Informações sobre os Espiritanos no Haiti



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Informações sobre os Espiritanos no Haiti
23/06/2010

De 16 a 21 de Abril de 2010, em nome do Conselho Geral, visitei o Haiti, com o fim de estudar com os nossos confrades as urgências e prioridades de reconstrução da Fundação do Haiti. Retomo aqui em grande parte o que ficou dito no relatório apresentado ao Conselho Geral, com as orientações que dele surgiram.


Sem querer repetir o que já ouvistes e vistes pela televisão, convém recordar algumas consequências do tremor de terra de 12 de Janeiro de 2010 para que tenhamos uma consciência mais clara da dificuldade de reconstrução em Porto Príncipe.
No centro, ou seja, na parte mais afectada da cidade, poucas são as casas ou edifícios ainda susceptíveis de ser utilizados. A maior parte dos edifícios governamentais ficaram totalmente destruídos; o Departamento dos impostos, por exemplo, onde no momento do sismo se encontravam reunidos o Director Geral e os Directores de impostos de Haiti. Exceptuando um que estava ausente, todos ficaram ali sepultados debaixo dos escombros. Neste Departamento estava tudo informatizado. Tudo se perdeu; nada se pôde recuperar. O Hospital Geral e a maior parte dos edifícios da Universidade, a escola pedagógica, todos estes edifícios caíram ou ficaram sem conserto possível. Disseram-me que o governo já tinha adquirido terrenos na periferia da cidade para aí reconstruir a Universidade e o Hospital Universitário (que seria financiado pela França). Aliás o Presidente continua a falar da reconstrução, em parte, fora da cidade. Quase todas as igrejas caíram. Por isso as celebrações religiosas são ao ar livre.
O trabalho, antes mesmo da reconstrução, é imenso. Em primeiro lugar é preciso retirar os escombros. Por agora vêem-se em vários sítios equipas, contratadas pelo Estado, a remover escombros tendo como único instrumento uma pequena pá de mão. O camião passa depois a carregar o lixo depositado na rua. Neste ritmo serão precisos anos só para remover os escombros.
O Estado esforçou-se por retirar, antes de mais, os escombros dos terrenos das escolas e dos hospitais. Também se começou a fazer o mesmo no Palácio Nacional. Neste caso já se lançou mão de gruas e pás mecanizadas. Mas durante a minha estadia vi poucas destas pás mecanizadas ocupadas no desaterro de escombros.
Por todo o lado se vêem tendas ou cabanas improvisadas. Para já, todos os terrenos livres foram ocupados para neles montar tendas. Foram invadidos todos os pátios possíveis, entre o quais, os recreios das escolas e até as ruas. Até vi que se construía no espaço desocupado entre os dois sentidos da estrada que se começara a construir entre Porto Príncipe e Léogane. Ao ver o ritmo destes trabalhos de remoção dos escombros, tenho a impressão de que muita gente deverá viver assim durante anos.
Quando alguém perguntou a uma mulher porque prolongava o mais possível a sua permanência no local de trabalho, ela respondeu: « em casa, é a vida debaixo da tenda! ». Basta observar este mar de tendas montadas nos campos, muito juntas umas às outras, e um pouco por toda a parte, encostadas às casas, e até na própria rua. Aí não deve ser fácil lavar-se, cozinhar etc… Mas esta situação será ainda pior durante o período das chuvas.
É difícil imaginar todas as destruições e suas consequências: quase todos os edifícios oficiais do Estado, as escolas, as igrejas, a maior parte dos comércios. O total dos mortos andará entre 200.000 e 300.000. Os feridos, que precisam de reabilitação física e psíquica são mais de 350.000. O Estado não dispõe de fundos, muitos comerciantes perderam tudo, quase nada funciona. Como pagar aos servidores do Estado, aos trabalhadores dos hospitais, das escolas? As pessoas nada têm, a maior parte delas estão desempregadas. Serão precisos pelo menos 10 anos para o país se pôr de pé…, se a ajuda estrangeira se mantiver.
Casas e obras espiritanas.
Casa Senghor

É na Comuna de Delmas. O rés-do-chão da casa está muito estragado. Em todos os quartos e salas foram colocados suportes temporários para segurar o andar de cima. Três engenheiros amigos dos Espiritanos examinaram a casa para calcular os prejuízos sofridos. Pensam que é possível reparar a casa, reforçando e consertando o rés-do-chão. Mas os inspectores do Estado também lá passaram. Aplicaram-lhe a quota 4, para dizer que ela deve ser totalmente demolida. Mas uma engenheira fez um projecto de reparação e está a ver se consegue que seja aprovado. Alimenta-se a esperança de que se possa salvar o andar de cima, o que custará seguramente muito menos do que derrobar toda a casa e reconstruí-la de novo.

