Instituto filhas de maria auxiliadora fundado por São João Bosco



Baixar 35.33 Kb.
Encontro04.08.2016
Tamanho35.33 Kb.

INSTITUTO FILHAS DE MARIA AUXILIADORA


fundado por São João Bosco

e santa Maria Domingas Mazzarello

N. 879

Por um caminho de esperança


A encíclica Deus Caritas est inspirou as circulares sobre o amor que, num período recente, venho propondo à consideração de vocês. Concluindo a mesma encíclica, Bento XVI recorda que fé, esperança e caridade caminham juntas, apoiando-se mutuamente. A fé dá a certeza de que Deus é amor e deu a nós o seu Filho, porque nos ama. Ela transforma as nossas dúvidas na segura esperança de que Deus tem o mundo em suas mãos e que, apesar das obscuridades, Ele vence. A fé, por sua vez, suscita o amor, luz que desfaz as trevas do mundo e dá coragem de viver e agir (cf. DCE 39).

Existe, pois, uma interdependência entre fé, esperança, caridade.

Queridas Irmãs, neste nosso tempo, tantas vezes pobre de visões e de sonhos, gostaríamos de poder apresentar o humilde testemunho de uma esperança viva - não ilusória ou ingênua. Ela tem o seu sólido fundamento na ressurreição de Jesus. Nele está o sentido e a direção do nosso caminhar e do nosso viver "insieme". Dele nos vem o dinamismo para narrar vitalmente aos jovens a esperança que nos anima.

A esperança também é confirmada pelos genuínos sinais de vida presentes na nossa realidade, como eu pude constatar nas Avaliações trienais e durante as visitas em diversas Inspetorias: tais sinais mantêm vivo em nós o sonho de Deus e dos nossos Fundadores: um sonho de comunhão, de vida plena e de felicidade para todos.


Regeneradas na esperança

A vida que temos é dom do Pai. Criando-nos à sua imagem, Ele imprimiu no nosso coração um desejo de infinito, uma esperança que vai além do aqui e agora, o anseio de uma felicidade destinada a se realizar na plenitude do amor. Tal amor não é um sentimento, que seria impossível ordenar ou suscitar em nós mesmos. Deus nos ama, faz-nos ver e experimentar tal amor. Só desse antes de Deus pode surgir - como resposta também em nós - o amor. (cf. DCE 17). E com o amor, a esperança.

Mantida viva por Israel, no curso da sua história, ela se torna plena e definitiva na Páscoa de Jesus. No-lo recorda a primeira carta de Pedro: «Na sua grande misericórdia, Deus nos regenerou, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dos mortos, para uma esperança viva» (1 Pd 1,3).

Cristo ressuscitado é a fé da Igreja, a esperança que sustenta a existência, o dinamismo que torna testemunhas do amor. O batismo chama todo cristão a compartilhar a morte e ressurreição de Jesus. Com a profissão religiosa, nós proclamamos a radicalidade desse empenho: somos regeneradas na esperança para ser testemunhas credíveis, com a força do Espírito, de uma humanidade nova, de um mundo que vive na reconciliação e na comunhão universal. Essa é também a visão que o XXI CG nos repropôs com eficácia.

Ir adiante nas vias da comunhão, portanto, é abrir-se à esperança que o Ressuscitado nos dá, mediante o Espírito. Durante a sua vida terrena, Jesus havia proclamado próximo o Reino de Deus, com a plenitude da graça que o acompanhava. Nele tiveram início os tempos novos e definitivos. Mas o advento do Reino parece ter sido anulado pelo escândalo da cruz. Mesmo após a ressurreição, a primeira comunidade dos crentes pode constatar que o mundo segue pela sua estrada: permanecem as injustiças, as divisões, e a boa nova proclamada aos pobres não parece ter dado grandes passos na realização de suas promessas. É a história de todos os tempos: a pessoa humana, habitada por um desejo que a projeta rumo ao infinito, choca-se contra os limites, as contradições, os pecados que paralisam essa aspiração; com projetos e escolhas sociais que tornam menos compreensível o sentido da história, do seu avanço rumo a uma realização definitiva, capaz de oferecer esperança às pessoas e aos povos.
Algumas vezes um sentimento de desconfiança toma conta até de nós, chamadas com a profissão religiosa a ser sinais do amor, testemunhas da esperança do povo de Deus (cf. Const. 13).

Para viver como pessoas regeneradas na esperança, devemos estar atentas ao sopro do Espírito, que nos introduz na lógica e no estilo de Deus. Ele não facilitou a seu Filho o caminho; os problemas e a precariedade marcaram a vida de seus seguidores.

A certeza de que o reino de Deus avança, mesmo que não vejamos imediatamente sua realização, evoca a parábola da semente e do lavrador que espera com paciência a sua maturação; evidencia a dimensão própria da fé: a tensão entre o e o ainda - não. A esperança vê a espiga, quando os olhos de carne vêem apenas a semente que apodrece. Mas é preciso que o Espírito nos alcance em profundidade, para acolhermos vitalmente o mistério de cruz e de ressurreição que marca também a nossa existência.

Queridas Irmãs, é preciso que se verifique aquela unidade de vida em que consiste a nossa vocação: a paixão por Deus, encontrado na missão educativa que realizamos como comunidade educativa. "Insieme" nos capacitamos à escuta sapiencial e à leitura de fé da realidade na experiência cotidiana de Deus e no exercício concreto do discernimento (cf. CG XXI 33).


À luz da Palavra e da experiência dos nossos Fundadores, tal discernimento é amparado pela esperança, pelo otimismo sereno e realista. Ele não se conforma aos critérios mundanos de julgamento e de ação, sacode do torpor, abre à compreensão evangélica das situações e à busca das respostas que o carisma salesiano pode dar.

A esperança é um bem frágil, que precisa ser continuamente regenerado na fé e no amor, confrontado com o projeto de vida presente nas Constituições: um projeto de santidade que não oferece garantias, privilégios e comodidades, mas é caminho para falar de esperança, para testemunhar a humanidade nova que nasce da Páscoa.




Habitadas pela esperança

O povo, os jovens devem poder reconhecer no estilo que marca os nossos ambientes, nas relações que mantemos, nos gestos que fazemos, na própria organização da comunidade, que somos pessoas habitadas pela esperança. A exortação apostólica sobre a vida consagrada termina com um ato de confiança em relação ao seu futuro: «Vós não tendes apenas uma gloriosa história a recordar e a transmitir, mas uma grande história a construir! Olhai para o futuro, no qual o Espírito vos projeta para ainda fazer convosco grandes coisas » (VC 110).

Não se trata de triunfalismo. De fato, temos de constatar que, às forças que diminuem, juntam-se às vezes uma fé débil, uma esperança incerta, um amor pouco convincente e apaixonado. Em alguns casos, a vida religiosa apresenta a imagem de comunidades acomodadas sobre o já vivido, repetitivas, nostálgicas dos tempos passados, cansadas ou resignadas. Comunidades que parecem não ter mais nada a dizer aos próprios contemporâneos.
No entanto, eu posso afirmar que não é essa a experiência que emerge das revisões trienais, embora seja possível encontrar, também nos nossos contextos, algumas das atitudes apontadas.

A memória de Jesus, crucificado e ressuscitado, e a espiritualidade dos nossos Fundadores nos orientam decididamente para horizontes de vida e de esperança, em direção ao Reino que vem e que já está presente na história

Animadas pelo sonho de Dom Bosco e de Maria Domingas Mazzarello, somos comunidades que desejam empenhar-se em atualizar o carisma deles, para responder à carência de vida dos jovens. A nós não são pedidas grandes coisas, mas simplesmente ser, achar sentido naquilo que escolhemos para viver "insieme", de forma a apontar caminhos possíveis de cidadania evangélica, expressão da nova humanidade da qual somos sinais.
Então, as nossas comunidades se tornam lugares do sentido e da esperança, da convivência que acolhe e respeita as diferenças; comunidades concentradas naquilo que une, porque encontram em Jesus o coração da vida de comunhão. Com os olhos dele podemos reconhecer o bem presente em cada pessoa e realidade, procurar os sinais positivos e encontrá-los. Um olhar de esperança parte de um coração que vê, capaz de se dar conta daquilo que outros não percebem.

Se, porém, a nossa vida é uma corrida contínua, sem uma clara direção, vai ao encontro da dispersão e, talvez, da perda da motivação capaz de dar razão aos compromissos evangélicos livremente assumidos. Por isso, torna-se fraco o testemunho que pretendemos dar, ineficaz a escolha da vida de comunhão que abraçamos.

No mistério pascal de Jesus, ao invés, nós nos ajudamos a crescer cada dia na disponibilidade a entrar no projeto do Pai, mediante a entrega a Ele das nossas pobrezas, mas também com a entrega recíproca entre Irmãs que sabem perdoar-se e recomeçar cada dia com renovada esperança. Essa dimensão nos torna conscientes de que o outro não é alguma coisa da qual precisamos nos defender, mas alguém a ser amado, em quem depositar a própria confiança, de quem saber receber com gratidão.

Viver como comunidades habitadas pela esperança permite experimentar, vez por vez, fragmentos de vida nova no cotidiano e, ao mesmo tempo, reconhecer os grandes horizontes em que a nossa pequena história está inserida.

Na escola dos nossos Fundadores aprendemos como se pode cultivar a esperança, mesmo em tempos difíceis. A própria pobreza, as limitações pessoais e comunitárias, a doença, até mesmo a morte – da qual as comunidades das origens faziam experiência freqüente – são inseridas numa ótica de fé, na dimensão do além; são acolhidas como sinalizações de um caminho que não tem aqui o ponto definitivo de chegada, mas que chama a percorrê-lo com confiança e operosidade, certos da presença providente do Pai.
O otimismo de Dom Bosco e Maria Domingas não é ingênuo ou alienante, mas desperta o melhor dos recursos humanos e espirituais presentes em cada pessoa.

Por isso, não admira que as palavras “coragem” e “alegria” sejam as mais repetidas no vocabulário epistolar de Maria Domingas. É a coragem de abandonar-se com confiança nas mãos de Deus; a alegria de quem ousa gastar-se em favor dos outros para que não falte a ninguém razão para viver e se doar.




Fronteiras da esperança

A nossa «comunhão de vida, radicada na fé, na esperança e na caridade, responde também às intimas exigências do coração humano e o dispõe à doação apostólica» (Const. 49).

Mas, quais são, hoje, os lugares onde manifestar tal doação? De que modo podemos contar aos jovens que a vida humana é animada por uma grande promessa de felicidade, e que vale a pena empenhar-se, certos de que a história caminha para a sua positiva realização? Tudo isso não está em franca oposição à experiência cotidiana deles?

São perguntas legítimas, às quais não podemos dar respostas superficiais, feitas só de palavras.


Os lugares da esperança não são apenas os geográficos, embora a escolha deles não seja indiferente. Entendemos como lugares também o estilo de presença, de relações, de escuta e comunicação, de anúncio explícito da fé.

As fronteiras da esperança nos pedem, antes de tudo, que estejamos presentes. Há comunidades religiosas que têm pouca visibilidade: o povo não percebe que elas existem.

Somos chamadas a estar presentes, com o dom do nosso carisma, como comunidades capazes de escutar e de comunicar, de falar a partir da vida.

A escuta é a primeira atitude que as/os jovens desejam encontrar nas pessoas adultas. Saber escutar a pergunta, embora tácita, é criar a possibilidade de uma caminhada comum na busca de uma resposta, sempre suscetível de ulteriores aprofundamentos. O anúncio e o acompanhamento partem dessa atenção silenciosa e cheia de amor às necessidades. Além da escuta, os jovens manifestam o desejo de comunicação e de diálogo nas mais diversas formas, inclusive aquelas oferecidas pelos news media (por exemplo, a comunicação mediante a internet): são os assim chamados não-lugares, onde muitos deles – também quem vive em contextos economicamente menos favorecidos – se encontram, com o desejo de estabelecer um contato construtivo que os ajude a crescer e a se empenhar (cf. Linhas orientadoras da missão educativa das FMA 24).


