Inocente sedutora



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Julia Históricos 1463 – Inocente Sedutora – Kathryn Caskie


INOCENTE SEDUTORA

Kathryn Caskie


Inglaterra, século XIX

Uma vez sedutor, sempre sedutor!
Minha amiga, saiba que eu, Meredith Merriweather, arquitetei um plano para provar que o famoso “regenerado ex-conquistador” Alexander Lamont continua sendo tão conquistador quanto antes. E que essa história de que ele tenha se tornado um homem respeitoso, não passa de pura enganação. Para completar meu guia de conselhos úteis para jovens damas, e evitar que se deixem engabelar pela lábia de homens infames como ele, estou disposta a me oferecer como isca! Agora, o impertinente diz que eu sou a mulher da vida dele! Tudo bem... eu até admito que Alex tem olhos lindos e um sorriso irresistível... Mas, Senhor do céu, será possível que meu destino é me sentir atraída por homens do tipo em quem nenhuma dama de respeito pode confiar... Quanto mais se apaixonar?


Digitalização: Simoninha

Revisão: Carina

Formatação: Cris Paiva

“Enriquecido pelo estilo picante e espirituoso de Kathryn Caskie e protagonizado por personagens inesquecíveis, Inocente Sedutora é um romance esplêndido, magnificamente bem-construído, um glorioso regalo para o coração e para a mente!” – Kathe Robin (Romantic Times)


“As leitoras vão adorar a maneira como Kathryn Caskie teceu a trama de um conto romântico que cativa, captura e hipnotiza!” – Debbie (A Romance Review)
“Este romance precioso e adorável vai encantar e seduzir o seu coração... Não deixe de ler!” – Sabrina Jeffries (autora best seller do New York Times)
“Os romances de Kathryn Caskie transbordam senso de humor, sensualidade e picardia.” – Cathy Maxwell (autora best seller do New York Times)
“Absolutamente maravilhoso, adorável e delicioso!” – Leitora
“Um romance histórico divertido e sexy! Parabéns, Kathryn Caskie, Inocente Sedutora é uma obra-prima!” – Leitora

Querida leitora,
Meredith Merriweather está escrevendo um livro sobre homens conquistadores, nobres cavalheiros libertinos e devassos que circulam nas altas esferas da sociedade. Com isso, ela espera alertar outras mulheres e evitar que passem pela mesma experiência que ela passou, ao ser rejeitada pelo homem que a cortejava. Para dar a seu livro um desfecho glorioso e provar que os homens não se emendam nunca, Meredith arquitetou um plano no qual se propõe a ser, ela própria, a “isca”. Deixe-se transportar para os requintados salões ingleses do século XIX e aprenda com Meredith o que uma dama precisa saber...
Leonice Pomponio

Editora Romances Históricos

Copyright © 2005 by Kathryn Caskie Originalmente publicado em 2005

pela Warner Book Group

PUBLICADO SOB ACORDO COM WARNER BOOK GROUP

NY, NY - USA Todos os direitos reservados.

Todos os personagens desta obra são fictícios.

Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência.

TÍTULO ORIGINAL: A Lady's Guide to Rakes

EDITORA: Leonice Pomponio

ASSISTENTE EDITORIAL: Patrícia Chaves

EDIÇÃO/TEXTO

Tradução: Silvia M. Caldiron Rezende

Copidesque: Maria da Penha Faria

Revisão: Rinaldo Milesi

ARTE: Mônica Maldonado

ILUSTRAÇÃO: Thomas Schliick

MARKETING/COMERCIAL: Silvia Campos

PRODUÇÃO GRÁFICA: Sônia Sassi

PAGINAÇÃO: Dany Editora Ltda.

© 2007 Editora Nova Cultural Ltda.

Rua Paes Leme, 524 - IO9 andar - CEP 05424-010 - São Paulo - SP



www.novacultural.com.br

Premedia, impressão e acabamento: RR Donnelley Moore



CAPÍTULO I
O calor emitido pelo fogo do antigo balão era tão intenso que gotas de suor brotavam sob o espartilho de Meredith Merriweather. Apesar do calor, a persistente senhorita apontava com firmeza seu binóculo na direção do elegante cavalheiro que caminhava às margens do encrespado Serpentine, apenas alguns metros abaixo.

— Senhor, não poderia abaixar o balão um pouco mais? — Meredith pediu educadamente ao piloto. — Ele está indo embora!

— Tentarei fazer o possível, senhorita, mas não prometo nada — o irlandês resmungou.

Focalizando com o binóculo foi possível ver uma mulher de cabelos pretos vindo da direção norte.



Vá em frente, Giselle, Meredith comentou consigo mesma. Use todo seu charme.

A beleza sedutora da cortesã francesa era irresistível a qualquer homem. Aquele não seria exceção.

A imensa sombra do balão encobriu o cavalheiro ao passar por cima de sua cabeça, escondendo o sol. Sua reação foi olhar para cima, curioso.

Meredith ficou tensa, mas logo relaxou. Afinal, não havia nada a temer. Quem iria suspeitar de um balão sobrevoando o Hyde Park? Esse era um acontecimento que vinha se tornando até mesmo banal nos últimos tempos.

Mais uma vez o binóculo mirou Giselle, e foi com certa angústia que Meredith constatou que a moça estava levando o sujeito para debaixo de algumas árvores em vez de ficar a céu aberto, conforme o combinado.

— Vamos acabar por perdê-los de vista. Abaixe o balão um pouco mais, por favor.

— Desculpe-me, senhorita. — O piloto lançou um olhar cor­tante para a passageira, que pagara tarifa dobrada pelo passeio. — Se descermos mais, acabaremos nos enroscando na copa das árvores. A senhorita deve estar muito desesperada para espionar aquele sujeito a ponto de querer arriscar a própria vida dessa maneira!

Que afronta!

— Como ousa me acusar de espionagem?! Estou conduzindo um experimento científico que o senhor está prestes a destruir por se recusar a colaborar.

Com um dar de ombros resignado, o piloto fez uma manobra arriscada que balançou forte o cesto, e Meredith acabou se dese­quilibrando e indo parar com as mãos apoiadas nos quadris do piloto, que a amparou com satisfação e um sorriso maroto nos lábios.

Sem jeito, Meredith se recompôs e se recostou no canto oposto. Então aquilo seria o mais próximo que conseguira chegar do mais famoso cafajeste de Londres? Que fosse, pois, apesar de estar mui­tos metros acima, a distância já era muito mais próxima do que o limite do suportável.

Meredith teve sua reputação manchada, dois anos atrás, por culpa de um sujeito da mesma estirpe de Alexander Lamont. Por isso, sabia muito bem o tamanho do estrago que ele, e seus seme­lhantes, eram capazes de efetuar.

Meredith se encostou na borda do cesto e tornou a pôr o binóculo sobre os olhos, fitando direto para o cavalheiro de porte ele­gante que desfilava, lá embaixo.

Era incrível, mas, mesmo daquela altura, o poder de atração do biltre ainda era grande. Com traços marcantes e um rosto anguloso, ele era mais alto que a maioria dos homens. Seus ombros eram largos, a cintura, bem demarcada, e as coxas deliciosamente es­culpidas saltavam na calça justa. Não havia como negar: era um perfeito exemplar do espécime masculino.

Porém, de acordo com as conversas que transitavam nas casas de chá, era também o exemplo perfeito de malandro. Seu nome estava ligado aos das mulheres de pior reputação da sociedade às coristas de teatro. Isso, contudo, não era o que o elevava ao patamar mais alto da malandragem. O fato de ter sido flagrado na cama com a jovem esposa de um dos respeitáveis membros da Câmara dos Comuns, foi o que acabou lhe conferindo a fama de maior canalha de Londres.

Os comentários mais recentes, no entanto, diziam que ele tinha se regenerado. Nem por um momento, contudo, Meredith acredi­tou que Alexander, o libertino lorde Lansing, se redimira, aban­donando os velhos hábitos.

Era simplesmente impossível. E ela iria provar isso ao observar os progressos de Giselle em trazer à tona a verdadeira natureza daquele inútil.

— Por favor, só mais um pouquinho para baixo — Meredith implorou ao piloto.

O irlandês fez que não.

— É uma péssima idéia, senhorita.

Meredith conteve a ira e, em vez de gritar, tirou quatro moedas de ouro da bolsinha.

— Um guinéu por metro e tenho certeza de que o senhor con­seguirá dar um jeito de baixar um pouco mais esta geringonça.

O homem hesitou, mas estava claro, pela situação precária do cesto e pela maneira como olhava para as moedas, que o pedido seria atendido.

Como se pressentisse o perigo, Alexander Lamont fitou o imen­so balão vermelho, que àquela altura estava bem próximo do chão.

Meredith escondeu o binóculo dentro do cesto e olhou para o Serpentine, como se estivesse observando os patos nadando. E, de repente, um solavanco a alarmou.

O balão esbarrou nas copas das árvores, e seu tecido verme­lho aos poucos foi se enroscando nos galhos, enquanto perdiam altitude.

Com um grito assustado, Meredith se encolheu dentro do cesto, protegendo o rosto com as mãos.

— O balão furou! Nós vamos cair! Segure firme, senhorita!

Mas não havia onde se segurar ali dentro.

— Segurar-me onde?!

Era tarde demais. Com a força do impacto da batida contra os galhos, Meredith foi arremessada para fora como se fosse a última gota de chá do bule, e assim foi caindo até alcançar o solo, ferindo-se em galhos que iam destruindo seu vestido e arranhando sua pele.

A última visão de Meredith foram os olhos assustados de Alexander Lamont.

Minhas costelas devem estar quebradas. Talvez a coluna também.

Ali, jazendo na poeira, a única certeza de Alexander era de que seu novo fraque azul estava totalmente destruído.

O que, afinal, acontecera?

Alexander ergueu a cabeça e deparou com a cena intrigante: um par de pernas femininas enroscada entre as suas.

Grande ironia. Bastou assumir o celibato e tentar se comportar como o exemplo vivo do decoro até o dia de seu casamento, para as mulheres começarem a cair do céu.

Devagar, Alexander se sentou e se pôs a remover para o lado a jovem, naquela confusão de seda azul.

A dama não se movia, e por um segundo, passou por sua cabeça que ela poderia estar morta. Mas então um olhar mais apurado mostrou que os seios se moviam de acordo com a respiração suave.

— Senhorita?

Nenhuma resposta.

— Por favor, a senhorita está prendendo a circulação de minhas pernas.

Silêncio; a situação se mostrava pior do que o imaginado.

Lorde Lansing ergueu a mão direita, que sem querer se envolveu numa teia de fios cor de cobre. Insistiu mais um pouco, e seus dedos deslizaram pelas longas madeixas até seu anel de sinete dourado se enroscar e com ele puxar um único fio, o que acabou despertando a bela adormecida.

