sociedade Pestalozzi do Brasil foi criada em 1945 por Helena Antipoff. Em 1954, foi criada a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais.

2.1 ASPECTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO CEARÁ


As práticas de inclusão no Ceará começaram a ser articuladas a partir dos anos 40, distinguindo diferentes categorias, dos considerados, inválidos. Essas ações eram consideradas de caráter assistencial e médico - terapêutica. Em 1942 deu-se o surgimento da Sociedade de atendimento aos cegos, (SAC). Logo após foi criada, em 1942, o Instituto de Educação dos Cegos no Ceará, sendo implantado também o Instituto Pestalozzi, em 1956. Ainda em 1960, influenciado pela Campanha Nacional de Educação dos surdos, o governo manifesta seu envolvimento com a escolarização especial.

2.2 DO RETARDO MENTAL À DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

Deficiência intelectual é a designação que caracteriza os problemas que ocorrem no cérebro e levam a um baixo rendimento, mas que não afetam outras regiões ou áreas cerebrais (AAMR) Associação Americana de Deficiência Mental/Retardo Mental. Os estudos mostram que o grau de comprometimento varia de pessoa para pessoa e o nível de desenvolvimento alcançado vai depender de sua história de vida, da estimulação e das oportunidades de aprendizagem e, em particular, do apoio e expectativas sociais que tiveram ao longo da vida. Por fim, a deficiência mental refere-se a um estado concreto de funcionamento que começa na infância no início dos anos escolares, caracterizado por uma lentidão incomum no desenvolvimento comportamental e estendem-se até os dezoito anos de idade. Suas limitações intelectuais coexistem associadas às habilidades adaptativas. Por isso, as pessoas que a apresentam necessitam de recursos educacionais especiais e de apoio para aprender e melhor se desenvolver. A criança com Deficiência Intelectual aprende de forma diferente, devido às informações transmitidas desordenadamente entre os sentidos e o cérebro.

Os estudiosos relatam uma diferenciação entre o retardo mental e a deficiência mental. De acordo com Mazzota (1987), retardo mental é um rebaixamento intelectual decorrente de fatores socioculturais, visto que quem não sabe ler é considerado com déficit intelectual, sem que apresente nenhuma patologia no sistema nervoso central, ao passo que a deficiência mental caracteriza-se por anormalidades de caráter irreversível. O retardo mental associado a défices biológicos não deve ser considerado como um estado irreversível. Quanto á avaliação, é importante ter em mente a coexistência das limitações e das potencialidades do avaliado. As limitações impostas pela deficiência dependem muito do desenvolvimento do individuo nas relações sociais e de seus aprendizados. Variando bastante de uma criança para outra. Mazzotta (1987), ressalta a importância do professor conhecer as características individuais dos seus alunos, não se limitando apenas aos testes de inteligência usados para classificação desses alunos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o grau de deficiência intelectual apresenta-se em quatro níveis. Com base no nível de apoio que essas pessoas exigem a atual classificação foi desenvolvida permitindo considerar que a pessoa apresenta uma deficiência mental de nível de apoio intermitente (que exige apoio apenas quando necessário); limitado (apoio em determinada área do desenvolvimento); moderado (apoio mais regular, muitas vezes diário, sem limitação temporal) ou difuso (apoio de elevada intensidade e constância) (APAE, 1999).

Em muitos casos, de deficiência mental apresentada, as causas originárias são desconhecidas. Logo não se pode classificar que a deficiência mental é uma doença, mesmo tendo como causadoras deficiências orgânicas e moléstias biológicas. Pessoas com disfunções cerebrais mínimas (DCM) apresentam dificuldades de aprendizagens motivadas por problemas nas funções do Sistema Nervoso Central. A criança apresenta dificuldades para ler, para escrever, apresenta problemas na coordenação visório-motora e espacial. Às vezes, apresenta mudança de humor, irritabilidade dentre outros sintomas comportamentais. O processo de aprendizagem ocorre de forma complexa, que a partir de mudanças no interior do indivíduo, manifesta-se exteriormente, sendo expressa por meios de ações cognitivas, emocionais e comportamentais. Já as dificuldades de aprendizagem expressam um grupo heterogêneo de desordens que impedem a percepção a compreensão e a aquisição de saberes. Essas percepções podem estar em áreas distintas como a área motora, cognitiva, sensorial, espacial e afetiva.

