Interação digital



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Encontro05.08.2016
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Interação digital

Arnaldo Rizzardo Filho; Mestrando; arnaldorizzardofilho@hotmail.com



Resumo:

A sociedade está em constante transformação, fruto de um contínuo desenvolvimento tecnológico que aproxima os indivíduos em uma escala mundial. Esse movimento é verificável a partir do estudo da comunicação em sua historicidade. Desde a forma mais simples de comunicação, a comunicação face a face (oral), a interação humana vem se desenvolvendo através da virtualização. Começou com a escrita, agora está digitalizada. Esse movimento histórico pede a identificação e comparação dos elementos que compõem a interação face a face e a interação virtual em suas diversas modalidade. A partir daí é possível debater sobre o resultado que cada um desses diferentes ambientes de existência de comunicação produz na sociedade. Ao longo do desenvolvimento da interação social, há um nítido processo de dessubstanciação, amplamente verificável na interação virtual da forma digital, resultado de uma tendência autopoiética que a sociedade possui a partir da absorção das alteridades sociais. O artigo faz uma análise comparativa entre os estudos da “interação face a face” do antropólogo Erving Goffman e do “fenômeno virtual” do filósofo Pierre Lévy. Há, definitivamente, uma relação evolutiva não exclusivista entre a interação face a face e a interação virtual, evidenciada principalmente pela formação de uma inteligência coletiva que alimenta-se de cada inteligência individual. A virtualização digital é hoje o ambiente ideal para (auto)reprodução de atualidades sociais. Se interação virtual é um processo multiplicador de atualidades, a interação virtual “digital” embaralha essas atualidades (uma potencialização do virtual), sendo, por isso, uma fomentadora máxima de possibilidade de desenvolvimento social. A virtualização digital evidencia a consciência coletiva enquanto um novo paradigma, ou melhor, um paradigma “atual”, diferente daquele paradigma passado calcado em uma consciência ainda fortemente individual.



Palavras-chave: interação social; interação face a face; interação digital, Inteligência coletiva.

Introdução

Dentre as últimas revoluções sociais, a comunicação digital representa uma força grande o suficiente para ser comparada com a própria comunicação escrita. Trata-se, antes de tudo, de uma comunicação predominantemente à distância, que muitas vezes sequer ocorre de forma concomitante entre os atores envolvidos no ato. É uma forma de comunicação virtual, como a escrita. O elemento básico que não está presente na interação digital é o encontro face a face. A comunicação digital ocorre através do teclado, do som ou da imagem, mas sem a presença atual. A questão que vem à tona é a sua potencialidade se comparada com a interação face a face e até mesmo com a própria interação virtual escrita. O ambiente digital fornece condições especiais de expansão à comunicação, permitindo que a interação se potencialize em escala maior.



A proposta desse artigo é analisar a interação virtual (escrita e digital) em relação à interação face a face, aproximando as ideias que o antropólogo/sociólogo Erving Goffman expôs nos artigos que compõem sua obra “Ritual de Interação”1, com as ideias que o filósofo Pierre Lévy explana sobre cultura virtual em seus livros, em especial “O Que É Virtual?”.

O artigo abordará primeiramente a caracterização do que é virtual e suas implicações na interação social. Após, serão abordados fenômenos físicos e psíquicos presentes nos rituais de interação social face a face. Ao fim, estarão dadas as evidências de como a interação social está sendo modificada pela virtualização digital da comunicação.

Interação virtual (digital)

Pierre Lévy explica o virtual a partir da sua distinção do atual. “A virtualização pode ser definida como o movimento inverso da atualização”.2 Há um constante movimento de passagem do atual ao virtual, uma ‘elevação à potência’ da entidade considerada. A questão do virtual não diz respeito ao real, mas sim ao atual, pois o acontecimento virtual é um acontecimento real, que chama a atualização para um processo de resolução do problema virtualizado existente. Se virtual é um problema, atualização é a solução. A virtualização é uma mutação de identidade, uma modificação ontológica do objeto; por isso, enquanto a atualização é a solução de um problema, a virtualização é o próprio problema. O movimento da atualização vai do problema à solução; o movimento da virtualização vai de uma solução ao problema. O fato é que esse movimento (chamado por Lévy de efeito Moebius) caminha em redes de virtualizações, uma ação apoiando-se em outra, em uma historicidade total3. Há uma tendência autopoietica aqui4 (que é reafirmada quando o filósofo chama a atenção para a existência de um “espírito” compatível com a coletividade, com uma inteligência múltipla, heterogêneo, constantemente auto-organizador ou autopoiético, que se desenvolve a partir do ‘acolhimento da alteridade’ do mundo ao seu redor). Para Lévy, “a entidade carrega e produz suas virtualidades: um acontecimento, por exemplo, reorganiza uma problemática anterior e é suscetível de receber interpretações variadas. Por outro lado, o virtual constitui a entidade: as virtualidades inerentes a um ser, a uma problemática, o nó de tensões, de coerções e de projetos que o animam, as questões que o movem, são uma parte essencial de sua determinação”5. Resumindo, o atual é uma resposta ao virtual.

