Instituto filhas de maria auxiliadora



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INSTITUTO FILHAS DE MARIA AUXILIADORA


fundado por São João Bosco

e Santa Maria Domingas Mazzarello

N. 903

Chamadas a percorrer caminhos

de conversão ao amor

No Instituto inteiro uma corrente perpassa o mundo de uma extremidade à outra, levando um ar renovado que ajuda a respirar, a exprimir o amor preveniente de Deus, fonte do carisma. Nessa linha, na circular n. 901 eu destaquei alguns aspectos do nosso chamado a ser memória vivente de Jesus, do seu modo de ser e de agir (cf VC n. 22). É esse o primeiro empenho de conversão ao amor que os Atos do XXII CG nos apresentam.


Mas, o que propriamente quer dizer converter-se ao amor? Quais são as exigências de tal conversão? Efetivamente não basta ter essa expressão nos lábios; somos fortemente convidadas a fazer com que ela se torne realidade.

A nossa vida é caminhada – pessoal e comunitária – de conversão ao amor, que se realiza no encontro com a pessoa de Jesus, lugar em que encontramos todos os nossos irmãos e irmãs, fonte de toda relação na vida cotidiana.

O encontro autêntico e perseverante requer condições exigentes e impele para o anúncio jubiloso. E assim, como numa parábola de comunhão, aferradas por Cristo, nós o reconhecemos nas pessoas que encontramos no nosso caminho, e o anunciamos - com a vida - às novas gerações, tornando-nos, para elas e com elas, sinal e testemunho do Amor que está acima de tudo.


A vida como caminho de conversão

A existência cristã é caminhada de crescimento rumo à plena maturidade, dinamismo interior que todos os dias move nossos passos na direção de Jesus. Ele nos revela gradativamente a Face do Pai e a relação de amor que existe entre as Pessoas divinas.


A palavra conversão evoca imediatamente um retorno a algum ponto, uma volta atrás. Para o povo hebreu, manifestava o retorno a uma maior observância da Lei.

Cito, a título de exemplo, o chamado do profeta Zacarias: «Convertei-vos a mim... voltai atrás do vosso caminho perverso» (Zc 1,3-4).


Jesus inicia sua pregação dizendo: «O Reino de Deus está próximo; convertei-vos e crede no evangelho» (Mc 1,15).

Nesta perspectiva, converter-se não é tanto voltar atrás, mas caminhar na fé na direção de Jesus, ir à festa para a qual Ele nos convida: «Vinde, tudo está pronto» (Mt 22,8).Quer dizer crer nele, que veio revelar-nos a Face de um Pai que nos aguarda, de braços abertos, para nos dar a verdadeira felicidade.

Neste sentido, a conversão se identifica com o chamado: é um salto para a frente, um salto de qualidade, um dom e uma resposta. Não é preciso antes de tudo renegar, mas sim, crer - ou seja - deixar-se encontrar por Alguém que precede nossos passos, nos procura e nos aguarda.
A conversão é uma oferta de graça que começa quando nos deixamos agarrar por Jesus. Então o resto se torna secundário, pura perda, como diz São Paulo. O importante é ganhar Jesus, deixar-se tocar pelo seu olhar, entrar na sua visão de justiça e de misericórdia. Nisso consiste a mudança de mentalidade: uma perspectiva que dá novo significado ao nosso passo de viandantes sedentos de alegria, de amor.
Jesus está ali, diante de nós, e pede que nos abramos à verdade do projeto de Deus para nós, que aceitemos a nossa condição de criaturas limitadas, fracas, pecadoras, mas criadas a sua imagem e semelhança, abertas - por sua graça - a entrar no mistério surpreendente do seu amor por nós.
Assim, as nossas demoras, os nossos atrasos, os cansaços da caminhada tornam-se ocasião para um novo bater de asas que nos leva a entregar-nos a Jesus, a acolher o seu amor que purifica e renova. A vida como caminho de conversão é um olhar para a frente, voltadas para Aquele que nos torna luminosas: «Olhai para Ele e sereis iluminados» (Sl 34,6). Trata-se de um caminho pessoal e, ao mesmo tempo, comunitário, no qual cada encontro constitui uma nova etapa.
Às vezes nos acontece lamentar os tempos difíceis em que vivemos e lembrar, com saudade, os tempos passados, que muitas vezes idealizamos. Lembrar faz bem, se produz gratidão. Mas, se paramos ao longo do caminho, perdemos as oportunidades de graça que o Senhor reservou para nós. Ele está perto da nossa vida, está presente na história e caminha conosco. É ele que, em total gratuidade, nos torna capazes de amar no aqui e agora de cada dia.

