Instituto hahnemanniano do brasil



Baixar 170.14 Kb.
Encontro29.07.2016
Tamanho170.14 Kb.


INSTITUTO HAHNEMANNIANO DO BRASIL

Departamento de Ensino
Curso de Habilitação em Homeopatia para Cirurgiões Dentistas
Área Odontologia

Monografia




Proposta Homeopática Dos Principais Sintomas Apresentados Pelo Portador De Halitose Real

Beatriz Maria Soares Alhanati

MONOGRAFIA APROVADA EM: 6 / 12 / 2008

Instituto Hahnemanniano do Brasil

Maria Thereza de Cerqueira Alegria
Orientadora

Instituto Hahnemanniano do Brasil

Maria Thereza de Cerqueira Alegria

Coordenadora

Rio de Janeiro

2008

Número de catalogação: A397p


Alhanati, Beatriz Maria Soares
Proposta Homeopática Dos Principais Sintomas Apresentados Pelo Portador de Halitose Real

Rio de Janeiro, R.J.: Instituto Hahnemanniano do Brasil,2008

fl. 29 p.
Dissertação da Monografia (Habilitação em Homeopatia)
Orientadora: Profa. Dra. Maria Thereza de Cerqueira Alegria

Dedicatória

Ofereço este trabalho aos pacientes que passaram por minhas mãos, os quais, acreditando na seriedade, comprometimento e amor pela minha profissão permitiram que os ajudasse a resgatar sua qualidade de vida. Eles contribuíram para que eu me realizasse ao longo de minha carreira assim como incentivaram o meu contínuo aprendizado.


Ofereço também este trabalho às minhas amigas do grupo-Oris, e aos colegas que têm dedicado parte de suas vidas pesquisando e partilhando seus conhecimentos para melhor cuidarmos de nossos pacientes.
Dedico este trabalho em especial à minha querida amiga e companheira de jornada dos últimos 10 anos, Dra. Celi N. Vieira. Sem seu apoio, incentivo, confiança e carinho, não teria conquistado o meu “lugar ao sol” na área da halitose.

Agradecimentos

Meu Deus, tenho muito que lhe agradecer...


Agradeço os avós e pais que me deu, os quais, além do amor, proporcionaram-me um grau de instrução com o qual pude optar por uma profissão elitizada e me realizar profissionalmente;
Agradeço os amigos especiais que colocou nas diferentes fases da minha vida, os quais acompanharam a minha vontade de estar sempre exercendo a profissão onde quer que estivesse;
Agradeço todas as pessoas com quem privei ao longo de minha vida e que me ajudaram em tarefas outras no consultório, na minha casa, com meus filhos, para que pudesse trabalhar com tranqüilidade;
Agradeço pelo meu médico homeopata, Dr. Wilson Atab (in memoriam) que cuidou de mim enquanto vivo e plantou a sementinha da homeopatia no meu coração;
Agradeço os mestres que tive, a equipe da Odontologia do IHB, e a minha orientadora que foi incansável para que esse trabalho se concretizasse;
Agradeço pelo meu irmão, e por ele ter revisado meu abstract;
Agradeço do fundo do meu coração a vida do Aloysio, meu querido maridinho e companheiro de todas as horas, e da Miriam e Gabriel, meus filhos, frutos desse amor. Eles são o alicerce de minha vida, dos meus passos e do que sou.
Agradeço ainda a fé herdada, e peço Senhor, que jamais permita que me

separe de Vós.

ORAÇÃO À HOMEOPATIA

Jane Azevedo

OH! Deus Pai, querido Mestre,

Olha nossa homeopatia,

Pois em corações agrestes,

Não reparam a melhoria.


A cura por semelhantes,

É Tua lei de causa e efeito,

Um grande achado brilhante,

Testado por teu eleito.


Hipócrates escreveu,

Paracelso incrementou,

Foi aí que sucedeu,

Que Hahnemann experimentou.


Todos num único filho,

Pai, assim Tu preferistes,

Só falta seguir o trilho,

Porque o trato já cumpristes.


OH! Deus, quem continuará,

Com tanta sabedoria,

O estudo que curará,

Através da Homeopatia?

Tu vês, Nosso Pai Querido,

Os contras, que nada entendem,

Criticam com alarido,

Que será que eles pretendem.


Olhai! Meu Senhor do Céu,

Os discípulos de agora,

Que tentam abrir o véu,

Dos enigmas de outrora.


Galileu e muitos tantos,

Sofreram com a estupidez,

De cientistas, eu garanto,

Que não tinham lucidez.


E quando chegar o momento,

Da comprovação científica,

Hahnemann com um incremento,

Tornar-se-á um artista.


Sendo assim segue o progresso,

Com os espíritos de luz,

Lembrando que esse processo,

Iniciou-se na cruz.


AMÉM


SUMÁRIO
Resumo

Abstract

  1. Introdução

  2. Conceitos

  3. Homeopatia

    1. Proposta Homeopática nos principais sintomas apresentados pelo portador de Halitose Real

    2. Principais Sintomas no portador de Halitose Real

    3. Halitose Real – Repertorização dos Sintomas modalizados

    4. Matéria Médica Homeopática Aplicada à Halitose

Referências

RESUMO

A halitose é a percepção de uma alteração na qualidade do odor do fluxo expiratório, e manifesta-se através de sinais e sintomas (halitose real) ou apenas através de sintomas (pseudo-halitose) quando algo no nosso organismo está em desequilíbrio. Desta forma, ela deve ser identificada e tratada, pois causa constrangimentos sociais, afetivos e até profissionais, comprometendo a saúde física e conseqüentemente a saúde emocional.

É um problema que precisa ser desmistificado não somente junto aos leigos, mas também junto às classes odontológica e médica, pois muitos são os que acreditam que a halitose é causada por problemas gástricos, o que é raro (menos de 1 % das causas).

A halitose para ser resolvida (controlada) deve ser encarada como um problema multidisciplinar mesmo considerando-se que 87 a 90% das causas estão relacionadas a problemas na cavidade bucal.

A Homeopatia possui fundamentos coincidentes com os procedimentos utilizados na investigação da halitose, onde a individualidade do paciente e sua queixa principal é que irão guiar nossa conduta profissional.

Este trabalho pretende elucidar o tema halitose assim como eleger possíveis medicamentos homeopáticos relevantes nos sintomas mais encontrados em portadores de halitose real, que ajudem no restabelecimento da saúde ampla, a qual é ”a mais alta e única missão do médico“ (Organon da Arte de Curar – parágrafo 1) e do cirurgião dentista capacitado ao tratamento dos portadores de halitose.


Palavras-Chave: halitose, saliva, diagnóstico, medicamentos homeopáticos.


