Instituto filhas de maria auxiliadora fundado por São João Bosco



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INSTITUTO FILHAS DE MARIA AUXILIADORA

fundado por São João Bosco

N. 833
A oração na nossa vida:

uma partilha que

continua

Um sinal dos tempos que manifesta a presença do Espírito na Igreja e no mundo de hoje é a ampla exigência de espiritualidade que se manifesta principalmente numa renovada necessidade de oração, como salienta João Paulo II, na carta apostólica Novo Millennio Ineunte (cf. n. 33).

Os contatos mantidos com as diversas realidades inspetoriais, através das visitas que todas nós fizemos, confirmam amplamente que essa necessidade é viva em nossas comunidades. A caminhada de reflexão e de aprofundamento para uma renovada consciência da resposta pessoal à Aliança a favorece, potencia e estimula a buscar caminhos para chegarmos a tornar vital a nossa oração.

Notamos com alegria que se reaviva uma sensibilidade sempre mais aberta à oração que, em alguns lugares, envolve jovens e comunidades educativas. Em ambientes multiculturais também estão sendo feitas experiências de oração ecumênica e inter-religiosa.

Um mandato do XX Capítulo Geral
A reflexão sobre a oração ocupou vários momentos deste sexênio para responder a um mandato do XX Capítulo Geral. Considerando as propostas sobre a vida de oração que chegaram das inspetorias, as capitulares

perceberam a exigência de uma revisão do livro As fma em oração, e confiaram ao Conselho Geral a tarefa de uma eventual nova redação, a partir de uma consulta ampla.

O Conselho Geral inseriu o pedido de revisão entre as Linhas de ação da Programação 1997-2002.

Para cumprir essa tarefa, refletimos várias vezes em Conselho sobre a conveniência de substituir por outro o atual livro de orações ou de integrá-¬lo.

Das reflexões compartilhadas pareceu significativo não tanto rever o texto em uso, que conserva sua validade de pista para os momentos de oração como vem declarado na lntrodução (cf. pp. 7-9), mas oferecer ao Instituto alguns critérios que contribuíssem para fazer com que a vida, no quotidiano, se torne oração.

Durante as revisões trienais as participantes foram informadas e interpeladas sobre as hipóteses a que tínhamos chegado e, por unanimidade, pronunciaram-se favoravelmente à linha indicada. Foi assim confirmada a escolha de conservar o texto atual corno referência para um uso criativo, e continuar a reflexão sobre a oração na nossa vida.

Convergências no nosso caminho de busca
O tempo histórico em que vivemos oferece vários estímulos que sustentam no esforço de dar profundidade e concretude à nossa oração de religiosas educadoras, na lógica da unidade vocacional.

A carta Novo Millennio Ineunte recorda que as comunidades cristãs são chamadas a se tornarem autênticas escolas de oração, onde o encontro com Cristo seja não apenas invocação, mas louvor, gratidão, contemplação, escuta, ardor de afetos, até um verdadeiro enamoramento do coração. Uma oração intensa que, abrindo o coração ao amor de Deus dilata-o ao amor a todas as pessoas e não desvia do compromisso de construir a história segundo o desígnio de Deus (cf. NMI n. 33).

É esse o caminho de santidade quotidiana, acessível às diferentes vocações. Requer uma educação para a oração que leve em conta as condições de vida e os ritmos de cada pessoa, especialmente dos jovens. A necessidade da oração como encontro apaixonado com Deus, que muda o coração, emerge nas mensagens por ocasião das jornadas mundiais da juventude, como também naquelas dos grandes momentos de agregação do Movimento Juvenil Salesiano, como o Confronto e o Fórum.

Anexo à Circular n. 833

Carta aberta a Maria Domingas
Maria Domingas, estamos aqui hoje para fazer memória de ti, do teu coração puro e ardente, que te fazia ir em busca de Deus, acordando a

aurora, como está escrito nos salmos.

O fato de estarmos em Mornese neste dia que celebra a tua santidade faz¬-nos tomar consciência das nossas origens sadias e abençoadas, mas

sobretudo induz-nos a fazer da memória a raiz do hoje e do futuro. Leva¬-nos a construir, dia por dia, corno tu fazias, aquele tecido vital de

simplicidade e de comunhão que o encontro de amor com Jesus te sugeria.

Tu foste sempre uma mulher de escuta. Não tinhas o Livro Sagrado à tua disposição. A tua escola da Palavra era a vida do povoado, os provérbios sapientes de teus pais, o trabalho nos vinhedos, as homilias do Padre Pestarino, a solene lição da natureza e dos acontecimentos. Participavas da vida de Mornese, eras atenta aos pobres e o teu Magnificat, como o da Maria de Nazaré, era povoado pelos semblantes dos mornesinos e de quem seria confiado a ti,

Quando começaste a escrever, derramaste nas cartas o tesouro do campo, aquele que mantinhas em segredo no coração, eco da longa carta de amor que é a Bíblia.

Muito tempo já passou, porém nós, tuas filhas, relendo o que escreveste, saboreamos o seu frescor, encontramos ali a tua sede de Deus, a transparência de tua alma sem dobras, a simplicidade e a concretude de teus pensamentos, a operosidade dos teus dias, os amplos horizontes missionários, sobretudo o teu testamento, para nós, que nos quiséssemos bem, eco do mandamento de Jesus.

E tudo que escreveste, assim como a tua vida, é perpassado de alegria: uma alegria que custa caro, uma cruz enfeitada de flores de quem acredita que a morte não é a última palavra, porque a ressurreição é o evento determinante.
Após o Jubileu, o Papa sentiu necessidade de repetir a ordem de Jesus: Duc in altum! E apontou a santidade como "a perspectiva em que toda a caminhada pastoral deve se colocar" (NMl 30). Também nós, na Igreja do começo do terceiro milênio, queremos fazer das nossas «comunidades autênticas escolas de oração... uma oração intensa que não afasta do compromisso da história» (NMI 33); uma oração marcada pelo encontro

Uma comemoração que empenha

Celebra-se hoje o qüinquagésimo aniversário da proclamação da santidade de Maria Domingas Mazzarello. Para todo o Instituto, a memória desse evento é um momento de graça, um tempo favorável para nos renovarmos no empenho de - a exemplo dela - escutar-viver-anunciar a palavra de Deus. Maria Domingas não tinha possibilidade de ler a Biblia, mas sua vida era radicada em Deus, respirava a presença de Jesus e de Maria.

Suas cartas são o espelho fiel dessas presenças constantes e incisivas, pelas quais a vida era orientada. Salientou-se, de fato, que nelas não ha citações bíblicas explícitas; mas, lendo-as em profundidade, descobre-se, na forma simples tecida de quotidianidade, que estão impregnadas de Sagrada Escritura, assimilada em nível de coração, de forma vital (La Sapienza della vita. Lettere di Maria Domenica Mazzarello, p. 15).

No contexto da celebração hodierna, estamos certas de que o empenho de reavivar o dom de Deus através de uma oração mais, autêntica leva a caminhar decididamente, junto com os jovens, pela via da santidade.

No dia 1° de julho, «insieme» a muitas outras Irmãs, estaremos em Mornese para o momento celebrativo. Naquela circunstância, também em nome de vocês, leremos a Maria Domingas uma carta aberta que torne explícito o empenho de sermos mulheres de oração.

Através do texto que anexamos, vocês podem conhecer o seu conteúdo e, assim, estar em comunhão conosco.

Despedimo-nos, convidando-as a nos encontrarmos no coração de Jesus para aprender com Ele a crescer no amor.


Maria, mulher da oração que se faz vida, precede-nos e ajuda-nos. Roma, 24 de junho de 2001

Com afeto


a Madre e as Irmãs do Conselho

Recentemente o Reitor Mor enviou à Congregação Salesiana uma carta circular sobre a oração, intitulada: "Quando rezardes, dizei: Pai nosso" (ACG n. 374). Entre as sugestões apresentadas, lê-se que o terceiro milênio é tempo de místicos: "será justamente a profundidade de homens e de mulheres movidos pelo Espírito que irá salvar o sentido da nossa vida e desafiar a estreiteza de visão do homem" (p. 19).

Em algumas circulares mensais temos falado explicitamente da oração, vida do coração novo, da urgência de ir constantemente às fontes da oração cristã, que é sempre oração da lgreja, fundada sobre a Palavra de Deus (cf. particularmente a circular 804). Esse contexto coloca em relevo as características da oração salesiana, sintetizadas no artigo 38 das Constituições. Trata-se de uma oração dentro da vida, que expressa a graça da unidade. De fato, quando verdadeiro, o encontro com Deus leva a reconhecê-lo na concretude da realidade quotidiana.

Também a proposta de celebrar em cada comunidade um novo sim para o 2000 foi uma oportunidade para viver com maior consciência a resposta de amor «ao Pai que, em Cristo, nos consagra, nos reúne e nos envia» (C 8).

O encontro das Irmãs que animam os retiros espirituais no Instituto, realizado em Castelgandolfo em janeiro de 2000, estimulou ainda mais a buscar vias adequadas para fundar mais solidamente a espiritualidade salesiana na Palavra de Deus, dar qualidade aos retiros espirituais e relançar no caminho da santidade (cf. È il tempo di ravvivare il fuoco 12).

O quadro de referência do nosso Projeto formativo é a Palavra de Deus. «O confronto quotidiano com ela é a escola interior que plasma a vida segundo o Espírito, é nascente de audácia missionária e sustenta o empenho de elaborar novas respostas para os novos problemas do mundo de hoje» (PF 37). A Palavra também o fundamento da vida comunitária, alimenta-a e sustenta-a e, enquanto introduz numa experiência mística, abre para a solidariedade, tornando-se assim, oração da vida (cf. PF 40).

A preparação para o XX Capítulo Geral empenha-nos a tender com decisão para a unidade vocacional, percurso e meta da nossa existência. A escuta e a partilha da Palavra ajudam-nos a entrar na ótica sugerida pela preparação para o Capítulo: «a vida inteira é um treinamento na oração que não se reduz a simples reflexão, mas é mistério de amor, de recíproca fidelidade. Para que a oração possa viver na pessoa, a pessoa deve viver na oração» (p. 24).

Conversando sobre a oração

Tendo como pano de fundo esses estímulos eclesiais e salesianos, no final de maio nós dedicamos alguns encontros à troca de idéias sobre a oração, que marcaram o início do plenum do Conselho. Compartilhamos agora algumas convicções, desejando que vocês também possam achar ocasiões e espaços para ampliar essa conversa.

Em continuidade com as conclusões emersas das revisões consideramos prioritário entrar sempre mais vitalmente no espírito da oração como uma educação quotidiana que leve à continua conversão e, por isso, à oração da vida, que muda a vida.


Sobre essa base identificamos aqueles elementos que podem contribuir para fazer da existência uma oração constante, alimentada por momentos específicos de encontro comunitário e pessoal com Deus, convencidas de que a vida toda é oficina, canteiro de obras da oração. Foi assim para Dom Bosco e Maria Domingas Mazzarello.

Encontrar-se com Deus na oração é a experiência mais qualificante da criatura humana. Rezar é, antes de tudo, um dom de Deus, é a oferta gratuita de um diálogo de amor com Ele: realidade íntima e ao mesmo tempo aberta para a missão. O Espírito é o principal protagonista. É Ele que reza em nós e faz-nos viver a atitude de filhos de Deus regenerados no Batismo, em virtude do qual podemos dizer: Abba, Pai! O Espírito reza em nós mesmo quando não sabemos o que dizer. A nós Ele pede fundamentalmente escuta e docilidade para nos deixarmos conduzir pelos seus caminhos. Ele é o Paráclito que conforta e acompanha nas várias fases da existência. Por isso a oração assume as modulações próprias das características de cada idade e condição de vida, e exprime a fé no mistério de Deus presente nas citações pessoais e nos eventos da história.

Maria, que em toda a sua vida acolheu a iniciativa de Deus, conservando e meditando no coração a Palavra, é guia e ajuda para nós na arte de orar.
A relação de comunhão com Deus-Trindade permeia toda forma de oração, seja ela litúrgica, comunitária, pessoal.

A oração cristã tem uma explícita dimensão relacional e comunitária. Pode¬-se dizer que a comunidade é gerada pela oração e todos os dias encontra nela a sua realidade de comunhão.


O encontro vital com Deus insere-nos num processo de continua conversão, que exige uma caminhada de constante formação. A cada uma de nós, como à comunidade, cabe a responsabilidade de cuidar dos tempos explicitamente dedicados à oração e de criar aquele clima que favorece o silêncio interior e a vida de fé.

