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Postulação do Instituto Cavanis

A “QUERIDA MÃE MARIA”

NA VIDA E NA OBRA

DE ANTÔNIO E MARCOS CAVANIS

CONGREGAÇÃO DAS ESCOLAS DE CARIDADE

INSTITUTO CAVANIS

A “QUERIDA MÃE MARIA”

NA VIDA E NA OBRA DE ANTÔNIO E MARCOS CAVANIS
Pe. João De Biasio

Como filhos dos veneráveis Antônio e Marcos Cavanis, somos todos confiados a “particular intercessão da “Bem-aventurada Vigem Maria”, desde o início da história da nossa Congregação das Escolas de Caridade. A vocação Cavanis, como caminho de santificação, consiste em imitar as virtudes e o estilo de vida de Maria, Mãe de Jesus. Temos necessidade de uma fonte onde podemos alcançar a água que sacia a nossa sede. Ela também será a fonte de alegria e esperança. Esta fonte é Jesus Cristo – Caridade. Assim disse São Columbano (+615): “Bem-aventurada a alma levada pela Caridade! Essa buscará sua fonte, para dela inebriar-se; e a bebendo será sempre dela sedenta”.


Os Padres Fundadores nos deixaram uma lindíssima página sobre Jesus Cristo crucifixo e o seu sacratíssimo coração como fonte da “caritas pastoralis”, de fortaleza, paciência e perseverança em nosso apostolado específico e também em cada serviço sacerdotal (cfr. POSITIO pag. 509-5012). No Proêmio das “Constituições” encontramos também ricas indicações de pedagogia e de espiritualidade para ajudar os jovens a passarem da ciência a sabedoria (da teoria a prática). Para os seus filhos, confrades e continuadores desta missão deram o exemplo de uma vida profundamente unida a Deus e intensamente laboriosa: não imaginavam sacerdotes e religiosos Cavanis que se satisfizessem com pouco, preguiçosos, em busca de comodidade e repouso, mais do que trabalho, temerosos ao sacrifício. Muito pelo contrário: no texto original das Constituições, em italiano, usam expressões fortes, superlativas, tais como:


  • “quam máxima charitate” (dedicar-se a educação com a maior caridade possível);

  • “peramenter” (com o maior afeto receber e acolher crianças e jovens “dispersos”);

  • “omnisque cura et labor... omnino gratis” (toda atenção, doação e trabalho... devem ser oferecidas e enfrentadas com total gratuidade);

  • “per valida et oportuna remedia... occurri pro viribus debeat” (encarar as necessidades com os remédios e os meios válidos e oportunos... e com todas as nossas forças);

  • “omnes in Christo diligant... omnium virtum specimen illis exhibeant” (amar a todos os alunos e jovens em Cristo… e sirvam de exemplo para eles – espelhos de todas as virtudes).

Jesus Cristo – Caridade se torna nossa fonte quando nos abrimos ao seu Espírito, ao Espírito Santo, conforme esta oração sugerida pelo monge São Columbano: “Tu, ó Jesus, sois tudo para nó: a nossa vida, a nossa luz, a nossa salvação, o nosso alimento, a nossa bebida, o nosso Deus. Suplico-Te, ó Jesus, de inspirar os nossos corações com o sopro do teu Espírito e de transportar com o teu amor as nossas almas”. Assim, compreendemos melhor porque os nossos veneráveis Fundadores se esforçaram em dirigir e formar os seus religiosos e educadores a terem e colocarem o espírito em cada empenho e serviço, aquele espírito que é fruto do Espírito Santo e que deve transparecer também em nossa vida de sacerdotes e religiosos. Pe Antônio se pergunta: por que é necessário ter o espírito religioso e eclesiástico? Por que sem este espírito somos apenas sombras e fantasmas de padres e religiosos? Sendo assim, aqueles que não têm este espírito: “Não estão satisfeitos com aquilo que tem. Assim sendo, tudo se representa difícil e insuperável. Os pequenos sofrimentos parecem para eles amarguíssimos, difíceis de serem superados; realizando aquilo que fazem com preguiça, com agitação, com impaciência”. Mas em que consiste este espírito de que falam nossos Fundadores? É uma graça abundante, até mesmo uma virtude do Espírito de Deus recebida com plenitude na Ordenação, na profissão religiosa, pela qual realizamos com afeto, suavidade, vigor, prontidão e perseverança aquilo que nos pede o estado eclesiástico (ser sacerdote), a pertença ao nosso Instituto, a formação, a catequese, o grupo juvenil, o acompanhamento espiritual dos jovens, a paróquia.