Actualmente, os Espiritanos dormem em tendas e servem-se do andar de cima para guardar os seus pertences pessoais, dispor de casa de banho e de refeitório. Estão aí, regularmente, 6 sacerdotes, 9 estudantes e por vezes confrades de passagem. O rés-do-chão não se pode utilizar.
Seminário Menor – Colégio São Marcial

Este edifício onde funcionava uma escola primária, um jardim infantil e uma casa de formação espiritana, ficou completamente destruído. A escola secundária ainda ficou de pé mas inutilizada. A residência espiritana, onde estava também a biblioteca haitiana e diversas outras valências ao serviço dos alunos, não pode ser usada. O governo mandou retirar os escombros dos edifícios escolares mas poupou a residência, que terá de ser derrubada sem contemplação alguma. Fez-se um orçamento para esse trabalho: 86.000 US Dólares. O P. Arismé soube depois que o governo poderia encarregar-se da sua reconstrução, mais tarde.


Outros edifícios encontram-se ainda em bom estado ou poderão ser salvos. São eles :

- A capela, monumento histórico, que o governo quer salvar, embora tenha sido seriamente abalada; o governo estaria mesmo disposto a restaurá-la.


- Os escritórios de um andar, construídos pela cooperação francesa, equipados com material informático: foram transformados em escritórios das escolas. Os computadores salvaram-se mas a informática, por enquanto, não funciona.
- Um anexo da Residência poderia ainda servir; tem de ser inspeccionado.
- A Residência das Irmãs, propriedade dos Espiritanos, precisa de ser reparada e poderá ser utilizada como residência dos Espiritanos ou como casa de formação.
Logo após o sismo, os Espiritanos movimentaram-se para salvar o que era possível ser salvo, sobretudo a Biblioteca Haitiana cujos livros se guardaram em caixas, provisoriamente colocadas na capela, à espera de encontrar contentores com condições de temperatura adequada que proteja os livros.
È preciso repor os muros da nossa cerca. Provisoriamente foram colocadas chapas de zinco que fazem de parede para evitar os roubos; mas já se começou a substituição do zinco por muros de cimento.
Outro problema urgente: comprar reservatórios de grandes dimensões para armazenar água suficiente para as necessidades da escola. Os que existiam foram destruídos. Como a água corrente só raramente chega às casas, é preciso comprá-la chamando os camiões cisternas (estamos á espera que uma empresa alemã financie a compra e a instalação dos depósitos).
O Governo faz pressão sobre as Congregações religiosas para que recomecem o ensino, porque isso faria com que também as Escolas públicas abrissem as suas portas (convém esclarecer que 80% das escolas do Haiti são privadas). Com este fim em vista, o governo retirou os escombros dos edifícios destruídos; forneceu tendas; montou uma espécie de hangares provisórios que poderão servir de sala de aulas: o chão é de cimento, as paredes de pranchas de madeira e os tectos de chapas de zinco. Não terão o conforto das salas anteriores, mas poderão servir para nelas se darem aulas, enquanto se aguarda a construção definitiva.
Os Espiritanos não querem recomeçar imediatamente porque não sabem como poderão encontrar o dinheiro para pagar ao pessoal (41.825,09) USD por mês. Terão que fazer o que todas as outras congregações fazem. O Governo ajudará a pagar os salários? Ninguém acredita nisso. Que é que os pais poderão pagar? Muitos perderam tudo ou estão desempregados. Alguns nada tinham pago ainda desde o princípio do ano. Disseram-me que, depois da devolução do colégio em 1995, os que o frequentam não são os ricos mas os pobres. Há uma organização de Antigos Alunos do Colégio (cujo presidente é Simão Domingos, primo do nosso confrade falecido Max) que anda a angariar bolsas de estudo para alunos cujos pais têm dificuldade em pagar as propinas escolares. A abertura das aulas teve lugar na segunda-feira, dia 19 de Abril com a presença de cerca de 80% dos alunos; o que foi considerado com um excelente resultado.
Para os Espiritanos do Haiti o Seminário Menor – Colégio de São Marcial tem uma importância especial. Trata-se de uma escola muito ligada à sua história. O colégio tinha sido doado pelo arcebispo de Porto do Príncipe em 1871 para pagamento de uma dívida. Foi neste colégio que os confrades recusaram dobrar a cabeça diante da ditadura de Duvalier, razão pela qual foram expulsos em 1969. Trata-se de uma obra educacional das mais importantes e famosas. Sem dúvida que foi por estas razões que o ministro da Educação e a primeira-dama ali compareceram no dia 19 de Abril, para a reabertura das aulas.
Já se começou a pensar na reconstrução de São Marcial. Antigos Alunos do colégio ofereceram-se para elaborar os planos. Os Espiritanos pensam que é uma ilusão contar com a ajuda do Governo: ele já tem demasiados problemas.
Casas de São Martinho

São as únicas casas que parece não terem sofrido desgastes graves. Mas o campo de jogos está pejado de tendas, e dentro da cerca há dois organismos que prestam serviços à população: Médicos do Mundo e Serviço Católico de Ajuda.

OUTRAS OBRAS ONDE TRABALHAM OS ESPIRITANOS
Paróquia do Perpétuo Socorro na Côte-Plage, Carrefour

Os Espiritanos depois da criação da paróquia em 2000 nunca ali tiveram casa. A casa onde viviam era alugada e foi muito estragada pelo tremor de terra; o tecto mantém-se devido a dois pilares que ali foram colocados depois do sismo. Os espiritanos dormem em tendas no largo perto da casa. A proprietária parece não estar interessada na sua reparação


Fomos ver uma casa que está à venda, a alguns metros da igreja; parece estar em bom estado, com muitos quartos e sobretudo com muito espaço a permitir ulteriores desenvolvimentos. Os Espiritanos querem comprá-la. Pedem por ela 130.000 USD. Poderia assinar-se o contrato com a entrega de uma prestação de 20.000 USD.
Furcy

Não fui a Furcy. Informaram-me que a casa onde vivem os Espiritanos necessita de reparação urgente, embora os estragos não estejam ligados ao tremor de terra. Esta casa não pertence à Fundação do Haiti; trata-se de uma casa da paróquia confiada aos Espiritanos.

Para já, o P. Simon Habens vive ali sozinho; só lá poderá viver um outro confrade depois de se fazerem obras.

O P. Habens informou-nos, e com fotografias, que duas das três igrejas foram totalmente destruídas pelo sismo. Tinha na sua mão um plano de reconstrução muito simples, elaborado por um arquitecto; custaria mais ou menos uns 33.000 USD. Tem ainda um projecto de reparação da casa onde vive, mas ainda sem orçamentos.


Os projectos do P. José Filipe

Fiquei admirado ao ver num calendário o número de lugares, em todo o território do Haití, onde se encontra implantada a organização FONKOZE, uma espécie de Banca de pequenos créditos para os pobres, que se adapta às possibilidades próprias de cada um e o acompanha. FONKOZE, na sua implantação foi apoiada por uma senhora americana, Anne Hasting, que sempre nela trabalhou. Esta senhora e o P. Filipe vão receber um prémio em Cartagena (Colômbia) no dia 8 de Abril, concedido pela schwab foundation for social entrepreneurship, the voice of Social innovation. pela mesma obra, o P. José vai receber também um diploma Honoris causa de Doutor em Letras, em 22 de Maio de 2010, na Universidade jesuíta de São Francisco.


O P. Joseph criou ainda em Fondwa, em 1988, a Associação dos Camponeses de Fondwa, que pôs em funcionamento vários serviços de base em favor da população desta pequena vila de 8.000 habitantes: serviços de saúde, finanças, formação agrícola, escola primária, escola secundária, Universidade de Fondwa. Quase tudo foi destruído pelo terramoto. Mas estas actividades já renasceram, em grande parte. Podereis encontrar mais informações no site: http://www.apfhaiti.org/index.php.
O P. José falou-me do perigo que podem criar as ONGs estrangeiras que chegam ao Haiti para ajudar, com projectos bem pormenorizados, mas a partir da sua concepção das necessidades, sem terem escutado os próprios haitianos. Segundo ele, as consequências a longo prazo, poderão ser piores que o sismo porque induzem a população à irresponsabilidade. E deu-me o exemplo de uma ONG que se instalou recentemente em Fondwa: paga aos seus empregados o dobro do salário que as organizações locais pagam, gerando assim uma competitividade desleal.