O direito ao atendimento educacional especializado previsto nos artigos 58, 59 e 60 da LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394 / 96 e no artigo 208, inciso III, da Constituição Federal de 1988, não substitui o direito à educação oferecida em classes da rede regular de ensino. Para efeitos da lei, os educandos com necessidades especiais devem ter uma educação especial preferencialmente, e não exclusivamente, em classes regulares, pois há serviços de apoio especializado para atender as peculiaridades do aluno da educação especial. A lei ainda prevê serviços especializados para aqueles que em função de condições específicas não serem possíveis de se integrar em classes regulares. (BRASIL, 2007).

Mesmo com toda a legislação de proteção, assegurada pela Constituição de 1988, vemos que as pessoas com deficiência absorvida pelo mercado de trabalho são aquelas com défices físicos ou sensoriais, todos possíveis de serem minorados a partir de estruturas de suporte físico, Isso não existe quando falamos de retardo mental (deficiência intelectual), razão pela qual seus índices de absorção pelo mercado de trabalho são muito menores e limitados aqueles menos comprometidos. Constantemente, as crianças com dificuldade de aprendizagem e as que apresentam retardo mental são tratadas como idiotas, anormais e diferentes, não tendo respeitadas as características peculiares de cada individuo, promovendo assim a exclusão dessas crianças dos vários ambientes, entre esses, a escola, considerada o local de maior importância para o seu desenvolvimento.

Em sociedades democráticas, a educação representa direito de toda população, incluindo então as pessoas com necessidades educacionais especiais. Quando se realiza tal afirmação significa que o sistema escolar deve receber toda e qualquer pessoa, independente de características físicas, cognitivas, comportamentais, psicossociais que as diferenciem da maioria da população. E são consideradas “especiais” apenas porque o sistema educacional até então não foi capaz de responder às suas necessidades. (DECLARAÇÂO DE SALAMANCA, 1994).

3. METODOLOGIA

O estudo é apoiado na pesquisa qualitativa com um estudo de caso. Para isso as estudantes foram a campo para observações em uma escola da rede pública do município de Fortaleza. Procuramos conhecer os coordenadores e posteriormente a diretora da escola, para esclarecermos como seria realizado nosso trabalho e efetuarmos as entrevistas. Seguindo os roteiros previamente estabelecidos observamos o espaço físico da escola e os recursos didáticos destinados ao atendimento educacional especial, como também o funcionamento da escola. Analisamos também o Projeto Político Pedagógico da escola e sua efetivação em nosso objeto de estudo.



4. ANÁLISE E DISCUSSÃO

A seguir apresentamos a entrevista com a professora do AEE, que tem sua formação em psicopedagogia pela Faculdade Farias Brito e é especializada em Psicomotricidade Relacional pelo Centro Internacional de Análise Relacional (CIAR). Logo, também apresentaremos a entrevista com a professora da sala de aula regular.

Ao ser perguntada sobre o desenvolvimento cognitivo da aluna a professora nos disse que, durante o atendimento educacional especial percebe que ela tem uma dificuldade para interpretar;

Você dá uma informação e ela demora um tempo para responder, para interpretar determinado texto ou alguma frase, mas outras coisas do dia-a-dia, ela conversa, desde que seja um diálogo fácil de entender, que não tenha palavras difíceis. (PROFESSORA DO AEE).


A professora disse que a deficiência não interfere no desenvolvimento motor. Afirmando perceber que a cognição é um pouco lenta com relação às outras crianças que ela é muito afetiva com todos.

Ao perguntarmos como a professora avaliava o desenvolvimento escolar e social da aluna com deficiência, ela nos respondeu dizendo que percebe a evolução da aluna principalmente na socialização.

Antes a aluna não falava muito, hoje frequentando o AEE, percebo que ela está mais extrovertida, conversa com todos, que faz perguntas. É a evolução dela, está mais sociável com o ambiente e com todos, está adaptada, é natural ela ficar mais a vontade. (PROFESSORA DO AEE).
A Professora também nos falou que coloca uma música bem aconchegante para o relaxamento dos alunos, organiza roda de conversa só depois começa a trabalhar, então percebe que com todos esses procedimentos a aluna fica receptiva para aprender, para conversar.

Quanto a importância do papel do AEE, as professoras concordam com o relevante progresso que os alunos apresentam depois que passaram a ser atendidos no contra turno ao que estão matriculados na classe comum e também da importância das professoras elaborarem o planejamento em comum juntamente com a equipe pedagógica da escola. Essa colaboração conjunta visa construir um sistema educacional inclusivo, numa reconfiguração das modalidades de atendimento em serviço, para os alunos com deficiência, entre os quais está a sala de recursos. (LOPES, 2010).

Sobre o aprendizado a professora do AEE respondeu:

E nossa missão é de mostrar que o aluno consegue sim aprender. Talvez ele não aprenda no mesmo ritmo que os outros, terá que ser dado mais tempo a ele para que consiga entender de outra forma, outra metodologia, com o tempo diferenciado, e ansiamos que ele busque aprender sim. É um trabalho passivo, paciente e perseverante. Por que os resultados são colhidos dia a dia, temos que estar sensíveis e prestar atenção nos resultados que são esperados diariamente. (PROFESSORA DO AEE).


Mesmo o aluno com alguma síndrome, ou com alguma deficiência ele consegue avançar, consegue se formar, consegue ter um bom emprego, se profissionalizar.

Estamos vendo isto a cada dia. “Repórter com Síndrome de Down se formando e trabalhando, autista que consegue ser músico.”

Já a professora da sala de aula regular afirmou que o AEE:

Está melhorando muito, tem ajudando muito. Pois a questão do acompanhamento é uma necessidade de muita importância. Os professores, coordenadores e a professora do AEE, sempre estão em contato com os pais. É importante o envolvimento da família, visto que muitas essas situações fogem do alcance da escola, devido a alguma dificuldade dos pais a escola está sempre buscando uma parceria com os mesmos tentando ajudar, orientar, esclarecer. (PROFESSORA DA SALA REGULAR).


A professora da sala de aula regular é formada em pedagogia e tem especialização em psicopedagogia pela Faculdade Cuiabá (FAUC), mas não atua na área da sua especialização. Trabalhando em sala de aula já ha oito anos.

Ao indagarmos a professora titular sobre a aluna do ponto de vista social afetivo, cognitivo, motor familiar e outros ela nos descreveu o dia a dia em sala de aula e dentro do espaço escolar afirmando que:

Mesmo o aluno com alguma síndrome, ou com alguma deficiência ele consegue avançar, consegue se formar, consegue ter um bom emprego, se profissionalizar. Estamos vendo isto a cada dia. “Repórter com Síndrome de Down se formando e trabalhando, autista que consegue ser músico.”

Já a professora da sala de aula regular afirmou que o AEE:

Está melhorando muito, tem ajudando muito. Pois a questão do acompanhamento é uma necessidade de muita importância. Os professores, coordenadores e a professora do AEE, sempre estão em contato com os pais. É importante o envolvimento da família, visto que muitas essas situações fogem do alcance da escola, devido a alguma dificuldade dos pais a escola está sempre buscando uma parceria com os mesmos tentando ajudar, orientar, esclarecer. (PROFESSORA DA SALA REGULAR).
A professora da sala de aula regular é formada em pedagogia e tem especialização em psicopedagogia pela Faculdade Cuiabá (FAUC), mas não atua na área da sua especialização. Trabalhando em sala de aula já ha oito anos.

