Iniciativa internacional de polinizadores



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NOTA TÉCNICA
A IMPORTÂNCIA DE COLEÇÕES DE ABELHAS E DOS CHECKLISTS PARA A

INICIATIVA INTERNACIONAL DE POLINIZADORES.

Isabel Alves dos Santos


INTRODUÇÃO
Os POLINIZADORES são agentes ou vetores que transportam os grãos de pólen entre as flores e promovem assim parte importante do processo de fertilização das plantas. Entre os muitos animais polinizadores temos vertebrados (morcegos e aves principalmente) e muitos insetos como moscas, borboletas, besouros, vespas, e principalmente as abelhas, pois elas dependem dos produtos das flores para sua sobrevivência.

Em relação a outros países o Brasil possui uma situação especial quando se trata de estudos com abelhas silvestres. Casualmente, ou melhor, devido a alguns pesquisadores de renome como Prof. J. S. Moure, Prof. W. Kerr e Prof. P. Nogueira Neto, temos uma comunidade científica numerosa estudando vários aspectos das abelhas brasileiras. Nos últimos 30 anos mais de 60 inventários sobre a apifauna foram realizados no país (Pinheiro Machado et al. 2002). Com exceção da região amazônica (devido a sua imensidão e muitas vezes inacessibilidade) e partes da região centro-oeste, os outros grandes ecossistemas do território brasileiro já foram amostrados. Estamos longe de uma síntese sobre as abelhas brasileiras, mas já temos uma boa idéia da riqueza dos Apiformes no Brasil e como estes estão distribuídos geograficamente nos nossos biomas. Silveira & Campos (1995) contabilizaram 257 espécies de abelhas no cerrado no interior de Minas Gerais e São Paulo. Pedro & Camargo (2000) apresentaram uma lista com 729 espécies de abelhas para o estado de São Paulo. No Rio Grande do Sul, Wittmann et al (submetido) identificaram 675 espécies nos diferentes ecossistemas gaúchos e 586 plantas melíferas. Segundo Silveira et al. (2002) até o momento temos aproximadamente 1.600 espécies de abelhas descritas. Estima-se que este número ultrapasse 3.000.

A maioria dos levantamentos de abelhas realizados no Brasil adota a metodologia proposta por Sakagami et al (1967) de coleta de abelhas em flores com rede entomológica ou estabelece pequenas modificações. Assim, na maioria das vezes, a lista das espécies de abelhas vem acompanhada dos dados das plantas melíferas. Isto diferencia substancialmente a coleta de dados ou a lista das espécies de outros grupos de polinizadores. Por exemplo, vespas, moscas, besouros, borboletas muitas vezes são coletados com armadilhas ou em métodos de varredura, sem necessariamente conter notas sobre as plantas visitadas, hospedeiras ou associadas. O papel destes insetos como polinizadores na maioria das vezes é detectado apenas em estudos de casos específicos sobre a polinização de determinadas plantas. Desta maneira, os checklist de abelhas são de maior serventia e aplicabilidade para o programa da Iniciativa Brasileira de Polinizadores (BPI – sigla em inglês).

Pelos motivos acima apresentados, nesta nota técnica será tratada a situação das coleções de abelhas no Brasil. Outros grupos de polinizadores serão mencionados de maneira geral conforme a disponibilidade de dados.

Este documento está organizado da seguinte forma: primeiro apresenta-se uma breve descrição das coleções de abelhas internacionais mais importantes (onde estão muitos holótipos de abelhas neotropicais), depois um diagnóstico das coleções de abelhas no Brasil e por fim, diretrizes e estratégias para as melhorias das coleções brasileiras de polinizadores no horizonte de 10 anos. Com este relato objetiva-se apontar pontos fortes e fracos sobre o nosso acervo bem como sugerir estratégias para ampliar o conhecimento sobre os agentes polinizadores
1. Coleções de abelhas de outros países

As coleções de abelhas servem como exemplo da importância dos acervos entomológicos e do valor que existe por trás de uma boa coleção. Os museus norte-americanos, atualmente detentores das coleções mais completas, se enaltecem desta qualidade e não economizam na aquisição de novos depósitos, seja por compra de coleções completas ou então promovendo grandes expedições de coletas. Há uma disputa entre eles (uma disputa saudável) de quem seria o detentor do maior número de espécies, maior número de exemplares, maior número de holótipos, exemplares mais raros, etc.

