Insucesso Escolar



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Encontro31.07.2016
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PROJECTO DE RECOMENDAÇÃO

ESCOLA SECUNDÁRIA DE POMBAL

O termo “Insucesso Escolar” é utilizado no âmbito do sistema de ensino / aprendizagem, geralmente, para caracterizar o fraco rendimento escolar dos alunos que, por razões de vária ordem, não puderam alcançar resultados satisfatórios no decorrer ou no final de um determinado período escolar e, por conseguinte, reprovaram.

O insucesso escolar põe em causa a vida escolar dos alunos e pode, eventualmente, conduzi-los ao abandono, manifestando-se na falta de êxito face ao seu processo da escolarização. Trata-se, pois, de um problema que não só tem grande impacto na vida escolar dos alunos e das suas famílias, como na sociedade. Por exemplo, a nível do sistema educativo regista-se a redução do número de alunos a atingir o nível superior. No âmbito social, há problemas de mão-de-obra qualificada, o governo gasta verbas para construir escolas, comprar equipamentos, manuais escolares, mas não há retorno dessas verbas, visto que os alunos não foram capazes de se formar a fim de contribuir para a criação de novas riquezas para o país.

No quadro da estrutura escolar, o aluno pode ser vítima do insucesso apenas provocado por variantes como, a má utilização de métodos de ensino, falta de um programa de ensino coerente, deficiência na iluminação e ventilação da sala de aula, o excesso de alunos por turma, a falta de manuais, falta de professores, etc.

A função social da escola é excluir, no seu campo de actuação, as teorias da fatalidade biológica e sociológica como justificação para os problemas do insucesso escolar, ou seja, que as causas que originam estes problemas são predeterminadas, reduzindo-os a deficiências traduzidas por termos como «alunos não dotados», «sem disposição natural para a aprendizagem», «coeficiente intelectual baixo», «alunos oriundos de família pobre económica e culturalmente».

O insucesso e abandono escolar são um problema sério e grave, que merece reflexão e respostas adequadas.



Poderíamos apresentar variadíssimas sugestões/medidas para combater o insucesso e, consequentemente aumentar o sucesso escolar dos alunos, mas, conforme o Regimento determina, destacamos apenas três:

1 - É indispensável retirar algumas disciplinas obrigatórias e/ou torná-las opcionais. Ao nível do Ensino Básico o número de disciplinas chega a atingir as dezasseis.


2 – Torna-se necessário reduzir a carga horária semanal dos alunos, de forma a que possuam tempo livre para poderem estudar, envolver-se em actividades de carácter desportivo, de apoio à comunidade, e/ou mesmo, brincar. Não nos devemos esquecer que os alunos de certas idades são crianças e não adultos em miniatura.
3 – A extensão dos programas deve ser reduzida, devendo ser feita a sua adaptação à faixa etária dos alunos, ou seja, ensinar menos para que possam aprender melhor. Os conteúdos deveriam privilegiar temas úteis para a vida do aluno, centrando a principal preocupação dos professores na relacionação dos assuntos da sua disciplina com a vida. É inacreditável a pouca importância que se dá, por exemplo, à Educação para a Saúde.
Se não forem introduzidas estas e outras alterações no sistema de ensino, continuaremos a ter: alunos apoiados pelas famílias, bem sucedidos academicamente mas pouco criativos; alunos deprimidos por não acompanharem as actividades lectivas como desejariam; alunos excluídos, por não terem quem os ajude. Do lado dos encarregados de educação, teremos pais ansiosos devido ao insucesso dos filhos ou a alimentar apoios exteriores à escola, para garantir que os seus filhos tenham sucesso académico, o que não será o mesmo que ter sucesso na vida adulta.

O insucesso escolar dos indivíduos em vez de diminuir as diferenças sociais, pode mantê-las ou até agravá-las, devido ao facto de promover a exclusão das classes mais desfavorecidas. As economias paralelas e subterrâneas, designadamente a proliferação de unidades de produção clandestinas, que se tem verificado em Portugal, absorvem o insucesso.


Terminamos com a seguinte questão:

Será que a escola ao invés de permitir ao indivíduo uma plena integração social, uma capacidade para mudar a sua história de vida, um meio para poder melhorar o seu estatuto social de base, uma forma de se integrar na sociedade, uma via para desenvolver plenamente o seu potencial, está sobretudo a criar condições para que cada um se vá integrar apenas no espaço social de onde normalmente proveio?


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