InstalaçÕes da história da arte (Atemporismos na Arte Contemporânea)



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INSTALAÇÕES DA HISTÓRIA DA ARTE

(Atemporismos na Arte Contemporânea)



INTRODUÇÃO
Uma das características da Arte Contemporânea é a sua anacronia geográfico-espaço-temporal. Anacronia temporal enquanto tempo disperso, sem cronologia, sem disposição temporal. Anacronia geográfica porque a arte não está hoje confinada a um espaço-tempo, a uma geografia temporal. Na actualidade tudo existe ao mesmo tempo em todos os lugares. Torna-se assim possível co-existirem diversas formas de arte num mesmo espaço, mesmo se a sua co-existência seja (aparentemente) antagónica. O passado co-existe com a actualidade num mesmo espaço, seja institucional, como o museu, ou particular como a galeria. Com a Arte Contemporânea, o artista aboliu definitivamente as fronteiras entre o real e o imaginário, entre o passado e o presente.


ARTE

CONTEMPORÂNEA

INSTALAÇÃO

HISTÓRIA

ESPAÇO

TEMPO



A HISTÓRIA DA ARTE E A CRONOLOGIA DO TEMPO
Com a História, o Homem arrumou o seu passado em função de uma cronologia do tempo. É esta cronologia que permitiu ao homem (e em particular ao historiador) dividir o tempo em grupos bem definidos, como se toda a história do Homem fosse possível arrumar na estante de uma biblioteca. Foi precisamente através do livro e em particular da biblioteca que se arrumou a história, que tem, portanto, uma cronologia descritiva. Como se a História do Homem fossem simples páginas de um livro que se voltam no tempo e com o tempo.

Kopynsky, Library II,



Com o aparecimento da narrativa não linear, e mais concretamente do hiper-texto, a narrativa cronológica foi definitivamente corrompida. A existência do hiper-texto permitia ao leitor fazer várias viagens dentro de um mesmo texto, fazendo continuamente saltos, ora para a frente ora para trás, ora para os lados, para outros textos.

A perspectiva da existência de um novo tipo de narrativa – não assente na cronologia – logo chamou a atenção da Arte. No fundo, ela já vinha sendo praticada em algumas formas de arte cinematográfica, mas que, para todos os efeitos, obedecia a uma cronologia que apenas aparecia desmontada e, que ao longo do tempo do filme, ia sendo remontada (Griffith)

Com o hiper-texto é abolida toda a noção não só de cronologia, mas também da própria narrativa. A ideia de narrativa pressupõe um desenlace no tempo.

Logo o Hiper-Texto abre um novo mundo ao campo semântico da Arte: o da atemporalidade.




Greenway, the pillow book



A ATEMPORALIDADE CONTEMPORÂNEA
O Hiper-Texto e a Internet, (o texto sublinhado que abre uma porta a um novo contexto dentro do próprio texto, numa escala ascendente que percorre em potencialidade o globo inteiro), não tem já limites temporais em termos contextuais. Uma palavra, além do seu significado etimológico, aporta em si mesma a possibilidade de uma infinidade de significações. Uma infinidade de ligações.

É esta possibilidade que é transportada para o mundo dos signos. Um signo, tal como uma palavra, abre uma porta para um outro conjunto de signos e, portanto, para uma nova dimensão plástica, para um novo conjunto de significações.

Na arte cibernética, as portas que abrem a uma nova dimensão abrem-se através de zonas sensíveis permitindo, por exemplo, que o contemporâneo coexista com o medieval ou vice-versa.


adaweb


Esta possibilidade começou a ser explorada no princípio do séc. XX na colagem Dadaísta. Anna Hoock, Raul Housman, Marx Ernest e Kurt Schwiters assumem-se neste aspecto como protagonistas de um novo mundo que se abriria mais tarde através da foto-montagem, desenvolvida anos mais tarde por xxxxx e Grete Stern nos anos 50.

A Foto-montagem permitiu reunir num só plano imagens de realidades diferentes. No entanto, o resultado era uma nova realidade que, aparentemente, destruía as realidades particulares que compunham o todo da nova imagem.





Raoul Hausman

A Arte Hiper – Textual mantém a integridade da imagem inicial e daquelas às quais se agrega, co-existindo pacificamente, cada uma no seu próprio mundo, como se existissem em mundos paralelos, os quais podemos visitar saltitando entre eles sempre que o desejarmos. Surge assim uma fusão das várias imagens ou contextos não no plano físico e material da imagem mas sim no da mente.