ABSTRACT

Halitosis is the perception that unpleasant odors are exhaled when breathing, and it is noted through signs and symptoms (real halitosis) or symptoms only (pseudo-halitosis), indicating that something is unbalanced in ones organism. As for any dysfunction, it should be diagnosed and treated, since it has a significant impact — personally and socially — on those who suffer from it, or believe they do.

Halitosis must be better understood, not only among the general public, but also within professional circles. Many Dentists and Medical Doctors still believe that bad breath originates in the stomach rather than in the mouth, but in reality this is very uncommon (less than 1% of the cases).

Controlling Halitosis requires a multidisciplinary approach, even though 87 to 90% of the cases are related to problems in the mouth cavity.

In this regard, Homeopathy foundations are fully congruent with halitosis’ diagnosis procedures, where patient individualism and his/her key complains should guide one’s professional conduct.

This study intends to improve the overall understanding of halitosis, as well the selection of homeopathic medications that are relevant for the symptoms encountered in cases of real halitosis and that help re-establish overall patient health which is the “highest and most important mission” (Organon da Arte de Curar – parágrafo 1) of the Medical Doctor or the Dentist who is qualified to treat patients with such halitosis symptoms.


Key-words: halitosis, saliva, diagnosis, homeopathic medicines.

1. Introdução

O estudo da halitose, comumente referida como mau hálito, vem há muito tempo atraindo o interesse da comunidade científica no mundo inteiro.

Em 1874, a halitose foi estudada e descrita por HOWE em literatura científica passando a ser considerada, nessa época, uma entidade clínica. Grande destaque é dado na pesquisa sobre a halitose ao Dr. Joseph Tonzetich (1924 – 2000), graduado pela Universidade de British Columbia e com Ph.D em bioquímica pela Universidade de Cornell. Foi ele quem inicialmente descreveu vários fatos clínicos relacionados com o mau odor bucal, e iniciou pesquisas sobre os compostos sulfurados voláteis (CSV).

No Brasil, uma das primeiras publicações conhecidas sobre halitose, pertence ao CD. Nelson Thomaz Lascala que em 1962, numa revista da APCD, escreveu um artigo intitulado: “A Halitose em Pacientes com Moléstias Periodontais”.

Entretanto, a preocupação com as alterações do hálito sempre foi uma constante. 5000 anos antes de Cristo, Sushruta Sambita da civilização hindu, relatou que “não há nenhum hindu devoto que faça seu desjejum sem ter lavado primeiro seus dentes, língua e boca. Todos crêem que muitas doenças são causadas pelos dentes em más condições”. Na própria bíblia, no Antigo Testamento, encontramos citações no livro de Jô (19,17) referente ao seu próprio hálito: “O meu hálito é intolerável à minha mulher,...” (TÁRZIA) entre outras.

A halitose é uma queixa comum nas diferentes populações do mundo, acreditando-se que aproximadamente 25% da população (MESKIN) pode apresentar uma alteração do hálito não parecendo ter predominância de idade e podendo esta ocorrer na faixa dos 10 aos 80 anos de idade (STEENBERGHE).

Nos USA, em 1998, foi estimado uma gasto de US$ 850 milhões pela indústria com enxaguatórios, a despeito de publicações mostrarem que esses produtos não possuem efeitos de longa duração contra o mau hálito, além de alguns poderem causar danos na mucosa bucal com o uso indiscriminado.

Em 1995, em Leuven, foi formada uma sociedade (ISBOR – Internacional Society for Breath Odor Research) reunindo um número considerável de cientistas e clínicos de diferentes disciplinas e paises com o objetivo de promover pesquisas e suas divulgações sobre todos os aspectos do mau hálito. Esses encontros vêm acontecendo a cada dois anos.

No Brasil, em 1998, foi fundada a ABPO (Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas dos Odores da Boca) também com a finalidade de promover e aprimorar estudos na área da halitose assim como a divulgação de seu tratamento, tendo feito já desde 1999 sua filiação à ISBOR e participado dos encontros realizados.

Hoje, o que se observa é uma acelerada busca de conhecimentos da halitose que sejam comprovados cientificamente, e isso vem ocorrendo entre pesquisadores, clínicos e mesmo pela indústria, de forma multidisciplinar nas diferentes classes médica e odontológica.



2. Conceitos

Do ponto de vista etimológico, a palavra halitose tem origem no latim: “halitus” que significa ar expirado e “ose” que significa uma alteração patológica ou doença.

Entretanto, a halitose não é uma doença ou alteração patológica. Ela pode sim, ser um importante sinal (observado pelo examinador) ou sintoma (relatado pelo paciente) de diferentes alterações fisiológicas, adaptativas, patológicas e/ou senso-perceptiva.

Se verificarmos no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, encontraremos as seguintes definições para a palavra “hálito”:



  • O ar que sai pela boca durante a expiração;

  • O odor da boca;

  • Exalação odorífera.

Clinicamente, o que constatamos é que a palavra “hálito”, na maioria das vezes refere-se ao odor desagradável, quando não repugnante, exalado pela boca ou nariz de alguém.

Para conseguirmos realizar uma boa avaliação de um paciente portador de halitose e conseqüentemente obter sucesso com seu tratamento, devemos inicialmente conhecer e identificar fundamentos importantes, os quais serão comentados a seguir. Esses conhecimentos são o alicerce para diagnosticarmos corretamente a halitose.
1 – Identificação dos tipos de pacientes e suas implicações;

2 – Identificação dos tipos de halitose e suas implicações;

3 – Identificação dos tipos de odorivetores;

4 – Locais de formação dos odorivetores;

5 – Mecanismo de formação dos odorivetores.
2.1 – Tipos de Pacientes

Tipo I – Consciente - Esse paciente já foi alertado por alguém de seu convívio social e por isso procura tratamento. Clinicamente observamos que ele se apresenta abalado emocionalmente relatando dificuldades em seus diversos relacionamentos (Halitose real).

Numa abordagem homeopática este quadro mental é, geralmente, observado em pacientes de biótipo sulfúrico e fluórico.


Tipo II – Inconsciente - Esse paciente procura o profissional para tratar outros problemas e desconhece seu mau hálito porque nenhum parente ou amigo o alertou. Sua halitose é então diagnosticada neste momento e clinicamente observamos que o paciente reage de forma defensiva, se protegendo, e muitas vezes apresentam dificuldade de aceitar o diagnóstico (Halitose Real).

Numa abordagem homeopática este quadro mental é, geralmente, observado em pacientes de biótipo fosfórico.


Tipo III – Condicionado - Esse paciente procura o tratamento porque acredita ser portador de halitose apesar de nunca ter escutado de alguém que tenha mau hálito.

Nas avaliações clínicas, não detectamos alterações qualitativas no hálito. Normalmente ele já percorreu diversos profissionais sem ter obtido sucesso com os tratamentos. Clinicamente observamos que, na maioria das vezes, são indivíduos com depressão, mania de limpeza e que sentem nojo de quase tudo, até mesmo da própria saliva (Pseudo-halitose).

Numa abordagem homeopática este quadro mental é, geralmente, observado em pacientes de biótipo carbônico.

Durante a anamnese devemos estar atentos para ver em qual tipo se enquadra o paciente. Este poderá necessitar um suporte terapêutico psicológico para que obtenhamos sucesso em seu tratamento.

Em Homeopatia, o diagnóstico do terreno do paciente direciona o profissional ao tratamento mais adequado.

2.2 – Tipos de Halitose

I – Halitose Real

Caracteriza-se pela presença de odorivetores ofensivos ao olfato humano no fluxo expiratório assim como pela presença de determinados sintomas. Clinicamente sua presença é confirmada pelos testes organolépticos e/ou aparelhos portáteis que qualificam ou detectam os compostos sulfurados voláteis presentes no ar bucal e/ou nasal. Temos hoje ao nosso alcance o Halimeter (Intercan Corp., EUA) que é o equipamento mais utilizado em consultórios e em pesquisas.

Clinicamente, devemos também avaliar a halitose real quanto a sua freqüência e quanto ao seu grau de propagação.

Quanto à sua freqüência, ela pode ser crônica, quando for presente de forma contínua, e transitória quando for presente de forma intermitente.

Quanto ao seu grau de propagação deveremos considerar se é uma halitose da intimidade (perceptível apenas quando o portador está muito próximo: 15cm), do interlocutor (perceptível à distância de conversação: 50 cm), ou social (perceptível no ambiente que o portador exala o fluxo expiratório: distâncias maiores que 50cm).


II – Pseudo-halitose

Caracteriza-se pela ausência de odorivetores ofensivos ao olfato humano no fluxo expiratório e presença de determinados sintomas. É uma alteração senso-perceptiva, ocasionada por distúrbios que modificam a percepção gustativa (disgeusia) e/ou olfativa (cacosmia) do paciente, fazendo com que acredite ser portador de halitose.

De acordo com BROMLEY, existem indivíduos que sentem dificuldade em diferenciar a gustação da olfação.

GOODSPEED e colaboradores, em 1987, constataram, após análise de 441 pacientes que 19,3% sentiam odores fantasmas e 17% gosto desagradável. Clinicamente devemos observar se a queixa dos pacientes relatando sentir “gosto ruim na boca” é que os fazem achar que tenham halitose.

A título de curiosidade esses pacientes na maioria das vezes eram diagnosticados como halitofóbicos.

2.3 – Tipos de Odorivetores

Os odorivetores são compostos de baixo peso molecular que se dispersam no ar e possuem a capacidade de sensibilizar o epitélio olfativo. São encontrados na halitose real sendo que alguns também são correlacionados com várias doenças (MÄKINEN). Apresentam duas propriedades importantes: volatilidade e solubilidade. A volatilidade é devida à possibilidade de dispersão no ar, e a solubilidade em gorduras, devida à alta porcentagem de gorduras nas membranas das células receptoras.


Os odorivetores podem ser:

I – À base de enxofre – Compostos Sulfurados voláteis (CSV)



  • Sulfidreto (SH2)

  • Metilmercaptana (CH3SH)

  • Dimetilsulfeto [(CH3)2S]

O sulfidreto e a metilmercaptana são os constituintes responsáveis por aproximadamente 90% do odor bucal, sendo o dimetilsulfeto o de menor importância (CROHN). Outros CSV podem ser também identificados como, por exemplo:

* Alil mercaptana (CH2=CHCH2SH) que é o odor natural de alho na boca, imediatamente após sua ingestão;

* Propil mercaptana (CH3CH2CH2SH3) que é o odor natural da cebola na boca, imediatamente após sua ingestão (Brunetti).


II – À base dos produtos usuais de putrefação – Compostos Orgânicos Voláteis (COV)

  • Putrescina

  • Cadaverina

  • Fenóis

  • Indol

  • Escatol

  • Amônia

  • Hidrocarboneto metano

III – À base de essências derivadas da utilização de produtos aromáticos:

São odorivetores determinados pelas substâncias aromáticas contidas no produto utilizado.
IV – À base de subprodutos metabólicos aromáticos:

São odorivetores derivados da impossibilidade ou demora de sua absorção durante o metabolismo sistêmico. Os metabólitos de cadeias curtas, de baixo peso molecular, se volatilizam, ganham a corrente sanguínea e são eliminados pela via pulmonar. São os derivados metabólicos das proteínas (aminoácidos), lipídeos (ácidos graxos), compostos nitrogenados (aminas, amônia, uréia) e outros, também considerados compostos orgânicos voláteis (COV).


2.4 – Locais de Formação dos Odorivetores

I – Bucal: Os odorivetores são formados na cavidade bucal;

II – Sistêmico: Os odorivetores são formados sistemicamente;

III – Trato Respiratório superior: Os odorivetores são formados nos seios para-nasais, nariz, laringe e faringe.

Obs: Os odorivetores podem ser formados simultaneamente em dois ou mais locais.
2.5 – Mecanismo de Formação dos Odorivetores

I – Halitose causada pela ingestão/uso de produtos aromáticos: Em 1942, CROHN & DROSD demonstraram a trajetória das substâncias aromáticas no organismo, elucidando a alteração do hálito causada pela presença de odorivetores oriundos da ingestão de produtos aromáticos. A alteração do hálito pode ser causada pela ingestão de alimentos/ medicamentos assim como pelo uso de cosméticos administrados por via dérmica ou bucal. Estas substâncias aromáticas apresentam duas vias de absorção, através do contato com a mucosa bucal/pele, gerando odorivetores bucais e através do contato com a mucosa intestinal, gerando odorivetores sistêmicos. Após absorção no intestino serão metabolizados no fígado, gradualmente liberadas na corrente sanguínea e excretados pela via pulmonar. Exemplos: alicina, eucaliptol, vitamina B, iodo, enxofre, etc...




Fig. 1 - Alimentos ricos em alicina

II - Halitose causada pela presença de focos de necrose tecidual: Em 1964, TONZETICH descreveu a alteração do hálito causada pela presença de focos de necrose tecidual asséptico ou contaminado por microrganismos patogênicos. Estes compostos podem ser formados local ou sistemicamente, e serão chamados de compostos orgânicos voláteis (COV).

Exemplos: putrecina, cadaverina, indol, escatol,...