URGÊNCIAS E PRIORIDADES


A. PARA AS CASAS E OBRAS ESPIRITANAS

Examinado este relatório, o Conselho Geral acha que há três prioridades que devem mobilizar, o mais rapidamente possível, a ajuda de todos os Espiritanos para com os nossos confrades espiritanos do Haiti: ter alojamento, financiamento do ano de noviciado em França para 5 noviços haitianos e o recomeço das actividades no Colégio São Marcial.

Infelizmente ainda não foi possível enviar-nos todos os cálculos das despesas.
1.Ajudar os Espiritanos de Porto Príncipe a conseguir alojamento o mais depressa possível.

Primeiro a reparação e apetrechamento do edifício chamado « Casa das Irmãs » situada no interior da cerca do Colégio de São Marcial, casa que pertence aos Espiritanos e que as Irmãs já não vão usar. Os inspectores que a examinaram dizem que precisa de ser reparada mas poderá ser habitada.

Reparação rápida da Casa Senghor, se possível; no caso contrário proceder à sua reconstrução mas a longo prazo. É preciso aguardar a decisão final do governo.
2. Financiamento de um ano de noviciado (2010-2011) para os cinco noviços haitianos em França.

O orçamento estabelecido para este ano de noviciado é de 80.000 €. As províncias da Europa já prometeram 27.000 €. Faltam 53.000.

3. Ajudar o recomeço das actividades no Colégio de São Marcial.

A reconstrução da cerca em toda a volta do complexo de São Marcial é trabalho urgente. O custo desta obra é de 86.134,31 USD

Ajudar durante alguns meses o Colégio a pagar os salários do pessoal, que é de 41.825,09 USD, por mês.

Os vossos donativos podem ser enviados quer ao Ecónomo Geral em Roma, quer ao Ecónomo da Província dos Estados Unidos ou à Procuradoria da Rue Lhomond, em Paris. Precisamos imediatamente desses donativos para as necessidades descritas.

Qualquer que seja a modalidade de envio, pedimos que o Ecónomo Geral seja informado dos donativos enviados.
Após o apelo à solidariedade da Congregação em favor da Fundação do Haiti, lançado no dia 18 de Março de 2010, no Nº 247 de Breves Notícias Espiritanas, o Economato Geral foi informado de que os donativos já atingiram o valor total de 83.756 €. Além disso, fomos informados de que as províncias da América do Norte entregariam donativos que ultrapassarão os 200.000 USD. Perante a imensidade das necessidades, é de esperar que seja possível ultrapassar estas verbas.
4. Reconstrução do Colégio de São Marcial

Estamos conscientes de que a nossa Congregação não terá meios financeiros para reconstruir o Colégio de São Marcial. Mas, poderíamos ajudar a sua reconstrução convidando os alunos das escolas secundárias e superiores espiritanas e outras, bem como os pais dos alunos, a solidarizarem-se com esta instituição. Para colaborar na montagem de uma recolha de fundos, pedimos aos responsáveis do Colégio que preparem um dossier que vos poderemos enviar mais tarde

OBRAS ONDE TRABALHAM ESPIRITANOS
O Conselho Geral convida-nos ainda a ajudar os Espiritanos do Haití a encontrar benfeitores que possam financiar outras obras onde trabalham alguns deles:
1. Reparação da casa de Furcy

Esta casa não pertence aos espiritanos, pertence á paróquia a eles confiada. Mas os Espiritanos sentem-se na obrigação de se ocuparem da sua reparação, que é urgente.


2. Encontrar 20.000 USD como primeira entrega para a compra duma casa em Côte-Plage, casa que já dispõe de 4 quartos e que permitirá ulteriores desenvolvimentos. Serviria de residência para os dois confrades encarregados da Paróquia do Perpétuo Socorro, actualmente a dormir em tendas. Permitiria várias instalações muito úteis numa paróquia. Para os nossos confrades haitianos seria uma pechincha, mas é preciso assinar o contrato antes que outra pessoa o faça.
3. Ajudar a reconstruir as obras da Associação de Camponeses de Fondwa.
REFLEXÃO DE UMA SENHORA

No dia da abertura das aulas no Colégio de São Marcial, cumprimentámos uma senhora que ali chegou para retomar o seu trabalho. Em vez de responder ao nosso cumprimento, deixou-nos a sua mensagem: «Agora temos de duplicar os nossos esforços. Deus ainda nos conservou a vida, é preciso fazê-la render...» Pode parecer uma fé infantil, mas é esta fé que move montanhas.



Autor/Fonte: www.espiritanos.org






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