Instituto das filhas de maria auxiliadora



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Encontro29.07.2016
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INSTITUTO DAS FILHAS DE MARIA AUXILIADORA


fundado por São João Bosco

N. 799

Queridas Irmãs,

retomo a minha conversa com vocês, neste ano dedicado ao Espírito Santo, enquanto percorremos o último trecho da caminhada quaresmal, e na vigília da solenidade da Anunciação do Senhor.

A encarnação do Filho unigênito do Pai no seio de Maria, a sua morte e ressurreição são os acontecimentos que enquadram a parábola da vida terrena de Jesus, iniciada por obra do Espírito Santo e concluída com o envio do Paráclito a nós.

Da Cruz, na hora suprema da obediência ao Pai, Jesus efunde o Espírito anunciado e prometido no discurso de despedida do Cenáculo. No mesmo lugar, a terceira Pessoa da Trindade, dom altísimo de Deus, desce sobre Maria e sobre os apóstolos, tornando-os mensageiros e testemunhas com a própria vida, da verdade sobre a criatura humana, não apenas restituída à dignidade de imagem de Deus, mas renascida na água e no Espírito para a vida nova de filha de Deus.

Portanto, o Espírito nos é comunicado pela humanidade transfigurada do Ressuscitado. Transformado em seu próprio corpo, Jesus agora transforma seus irmãos e irmãs que são conformados a Ele, por obra do Espírito Santo.

O encontro pessoal do Ressuscitado com cada homem e mulher do nosso tempo e de todos os tempos, é obra do Espírito Santo, lugar pessoal da relação entre Jesus e os que nele crêem.

Vivendo hoje na Igreja o mistério da Páscoa e de Pentecostes, a nós é dado compreender vitalmente que o nome próprio do Espírito é Dom. Quero me demorar ainda com vocês, na consideração do dúplice sentido desse nome, consciente de já ter falado sobre isso na carta de dezembro. Ele exprime o fato de ser dom e de doar-se. O termo dom em referência ao Espírito, deve ser entendido não apenas no sentido passivo: Aquele que é dado, mas também no sentido ativo: o dar-se que impele o Filho a exultar, gritando ‘Abbà’, e nós, filhos adotivos, a nos dirigirmos ao Pai com o mes-mo vocativo, e a nos sentirmos todos irmãos e irmãs.

Por isso o Espírito infunde em nós o dom de Deus e também a ne-cessidade, a capacidade e a alegria de nos doarmos. Cantalamessa ousa afirmar: “Ele nos contagia, por assim dizer, com o seu próprio ser. Ele é o dar-se, e onde chega cria um dinamismo que leva a pessoa a se fazer dom para os outros. ‘ O amor de Deus foi derramado em nossos corações por meio do Espírito Santo que nos foi dado’ (Rm 5,5). A palavra amor indica tanto o amor de Deus por nós como a capacidade nova de, em troca, amar a Deus e aos irmãos. ... Portanto, o Espírito Santo não infunde em nós apenas o amor, mas também o amar. ... O Espírito Santo é vedadeiramente a água viva que, recebida, jorra para a vida eterna’ (Jo 4,14), isto é, salta e se derrama sobre quem está por perto” (O canto do Espírito 93).


‘Hoje há algo de novo no sol, ou melhor, de antigo’.

É o verso de um poeta que, a meu ver, exprime em beleza a percepção crescente da mudança que está acontecendo e que muitos contem-porâneos nossos advertem com sentimentos diversos, de medo e de tre-pidação, ou de júbilo de ativa esperança. Estamos no começo de uma nova época. O fenômeno da globalização, portador de novas interrogações inquietadoras, pode ser também uma oportunidade inédita para evangelizar a história da humanidade, no limiar do terceiro milênio, qualificando-a como globalização na solidariedade, sem marginalização (cf João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial da Paz - 1998). Vivemos num clima cultural em que se afirma uma nova sensibilidade, atenta ao outro, à diversidade como riqueza, à solidariedade, à corresponsabilidade. Afloram valores que têm sua matriz segura - mesmo se muitas vezes implícita ou não reco-nhecida - na visão de homem revelada por Jesus, ou seja, numa visão teo-antropológica.