As coleções de abelhas mais importantes em termos de representação, número de depósitos e quantidade de holótipos são as coleções norte-americanas e européias. Em museus antigos e tradicionais como o Museu de Berlin, de Paris e de Londres estão depositadas coleções e tipos dos antigos naturalistas que descreveram boa parte das espécies de abelhas, como Friese, Lepeletier e Haliday. Porém, nestes museus a aquisição de novos materiais não é tão ativa. Por sua vez, as coleções norte-americanas (principalmente dos EUA) incrementam constantemente seus acervos através de coletas intensivas no próprio EUA ou grandes expedições fora do país ou do continente. Um exemplo é o Programa Cooperativo sobre a Apifauna Mexicana (PCAM) que envolveu vários grupos dos EUA e México. A seguir faremos um breve relato destas coleções.
1. American Museum of Natural History (AMNH)

Situado em Nova York, o AMNH existe desde 1860. Trata-se de um dos mais importantes museus de história natural e dos mais visitados. A exposição ao público é grande, moderna e interativa.

Por lá passaram sistematas de abelhas como Herbert F. Schwarz e Charles D. Michener. Entre holótipos, neótipos e lectótipos a coleção possui 1100 exemplares tipos. O acervo conta com 435.000 espécimes alfinetados de abelhas, além do material conservado em álcool e congelado (deepfreezer). O atual curador da seção de abelhas é o Dr. Jerome G. Rozen. Sua especialidade é o estudo da biologia, processos de nidificação e desenvolvimento ontogenético de abelhas e parasitas associados. Assim, a coleção de larvas e imaturos de abelhas certamente é a mais completa do mundo. O AMNH também possui provavelmente a melhor coleção de insetos em âmbar, devido aos pesquisadores ativos nesta área: David Grimaldi e Michael Engel. A ampliação do acervo se dá por aquisição de coleções completas (através de doação ou compra) e expedições dos pesquisadores. Recentemente a coleção de Haroldo Toro (do Chile) foi incorporada ao acervo do AMNH. Há uma boa amostra de abelhas da oeste dos EUA (Arizona, por exemplo), África, Ásia e Oriente Médio (destaque para material da Turquia e Egito).

A coleção está dividida em 2 salas. A maior parte, incluindo os tipos, está junto à coleção principal de insetos do museu, em sala climatizada, de acesso restrito, com armários de aço com sistema deslizante. Uma outra parte, aqui se incluindo os Andrenidae, Colletidae e os imaturos, está em armários de aço (modelo antigo) na sala do curador. A coleção ainda não foi digitalizada.


2. Snow Entomological Museum (SEMC) - University of Kansas

A Universidade de Kansas possui uma escola tradicional em Sistemática de Insetos e por isso possui uma coleção muito ampla. Há mais de 50 anos o Prof. Charles D. Michener trabalha nesta Universidade (atualmente como professor aposentado), onde orientou e formou muitos alunos. Desde sua chegada a Kansas, a Universidade se tornou um centro de referência no que diz respeito à sistemática de Apoidea. Muitos pesquisadores e estudantes brasileiros também passaram por lá, entre eles: Prof. Jesus Santiago Moure, Sebastião Laroca, Fernando Silveira, Gabriel Melo e Beatriz Coelho.

Trata-se talvez do mais completo acervo de abelhas, com aproximadamente meio milhão de exemplares (550 mil) e representantes de mais de 80% das espécies descritas. Um fator de destaque nesta coleção são os acervos de outros continentes. O Prof. Michener passou longas temporadas fora de Kansas: um ano na Austrália, um ano no Brasil, um ano na África, vários meses no Panamá, entre outros. Nestas viagens ou longas estadas produziu monografias extensas sobre as abelhas da região, descrevendo muitas espécies novas, como por exemplo: Bees of Panamá e Bees of Austrália. Boa parte deste material foi depositada na coleção da Univ. Kansas. Além disso, o acervo sempre foi incrementado com grandes expedições de coleta. Por exemplo, Robert Brooks, o ex-curador da coleção, realizou trabalhos na África (em Madagascar), na Bolívia, Equador, Peru, Trinidad Tobago e Venezuela; Michael Engel, o atual curador, realiza constantemente expedições para a Ásia central.

Recentemente uma coleção muito importante, a coleção Donald and Madge Baker, foi incorporada ao SEMC. Tratava-se de uma coleção autônoma de um inglês chamado Donald Baker, que realizou coletas em locais pouco amostrados anteriormente do sul e centro da Ásia e Oriente Médio. Ele esteve em regiões quase inacessíveis para muitos ocidentais (não militares). A coleção é impecável e contêm mais de 55 mil espécimes (entre eles muitas espécies novas e raras).

Na Universidade de Kansas a coleção de abelhas está separada dos demais insetos e ocupa uma sala de aproximadamente 80m2. Os armários são antigos, em sua maioria de ferro, e gavetas de madeira ou papelão. A sala é climatizada, mas o clima predominantemente seco da região ajuda na conservação dos espécimes. Os tipos são mantidos em uma pequena sala separada. A coleção está em boa parte digitalizada com código de barras. A lista das espécies de Andrenidae já encontra-se disponível: http://nhm.ku.edu/ksem/collect/txdvrsty/bees/bees.html


  1. U.S. National Pollinating Insects Collection em Logan, Utah.

Trata-se de uma coleção muito importante que pertence ao Ministério da Agricultura (ARS). O acervo fica no Laboratório de Biologia e Sistemática de Abelhas no campus da Universidade Estadual de Utah em Logan. Contém aproximadamente 1 milhão de exemplares de abelhas e vespas provenientes de muitos projetos do grupo, inicialmente encabeçado por E. Evans e G. Bohart. Atualmente o curador da coleção é o Dr. Terry Griswold, especialista em Megachilidae.

Na coleção estão depositados materiais de grandes expedições realizadas na América do Norte e Central (principalmente México e Costa Rica), Argentina, Espanha e em alguns locais do sul da Ásia. As coletas são feitas com métodos diversos, mas principalmente com armadilhas de Malaise e pantraps (pratos coloridos). O material é fixado primeiramente (no campo) em álcool 100% (o que possibilita o uso para futuras análises moleculares) e depois ao preparar para conservação em caixas entomológicas é re-hidratado e alfinetado. Surpreendentemente esta metodologia não danifica a qualidade do material. Pelo contrário, os espécimes ficam extremamente limpos e com a pilosidade ouriçada.

Com estas metodologias de coleta maciça, o número de exemplares aumenta rapidamente, mas, não necessariamente o número de espécies. Assim, há muitas réplicas, séries muito grandes da mesma espécie, mesma localidade, dia, coletor, etc. Além disso, as informações sobre as plantas visitadas não são registradas.

De qualquer forma, esta coleção é importante e muitíssimo bem curada, boa parte já está digitalizada (com etiquetas de código de barras). A coleção ocupa cerca de 50% do espaço de uma sala de aproximadamente 100m2 com condições controladas de temperatura e umidade. Os armários são gabinetes de metal, alumínio, e gavetas de madeira. Na mesma sala ficam os estudantes e pesquisadores do grupo.




  1. National Museum of Natural History. Smithsonian Institution, Washington DC

A coleção de insetos do NMNH existe desde 1881. Lá estão depositados entre 300 e 400 mil exemplares de abelhas, inclusive da coleção de Paul Hurd. A coleção é moderna (salas e armários). Atualmente não há um curador específico para Hymenoptera.
5. California Academy of Sciences, em São Francisco CA

Esta coleção pertence ao Depto. de Entomologia que existe desde 1862. Apesar da maior parte do material de Hymenoptera constituir Sphecidae, neste acervo estão depositados importantes coleções de abelhas e tipos de Cockerell, La Berge, Linsley, Krombein, Viereck, Michener e Thorp. Possui material do mundo todo, mas predominam exemplares do oeste da América do Norte e da América do Sul (Galápagos), África tropical, Filipinas e Austrália. A coleção detém 3526 tipos de himenópteros.


6. Museu de Berlin

A coleção do museu de Berlin permaneceu por muitos anos isolada, pois estava situava em Berlin Oriental, e a visita era restrita. A coleção de abelhas deve contar com aproximadamente 30 mil exemplares, dos quais mais de 90% são de coletas antigas. De qualquer maneira é um importante acervo de referência, pois lá foram depositados as coleções de Friese, Strand, e também alguns tipos de Ducke e Cockerell.


7. Museum National D´Histoire Naturelle (MNHN) Museu de Paris

A coleção de Hymenoptera de Paris é de grande interesse para o mundo, pois lá estão depositados cerca de 6 mil holótipos. Boa parte do material provem de países africanos (ex colônias francesas) e também da América do Sul (Brasil, Guianas, etc). As abelhas perfazem aproximadamente 200 mil exemplares. O museu é muito antigo e as tradições são seguidas há mais de um século. As coleções e tipos de Latreille, Cresson, Lepeletier, Vachal, Saussure estão depositados ali exatamente como foram deixados pelos pesquisadores. Ou seja, na mesma gaveta, na mesma posição, holótipos junto com outros exemplares, etc. Após exame do material, o pesquisador deve recolocar os espécimes no mesmo local de onde foram retirados (sem deslocar nenhum alfinete). Muitos pesquisadores criticam a curadoria e manutenção que é feita nesta coleção. As gavetas são arquivadas verticalmente. Caso o usuário encontre um exemplar caído ou quebrado, as regras obrigam a deixar do jeito que está.


Além dos acervos acima descritos seria importante ainda mencionar as seguintes coleções de referência: Na Europa, o Museu de Londres (The Natural History Museum) e de Oxford; na América do Norte a coleção particular de Jack Neff (Central Texas Melittological Institute) no Texas; no México as coleções vinculadas a Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM) uma localizada na capital e a outra (mais completa) numa estação de pesquisa (Estacion Biologia Chamela) em Jalisco (o curador responsável é o Dr. Ricardo Ayala-Barajas especialista em Centridini, Meliponini, Ptiloglossa, entre outros). Na América Central temos coleções de referência no Panamá e na Costa Rica (Museo de Insetos da Universidade da Costa Rica, curador Dr. Paul Hanson. Lá está a coleção Álvaro Wille). Na América do Sul, além do Brasil que será tratado particularmente abaixo, destacamos a Colômbia com 4 coleções: duas em Bogotá da Universidade Nacional de Colômbia (uma delas coordenada pela Dra Guiomar Nates-Parra), uma em Medellín, uma em Cali, além de uma particular do prof. F. Fernandez (especialista em formigas e vespas). A Fundação Humboldt é o órgão responsável pelo estudo da biodiversidade no país e também mantenedora da coleção de Medellin. Na Argentina temos uma coleção de referência no Museo Argentina de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”, onde o responsável é o Dr. Arturo Roig Alsina, especialista em vários grupos de Apiformes. O Chile também possui uma escola tradicional em sistemática de abelhas, com nomes como Haroldo Toro (falecido há poucos anos) e Luisa Ruz (especialista em Panurginae, Andrenidae).

2. Situação no Brasil: diagnóstico e análise crítica das nossas coleções de abelhas.

Como mencionado na introdução o Brasil possui um número surpreendente de pesquisadores trabalhando com abelhas. De norte a sul do país temos grupos tradicionais, consolidados ou em consolidação.

Em cada Instituição onde há um grupo de pesquisa (pequeno ou grande) estudando abelhas temos coleções e acúmulo de material. Este quadro, apesar de não ser necessariamente o ideal, se justifica pelo desejo e necessidade do grupo ter amostras representativas de sua região, bem como material de referência (identificados por especialistas) para comparação. Os projetos de pesquisa geralmente incluem levantamentos na região e resultam em uma nova coleção de abelhas. Muitas vezes os espécimes ficam depositados inadequadamente no laboratório ou provisoriamente na própria sala do pesquisador. Estas coleções variam de tamanho: de algumas centenas a milhares de exemplares. Entre pequenas e grandes contabilizamos mais de 20 coleções de abelhas no país.

Estes acervos apresentam condições distintas que vão de boa, adequada, expansiva e bem organizada até condições inadequadas, deficientes ou precárias. Os próprios grandes museus com tradicionais coleções de insetos também apresentam condições distintas com relação ao acervo de abelhas. A seguir faremos um diagnóstico destas tantas coleções, começando pelos acervos mais tradicionais, depois aqueles já consolidados e por fim os emergentes. A tabela 1 apresenta um resumo destas coleções.


2.1. Museus de Zoologia ou História Natural

Neste item incluímos o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP), localizado em São Paulo, capital; o Museu Nacional (MN), vinculado a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sediado na cidade do Rio de Janeiro; o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) situado em Belém do Pará, e a Coleção de Insetos da Universidade Federal do Paraná, localizado no campus da UFPR em Curitiba. Nestes 4 acervos temos importantes coleções de abelhas.


O Museu Nacional foi fundado por D. João IV em 1818 como Museu Real. O acervo possui exemplares antigos e lá foi depositado há cerca de 3 anos o material da coleção de Carlos Alberto Campos Seabra. A coleção conta com 35 a 40 mil exemplares montados, de abelhas de praticamente todo o território nacional, muitas vezes grandes séries. Há 10 holótipos de espécies descritas por Moure. O curador é o Dr. Miguel A. Monné (especialista em Coleoptera).