A oração se nutre de Palavra de Deus, se exprime na liturgia da Igreja, se reforça através de uma intensa vida sacramental e da meditação quotidiana. Em tal perspectiva a oração se torna crescente fome e sede de Deus, respiro da vida.

O espírito de oração tem sua fonte e seu cume na Eucaristia; como finalidade, a progressiva comunhão com o Pai, em Cristo, mediante o Espírito. O sacramento da reconciliação o purifica e reaviva.

Esse amplo horizonte ajuda a dar qualidade aos momentos de oração, superando tanto a excessiva flexibilidade, quanto a persistente preocupação de salvaguardar fórmulas e esquemas rígidos.

O ser educadoras salesianas empenha em compartilhar momentos de oração com a comunidade educativa, especialmente com os jovens, para acompanhá-los gradativamente rumo a um encontro autêntico e profundo com Jesus, o Vivente: Ele mesmo suscitará neles o desejo de continuar a buscá-lo.

A atenção e a docilidade ao Espírito comportam a inculturação da oração nas várias realidades em que estamos presentes.

A nossa reflexão confirmou-nos na convicção de que a oração é uma dimensão fundamental da vide cristã e exprime sua inteira existência. Por isso, não é possível tratá-la num discurso isolado, como se fosse um setor da vida que pode ser separado de sua totalidade. A oração deve ser situada na vida.

Se acolhemos a graça de unidade que nos faz rezar com a vida, o ritmo de intensa atividade em que freqüentemente se desenrolam os nossos dias não deveria tornar problemática a passagem trabalho-oração. O encontro com Deus se exprime na existência quotidiana concreta. Do mesmo modo, desemboca em oração a experiência da beleza, do amor recíproco, da solidariedade.

O objeto da nossa conversa confluirá também nos conteúdos da Revista Da mihi animas, que no próximo ano tomará em consideração o tema da oração. Com isso entendemos acompanhar cada FMA não apenas na preparação para o XX CG, mas sobretudo no aprofundamento do sentido da oração na nossa vida de mulheres consagradas a Deus, para os jovens.

com Cristo nos ritmos litúrgicos que, abrindo o coração para o amor de Deus, dispõe-no ao amor aos irmãos e irmãs.

Sentimos que a tua síntese vital, como a de Dom Bosco, se identifica com a síntese evangélica do amor de Deus e do próximo e com o empenho educativo que orientou a vossa vida doada pelos jovens.

A cinqüenta anos da proclamação de tua santidade, estamos aqui diante de ti com a concretude da nossa pessoa radicada nos sulcos de uma realidade muito diferente da tua, ao mesmo tempo dramática e maravilhosa.

Tentamos rescrever o nosso caminho formativo de continua conversão.Ajuda-nos a levantar os olhos para renovar cada dia, através da nossa vida, o teu sonho e o de Dom Bosco.

Ensina-nos a tornar vital, como soubeste fazer, a mensagem das bem-aventuranças evangélicas.

Acolhemos o evento do Jubileu como um convite à conversão e renovamos o nosso sim à Aliança.

Agora nós te pedimos que nos ajudes a superar as dificuldades que às vezes nos sobrecarregam, a sacudir de nós as lentidões, a recuperar os atrasos que nos fazem perder as ocasiões de ver e agir antes, segundo o espírito do nosso sistema educativo.

Acompanha a caminhada de preparação para o próximo Capítulo Geral em que, sob o signo da renovada Aliança, queremos empenhar-nos em viver a cidadania evangélica.

Ajuda-nos a ser mulheres de escuta que sabem estabelecer-se na Palavra, mulheres de comunhão, mulheres que em toda parte constróem casas do amor de Deus e correm para anunciar ao mundo a Páscoa do Senhor.

Caminha conosco, com os jovens, com toda a Igreja para a única meta da santidade.

Sobretudo, nós te pedimos que nos ajudes a nos mantermos fiéis a esta entrega que queremos seja gravada para sempre, não somente no mármore, mas na nossa vida:
Maria Domingas Mazzarello,

no cinqüentenário da proclamação de tua santidade,ajuda-nos

a escutar, viver e anunciar a palavra de Deus

para testemunhar, «insieme» com as novas gerações,



a profecia das Bem-aventuranças.
Roma, 24 de junho - Mornese, 1° de julho de 2001

A Madre e as Irmãs do Conselho


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