O virtual, com muita frequência, não está presente, adverte Lévy. Há uma desterritorialidade. Citando as ponderações de Michel Serres no livro Atlas, afirma que o virtual se identifica com a falta de presença. “A imaginação, a memória, o conhecimento, a religião são vetores de virtualização que nos fizeram abandonar a presença muito antes da informatização e das redes digitais”6. As virtualizações tornam as coisas, as pessoas, em não presentes, em desterritorializadas. Mas nem por isso deixam de ser reais, de acontecer, de existir, de surtir efeitos. Apenas não há atualidade no virtual.

O virtual também é heterônomo. Esse conceito é de crucial importância para Lévy. Ser heterônomo significa estar sujeito a um “processo de acolhimento da alteridade”7. Assim, a reprodução do que é virtual não se dá de forma autônoma, e esse é o efeito embaralhante da virtualidade. A heterogênese da virtualidade é explicada pelo já referido “efeito Moebius”, ou seja, a passagem do interior ao exterior e do exterior ao interior. Os lugares e tempos se misturam e se recriam.

No mundo das ideias, talvez a escrita seja o maior instrumento de virtualidade, muito embora existam outros, como nas belas artes. De qualquer modo, parece certo que instrumento de virtualização funcione como meio socialização. Hoje, o instrumento evoluiu: foi do entalhamento ao grafite, deste à tinta, e depois de mais alguns passos evolutivos chegou à digitalização. Das cavernas à lua... Armazenar a escrita em memória digital é uma potencialização extrema da comunicação. Pelo menos extrema até agora, mas como será vista em 250 anos? No início da década de 60, o que havia de mais virtual na comunicação era o telefone; o mundo estava interligado por ele. O que ocorreu nas décadas seguintes foi um processo gradual de digitalização do sistema de telecomunicações, até então, completamente analógico. Potencializou-se a comunicação, e é nesse movimento virtualizante da comunicação que a sociedade se desenvolve.

Lévy faz um questionamento interessantíssimo e empiricamente verificável: “Posto que a escrita alfabética hoje em uso estabilizou-se sobre um suporte estático, e em função desse suporte, é legítimo indagar se o aparecimento de um suporte dinâmico não poderia suscitar a invenção de novos sistemas de escrita que extrapolariam muito melhor as nova potencialidades”8. Isso já ocorre, por exemplo, através das placas de trânsito – pois algumas são identificadas por qualquer pessoa em qualquer país, e através de plataformas como o whatsapp: .

Um dos efeitos avassaladores da virtualização é a passagem do privado para o público, com a recíproca transformação do interior em exterior – “uma emoção posta em palavras e desenhos pode ser mais facilmente compartilhada”9. Mas a emoção compartilhada é uma emoção virtual. Fato é que na comunicação digital a interação social é diferente da comunicação “em carne e osso”, principalmente em função da desterritorialidade, da heterogenia, e da constante passagem do estado privado ao público.

Três são as virtualizações decisivas para o ser humano, segundo Lévy: o nascimento das linguagens, que significa a virtualização do presente; o domínio da técnica, que significa a virtualização da ação; e o surgimento do contrato, que representa a virtualização da violência. Nesse último caso, “os rituais, as religiões, as leis, as normas econômicas ou políticas são dispositivos para virtualizar os relacionamentos fundados sobre as relações de forças, as pulsões, os instintos ou desejos imediatos. Uma convenção ou um contrato, para tomar um exemplo privilegiado, tornam a definição de um relacionamento independente de uma situação particular; independente, em princípio, das variações emocionais daqueles que o contrato envolve; independente da flutuação das relações de força”10.