Após um gemidozinho causado pelo cabelo arrancado, o lorde se viu perante, os olhos mais azuis que já vira um dia, brilhantes como um par de safiras polidas.

— O senhor pretende arrancar todos os fios de cabelos de minha cabeça ou me deixará com alguns?

Era melhor não responder, pois a vida já deixara claro para ele que não valia a pena entrar numa discussão com uma mulher.

Além do mais, as mãos delicadas da dama, da cor do creme mais puro, se empenhavam em soltar as mechas.

Após desvencilhar a cabeleira do anel traiçoeiro, a moça se levantou, apoiando as duas mãos em seu peito, com tanta força que Alexander classificou como desnecessária ao sentir a pressão contra suas costelas fragilizadas.

Uma vez em pé, a senhorita o encarou, estremecendo de leve ao mesmo tempo que mordia o rosado lábio inferior.

Emoldurado por cabelos de uma cor vibrante como o fogo, seu rosto oval parecia mais pálido do que o normal, salvo pelo arranhão rubro ao longo da face esquerda.

— O senhor consegue se erguer? — Sua voz era suave e, apesar da ira flamejante em suas pupilas, a mão estava estendida em sinal de ajuda.

Curioso... De onde será que viria aquela fúria quase tangível?

Num imenso esforço, Alexander se moveu, e um grande alívio se fez visível no delicado semblante da jovem.

— Agradeço ao senhor por amortecer a minha queda. — Um galho estalou, e Meredith mirou para além de Alexander.

Então uma voz com sotaque francês, disse:

— A senhorita e o piloto tiveram sorte de não morrerem, mademoiselle. Olhe para o balão.

Alexander ergueu a cabeça e viu o imenso cesto enroscado nos galhos de um carvalho. Ora! A senhorita caíra de um balão!

— Estão todos bem? — Desta vez era o piloto, que surgia em busca de sua teimosa passageira.

— Sim, creio que tivemos muita sorte.

O piloto lançou um olhar furioso para a ousada dama ruiva.

— Avisei à senhorita que não deveríamos descer tanto! — o homem esbravejava, apontando o balão destruído. — E olhem para minha Betsy agora! A senhorita terá de arcar com o prejuízo, causado!

Atordoada, Meredith olhava para os rostos que a cercavam.

— Eu... eu... Oh, céus! — Em seguida, tocou a face, onde três gotículas de sangue escapavam de um arranhão avermelhado; então, seus olhos giraram, e ela caiu nos braços de Alexander mais uma vez.

Esquecendo-se da própria dor, Alexander amparou o corpo inerte e em seguida mirou o piloto.

— O senhor sabe o nome dela? Onde mora?

— A dama é a srta. Merriweather. Acho que mora perto da Hanover Square.

Mon Dieu, ela vai morrer?!

Alexander se voltou para a francesa, que estava quase tendo um colapso também.

— Não, minha querida. Mas creio que a jovem necessita de um médico. — Procurando no bolso, ele encontrou uma moeda e a entregou a sua nova e adorável amiga. — Isto deve ser o suficiente para a senhorita voltar para casa. Desculpe-me por não poder acompanhá-la.

Merci, monsieur. — Os olhinhos pretos de Giselle cintilaram ao ver o dinheiro. — Não se preocupe, eu compreendo. Mas se o senhor quiser continuar com nossa conversa, pode me encontrar na Portman Square ainda hoje, no final da tarde.

Alexander sorriu, mas preferiu se incumbir de sua missão. Des­se modo, tomou no colo a pálida senhorita.

Monsieur, para onde o senhor vai levá-la?

— Para casa.



Ele disse casa?! Meredith esperava que fosse para a sua, e não para a dele, pois senão estaria em apuros.

Alexander caminhava apressado, e os músculos dos braços se contraíam com a força despendida, amparando as costas de Meredith, que mantinha os olhos fechados, fingindo estar in­consciente.

Sim, tudo não passava de fingimento. Entretanto, não havia alternativa, pois o piloto do balão estava prestes a revelar seu se­gredo. Assim, nenhuma idéia melhor lhe ocorreu, naquele momen­to. Viola, sua tia-avó, costumava recorrer ao mesmo recurso sem­pre que necessário, e com grande sucesso. Ora, por que não se utilizar dele também?

Dava para sentir o cheiro de cavalos no ar. E não estavam muito distante, pois era possível ouvir o relinchar e as batidas dos cascos. O coração de Meredith disparou, aterrorizado, dentro do peito.

Era um estábulo. Bem, a brincadeirinha já tinha ido longe de­mais. Precisava pôr um fim naquilo imediatamente!

Com movimentos calculados, ergueu a cabeça devagar, gemen­do e murmurando palavras quase inaudíveis, até abrir os olhos e encontrar o par de íris verdes que a encaravam. Mas de alguma maneira o calor do olhar a deixou muito embaraçada.

— Vejo que a senhorita está de volta. — Os lábios de lorde Lansing completaram a observação com um belo sorriso que fez o seu sangue ferver e todo seu corpo ficar trêmulo. Meredith o encarou de volta.

— O senhor poderia me colocar no chão, por favor?

A resposta foi um sorriso ainda mais encantador.

— Aqui está, milorde. Escovado como o senhor gosta.

Meredith se virou e viu a mão do cavalariço que segurava as rédeas do cavalo. A crina do animal era azulada de tão negra, e até mesmo Meredith, que tinha um verdadeiro pavor de cavalos, teve de admitir que aquele era... maravilhoso.

No minuto seguinte, Lansing a ergueu como se ela fosse uma pena e a colocou sobre o lombo da fantástica montaria.

— Não! — Com as duas mãos Meredith se agarrou ao lorde como pôde, pedindo que não fosse colocada sobre o animal.

— Calma, senhorita. — Em seguida, ele pisou no estribo e, com um único impulso, se acomodou na sela. Em seguida, ajeitou Meredith sentada de lado e a puxou para mais perto.

A proximidade permitia que ela sentisse todas as curvas que a calça de camurça de Lansing evidenciava.

Um rubor lhe subiu pelo rosto muito branco. E quando o cavalo se moveu num trote suave, Meredith, apesar de relutante, acabou se recostando no largo peito do lorde, enquanto uma das mãos descansava sobre uma perna dele e a outra se segurava na ponta do paletó.

O lorde tornou a sorrir, e isso a fez se lembrar das boas maneiras e se recompor. Só aí notou com mais atenção os cabelos de Lansing e percebeu, pelos fios que escapavam da cartola, que eram tão pretos quanto a crina do cavalo.

— Hanover Square, não é?

O timbre forte da voz vibrou dentro de Meredith, espalhando-se para todo o corpo e despertando-a de seu torpor.

— Tenho certeza de que posso ir caminhando, senhor. Portan­to, se...

— Nem pense nisso, sita. Merriweather. Sempre que uma dama cai do céu direto em meus braços, eu a levo em segurança para sua família. — O olhar hipnótico tornou a encará-la. — Sou lorde Lansing, a propósito.

— Sei quem o senhor é. — Meredith meneou a cabeça. — Todos em Londres o conhecem. O senhor, lorde Lansing, é o ca­fajeste mais famoso desta capital.

O lorde achou graça.

— A senhorita está me confundindo com outra pessoa, sem dúvida.

— Estou certa de que não.

— Garanto que sim, pois o lorde Lansing a que se refere não existe mais. Sou um novo homem, srta. Merriweather.

— Bem, mesmo assim, com sua reputação e com minha posição de moça solteira, seria imprudência minha continuar em sua com­panhia. Portanto, se o senhor puder me colocar no chão...

— Lamento, srta. Merriweather, mas vou levá-la para casa. Lembra-se do que eu disse? Todas as mulheres que caem do céu... — Apontou para cima com o dedo indicador. — Essa é uma regra que não posso quebrar.

Havia um tom de divertimento em sua voz, e em quaisquer outras circunstâncias — ou se fosse outro cavalheiro — Meredith teria rido. Mas não para o mais famoso biltre londrino.

— Quando a senhorita estava no balão pude ouvi-la dizendo ao piloto que descesse mais. O que pretendia?

— O quê? — Ela buscava uma resposta plausível.

Aproveitando esse momento, Alex pôs a mão no bolso e apa­nhou um objeto de metal. No minuto seguinte, um raio de sol se refletiu na lente, e todo o sangue de Meredith pareceu congelar dentro das veias.

— O binóculo estava a seu lado. A senhorita espionava alguém?

— Lógico que não! Eu estava observando os pássaros. Sim, foi isso, e achei que tinha visto uma ave rara no topo de uma árvore.

— É mesmo? Já observei pássaros também. De que espécime se tratava?

O calor que lhe subia pelo rosto se intensificou.

— Era... um... um tendilhão vermelho muito safado.

— Hum... Acho que nunca ouvi falar desse pássaro... Bem, eu diria que é mesmo uma ave muito rara. — Lansing estendeu um lenço. — Para seu rosto.

Meredith agradeceu em silêncio e pressionou o linho contra a face, limpando o sangue.

— Agora posso ver melhor seu belo semblante. — O olhar flamejante de Lansing a fez enrubescer ainda mais. — Parece que o sangramento estancou.

— Não foi nada além de um arranhãozinho.

Quando enfim pararam diante do número dezessete, que ficava de frente para a Hanover Square, o lorde apeou, e só então Meredith pôde respirar aliviada. Isto é, até se dar conta de que estava sozinha em cima do animal. Recordações terríveis de quando contava ainda cinco anos emergiram-lhe à memória. Nessa ocasião, ela sofreu uma queda da montaria e quebrou a perna. Passar meses imobi­lizada, na cama, foi uma experiência que não pretendia jamais repetir.

— Permita que eu a ajude, srta. Merriweather. Pode soltar a sela.

— Eu não... não consigo. — Seus olhos estavam arregalados. De repente, mãos firmes envolveram sua cintura.

— A senhorita está segura, agora. Pode se soltar.

Mas Meredith não conseguia articular as palavras. Tremia tanto que seus dentes não paravam de bater um no outro.

Nesse momento, a porta principal da residência se abriu, e suas duas tias-avós, lady Leticia e lady Viola Featherton, saíram.

— Minha menina! — Leticia gracejou. — O que faz em cima desse cavalo enorme? Desça já daí!

Aflita, Meredith não conseguia nem mesmo responder.

— Olhe os dedos da pobrezinha, Leticia, estão brancos como a cera! Ela está paralisada de medo.

— Estou vendo, Viola. Foi por isso que mandei que descesse.

— Então a senhora olhou para o lorde. — O senhor me parece ser bem forte. Será que poderia ajudá-la a descer da sela?

Lansing fez uma reverência para Leticia e fitou Meredith.

— Preparada, senhorita?

Os dentes de Meredith continuavam batendo.

— Muito bem, lá vamos nós. — Seus dedos se comprimiram com força ao redor da cintura fina e, com um tranco, Meredith se soltou da sela.

No minuto seguinte, viu-se de pé na calçada em frente da ele­gante mansão de suas tias.

Num gesto de pura gentileza, Lansing ofereceu-lhe o braço, e ela não teve outra opção senão aceitar e permitir que o cavalheiro a acompanhasse até a entrada.

— Apesar de eu não morar muito distante daqui... — o lorde se dirigia às tias — ...creio que nunca tivemos a felicidade de sermos apresentados. Meu nome é Alexander Lamont, lorde Lansing, senhoras.

Viola e Leticia responderam com uma cortesia.

— Acho que as senhoras devem conhecer meu pai, o conde de Harford.

— É claro que sim, sir. Apesar de não nos vermos há muito tempo. — Leticia se virou para a irmã. — Viola, é lógico que você se lembra do conde de Harford.

— Na verdade, sim. E posso dizer que o senhor é a imagem de seu pai quando era jovem, meu rapaz. São muito parecidos mesmo. — Viola sorriu e percebeu que Lansing não tinha rece­bido o comentário com muito entusiasmo. — Como tem passado, lorde Lansing?

— Muito bem, obrigado. Mas temo que minha visita de hoje não vá fazê-las exultar. Sua... — O olhar indagador pousou em Meredith.

— Nossa sobrinha-neta — as duas senhoras grisalhas respon­deram em uníssono.

— Sua sobrinha-neta sofreu uma queda terrível, e não estou convencido de que ela não tenha se machucado seriamente. — Audacioso, ele tocou o braço de Meredith. — Ela caiu de um balão sobre a copa de um imenso carvalho.

As irmãs olharam assustadas para Meredith.

— Você se machucou, querida? — Viola desceu o primeiro degrau e tirou a sobrinha dos braços de Lansing, para em seguida trazê-la para sua proteção.

Meredith abriu aboca e, para seu alívio, as palavras resolveram fluir de novo.

— Não, tia. Foram apenas alguns arranhões, e minhas costas doem um pouco. Mas de resto estou muito bem.

Viola estudou Meredith por um momento, tentando descobrir se a sobrinha estava mesmo sendo sincera.

— Juro, titia. De fato, eu teria me ferido bastante se não fosse por este bravo cavalheiro, que amparou minha queda com o próprio corpo. — Meredith forçou um sorriso.

— Quanta gentileza a sua, lorde Lansing! — Letícia exclamou. — Espero que não tenha se ferido.

Meredith permaneceu calada, torcendo para não ouvir o que sabia que se seguiria.

— Bem, depois de tudo pelo que o senhor passou, milorde...

Ah, não, tia Viola! E os temores de Meredith se confirmaram.

— ...devemos convidá-lo para entrar e tomar algo.

— Por mais que eu tenha certeza de que seria agradabilíssimo, sinto dizer que tenho um assunto urgente a tratar.

Certamente com uma certa cortesã francesa, Meredith con­cluiu. Conhecia bem aquele tipo de homem. Mas tudo bem, na manhã seguinte Giselle lhe contaria tudo.

Lansing tirou um cartão de visita do bolso e o estendeu a Meredith.

— Se precisar de mim, srta. Merriweather, por favor, não hesite em me contatar.

Com um sorriso e uma leve reverência, Lansing, o notório devasso, acenou, voltou a montar e saiu galopando em seu imenso cavalo negro.

Viola suspirava, e Letícia arrastava Meredith pelo braço para dentro de casa.

— Minha nossa, como ele é bonito!

— Sim, ele é mesmo formoso, tia Letícia.

— Contudo, é meu dever alertá-la de que não se trata de um cavalheiro de fato, minha querida. Portanto, tome cuidado.

Viola, que vinha logo atrás, se manifestou assim que elas fe­charam a porta da mansão.

— Isso é coisa que se diga, Letícia? Além do mais, todos sabem que lorde Lansing se redimiu. E eu lhe digo: os conquistadores redimidos são os melhores maridos.

— Bobagem! — Meredith exclamou. — Não acredito no arre­pendimento dele, nem por um minuto.

Letícia arregalou os imensos olhos azuis e balançou a cabeça para a irmã.

— Evidente que um cavalheiro sensível e educado como o sr. Chillton, querida, não se compara. — Viola deixou escapar um sorrisinho. — Só quis dizer que um cafajeste redimido sabe como... bem... satisfazer uma mulher.

Letícia gargalhou diante da colocação ousada da irmã, até quase ficar sem fôlego.

Meredith, enquanto isso, permanecia de braços cruzados espe­rando que a tias se acalmassem e recuperassem a compostura que cabia a duas senhoras de respeito.

— Pode ser, tia, mas acho que nenhuma mulher jamais terá certeza absoluta, pois não existem cafajestes redimidos.

— Parece ter certeza absoluta disso, meu anjo.

— Sim, tenho certeza, tia Letícia. — Com um sorriso misterioso, Meredith cruzou a sala, abriu um caderninho vermelho de notas e o colocou aberto sobre a mesa, para as tias olharem.

Viola torceu o nariz.

— Pensei que você tivesse desistido de seu guia depois que conheceu o sr. Chillton.

— O sr. Chillton é o exemplo de um perfeito cavalheiro, tia. Mas não é porque tive sorte de encontrá-lo que desistirei do que considero um dever meu de alertar as mocinhas desavisadas sobre o perigo que representa cair nas garras de tipos como lorde Lansing. Não podemos nos esquecer do mal que lorde Pomeroy me fez. — Um arrepio percorreu sua espinha só de pronunciar o nome do ex-noivo, fazendo-a sentir-se vulnerável e fraca.

— Não nos esquecemos, amor. Viola e eu sabemos o quanto as pesquisas para a elaboração de seu guia a ajudaram a se distrair e a superar o desespero e a dor.

Então as irmãs a olharam com piedade. Meredith odiava que a olhassem daquele jeito. Pois foi assim que toda a sociedade a fitou depois do acontecido. E era exatamente por isso que a necessidade de terminar seu guia se tornara mais que uma questão de honra.

— Mas você está feliz agora, querida. Teve a sorte de conquistar o cavalheiro mais respeitável de Londres. — Letícia abriu o ca­derno e leu o título. — E mesmo assim ainda insiste na elaboração de seu livro Como Evitar Cavalheiros Indesejáveis – Guia Prático para Damas.

— Sim, eu insisto. — Meredith a encarou. — A senhora não compreende? Tenho de continuar com minhas investigações. De­pois de dois anos de trabalho árduo, meu guia está quase pronto. E com lorde Lansing, o mais famoso devasso, como meu último objeto de pesquisa, pretendo finalizá-la antes de a temporada terminar.

— Por Júpiter, Lansing, o que lhe aconteceu?!

Alexander olhou para o homem magro que estava na sala de estar de sua mansão, na Grosvenor Square, tomando um conhaque, muito tranqüilo. Ele era ninguém menos que Georgie Chambers, ou melhor, lorde Riddle, uma vez que o tio lhe deixara como he­rança o título de visconde. As coisas vinham mudando rápido nos últimos tempos, e era difícil se lembrar do novo título de seu me­lhor amigo.

— Georgie, você não vale nada. O que faz aqui, bebendo meu conhaque? — Para Alexander, não importava a posição social do velho camarada dos tempos de Eton.

Georgie riu, satisfeito.

— Passei aqui para convidá-lo para muita diversão. Mas, a contar por sua aparência, vejo que já começou sem mim. Por onde andou, Alex?

— Nem perderei meu tempo lhe contando, pois tenho certeza de que você não acreditaria. — Alexander sorriu e entregou seu empoeirado paletó azul ao criado.

Em seguida, aceitou o drinque que Georgie lhe serviu.

— Vamos, me conte. Teve problemas para fugir de algum ma­rido enfurecido que o apanhou de surpresa com a esposa dele na cama?

Alexander teria achado graça se não sentisse tanta dor nas cos­tas. Quem diria que uma senhorita tão delicada pudesse causar tamanho estrago em seu corpo? A srta. Merriweather, além de pequena, não pesava muito, foi o que ele constatou ao erguê-la para colocá-la em cima do cavalo.

Enquanto ele virava a taça para tomar a última gota, algo, um fio leve e macio como a seda, roçou sua face. Ao olhar para a mão, deparou com um único fio de cabelo enroscado em seu anel de sinete. Não conteve um sorriso, e à sua mente veio a lembrança daquele belo par de olhos azuis a mirá-lo.

— Ah! — Georgie puxou o fio do anel. — Eu sabia que tinha mulher envolvida! E é ruiva, pelo que posso ver. — O visconde falou sério. — Apesar de você preferir as loiras.

— Isso já não faz mais muita diferença, meu caro. — Alexander se sentou numa poltrona, plantou os pés no chão e olhou para as próprias botas empoeiradas. — Sabe que estou nas mãos de meu pai, e tenho sido obrigado a seguir as regras por ele impostas.

— Mas garanto que os encontros com damas não estão proibi­dos. Afinal, todos os homens têm necessidades.

— Só tenho permissão para cortejar uma moça com o propósito único do casamento.

— O que significa... nada de tardes com atrizes e dançarinas?!

— Exato. E muito menos namoricos com esposas displicentes ou viúvas alegres. Meu pai espera que eu me transforme no exem­plo do cavalheiro irrepreensível. — Alexander fez uma careta. — Ou perderei tudo o que possuo. Ele já reduziu minha retirada men­sal. Meu dinheiro mal tem coberto minhas despesas com roupas.

— Contudo, nem por isso deixou de ser um cavalheiro bem vestido, milorde — uma voz grave observou.

Alexander se virou para seu criado, Herbert, que entrava tra­zendo um paletó limpo.

— Por favor, levante-se, sir.

— Primeiro, esse não é aquele com botões de metal, é? — Alexander chamava o criado de Primeiro, pois ele foi o primeiro dos quatro irmãos Herbert a se juntar ao quadro de funcionários dos lordes Lansing.

— Não, milorde. Este é o novo, comprado para substituir o que foi deixado para trás na casa de uma... amiga do senhor, no começo do mês passado.

Georgie soltou uma gargalhada.

— Sem dúvida foi esquecido aos pés da cama quando o marido, chegou de repente. Quer saber de uma coisa, Alex? Esse é bem mais bonito que o outro. Deve ter custado uma fortuna. Pensei que estivesse quase sem recursos...

Alexander vestia o paletó muito elegante.

— E estou, meu caro. Mas como você mesmo disse: um homem tem suas necessidades.

O sol já ia alto no céu, e seus raios incidiam sobre a aba do elegante chapeuzinho de palha de Meredith. A sua frente, a nova estátua de Aquiles, recentemente colocada no Hyde Park.

Talvez onze horas fosse cedo demais para uma cortesã, em es­pecial se lorde Lansing tivesse acabado de ir para a cama com Giselle, conforme o previsto.

As duas senhoritas se conheciam havia três meses, mas não se poderia dizer que eram amigas. Tinham apenas negócios em comum. O primeiro encontro entre elas acontecera por acaso. Meredith es­cutara a conversa de dois cavalheiros que comentavam sobre a nova cortesã francesa que acabara de chegar em Londres, cujos encantos e beleza eram irresistíveis. Meredith viu aí a chance de uma aliança interessante e vantajosa para ambas as partes. Com Giselle a seu lado, os resultados de seus experimentos poderiam surgir de uma maneira mais imediata. A idéia era de fato brilhante.

E foi assim que entrou em contato com a cortesã, convidando a moça para um chá em sua própria residência para expor sua proposta de negócios — e dinheiro, sempre o maior interesse de Giselle — em troca da experiência na arte da sedução — mais especificamente de cafajestes.

A chance de colaborar para o guia de Meredith e o pagamento combinado serviram de estímulo para que Giselle aceitasse o acor­do sem demora.

Quando a francesa chegou, Meredith consultou o firmamento. Passava do meio-dia.

— Olá, Giselle. Venha, vamos nos sentar embaixo daquelas arvores, onde está mais fresco. — Tentou puxar a moça pelo braço, mas Giselle não se movia.

— Mademoiselle, sinto dizer que não será preciso. Nossa con­versa não durará mais que alguns minutos.

— Como assim? Lorde Lansing não a procurou ontem?

— Isso mesmo, ele não me procurou.

— Mas como?! — Um grande desapontamento seguido de uma estranha sensação de alívio deixou-a bastante confusa.

Giselle tocou a mão de Meredith, num ato de consolo.

— Sei que a senhorita deve estar contrariada. Confesso que também me espantei. Isso nunca me aconteceu antes. Nunca.

— Tem certeza de que ele estava atraído pela senhorita? — Talvez nem tudo estivesse perdido.

— Oh, oui. O cavalheiro até mesmo me olhou de cima a baixo.

Meredith riu ao imaginar Lansing avaliando os atributos da francesinha.

Então o sorriso se desvaneceu.

— Mas se lorde Lansing sentiu-se atraído, como diz, por que não a procurou? Isso não faz sentido algum.

— Bem, ouvi dizer que ele se regenerou.

Erguendo a mão, Meredith desconsiderou tamanha tolice.

— Impossível. Um leopardo não pode remover suas pintas. Tem algo de estranho aí. — Meredith abriu a bolsinha em busca de um lenço para enxugar as gotículas de suor que começavam a brotar em sua testa, quando seus dedos esbarraram num cartão de vistas.

É isso!, decidiu. Marcaria um encontro com o lorde com a des­culpa de saber se ele não se machucara com a queda inusitada, e assim desvendaria o mistério.

A cadeira de bambu que seu pai ocupava estalou em protesto, e Alexander olhou para as delicadas pernas do móvel, temendo que cedessem sob o peso do conde de Harford.

Será que não dava para ter escolhido algo mais apropriado para sentar? Em uma poltrona menos valiosa, por exemplo. O conde não percebera que se tratava de uma peça decorativa? Aquela ca­deira, de acordo com o vendedor da Christie, pertencera ao quarto de Maria Antonieta!

— Acho que o senhor se sentiria mais confortável naquela pol­trona, papai.

O senhor meneou a cabeça e se recostou no espaldar da delicada peça, que tornou a ranger. Alexander franziu o cenho, preocupado com a sobrevida de sua raridade.

— Estou bem aqui. Preciso descansar do esforço que fiz para vir vê-lo aqui, na cidade, rapaz.

— Sim, e estou gostando muito de receber sua vista... apesar de não ter certeza de quais são seus propósitos. — Alexander hesitou por um momento, na dúvida de querer mesmo ouvir a res­posta. Afinal, o pai nunca deixava o campo sem um bom motivo. — O senhor ouviu algo estranho? Se foi o caso, posso lhe assegurar de que não passa de conversa, pois tenho me comportado como um perfeito cavalheiro desde nossa última conversa.

O conde lançou-lhe um olhar de absoluta descrença.

— Na verdade, escutei algo assim que coloquei os pés em Londres, Alexander. Contaram-me que você foi visto no Hyde Park saindo de baixo de algumas árvores com uma moça em seus braços. E que tanto as roupas quanto os cabelos dela estavam em completo desalinho. Isso só pode indicar que não aprendeu a lição com o último incidente, meu jovem. Portanto, serei obrigado a puxar as rédeas com mais força.

Alexander se deu conta do engano, mas quando ia abrindo a boca para responder foi bruscamente impedido.

— Sempre afirmei que você se parece muito com seu avô. Aquele maluco de cabelos grisalhos e kilt ainda persegue as mo­linhas da Escócia. Como você, ele não respeita a propriedade alheia. No entanto, não tolerarei que um herdeiro meu continue se comportando como um selvagem. Nunca!

Resignando-se ao fato de que a verdade poderia esperar, Alexander tomou o último gole de conhaque em seu copo e em seguida esvaziou a bela garrafa de cristal. Tinha de comprar mais uma pirala de conhaque. Melhor fazer isso logo, enquanto ainda lhe sobra algum dinheiro.

— Comportar-se como um cavalheiro de respeito não é o suficiente, Alex. Resolvi que já é tempo de você se casar.

Alexander sentiu um arrepio que teve início na raiz de seus cabelos e se espalhou por todo o corpo.

Desculpe-me, milorde, mas acho que não ouvi bem o que o senhor disse.

— Ouviu sim, meu rapaz. Quero que se case o quanto antes e tenha um filho. É necessário ter certeza de que nossa linhagem continuará depois que eu partir. Faça isso, e sua parte da herança estará a sua disposição de novo, para que gaste como bem entender.

Alexander pôs-se a ponderar. E então, tomou bem devagar outro gole de sua bebida, apreciando cada gota do líquido âmbar.

Casar...

O cerco estava se fechando mais e mais.

— Mas, pai, não vejo motivo para tanta pressa. O senhor tem uma saúde de ferro, não morrerá tão cedo.

No entanto, o conde não pararia por aí. Em nome de um her­deiro, todos e quaisquer esforços eram válidos.

— Quem me dera, meu filho! — O velho senhor fez uma ex­pressão de profundo desalento. — Não podemos perder tempo. Por mais que meus médicos digam o contrário, nunca se sabe quan­do chega nossa hora, e quero estar preparado para quando esse dia chegar.

Alexander se levantou e colocou o copo vazio em cima de outra mesinha de apoio, mais distante.

Bobagem. O pai sempre dizia que ia morrer de uma coisa ou de outra e continuava mantendo a parte da herança de Alexander fora de seu alcance. Tudo não passava de mais um plano para que o filho cedesse a seus desejos.

— O casamento só lhe trará benefícios, filho. Nada como uma mulher de boa família para acalmar os ânimos de um homem e dar a ele algum senso de responsabilidade.

Alexander fez menção de dizer algo, mas seu pai ergueu a mão para silenciá-lo.

— Não me interrompa, Alexander. Sei que você não acredita nisso agora. Mas vou lhe dizer a verdade. Foi sua mãe que fez de mim o homem que sou hoje. Sem ela, eu ainda estaria correndo atrás de outras mulheres e passando minhas noites jogando cartas no White.

Alex podia sentir sua cor se esvaindo a cada segundo.

Foi quando Herbert entrou na sala para entregar-lhe uma carta.

— Queira me perdoar a intromissão, milorde, mas me disseram que era urgente.

Alexander apanhou a missiva da bandeja e dispensou o criado. Um seguida, quebrou o lacre de cera vermelho e a abriu.

A primeira coisa que lhe saltou aos olhos foi o nome do remetente: “Srta. Merriweather”. Rápido, leu a mensagem, então dobrou-a e guardou-a em seu bolso, com discrição.

— O senhor estava dizendo, meu pai...

— Esse seu olhar não me convence. Era carta de mulher. Não tente negar. De quem se trata? E é melhor que não seja daquela atriz, Rose. Não é isso, é? Não se finja de surpreso, estou a par de todas as suas façanhas. Toda a Londres sabe.

— Minhas façanhas, pai? Aqueles dias ficaram para trás, graças a sua interferência. — Alexander puxou a carta do bolso, ávido para provar ao conde que tinha mudado. — A missiva é da srta. Meredith Merriweather, sobrinha-neta das irmãs Featherton. A se­nhorita caiu de um balão no Hyde Park, e eu a salvei. Foram sobre o salvamento os comentários que o senhor escutou. Não de uma fílha. Posso lhe garantir que me regenerei, sir.

— Ah, sim... as irmãs Featherton são muito benquistas na alta sociedade. Apesar de eu não conhecer a jovem Meredith, o nome não me é estranho...

O conde fez uma pausa para pensar, e Alexander temeu não ter sido um bom negócio mencionar o nome da jovem.

De repente, como que do nada, as pupilas do conde se ilumi­naram.

— Se a dama é sobrinha das irmãs Featherton, não posso permitir que isso fique assim. Ainda que suas intenções no Hyde Park tivessem sido das mais nobres, a realidade é que vocês foram vistos, e os boatos se espalham com facilidade.

Alexander encarava, confuso, o pai.

— O que precisamente o senhor quer dizer com isso?

— Temo que a reputação da srta. Merriweather tenha sido man­chada com o incidente. Agora, cabe a você retificar o bom nome da senhorita. Ela é a mulher perfeita, meu rapaz, e eu ficaria muito feliz em tê-la como nora.

Alexander o encarou, indignando.

— Como?!

— Pensei que eu tivesse sido claro o suficiente.

— Creio que não, ou entendi algo errado.

— Droga, rapaz! Tem tido problemas de audição? Não me resta muito tempo, e já tomei minha decisão.

— Mas...

— Não há o que discutir, Alex... se souber avaliar o que é melhor para você. — O conde deu uma olhada ao redor da sala muito bem decorada. — Acerte essa situação e deixe seu pai feliz, e prometo que sua vida financeira voltará a seu controle.

Apesar de o ambiente estar pesado e sufocante, mais um calafrio percorreu todo o corpo de Alexander.

— Contanto que eu me case com a srta. Merriweather antes do fim da temporada. Foi isso que o senhor quis insinuar?

— Esse é meu garoto!


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