Ao indagarmos a professora titular sobre a aluna do ponto de vista social afetivo, cognitivo, motor familiar e outros ela nos descreveu o dia a dia em sala de aula e dentro do espaço escolar afirmando que:

Ela interage naturalmente, normalmente é tranquila em relação aos colegas na sala, tem amigos, no horário do recreio se socializa bem, há alguns momentos que variam. O grupo já conhece e entende, e conseguem ter um bom convívio por que já sabem. Esta turma está junta desde o infantil IV, então eles foram aprendendo a lidar com os momentos difíceis dela. É uma menina ótima, adorável, muito carinhosa, mas é claro precisa da atenção, de um olhar diferenciado e de cuidados. (PROFESSORA DA SALA REGULAR).
Quando perguntada como ela - professora da sala- avaliava o desempenho escolar de sua aluna, ela explica que a aluna costuma se zangar quando não consegue realizar a tarefa, diz que não vai mais fazer, que está cansada, mas na verdade não é cansaço é porque ela não consegue realizar a tarefa. Talvez seja pela dificuldade de compreender a tarefa, por isso um auxiliar em sala de aula é de muita importância.

Nesse momento o auxiliar de sala ou um estagiário, poderia sentar ao seu lado e ajudá-la na realização da tarefa, e até com os demais e intervir nas mediações necessárias, as quais, uma professora só não consegue, se eu sentar ao lado dela, os outros ficarão sem atenção. (PROFESSORA DA SALA REGULAR).

A professora avalia que a aluna apresentou um avanço significativo no rendimento depois que passou a realizar as atividades com a professora do AEE.

Questionada sobre as preocupações apontadas no ambiente de sala de aula e quais os apoios que se sugere para que o aluno atinja os objetivos educacionais traçados para a sua turma a professora citou a importância da união dos professores e do grupo gestor na questão do apoio em sala. Relatou que antes tinha uma estagiária de psicologia que dava um apoio muito bom em sala, ajudando a todos os alunos com deficiência.

Já tentamos solicitar um estagiário ou um auxiliar, mas não conseguimos. Na verdade conseguimos uma vez, um estagiário que ficou um tempo e depois teve que ir embora e não conseguimos mais. O que faz muita falta também é o especialista, não somente um auxiliar. Na escola estamos contando agora com a professora do AEE, mas faltam ainda muitas parcerias com várias especialidades. (PROFESSORA DA SALA REGULAR).

A professora ressaltou também a importância da família sempre presente, que acompanha nas tarefas de casa dizendo que isso faz muita diferença, por que não é apenas o laudo médico, mas principalmente o acompanhamento. “Os professores, coordenadores e a professora do AEE, sempre estão em contato com os pais. É importante o envolvimento da família.” A escola dá um suporte, adequando-se as dificuldades dos alunos, contudo a participação da família e o acompanhamento junto à escola são de total importância, afirma a professora, concluindo que é por falta de apoio que há insegurança no horário do recreio.


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Historicamente as condutas sociais em relação às deficiências eram realizadas, a partir das práticas culturais da sociedade, na qual o indivíduo nascia. Imaginava-se que um ser com alguma deficiência não sobreviveria nas condições adversas daqueles grupos ou daquela população e que o sacrifício de um ser era mais válido do que o sacrifício de todos. Graças ao surgimento das ciências modernas e de alguns profissionais dedicados, esses indivíduos com deficiência tiveram oportunidades de mostrar que eram tão capazes de realizar tarefas, dentro de suas capacidades, quanto os outros da mesma comunidade tidos como “normais”. Foi através de médicos e pedagogos que o processo de inclusão dessas pessoas com deficiência começou a resultar em positivos avanços, mostrando ao mundo o que eles precisavam para se constituir em uma sociedade produtiva, como estava acontecendo através da industrialização.