A virtualização evidencia que a inteligência é construída a partir do envolvimento coletivo dos indivíduos. Lévy afirma que “as instituições sociais, leis, regras e costumes que regem nosso relacionamento influem de modo determinante sobre o curso de nosso pensamento... Pela biologia, nossas inteligências são individuais e semelhantes (embora não idênticas). Pela cultura, em troca, nossa inteligência é altamente variável e coletiva. Com efeito, a dimensão social da inteligência está altamente ligada às linguagens, às técnicas e às instituições, notoriamente diferentes conforme os lugares e as épocas”11. Segundo Lévy, os princípios darwinianos aplicam-se às populações, e de acordo com Gilles Deleuze, o interior é um dobra do exterior. O devir está na transição para outra subjetividade. A inteligência de cada indivíduo é atravessada de uma dimensão coletiva, “porque o psiquismo é, desde o início e por definição, coletivo: trata-se de uma multidão de signos-agentes em interação, carregados de valores, investindo com sua energia redes móveis e paisagens mutáveis. Os coletivos humanos são espécies de megapsiquismos, não apenas por serem percebidos e afetivamente investidos por pessoas, mas porque podem ser adequadamente modelados por uma topologia, uma semiótica, uma axiologia e energética mutuamente imanentes”12.

O progresso virtual da comunicação abre a consciência individual à consciência social, sendo o ambiente digital um ambiente coletivo, onde as alteridades de cada consciência podem se manifestarem. E esse fenômeno ocorre automaticamente, decorrente das próprias características da virtualidade. A nova inteligência coletiva, proporcionada pela digitalização, afirma a existência de um pensamento atual, efetivo, oriundo dos coletivos humanos. Conforme Lévy, “o desenvolvimento da comunicação assistida por computador e das redes digitais planetárias aparece como a realização de um projeto mais ou menos bem formulado, o da constituição deliberada de novas formas de inteligência coletiva, mais flexíveis, mais democráticas, fundadas sobre a reciprocidade e o respeito das singularidades. Nesse sentido, poder-se-ia definir a inteligência coletiva como uma inteligência distribuída por toda a parte, continuamente valorizada e sinergizada em tempo real”13.
Interação face a face

Em contraste com o virtual há o atual. Passa-se a analisar o atual a partir dos estudos sobre a interação social face a face do antropólogo Erving Goffman. As identificações e caracterizações dos fenômenos autoevidentes, como “linha”, “fachada”, “aprumo”, “deferência”, “porte”, “constrangimento”, “alienação”, “sintomas”, e “caráter”, são capazes de dar pistas sobre como a sociedade age, ou atua; os elementos físicos e psíquicos encontrados na interação ritualística dos encontros sociais mostram exatamente o que se passa na atualização do virtual. A comunicação é carregada de elementos oriundos do corpo e da psique que informam tanto quanto as palavras ou os sinais utilizados para comunicar.

Passa-se a explicar, ilustrativamente, esses fenômenos expressivos segundo os artigos que compõem o livro Ritual de Interação de Erving Goffman.
Linha, fachada e aprumo na interação face a face

“Todas as pessoas vivem num mundo de encontros sociais que as envolvem, ou em contato face a face, ou em contato mediado com outros participantes. Em cada um desses contatos a pessoa tende a desempenhar o que às vezes é chamado de linha – quer dizer, um padrão de atos verbais e não verbais com o qual ela expressa sua opinião sobre a situação, e através disso sua avaliação sobre os participantes...”.14 A linha é, nessa base, o padrão comportamental comunicacional expressivo da pessoa.

Fachada, por seu turno, é o valor social positivo que as pessoas tentam transparecer aos demais participantes da interação social. A fachada é o resultado da linha que o indivíduo possui em suas interações. “A fachada é uma imagem do eu delineada em termos de atributos sociais aprovados...”.15

A relevância da linha e da fachada decorre de um efeito particular da interação social: ela põe em evidência os efeitos emocionais que os indivíduos sofrem quando no contrato de outros indivíduos. Conforme explicita Goffman, “o apego de uma fachada particular, junto com a facilidade de comunicar informações falseadoras por ela e por outros, constitui uma das razões que fazem com que ela considere que a participação em qualquer contato com os outros seja um compromisso... A fachada pessoal e a fachada dos outros são construtos da mesma ordem; são as regras do grupo, e a definição da situação que determinam quantos sentimentos devem ser distribuídos pelas fachadas envolvidas”.16