O tecido necrosado constitui a fonte principal.
Aminoácidos por descarboxilação formam Odorivetores

L–ornitina putrescina

L–lisina cadaverina

Triptofano indol e/ou escatol


III – Halitose causada pela presença de matéria orgânica estagnada: Em 1977, TONZETICH descreveu a halitose causada pela presença de matéria orgânica estagnada na cavidade bucal. As proteínas presentes neste processo são formadas por aminoácidos ricos em enxofre. Durante a degradação protéica ocorre a formação de compostos sulfurados voláteis (CSV) que serão eliminados pelo ar expirado. DE BOEVER & LOESHE demonstraram que pacientes portadores de doença periodontal apresentam, em média, quatro vezes mais saburra lingual e um aumento de 60% na formação de compostos sulfurados voláteis. É importante ressaltar que a microbiota da saburra lingual não deve ser desconsiderada, ainda que na presença de doença periodontal. YAEGAKI & SANADA demonstraram que pacientes apresentando bolsas com profundidade à sondagem iguais ou superiores à 4 mm, possuíam seis vezes mais saburra lingual que indivíduos periodontalmente saudáveis. Esses resultados sugerem que a massa de saburra pode suplantar a quantidade de placa dentária subgengival presente em todas as bolsas periodontais combinadas e, portanto, contribuiria para a produção de compostos sulfurados voláteis detectados no ar expirado dos pacientes com doença periodontal.

Exemplos: sulfidreto, metilmercaptana e dimetilsulfeto (em ordem decrescente de sensibilização do olfato humano).

As células epiteliais descamadas constituem a fonte principal de compostos sulfurados voláteis (CSV).


Aminoácidos por redução formam Odorivetores

Cistina Sulfidretos - SH2

Cisteína Metilmercaptanas - CH3SH

Metionina Dimetilsulfetos - (CH3)2S



Fig. 2 - Saburra lingual localizada nos terços médio e posterior


IV – Halitose causada pela lentidão do metabolismo ou falência de um órgão: Sabe-se que diversos nutrientes dissolvidos no conteúdo intestinal, incluindo carboidratos, ácidos graxos, aminoácidos e outros são absorvidos para o líquido extracelular, o qual é transportado pelo sangue circulante por todo o corpo. Nem todas as substâncias absorvidas do trato gastrintestinal podem ser usadas pelas células na forma original. O fígado altera a composição química de muitas delas, transformado-as em formas utilizáveis. Outros tecidos corporais, como as células adiposas, a mucosa gastrintestinal, os rins e as glândulas endócrinas também ajudam a modificar as substâncias absorvidas ou as armazenam até que sejam necessárias em tempo futuro. Quando ocorre a lentidão ou falência de um órgão, as substâncias ingeridas não são adequadamente metabolizadas. Subprodutos metabólicos de baixo peso molecular (de cadeias curtas e voláteis) são formados em maior quantidade, transportados pela corrente sanguínea e liberados durante as trocas gasosas ocorridas no pulmão (TOUYS). Assim, quando esses compostos voláteis apresentarem odor carregado, serão detectados no ar expirado. Exemplos: amônia, uréia, creatinina e derivados da queima de ácidos graxos como ác. butírico, ác. propiônico e ác. valérico.
V – Halitose causada pela alteração do fluxo salivar: Sabe-se que os componentes salivares exercem funções variadas, e que um dos fatores que mais influencia na composição salivar é a taxa de fluxo (EL-MAAYTAH). Observa-se que a diminuição da taxa de fluxo da parótida e submandibular leva à redução de quase todos os elementos constituintes da saliva. Há diminuição do íon bicarbonato com conseqüente diminuição do efeito tampão da saliva, que associada à redução de lisozimas e aglutininas, principais enzimas responsáveis pela ação bactericida e bacteriostática da saliva, determina uma considerável queda da defesa local. Outro fator relevante é o aumento de concentração de mucina, que além de favorecer a fixação de matéria orgânica na cavidade bucal e orofaringe, aumenta a viscosidade salivar favorecendo a putrefação dos próprios componentes salivares e contribuindo fortemente na alteração do odor bucal. TONZETICHE & RITCHER demonstraram que a saliva putrefeita (incubada a 37 graus centígrados) libera sulfidretos. Sugere-se, portanto, que os compostos sulfurados voláteis podem ser odorivetores primários da saliva incubada, o que poderia explicar a formação de odorivetores frente à redução do fluxo salivar. Na hipossalivação e/ou presença de viscosidade aumentada, haverá prejuízo na limpeza fisiológica da boca e no equilíbrio da microbiota local. Poderá ocorrer também uma distorção do paladar devido à redução de gustina que é uma métalo-proteína salivar que propicia a maturação dos botões gustativos. Esta distorção do paladar poderá levar a uma alteração senso-perceptiva, determinando uma pseudo halitose.

Considera-se fundamental a avaliação dos padrões salivares no tratamento da halitose.



Fig. 3 – Conjunto de Sialometria

Algumas funções importantes da saliva:


  • Limpeza;

  • Lubrificação;

  • Poder tampão;

  • Sensação do gosto;

  • Digestão;

  • Anti-bacteriana;

  • Coagulação do sangue;

  • Equilíbrio hídrico;

  • Via de excreção,etc



2.6 - Diagnóstico da halitose
O diagnóstico em Homeopatia inclui as conclusões médicas e odontológicas, procurando individualizar o paciente com base nas histórias: biopatográfica, história atual pregressa, historia familiar, exame clínico, comprometimento dos emunctórios e lesão orgânica associada.

A avaliação destes ajudará o profissional a entender o distúrbio da saúde que o paciente está apresentando.

I - Anamnese

II - Ectoscopia

III - Oroscopia

IV - Halitometria

V - Avaliação dos padrões salivares

VI - Exames por imagem

VII - Avaliação dos hábitos alimentares

VIII - Exames laboratoriais

IX - Testes microbiológicos
I – Anamnese

O maior desafio na cura (controle) da halitose consiste num diagnóstico correto do problema, por isso a anamnese deverá ser abrangente para permitir uma pesquisa multidisciplinar. O profissional, assim como toda a equipe, deve ter uma postura amigável e positiva, para que o paciente sinta-se à vontade para relatar todo o seu histórico de saúde, bem como motivado a seguir as orientações que lhe forem passadas durante o tratamento.


Durante a anamnese deve-se avaliar:

a) Histórico da halitose:

Consiste na avaliação do tempo em que o paciente tem consciência do seu problema, se alguém de sua convivência já o alertou e se ele já procurou outros profissionais para tratamento.

Numa abordagem homeopática é importante a avaliação da história biopatográfica (transtornos por), dos antecedentes pessoais, familiares e história atual (doenças, hábitos, higiene, alimentação etc. Estas informações, se modalizadas (qualificadas), muitas vezes indicam o medicamento a ser prescrito.

b) Histórico odontológico:

Consiste na avaliação do grau de importância que o paciente dá à sua saúde bucal, seus hábitos de higiene, se fazem uso de mascaradores, fio dental, limpador de língua e dispositivos complementares; se tem queixa de sangramento gengival, paladar alterado, etc..

Na abordagem homeopática além do exame clínico convencional, a avaliação do terreno permite a individualização do paciente em todos os aspectos. O mental do paciente tem grande valor na escolha do tratamento.

c) Histórico salivar:

Consiste na avaliação da freqüência da ingestão de água; se faz uso de líquidos durante a refeição; se tem queixa de ressecamento da mucosa, sensação de boca seca (xerostomia); se tem dificuldade em engolir a saliva; se faz uso de medicamentos xerogênicos; etc...
Na clínica homeopática, o histórico salivar individualiza o paciente permitindo a modalização, isto é: Bebe pouca água? E por quê? Prefere água gelada? Costuma acordar à noite para comer? A que horas? O que tem desejo de comer? Sente muita sede? Por que não gosta de água?

d) Histórico médico:

Consiste na avaliação dos relatos sobre existência de alterações sistêmicas ou mesmo de alterações diagnosticadas durante a anamnese. Se necessário, encaminhar o paciente para a área médica pertinente.

Na abordagem homeopática analisamos o estado dos órgãos que asseguram a eliminação de toxinas, chamados de emunctórios (aparelho urinário, fígado, glândulas salivares, tubo digestivo, etc.) e se há alguma lesão orgânica relacionada (ex: prisão de ventre).


e) Histórico emocional:

Consiste na avaliação do grau de comprometimento emocional que se encontra o paciente devido ao fato dele ser portador de halitose. O encaminhamento para acompanhamento psicológico pode ser necessário e é bom que o paciente tome ciência desta possibilidade.

O mental, em Homeopatia, deve ser valorizado e, muitas vezes, decide o medicamento a ser prescrito.
f) Hábitos alimentares:

Consiste na avaliação dos hábitos alimentares do paciente através de uma ficha específica que será entregue na primeira consulta. Será avaliada a qualidade dos alimentos ingeridos assim como os horários das refeições feitas durante uma semana. O paciente é orientado para não alterar seus hábitos alimentares durante o preenchimento.

Na Homeopatia a modalização dos desejos e aversões do paciente tem grande valor hierárquico, auxiliando a repertorização da totalidade sintomática individual e a seleção do melhor medicamento a ser prescrito, após a diferenciação na Matéria Médica.
g) Hábitos sociais:

Deve-se pesquisar o uso e a freqüência de uso de drogas lícitas: cigarro e bebidas alcoólicas, bem como de drogas ilícitas: maconha, cocaína, etc... Estas drogas promovem vasoconstrição periférica, prejudicando a irrigação sanguínea tecidual, diminuindo o adequado funcionamento glandular e aumentando a descamação epitelial da mucosa bucal. O uso destas drogas possibilita alterações metabólicas que prejudicam o adequado funcionamento hepático, intestinal e gástrico, e devem ser levados em consideração na avaliação.

II – Ectoscopia

A ectoscopia consiste na observação dos aspectos extra-bucais que poderão estar sinalizando alterações responsáveis pela formação de odorivetores local e/ou sistêmico ou presença de alterações senso-perceptivas.

A avaliação será direcionada para a região de cabeça e pescoço, pois o diagnóstico final de uma possível doença sistêmica será realizado pelo especialista da patologia suspeitada durante a anamnese e exames complementares.
III – Oroscopia

A oroscopia consiste no exame das condições intra-bucais que estão contribuindo para a alteração do paciente, isto é, toda a mucosa bucal deve ser avaliada, lembrando-se do dorso da língua, e da realização da sondagem periodontal. Avalia-se também a presença de sinalizadores bucais de estresse como sinais de briquismo e mordiscamento na comissura labial.

Acidentes anatômicos, como por exemplo, amígdalas com criptas e fissuras linguais, serão considerados como possíveis agentes etiológicos quando encontrarmos depósitos de matéria orgânica sobre elas e conseqüentemente formação de compostos sulfurados voláteis (CSV).

Clinicamente observa-se que quando os padrões salivares estão adequados, a lavagem fisiológica bucal dificulta a retenção de resíduos.



Fig. 4 - Língua fissurada sem saburra.


IV – Halitometria

A halitometria consiste no exame que avalia se o fluxo expiratório apresenta compostos voláteis de odor desagradável ao olfato humano.

Como recursos clínicos para análise do odor bucal, temos o testes organoléptico (realizado pelo olfato do examinador), e o halimeter – (Interscan Corporation, Chatsworth, CA, USA) que é um monitor portátil que quantifica partículas por bilhão de enxofre (CSV).

A avaliação organoléptica, apesar de ser um método subjetivo, ainda é considerada a mais viável e confiável (BROEK), pois os equipamentos portáteis não quantificam os compostos orgânicos voláteis da halitose, nem todos os compostos sulforados voláteis.

A avaliação organoléptica é o único método disponível clinicamente para avaliar os compostos orgânicos voláteis (COV).

Mesmo o Halimeter-R sendo um instrumento incompleto, este exame é importante no monitoramento do tratamento da halitose real, pois o paciente tem como acompanhar visualmente o que acontece com os valores dos C.S.V. obtidos durante a consulta de diagnóstico inicial. Na pseudo-halitose o paciente pode visualizar a ausência dos C.S.V. que são os compostos mais agressivos da halitose.l





Fig. 5 - Halímetro


V – Avaliação dos padrões salivares (Sialometria)

A sialometria consiste na avaliação da quantidade, viscosidade, cor e pH da saliva no momento da coleta, tanto em repouso quanto estimulada.

É um recurso de diagnóstico simples e barato. Segundo KLEINBERG, é um exame que pode tornar possível a diferenciação de uma halitose real de uma pseudo-halitose.

Um fluxo salivar reduzido prejudica a auto limpeza bucal e em situações críticas de redução pode causar alterações senso perceptivas gustativas. Já uma saliva muito viscosa, rica em mucina, facilita a aderência de microrganismos, restos alimentares e células descamadas sobre o dorso da língua, isto é, de saburra lingual.

Dados obtidos em estudo recente comprovam que um fluxo salivar em repouso aumentado é relevante na instalação e progressão da doença periodontal assim como na qualidade do odor bucal (VIEIRA).

O profissional deve estar atento à presença de muco nasal quando observar a saliva com maior viscosidade. Este sinal pode significar a existência de processos alérgicos e de doenças auto-imunes.

A coloração salivar será avaliada e poderá estar revelando a presença de sangramento, batom, exudato e/ou presença de maior descamação epitelial, micro partículas de restos alimentares e de bactérias. Quando a descamação e a formação de saburra estiverem controladas, vamos observar uma saliva razoavelmente límpida, podendo chegar a mostrar-se transparente que é o padrão salivar esperado.

O pH bucal alcalino é que favorecerá a proliferação de bactérias anaeróbias proteolíticas assim como a manifestação da halitose.


VI – Exames por Imagem

O cirurgião dentista deverá avaliar a necessidade de pedir radiografias periapicais, bite-wing ou panorâmica para avaliação de doença periodontal, cáries, focos dentários, posicionamento dentário, calcificações em região de glândulas, radiopacidade em região dos seios maxilares, etc., identificando todos os possíveis fatores que possam interferir com o equilíbrio estomatognático. Quando houver hipossalivação poderá ser necessária a solicitação de uma cintilografia de glândulas salivares ou ainda uma ultra-sonografia quando o exame anterior for contra- indicado.

Caso observe-se obstrução da passagem do ar nas vias aéreas superiores, o paciente será encaminhado para o otorrinolaringologista.

VII – Avaliação dos hábitos alimentares

A alimentação é importantíssima no controle das funções vitais. O equilíbrio no consumo dos diversos alimentos determina o melhor funcionamento de todos os órgãos. Com este equilíbrio, várias conseqüências desagradáveis são evitadas, entre elas a halitose.

Clinicamente, observa-se que as pessoas de uma forma geral não realizam pequenas refeições a cada 3 horas o que é muito importante, pois a manifestação da halitose ocorre, neste caso, devido à queima de gordura ocasionada pela queda dos níveis de glicose no sangue. Estas pequenas refeições devem conter de preferência algum tipo de carboidrato e fibra. As fibras, além de forçarem a mastigação, estimulam mecanicamente o funcionamento das glândulas salivares e o bom funcionamento intestinal. Observa-se também que o consumo de frutas “in natura” é muito baixo. Normalmente, bebem as frutas em forma de suco, deixando de exercer a função mastigatória, de estimular a salivação, de receber os benefícios das fibras, podendo inclusive apresentar deficiência de vitaminas e minerais.

É importante ressaltar que a água é vital para a manutenção do bom funcionamento dos órgãos. Ela não pode ser confundida com outras bebidas, pois estas consomem energia antes mesmo de serem utilizadas.

O uso abusivo de alimentos estimulantes do SNC pode causar danos ao organismo como prejudicar o suprimento sanguíneo das glândulas salivares e a qualidade do sono, pois algumas pessoas apresentam sensibilidade maior à capacidade excitatória dessas substâncias. Uma noite mal dormida, altera o metabolismo sistêmico, prejudicando o bom funcionamento orgânico, podendo agravar a saúde como um todo.

Observamos, clinicamente, que alguns pacientes que reclamam da qualidade de seu sono e comentam apresentar refluxo gastroesofágico noturno, realizam uma alimentação pesada à noite o que é contra-indicado, pois os alimentos vão pressionar a válvula do esfíncter cárdia.

Algumas pessoas possuem discreta alergia à proteína animal que se manifesta com um acúmulo de muco nasal e aumento da viscosidade salivar, predispondo o paciente à halitose. Esses pacientes reclamam de uma saliva “grossa” que cheira mal e que tem um gosto ruim.

A falta de algumas enzimas orgânicas altera a absorção de alguns alimentos, levando à lentidão metabólica e formação de gases voláteis que podem ser exalados pelo aparelho respiratório. Algumas pessoas apresentam dificuldade para metabolizar carne vermelha, feijão, vegetais crucíferos (família do repolho, brócolis, couve-de-bruxelas entre outros) e apesar disso utilizam esses alimentos com freqüência.

“Homeopaticamente”, esses dois instintos alimentares, sede e fome, unem-se estruturando o apetite, e podem sofrer modificações características a serem consideradas na escolha do medicamento que convém ao paciente.


VIII – Exames Laboratoriais

Em determinadas condições faz-se necessário solicitar exames laboratoriais para pesquisa preliminar de possíveis causas sistêmicas da halitose real ou da pseudo-halitose. Algumas condições sistêmicas poderão gerar odorivetores ou alterações senso perceptivas em seus estágios iniciais. Portanto, uma queixa de halitose, seja ela halitose real ou pseudo-halitose, poderá revelar alguma patologia. O diagnóstico final ficará a cargo do especialista de cada área específica.

X – Testes microbiológicos

Em nossa prática clínica, os testes microbiológicos são utilizados quando há um comprometimento periodontal severo. Nesta situação o teste é realizado através da coleta de material em sítios ativos da doença periodontal.


3. HOMEOPATIA
A Homeopatia, palavra de origem grega que significa moléstia semelhante, é uma terapêutica que se desenvolveu através da História, desde Hipócrates (450 a.C.), até Chistian Friedrich Samuel Hahnemann, médico alemão, que a desenvolveu no final do século XVIII.
Hahnemann, observando os fenômenos da natureza e seus elementos, conseguiu retirar destes elementos uma capacidade curativa. Ao observar em si próprio a ação de substâncias medicinais, viu que estas mesmas produziam sintomas parecidos com as doenças que conhecia. Concluiu também após investigações que certos medicamentos quando ingeridos em demasia produziam sintomas também parecidos com as doenças que conhecia.
Hahnemann passou então a experimentar em seus pacientes, amigos, parentes, e em si próprio um grande número de substâncias para verificar quais sintomas elas suscitavam. Catalogando estes sintomas relatados por seus colaboradores, produziu a primeira Matéria Médica Homeopática e curou muitos doentes. Criou assim uma nova forma de curar – através da cura pela semelhança. A Doutrina da Homeopatia é registrada na obra Organon da Arte de Curar (HAHNEMANN).

3.1 - Proposta Homeopática nos principais sintomas apresentados pelo portador de Halitose Real.
Para esta monografia, foram separadas aleatoriamente 30 fichas de pacientes com Halitose real.

Estes pacientes passaram por uma consulta de diagnóstico entre 2005 e 2008 na minha clínica (Oris-Rio), sendo 18 do sexo masculino e 12 do sexo feminino. Destes pacientes 60% tinham entre 18 e 39 anos e 40% entre 40 e 70 anos.