Compreendemos então, a insistência do XXII CG em acolher o amor de Deus, em conceber a vida como vocação e como convocação, para realizar “insieme” o projeto do Pai.


A mudança acontecerá se cada FMA e cada comunidade – em nível local, inspetorial, mundial – se sentir chamada a entrar nesse caminho de conversão.

Trata-se de ir em frente, no ritmo de Deus, na resposta cotidiana a Ele que, amando-nos, nos torna melhores, renova-nos interiormente. Maria acompanha e apoia o nosso sim a cada chamado, reconhecido e acolhido numa contínua tensão para o amor.



Conversão como encontro
A mudança de mentalidade, o salto de qualidade na nossa experiência de vida acontecem somente no encontro profundo com Jesus. Poderíamos saber falar sobre ele, partilhar, até em comunidade, o nosso caminho... mas, se não tivermos vivido na solidão a experiência do encontro com Ele, a conversão não passa de um piedoso desejo.

Até a transmissão entusiasta dos Atos do XXII CG, que convidam a percorrer com audácia caminhos de conversão ao amor, poderia logo se tornar um evento do passado, carente de fecundidade.


O amor que recebemos e que queremos testemunhar requer que nos conformemos a Jesus, assumindo os seus mesmos sentimentos, mediante uma caminhada contínua de abertura ao Espírito. São Paulo exorta: «Não vos conformeis com a mentalidade deste mundo, mas transformai-vos renovando a vossa mente, para poderdes discernir a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito» (Rm 12,2).

A conversão é caminhada unitária e dinâmica, realizada no encontro com a pessoa de Jesus. No Projeto Formativo encontramos algumas passagens importantes de tal caminho:


* Uma progressiva personalização na escolha de seguir o Mestre. Ela se funda sobre a certeza de que o Pai nos ama e nos chama a entrar na sua Aliança de amor (cf Rm 5,5). Respondendo ao chamado, nos tornamos, entre as/os jovens, sinal da presença preveniente de Deus na história. Assumindo o cuidado deles, no estilo do sistema preventivo, encontramos o caminho da santidade cotidiana que tem a cara da confiança e da alegria, e vivemos gradativamente a «difícil arte da unidade de vida» (VC 67), fonte de fecundidade apostólica;
* um caminho de interiorização, entendida não só como descoberta das próprias possibilidades, mas como busca de Face de Deus, adesão convicta e contente ao seu Projeto. O processo para a unificação nos interpela pessoalmente, exige disponibilidade para assumir a responsabilidade do próprio crescimento vocacional, e comporta sempre um caminho de libertação de todos aqueles «impedimentos que poderiam retardar a totalidade da resposta de amor» (VC 25);
* um itinerário de purificação, para abrir-nos com docilidade radical à ação discreta e transformante do Espírito. À sua luz reconhecemos os aspectos negativos que se aninham nos desejos do nosso coração, como: apegos egoístas a pessoas e coisas, a procura do sucesso, o desejo secreto de aprovação, coisas que tornam a vida pesada e impedem uma real experiência de Deus.
Só no cotidiano empenho de conversão é possível viver a sapiência do «cetera tolle», pronunciar um sim que assume, no hoje, todas as urgências do Reino (cf PF p. 46). Toda mudança do coração que desperta para seguir Jesus com maior determinação custa sofrimento, mas ela se encaixa na lógica do mistério pascal.
Maria nos acompanha ao longo do caminho. Com ela aprendemos a rezar a Palavra na liturgia eucarística e na liturgia da vida. Seu olhar puro é convite à reconciliação.

Enquanto formos viandantes, o mistério do mal pode insidiar nosso empenho de converter-nos ao amor. O sacramento da Penitência e a reconciliação fraterna, através do perdão recebido e oferecido, ajuda-nos a curar as feridas, a erguer-nos das quedas, a retomar o caminho com renovada confiança e esperança.


Em Jesus, pão repartido, encontramos a força para fazer desabrochar o amor nas relações interpessoais e na comunidade, e assim podemos recomeçar todos os dias, vestidas com roupas de festa, o anúncio jubiloso de Jesus.

Bento XVI sublinha essas dimensões quando diz que «podemos encontrar Cristo na leitura da Sagrada Escritura, na oração, na vida litúrgica da Igreja. Podemos tocar o coração de Cristo e sentir que Ele toca o nosso» (3 de setembro de 2008).




Do encontro, o anúncio

O encontro com Jesus se manifesta no amor recíproco e, na audácia do anúncio, cria uma nova pertença. Se tivermos feito a experiência dele, «não podemos calar» (At 4,20). Com palavras e com obras, devemos dar testemunho de tê-lo encontrado. É toda a comunidade educativa salesiana que é chamada a se converter, para ser um sinal de amor no coração da sociedade.


O primeiro anúncio deve ser feito às Irmãs com as quais compartilhamos todos os dias a vida e a missão. Um anúncio muitas vezes sem palavras, mas eficaz, quando é claramente legível nos sinais que fazemos.

Sabemos que contamos com uma força nova para sermos de Cristo. O Espírito de Pentecostes nos tira todo medo, muda o nosso coração e o orienta para Jesus, reforça a comunhão na comunidade e nos lança nas vias do anúncio.

De agora em diante, a história poderá ser escrita na sua presença, em atenção à sua voz, será a narração de uma experiência que modificou a nossa vida. A necessidade de gratificações e de reconhecimentos externos não será mais tão importante. E, mesmo quando as atividades comunitárias e apostólicas parecessem inúteis, porque carentes de correspondência imediata, fica a certeza de que o amor qualifica - antes de tudo - aqueles que amam.
Os nossos Fundadores testemunharam essa capacidade de companhia e de anúncio para além de todas as dificuldades. Eles são como aqueles rios de luz de que fala Bento XVI (3 de dezembro de 2008): não só os grandes santos, mas também os santos humildes, os simples fiéis, as pessoas da nossa comunidade e aquelas que encontramos no nosso caminho e que todos os dias se põem em marcha para seguir Jesus.

Talvez precisemos mudar nosso olhar, torná-lo mais puro para ver as centelhas de amor presentes em cada pessoa.


Maria Domingas Mazzarello não fez grandes coisas. Viveu simplesmente na presença de Deus, e isso lhe dava o elã para se entregar totalmente a fim de fazer conhecido e amado Aquele que enchia seu coração de felicidade. A casa do amor de Deus era construída em Mornese, por essa capacidade de se expor ao amor, pela qual todas – FMA e alunas – eram contagiadas.
Há 130 anos, exatamente no início de setembro, Dom Cagliero entregava à comunidade da Casa Mãe de Nizza, as primeiras Constituições impressas. O fervor de Maria Domingas e de todas as Irmãs atingia o ponto máximo. Colocá-las em prática significava percorrer a via da santidade salesiana traçada por Dom Bosco, desejar anunciar o amor de Deus até nos Países mais distantes. Isso requeria sair de si e correr o risco de se deixar mudar, de assumir o sofrimento e o desapego, inclusive da própria vida.
Na proximidade do mês de outubro, consagrado às missões, e a 40 anos da morte de Irmã Maria Troncatti, no acidente aéreo de 25 de agosto de 1969, queremos recordar essa grande figura de missionária que, desde a primeira profissão, tinha assumido a caridade como programa de vida, ‘mesmo a custo – dizia – de despedaçar-me’.

A declaração da sua venerabilidade durante o XXII CG foi recebida como um novo impulso missionário para o Instituto.


Irmã Maria deu prova de caridade heróica na missão entre os Shuar, no Equador. Na selva interminável e insidiosa, ela arriscava a vida continuamente; mas o medo era superado por um amor, mais forte do que a sua mesma existência.

Foi definida ‘incomparável intérprete da bondade de Jesus’. Anunciava a todos o seu amor, ajudava a todos como ‘mãezinha’ solícita e corajosa.


Se o seu ideal – como revelava numa carta à família - era conquistar almas para Deus, o segredo da sua fecundidade estava na oração, que vivia como atenção a uma Presença. «Um olhar ao Crucifixo – dizia – me dá vida e coragem para trabalhar». Ali encontrava força para permanecer no amor.
No mês dedicado à Virgem do Rosário e às missões, olhemos para essa nossa Irmã que não teve medo de fazer com que Jesus fosse conhecido e amado, mesmo nos lugares mais arriscados da missão, escolhendo a radicalidade do amor e entregando-se confiante à presença materna de Auxiliadora, em cada atividade empreendida. Esse mesmo amor pode tornar-nos criativas e missionárias lá onde o Senhor nos chama a florescer.

Ela, a Auxiliadora, nos ensine a fazer transparecer comunitariamente o viço do amor que gera vida. Em Fátima, e depois em Turim, onde estarei nos próximos dias, pedirei a Maria esse presente para cada comunidade.


Roma, 24 de setembro de 2009



Af.ma Madre






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