Disse ainda o nosso Pe Antônio: “Como a luz nos permite ver as cores, assim este Espírito nos permite direcionarmos para o bem das almas, da Igreja, da Congregação e dos nossos pensamentos, palavras, estudos, ocupações e afetos”. Os nossos Fundadores nos orientavam para este espírito, para este fervor de espírito e nos falavam em diversos documentos, do espírito de oração, do espírito da vocação, do trabalho, da obediência, da pobreza etc. etc. Eis como o Pe Marcos fala sobre os seus jovens confrades, padres, estudantes e noviços (estamos em 1838): “Estes já estão habituados a viver uma vida sóbria e esforçada; são capacitados no exercício do cuidado paterno de muitos jovens... são dedicados pelo espírito da própria vocação a protegerem, socorrerem, e formarem a juventude, satisfeitos e felizes em sacrificar suas capacidades e a própria vida para a maior glória de Deus e em benefício da sociedade”. Então, o dom da vocação, alimenta o espírito, a gratuidade, Alimenta também a pureza de intenção, a confiança no auxilio divino e na proteção de Maria, nossa Mãe. Nossa Mãe, inspira conforto em cada situação e dificuldade. Como alcançar este espírito? Dizem os Fundadores: com a oração, com a leitura espiritual da Sagrada Escritura, dos textos dos Fundadores e da vida dos Santos, com o colóquio de bons sacerdotes e religiosos.
Pe Antônio Ângelo Cavanis faleceu em Veneza no dia 12 de março de 1858, exatamente um mês depois da primeira aparição da Virgem Maria à santa Bernadete em Lourdes na França. É provável que o venerável padre, não tenha sabido da ocorrência do fato devido sua condição de saúde; certamente ele teria ficado contentíssimo porque lhe era muito cara a devoção a Virgem Imaculada, e ele invocavam sua presença unido ao seu irmão Marcos, particularmente nos anos da formação, assim como na vida e no apostolado de todos os congregados. Assim, sempre aconteceu, por graça de Deus, em nossa vida e nos ambientes educativos do Instituto. Cito alguns fatos do segundo século de nossa Congregação: em 1904, as solenes festas e orações em Veneza pelos 50 anos da proclamação do dogma da Imaculada Conceição; 1908 a peregrinação a Lourdes do Pe Antônio Dalla Venezia e de Pe. Basílio Martinelli em nome de toda a Congregação; em 1910 foi dedicada em honra da Beata Virgem de Lourdes a capela da nova casa do noviciado; em 1912 ocorreu em Veneza a refundação da congregação mariana para alunos e ex-alunos; em 1919 foi dedicada em honra a Imaculada a nova Igreja do instituto Cavanis em Porcari (Lucca); em 1931as celebrações em honra de Maria Santíssima “Mater Dei” (15º centenário do Concílio de Éfeso) com a benção das Imagens da Virgem Maria, que foram colocadas nos pátios das escolas em Possagno e em Veneza; em 1936-1939 a gruta da Imaculada em Col Draga e o belíssimo mosaico com a Mater Deis – Mãe das Escolas de Caridade na Igreja da casa do Sagrado Coração para Exercídios Espirituais, também em Possagno; em 1954 foi posto o nome de Maria Imaculada ao novo Instituto Cavanis em Chioggia, Veneza e o nome de Marianum Cavanis ao Instituto de Capezzano Pianore na Toscana. Recordamos como as lindas novenas em preparação à festa da Imaculada tinham um particular encanto, realizadas com alegria, afeto e esperança, no coração dos alunos pequenos e grandes em todas as nossas escolas e associações juvenis. Quando a congregação iniciou sua presença e atividade no Brasil, os religiosos quiseram que as famílias religiosas, que congregavam os padres e irmãos de diversas partes, recebessem como nome um título de Maria Santíssima, por exemplo: “Família religiosas, Nossa Senhora Aparecida”, Nossa Senhora do Carmo, Mãe das Escolas de Caridade... ”
Voltando aos nossos veneráveis Fundadores, concentremo-nos em dois documentos que se revestem de grande importância, pois são partes do carisma fundacional: A carta de Pe Antônio Cavanis, então superior do Instituto, ao Cardeal Patriarca de Veneza Jacopo Mônico – através dele – ao Santo Padre o Papa Pio IX, a oração “Querida Mãe Maria” que faz parte do nosso cotidiano religioso e ministerial. Observamos antes de tudo, que a nossa Congregação, fundada por dois irmãos que desde a infância traziam no nome e no coração, Maria. O grande amor a Mãe de Deus, nasceu e foi colocado sob a particular intercessão daquela que eles chamavam “a nossa querida Mãe Maria”. A Ela os dois irmãos confiavam os jovens da congregação mariana e do oratório, as vocações (muito numerosas) que eles orientavam espiritualmente, ajudavam materialmente e nos estudos. Jovens religiosos que com eles vieram a formar a primeira Comunidade Cavanis. Ao amor da querida Mãe Maria, atribuíam as graças e os auxílios que recebiam, isto, devido as necessidades materiais da vida do grupo juvenil (Congregação Mariana), das Escolas e da nova Congregação nascida em 1819 – 20. Exemplo disso a aquisição do palácio para as escolas e para os Exercícios Espirituais, o pagamento dos débitos, o êxito das pesadas práticas burocráticas; encontramos memória de tudo isso no Diário da Congregação. Devemos então dizer que o termo “patrocínio” significava duas grandes expressões da fé e da devoção deles a Maria:


  1. A certeza de que Maria, cujo coração de mãe, Jesus morrendo na cruz confiou a ela a humanidade, pois ela se fazia presente, vigiava e protegia com a sua intercessão as suas vidas, sua obra e os jovens a eles confiados;




  1. A confiança total em Maria que se tornava exemplo ideal de aceitação da Vontade de Deus, de escuta da Palavra, de pureza, castidade e de amor gratuito: sendo assim nos confiávamos a ela para fazermos com o seu auxilio o caminho da vida.

23 de abril de 1835

Pe Marcos em Roma para conseguir a aprovação pontifícia da Congregação, assim escreve ao seu irmão Pe Antônio: “Assim, (tendo conseguido escolher um padre Servita como consultor), gozo também da satisfação de ver disposta a fundação de um Instituto que está abaixo da particular intercessão da Grande Virgem nossa Mãe, por um religioso que com um título muito especial a ela pertence”.
17 de novembro de 1841

Pe Marcos se encontra em Viena na Áustria para conseguir a aprovação dos estudos de filosofia e teologia realizados ao interno do Instituto. Assim escreve ao seu irmão e aos confrades de Veneza: “... eis que me chegou de improviso, no domingo passado, festa de Nossa Senhora do Patrocínio, um bilhete de Monsenhor Bragato Luigi (1790-1874)...”.


17 de dezembro de 1841

A almejada aprovação foi conseguida exatamente no dia 8 de dezembro festa da Imaculada Conceição de Maria Santíssima; foi prontamente comunicada aos confrades e Pe Antônio assim escreve em nome de todos: “A grande Mãe de Deus, também neste caso, se revelou para nós como Mãe cheia de ternura. Seja inesquecível em nossos corações o sentimento de gratidão e a confiança em seu valiosíssimo patrocínio”. (cf. EMM VI 143).



Carta do Pe. Antonio Cavanis ao Cardeal Patriarca de Veneza Jacopo Monico
Estamos ao final de 1849, ano particularmente duro para cidade de Veneza que se encontrava sitiada pelos austríacos e, constritos a se render depois de meses de bombardeios e as conseqüências da fome e da cólera. Também para os nossos Fundadores e os dois Institutos dirigidos por eles foi um período de grande sofrimento.
Pe Fracisco Savério Zanon, historiador da vida dos Fundadores e primeiro postulador para a causa de beatificação deles, assim escreveu no IIº volume da Vida documentada: “Mas uma grande notícia veio trazer imensa alegria à aquelas almas santas. Pio IX, acolhendo as solicitações que de todo o mundo católico inúmeros bispos tinham dirigido a Santa Sé, para que fosse definido como dogma de fé a Imaculada Conceição da Beata Virgem Maria, prescreveu que se fizessem públicas e solenes orações... e ordenou a todos os bispos que comunicassem à santa Sé qual seria sobre este ponto da doutrina cristã o convencimento dos fiéis. Os bispos quiseram que também os superiores religiosos manifestassem a este propósito o sentimento deles e aquele dos confrades.
Em resposta a carta do patriarca de Veneza o Pe Antônio responde manifestando toda a sua alegria pela iniciativa da Santa Sé, e encarregado em apresentar “quão grande era a devoção dos religiosos da Congregação das Escolas de Caridade para com a Conceição da Beata Virgem Imaculada, e quanto ao desejo deles que fosse pronunciado sobre este argumento o juízo definitivo da Santa Sé Apostólica, ele se considera bem feliz em poder manifestar em tal ocasião uma nova e solene homenagem de profunda veneração e de fervoroso afeto filial à nossa Mãe e Rainha amabilíssima ao atestar ser esta uma das principais devoções do próprio instituto clerical, cultivada desde o tempo do noviciado. Para todos surgiria felicíssimo aquele dia no qual por infalível anúncio da Sé Apostólica viesse a ser definido como dogma da nossa Fé que a Santíssima Virgem tenha sido, por especial privilégio, desde o primeiro instante de sua conceição, livre da culpa original, puríssima e Imaculada”.
Observação:

A resposta de Pe Antônio leva a data de 30 de novembro de 1849. “No primeiro dia de dezembro Pe Antônio declarava a devoção ao ano mariano com a recitação quotidiana do hino Ave Maris Stella (Ave Estrela do Mar) e a oferta de ‘fioretti’ espirituais, para suplicar pela intercessão de Maria Santíssima o fortalecimento do Instituto e especialmente a vocação de novos operários” (Pe Zanon, o. c.).


É Este o 3º Ano Mariano declarado pelos padres Fundadores. Também o segundo teve início em 8 de Dezembro (1826-27) e foi feito em agradecimento pelos 25 anos da Obra, para pedir ajudas e bênçãos para as escolas. O primeiro teve início num dia de domingo, 2 de maio de 1824, celebrado com muita solenidade com adoração ao Santíssimo Sacramento. Também o instituto feminino celebrava o Ano Mariano.
Na história da espiritualidade católica a iniciativa de celebrar um Ano Mariano foi iniciada pelos nossos Fundadores. Não existem notícias anteriores sobre isso. Se conhece o mês mariano que no Ocidente ocorre no mês de maio, devida a devoção popular, caracterizado pela oração do Rosário e da prática de “fioretti”. No Oriente desde muito cedo foi desenvolvido um mês mariano com base litúrgica: para os ortodoxos ocorre no mês de Agosto, concentrado na grande festa da dormição de Maria (Maria Assunta ao Céu), enquanto para os cóptos ocorre no mês de dezembro com a grande solenidade do Natal do Senhor.
Ter celebrado bem por três vezes em suas vidas um ano marianas, junto dos confrades de sua nova Congregação religiosas e aos alunos dos dois institutos, comprova quanto era profunda em nossos veneráveis Fundadores a devoção a Maria Santíssima, como eles sentiam vivo e operante o amor materno de Maria, era necessária a imitação de suas virtudes, com a mesma fé que se invocava a sua intercessão. Isto deduzimos também da oração “QUERIDA MÃE MARIA”.
Quando a nossa Igreja de Santa Inês em Veneza foi reaberta ao público, se celebrava a festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no segundo domingo de novembro. Os nossos Fundadores se referem a isso quando falam de “festa do patrocínio de Maria”. Depois ocorreram muitas mudanças no calendário litúrgico e atualmente a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é recordada, sobretudo, em nossas paróquias e obras do Brasil.

“QUERIDA MÃE MARIA”: é a oração mariana que nos deixaram os nossos Padres. Em nossa Congregação rezamos essa oração ao final da liturgia de Vésperas. Com toda a Igreja os religiosos Cavanis bendizem a Deus com o Cântico de Maria Virgem, e com os Fundadores renovam sua consagração “ao amor dulcíssimo e ao patrocínio de sua querida Mãe”. Nosso Ícone mariano fundamental é aquele de Maria mãe de Deus, Mãe dos discípulos. Os Fundadores sempre a apreciaram e amaram, invocada e pregada assim. Então, para este Ícone recorremos ao Evangelho de São João, que sendo o discípulo mais próximo de Jesus, o discípulo que ele amava este talvez também sentisse um afeto reverente e amor pela mãe de Jesus. Maria está no Monte Calvário, aos pés da Cruz sobre a qual pregaram seu Filho. Jesus morrendo ,“vendo a sua Mãe e ao lado dela o discípulo que ele amava, disse a mãe: ‘Mulher, eis o teu filho! ’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe! ’ E daquele momento o discípulo a levou para sua casa” (Jo 19,26-27).


Observa o Pe Antônio: “Ele nos deixou Maria por Mãe, se quisermos ser discípulos”, se estamos dispostos a levá-la para nossa casa, participe, ela é o sustento da nossa vida consagrada e do nosso apostolado.
Derivado deste Ícone fundamental, encontramos outras imagens de Maria nas três partes em que está dividida a oração na qual os nossos Padres Fundadores nos ensinaram a pedir quotidianamente e insistentemente:


  1. A santidade para nós e para todos;

  2. Que o nosso Instituto cresça e se fortaleça para a glória de Deus e para o bem dos jovens “abandonados”;

  3. A vitória sobre o mal, com a ajuda da Imaculada e a benção sobre todos os sacrifícios e os empenhos educativos que visam “recolher, cuidar e encaminhar a juventude ao caminho do Pai”.

Primeiro Ícone:

Maria nas bodas de Canaã. Ainda do Evangelho de São João: “Eles não tem mais vinho” (Jo 2,3); “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5). Para imitar o Senhor Jesus, para viver unido a Ele que é a videira e a fonte de vida eterna, para caminhar com paciência e perseverança na estrada da perfeição evangélica é necessário, a Graça. Nossa Senhora intercede para que a ninguém mais falte este vinho, para que o seu Divino Filho transforme a água da nossa fraqueza, dos nossos cansaços e preguiças em vinho de generosidade e fecundo em obras. Pe Marcos acrescenta “com grande empenho”, isto é “com vigor de espírito e vontade”: é necessário coragem e espírito de sacrifício para fazer bem “aquilo que Ele nos diz e dirá”, para anunciar e trabalhar com fidelidade no ministério educativo e sacerdotal ao qual Ele nos chamou.
Segundo Ícone:

Maria em oração com os apóstolos no Cenáculo, enquanto aguardavam a vinda do Paráclito. “Todos estes eram unidos e assíduos em oração, acompanhados por algumas mulheres, entre estas estava Maria a mãe de Jesus e seus irmãos” (At 1,14).

Jesus elevando-se ao céu disse a eles: “Recebereis o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas em Jerusalém... e até os confins do mundo” (At 1,8). Aqui posso ver todos os discípulos, em todos os tempos da história, em todas as vocações, segundo os dons que receberam, seja na Igreja, na paróquia, nas famílias, também as religiosas, em cada atividade educativa e pastoral.

Maria não se isola não se fecha em casa, porque a sua casa é aquela dos discípulos do Senhor: é a pessoa mais santa, parte da Igreja, no caminho da história e da humanidade. Ela é a Mãe e o sustento para cada apóstolo, daquele que acolhe os pequenos com amor paterno e reza com eles e para eles. “Com o vosso docíssimo amor – pedem os Fundadores e nós com eles – concedei-nos a graça de ver crescer e se desenvolver o pio Instituto com sempre novo vigor para a maior glória de Deus e a salvação de tantos jovens abandonados”. O Pentecostes continua, porque o pio Instituto tem uma missão muito grande como são grandes (e sempre serão) as necessidades dos jovens. Maria está e sempre estará conosco: Mãe na oração e na vida fraterna, no testemunho apostólico, assim como nos dias do Cenáculo e da Igreja nascente.


Terceiro Ícone:

A Imaculada é a mulher-mãe da criação: “Eu colocarei inimizade entre você e a mulher, entre a tua raça e a dela e esta te esmagará a cabeça” ( Gn 3,15). Por isso, o Pe. Marcos disse: “Vós que sois temida por todo inferno”. Em Maria Imaculada os nossos Padres reconheceram um extraordinário poder na luta contra o tentador, o demônio. O poder do mal de fato deseja a ruína dos filhos de Deus e coloca armadilhas em seu caminho; os jovens são expostos e tentados ao mal, sobretudo quando são “dispersos”, e não encontram ajuda de uma verdadeira família, de uma boa educação.

Por isso, eles pedem a Virgem Santa para proteger “com a sua valiosíssima intercessão” o trabalho, os sacrifícios, no campo educativo, cada iniciativa pastoral destinada a acolher crianças e jovens com amor de pai, educá-los na fé e instruí-los nas ciências, em defendê-los dos perigos e ajudá-los também nas necessidades materiais, endereçando-os para a “bela pátria do céu”. É útil recordar também o livro do Apocalipse: “Então o dragão se enfureceu contra a mulher e foi guerrear contra o resto de sua descendência, contra aqueles que observam os mandamentos de Deus e são herdeiros dos testemunhos de Jesus” (Ap 12,17). O dragão é contra a Igreja e contra aqueles que com uma especial vocação foram chamados a educar os jovens e fazê-los conhecer “a beleza das verdades da fé” e levá-los a “saborearem a suavidade da Lei Divina”.
Nota:

Os três Ícones propostos: Maria em Canaã da Galiléia, Maria em Pentecostes e Maria Imaculada, forte contra todo o poder do mal, tudo provem da vontade de Jesus e Maria recebe em adoção como Mãe, aqueles que se esforçam para serem discípulos e por sua vez a recebam em casa como fez o apostolo João. Tudo isto, pode servir como tema para desenvolver um estudo (uma pequena tese) sobre a espiritualidade mariana na vida dos Fundadores Antônio e Marcos Cavanis e na nossa Congregação.

Para a festa da Imaculada Conceição, acrescento alguns pensamentos recolhidos do Novíssimo Dicionário – MARIA I, Stefano De Fiores, EDB (Pag. 869 ss.)


  1. “Em Maria, primeira redimida de Cristo, que recebeu o privilégio de não ser submetida nem mesmo por um instante ao poder do mal e do pecado, os cristãos se espelham como um perfeito modelo e Ícone de santidade (cf. LG. 65), que são chamados a alcançar com o auxílio da graça de Deus em suas vidas” (João Paulo II).




  1. A Santidade da qual Maria é exemplo para a Igreja possui algumas características que se transformam em lições para todos:

Realismo, enquanto Maria foi mulher de santidade ordinária, quotidiana e anônima, distante de miracolismos e espetaculosidades, ou seja, possível de ser alcançado pela maior parte do povo de Deus;

As Paixões integradoras, porque Maria, como o seu Filho, sentiu as tentações do domínio (poder), das posses (ter), e do amor (ser), mas as integrou na vontade salvifica de Deus;

Serviço, enquanto Maria vencia a tentação do dominar, do prevalecer, ensinando a ficar abaixo da lei da graça e permanecendo a serviço do povo e da sua liberdade.


  1. Imagem da mulher que esmaga o dragão. Entre todas as imagens da Imaculada, prevalece no meio do povo cristão, aquela da Mulher que esmaga a cabeça da serpente. Maria, versão feminina do Filho do homem (Dn 7), se apresenta como uma força pura, santa e bela, que se confronta com a força espantosa do monstro e o vence. Ela constitui uma energia fundamental evidente: inspira os comportamentos éticos da luta contra as forças de opressão e morte (Guadalupe, Jasna Gora). Maria é repleta de esplendor da graça, que por sua vez efunde sobre o mundo, mas ao mesmo tempo esmaga a cabeça da serpente.




  1. Maria imaculada, realização máxima do ideal humano. Da sede de liberdade, ícone de liberdade, ideal de mulher finalmente realizada; da sede de pureza absoluta: o coração humano encontra em Maria a toda - santa. Não se trata de pureza ingênua, porque é acompanhada de luta; da sede de beleza infinita. A cheia de Graça é bela porque, amada por Deus, correspondeu com coragem e fidelidade e combateu o dragão com a mansidão.




  1. A Imaculada é o sistema preventivo (a constante vigilância dos nossos Fundadores). Existe uma clara analogia entre a ação preventiva do Senhor em preservar Maria do pecado original e a tarefa do educador que alcança o máximo objetivo prevendo as quedas dos jovens mediante uma assídua presença. Pe De Fiores aqui cita Dom Bosco e o seu método preventivo; nós temos o testemunho da pratica dos nossos padres que fizeram deste método fundamento da sua pedagogia e pastoral na congregação mariana, no oratório e nas escolas.




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