Inspetoria Brasileira "Madre Mazzarello"



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COMUNICAÇÕES


Novas Inspetoras



América
Inspetoria Brasileira “Madre Mazzarello”

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Inspetoria Brasileira “N. S. da Penha”

Ir. Ambrosim Teresinha
Inspetoria Brasileira “S. Caterina da Siena”

Ir. Maistro Lúcia
Inspetoria Peruana “S. Rosa da Lima”

Ir. Bardini Lina

Ásia

Inspetoria Coreana “Stella Matutina”

Ir. Pak Hae Ja M. Domingas

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INSTITUTO FILHAS DE MARIA AUXILIADORA


fundado por São João Bosco

N. 835

Anunciar hoje o evangelho da esperança

Queridas Irmãs, escrevo-lhes enquanto está para se encerrar a 10ª assembléia ordinária do Sínodo dos Bispos, da qual participo como convidada de João Paulo II. Desde o momento em que foi proposto, o tema do Sínodo – O Bispo, servidor do evangelho de Jesus Cristo para a esperança do mundo – pareceu particularmente apropriado para o início do terceiro milênio.

Os eventos do dia 11 de setembro p.p. conferem-lhe excepcional atualidade. No coração das pessoas há muito medo, muita insegurança. Mas abre caminho também uma nova necessidade de compreender, de converter-se, de considerar a família humana de um ponto de vista diferente, escolher um modo solidário de viver. Da desorientação se passa à oração e à busca de uma nova ordem social que abra espaço ao projeto de Deus sobre a pessoa, sobre a convivência entre os povos e substitua a lógica do poder por aquela do respeito e do amor.


Na escuridão da noite é belo acreditar na luz
A afirmação do filósofo grego Platão é um convite à esperança também para nós, que nos vemos envolvidas por um novo tipo de guerra. Ela gera desorientação e preocupação para todos, mesmo longe das fronteiras das nações diretamente interessadas.

O salmo 56, que o Papa comentou na catequese do dia 19 de setembro, na praça São Pedro, canta a espera confiante de quem ora na noite. O salmista espera a aurora para que a luz vença a obscuridade e os temores. A confiança na justiça de Deus impede de cair no desânimo e de resignar-se com o mal. O coração do crente permanece firme e desperto na certeza de que a obscuridade e a provação não são a última palavra.

Como consagradas, chamadas a seguir Jesus por um título especial, somos especialmente compromissadas a ser mulheres de esperança, a anunciá-la mesmo quando o crepúsculo faz prever a mais densa escuridão: Jesus venceu o mundo!
Na Jornada Mundial da Juventude do ano jubilar, o Papa convidou os jovens a serem sentinelas da manhã, confiando a eles a missão de anunciar a esperança no alvorecer do terceiro milênio, de defender a vida e promover a paz, a fim de tornar o planeta Terra mais habitável para todos. As sentinelas da manhã sabem perceber o que ainda não se vê, mas que está brotando no silêncio; são capazes de identificar as sementes do Verbo presentes na história, na realidade quotidiana.
A ação de paz promovida pela Comunidade Santo Egídio - já difundida em muitos Países - é certamente uma semente de vida, uma luz que rasga o crepúsculo. Aconteceu nos primeiros dias de outubro o Summit Islã-Cristão, do qual participaram personalidades do mundo islâmico e cristão, para invocar de Deus o dom da paz e buscar juntos os caminhos do diálogo. O encontro encerrou-se com um apelo, do qual transcrevo algumas afirmações:
– a paz é o nome de Deus: os muitos nomes de Deus jamais significam guerra, mas todos juntos compõem a palavra paz; quem usa o nome de Deus para odiar e escolher a via da violência abandona a religião pura;

– a justiça não pode ser invocada pelos responsáveis das grandes religiões para criar temor nas pessoas inocentes, mas para extirpar do coração a violência, de maneira a curar as feridas sem criar outras novas;

– a compreensão e a simpatia entre as culturas e as civilizações arrancam pela raiz a desconfiança e o medo, fazem crescer a difícil arte do diálogo e da convivência entre todos os habitantes do planeta;

– a força frágil da fé, da oração e do diálogo pode tocar o coração do mundo em que vivemos, e abrir a estrada da paz com que todos sonhamos.


Os acontecimentos que estamos vivendo constituem uma salutar provocação. Convidam a fazer-se ao largo, a respirar profundamente para sincronizar-nos com o respiro do mundo, deixar-nos interpelar pelo novo que está germinando na sociedade sob o signo da paz, e contribuir para alimentá-lo.

Cremos que a esperança do futuro está em globalizar o diálogo. Assim poderemos construir novas pontes para combater a indiferença, o egoísmo, todas as formas de racismo e de exclusão econômica e social que alimentam a falta de esperança. A cultura da paz se afirma mediante a cooperação em lugar da competição; o acolhimento ao invés da marginalização; a solidariedade e a partilha em vez do individualismo e da separação; a segurança comum em lugar da segurança nacional armada.

A cultura da paz é fruto de uma longa paciência que capacita os crentes de diferentes credos religiosos a serem artesãos de paz. Ela nasce e se desenvolve no tecido da vida quotidiana, educa para o respeito ao outro, cura as raízes da ira e sara da tentação da violência.
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evangelho. Não seria essa uma interpretação do da mihi animas, cetera tolle, um acolhimento dos vastos horizontes em que agiram os nossos fundadores com a ótica específica da educação preventiva?


Herdeiras do carisma que eles receberam e transmitiram, nós também devemos ser preventivas, não podemos chegar atrasadas. O amor faz-nos ser sentinelas que percebem antecipadamente novas exigências e possibilidades para a missão. Torna-nos sensíveis e disponíveis a percorrer - junto com tantas pessoas de boa vontade - caminhos de esperança. Faz-nos apostar em cada jovem para encontrar nele o ponto acessível ao bem e fazer com que lhe chegue esta mensagem: “Tu és um batimento do coração de Deus… Tens um valor, em certo sentido, infinito… Para Deus tens o valor da tua individualidade irrepetível” (João Paulo II aos jovens do Cazaquistão, no dia 23 de setembro p.p.).

Então, a esperança se torna contagiosa e estimula a empenhar-se no acompanhamento vocacional. Nesse percurso os jovens são ajudados a descobrir o projeto de vida que os realiza no dom de si em favor de outros jovens. O voluntariado juvenil, também na missão ad gentes, o envolvimento das ex-alunas e de outros membros da comunidade educativa no empenho em favor da vida, da família, da promoção dos pobres e, de modo especial, das jovens, são um sinal de esperança, uma expressão de cidadania que vai além de toda fronteira, um rebento de paz destinado a produzir fruto.


Antes de concluir, gostaria de manifestar a minha gratidão a cada uma de vocês, empenhada em servir ao reino de Deus na própria terra ou nos mais remotos lugares da missão ad gentes. A todas o convite a prosseguir com desenvoltura para sermos, como Maria, portadoras de Jesus, esperança da humanidade.

Desejo-lhes boas festas de Todos os Santos, na lembrança especial de tantas Irmãs nossas que contemplam em plenitude a Face de Deus. Circundadas por um número tão grande de testemunhas, corramos nós também em direção à meta, tendo o olhar fixo em Jesus (cf. Hb 12, 1-2).


Roma, 24 de outubro de 2001
Af.ma Madre

Ir. Antonia Colombo

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espírito de partilha, e não apegadas às nossas idéias e iniciativas, numa posição de concorrência que paralisa os recursos, e às vezes chega a romper a comunhão.



O Papa recomenda que é preciso “promover uma espiritualidade da comunhão fazendo-a emergir como princípio educativo em todos os lugares onde se plasma o homem e o cristão, onde se educam os ministros do altar, os consagrados, os agentes de pastorais, onde se constróem as famílias e as comunidades” (NMI 43).

Quando a comunhão existe nas comunidades, floresce a liberdade evangélica, fruto do Espirito. É ele que nos inflama, nos reconcilia e nos faz olhar na mesma direção. A falta de comunhão, pelo contrário, separa-nos umas das outras, faz-nos viver em recíproco controle que canaliza as energias para a realização de objetivos individuais, desperdiçando recursos que deveriam servir à missão comum.

A espiritualidade da comunhão leva a apreciar a beleza das outras vocações e espiritualidades suscitadas pelo único Espírito que anima a Igreja. “A vida de comunhão torna-se um sinal para o mundo e uma força de atração que leva a crer em Cristo… Desse modo, a comunhão se abre à missão, ela mesma se torna missão: a comunhão gera comunhão e se configura essencialmente como comunhão missionária” (VC 46).

Portanto, promover a comunhão na esperança quer dizer desempenhar a missão sob o signo da esperança. Significa viver «insieme» com os leigos a profecia da solidariedade, empenhando-se pela justiça e pela paz num contexto de multiculturalidade, pluralismo religioso e político, de pobreza econômica e, com freqüência, de desintegração familiar. Requer que sejamos instância crítica em relação a tudo o que é contrário à vida e à dignidade da pessoa.