Nesse quadro nos encontramos plenamente como família religiosa em caminho, com a Igreja, rumo ao terceiro milênio. Redescobrimos a pre-sença do Espírito atuante na história para construir a civilização do amor. Revelando-nos que a comunhão de amor trinitária é ‘ekstasis’, isto é, saída de si e abertura ao outro, que a personalidade divina não se exaure em si mesma e em apegar-se à sua divindade (cf Fl, 2,6), mas em dar e dar-se, o Espírito Santo nos faz sair das seguranças pessoais ou de grupo, abrir o nosso coração ao recíproco dom confiante, unir as forças para discernir juntas como realizar o projeto de Deus. Porque o Espírito Santo é Aquele que coloca em relação, que une em comunhão, está presente lá onde uma existência se abre ao dom; é a força vital de uma comunidade que res-ponde ao chamado de Deus à santidade.
Quero partilhar com vocês a alegria de algumas experiências recentes, claramente marcadas pela presença do Espírito.
- Para mim, a mais significativa foi a que caracterizou o início da partilha em torno do Projeto formativo do Instituto (Ratio), de que falamos na última circular coral. Tenho certeza de que agora, nas comunidades, vocês também estão partilhando suas experiências de crescimento vocacional, reavivando assim o dom de Deus que está em vocês, para tornar cada comunidade lugar de formação para a recíproca potencialização dos recursos pessoais, a serviço da missão comum.

- Momento forte de vida no Espírito foi o XX Encontro de Espiritualidade da Família Salesiana (Roma, 16-18 de janeiro), sobre o tema da Estréia de 1998: Redescubramos, com os jovens, a presença do Espírito na Igreja e no mundo. Para uma espiritualidade inspirada no carisma salesiano. Os Atos, publicados logo em seguida, são um testemunho da presença vivaz do Espírito na Família Salesiana, e dos recursos da espiritualidade sale-siana que aguardam um ulterior reconhecimento e desenvolvimento, na valorização recíproca dos diversos grupos da Família Salesiana, para co-laborar na nova evangelização, através do Sistema Preventivo.


Eu fui chamada a dar o meu contributo, em nome de todas as Irmãs. Sintetizei-o no título: Na escola de Maria, mestra de vida no Espírito: algumas sugestões a partir do XX CG das FMA. Sei que interpretei o pensamento de vocês, porque sinto que nas Inspetorias estão assimilando com alegria e responsabilidade as orientações do Capítulo, traduzindo-as na vida quotidiana. Essa disponibilidade que se estende a todo o Instituto, é um sinal evidente da presença do Espírito.
- O XIII Dia Mundial da Juventude, que neste ano viveremos nas Igrejas locais, ao redor dos nossos Pastores, confirma-nos na certeza de que o Espírito guia a sua Igreja por caminhos que convergem decididamente para a configuração a Cristo. Por diversas vezes, lendo a mensagem de João Paulo II, estremeci de alegria ao constatar que o nosso Capítulo e a Programação estão em perfeita sintonia com as linhas que o Papa propõe aos jovens. Faço votos de que vocês experimentem a mesma alegria, con-frontando de perto a mensagem com os conteúdos da Programação. Limito-me a indicar-lhes a passagem bíblica que constitui o tema do pró-ximo Dia Mundial da Juventude: O Espírito Santo ensinará a vocês todas as coisas (Jo 14,26). Antes de tudo, serve para nós, educadoras dos/das jovens.
- Quero compartilhar ainda, entre muitos outros, um acontecimento que me fala de comunhão e, portanto, de presença do Espírito. Neste ano, pela primeira vez, se reuniram em Sampran (Tailândia), todas as Inspetoras do Continente asiático, a fim de se prepararem para o Sínodo da Igreja que está na Ásia, marcado para o período que vai de 19 de abril a 14 de maio, e para fazerem juntas o Retiro anual (20 de fevereiro a 03 de março).

No próximo mês de abril, as Inspetoras da América farão a mesma expe-riência em Saltillo (México), dedicando também alguns dias à reflexão sobre o Sínodo da América, celebrado em novembro-dezembro p.p.

No outono, como acontece a cada ano, as Inspetoras da Europa se reu-nirão em Mornese.
Esses encontros são um grande dom do Espírito que quer fazer crescer a comunhão no Instituto e, com isso, qualificar o nosso serviço na Igreja.

- A Festa da Gratidão nos encontrará reunidas na cidade do México, diante da Senhora de Guadalupe. Será um momento forte deste ano do Espírito, porque o tema: Tecer a unidade na diversidade - que queremos transformar em vida, também através do simbolismo dos fios, enviados pelas Ins-petorias e depois tecidos juntos - não é apenas uma sugestiva síntese do XX CG, mas um programa eclesial e social de grande exigência e atua-lidade; e mais, é uma expressão daquele que, no seio da Trindade e na história do homem, é o vínculo da unidade no amor. Mais uma vez, vamos haurir no fundamento de uma concepção teoantropológica da vida humana e da história centrada no recíproco reconhecimento e na submissão no amor.


O fio vermelho da ‘amorevolezza’
Situa-se nessa visão a escolha do Capítulo de aprofundar o sentido da ‘amorevolezza’ salesiana, considerada como a via prioritária no empenho de encarnar o Sistema Preventivo. Na introdução aos Atos, afirmamos que: “Temos necessidade de superar fechamentos, egoísmos e medos, e deixar-nos provocar continuamente pelas perguntas dos jovens. Dom Bosco e Madre Mazzarello abriram para nós uma estrada, a da ‘amorevolezza’, chave para entrar no coração do mundo. Daqui precisamos partir de novo no esforço de reescrever o Sistema Preventivo” (pag. 11).
No encerramento dos trabalhos capitulares, nós pudemos dizer: “Há um tema que perpassou toda a nossa reflexão, e que devemos continuar enfocando: a ‘amorevolezza’. Esteve presente em cada reflexão como o motivo musical que deu tom à nossa vida consagrada, deu forma ao estilo da nos-sa relação educativa, inspirou as nossas escolhas em favor da vida.

Sentimos que a ‘amorevolezza’ é de verdade a via prioritária de onde partir para reescrever, no feminino, o Sistema Preventivo. Estamos apenas no começo da nossa reflexão” (pag. 87).


Portanto, não é arbitrário declarar, como o fiz na premissa aos Atos, que a ‘amorevolezza’ é o ‘fio vermelho’ que permite traduzir o Sistema Preventivo evidenciando melhor o feminino, como fez Madre Mazzarello (pag. 6-7).

Parece-me que tenha ficado evidente que as capitulares entenderam falar da ‘amorevolezza’ não com a conotação principal de metodologia educativa, mas sobretudo com a de conteúdo teoantropológico. Nessa acepção, ela adquire uma amplitude que engloba as dimensões da religião e da razão, considerada como compreensão humana da realidade.

A nossa conversa capitular teve como centro o tema da vida, dos problemas com que as comunidades se defrontam todos os dias. Olhando para eles com olhos de mulheres consagradas por Deus para uma espe-cífica missão educativa, voltamos à fonte do Sistema Preventivo, à origem da nossa família religiosa, para nos imergirmos, como mulheres do nosso tempo, na memória genuína, sempre prenhe de futuro.

Assim, encontramos Maria como aquela que, no sonho premonitório, foi entregue a Joãozinho pelo único Mestre, como mãe e guia na árdua tarefa de transformar lobos em cordeiros. Com ela, Dom Bosco aprende um novo método educativo que nasce da experiência do amor de Deus, reconhece no ‘ethos’ do amor o objetivo da educação, e se vale da única linguagem adequada para perseguir o fim - o da ‘amorevolezza’ - para colaborar com a obra do Espírito, para acordar gradativamente nos jovens o gosto pela vi-da segundo o desígnio do Pai e pela descoberta do segredo que os torna felizes.


Mais do que uma pedagogia, na sua realidade profunda o Sistema Preventivo é uma espiritualidade centrada sobre o amor. Tem razão o cardeal Alimonda, ao afirmar na Missa de trigésimo dia da morte de Dom Bosco, que o seu sistema educativo tendia a divinizar o mundo (cf Giovanni Bosco e il suo secolo 7).

Dom Paolo Albera, escrevendo aos Salesianos em 1922, não hesita em afirmar que o Sistema Preventivo «não era outra coisa senão a caridade, isto é, o amor de Deus que se dilata para abraçar todas as criaturas, especialmente as mais jovens e inexpertas, para infundir nelas o santo temor de Deus» (Lettere circolari 342). O segundo sucessor de Dom Bosco testemunha que ele «educava amando, atraindo, conquistando e transformando. ...Envolvia-nos todos e inteiramente numa espécie de atmosfera de contentamento e de felicidade, de onde eram banidos medos, tristezas, melancolias... Eu sentia que era amado de uma forma nunca experimen-tada antes, que não tinha nada a ver com o grandíssimo amor que meus inesquecíveis pais tinham por mim» (o. c. 342).