Um dos principais efeitos da interação face a face, oriundo justamente do que simboliza o corpo presente de uma pessoa, é a combinação da regra do respeito próprio e da regra da consideração. Essa combinação de regras é a tendência de condução de um indivíduo durante a interação social. Assim se mantém a própria fachada e a fachada do terceiro. Essa é a obrigação latente do envolvimento social. Proteges a ti e ao teu irmão. A proteção mútua é uma característica estrutural básica da interação, especialmente quando se trata de interação face a face. E não que essa proteção de um a outro e vice versa seja o exato reflexo do eu (do um ou do outro), mas talvez apenas uma praticidade, na linha de argumento de Goffman, para manter-se a sociedade. “A aceitação mútua de linhas tem um efeito conservador importante sobre os encontros”.17 É necessário preservar a fachada, e esse exercício é realizado através do “aprumo”, ou seja, através do controle do próprio constrangimento em alguma situação, além de outras práticas habituais e padronizadas. Há, na interação face a face, uma série de etiquetas e diplomacias nas quais os indivíduos que estão interagindo mantêm como forma de cooperação para preservação da fachada.

Goffman segue a linhagem da antropologia social da Tradição Durkheimiana, focada nos símbolos e rituais da interação social. Segundo Collins, “um ritual é um momento de uma densidade social extremamente alta. Novamente, quanto mais pessoas estiverem juntas, tanto mais intenso será o ritual. Mas os rituais também elevam os contatos entre as pessoas; ao fazer os mesmos gestos, ao entoar as mesmas canções e outras coisas do tipo, as pessoas voltam a atenção para uma mesma coisa. Elas não estão apenas reunidas, mas têm plena consciência do grupo ao seu redor. Como resultado disso, certas ideias passam a representar o próprio grupo, tornando-se seus símbolos”18. Nesse contexto, há, na interação social, rituais cotidianos inconscientes, que estão presentes em cada ponto de um encontro social. Collins afirma que Goffman segue explicitamente Durkheim quando explica que “na sociedade moderna, os deuses dos grupos isolados deram lugar à adoração de um único ‘objeto sagrado’ que todos temos em comum: o eu individual”.19 Os rituais são as performances que têm consequências sociais ao criar imagens adequadas sobre os indivíduos, e requerem habilidades materiais e culturais. “Rituais são armas que sustentam e renegociam a estrutura de classe. Eles não apenas criam o eu, mas classificam os diferentes tipos de eu em diferentes classes sociais”.20

Na interação falada o ritual se expõe por símbolos e sinais que significam diversas coisas. Goffman exemplifica: “Uma olhadela descuidada, uma mudança momentânea no tom de voz, uma posição ecológica tomada ou não, tudo isso pode encharcar uma conversa de importância avaliativa”.21 São gestos, interrupções e pausas que regulam o fluxo de mensagem dando algum sentido especial a ele, pois representam o nexo subjetivo existente entre o indivíduo e sua ação. São “atestados de autenticidade”.

Quando se comunica algo, o indivíduo expõe sua figura a decepções, como ocorre, por exemplo, quando os comunicados não prestam atenção no que foi informado, ou quando os comunicados não correspondem com a empolgação que o comunicador espera. São inúmeras as possibilidades, e em muitas delas somente a presença física é capaz de revelar. Nessa linha, preservar a fachada significa, na interação falada, uma organização convencional, mantendo-se um fluxo bem ordenado de mensagens faladas através de uma estrutura de ritual.

Para Goffmann, se há de fato uma natureza humana universal, ela deve ser pesquisada nos encontros sociais. A forma de mobilizar os indivíduos para os encontros sociais é através do ritual. A percepção, os sentimentos e outros efeitos da racionalidade são provocados quando se está face a face com outra pessoa. O efeito que o corpo humano gera em outro corpo humano ainda é inexplicável, mesmo para os que estudam a mente. É algo quase místico, ou, talvez, para os mais existencialistas, seja o que há de místico.

Deferência e porte interação face a face

Segundo Goffman, “uma regra de conduta pode ser definida como um guia para a ação, recomendada não porque é agradável, barata ou eficiente, mas porque é apropriada ou justa. As infrações caracteristicamente levam a sentimentos de desconforto e a sanções sociais negativas”.22 As regras de conduta interagem entre si de forma a padronizar o comportamento humano de acordo com o ideal institucionalizado pela sociedade. Assim, geram expectativas e obrigações. Quando um ato humano submete-se a uma regra de conduta, segundo o autor em análise, entra em cena a perspectiva comunicacional do ato, pois se passa a representar a forma pela qual os “eus” são confirmados. Ato que segue ou não segue uma regra de conduta sempre é comunicação, pois seguir ou não seguir só têm peso ôntico a partir de quando o paradigma é comunicado. Caso contrário, há, apenas, arbitrariedade. A partir do momento que um comportamento concreto vira paradigma para uma expectativa comportamental, há comunicação.