O Museu Paraense Emílio Goeldi que existe desde o final do século XIX abriga um importante acervo de material amazônico. Guarda 90 exemplares-tipo, entre parátipos e holótipos dos seguintes grupos: Anthidiini, Centridini, Ceratinini, Colletinae, Ericrocidini, Euglossina, Halictinae, Lithurgini, Meliponina, Emphorini, Panurginae, Paracolletinae, Rophitinae, Tetrapediini e Xylocopini. Estima-se 16.000 exemplares de abelhas na coleção, com boa parte do material identificada por especialistas, como A . Ducke, Pe. J. S. Moure, C. Michener, J. M. Camargo e D. Roubik. Recentemente taxonomistas colaboradores do grupo como Márcio Oliveira, Gabriel Melo e Favízia de Oliveira examinaram ou emprestaram exemplares da coleção de abelhas, incrementando ainda mais a lista das espécies identificadas (648 espécies identificadas). O curador atual, Dr. Orlando Tobias Silveira, especialista em Vespidae, tem projetos de levantamentos na região costeira do Amapá, em Caxiuanã e na região da Serra do Cachimbo no Pará. Assim, a coleção tem expandido e recebido novos depósitos.

O Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo iniciado no final do século XIX é considerado o maior acervo zoológico da América do Sul. A coleção de Hymenoptera abriga mais de um milhão de exemplares com os principais grupos da região Neotropical e estima-se que existam mais de 10.000 espécies. Para as abelhas há um importante material (inclusive muitos tipos) proveniente das coleções Brèthes, Ducke, Friese, von Ihering, Moure e Schrottky. As abelhas contabilizam aproximadamente 35.000 exemplares acondicionadas em 153 gavetas. O número de espécies provavelmente ultrapassa 300. A coleção é moderna e encontra-se em bom estado de conservação e organização. O curador responsável é o Dr. Carlos Roberto Ferreira Brandão e curadora auxiliar a Dra. Beatriz Woiski T. Coelho, especialista em Halictidae.

A Coleção Entomológica Pe. Jesus Santiago Moure do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná em Curitiba tem um histórico mais complexo. O Depto. de Zoologia da Universidade Federal do Paraná possui a melhor escola em Entomologia do país. É considerado um centro de excelência e formou muitos mestres e doutores em Entomologia. A coleção de insetos “Pe. Jesus Santiago Moure” contém 3,5 milhões de exemplares montados e etiquetados. Devido ao Prof. Moure lá se formou um grupo tradicional de sistemática de abelhas. A coleção de abelhas desta instituição certamente é a mais completa do país em termos de número de espécies e representatividade de varias regiões geográficas. A coleção abriga aproximadamente 340 mil exemplares e cerca de 600 holótipos, principalmente das espécies descritas por Moure, Urban e Melo. O acervo tem origens distintas:



  1. coletas gerais do grupo (não específica para Hymenoptera ou abelhas)

  2. material recebido de toda a parte do país para identificação. Parte deste material permanece na coleção (por doação).

  3. soma de coleções “individuais” ou autônomas (Moure, Laroca, Melo) que hoje formam uma única coleção.

Boa parte do acervo de abelhas encontra-se em uma grande sala com condições difíceis de trabalho (cheiro forte de produtos químicos) e com o material ainda não separado em tribos ou gêneros. Assim, neste acervo seria necessário um trabalho árduo e intensivo de triagem do material, modernização dos armários (com sistema deslizante, que ocupa menos espaço e requer menor quantidade de produtos químicos) e identificação dos espécimes (ação que requer um trabalho em conjunto com vários especialistas). Atualmente trabalham neste Depto. o próprio Prof. J. S. Moure, os professores Dra. Danúncia Urban (especialista em Anthidiini, Eucerini e outros), Dr. Vinalto Graf, Dr. Gabriel Melo (especialista em vários grupos de Apoidea) e seus alunos que estão revisando alguns grupos de abelhas.
2.2. Coleções de abelhas consolidadas

Nesta “categoria” estão várias coleções de grande importância. Geralmente iniciadas devido à presença de um ou mais pesquisador na Instituição trabalhando com abelhas e orientando novos alunos no assunto, consolidando um grupo de referência.

Aqui incluímos coleções com mais de 20 mil exemplares e cuja identificação do material foi feita em boa parte por especialistas. O material geralmente encontra-se em boas condições de conservação e organização.
Na região sudeste destacamos duas coleções no estado de São Paulo e outras duas no estado de Minas Gerais. São elas:

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