As fronteiras da esperança pedem que estejamos presentes nos postos avançados da missão, sempre mais habitados por jovens desiludidos diante de promessas de felicidade a preços módicos, jovens imigrantes, às vezes manipulados e vítimas de abuso, privados de referências familiares significativas ou de educadores capazes de acompanhá-los no difícil caminho do diálogo com culturas e religiões diferentes; ou então, jovens saciados e entediados que não encontram um sentido para a sua existência.
Talvez esse panorama nos amedronte. Em todo caso, convida-nos a nos questionarmos: as nossas comunidades saberão orientar os jovens para a vida numa ótica de esperança?

Ouso dizer que sim, se despertarmos a força profética do carisma, conjugando a contemplação de Jesus ressuscitado e a solicitude pelo Reino em que o Espírito já está agindo; se servirmos com alegria o Senhor, trabalhando com otimismo, animadas por um profundo espírito de família (cf. Const. 49-50).


A esperança que oferecemos é a mesma esperança que vivemos. Se habitamos esse horizonte, Deus nos encontra em profundidade, fazendo de nós testemunhas da sua presença transfiguradora. Os santos são homens e mulheres em quem Ele transparece (cf. DCE 17).
O nosso tempo é rico de figuras luminosas, nesse sentido. Para ficar no âmbito da vida consagrada, lembro a de Ir. Leonella Sgorbati, missionária da Consolata, assassinada no dia 17 de setembro p.p., na Somália. Suas palavras antes de morrer revelam que o perdão é a última fronteira do amor, a fronteira de uma esperança sem distinção de pessoas e de religião.
As listas dos mártires – sacerdotes, religiosos e leigos – em todos os Países, manifestam que o hoje não é perpassado apenas pela crise de sentido, pela perda de projetualidade num futuro que se vislumbra incerto; mas também pela capacidade de arriscar, de aceitar os desafios e de também desafiar com a própria existência.
Como comunidade educativa, somos fortemente interpeladas a ser um rebento novo de esperança plantado no coração do mundo. Talvez não nos será pedido que ofereçamos a vida mediante o martírio, mas certamente que a doemos a cada dia, com amor. O tesouro do sistema preventivo orienta-nos de forma concreta a dar aos jovens a certeza de uma presença que sabe se fazer amizade, companhia discreta e propositiva na peregrinação da vida.
É um caminho conotado por uma renovada aposta nos jovens. Oferecendo a eles confiança, encontraremos por fim aquele ponto acessível ao bem que mobiliza suas energias interiores. Nós os ajudaremos a erguer a cabeça, despertando-os para o sentido do próprio valor e da sua unicidade. Não hesitaremos em fazer propostas fortes de empenho no social, através de uma séria formação profissional e formas de voluntariado. Favoreceremos o encontro na fé com o Senhor Jesus, que realiza em plenitude suas aspirações, dando sentido, alegria, futuro ao seu caminhar.
Nesse caminho temos por companheira Maria, a Mãe de Jesus, aquela que - mais do que ninguém - viveu a espera diligente da esperança, crendo no seu cumprimento, mesmo quando era crucificada com Cristo no Calvário.

Graças a ela, sabemos mais uma vez que, apesar das múltiplas contradições e desmentidos, a vicissitude humana, a história caminham para um futuro de ressurreição.


Roma, 24 de outubro de 2006

Af.ma Madre



Sr. Antonia Colombo

COMUNICAÇÕES


Nomeação de Inspetoras
América
Inspetoria Argentina “Nossa Senhora do S. Rosário” ARO

Ir. Nora Alicia VARAS
Inspetoria Boliviana “Nossa Senhora da Paz ” BOL

Ir. Carmen Elena RIVERA
Inspetoria Brasileira “Maria Auxiliadora” BRE

Ir. Júlia Maria de OLIVEIRA
Inspetoria Colombiana “N. S. de Chiquinquirá” CBC

Ir. Gloria Nelly IBATá
Inspetoria Colombiana “N. S. das Neves” CBN

Ir. Aura María OVALLE
Inspetoria Paraguaia “S. Rafael Arcanjo” PAR

Ir. Venancia GONZÁLEZ
Inspetoria Uruguaiana “Imaculada Conceição” URU

Ir. Silvia BOULLOSA





©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal