Instituto dos irmãos maristas fms província marista do rio grande do sul brasil



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INSTITUTO DOS IRMÃOS MARISTAS – FMS
PROVÍNCIA MARISTA DO RIO GRANDE DO SUL - BRASIL
XXI CAPÍTULO GERAL – 2009
CORAÇÕES NOVOS PARA UM MUNDO NOVO
A realização de Capítulos Gerais e Assembléias é uma prática consagrada e realizada pelo Instituto Marista desde a sua fundação em 1817. As normas e prescrições específicas sempre regulamentaram o estilo próprio de viver, com o objetivo de avaliar e planejar o futuro da vida religiosa e sua missão – educação da juventude, carisma aprovado pela Igreja. A inserção marista em continentes e culturas, sempre levou uma contribuição social na formação de cidadãos e cristãos.

No momento, em termos numéricos está evidente a diminuição constante de efetivos das fileiras maristas. Por outro, novas perspectivas abrem caminhos “alargando a tenda”, acolhendo leigos para aderirem à espiritualidade e assumirem a ação educativa tanto formal como não-formal.

O momento é sério como todos os capítulos Gerais, com a imperiosa necessidade de analisar, avaliar e propor caminhos e propostas para o presente e futuro próximo. Na verdade, entendo que são necessárias muitas contribuições das bases, fundamentadas na experiência e vivência da vida religiosa marista como um todo. O elemento fundamental e essencial, julgo de muita valia, refletir e propor novas formas de caminhar o que se poderia denominar: Referenciais do Instituto Marista para o Presente e para o Futuro. O que importa não é inventar uma nova vida religiosa sem os necessários referenciais na essência do fundador. Já houve um movimento, bem intencionado, a Refundação. Algo, certamente resultou. As práticas podem ser diferenciadas, porém, a essência da mística marista deve imperiosamente iluminar todos os caminhos na perspectiva de futuração, com a fidelidade ao carisma fundacional, tanto na vida como na ação apostólica em todos os continentes e culturas.

Está em andamento a preparação através de comissão e consultas. É nesse sentido que me empenho em propor essa reflexão, um esquema de trabalho e uma metodologia. Com mais de 50 anos de vida religiosa e ação educativa, sinto-me na obrigação de levar algo que possa ser significativo para as comissões e para o XXI Capítulo Geral. O faço de coração e voltado para o Divino Espírito e à Boa Mãe, São Marcelino e todos os nossos Irmãos Santos e mártires. Acredito que precisamos de muita Luz do alto e empenho coletivo e pessoal, livres de ideologias, divisões grupais e conflitos entre progressismo e tradição. O Capítulo Geral é um forte momento de análise e síntese. O prioritário é projetar com inteligência, sabendo que o caminho do futuro tem necessariamente sua base e influências no passado marista que conta com santos e mártires. Um autentico discernimento deve estar presente como exercício indispensável para novos caminhos a serem propostos e trilhados pelo Instituto Marista como um todo, no respeito e valorização da essência da vida religiosa marista consagrada e aprovada pela Igreja.

A sistemática, conteúdo e representação para o XXI Capítulo Geral permitem escolher formas diversas de interação em termos de sugestões das Províncias/Distritos para estudos e, conseqüentes propostas em termos de linhas de ação e prioridades. Vejo, e é evidente a grande quantidade de documentos produzidos desde ao XX Capítulo Geral. Todos, certamente, muito significativos para a vida consagrada marista e pela ação apostólica, carisma e educação da juventude.

Entendo que os documentos, tanto para os Irmãos como para os colaboradores leigos, estão num bom patamar e são animadores de uma vitalidade para o Instituto. As próprias Províncias e Distritos e, possivelmente, pelas novas reestruturações, aproveitaram para estudos, vivências e práticas integradoras, com base em sua vida e ação apostólica, tanto formal como não-formal. Sempre há algo a ser intensificado e aprofundado e, sobretudo, conseguir integração não só de gerações mas dos e com os colaboradores leigos. Na análise e avaliação julgo necessário reparar e curar feridas provocadas por decisões e circunstâncias superiores, embora, bem intencionadas, mas nem sempre bem aceitas por Irmãos em sua forma de pensar e agir. O tempo pode curar muitas feridas, mas não melhor que o calor da compreensão e da paciência histórica. Afinal, somos ou não uma família segundo o espírito do Fundador? Basta ler e meditar o Testamento Espiritual.