Se não se reduz ao mundo afetivo, a ‘amorevolezza’ o compreende e o expressa na forma humanamente mais eloqüente. O Padre Vespignani fala de uma sua conversa com Dom Bosco, na qual ele «começou explicando o seu sistema preventivo de caridade pura e paciente, falando-me da doçura e de como ser sempre grande amigo de todos» (Un anno alla scuola del Beato D. Bosco 25-26), e nos transmite as memórias ouvidas da viva voz de Cagliero: «Quando ao visitar um colégio, percebia que a disciplina era um tanto rígida, que as relações entre os superiores, os co-irmãos e os alunos não eram íntimas e familiares, ... fazia logo suas observações e ... distribuía algumas balinhas... recomendando a doçura, a amabilidade, a cara boa, e o uso dos meios sugeridos pelo Sistema Preventivo, que se re-sume na caridade pura e paciente» (o. c. 107).
Para Dom Bosco, ganhar o coração significava, em primeiro lugar, situar-se no profundo do próprio coração habitado pela presença de Deus, e de lá partir para o diálogo com o outro, envolvendo nele a personalidade inteira, com a gama de seus interesses vitais, materiais e espirituais, mas procurando evocar o seu ‘eu’ profundo e sintonizar com a sua raiz decisória, livre dos condicionamentos dispersivos. Em outros termos, a educação é coisa de coração, sim, mas parte radicalmente de um coração habitado pelo Espírito de Jesus e porque orienta os jovens a entrarem no próprio coração, para descobrir o sentido da vida como dom e como vocação. No lema-súplica de Dom Bosco “da mihi animas, cetera tolle” há um anelo místico.
Finalmente, o Sistema Preventivo é mais uma mistagogia do que uma pedagogia. De fato, consiste «numa presença educativa que, com a única força da persuasão e do amor, procura colaborar com o Espírito Santo para fazer crescer Jesus no coração das jovens» (Const. 7).

A assistência salesiana, típica expressão do Sistema Preventivo «nasce da nossa comunhão com Cristo e se faz atenção ao Espírito Santo que age em cada pessoa» (Const. 67).

Nos seus últimos anos, Dom Bosco ligava sempre mais explicitamente a ‘amorevolezza’ à espiritualidade de São Francisco de Sales, o doutor do amor divino.

Numa contínua tendência para o amor
Também em Mornese, a experiência do Espírito era mediada pela presença de Maria. A nossa Regra reconhece isso abertamente: «Por um dom do Espírito Santo e com a intervenção direta de Maria, São João Bosco fundou o nosso Instituto» (Const. 1).

No XX Encontro de Espiritualidade Salesiana, eu declarei, também em nome de vocês: «Hoje, como ontem, mas talvez com maior consciência de sua importância, a estrada que, como Instituto das FMA, queremos seguir para caminhar segundo o Espírito é aquela percorrida por Maria, a primeira seguidora de Jesus, a experta do Espírito, da Anunciação a Pentecostes» (Atti 42).

A sua solicitude materna colocou em sintonia o coração dos nossos Fundadores, dispondo-os a reconhecer e valorizar reciprocamente o dom de Deus que havia neles para a educação dos jovens. «Vivamos na presença de Deus e de Dom Bosco», exclamava Maria Domingas. Era um modo de expressar, de forma sintética, a experiência de amor educativo que lhe ardia no coração, alimentado e potencializado pelo encontro com Dom Bosco.
Concluo este encontro sobre o tema da ‘amorevolezza’, compartilhando com vocês algumas reflexões sobre a castidade consagrada, que Dom Bosco quis ver cultivada em grau eminente pelas FMA. Em encontros posteriores, continuaremos a considerar o fio vermelho da ‘amorevolezza’ como cor da nossa pobreza e obediência.
Maria Domingas é apresentada a Dom Bosco pelo Padre Pestarino, como mulher «de índole franca e ardorosa, de coração muito sensível» (Cro-nistória I 308). Ama as Irmãs e as jovens com um amor terno e forte. «Se eu soubesse que alguém quer fazer algum mal a vocês - diz certa vez, com argúcia - eu o estraçalharia como se fosse um urso» (Maccono, II 230). O seu amor intui, sabe esperar, intervém com delicadeza, faz vibrar as cordas do coração e encoraja sempre: um amor que torna a vida bonita para todas e se exprime na alegria de viver e comunicar vida.
Porém, é um amor vigilante, consciente dos perigos que insidiam a pureza do coração, pronto a reconhecer as falsificações da ‘amorevolezza’, os abusos da ternura. Por diversas vezes Maria Domingas expressou a sua trepidação a respeito das mistificações do amor.

O Cardeal Cagliero testemunha que, na noite precedente à sua morte, a Madre lhe recomendou que vigiasse «sobre as volubilidades do coração, as tendências à faceirice e às afeições demasiado humanas e sensíveis que receava tivessem se infiltrado nas comunidades» (Maccono, II 234). A ‘amorevolezza’ salesiana cria raízes num coração ardente e puro; exige o esforço de rever a nossa contínua tensão para o amor (cf C 53).


Convido vocês a meditarem os artigos 14 e 15 das nossas Constituições: a autêntica amizade entre nós e com as jovens dá a alegria de sentir-se amadas pessoalmente e ajuda a crescer na capacidade de amar.

Na virgindade consagrada por Deus para a específica missão educativa, especialmente entre as jovens mais pobres, expressemos a capacidade de amar, educando-nos e educando para a liberdade dos puros de coração.

Uma nota inconfundível desse amor é a de estar aberto a todos, na lógica do um por um. Houve quem afirmasse: «Um coração que não é universal, não é virgem».

Longe de ser estéril, a castidade consagrada gera para a vida autenticamente humana as pessoas com as quais entra em contato, porque canaliza a afetividade para a gratuidade do dom e a ternura do acolhimento. Por isso, conhece a alegria da reciprocidade no caminho de crescimento vocacional que, fundamentalmente, é crescimento na capacidade de amar.


Se amamos verdadeiramente, não devemos ter medo de amar. O amor é o distintivo dos seguidores de Cristo, é um fruto do Espirito Santo. Madre Mazzarello diz também a nós: «Façam com liberdade tudo o que a cari-dade requer» (Carta 35, 3).
No entanto, a contínua tensão para o amor comporta o empenho ascético para integrar harmonicamente as nossas pulsões, e orientá-las para o verdadeiro bem dos outros. A moderação e o jejum, não apenas de alimentos mas dos olhos, são válidos ainda hoje, e talvez mais do que no passado, por causa do contexto consumista e instigante em que vivemos. No último encontro mundial da juventude, realizado em Paris, um Bispo encerrava a sua catequese convidando os jovens a fazerem o jejum da televisão. Não é possível colocar-se à escuta do Hóspede da alma, quando a casa é uma Babel de sons e de imagens dispersivas ou impressionantes. Precisamos seriamente colocar as premissas para podermos nos espelhar cada manhã em Jesus, e assim ter olhos, ouvidos e coração semelhantes aos seus. Só assim a nossa vida pode se tornar dom de amor, e o nosso coração pode expressar ternura e misericórdia. Sem o quotidiano esforço ascético, é ilusório pensar em gastar a vida como dom para os outros.

Faço votos de que, nas próximas festas pascais, vocês possam experimentar bem de perto a presença de Jesus que chama cada uma pelo nome, e a alegria de responder, do mais íntimo do próprio ser, como Maria de Magdala: Rabbuni, meu Mestre!

Então ouviremos dizer: Vá ao encontro dos meus irmãos, e poderemos anunciar a eles com verdade: Eu vi o Senhor! Sim, anunciemo-lo a todos, na linguagem compreensível a cada um, anunciemo-lo com a vida e em cada fase da vida.

Queiram transmitir os meus votos aos seus familiares, aos membros das comunidades educativas e da Família Salesiana, aos sacerdotes e a todas as pessoas com as quais vocês compartilham a fé e o empenho para pro-mover a dignidade de todas as pessoas e de todas as culturas.

Roma, 24 de março de 1998

Af.ma Madre


Ir. Antonia Colombo


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