Os sintomas eleitos foram enumerados em ordem pela freqüência que foram citados. A ocorrência destes sintomas foi também avaliada em diferentes regiões do Brasil pelo grupo-Oris em Brasilia (Oris-Brasilia), em Curitiba (Oris-Curitiba) e em Goiânia (Oris-Goiânia).

Tanto na conduta homeopática de um paciente quanto na conduta clássica na abordagem da Halitose, consideramos o indivíduo como um todo, onde o físico é tão importante quanto seu mental, emocional, social etc.

Para restabelecermos a saúde ampla do portador de halitose real, devemos eliminar os sinais e sintomas apresentados, assim como harmonizar o ser “doente” promovendo sua “cura”.

Devemos buscar o equilíbrio que será de dentro para fora, dos órgãos mais importantes para os menos importantes, com a plena conscientização do paciente da necessidade de seu comprometimento e disciplina no seguimento do tratamento estipulado por nós.



Para o sucesso do tratamento com enfoque homeopático é essencial que tenhamos conhecimento de sua Doutrina e da ação patogenética dos medicamentos contidos nas diversas Matérias Médicas Homeopáticas.

3.2 - Principais Sintomas no portador de Halitose Real


  1. Boca Seca

Boca seca pela manhã

  1. Gosto ruim (Amargo)

Tudo tem gosto amargo, até a saliva

  1. Gosto ruim (Metálico)

Gosto metálico de manhã

  1. Gosto ruim (Azedo)

Gosto azedo na garganta

  1. Acúmulo de muco (na garganta)

Muco de manhã

  1. Secreção pós-nasal

Secreção repugnante, fétida, como queijo

  1. Cáseos (depósitos caseosos nas amígdalas)

Cáseos com sabor desagradável

  1. Prisão de ventre

Prisão de ventre com evacuação dolorosa

  1. Ardência na língua

Ardência nas gengivas

  1. Azia após ingestão de alimento gorduroso

Azia após ingestão de carne

  1. Pigarro devido a muco

Pigarro de manhã

Sintomas Mentais1

  1. Nojo da sua própria saliva (de tudo que sai do seu corpo)

  1. Olha para todo lugar menos para a pessoa com quem está falando

  1. Tristeza por sofrimento

  1. Preocupado (várias coisas)

  1. Medo (de câncer)


3.3 - Halitose Real – Repertorização dos Sintomas Modalizados


  1. Boca Seca

Aconitun ferox, Arsenicum album, Arsenicum sulphur flavus, Baryta carbonica, Baryta muriatica, Belladona, Borax, Bryonia alba, Cannabia indica, Capsicum, Carbo vegetabilis, Chamomilla, Croton campestris, Hyoscyamus niger, Ignatia amara, Kali bichromicum, Lachesis, Lauroserasus, Lycopodium clavatum, Mercurius solubilis, Muriatis acidum, Naja tripudians, Natrum arsenicosum, Natrum carbonicum, Natrum muriaticum, Natrum sulphuricum, Nux moschata, Nux vomica, Phosphori acidum, Phosphorus, Rhus toxicodendron, Sepia, Silicea, Sulphur, Veratrum album, Veratrum viride.

... pela manhã

Baryta carbônica, Pulsatilla, Sulphur

  1. Gosto ruim (Amargo)

Aconitun ferox, Arsenicum álbum, Bryonia Alba, Carbo vegetabilis, Carboneum sulpuratum, Chelidonium majus, China, Colocynthis, Mercurius solubilis, Natrum muriaticum, Nux vomica, Pulsatilla, Sulphur.

...Tudo tem gosto amargo, até a saliva

Borax, Kreosotum

  1. Gosto ruim (Metálico)

Cocculus, Mercurius solubilis, Natrum carbonicum, Rhus tox, Senega

... Gosto metálico de manhã

Alumina, Calcarea carbonica, Sulphur

  1. Gosto ruim (Azedo)

Argentum nitricum, Calcarea carbonica, Ignatia amara, Lycopodium, Magnesia carbonica, Natrum arsenicosum, Natrum carbonicum, Nux vomica, Phosphorus.

... Gosto azedo na garganta

Alumina

  1. Acúmulo de muco (na garganta)

Chelidonium, Natrum muriaticum, Nux moschata.

... Muco de manhã

Belladona, Pulsatill

  1. Secreção pós-nasal

Kali iodatum

.... Secreção repugnante, fétida, como queijo

Tuberculinum bovinum

  1. Cáseos (depósitos caseosos nas amígdalas)

Kali muriaticum

... com sabor desagradável

Psorinum

  1. Prisão de ventre

Aesculus hippocastanum, Alumina, Alumen, Apis mellifica, Arsenicum album, Bryonia alba, Calcarea carbonica, Carboneum sulphuratum, Causticum hahnemanni, Clematis erecta, Cocculus indicus, Collinsonia canadensis, Conium maculatum, Graphites, Lac vaccinum defloratum, Lachesis, Lycopodium, Magnésia muriatica, Mezereum, Natrum muriaticum, Nitric acidum, Nux vomica, Oenanthe crocata, Opium, Phosphorus, Platinum, Plumbum, Ruta, Sanicula, Sépia, Silicea, Staphisagria, Stramonium, Strychninum, Sulphur, Thuya, Veratrum album, Zincum metallicum.

... com evacuação dolorosa

Nitric acidum

  1. Ardência na língua

Aconitum, Arsenicum, Arum triphyllum, China, Iris versicolor

... nas gengivas

Mercurius solubilis, Thuja lobii

  1. Azia após ingestão de alimento gorduroso

Causticum hahnemann, Nitric acidum, Nux vomica, Phosphorus.

... após ingestão de carne

Ferrum phosphoricum

  1. Pigarro devido a muco

Capsicum

Pigarro de manhã

Causticum hahnemanni, Kali bichromicum

  1. Nojo da sua própria saliva

Sulphur

  1. Olha para todo lugar

Atropia

  1. Tristeza por sofrimento

Aurum, Carsinosim, Ignata amara, Natrum muriaticum, Acidum phosphoricum

  1. Preocupado

Staphisagria

  1. Medo (de câncer)

Arsenicum, Carcinosinum, Psorinum

O resultado repertorial obtido, da totalidade sintomática marcante e característica da halitose real, indicam o Mercurius solubilis e o Sulphur como medicamentos mais semelhantes para tratamento.

Clinicamente, vem sendo avaliado, com sucesso, a resposta ao tratamento de secura das mucosas com a Bryonia alba.

Estes medicamentos pontuais fazem parte dos Grandes Policrestos, descobertos e estudados por Hahnemann. São assim denominados por apresentarem potência farmacêutica ampla, justificando seu uso freqüente na clínica.