Como família religiosa presente nos cinco continentes temos à disposição uma grande riqueza. Muitas das nossas comunidades, não somente em terras de missão, estão se tornando, de fato, internacionais. A presença delas testemunha de forma eloqüente a possibilidade, não só de uma convivência pacífica, mas da riqueza que deriva do intercâmbio recíproco dos dons próprios de cada cultura. Poderia crescer o número de Irmãs que são enviadas a serviço de seus compatriotas emigrados, facilitando, nas comunidades que as acolhem, a alegria da abertura missionária.

Para que o evangelho da esperança seja eficazmente anunciado, é necessário um caminho de inculturação que diz respeito a todas nós. A fidelidade ao povo e ao território, caracterizado por uma população multiétnica, faz parte da fidelidade a Jesus que, encarnando-se, desposou a terra da nossa humanidade. É uma fidelidade que nos despoja das nossas certezas e torna-nos disponíveis a subordinar tudo às exigências do


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Dar as razões da nossa esperança

Sinais positivos não faltam para o olhar de quem entrevê a luz da madrugada; no entanto, é preciso saber dar as razões da esperança que há em nós (cf. 1 Pd 3,15). Na visão cristã, a esperança tem um fundamento trinitário: o Pai quer a salvação de todos; o Filho é o Messias que a realiza; o Espírito sustém e assegura a sua realização. Ela resplende na Igreja, mistério de comunhão, sacramento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano (cf. LG 1), e está presente na existência de todo cristão.

De modo particular, a vida de comunhão em comunidade é sinal eloqüente de esperança porque “confessa o Pai que quer fazer de todos os homens uma só família; confessa o Filho encarnado que congrega os redimidos na unidade, indicando a via com seu exemplo, sua oração, suas palavras e, sobretudo, com a sua morte, fonte de reconciliação para os homens divididos e separados; confessa o Espirito Santo como princípio de unidade na Igreja, onde ele não cessa de suscitar famílias espirituais e comunidades fraternas” (VC 21).

A oração é um dos momentos privilegiados para expressar a comunhão na esperança. Na circular do mês de setembro eu as convidava a meditar a oração ensinada por Jesus. Quando no pai-nosso imploramos que venha o seu reino e a sua vontade se cumpra, manifestamos a esperança escatológica, a mesma que está presente na aclamação eucarística: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde Senhor Jesus!”.

A oração nos coloca – pobres - diante de Deus que ama e revela o seu projeto de salvação, projeta-nos para um futuro onde não há lugar para as divisões, mas para uma família de filhos e filhas, irmãos e irmãs.

O tempo da espera ritma a caminhada da Igreja peregrina pelas estradas de todo homem e mulher, aos quais ela oferece solidariedade, orientação e apoio no itinerário rumo ao Pai.

Na Igreja, as pessoas consagradas são testemunhas e profetas de esperança, quando deixam que o Espírito lhes dilate o olhar e o coração para acolher as angústias e as interrogações do mundo que Deus ama. O olhar contemplativo e o coração compassivo tornam-nos atentas à multidão de pobres que habitam o planeta, às perguntas, muitas vezes tácitas, sobre o sentido da vida e do futuro, especialmente por parte dos jovens.

Diante do mundo que corre o risco da asfixia, a nossa existência – como se lê no n. 87 de Vita Consecrata, pode ser uma proposta de terapia espiritual, pode fazer-se companheira de viagem e de busca para aqueles que compartilham as grandes causas da humanidade: a vida, a liberdade, a justiça, a solidariedade, a paz. Damos assim um testemunho concreto de esperança. Trata-se de uma esperança em caminho. Ela é alimentada pela espiritualidade da comunhão que João Paulo II propõe como característica

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da Igreja no terceiro milênio (cf. NMI 43). A comunhão torna credível e fecundo o serviço da evangelização, dispõe a agir em unidade de intenções com os nossos Pastores, facilita o diálogo não só em comunidade, mas com os leigos na comunidade eclesial mais ampla, com os cristãos de outras confissões e os crentes de outras religiões.



Podemos anunciar o evangelho da esperança se a nossa vida for capaz de exprimir confiança e audácia profética. Então estaremos capacitadas a ler não só os sinais dos tempos, mas também os sinais dos lugares, identificando os novos areópagos da missão.