Segue um esquema de trabalho, apenas como reflexão e sugestão inicial que, certamente, poderá ser complementado com mais contribuições. O esquema apresenta pontos considerados fundamentais em diversas áreas que, por sua vez, permitem a ampliação em termos do mesmo gênero. Certamente que na própria proposta de temário a comissão central poderá indicar suas prioridades e alinhamentos. Julgo, porém, essencial que, pelo menos em algum momento, seja feita uma radiografia global do Instituo e conhecida por todos os membros do Capítulo Irmãos e Leigos. Num trabalho posterior, comissões e equipes, podem trabalhar temas mais específicos e depois colocá-los ao plenário. Na verdade, é apenas um procedimento parlamentar, sendo uma boa sistemática freqüentemente adotada e com bons resultados.

A idéia central e metodologia decorrem do “corações novos para um mundo novo”. Entendo que não é o momento de elaborar novas normas – Constituições e Estatutos. Apenas rever e atualizar como procedimento normal para uma vida ativa. Como acima foi apresentado há, hoje, farta documentação iluminadora da vida e ação marista. O que necessita agora o Instituto Marista para levar adiante sua missão? Novas Normas, Estatutos, Doutrinas e Teorias? Uma volta ao espírito do fundador seria uma boa proposta! Qual a sistemática?

Apresento algo que pode ser utilizado como trabalho central:

REFERENCIAIS DO INSTITUTO MARISTA, para o presente e para o futuro. São temas essenciais e necessários à vitalidade do Instituto e à missão.

Seguem temas centrais que deverão ser complementados como decorrência da avaliação e sugestões das bases.

TEMAS CENTRAIS




  1. IDENTIDADE: - MÍSTICA DO INSTITUTO MARISTA

- PERFIL DO RELIGIOSO MARISTA


  1. FORMAÇÃO: - IRMÃOS = programas, etapas, conteúdos...

-LEIGOS = perfil, inserção, programas, conteúdos,

práticas..

- MISSÕES = Ad Gentes e outros
3. APOSTOLADO /MISSÃO = Educação formal: Fundamental, Média e Supe-

rior.


Educação não-formal – Obras Sociais...


  1. ADMINISTRAÇÃO: INSTITUTO = Estrutura Organizacional

Províncias, Distritos, comunidades...



  1. SUSTENTABILIDADE: OS BENS = geração, gerência, destino...

AS OBRAS = finalidade, sustentabilidade, auto –

sustentabilidade...




  1. TEMAS PARA ESTUDOS E DECISÕES: Formação à vida marista;

Espiritualidade Marista;

Inserção dos Leigos;

Educação Superior.



  1. OUTROS TEMAS que podem merecer estudos e decisões.




  1. SUGESTÃO DE TEMAS para estudos em comissões no pós-Capítulo:



    1. 8.1 – FORMAÇÃO: se a idéia central é corações novos para um mundo novo, deve haver coerentemente a formação adequada de Irmãos e Leigos.



    1. 8.2 – Inserção dos Leigos nas obras maristas: já está uma comissão que, embora decisões, deveria seguir trabalhando.



    1. 8.3 – Espiritualidade Marista: A elaboração do documento ÁGUA DA ROCHA representa um significativo avanço para a vida religiosa/espiritual marista. No entanto, vejo e sinto, que é necessário que a comissão siga trabalhando para aprofundar o tema, em especial para elaborar e sistematizar uma doutrina da espiritualidade na visão e prática no Instituto Marista hoje. Embora o mérito existente, entendo que é preciso mais estudos para sair da compilação/ordenação de textos para chegar a um corpo orgânico, bem fundamentado e que seja uma via da espiritualidade a ser trilhada no Instituto.




    1. 8.4 – Ensino superior no Instituto Marista: já existe um grupo de estudos e, certamente, precisa seguir com a proposta uma vez que o ensino superior representa, hoje, uma real necessidade para os cidadãos.



    1. 8.5 – MISSÕES: já está um grupo de trabalho que deveria seguir pela importância no contexto e valor dado pelo Instituto Marista.

METODOLOGIA E ESTRATÉGIAS


Cada Capítulo Geral realizado utilizou algumas formas de trabalho contemplando temas julgados, sempre necessários, estando em questão: Regras, Constituições, Estatutos, Formação , Apostolado, Administração e outros. Na prática, sempre haverá temas ou áreas que não podem ser esquecidos. Igualmente, no presente Capítulo, pode haver e haverá temas novos resultante da avaliação e prospecção que são chamados estratégicos e/ou prioritários para a vida e ação do Instituto marista – Irmãos , Leigos e sociedade como um todo.

Ao se aproximar dos 200 anos de vida o Instituto entra numa fase de existência cujo futuro, até certo ponto, pode ser considerado crítico. Foi o que ocorreu e o que está ocorrendo com outras instituições e ordens. Esta possibilidade não passou despercebida a Champagnat. É doloroso recordar as assertivas apresentadas por ele nas suas instruções. É a fidelidade à idéia fundacional e seu carisma e nada mais! Não é necessário muito esforço e nem maiores talentos para entender e levar adiante a proposta de Marcelino. O que importa é avaliar o nível de fidelidade, depois tomar os caminhos para seguir adiante, corrigindo desvios de rota, se houver e prosseguir no cumprimento da missão confiada e consubstanciada pela Igreja, longe dos modernismos ideológicos.


OS REFERENCIAIS
Os referenciais aqui têm um sentido próprio de serem enunciados em cujo contexto estão compreendidos valores fundamentais da vida religiosa e apostólica marista. São portadores de valores necessários às práticas decorrentes da mística e missão do Instituto. Não seriam normas ou prescrições positivas, decorrentes da vida religiosa e sua ação apostólica. Seriam princípios essenciais, prioritários, emergidos da avaliação atual do Instituto e, na tentativa de projetá-lo num horizonte de médio e longo alcance, de forma participativa e engajamento/compromisso de todos os Irmãos. Não se trata de estabelecer propriamente metas ou fixar resultados; trata-se de aglutinar forças para que Irmãos e Leigos se sintam capacitados a levar adiante o sonho de Champagnat e inspiração de Maria.

Considerando as atuais formas generalizadas de pensar e agir, existe uma forte prática de subjetivismo redutor, acompanhado de egoísmos que levam a rejeitar tudo o que é prescrição e normatização. Não importa a não ser o pensamento pessoal, os valores pessoais e de qualquer natureza. Leis civis, normas e prescrições religiosas, tradições familiares, usos e costumes; nada importa a não ser o que me serve como bem pessoal e que satisfaça, mesmo que seja passageiro. Em graus diferentes e em culturas distintas é algo bem forte, gerando insatisfação às novas gerações; algo incompatível com vida religiosa consagrada e família cristã. A tendência, parece indicar o prosseguimento por mais anos, embora alguma reação no contexto social e eclesial como um todo.

O que fazer? Quais os caminhos a trilhar?

Eis o grande desafio, não para a realização do 21º Capítulo Geral e sim, pelo pós-capítulo. Na seqüência, sugiro algo a ser feito, visando abrir caminhos no atual contexto do mundo e, em especial, nós Maristas que pretendemos trabalhar em educação e evangelização. Significa trabalhar com a juventude, setor privilegiado de qualquer sociedade que pretenda mudanças ou construir um futuro mais humano e mais cristão.

É possível que todos os maristas estejam esperando que os capitulares, no decorrer dos seus trabalhos, indiquem caminhos/soluções, através de normas, documentos, doutrinas decorrentes de estudos e avaliações. Pessoalmente ficaria um pouco decepcionado se tal ocorresse. É necessário muito discernimento, estratégias com visão prospectiva e que pretendam consolidar o Instituto num futuro próximo conforme sua missão.

A presente reflexão não pode ficar em si mesma se não levar algo mais concreto e positivo. O problema reside na tendência, fartamente consagrada de capítulos Gerais, elaborando bons documentos e enviá-los às Províncias e Distritos para que os leiam, rezem e ponham em prática. É possível até que tenham sido eficazes por uma série de razões. Entendo que não seria uma boa forma para o presente e nem para um futuro.

A sugestão que apresento é uma alternativa que pode merecer alguma consideração, se for entendida.

O ponto central é a característica das novas gerações: querem participar dos processos em sua plenitude o que se pode chamar de interatividade.

COMO SERIA?

Os membros do capítulo, depois de estudos, propostas e muita oração, elaborariam, como conseqüência da avaliação e prospecção, um conjunto de REFERENCIAIS e até com sugestões de prioridades, como documento/manual final capitular.

Os referenciais seriam enviados, em forma de documento, a todas as Províncias e Distritos para estudos, reflexão e operacionalização, conforme suas realidades, culturas e obras. Seria a grande participação interativa e assumida por todos, porque entendida e dimensionada por quem vai levá-la adiante. É sua vida e sentido vocacional.

Os métodos de trabalho e sua responsabilidade ficariam na supervisão dos Conselhos Provinciais, abertos a comissões e equipes de estudos, que fariam suas escolhas e operacionalizações, em suas próprias realidades na forma de programas e projetos.

O espírito dessa forma de trabalho é o de proporcionar participação efetiva que, por sua vez faz surgir responsabilidade e dá mais valor ao trabalho dos grupos e equipes provinciais. Em termos, cria condições de pertença real ao Instituto marista e num espírito de família vivido entre e por todos os membros.

O prosseguimento posterior seria o de criar novas sistemáticas nas quais as pessoas possam se sentir valorizadas, pelas suas constantes contribuições. Nessa compreensão o Capítulo ficaria mais próximo dos Irmãos e Leigos. Pode haver o questionamento de que os documentos e normas servem para manter a unidade. Apenas considero que o espírito do Instituto é a verdadeira força de unidade, com a riqueza de ser vivido em culturas diferentes. Se o Senhor não construir...


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P. S. - Exemplos de REFERENCIAIS

Apresento alguns exemplos do que chamo de referenciais da vida religiosa e apostólica marista. Não abrange todos os temas acima e, sim apenas alguns para facilitar a compreensão. Outras formas podem ser estudadas e propostas pelo Capítulo. É apenas uma colaboração.


1. O testemunho do religioso marista, de per si, já é um apostolado.

2. A vida religiosa marista contempla os votos evangélicos como fonte de sustentação e santificação.

3. A oração comunitária e pessoal é essencial à vida do consagrado e apóstolo.

4. A comunidade religiosa constrói sua vida com base em laços humanos na dimensão espiritual.

5. A qualidade de vida comunitária é resultante do assumir dos seus membros.

6. A formação do religioso marista é específica, contínua e merece o melhor tratamento disponível

7. O uso dos bens deve sempre contemplar o espírito de pobreza, tanto institucional como pessoal.

8. O apostolado marista, pela sua missão, prioriza a educação como meio de evangelização.

9. A educação não-formal e/ou em obras sociais específicas é objeto da solidariedade do Instituto Marista.

10. A participação da eucaristia é fonte de perseverança e crescimento espiritual.

11. A Espiritualidade Marista é o caminho de santificação, tanto pessoal como comunitária.

12. Mais que a observância de normas, vida religiosa consagrada é realização humana, dedicação apostólica, renúncia em favor do bem comum.

13. A perenidade do Instituto Marista resulta da fidelidade e respeito de sua história.

14. Os bens e riquezas resultantes do trabalho e das obras só tem sentido quando utilizados em favor da missão.

15. As pequenas virtudes maristas são fontes de generosidade e caminho à vida espiritual.

16. A vida e missão maristas, compartilhadas entre Irmãos e Leigos, é uma proposta a ser construída em processo, na visão e encarnação do carisma num mundo pluralista.

17. Instaurar o Reino de Deus do jeito de Maria é a grande missão do trabalho educativo.

18. Os desafios que o mundo atual oferece aos educadores maristas podem ser superados pelo zelo e por uma profunda e permanente formação.

Porto alegre, 15 de julho de 2008


Ir. Armando Bortolini

artolini@pucrs.br







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