InstituiçÕes educacionais e modernizaçÃo em uberlândia (1950-2000) Décio Gatti Júnior* introduçÃO



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INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS E

MODERNIZAÇÃO EM UBERLÂNDIA (1950-2000)
Décio Gatti Júnior*
INTRODUÇÃO

Esta comunicação vincula-se ao campo da História das Instituições Educacionais, pretendendo noticiar os primeiros avanços na compreensão do papel desempenhado pelo conjunto das instituições educacionais da Educação Básica e Superior no processo de modernização e urbanização da cidade de Uberlândia.

O desenvolvimento da investigação realiza-se em duas frentes. De um lado, estão bolsistas de iniciação científica, mestrandos e pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia que têm trabalhado, desde meados da década de noventa, com levantamento de fontes de interesse para a História da Educação, passando, posteriormente a historiar os processos de criação e de desenvolvimento das escolas primárias e secundárias na cidade e região.

Por outro lado, um conjunto de mestrandos e pesquisadores vinculados ao Centro Universitário do Triângulo, tem desenvolvido, desde o final dos anos noventa, investigações acerca do processo de constituição e consolidação de diversas instituições de Educação Superior da região.



PERIODIZAÇÃO

O caráter tardio do processo de modernização e de implantação da educação escolarizada nesta cidade do Estado de Minas Gerais, no Centro-Oeste brasileiro, fez com que o período coberto pela investigação inicie-se apenas na segunda metade do século XX, época da instalação mais significativa de instituições escolares na cidade.



CATEGORIAS HISTÓRICAS

Nessa pesquisa, o olhar desenvolvido é o sócio-histórico, beneficiando-se do intenso processo de renovação teórico-metodológica vivenciado pela historiografia contemporânea, na qual vem sendo valorizada a utilização tanto dos aportes teóricos oriundos do campo da História quanto das evidências, sendo que estas não se limitam mais aos documentos escritos, mas abarcam fontes orais, iconográficas, etc.

Nesse sentido, o processo de construção de interpretação sobre o desenvolvimento das instituições educacionais beneficia-se, sobretudo, dos avanços significativos dos estudos sobre representações sociais, cultura escolar, elite, trabalho, grupos e classe sociais, bem como da constituição de tradições historiográficas mais sólidas no campo da História Oral, História da Imprensa, História da Ciência, etc.

FONTES

Para a efetivação dessas investigações foram consultadas diversas fontes de informação, tais como: bibliografia nacional e internacional sobre o assunto; resultados já alcançados em pesquisas nesse campo temático, provenientes das investigações realizadas por diversos pesquisadores da região.

No desenvolvimento dessas investigações levantaram-se e analisaram-se um universo bastante amplo de documentação relacionada a vida dessas instituições educacionais, incluindo, atas de criação, estatutos, regimentos, diários de professores, projetos de cursos, fichas de disciplina, fotografias de época, jornais internos, etc.

Além disso, foram realizadas entrevistas que já somam mais de uma centena com personalidades vinculadas aos processos de criação e de consolidação de diversas dessas instituições no cenário local. Essas entrevistas, depois de transcritas e regulamentadas, tornaram-se documentos importantes que, ao lado, das outras fontes documentais, tem servido para a construção de interpretações importantes sobre o processo de criação das escolas e faculdades na cidade.



RESULTADOS

Diferentemente de outras regiões da América Latina, o caráter tardio da implantação dos processos de escolarização nesta região do Brasil fez com que a educação escolarizada só se desenvolve de modo mais significativo em meados do Séc. XX.

A região, porém, viveu o boom educacional do final dos anos sessenta, com a implantação de diversas instituições educacionais públicas e privadas. De modo geral, pode-se dizer que em seu panorama científico e cultural, a região caracteriza-se como um espaço emergente à busca de centros de referência e sustentação.

Nesse período, houve um incremento enorme da freqüência de alunos nas escolas já existentes, conforme pode ser visto nos dados apresentados na Escola Estadual Uberlândia e expostos no gráfico a seguir:



Gráfico 1

Evolução Quantitativa do Número de

Alunos da Escola Estadual de Uberlândia

(1912-1972)





Fonte: Acervo da Escola Estadual Uberlândia.
Este é um fenômeno que ocorreu na maior parte dos estabelecimentos escolares da cidade, ainda que o crescimento populacional justificasse uma expansão maior do que a que escola foi capaz de realizar no período.

No que diz respeito à Educação Superior há o surgimento de importante iniciativa, vinculada a Igreja, com a criação da Faculdade de Filosofia de Uberlândia, nos anos sesenta, com os tradicionais cursos da área de Humanas, funcionando nas dependências do Colégio Nossa Senhora das Lágrimas e atendendo as necessidades de formação de professores e profissionais liberais. Ainda anos sessenta, há movimentação política na cidade que redundou na criação do curso de Direto e de um curso mantido pelo governo federal na área de Engenharia.

Nos anos setenta, já sob a égide da Ditadura Militar, Uberlândia beneficiou-se de importante iniciativa federal que acarretou a incorporação das diversas faculdades isoladas e de natureza jurídica diversa pela Fundação Universidade Federal de Uberlândia.

Não houve, no entanto, um esforço de construção de uma unidade universitária de fato, pois o isolamento entre os setores da universidade foi uma constante. Ainda assim, a universidade teve papel decisivo no processo de urbanização e expansão capitalista na cidade, o que colaborou para a consolidação da cidade como pólo regional, na dianteira de cidades tradicionalmente fortes e que arrefeceram suas possibilidades de crescimento.

Com o crescente aumento da demanda por instrução, o sistema educacional da cidade foi, ano a ano, tornando-se mais complexo, o que tornou possível a co-existência de instituições fundacionais públicas e privadas, públicas estaduais e municipais e empresariais que juntas atendem a demanda crescente de alunos da cidade e, especialmente das cidades do entorno.

É importante salientar as dificuldades encontradas no atendimento com qualidade dos alunos-trabalhadores tanto no ensino médio quanto no universitário, dada às dificuldades de tempo para estudo, ainda que a disponibilidades de meios de estudos adequados na região esteja longe do ideal, pois faltam bibliotecas, livrarias, etc.

De fato, a formação cultural e educacional exercida pelas escolas instaladas desde os anos cinqüenta ainda não atinge a totalidade da população da cidade, sendo que a Educação Superior é restrita a uma parcela muito pequena da população ;local, o que tem acarretado problemas de sustentabilidade do processo de modernização em vigor na cidade.

A ausência de bom nível cultural parece ser responsável também pelas dificuldades relacionadas ao pleno exercício da cidadania pela população local. Daí, surge à preocupação em saber se as atuais instituições educacionais da cidade estão em condições de responder a essas necessidades.



* Doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor de História da Educação do Centro Universitário do Triângulo e da Universidade Federal de Uberlândia. Pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em História e Historiografia da Educação da UFU.



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