Iniciativa internacional de polinizadores



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FFCLRP USP em Ribeirão Preto


Trata-se de uma das melhores coleções de abelha do país. Existe desde 1965. O estado de conservação e organização é impecável. Possui exemplares de todo o país, inclusive de alguns países vizinhos, porém destaque maior se dá para a fauna amazônica, resultante de expedições realizadas pelo Prof. Camargo. A coleção de abelhas sem ferrão certamente é a mais completa do mundo com mais de 140 mil exemplares alfinetados e outros tantos em álcool, ninhos e um acervo de imagens (slides) precioso. Levantamentos de abelhas em áreas de cerrado, campo rupestre, desertos e ambientes modificados ampliaram os números da coleção. Dois sistematas lideram o grupo: Prof. J. M. F. Camargo e Dra. Silvia Pedro, ambos especialistas em meliponíneos. A coleção está localizada em uma sala climatizada com armários apropriados. Situa-se no campus da USP de Ribeirão Preto.
CEPANN / IBUSP em São Paulo

Esta coleção foi iniciada pelo Prof. Paulo Nogueira Neto. Possui exemplares de varias localidades do Brasil, alguns do exterior (África, Ásia, EUA e América Central) mas concentra material da região sudeste, proveniente de levantamentos realizados pelo grupo. Apesar de não ser uma coleção temática, o acervo contem uma boa amostra de abelhas da Mata Atlântica e meliponÍneos de todo país. O Laboratório de Abelhas mantém bons contatos e relacionamentos com meliponicultores de todo país. Assim, constantemente, material enviado para identificação do norte e nordeste fica depositado na coleção. O acervo contabiliza cerca de 26 mil exemplares e mais de 400 espécies identificadas por especialistas colaboradores. A coleção está localizada em uma pequena sala do Laboratório de Abelhas no campus da USP de São Paulo. Os armários são modernos de aço com sistema deslizante, gavetas entomológicas de madeira e com condições controladas de temperatura e umidade. Os dados estão sendo digitalizados em banco de dados (com apoio da Fapesp) e muitas espécies foram fotografadas. A coleção foi recentemente regulamentada pelo IBAMA.



ICB / UFMG em Belo Horizonte

Liderada pelo Prof. Fernando Silveira, esta coleção representa um importante acervo de abelhas do cerrado, zona da mata e campos rupestres de Minas Gerais. É uma coleção de âmbito regional, porém possui exemplares de outros estados e países como Estados Unidos, México, Peru, Chile e Argentina. Todas as famílias de abelhas que ocorrem no Brasil estão representadas na coleção. Possui alguns parátipos e holótipos de espécies cujas descrições estão em preparação. A coleção recebe constantemente novos depósitos procedentes de inventários regionais na Zona Metalúrgica, cerrado no oeste, noroeste e norte de Minas Gerais, Cadeia do Espinhaço, a fauna de Euglossina em fragmentos florestais e estudos de caso como: os visitantes florais do algodão. Na coleção há alguns ninhos conservados de Xylocopa e Megachile. A maior parte do material está separada em morfoespécies e talvez um terço identificada até espécie por especialistas. A coleção está digitalizada no banco de dados Access, mas será organizada futuramente para o sistema Specify (compatível com o Access). O acervo apresenta bom estado de conservação e organização. A coleção está num aposento isolado de 8 m2 do Laboratório, com condições climáticas controladas. O acervo deverá ser incorporado futuramente às Coleções Taxonômicas do ICB/UFMG. Site para consulta: http://www.icb.ufmg.br/~abelhas/



UFV – Viçosa.

A coleção de abelhas de UFV está associada ao Apiário e fica localizada no campus da Universidade Federal de Viçosa. É uma coleção de insetos, que conta com 10-20 mil exemplares de abelhas coletadas em diferentes partes do território nacional. Grande parte destas abelhas está identificada. Responsável pelo acervo é o Prof. Lucio Antonio de Oliveira Campos

No Sul do Brasil, temos um importante acervo no Rio Grande do Sul:



MCT / PUCRS em Porto Alegre;

Esta coleção foi iniciada há cerca de 20 anos pelo Prof. Dieter Wittmann. Seu material foi primeiramente depositado na Fundação Zoobotânica (onde ainda permanece em parte), mas após sua associação a PUCRS uma nova coleção de referência foi iniciada. O primeiro acervo provém de coletas realizadas por ele e Dra. Magali Hoffman em todo estado. O que resultou em uma lista com mais de 300 espécies (Wittmann & Hoffman 1989). Posteriormente e durante os últimos 15 anos vários levantamentos foram feitos em ecossistemas particulares do estado do Rio Grande do Sul (Schlindwein 1995, Alves dos Santos 1999, Harter 1999). Após estes inventários o número de espécies aumentou consideravelmente (Wittmann et al submetido) e revelou que o Rio Grande do Sul possui um apifauna especial com predomínio de grupos particulares e mesclas de elementos da fauna andina e de regiões de clima temperado com elementos de clima tropical. No Rio Grande do Sul ocorre o limite sul de distribuição geográfica de Euglossini e muitos Meliponini. O número de espécies da família Colletidae e tribo Augochlorini é surpreendente. O acervo apresenta bom estado de conservação e organização. As espécies foram em sua maioria identificadas por especialistas. A coleção situa-se no Lab. de Pesquisas Biológicas (LPB), mas pertence ao Museu de Ciência e Tecnologia (MCT).


No Nordeste destacamos 4 coleções associadas as grupos de pesquisa em atividade: UFPB em João Pessoa, UFPE em Recife, UFBA e EBDA em Salvador.

A Coleção Entomológica do Departamento de Sistemática e Ecologia pertence a (UFPB) Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa. É uma coleção de âmbito regional com exemplares da Caatinga, Restinga e Mata Atlânica do nordeste do Brasil. Há outros insetos como Coleoptera, Lepidoptera, Homoptera (part. Membracidae), Diptera, mas predomina Apoidea Apiformes, Scarabeidae, Sphingidae , Membracidae. Estima-se ca 20.000 exemplares de abelhas, com cerca de 200 espécies. A maior parte do material foi identificada por especialistas. Há alguns parátipos. A coleção está parcialmente digitalizada em Access e Excell. Este acervo existe desde a década de1970 e a coleção está registrada como fiel depositária no IBAMA/CGEN. O Curador responsável é o Dr. Celso Feitosa Martins

Na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em Recife existe uma coleção importante e abrangente de insetos polinizadores. São 30 mil exemplares, cerca de 20 mil de abelhas, e os outros 10 mil de Sphingidae, Coleoptera, borboletas e vespas. A coleção contabiliza cerca de 600 espécies identificadas de abelhas, porém não apenas do nordeste. O material foi identificado por especialistas. A coleção é representativa principalmente para Pernambuco e Paraíba, mas há abelhas de outras partes do nordeste e outros estados. Os parátipos de Euglossa perpulchra e Protomeliturga catimbaui estão depositados na UFPE. Inventários regionais como a apifauna da Reserva Nacional Vale de Catimbau; do baixo e médio São Francisco (Xingo), Esfingídeos da Mata Atlântica de PE, Esfingídeos da Caatinga (RN), Borboletas da Reserva Nacional de Catimbau, Besouros antófilos da Mata Atlântica, abelhas e plantas do Agreste pernambucano, e vários estudos de caso incrementam este acervo diversificado. As coletas são feitas com rede entomológica em flores, com iscas de fragrâncias para coleta de Euglossini, armadilhas para borboletas, armadilhas luminosas para esfingídeos e besouros. Cerca de 25.000 espécimes estão registrados em banco de dados Access. O responsável pelo acervo é o Dr. Clemens Schlindwein.

Em Salvador há duas coleções que vêem se destacando. A primeira delas no Departamento de Zoologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). É uma coleção de âmbito regional com representantes de Apoidea coletados em flores e armadilhas de vários biomas da Bahia. No acervo predominam os euglossíneos. Há alguns parátipos. Holótipos de espécies novas encontradas pelo grupo foram depositados na coleção da UFPR. A maioria do material foi identificada por especialistas. A coleção recebe periodicamente novos depósitos provenientes de projetos do grupo ou inventário regional (a lista dos projetos está no site: www.labea.ufba.br). A curadoria da coleção é realizada pela equipe do Laboratório de Biologia e Ecologia de Abelhas/LABEA coordenado pela Dra. Blandina Felipe Viana. A maior parte da coleção está digitalizada em banco de dados Access; os exemplares estão numerados com numeração própria.

A segunda é a coleção da EBDA (Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola) que conta com cerca de 25 mil exemplares e 500 espécies identificadas de Hymenoptera (Apoidea, Formicidae, Vespidae, Mutilidae). Nesta coleção está depositado um holótipo e 250 parátipos de espécies descritas por Moure. A coleção está sob responsabilidade da Dra. Marina S. Castro e apresenta ótimas condições de conservação, com armários apropriados e sala climatizada.

2.3. Coleções de abelhas em consolidação

Nesta “categoria” estão várias coleções também importantes, porém menores, em fase de consolidação ou com mais carência.

Da mesma forma elas se iniciaram devido à presença de um ou mais pesquisadores na Instituição trabalhando com abelhas. Muitas vezes, o material coletado pelo grupo foi depositado em outra coleção maior ou cedido para várias Instituições. Mas, se tornou importante ter uma amostra de referencia para triagem de novos materiais e início de certa independência do grupo com relação à identificação.

Aqui temos coleções de diferentes status e condições de conservação e organização.

No norte e no nordeste, por exemplo, temos pelo menos 5 acervos:

1. UFCG – no Centro de Saúde e Tecnologia Rural da Universidade Federal de Campina Grande, em Patos na Paraíba. Lá temos uma coleção com cerca de 5mil exemplares, principalmente de abelhas. Apesar de ser uma coleção ainda modesta possui 150 espécies identificadas de abelhas e parátipos de Centris (Paracentris) e de Caenonomada. O acervo está sob o comando do Dr. Fernando C. Zanella. Inventários regionais em andamento, como por exemplo, sobre a apifauna da Estação Ecológica do Seridó, abelhas, vespas solitárias e euglossíneos do Pico do Jabre, Maturéia, bem como estudos de caso dos polinizadores da acerola e do algodão estão ampliando o acervo de insetos do semi árido.

2. UFMA - Universidade Federal do Maranhão, em São Luís, MA. A coleção existe desde 1992 e está sediada no Laboratório de Estudos sobre Abelhas-Lea. A coleção abriga principalmente Hymenoptera (com predomínio das tribos Meliponini e Centridini) e outros grupos de insetos como Lepidoptera, Coleoptera, Odonata e Hemiptera. Estima-se aproximadamente 13.000 exemplares, sendo 260 espécies de abelhas identificadas por especialistas. O acervo está digitalizado em Excel e está sob a responsabilidade das Dras. Márcia Rêgo e Patrícia Albuquerque.

3. INPA – Instituto de Pesquisas Amazônicas em Manaus. A coleção de abelhas do INPA é de âmbito regional, com muitos exemplares dos estados da Amazônia, Roraima e Acre, mas também abriga alguns espécimes de outros estados (região sudeste e nordeste) e de outros países da América Central e do Sul. Estima-se 35 mil exemplares de abelhas com predomínio de meliponíneos e euglossíneos. Há o holótipo de Exaerete lepeletieri e 2 ou 3 parátipos. Boa parte do material das abelhas sem ferrão é proveniente das expedições do Prof. Camargo (FFCLRP/USP) na região amazônica. Atualmente há estudantes desenvolvendo projetos de levantamento no Pico da Neblina. Segundo informação do curador, Dr. Márcio Oliveira, há 43 mil registros de Hymenoptera em planilhas Excell.

4. UFAC - Universidade Federal do Acre em Rio Branco. Trata-se de uma pequena coleção mantida pelo Dr. Elder F. Morato para servir de referência para seus trabalhos e de seus alunos. É um acervo de âmbito local, com predomínio de abelhas e vespas que nidificam em cavidades. Estima-se 300 exemplares na coleção e 60 espécies. Todo o material anteriormente coletado pela equipe do Acre foi depositado em coleções de outros centros como Museu de Zoologia da USP, Ribeirão Preto, UFMG e UFV.

5. Embrapa em Belém do Pará e Universidade Estadual de Santa Cruz em Ihéus, BA - Nestas duas Instituições sabe-se da existência de acervos regionais resultantes de projetos dos grupos de pesquisa, porém não temos os números para dimensioná-los.


No sul do Brasil, temos mais três coleções:

6. UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina em Florianópolis. Trata-se de uma coleção modesta, com cerca de 1300 exemplares, porém com uma excelente amostragem da apifauna (170 espécies) principalmente da ilha de Florianópolis. O acervo está em boas condições de organização, e conservação. Responsáveis: Dras. Josefina Steiner e Anne Zillikens.

7. UNESC – Universidade do Extremo Sul Catarinense, em Criciúma. Esta coleção foi iniciada há cerca de 3 anos e contém principalmente exemplares representantes da região sul do estado de Santa Catarina e da Serra catarinense. Contém cerca de 6.500 exemplares resultantes de coletas de alunos e da pesquisadora responsável, Dra. Isabel Alves dos Santos.

8. MZUEL- Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Londrina. O museu possui uma coleção zoológica com abelhas, aves e morcegos, regulamentada pelo Ibama. O acervo das abelhas está sob responsabilidade da Dra. Silvia H. Sofia


Na região sudeste temos pelo menos mais duas coleções:

9. UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) na cidade de Campos de Goytacazes, RJ. Trata-se de uma coleção com cerca de 50mil exemplares de insetos, inclusive muitos holótipos e parátipos. A coleção está sob curadoria da Profa. Magali Hoffman. O acervo das abelhas merece destaque, pois conta com mais de 300 espécies e 12 mil exemplares, e está ganhando reforços com projetos sobre os polinizadores (da Dra. Cristina Gaglianone) e levantamentos no Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro da equipe.

10. UNESP – Universidade Estadual Paulista conta com modestos acervos nos vários campi (Bauru, Rio Claro e S. J. Rio Preto). Em Rio Claro há uma pequena coleção de referência resultante de projetos do grupo da Profa. Maria José O. Campos, que está provisoriamente depositada no Centro de Estudos de Insetos Sociais. Em Bauru, o acervo de âmbito local está sob responsabilidade da Dra. Fátima Knoll.
Na região Centro-Oeste temos pelo menos outras duas coleções, das quais não se tem muitas informações sobre os números do acervo:

11. UFMS – Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Uma coleção com amostras de abelhas da região dos arredores de Corumbá, Dourados e Campo Grande.

12. UNB – Universidade de Brasília, no Distrito Federal. A UNB possui uma coleção entomológica ligada ao Depto. de Zoologia. Não se tem exatamente os dados quantitativos da coleção de abelhas, mas, sabe-se que os Hymenoptera e Lepidoptera predominam. O curador é o Dr. Carlos Eduardo G. Pinheiro
Muitas das coleções acima mencionadas sofrem com falta de espaço físico e geralmente estão acondicionadas na sala do próprio pesquisador ou em corredores. Os armários nem sempre são adequados e bem vedados. Mesmo assim, estas coleções representam importantes acervos da apifauna brasileira.

Na tabela 1 temos um resumo das principais coleções com números obtidos com os curadores das mesmas. Somando-se as informações disponíveis sobre número de espécimes atingimos valores próximos a 850 mil exemplares de abelhas. As pequenas coleções não foram computadas, e devem somar juntas entre 10-20 mil exemplares. Porém mesmo que atingíssemos 1 milhão de espécimes nas muitas coleções, este número ainda é pequeno. Apenas a coleção do USDA em Logan possui esta quantidade. Cabe ressaltar que não estamos tratando apenas de números quantitativos, mas sim de ter uma amostra representativa de todos os biomas do país e de forma homogênea para as diferentes regiões.

Um aspecto ainda mais preocupante será estimar o número de espécies em nossas coleções, devido aos problemas que serão discutidos no próximo item. Mas, segundo Silveira et al (2002) temos cerca de 1.600 espécies descritas para o Brasil. Um catálogo foi iniciado por Moure, Urban e Graf há poucos anos (Urban & Moure 2001, 2002, Moure et al 2002, Moure & Urban 2002a, 2002b) e que atualmente encontra-se em fase de finalização

Por fim, geograficamente temos coleções de norte a sul no país, mas não necessariamente de forma balanceada. O sul e sudeste do país concentram os maiores acervos e de certa forma possuem espécies de todo território nacional. Já, algumas coleções do norte e nordeste concentram acervos de caráter mais regional. Esta configuração até poderia ser mantida. Se tivermos 2-3 acervos no país (MZUSP, UFPR e talvez USP Ribeirão) com amostras de todo território e mantivermos boas coleções de referência regionais, ou ainda coleções temáticas, isso seria de certa forma suficiente. Mas, devemos zelar pela boa qualidade destes acervos, seja qual dimensão for.


A seguir discutiremos carências destas muitas coleções e o que é necessário fazer para aumentarmos nosso acervo e conhecimento sobre as abelhas brasileiras e outros polinizadores.
3) Diretrizes e estratégias para melhorias das coleções brasileiras de polinizadores no horizonte de 10 anos
Cada acervo acima mencionado tem suas particularidades e carências, mas algumas necessidades são comuns. Apontamos problemas de pelo menos quatro ordens:


  1. Infraestrutura – Melhorias das condições das coleções (espaço e infraestrutura).

  2. Ampliação – ampliar as amostras e expandir os acervos

  3. Identificação do material.

  4. Informatização – organização do acervo e disponibilização dos dados.

Para amenizar estas carências temos providências ao curto, médio e longo prazo a serem tomadas. Os itens 1 e 2 são os mais fáceis de solucionar, pois dependem apenas de recurso financeiro. Com recurso é possível adquirir equipamentos e promover expedições de coleta em áreas ainda não amostradas.

Os itens 3 e 4 são mais complexos e só serão solucionados a médio e longo prazo. Identificar o material que já existe nas coleções requer um trabalho árduo de todos os sistematas de abelhas que existem no país e aqueles que ainda serão formados! Podemos até promover cursos de identificação (como já ocorreu na UFMG) ou formar parassistematas que poderiam triar o material rapidamente. Porém, aqui estamos tratando de um problema ainda maior que são os grupos de abelhas que ainda não foram estudados ou revisados. São muitos, e são numerosos. Por exemplo, apenas o gênero Augochloropsis estima-se que seja da ordem de mais de 200 espécies (Moure com. pes.) sendo que há 138 espécies descritas. Vários outros exemplos poderiam ser citados, mas resumindo, talvez metade de nossa apifauna ainda é desconhecida. Segundo Silveira et al (2002) o esforço taxonômico em nosso país aumentou significativamente na última década. Porém, no ritmo em que estamos levaríamos mais 60 anos para revisar os gêneros de abelhas do Brasil e pelo menos 200 anos para revisar nossas espécies (Silveira et al 2002). Sem estas revisões infelizmente não podemos identificar nossas abelhas.

Para mudar este quadro precisamos primeiro atrair e incentivar estudantes no tema da taxonomia de insetos. Deveríamos de certa forma garantir sua formação (com bolsas de mestrado, doutorado e pós doutorado) bem como sua colocação profissional futura.

O quarto item – informatização do acervo- será praticamente uma conseqüência de todos anteriores. Tendo boa infraestrutura e o material parcialmente ou totalmente identificado, os curadores automaticamente sentirão necessidade de ter seus bancos de dados. Para iniciar este processo precisam de um bom computador, programas compatíveis e um técnico de nível superior para alimentar o banco de dados. Posteriormente seus acervos deverão ser inseridos em uma base de dados online, com ferramentas para produzir mapas de distribuição geográfica (ex. CRIA /Biota), modelagem e onde possam ser utilizados para pesquisa em outros centros.
3.1. INFRAESTRUTURA - Melhorias das condições físicas das coleções

Nem toda Instituição necessita uma coleção de abelhas. Mas, as que tiverem, necessitam boas condições de manutenção. Ou seja, os insetos devem ser mantidos de preferência em salas com controle de umidade, em armários e gavetas apropriados. Das 21 coleções relacionadas pelo menos 10 carecem destas condições. No item 4 (abaixo) apresenta-se uma tabela contendo materiais e custos estimados para melhorar todas as coleções já existentes. Basicamente providenciaríamos armários entomológicos com gavetas apropriadas, um bom material óptico e um desumidificador.

Com relação ao espaço físico da sala de coleção, às vezes o problema é relativo. Na UFMG, por exemplo, temos uma boa coleção de abelhas em uma sala de 8m². No IBUSP a sala da coleção CEPANN possui cerca de 12m² mas, lá foram alojados armários com sistema deslizante que comporta mais de 300 gavetas e mais prateleiras para material em álcool, potes e ninhos. Atualmente com os armários compactados economiza-se muito espaço e previne-se de uso excessivo de produtos químicos. Para futuras análises moleculares recomenda-se o armazenamento de parte do material coletado em álcool ou deepfrezer.

Para as coleções de médio e grande porte seria ideal ter um técnico para montagem dos espécimes e preparação do material de um modo geral, etiquetar e alimentar banco de dados, limpar exemplares contaminados, reparar eventuais exemplares quebrados, etc.


3. 2. AMPLIAÇÃO DOS ACERVOS

Primeiramente os sistematas de abelhas deveriam se reunir e mapear as áreas e/ou ecossistemas que ainda não amostrados, escolher pontos estratégicos (“hotspots” das abelhas) e planejar grandes expedições de coleta. Este esforço seria primeiramente feito em conjunto com várias equipes do país. E os métodos de coleta teriam que ser diversos (não apenas com rede em flores) utilizando iscas, armadilhas e redes de espera e todas as técnicas conhecidas para uma rápida avaliação. Posteriormente locais de maior interesse seriam re-estudados por equipe local.

Para viabilizar esta idéia precisamos de recursos que custeiem as viagens das equipes, material de coleta e de preparação dos espécimes (alfinetes entomológicos por exemplo).
3. 3. IDENTIFICAÇÃO DO MATERIAL COLETADO

Como já mencionado acima, um dos maiores problemas a ser enfrentado é a identificação das espécies. Para começar é preciso achar uma maneira de comparar as morfoespécies. Gêneros muito numerosos, como Augochloropsis, Augochlora, Dialictus, Hylaeus e Megachile, que ainda não foram revisados, são listados com numeração própria de cada coleção. É comum, por exemplo, em listas de espécies encontrarmos Augochloropsis sp 17, Dialictus sp22, etc.

Os sistematas atuais estão sobrecarregados e recebem material de todo país.

Procedimentos práticos para dar inicio ao longo processo de identificação:

- Oferta de um curso de identificação de abelhas itinerante (curso nos moldes do Fernando Silveira) em cada Instituição onde há um grupo de pesquisa e uma pequena coleção. O treinamento seria com o próprio material da coleção local.

- Treinamento de parasistematas (técnicos ou alunos).

- Publicação de chaves de identificação para espécies. Auxílio para sistematas para confeccionar e publicar as chaves (de preferência ilustradas) dos gêneros já revisados.

- Incentivo aos estudos taxonômicos:

- Abrir edital (no CNPq e FAPs) de bolsas especiais para teses de sistemática de insetos.

- Instituir o prêmio Moure para as melhores teses em taxonomia de abelhas. O prêmio pode ser bianual (entregue no: Encontro sobre Abelhas de Ribeirão Preto realizado em anos pares).

- publicação das revisões na íntegra. De preferência versões impressas e eletrônicas.
3. 4. INFORMATIZAÇÃO

A informatização das coleções basicamente seria adotar programas compatíveis (já utilizados em museus tradicionais) e cada curador se responsabilizar por alimentar os bancos de dados.

Em muitas coleções é comum encontrarmos espécimes com etiquetas provisórias ou etiquetas de campo (às vezes apenas com um código do autor e coletor). Nestes casos, a substituição por etiquetas definitivas é fundamental. Primeiramente localização dos dados de campos, com alunos que realizaram levantamentos e não etiquetaram e posteriormente substituição das etiquetas contendo pelo menos localidade, data e coletor.

3. 5. METAS ESPECÍFICAS E PRODUTOS ESPERADOS:

Algumas metas especificas abaixo relacionadas são esperadas a curto prazo.
- Recuperação e organização da coleção do Museu Nacional no RJ

- Incrementação das coleções do INPA e Goeldi.

- Implantação de uma coleção chave para o nordeste (Bahia ou Paraíba)

- Triagem e identificação do material da coleção de Curitiba.

- Modernização da coleção de Curitiba.

- Catalogação dos exemplares tipos.



- Elaboração de uma síntese sobre as abelhas brasileiras (poderia ser a 2. edição de Silveira et al. acrescida de mais ilustrações e chaves para as espécies).
4. Custos aproximados para melhoria das coleções existentes
Tabela 2: Infraestrutura para melhoria das coleções de polinizadores e custo aproximado.

Material

Quantidade

Destino

Valor unitário

Valor total

Material Permanente













Armários deslizantes com 3-4 partições

10

P/ pequenas coleções

25.000,00

250.000,00

Armários deslizantes com 10 partições

3

P/ grandes coleções

60.000,00

180.000,00

Lupa

8




20.000,00

160.000,00

Gavetas entomológicas

2.500




R$ 45,00

112.500,00

caixas acrílicas

40.000




R$ 2,50

100.000,00

Ar condicionado

10




500,00

5.000,00

Desumidificador

10




600,00

6.000,00

Computador

10




4.000,00

40.000,00

Material de consumo (vários)*










200.000,00

Custo com pessoal


Bolsas de mestrado Bolsas de doutorado

Técnicos p/ coleção


20

10



5




Valor de tabelas do CNPq ou Capes



Expedições


Viagens (passagens)

Diárias


Material de coleta

(redes, iscas, etc)

GPS

Imagens de satélite Mapas














Publicação

Catálogo

Chaves de identific.


Serviços gráficos

Digitalização

Pranchas coloridas













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