O componente cerimonial do comportamento concreto possui pelos menos dois elementos básicos: a deferência e o porte. A deferência vem a ser, nas palavras de Goffman, o “componente da atividade que funciona como um meio simbólico através do qual se comunica regularmente apreciação para um receptor deste receptor, ou de algo do qual esse receptor é considerado um símbolo, extensão ou agente”.23 É a apreciação que um indivíduo faz sobre o outro individuo para esse próprio indivíduo. São representações da relação entre ator e receptor de uma interação face a face; a deferência significa estima. É possível identificar atos de deferência em expressões corporais, como nos abraços, nos apertos de mão, na voz, nos tapas nas costas, nas lágrimas. Já o porte é o “elemento do comportamento cerimonial do indivíduo tipicamente comunicado através da postura, vestuário e aspecto, que serve para expressar àqueles na presença imediata dele que é uma pessoa de certas qualidades desejáveis ou indesejáveis”.24 Através do porte o indivíduo cria uma imagem de si, que para si mesmo pode conscientemente não ser verdadeira, pode ser fruto de um desleixo momentâneo, um de um momento de pressa. Mas para terceiros, inconscientemente ou até mesmo conscientemente é uma imagem verdadeira. É difícil saber o que se passa na vida e na mente de outras pessoas. Como diz o ditado popular, a primeira impressão é a que fica.

Fato é que tanto a deferência quanto o porte apresentam e representam as pessoas, e ainda submetem-se a regras de conduta. É do senso comum que não se pode recusar um aperto de mão, ou ir mal vestido para um aniversário. Enquanto regras de conduta, o porte e a deferência comunicam os indivíduos, e por isso são fontes de conhecimento.
Constrangimento na interação face a face

O constrangimento pode ser notado em si mesmo e nos outros indivíduos por sinais objetivos de perturbação emocional, como enrubescimentos, balbucios, gaguejos, entonações da voz, suor, palidez, piscadelas, tremor das mãos, movimento hesitantes ou vacilantes, tremor das mãos, distrações e disparates.25 Segundo Mark Baldwin, citado por Goffman, também se pode notar o constrangimento no rebaixamento dos olhos, nos movimentos da cabeça e na posição e movimento das mãos e dos dedos. O normal, na interação face a face, é estar tranquilo, de forma que o constrangimento é um desvio do estado normal. O constrangimento, dessa forma, tem relação direta com o que o indivíduo representa diante de quem está presente em um encontro social.

O interessante é que dos efeitos do constrangimento se pode notar uma certa união ou uma certa indiferença dos coparticipantes do evento para com os envolvidos diretamente no ato constrangedor. Afinal de contas, o constrangimento é contagioso. Ou seja, além dos efeitos do constrangimento refletir o constrangedor ou o constrangido, também reflete a interação do grupo. Ninguém gosta de se sentir constrangido, e por isso é normal que pessoas sensíveis e ponderadas evitem constranger outras (deixando a salvo suas fachadas). A relatividade do constrangimento é óbvia e é verificável na própria historicidade da humanidade. Os costumes, a tradição, os mitos, os totens, os tabus, tudo muda, e por isso “eventos que levam ao constrangimento e os métodos para evita-lo e dissipá-lo podem fornecer um esquema de análise sociológica que atravessa culturas”.26

O constrangimento, no sentido acima delineado, possui uma importante função social. No momento em que se identifica um constrangimento, a identidade social está desmistificada. Por traz do conflito individual gerado pelo constrangimento, está o conflito organizacional, “pois o eu, para muitos propósitos, consiste apenas da aplicação de princípios organizacionais legítimos para o nosso eu. Construímos nossa identidade a partir de reinvindicações que, se forem negadas, dão-nos o direito de nos sentirmos injustificadamente indignados”.27
Alienação na interação face a face

Uma conversação tem “vida própria”, no sentido de transcendência. Forma-se um pequeno sistema social em cada interação social desse tipo que transcende aos indivíduos envolvidos. Formam-se exigências próprias para cada situação que devem ser respeitadas pelos atores do evento, sob pena de comprometer todo o ritual e sua finalidade. A alienação do indivíduo em um encontro conversacional é uma das causas do seu fracasso, gerando consequências negativas individuais e sociais. São algumas formas de alienação, segundo Lévy, a preocupação externa ao foco da conversação, a consciência de si mesmo (quando o indivíduo dá mais atenção a si mesmo, ao invés de dar atenção ao conteúdo da conversação), a consciência dos outros (distração advinda de outros participantes, como beleza, feiura, estatura, etc.) e a consciência formal da interação (preocupação demasiada com a forma como a interação está ocorrendo, e não com o próprio conteúdo da conversação).

Essas alienações são preocupantes porque o ritual da interação face a face cria obrigações para quem participa dele. “Em nossa sociedade prevalece um sistema de etiquetas que dirige o indivíduo a lidar com estes eventos de forma conveniente, projetando através deles uma imagem de si correta, um respeito apropriado pelos outros presentes e uma consideração adequada pelo ambiente. Quando o indivíduo quebra uma regra de etiqueta, intencionalmente ou não, os outros presentes podem se mobilizar para restaurar a ordem cerimonial, de forma parecida com aquela utilizada quando outros tipos de ordem social são transgredidos. Através da ordem cerimonial que é mantida por um sistema de etiqueta, a capacidade do indivíduo de ser levado por uma conversa se torna socializada, assumindo uma carga de valor ritual e função social”.28

Segundo Talcott Parson, citado por Niklas Luhmann, os atores sociais dão sentido individual (subjetivo) às ações quando atuam entre si. Assim, devem integrar as expectativas recíprocas de comportamento, e essa integração ocorre a partir da estabilização através de regras compreensíveis e assimiláveis. De outra forma, seria impossível assimilar a dupla contingência da determinação do sentido da ação a partir de dois sujeitos, e tampouco constituir a complementariedade das respectivas expectativas. Por isso toda interação pressupõe normas, e sem elas não se constitui um sistema.29



Em face dessas alienações, o sistema social da interação cria solidariedade para salvar o ritual face a face. Conforme explica Goffman, “A obrigação do indivíduo de manter o envolvimento espontâneo na conversação e a dificuldade de fazer isso o coloca numa posição delicada. Ele é salvo por seus coparticipantes, que controlam suas próprias ações para que ele não seja forçado a sair do envolvimento apropriado. Mas, assim que ele for resgatado, ele terá que resgatar outra pessoa, e por isso seu trabalho de participante da interação se complica ainda mais. Aqui, então, está um dos aspectos fundamentais do controle social na conversação: o indivíduo deve não apenas manter o seu próprio envolvimento, mas também agir de forma a garantir que os outros mantenham o deles”.30

Quando ocorre um problema de alienação na interação falada a realidade é atingida, e o sistema social que a reflete fica desorganizado a ponto de não mais servir de horizonte ao ritual de interação. A veracidade dessa realidade será confirmada apenas no conflito, na decepção pelo desrespeito do ritual. Nos termos de Goffman, “ao examinar as formas pelas quais o indivíduo pode perder o passo com o momento sociável, talvez possamos aprender algo sobre a forma pela qual ele pode ser alienado de coisas que ocupam muito mais o seu tempo”.31 As regras de conduta para a interação falada é de importância capital entre inúmeras pessoas em incontáveis situações. É a forma básica de envolvimento e por isso a consciência de si mesmo é forte nesse tipo de relação.
Sintomas mentais na interação face a face

A tradição freudiana da psiquiatria aborda que sintomas do comportamento psicologicamente anormal podem ser interpretados como parte do sistema de comunicação e de defesa do ofensor. A reversão a modos de conduta infantis é o exemplo dado por Goffman. Em um encontro social, um comportamento inapropriado é entendido por todos, é autoevidente, pois é uma coisa pública. É pública porque é potencialmente acessível a todos, e assim torna-se uma preocupação a todos. A ordem do ritual está em jogo. Dessa forma, analisando a interação social se pode observar sintomas da psicopatia. A análise de Goffman parte do exame da regra geral de conduta que o comportamento ofensivo infringe. A partir daí se examina o conjunto de regras do qual a regra geral faz parte. Identifica-se um conjunto de regras gerais para então se analisar o grupo social onde vigem essas regras e sua estrutura. Quando esse trabalho estiver feito, pode-se, então analisar o ofensor e o que significa para ele burlar aquelas regras sociais. Talvez seja possível, até mesmo, encontrar um grupo de sintomas-padrão. O fato é que o desvio de conduta pode ser fruto de um comportamento psicótico, mas o que normalmente ocorre é o contrário: a burla a um regra de conduta é realizada por um comportamento normal. A preocupação repousa sobre o tipo de ordem social que é relacionada ao comportamento psicótico. “Agir de forma psicótica é, com muita frequência, associar-se incorretamente com os outros na sua presença imediata; isso comunica alguma coisa, mas a infração em primeira instância não é de comunicação, e sim de regras de counião”.32

