Instituto das filhas de maria auxiliadora



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INSTITUTO DAS FILHAS DE MARIA AUXILIADORA

fundado por São João Bosco

Nº 800

Queridas Irmãs,


chegamos ao final do mês de preparação para a Festa da Gratidão, em nível mundial. É a Festa do obrigada! a Deus e a cada Irmã que, de diferentes modos, colabora na animação da grande família das FMA. O tema que nos uniu neste ano do Espírito se inspira claramente no caminho proposto pela Igreja rumo ao Jubileu, e ajuda-nos a vivê-lo com maior responsabilidade.

Tecer a unidade na diversidade foi o tema programático do mês que nos viu empenhadas no conhecimento recíproco entre Inspetorias, e na oração em comum pela unidade. Agora nos sentimos mais conscientes e reconhecidas pelo dom da unidade do Instituto e pela beleza das cores que o carisma assume ao inculturar-se nas diversas partes do mundo.

O logotipo da festa apresenta sobre o serape mexicano o doce semblante de Nossa Senhora de Guadalupe e, debaixo do seu olhar, o rosto da Madre. A imagem é acompanhada pela frase: Tu téjes la unidad en la diversidad.

A fórmula personalizada do tema «TU teces a unidade na diversidade» é uma clara referência à missão fundamental da Madre: «ser vínculo de comunhão e centro de unidade» (Const. 116). Agradeço a vocês porque, com a oração, a fidelidade criativa, o espírito de família expresso em tantas formas festivas e feriais, ajudam-me a desempenhar, em atitude de confiança e de contentamento, a missão que o Senhor me confia.
Porém, em primeiro lugar, a tarefa de tecer a unidade na diversidade é atribuída a Maria, a verdadeira Superiora do Instituto, a mãe dos que crêem, ou melhor, de todos os viventes. Diante do quadro de Guadalupe, como diante do quadro de Valdocco, no próximo dia 24 de maio, dirijo a minha súplica pela unidade do Instituto na fidelidade à Igreja e ao carisma, pela harmoniosa valorização dos dons de cada Irmã, nas Inspetorias e nas comunidades.
É muito necessário tecer unidade em todos os níveis, da convivência mundial das nações ao nível inter-religioso e ecumênico, ao relacionamento quotidiano no seio das famílias. De modo especial, neste ano o Papa convida todos os fiéis a refletirem «sobre o valor da unidade dentro da Igreja, para o qual tendem os vários carismas suscitados nela pelo Espírito.
Estou escrevendo a vocês no início do mês dedicado a Maria. Sugiro-lhes que o passem em companhia dela, continuando a aprofundar, com a sua ajuda, o tema da festa da gratidão. Durante a sua vida terrena e, sobretudo, no cenáculo, Maria foi centro de unidade, animadora de comunhão entre os discípulos de Jesus. O Catecismo da Igreja Católica reconhece isso numa bela síntese: «Por meio de Maria, o Espírito Santo começa a colocar em comunhão com Cristo, os homens, objeto do amor misericordioso de Deus. Os humildes são sempre os primeiros a recebê-lo: os pastores, os magos, Simeão e Ana, os esposos de Caná e os primeiros discípulos. No final dessa missão do Espírito, Maria se torna a Mulher, nova Eva, mãe dos viventes, mãe do Cristo total» (n. 725-726).
Faz algum tempo li uma conferência feita num congresso sobre Maria. Continha um questionamento que muitas vezes aflora-me à memória. Era mais ou menos isto: Por que será que, dentro da Igreja, encontramos dificuldade de aceitação recíproca, de compreensão dos irmãos e de uma legítima pluralidade de opiniões? Essa dificuldade de aceitar-nos como irmãos, não será talvez a dificuldade de aceitar uma mãe comum? Será que se tivéssemos uma devoção mais adequada e fiel a Maria, não encontraríamos motivo de compreensão mútua, de respeito pela liberdade alheia, de promoção das iniciativas dos outros?

A recente publicação, em dois volumes, da pesquisa realizada durante muitos anos sobre Maria, pelo Groupe des Dombes - formado por 40 estudiosos de diversas confissões cristãs que se reúnem na homônima abadia nos arredores de Lyon - testemunha o profundo desejo de comunhão na fé em Jesus que, sob a cruz, constituiu Maria mãe dos discípulos (cf Marie dans le dessein de Dieu et la communion des saints, vol. I 87). Definitivamente, é por meio dela que se torna possível a unidade de todos os que crêem em Cristo.

A vontade de recuperar tal unidade e de reforçá-la dentro da Igreja católica, com a ajuda de Maria, torna-se sempre mais viva, e é sustentada pela oração de muitos irmãos e irmãs sensíveis às freqüentes exortações do Papa. Ele afirma que, neste final de milênio, a Igreja deve dirigir-se com súplica mais insistente ao Espírito Santo, implorando dele a graça da unidade dos cristãos, dom crucial para o testemunho evangélico no mundo (cf TMA 34). Aos religiosos, em particular, o Papa pede que abram «espaços maiores à oração ecumênica e ao testemunho autenticamente evangélico, a fim de que, com a força do Espírito Santo, possam ser derrubados os muros das divisões e dos preconceitos entre os cristãos» (VC 100).

A unidade é dom do Espírito, profundamente inscrito no nosso ser de pessoas batizadas no nome de Jesus, por meio do qual podemos gritar com verdade: Pai nosso!

No caminho de formação, hoje, sentimos a urgente necessidade de reavivar o dom de Deus em nós: o dom da vocação à unidade que nos torna reconhecidas como discípulas de Jesus. O desejo profundo de crescer na unidade é, portanto, um apelo do Espírito a deixarmos transformar nosso coração, a sair das visões estreitas do egocentrismo ou do etnocentrismo, para vivermos como filhas de Deus que reconhecem a beleza da criação na harmônica interdependência de seus componentes; a bondade do seu coração de Pai na experiência de ser, à sua imagem, chamadas à unidade no amor; a verdade e a felicidade da existência humana na vocação, a realizar-se através do dom de si e do acolhimento do dom do outro.


Em última análise, o desejo da unidade nos faz remontar ao mistério fontal da nossa fé - a unidade de Deus na diversidade das Pessoas - ajuda-nos a penetrar e nos determos na oração de Jesus: “Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que também eles sejam em nós uma coisa só, para que o mundo creia que tu me enviaste! (Jo 17,21). Nessas abissais profundidades do mistério de Deus somos chamadas a viver o nosso quotidiano com a simplicidade de Maria, nossa irmã e mãe, que por primeira percorreu o caminho de seguimento de seu Filho, na fé e na esperança, acolhendo-nos como filhos aos pés da cruz e aceitando ser, na Igreja, modelo humano para quantos confiam de todo o coração nas promessas de Deus.
Deixo-me guiar pelo olhar da Igreja sobre Maria, no ano do Espírito Santo, para compartilhar algumas considerações que podem ajudar-nos a desenvolver as atitudes necessárias para viver o chamado a tecer a unidade na diversidade.

Mulher dócil à voz do Espírito
No decorrer deste ano, a Igreja nos convida a contemplar e imitar Maria, sobretudo como a mulher que, em toda a sua existência se deixou guiar pela ação do Espírito Santo.

Maria é a criatura toda centrada no projeto de Deus, que vai compreendendo gradativamente e aceita com seu contínuo SIM. Faz-nos ver o semblante da criatura que mais se assemelha ao Filho de Deus. Por isso é para nós companheira e guia no caminho da vida segundo o Espírito, educa-nos para discernir, através dos acontecimentos, o dom do nosso chamado espe-cífico, para cultivá-lo e colocá-lo a serviço, com desprendimento e, ao mes-mo tempo, com solicitude para colaborar no projeto de salvação.

Por sua docilidade ao Espírito, Maria atinge a verdade da sua existência e se torna disponível a um contínuo êxodo, investindo a sua liberdade na adesão a quanto as circunstâncias lhe manifestam como vontade de Deus na sua vida: de Nazaré ao Calvário, do início da Igreja à sua missão his-tórica até o fim dos tempos. Assim, pela fé, a virgem noiva de José se torna mãe do Filho de Deus e mãe de todos os viventes. Sua maternidade física se alarga numa maternidade espiritual, mas real, de todos os irmãos de seu Filho.

Verdadeiramente - como comenta um autor - Maria nos concebeu e, espiritualmente, nos deu à luz. «Concebeu-nos, isto é acolheu-nos em si, quando - talvez no momento mesmo do seu chamado... - foi descobrindo que aquele filho seu não era um filho como os outros, mas um primogênito entre muitos irmãos (Rm 8,29), que ao redor dele ia se juntando um resto, ia se formando uma comunidade. O pensamento voa espontaneamente... a algumas mães de sacerdotes fundadores... - como, por exemplo, a mãe de Dom Bosco - que a um certo ponto viram seu próprio filho entrar em casa trazendo grupos cada dia mais numerosos de amiguinhos, ou de pobres meninos... e, em silêncio, sem necessidade de muitas explicações, começaram a organizar-se de acordo com as novas exigências, preparando alimento e cama também para eles, lavando também para eles, como se todos fossem seus filhos, nem mais nem menos. Mas, para Maria, se tratava de algo bem mais profundo. ... Quando Maria ouvia, ou ficava sabendo que o Filho andava dizendo: Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos...(Mt 11,28), ela entendia que não podia se retirar, recusando-se a acolher como seus todos os convidados do Filho, sem deixar de ser, espiritualmente, sua mãe» (CANTALAMESSA R., Maria, uno specchio per la Chiesa, 141-142).

Depois do tempo da concepção, do Sim do coração, o Espírito a guia ao seguimento de Jesus ao Calvário. Sob a cruz vive as dores do parto. As palavras que Jesus moribundo lhe dirige são a instituição da sua nova maternidade, fundada não em seus méritos, mas na Palavra de Deus. O mesmo autor comenta: «Debaixo da cruz, Maria nos aparece como a Filha de Sião que, depois do luto e da perda de seus filhos, recebe de Deus uma nova geração, mais numerosa, não segundo a carne mas segundo o Espírito. De Sião se dirá: É minha mãe. Nela todo homem nasceu (Sl 86,2) De mim, de você, de cada um, também de quem ainda não o sabe, está escrito no livro de Deus: “Lá, este nasceu”. Mas, não fomos “regenerados pela Palavra de Deus viva e eterna”?, ...”renascidos pela água e pelo Espírito”? Certíssimo, mas isso não impede que, num sentido diferente, subordinado e instrumental, tenhamos nascido também pela fé e pelo sofrimento de Maria» (Id. 145).

Essa longa citação ajuda-nos a penetrar no mistério do desígnio de Deus sobre a humanidade, e a intuir até onde a docilidade ao Espírito pode nos levar. O que aconteceu em Maria, de modo singular, por causa da sua missão de Mãe de Deus, acontece de forma analógica em todo o que crê em Cristo, chamado a colaborar no advento do Reino de Deus na história, de geração em geração, até o cumprimento do desígnio do Pai de recapitular todas as coisas em Cristo. Dóceis ao Espírito, também nós, todos os dias, tecendo ‘insieme’ fios de comunhão, colaboramos para gerar a civilização do amor, a unidade da família humana.



Mulher do silêncio e da escuta
A docilidade de Maria à voz do Espírito se radica na sua atitude habitual de silêncio e de escuta.

Na circular de 24 de outubro p.p. eu me entretive com vocês sobre o tema do silêncio. A proposta da Igreja para 1998, de considerar Maria como mulher do silêncio e da escuta (cf TMA, 48), encoraja-me a voltar a esse argumento.

Estou convencida de que a maior parte das dificuldades que encontramos nas nossas relações, e que às vezes tornam problemática a possibilidade de tecer unidade na diversidade, nascem da superficialidade e da dispersão derivantes da menor capacidade de viver em silêncio. E ele é fundamental na existência de toda criatura que queira crescer na ordem, unificando-se em torno do núcleo central das próprias escolhas. Tanto mais para o crente em Cristo, chamado a entrar em contato com a Palavra saída do silêncio do Pai, a conservá-la no coração, a confrontar com ela todo acontecimento.

A nossa Regra de vida fala do «silêncio que se faz atenção ao Espírito» (48) e, quando considera as condições da escuta e da meditação da Palavra, afirma explicitamente: «No silêncio de todo o nosso ser, como Maria, a Virgem da escuta, nos deixaremos invadir pela força do Espírito que leva gradativamente à configuração com Cristo» (39). A vida comunitária também requer «aquele silêncio que é expressão de caridade e de atenção para com os outros, ... possibilita a reflexão e a escuta, dispõe ao encontro com Deus e torna mais fecunda a missão» (54).

Se o silêncio é necessário para acolher a Palavra de Deus, é igualmente necessário para pronunciar palavras humanas verdadeiras, que expressem a autenticidade da pessoa. Silêncio e palavra, quando verdadeiros, não podem ser separados, são recíprocos: um não existe sem a outra, e é o silêncio que torna a palavra possível. D. Bonhoeffer afirma que o silêncio e palavra são as duas alternâncias da relação interpessoal, e que «a palavra certa nasce do silêncio certo, e o silêncio certo nasce da palavra certa» (La vita comune 102).

O silêncio é fundamental, sobretudo quando se quer entrar em diálogo. É preciso saber calar para ouvir, e escutar para dialogar. Penso que, para algumas de nós, seja experiência compartilhada a da personagem de um romance que declara: «Ninguém tem tempo de escutar-vos, nem mesmo aqueles que vos amam e estariam prontos a morrer por vós» (CALDWELL T., Il mio cuore ascolta, 14-15).

Às vezes são as jovens, os membros da comunidade educativa, ou mesmo as Irmãs da comunidade que fazem a mesma constatação.
Escutar não é tanto questão de tempo, quanto de disposição interior. Hoje, mais do que no passado, se quisermos viver e transmitir a espiritualidade salesiana, é necessário que nos formemos para a escuta.

Mas, para escutar, o silêncio interior deve poder crescer em profundidade e vastidão. Antes de tudo, é necessário fazer calar a habitual pressa das muitas coisas a serem feitas, que impede de prestar atenção às pessoas que estão ao nosso lado, às suas expectativas e ofertas.

Ao invés, todas nós conhecemos Irmãs que sabem criar, com o seu silêncio pleno de escuta, o inconfundível clima de acolhimento e de benévola tolerância próprio do espírito de família.

«Saber escutar os outros, estar silenciosamente atentos, estar presentes com o olhar, através de um silêncio repleto de interesse e de espera. Saber escutar: eu lhes garanto que isso transforma a atmosfera, tornando-a fraterna. Saber escutar é também aprender a fazer perguntas, pois esse é um modo de traduzir a nossa atenção e o desejo de escutar que há em nós» (VOILLAUME R., Sul cammino degli uomini, 72-73).


Antes de se dirigir aos outros, o silêncio que escuta se prepara no diálogo interior, no diálogo de verdade consigo mesmo. Como atesta Santo Agos-tinho, no silêncio do diálogo interior podemos descobrir a verdade do nosso ser à semelhança de Deus.

A iniciativa de Deus, ao criar mediante a palavra, deixou no homem a marca do diálogo que se manifesta numa nostálgica tensão para o Tu. «A vida inteira é a resposta a um tu que chama e interroga incessantemente sobre temas decisivos da existência, tornando a vida completamente resposta a uma vocação (MASCIARELLI M., Abitare il silênzio, 55).


Educar-nos e educar para o silêncio interior, como premissa ao verdadeiro diálogo entre pessoas, é sempre coeducar-nos. Na nossa diversidade, cres-cemos juntos através do diálogo, que requer escuta e silêncio dentro de nós, antes de se manifestar externamente.

Também o encontro pessoal e a partilha comunitária, de que falam os artigos 34 e 35 das Constituições, ganhariam em qualidade e atingiriam seus objetivos, se nos ajudássemos a educar-nos para o silêncio.



Mulher da esperança
A docilidade ao Espírito, fundada na atitude de escuta na fé, faz de Maria a mulher da esperança. Com seu contínuo SIM, Maria renova a entrega de todo o seu ser, e se torna a criatura da espera e da esperança, embora na difícil condição de peregrina.
Maria - que contemplamos como a criatura habituada a guardar silêncio, a escutar, a observar e discernir - ensina-nos uma outra atitude fundamental para sermos tecedeiras de unidade nas situações concretas da vida quotidiana. Recorda-nos que na esperança nós já fomos salvos (cf Rm 8,24), e que a esperança se nutre de escuta, contemplação, paciência. Os tempos de Deus não são os nossos.

«Quanto mais crescem as exigências, como é o caso de Maria, tanto mais se torna grande o empenho da escuta, da paciência e da fé, denso de exigências, uma maceração espiritual que investe a vida em todos os níveis: o do saber, o da verdade e o do amor. Assim, como Maria, nos tornamos mais disponíveis às conseqüências da encarnação» (BALLESTRERO A., Madre che ci accompagni, 58).


A Estréia de 1998 nos convoca nesta direção: redescobrir, com os jovens, «a presença do Espírito da Igreja e no mundo, para viver e agir com muita confiança, na perspectiva do Reino».

Maria é mãe da nossa esperança. Com as situações da sua vida terrena ela nos ensina a deixar descer dentro de nós as situações humanas, atentas para captar as solicitações do Espírito, e prontas a responder com simplicidade e coragem. O olhar sempre voltado para a vontade do Pai se reflete sobre os acontecimentos da história que, lidos à luz do mistério pascal, suscitam motivações profundas para o empenho quotidiano na transformação da realidade.


O Papa convida a reconhecer e valorizar os sinais de esperança presentes neste final de século, apesar das sombras que muitas vezes os ofuscam. Entre esses indica, no campo civil: o esforço para restabelecer a paz e a justiça, a vontade de reconciliação e de solidariedade entre os povos, especialmente nas complexas relações entre o Norte e o Sul do mundo; no campo eclesial: a atenta escuta da voz do Espírito, a intensa dedicação à causa da unidade de todos os cristãos, o espaço dado ao diálogo com as religiões e com a cultura contemporânea (cf TMA 46).
Conscientes da presença desses sinais de unidade e de esperança, mas também da imperfeição da realidade por eles representada, «os cristãos compartilham a espera de Quem, repleta da virtude da esperança, sustenta a Igreja em caminho para o futuro de Deus» (JOÃO PAULO II, Audiência geral, 12/11/1997).
O empenho para tecer a unidade na diversidade orienta a colaborar com decisão numa ampla renovação social, que requer vontade de encontro, atitudes e linguagens capazes de concretizar um encontro construtivo. Uma sociedade não pode se renovar sem a tomada de consciência das razões de uma sadia convivência social: o senso de pertença, a responsabilidade compartilhada, a capacidade recíproca de perdão. Alguém poderia pensar que estamos falando de uma utopia irrealizável. Permitam-me servir-me das palavras do Cardeal Martini para expressar uma convicção minha: «Deixem-nos sonhar! Deixem-nos olhar para além das dificuldades de cada dia! Deixem que nos inspiremos em grandes ideais! Deixem-nos contemplar ... as figuras que ... marcaram uma passagem de época ... ensinando que a força e o reino de Deus já estão no meio de nós, e que basta abrir os olhos e o coração para ver a salvação de Deus que já se realiza» (Alla fine del millennio lasciateci sognare, 235).
A próxima festa de Maria Domingas Mazzarello pode ser uma oportunidade para ler nessa ótica a figura da nossa Cofundadora e das primeiras Irmãs. Encontraremos mulheres animadas pela tensão de sonhar grande, perseverantes no compromisso quotidiano, cansativo e empolgante, de encarnar tais sonhos na vida, na esteira de um outro grande sonhador: Dom Bosco. Maria, a inspiradora e guia deles, impulsione também a nós, com a ternura da sua presença, a caminhar na esperança operosa, a fazer gestos corajosos de ‘amorevolezza’, de solidariedade e de corresponsabilidade que marquem a passagem para uma cultura da vida. Talvez sejam pequenos ges-tos, que alguns consideram inadequados, mas que, feitos com humilde convicção, poderão contagiar outros e, em rede, expressar claramente a fé na unidade da família humana, a esperança de quem sabe que o Pai está agindo nesse sentido e quer precisar da nossa pequenina colaboração.
As Irmãs do Conselho estarão comigo em Turim, no próximo dia 24 de maio, também para viver, com o Papa, o evento da ostensão do Santo Sudário. Venerando o precioso documento do preço pago por Jesus para fazer de todos nós uma só família, rezaremos pela unidade nas comunidades, no Instituto, na Igreja e nas nações.

Roma, 24 de abril de 1998.



Af.ma Madre
Ir. Antônia Colombo


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