Neste sentido estamos perante uma leitura artística perfeitamente independente do criador, uma vez que a fusão das várias imagens e contextos se faz na cabeça do espectador. Podemos, neste contexto, dizer que o artista se torna num mero orientador de sensações cujo resultado final é processado pelo espectador. O artista apenas se limita a dar pistas ao espectador que vai construindo no seu interior a ideia final sobre aquilo que se lhe apresenta.



Virose.pt



A INSTALAÇÂO DA HISTÓRIA
O papel do artista contemporâneo consiste, tal como o historiador, em dar pistas para a interpretação de um determinado fenómeno, neste caso particular, o artístico. O artista apresenta a sua visão do mundo.

A arte é portanto uma forma, como outra qualquer, de ver / sentir o mundo. O artista expressa, portanto, essa visão.

O historiador arruma a Arte, tal como num museu, em salas ou períodos: à entrada a pré-história, na sala seguinte os gregos, depois os romanos, a arte paleo-cristã, a arte medieval, o gótico, depois o renascimento etc até ao mundo contemporâneo. O trajecto obtido, ao circular de sala em sala, é o da cronologia do tempo. O da cronologia consensual, consentida por todos, comunemente divulgada como a história da cultura. Uma história de evolução, resultante da comparação (no tempo respectivo) dos registos culturais que cada época deixou.

Mas se em vez de arrumarmos a história em várias salas, dispuséssemos apenas de um enorme hangar, sem divisões ou andares? Como arrumaríamos todos esses objectos registradores da evolução da cultura do Homem? Como poderíamos juntar variados objectos pertencentes a espaços - tempos diferentes num espaço - tempo comum?

Como resposta a esta grande questão contemporânea, a Arte criou um novo tipo de conceito: o de instalação. Por instalação entende-se a reunião num determinado espaço de um conjunto de objectos que, organizados de uma determinada maneira, suscitam uma determinada interpretação. Esta interpretação deve ser vivida, uma vez que não pode ser obtida sem penetrar dentro do espaço da instalação. Logo, a instalação só ficará completa com a intervenção do espectador, ou seja, com o corpo do espectador, com a sua participação no espaço em que a obra existe. Neste sentido a história é uma gigantesca instalação no qual o Homem é criador e espectador ao mesmo tempo. A História é assim a maior Obra de Arte jamais produzida pela Humanidade.


Fred Wilson


Dion


INSTALAÇÂO DA ARTE
A Instalação, enquanto forma artística, é um híbrido que reúne num só espaço-tempo variadas disciplinas artísticas (escultura, pintura, fotografia, arquitectura, etc). Na sua globalidade trata-se de uma nova forma de expressão artística.

Uma instalação é portanto o conjugar de variadíssimas formas artísticas, uma espécie de somatório de variadas especificidades. O Artista da instalação é portanto um artista multifacetado, que não segue uma linha disciplinar tradicionalmente definida e que, portanto, não pode ser identificado com a técnica utilizada. Diz-se que um artista é um pintor, um escultor, um fotógrafo, um arquitecto, mas não se diz um instalador. Um artista de instalação não pode ser identificado com as técnicas que usa nas suas obras, porque estas podem variar de obra para obra, sem com isso romper com a sua ideia de Obra. É esta ideia, que pode ser traduzida em variados formatos e disciplinas combinadas, que unifica os vários produtos das suas instalações. Logo, não são as formas em que a obra se apresenta o que de facto importa, mas sim a ideia base que as interliga. Ou seja o projecto da OBRA.

É este facto o que permite na arte actual a co-existência num mesmo espaço de formas de arte aparentemente antagónicas: a arte dita clássica (ou antiga) e a arte contemporânea.

A co-existência entre estas duas formas de arte podem ser de três maneiras: a primeira por associação; ou seja a da existência paralela da duas formas, que são expostas lado a lado dentro de um mesmo espaço (que se quer neutro).

A segunda por integração: uma forma é integrada no espaço da outra.

Finalmente por fusão: as duas formas são combinadas no sentido de produzir uma nova realidade artística.

Nos dois primeiros casos, a identidade das formas permanece intacta. No segundo essa identidade perde-se em favor de uma nova realidade.

Logo podemos concluir que o terceiro caso, embora apresente referências aos dois tipos de arte, é já uma nova realidade a que se apresenta. Uma nova forma de arte contemporânea.



Neste sentido, as duas formas iniciais são aquelas que mais se aproximam de uma perspectiva museológica contemporânea, porque, apesar de apresentar uma nova perspectiva de leitura sobre as peças, preserva a sua identidade original.







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