É possível, então, conhecer a estrutura de uma sociedade a partir de suas regras de conduta; e a partir daí, é possível conhecer, também, a estrutura do comportamento. Ao final, pode-se chegar à perspectiva da infração sob o ponto de vista do ofensor. O ofensor será desmascarado e classificado como um mero transgressor que agiu de uma forma anormal ou como um psicótico. Afinal de contas, como observa Goffman, todos os desvios psicóticos de conduta podem ser encontrados na vida cotidiana, na conduta de pessoas mentalmente sãs. Os desvios perpetrados por pessoas sãs são copiados de desvios perpetrados por pessoas psicóticas. Por isso a social válvula de escape de “se fazer de louco”.
Caráter e compostura na interação face a face

A capacidade das pessoas de agir de forma correta e firme diante de pressões repentinas é um aspecto do caráter do indivíduo. A incapacidade de se comportar corretamente sob pressão é sinal de um caráter fraco. Manter o autocontrole total quando a questão envolve uma decisividade é sinal de um caráter forte. Segundo Goffman, a ação está nos momentos de decisividade, quando é possível analisar o caráter das pessoas. “Ao procurar onde a ação está, chegamos a uma divisão romântica do mundo. Em um lado estão os lugares seguros e silenciosos, o lar, o papel bem regulado nos negócios, na indústria e nas profissões; no outro estão todas as atividades que geram expressão, exigindo que o indivíduo dê a cara para bater e se coloque em perigo por um momento passageiro”33. Para o sociólogo em estudo, a compostura é uma das qualidades do caráter que merecem atenção. Compostura no sentido de autocontrole, de domínio de si, de aprumo. “A compostura tem um lado comportamental, uma capacidade de executar tarefas físicas (tipicamente envolvendo o controle dos músculos das mãos) de forma suave, organizadas e autocontrolada sob circunstâncias decisivas... A compostura também tem aquilo que é considerado um lado afetivo, o autocontrole emocional necessário para se lidar com os outros”34. Pela compostura também se pode analisar a dignidade, a confiança, o controle emocional, enfim, a compostura informa a pessoa.

Considerações finais: da interação face a face à interação digital

É notório que na interação face a face existem elementos comunicacionais que estão ausentes na interação digital. A era da digitalização trouxe um impulso socializante extremamente revolucionário. O mundo passou a estar conectado. Obviamente, para se dar essa abrangência à interação social, foi preciso abrir mão de muitos elementos humanos que se associam à fala. A psique humana se expressa pelo corpo humano, e na virtualização tudo o que sai do corpo para comunicar, como o som da voz e as expressões faciais, são substituídas por símbolos, que na maioria das vezes representam só o objeto da comunicação, não o sentimento do comunicador.

Mas isso não quer dizer que a digitalização da comunicação signifique alienação. Pelo contrário, significa socialização, muito embora a alienação esteja em um ambiente propício a se desenvolver, justamente devido à falta do corpo místico. É simplesmente paradoxal.

O fenômeno é novo e certamente ainda estamos nos primeiros estágios da digitalização, e isso não só em termos técnicos, mas também em termos antropológicos. Novos símbolos de comunicação, diferentes das palavras, são incorporados na comunicação digital. A voz e a imagem passaram a ser virtualizadas pela digitalização em uma velocidade e facilidade de acesso espantosa. Agora, os aspectos físicos das pessoas é alcançável a todos.

Na interação virtual escrita, fenômenos biológicos autoevidentes, como “linha”, “fachada”, “aprumo”, “deferência”, “porte”, “constrangimento”, “alienação”, “sintomas”, e “caráter” dissipam-se. Não que sumam, mas diminuíram consideravelmente. Isso leva a uma impessoalização da comunicação. Mas a interação virtual digital, longe de alienar, representa uma virtualização da comunicação, da mesma forma que as linguagens são a virtualização do ser. Toda a virtualização expande o ser virtualizado, pelas características que o ambiente virtual possui. Não se pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, salvo se se está virtualizado. Inclusive, aí se pode estar em muitos lugares ao mesmo tempo. Tal evidência explica porque, nos últimos 20 anos, comunicou-se mais do que nos últimos 2.000 anos.

A virtualização digital definitivamente coloca no texto elementos da antropologia humana. Esse é uma das características do hipertexto.

O ambiente digital potencializa a comunicação, e, conforme mencionado alhures, potencialização da comunicação é potencialização da sociedade. Longe se alienar, a virtualização digital cria, ou melhor, dá o ambiente à criação, a partir de um movimento autopoético heterógeno, acolhedor de alteridade.

O virtual, digital ou escrito, sempre será um problema a ser resolvido, atualizado. Dessa forma, a interação virtual sempre será uma multiplicadora de atualidades, ou seja, uma fomentadora do desenvolvimento social. A digitalização é um avanço da virtualidade humana, e não uma degradação humana.

Como problema que é, gera conflito, que será resolvido a cada atualização. O conflito, então, mostra-se como fonte da criação. Num ambiente socializado, a melhor forma de solucionar um conflito é pela diferenciação. Quanto for maior o leque de possibilidades, mais chance há de se ter uma resolução perfeita do conflito. Conflito pede, portanto, especialização, diferenciação, que, em âmbito sistêmico, se dá de forma estruturada e funcional. Há possibilidade, portanto, de se visitar as mais diferentes tradições sociológicas a partir do presente tema, pois, como ficou evidente, há questões conflituais, ritualísticas e sistêmicas.

Com efeito, identificar o ambiente em que se está interagindo é situar-se no estado atual. Não há uma luta do pessoal contra o digital, há uma relação de espaço e tempo que, plenamente identificado e conhecido, serve ao desenvolvimento social.

Com bem observado por Lévy, os grupos humanos são meios ecológicos nos quais espécies de representações ou ideias desenvolvem-se autopoieticamente. Os princípios darwinianos aplicam-se aos ambientes de desenvolvimento da inteligência, dentre eles, o ambiente virtual, hoje amplamente digitalizado, formadores de inteligência coletiva.

É a partir da virtualização que os indivíduos terão cada vez mais consciência para, na atualização, interagirem com a linha, a fachada, o aprumo, a deferência, o porte, e o caráter corretos, sem constrangimento e alienação. Esse fato traz instabilidade porque os fenômenos da interação face a face não se fazem presentes na interação virtual escrita. Mas na interação virtual digital há essa possibilidade, de forma fácil, rápida e eficiente. Essa é a principal característica do hipertexto.
Referências

Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia).

O que é virtual? / Pierre Lévy; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2ª edição).

Quatro tradições sociológicas / Randall Collins ; Tradução de Raquel Weiss. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2009. – (Coleção Sociologia).



1 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia).

2 O que é virtual? / Pierre Lévy; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2ª edição), pág. 17.

3 A importância da historicidade para a formação do pensamento é latente.

4 Bem ao estilo de Niklas Luhmann.

5 O que é virtual? / Pierre Lévy; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2ª edição), pág. 16.

6 O que é virtual? / Pierre Lévy; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2ª edição), pág. 20.

7 O que é virtual? / Pierre Lévy; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2ª edição), pág. 25.

8 O que é virtual? / Pierre Lévy; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2ª edição), pág. 50.

9 O que é virtual? / Pierre Lévy; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2ª edição), pág. 73.

10 O que é virtual? / Pierre Lévy; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2ª edição), pág. 77.

11 O que é virtual? / Pierre Lévy; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2ª edição), pág. 99.

12 O que é virtual? / Pierre Lévy; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2ª edição), pág. 109.

13 O que é virtual? / Pierre Lévy; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Editora 34, 2011 (2ª edição), pág. 99.

14 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 13.

15 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 13.

16 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 14.

17 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 19.

18 Quatro tradições sociológicas / Randall Collins ; Tradução de Raquel Weiss. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2009. – (Coleção Sociologia), pág. 165.

19 Quatro tradições sociológicas / Randall Collins ; Tradução de Raquel Weiss. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2009. – (Coleção Sociologia), pág. 190.

20 Quatro tradições sociológicas / Randall Collins ; Tradução de Raquel Weiss. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2009. – (Coleção Sociologia), pág. 191.

21 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 39.

22 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 52.

23 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 59.

24 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 78.

25 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 95.


26 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 99.

27 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 108.

28 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 111.

29 Sociologia do Direito I / Niklas Luhmann; tradução de Gustavo Bayer. – Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileito, 1983, pág. 31.

30 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 113.

31 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 131.

32 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 137.

33 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), pág. 254.

34 Ritual de interação : ensaios sobre o comportamento face à face / Erving Goffman ; tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011. – (Coleção Sociologia), págs. 212 e 213.




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