Os professores que atuam em sala de aula regular ou em salas de apoio com atendimento especial consideram importante uma formação continuada incluindo todos que trabalham na escola e na educação como um todo. Dentro das perspectivas de inclusão faz necessário que os professores que atuam no ensino regular adquiriram conhecimentos específicos em várias áreas, para melhor trabalhar a efetivação e o êxito da inclusão. Lopes (2010) vem afirmar que: “a formação do professor configura um dos aspectos que dificulta a implantação da educação inclusiva na escola brasileira”.

Mediante a dificuldade de formação e a ausência de conteúdos específicos na maioria dos cursos superiores, o atendimento educacional especializado tem grande contribuição interagindo com a ação pedagógica em uma sala de aula comum, trazendo êxitos para a aprendizagem dos alunos com deficiência intelectual em uma sala de aula regular. O diagnóstico do aluno ajuda a professora a se adequar ao processo de e aprendizagem do aluno visto que o professor deve conhecer cada um dos seus alunos.

Associando a escola visitada a realidade de uma educação inclusiva na perspectiva do atendimento educacional especializado constatamos que existe uma atenção especial por parte dos colaboradores e gestores para com os alunos em geral. Existe um envolvimento da escola para superar as dificuldades visto que a captação de recursos depende do esforço de toda a comunidade escolar, mas que está atrelado a questões de políticas públicas e sociais.

A educação inclusiva é um conjunto de recursos que a escola regular deverá dispor para atender a diversidade de seus alunos. Para que a educação inclusiva se efetive na escola pública faz-se importante a capacitação dos seus professores e a sua organização para dar suporte necessário à ação pedagógica através de uma formação continuada, permitindo realizar uma ação critica reflexiva sobre as práticas aplicadas aos alunos atendendo-os em todas as suas potencialidades, para que seja atingido o desenvolvimento integral da criança e/ou do jovem em toda sua totalidade.


6. REFERÊNCIAS

MAZZOTTA, Marcos José Silveira. Educação especial no Brasil: História e política públicas. 3. Ed, São Paulo: Cortez, 2001.

--- In: Educação escolar: comum ou especial? São Paulo: Pioneira, 1987.

LEMOS, D. Deficiência e exclusão Social: Uma contribuição sócio-Juridica aos portadores de necessidades especiais. 2009. Pg. 20-51. Disponível em: http://siaibib01.univali.br/pdf/Douglas%20Lemos.pdf. Acesso em: 14 de agosto de 2015.

LOPES, Esther. Adequação curricular: um caminho para a inclusão do aluno com deficiência intelectual. Londrina, 2010. Disponível em: <http://www.uel.br/pos/mestredu/images/stories/downloads/dissertacoes/2010/2010%20-%20LOPES,%20Esther.pdf> Acesso em 14 de agosto de 2015.
MANTOAM, M.T.E., A hora da virada. Revista Inclusão. Pg., 24-28. Out/2002.

Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/revistainclusao1.pdf> Acesso: 15 de agosto de 2015.


Ministério da Educação- MEC. Formação continuada a distancia de professores para o atendimento educacional especializado. Adriana L. Limaverde Gomes Anna Costa Fernandes Cristina Abranches Mota Batista Dorivaldo Alves Salustiano Maria Teresa Eglér Mantoan Rita Vieira de Figueiredo. Brasília, DF, 2007.
Projeto Escola Viva: Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola: necessidades educacionais especiais dos alunos / Maria Salete Fábio Aranha. - Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2005.


ANEXOS

QUESTIONÁRIO DE ENTREVISTAS -

  1. Qual é o papel do AEE na escola regular?

  2. Quais as preocupações apontadas no ambiente de sala de aula e quais os apoios que se sugere para que o aluno atinja os objetivos educacionais traçados para sua turma?

  3. Qual a avaliação que o (a) Sr (a) faz sobre o desempenho escolar desse aluno?

  4. Como é esse aluno do ponto de vista social, afetivo, cognitivo, motor, familiar e outros?





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