No tempo deles, Dom Bosco e Maria Domingas souberam descobrir esses sinais, porque tinham confiança na presença do Deus-Amor que cuida dos pequenos e dos fracos, que dele esperam a salvação. Fé e confiança tornaram-nos audazes quase até à temeridade, contanto que pudessem fazer brilhar o sorriso no rosto de uma criança, a perspectiva de uma vida digna e abençoada por Deus no coração de tantos jovens.

Um convite a nos perguntarmos: como vivemos a vida de comunhão? O nosso estilo de falar e agir consegue de fato testemunhar a esperança? Até que ponto o modo como vivemos as bem-aventuranças evangélicas se torna projeto de vida que pode ser proposto a outros?

De Mornese a cidadãs do mundo

No dia 24 de setembro, Ir. Círi Hernández, conselheira para o âmbito das missões, enviou-lhes uma carta, para ser divulgada também entre as comunidades educativas, na qual apresenta um itinerário em preparação para o 125° aniversário da primeira expedição missionaria das FMA (14 de novembro 1877-2002).


O tema – De Mornese a cidadãs do mundo – retoma uma feliz expressão do XX CG que convidava a olhar a primeira comunidade de Mornese para reencontrar nela o elã missionário característico dos inícios da nossa família religiosa. Desde aquele tempo os confins do Instituto se mediam com os do mundo. A imagem da comunidade mornesina ao redor de um mapa-múndi revela o espirito de universo que a caracterizava. Com razão o art. 75 das Constituições afirma que a dimensão missionária é “elemento essencial da identidade do Instituto”.
Durante este ano, por diversas vezes eu recordei a paixão missionária de Maria Domingas, presente em quase todas as cartas. Numa delas, enviada a Dom Cagliero, escrevia: “Oh! Como seria bom se o Senhor nos concedesse deveras esta graça de chamar-nos à América!” (C 9). Era uma graça que pedia para as Irmãs, dizendo que muitas estavam dispostas a partir.

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E à lista de seus nomes acrescentava com simplicidade: “Irmã Maria Mazzarello, isto é, eu”.



Mulheres de um pequeno e perdido povoado do Monferrato foram capazes de olhar longe e de fazer-se ao largo. Não se tratava de um entusiasmo fácil, logo equacionado pela realidade dura que teriam de enfrentar. Chegar aos indígenas será uma etapa posterior. No começo, sua terra de missão serão os imigrantes. Mas o coração habitado por Deus e pelo desejo de difundir o seu reino não media os sacrifícios e não buscava gratificações humanas. Anunciar o evangelho da esperança a gente forçada pela necessidade a viver em terra desconhecida, promover sua integração, no respeito de sua cultura e tradição, foi de fato o primeiro objetivo missionário.

Hoje também as fronteiras da missão ad gentes incluem o fenômeno migratório que se apresenta complexo e variegado, com múltiplas diferenças nos vários contextos nacionais. Trata-se de migrações de massa, de uma mobilidade humana que configura um verdadeiro povo do êxodo: refugiados, emigrantes, imigrantes, nômades, clandestinos; mulheres e homens escapados da perseguição política ou da guerra, em busca de trabalho, de uma vida digna. Pessoas que escolheram esse caminho, e outras, especialmente mulheres, deportadas, escravizadas, exploradas no trabalho e nas ruas pela indústria do sexo, quase sempre ainda muito jovens.

A consciência da nova realidade em que se desenvolve a nossa missão exige que repensemos o modo de educar e de anunciar o evangelho, requer uma autêntica atitude contemplativa. A contemplação da Face do Senhor – lemos na mensagem do Santo Padre para o Dia Missionário Mundial 2001 – suscita nos discípulos a contemplação também da face dos homens e das mulheres de hoje. De fato, o Senhor se identifica com seus irmãos mais pequenos. A contemplação desses pequenos leva a descobrir que, embora de modo misterioso, todo homem procura Deus e tenta vê-lo (cf. n. 2).

O anelo que Deus colocou no coração de cada pessoa encoraja a olhar em frente e fazer-nos anunciadoras do evangelho da esperança que é Jesus. As comunidades realmente centradas na missão, que se interessam de verdade pela vida e pela dignidade do povo a quem levam o anúncio de Cristo, são mais contemplativas, essenciais, humanamente maduras e capazes de manter relações de recíproca potenciação. O espirito missionário não cresce em comunidades fechadas no seu pequeno raio de ação, fechadas em si mesmas, onde os problemas internos se avolumam por falta de um confronto realista com as condições de vida do povo.



Nas vias da missão é preciso caminhar amparadas pela comunidade em que se vive em comunhão. Em nível operacional isso requer que saibamos sentir a obra dos outros como nossa, que vivamos em

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