3.4 - Matéria Médica Homeopática Aplicada à Halitose

Bryonia Alba (BRY)


Grande instabilidade emocional; a menor contradição o põe em cólera. Influi especialmente nas serosas; Extrema secura de todas as mucosas. Dores agudas e picantes. Sede de grandes quantidades de água fria em longos intervalos. Prisão de ventre sem desejo de evacuar, com fezes duras, secas, escuras e grandes. Tosse seca por acessos, que pioram pelo menor movimento e melhoram pelo repouso absoluto. Articulações inchadas e vermelhas (VANIER e CAIRO).
Mercurius Solubilis (MERC)

Atua nas inflamações locais, podendo abortar a supuração quando utilizada logo no início. Odor fétido na boca; gengivas esponjosas, sangrando ao menor contato. Língua com impressão dos dentes no bordo. Boca úmida com sede intensa; salivação exagerada; amigdalite com tendência a supurar; narinas irritadas com coriza ardente; tosse seca e espasmódica à noite com expectoração muco purulenta. Fraqueza de memória; esquece o nome das pessoas e ruas; tendência invencível para dormir (VANIER e CAIRO).
Sulphur (SULPH)

É o medicamento do fim da convalescença; Ele traz para a superfície (pele) todas as moléstias internas. Todas as eliminações orgânicas são quentes e corrosivas. Necessidade de ar fresco. Gosto amargo ao acordar; vermelhidão da faringe. Dispepsia que nada digere; grande desejo de doce e repugnância pela carne; Lábios secos, vermelho vivo; Língua trêmula, esbranquiçada no meio com bordas e ponta muito vermelhas; percepção de odores imaginários; sensação de peso no peito com ansiedade; Nervoso, impressionado; sono agitado com pesadelos angustiosos. O doente de Sulphur é sujo. É o grande antipsórico Hahnemanniano (VANIER e CAIRO).


REFERÊNCIAS

AZEVEDO, J. Memorização dos policrestos através de versos livres e trovas – HP Comunicação Editora, Rio de Janeiro, 2008.

BROEK A. M.; FEENSTRA L.; BAAT, C. A Review of the current literature on aetiology and measurement methods of halitosis. J. Dent; vol. 35(8): p. 627-35, 2007.

BROMLEY S. M. Smell and Taste Disorders: A Primary Care Approach. Am. Fam. Physiciam.; vol. 61(2); p.427-36, 2000.

BRUNETTI, M.C, Fundamentos da Periodontia: Teoria e Prática. Artes Médicas, São Paulo, 2007.

CAIRO, N. Guia de Medicina Homeopática. 21ª Edição. Livraria Teixeira. Rio de Janeiro, 1986.

CROHN, B.; DROSD, R. Halitosis, The Origin of Mouth Odors Halitosis, J. Dent, vol.12, p.192-197, New York, 1942.

DE BOEVER, E.; LOESCHE, W. Assessing the contribution of anaeróbic microflora of the tongue to oral molodor. JADA; vol.126; p. 1384-93, 1995.

EL-MAAYTAH, M.A.; HARTLEY, M.G.; GREENMAN, J.; PORTER, S.R.; SCULLY, C.M. Relationships of the salivary incubation test with oral malodour levels in Steenberghe-Rosenberg Bad breath a multidisciplinary approach. Universidade de Louvain,1996.

GOODSPEED, R. B.; GENT, J. F.; CATALANOTTO, F. A. Chemosensory dysfunction. Clinical evaluation results from a taste and smell clinic, Postgrad Med, (1), p.251-7, 1987.

GUERRA, F. A Homeopatia, a Odontologia e a Homeopatia em Odontologia. Monografia, IHB, Rio de Janeiro, 1998.

HAHNEMANN, S. ORGANON DA ARTE DE CURAR. GEHSP “Benoit Mure”, São Paulo, 2007.

HOWE J. W., The breath and the diseases with give it a fetid odor. 4th Edition. p.7-8; D. Appleton and Co. New York, 1874.

KENT, J. T. Lições de Filosofia Homeopática, Editora Organon. São Paulo, 2002.

KLEINBERG, I., WOLFF, M.S., CODIPILLY, D.M. Role of saliva in oral dryness, oral feel and oral malodor. Int. Den. J. vol. 52, p.236-240, 2002.

LASCALA, N. T. A Halitose em Pacientes com Moléstias Periodontais. Revista da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas. vol.16(2), 1962.

LEE, P. P.; MAK, W. Y.; NEWSOME, P. The aetiology and treatment of oral halitosis; an update. Hong Kong Med J, vol. 10(6): p. 414-418, 2004.

MÄKINEN, K. K.; MÄKINEN, P. L.; LOESCHE, W. J., SYED, S. A. Purification and general properties of an oligopeptidase from treponema dentícola ATCC 35405 – A human oral spirochete. Arch. Biochem. Biophys., vol. 316; p. 689-98, 1995.

MESKIN, L. H. A Breath of Fresh Air. J. Am Dent Assoc, vol 127(9), p.1284-86, 1996.

RIBEIRO FILHO, A. Repertório de Homeopatia. Editora Organon. São Paulo, 2005.

STEENBERGHE, D. V., Breath Malodor a step-by-step approach. P. 10, 2004.

TÁRZIA, O. Halitose um desafio que tem cura. p.12, EPUB. Rio de Janeiro, 2003.

TÉTAU, M. Tratado de Dietética Homeopática. Organização Andrei Editora Ltda., 1995.

TONZETICH, J. e RICHTER, V. J., Evaluation of volatile odoriferous components of saliva. Arch Oral Biol, v.9, p.43-47, 1964.

TONZETICH, J. Production and Origin of Oral Malodor: A Review of Mechanisms and Methods af Analysis. J. Periodontol, vol.48(1): p.13-20, 1977.

TOUYS. L. Oral Malodor – A Scientific Perspective. J Can Dent Ass. Vol. 59(7), p.607-10, 1993.

VANIER, L; POIRIER, J. Tratado de Matéria Médica. 9ª Edição. Organização Andrei Editorial. São Paulo,1987.

VIEIRA, C. Importância da Sialometria, Halitometria e da Presença de Saburra como meio de diagnóstico da Halitose e Doença Periodontal. Tese de Mestrado, Faculdade de Ciências da Saúde, UNB, 2007.

YAEGAKI, K.; SANADA, K. Volatile sulfur compounds in mouth air from clinically healthy subjects and patients with periodontal disease. J. Periodont. Res., vol.27, p.233-8, 1992.

ZELANTE, P. M.; NARDY, R. O. Miasmas na cavidade bucal. Arnica e o processo inflamatório. Brochura editorada por Angelo Pozzobom, Itapira, 2001.




1 Estes sintomas foram repertoriados devido à sua importância na abordagem homeopática.




Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal