Interfaces da Formação em Línguas Estrangeiras: como a Extensão, o Ensino e a Pesquisa Constroem Resultados Positivos



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Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária

Belo Horizonte – 12 a 15 de setembro de 2004


Interfaces da Formação em Línguas Estrangeiras: como a Extensão, o Ensino e a Pesquisa Constroem Resultados Positivos
Área Temática de Educação
Resumo

Este trabalho visa a apresentar os princípios norteadores e a ações do programa “Interfaces da Formação em Línguas Estrangeiras” que integra a extensão, o ensino e a pesquisa. O objetivo do programa é atender professores de línguas estrangeiras da rede pública de ensino através do oferecimento de módulos lingüísticos, metodológicos e sobre a vida escolar, além de proporcionar-lhes a chance de se envolverem em pesquisa-ação para resolverem problemas específicos de suas salas de aula. Os principais resultados são: a) professores mais reflexivos, autônomos e mais preocupados com as necessidades de seus alunos; b) professores cientes da importância da educação continuada; c) alunos satisfeitos com as mudanças implantadas nas aulas de língua estrangeira; d) alunos da graduação e da pós-graduação em contato com a realidade fora da universidade. Concluímos que mais ações que envolvam as comunidades universitária e a de professores da rede pública de ensino devem ser implantadas para que ambas possam se desenvolver profissionalmente e, assim, melhor atender à sociedade. (educação continuada; formação inicial; formação de professores)


Autoras

Deise Prina Dutra (Ph.D)

Heliana Mello (Ph.D)

Vera Lúcia Menezes de Oliveira e Paiva (Ph.D)

Denise Rodrigues de Araújo (Ms)
Instituição

Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG


Palavras-chave: educação continuada; formação inicial; formação de professores
Introdução e objetivo

Este trabalho visa a apresentar os princípios norteadores e a ações do programa “Interfaces da Formação em Línguas Estrangeiras” que ao integrar a extensão, o ensino e a pesquisa prima pelo respeito às diferenças dos diversos grupos que o integram, tais como professores da rede pública de ensino, alunos da graduação, alunos da pós-graduação e professores universitários.

Primeiramente, o programa tem seu foco no conhecimento da realidade dos professores de línguas estrangeiras da rede pública e no atendimento às suas necessidades de desenvolvimento profissional, tanto lingüístico quanto metodológico, ou seja, o programa responde a uma demanda da sociedade por ações de educação continuada. Sendo assim, é através do projeto “Educação Continuada de Professores de Línguas Estrangeiras” (EDUCONLE) que professores de inglês e espanhol que atuam na rede pública de ensino participam de módulos de língua ministrados por alunos da graduação e de módulos de metodologia ministrados por alunos da pós-graduação e professores da UFMG. Há também um segundo projeto que integra o programa: ARADO “Agrupar Refletir Agir Doar” que agrega a pós-graduação, graduação e professores da rede pública na busca da identificação de problemas de ensino-aprendizagem de língua inglesa, no ensino fundamental e médio, e de propostas concretas para solucioná-los. Este segundo projeto também é um projeto de educação continuada ao incentivar que o professor da rede pública seja um pesquisador de sua sala de aula e desenvolva cada vez mais autonomia e competência em sua profissão.

Segundo, os alunos de graduação envolvidos como monitores têm tido uma oportunidade ímpar de iniciação à docência no projeto EDUCONLE, sendo orientados pelos professores da UFMG e alunos da pós-graduação na preparação e avaliação do módulo lingüístico. Além do mais, eles têm contato com situações e problemas característicos do ensino fundamental e médio ao interagir com os professores de línguas estrangeiras que atuam na rede pública tanto no projeto EDUCONLE quanto no projeto ARADO.

Terceiro, os alunos da pós-graduação também passam a conhecer melhor a realidade do ensino público, desenvolvem projetos de pesquisa relevantes para os professores envolvidos e, conseqüentemente, para a sociedade, colaboram para a formação inicial e continuada informada teoricamente e, acima de tudo, contribuem para o desenvolvimento profissional dos professores.

Tivemos a confirmação, no contato com os professores da rede pública desde o início de nossas atividades no ano de 2002, de que embora o domínio de línguas estrangeiras seja um bem cultural valorizado pela nossa sociedade, isto não se reflete na maneira através da qual o ensino das mesmas é tratado nas escolas regulares. A crença de que não é possível aprender línguas na escola regular parece ser ainda muito forte e pervasiva em nossa sociedade, muitas vezes sendo até reforçada pela própria postura do professor de língua estrangeira. Além do mais, o professor de língua estrangeira é, por vezes, desrespeitado pela própria estrutura escolar, pois suas aulas são sistematicamente colocadas nos piores horários ou reuniões são marcadas no horário de suas aulas, gerando cancelamento das mesmas. Muitos professores não receberam nenhum incentivo dos dirigentes de suas escolas, sentindo na pele, mais uma vez, o quanto a língua estrangeira é desprezada. Sendo assim, o professor, que na maioria das vezes já é inseguro quanto ao domínio do conteúdo da disciplina que ensina, sente-se ainda mais desvalorizado.

Mesmo estando o ensino de línguas estrangeiras no Ensino Fundamental e Médio regulamentado na legislação educacional, nem o professor nem o aluno têm a garantia de um número de aulas mínimo necessário para a boa aprendizagem de línguas. Ressaltamos que a última Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional, LDB, promulgada em dezembro de 1996, torna o ensino de LE obrigatório desde a quinta série do ensino fundamental e até abre espaço para a inclusão de uma segunda língua: "será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina obrigatória, escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, dentro das disponibilidades da instituição" (Art. 36, Inciso III). Art. 26, § 5º.

Por outro lado, a formação dos professores de língua estrangeira não tem merecido a atenção necessária, conforme relato da própria Comissão de Especialistas de Ensino de Letras junto à SESU. Predominam no país cursos de Letras com dupla habilitação em Inglês e Português com crescente ascensão de Português e Espanhol. Muitos desses cursos são ministrados em 3 anos e recebem alunos de escolas do ensino básico que também não investiram em um ensino de LE de qualidade. A maioria dos projetos pedagógicos que passam pela SESu, seja para autorização ou reconhecimento, devota ao ensino de inglês ou espanhol cerca de 360 horas, ou no máximo 480 horas de ensino da língua estrangeira com o acréscimo de 60 a 120 horas de literatura inglesa e norte-americana. A parte de formação de professor de língua estrangeira é praticamente inexistente. As aulas de literatura da língua estrangeira são dadas, geralmente, em português e as turmas chegam a ter 50, 70 e até 90 alunos, inviabilizando a oferta de um ambiente adequado à prática do idioma. Como resultado, o sistema educacional brasileiro coloca no mercado de trabalho professores despreparados e, assim, muitos deles recorrem aos cursos de especialização em busca de uma regraduação, o que, naturalmente, não encontram. Esse contexto reforça, dia a dia, o preconceito de que só se aprende língua estrangeira em cursos livres.

Devido a esses problemas expostos acima, vemos em nossa sociedade críticas sempre contundentes aos professores da rede pública de ensino considerados pouco preparados para a atuação pedagógica e sentimos que a universidade pública deve tomar posicionamentos e efetuar ações concretas que possam contribuir para o desenvolvimento desses professores através de projetos que visem à educação continuada dos mesmos, proporcionando-lhes chances de desenvolvimento autônomo ao longo da vida profissional.

O programa aqui apresentado visa a aumentar o domínio da língua por parte dos professores, torná-los mais autônomos através do contato com as teorias de ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras e do incentivo à pesquisa-ação e também de discussões que lhes propiciem a prática reflexiva.

As vantagens da prática reflexiva têm sido apontadas em pesquisas internacionais (Richards, 1998 entre outros) e nacionais (Almeida Filho, 1999; Vieira-Abrahão, 1999; Dutra e Mello 2001). Através do uso de instrumentos como a escrita de diários, gravações de aulas, sessões de visionamento (reunião para discussão de aulas filmadas ou gravadas), o professor passa a ver e repensar sua prática de maneira a conhecê-la melhor e decidir quais ações, baseadas em quais teorias, são mais apropriadas para o contexto de ensino em que ele atua. Em uma proposta de prática reflexiva, os pontos a serem discutidos devem partir das necessidades dos professores envolvidos no curso/pesquisa, pois “a reflexão só ocorrerá se o participante realmente quiser se envolver no processo” (Dutra e Mello 2001: 50). Isto é sempre levado em conta na elaboração dos conteúdos dos cursos propostos por esse projeto e no decorrer dos seus módulos. Levamos em consideração o contexto de ensino e sua repercussão política, sem a qual o desenvolvimento do professor ficaria incompleto (Zeichner, 2001). Sentimos que a inclusão de módulos apenas sobre metodologias de ensino de língua, apesar de esses serem extremamente importantes, não teria efeito duradouro e continuado na educação dos professores, por isso a ênfase no caráter reflexivo nestes módulos. Segundo Vieira-Abrahão (1999: 46),

A capacidade de reflexão e de crítica poderá levar este professor a um processo de auto-avaliação constante, e torná-lo aberto para a análise de novas abordagens e propostas que, com certeza surgirão em sua vida profissional.

O programa, aqui exposto, além de atender uma demanda da comunidade de professores da rede pública de ensino, integra a extensão com nossos alunos de graduação e pós-graduação, proporcionado-lhes uma formação mais condizente com as necessidades da sociedade.

O programa “Interfaces da formação em línguas estrangeiras” tem o seguinte objetivo geral: traçar ações integradas entre o ensino, pesquisa e extensão, implicando na melhoria do ensino de línguas estrangeiras na rede pública, em uma melhor preparação dos nossos alunos da graduação e pós-graduação e o incentivo à pesquisa na área de lingüística aplicada com foco nas necessidades do professores e alunos das escolas regulares. Detalhando esse objetivo, chegamos aos objetivos específicos do programa:

a) oferecer oportunidade de desenvolvimento profissional para professores da rede pública (inglês e espanhol);

b) contribuir para um maior envolvimento dos graduandos e pós-graduandos da Faculdade de Letras com a realidade educacional fora dos muros da universidade;

c) garantir espaço de formação inicial e continuada, na integração da licenciatura e extensão;

d) identificar problemas no processo de ensino-aprendizagem em escolas públicas;

d) refletir teoricamente sobre os problemas identificados;

e) intervir de forma colaborativa (professor/estagiário de graduação/ mestrando ou doutorando) no processo de ensino-aprendizagem de língua inglesa;

f) produzir material didático para escolas públicas;

g) criar um portal virtual de apoio pedagógico a professores e alunos de língua inglesa (para acessar o portal visite www.letras.ufmg.br/arado).


Metodologia

Como já mencionado, o programa tem seu ponto de partida na extensão e nas necessidades dos professores da rede pública de ensino, integrando o ensino, pesquisa e extensão. O projeto “Educação Continuada de Professores de Línguas Estrangeiras” é organizado da seguinte maneira. Os tópicos abordados nos cursos de metodologia são escolhidos levando-se em conta o que foi mais relevante para as turmas anteriores e também após a consulta com os atuais participantes. Os cursos oferecidos aos professores da rede pública constam dos seguintes módulos:

língua estrangeira;

metodologia de ensino através da prática reflexiva;

questões gerais que afetam a vida escolar (violência, abuso de drogas, educação e juventude, problemas com adolescentes, o papel da língua estrangeira, o processo de ensino/aprendizagem do ponto de vista neurológico, etc.).

Para os cursos de língua estrangeira e módulos sobre metodologia através da prática reflexiva, os encontros são com turmas de alunos da mesma língua estrangeira. Os módulos sobre questões gerais da vida escolar (violência, abuso de drogas, problemas com adolescentes e etc.) são com os professores de ambas as línguas.

Os alunos da graduação, alguns bolsistas de extensão e outros voluntários recebendo crédito como atividade acadêmica, são orientados pelos professores da UFMG e alunos da pós-graduação. Esse processo é crucial na formação inicial desses futuros professores. Eles também participam dos outros módulos (metodologia e vida escolar), fazendo a leitura dos textos e colaborando nas discussões. Desta maneira, as suas ações pedagógicas passam a ser mais embasadas teoricamente. Os alunos da pós-graduação, juntamente com os professores da UFMG, preparam os módulos de metodologia através da prática reflexiva e, também, os módulos sobre questões gerais da vida escolar. A pesquisa é feita através de questionários respondidos pelos professores da rede pública e pelos bolsistas sobre os módulos. Os professores da rede pública e os bolsistas escrevem diários sobre as aulas e, quando permitido, algumas aulas serão filmadas. Tanto os diários quanto as aulas são usados como instrumentos para melhoria do próprio curso.

O projeto ARADO “Agrupar Refletir Agir Doar” oferece uma disciplina no Programa de Pós-Graduação em Estudos Lingüísticos (POSLIN) da UFMG e através dela coloca em contato alunos da pós-graduação, alunos da graduação e professores da rede pública. Essa disciplina tem encontro semanais, além e incluir visitas periódicas à escola. Cada trio, composto por um membro de cada grupo, trabalha em uma pesquisa-ação para solucionar problemas específicos da sala de aula do professor da rede pública. Essas soluções visam sempre o desenvolvimento profissional do professor da rede pública e, também, dos outros participantes. Há, por exemplo, a preparação de material didático que passa a ser disponibilizado na escola onde atua o professor.


Resultados e discussão

A avaliação dos professores que participam dos projetos “Educação Continuada de Professores de Línguas Estrangeiras” e ARADO “Agrupar Refletir Agir Doar” tem sido muito positiva, refletindo mudanças discursivas e, também, nas ações pedagógicas em sala de aula.

Podemos acessar os resultados de nossos projetos através da participação efetiva dos professores nos módulos oferecidos, dos trabalhos incluídos no site do ARADO e das produções do grupo (ver listagem abaixo) dentre as quais estão algumas dissertações e trabalhos apresentados em eventos. Primeiramente, destacaremos que muitos professores têm desenvolvido uma capacidade acurada de reflexão e criação evidenciada, por exemplo, pela produção de diários reflexivos sobre suas experiências como aprendizes e como professores e pela apresentação de seminários sobre projetos e atividades planejadas por eles. Os seminários trouxeram questões teóricas discutidas nos módulos e que foram aplicadas à realidade prática de cada contexto escolar. Como várias experiências obtiveram muito sucesso e demonstram a capacidade de desenvolvimento profissional, crítico e situado dos professores da rede pública de ensino, a coordenação do programa está empenhada na publicação dessas experiências em formato de livro. Através de resultados positivos como os dos seminários, avaliamos que o trabalho reflexivo dos professores é crucial para seu o desenvolvimento profissional, instrumentalizando-os para uma atuação autônoma e para ações como multiplicadores em suas escolas. Como os professores que já terminaram os módulos no projeto EDUCONLE (300 horas) mantêm contato conosco através de apresentação de seminários e participação em palestras sobre a vida escolar, sabemos como eles têm se sentido mais preparados para propor projetos, defender um ensino de línguas condizentes com as necessidades dos alunos e incentivar a participação de outros professores em projetos de educação continuada.

Segundo, para ilustrar o processo pelo qual os professores envolvidos em nosso programa têm passado, apresentaremos a seguir dados de dois trabalhos distintos.

Dados coletados através de narrativas dos professores foram analisados e apresentados por Dutra e Mello (2004) em um trabalho cujo foco foi a identificação das metáforas perceptuais sobre ensino/aprendizagem de gramática. Selecionamos alguns desses dados que estão apresentados abaixo a fim de relatar mudanças profissionais que os professores disseram ser reflexo da participação no programa “Interfaces da Formação em Línguas Estrangeiras”. Um dos professores, Pedro, relata mudanças sobre suas crenças e manejo da sala de aula:

“Diante da reflexão e conseqüente experimentação, passei a trabalhar melhor diante destes fatores e também sentir maior segurança. Isto ocorreu porque o embasamento teórico propicia a naturalidade em experimentar, refletir, avaliar, experimentar novamente ...”

“ Um exemplo disso, é o fato de buscar propostas diferentes das tradicionais, como trabalhar textos somente com o objetivo de retirar, destacar ou provar o conhecimento do aluno diante de estruturas gramaticais ...”

Outra professora, Solange, relata seu desenvolvimento lingüístico e metodológico:

“As leituras foram engrandecedoras. A partir delas, mudei algumas atitudes: trabalho com meus alunos em grupos, dou mais “ listening”, uso estratégias de leitura ....”

“Infelizmente, já ouvi muitos colegas dizerem que pobre não aprende inglês. Porque não vê filme em inglês, não tem internet, não para os EUA e outras bobagens. Esses professores só ensinam gramática. Exercícios banais de substituição. Sei porque muito me ofereceram.”

“Hoje eu ensino a gramática aos poucos, pegando detalhes. Uso texto, frases que fazem parte da realidade dos meus alunos, vou agrupando tópicos e dando exercícios aumentando gradativamente o nível de dificuldade.”

Os dados analisados por Dutra e Mello (2004) são de dois grupos. Um deles (turma 2003) já havia participado por um ano nos módulos de língua, metodologia e vida escolar e alguns professores se envolveram em pesquisa. O outro grupo (turma 2004) tinha iniciado a sua participação no projeto quando os dados foram coletados. Pudemos perceber, através da análise de narrativas dos professores sobre seu aprendizado e sobre sua prática pedagógica que:

a) as experiências como alunos influenciaram as práticas em sala de aula (declaradas nas narrativas como experiências negativas);

b) a língua conceptualizada como instrumento para comunicação (pelos 2 grupos) e como regras/idioma/código (rigidez de padrões) pelo grupo 2004;

c) gramática conceptualizada como sistema de regras pelos dois grupos e como instrumento de viabilização discursiva pelo grupo 2003;

d) o ensino de gramática conceptualizada dentro de uma visão situada e contextual, interligando-a com as 4 habilidades, pelo grupo de 2003;

e) o grupo de 2004 vislumbra a inadequação conceptual do ensino de gramática descontextualizado, mas ainda não atingiu um patamar em que alternativas são propostas.

Os acessos às narrativas e as conceptualizações dos professores nos levaram às seguintes ações:

abordagem do ensino de gramática concatenado aos módulos que tratam as habilidades (listening, speaking, reading, writing) – módulos de metodologia e língua (referências explícitas dos momentos para foco na forma);

projeto de pesquisa-ação colaborativa

Araújo (2004) constatou durante oito meses de coleta de dados com professores participantes do programa “Interfaces da Formação em Línguas Estrangeiras” que algumas de suas crenças e ações pedagógicas mudaram. Através de questionários, entrevistas e observação de aulas, a pesquisadora pode acompanhar o processo de crescimento dos professores. Após a sua análise a pesquisadora apresentou-a aos participantes que tiveram a chance de discutir a sua interpretação e puderam mais uma vez utilizar as reflexões como subsídio para seu desenvolvimento profissional:

“Desde o início do projeto tenho percebido um crescimento profissional satisfatório. É mais fácil, hoje, constatar isso no entusiasmo de boa parte dos alunos, que adotaram uma postura mais ativa e atuante enquanto aprendizes de língua estrangeira. Quanto às crenças dos professores, e em especial às minha, objeto principal desta pesquisa, pude perceber o quanto é essencial avaliá-las para o aprimoramento do meu trabalho” (Araújo, 2004:183).

Constatamos que o envolvimento dos professores em professores de extensão que englobam tanto o ensino quanto a pesquisa, pode ter efeitos benéficos na atuação pedagógica desses professores e, conseqüentemente, na qualidade do ensino em escolas regulares.
Conclusões

O programa “Interfaces da formação em língua estrangeiras” está em seu terceiro ano e tem conseguido resultados muito positivos com os professores de línguas estrangeiras da rede pública de ensino. Neste ano, contamos com a participação de professores da UFMG das Faculdades de Letras, Educação, Belas Artes e Instituto de Ciências Biológicas, demonstrando uma preocupação com a formação integral do professor que vai além de suas especificidades em língua estrangeira e integra suas ações como educador. Avaliamos, constantemente, nossas ações e fazemos os ajustes necessários nos módulos ministrados, nas orientações dados aos professores em formação inicial (alunos da graduação) e nas pesquisas desenvolvidas nos contextos escolares. Ressaltamos o caráter de ligação entre a extensão, o ensino e a pesquisa de nosso programa e a necessidade de a Universidade oferecer condições mais articuladas para projetos de educação continuada e parcerias efetivas com secretarias municipais e estadual de ensino.


Referências bibliográficas

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DUTRA, D. P.; MELLO, H. Narrativas de aprendizes: metáforas perceptuais sobre ensino/aprendizagem de gramática. In: Cadernos de Resumos do 140 InPLA – PUC-SP, 2004.

DUTRA, D. P.; MELLO, H. Refletindo sobre o processo de formação de professores de inglês: uma interpretação de abordagens, métodos e técnicas. In: MENDES, E.; OLIVEIRA, P.; BENN-IBLER, V. (Org.) O novo milênio: interfaces lingüísticas e literárias. Belo Horizonte: FALE-UFMG, 2001. p. 47-56.

RICHARDS, J. Beyond training. Cambridge: Cambridge. 1998.

ZEICHENER, K. Educating reflective teachers for learner centered-education: possibilities and contradictions. In: GIMENEZ, T. Ensinando e aprendendo inglês na universidade: formação de professores em tempos de mudanças. Londrina: ABRAPUI, 2003. p. 3-19.

Produtos gerados

ARAÚJO, D.; DUTRA, D. P. Crenças de professores de inglês sobre o papel do bom aprendizes: um olhar sobre o ensino de inglês nas escolas públicas. In: Cadernos de Resumos do 140 InPLA – PUC-SP, 2004.

DUTRA, D. P.; MELLO, H. Narrativas de aprendizes: metáforas perceptuais sobre ensino/aprendizagem de gramática. In: Cadernos de Resumos do 140 InPLA – PUC-SP, 2004.

SOL, V. A prática reflexiva de uma formadora de professores. In: Cadernos de Resumos do 140 InPLA – PUC-SP, 2004.

MELLO, H., DUTRA, D. P. Perceptual metaphors in L2 learners´ narratives In: VII ABECAN Congresso Internacional, 2003, Belo Horizonte. Resumos do VII ABECAN Congresso Internacional. Belo Horizonte: FALE/UFMG, 2003. p.100 –101.

DUTRA, D. P. et al. Aspectos da formação continuada e inicial em línguas estrangeiras. Anais da Semana de Extensão da UFMG. 2003.

DUTRA, D. P.; MELLO, H. Narrativas de aprendizes: metáforas perceptuais sobre ensino/aprendizagem de gramática. In: Cadernos de Resumos do 140 InPLA – PUC-SP, 2004.

DUTRA, D. P. (Orientadora); MELLO, H. (Orientadora); DEUS, L. C. A. (bolsista FAPEMIG); SILVA, L. A. (bolsista FAPEMIG). Intervenção na Sala de Aula de Professoras de Língua Inglesa: Um Trabalho Colaborativo. In: XII Semana de Iniciação Científica. UFMG. 2003.

DUTRA, D. P.; MELLO, H.; ARAÚJO, D.; OLIVEIRA, S.; OLIVEIRA, J. H.; SOUZA, P. A influência de um curso de educação continuada na formação de um professor de inglês. In: VIII Semana de Letras. UFOP. 2003 (Anais. No prelo)

DUTRA, D. P.; MELLO, H. A prática reflexiva na formação pré-serviço e em serviço de professores de língua inglesa. (Capítulo de livro - No prelo)

DUTRA, D. P.; MELLO, H. Ser professor: representações metafóricas. In: 130 INPLA Caderno de Resumos p. 93. PUC-SP. 2003

MELLO, D. P.; DUTRA, D. P. Dilemas conceptuais: narrativas e metáforas de professores e formadores de professores de língua inglesa. In: XVII ENPULI. p. 26 .UFSC. 2003

SILVA, J. M. Análise das estratégias de motivação usadas pro professores em sala de aula de língua espanhola através da prática reflexiva. Faculdade de Letras – POSLIN/UFMG. 2004. Belo Horizonte. (Orientadora: Heliana R. Mello)

ARAÚJO, D. R. Crenças de professores de inglês de escolas públicas sobre o papel do bom aprendiz: um estudo de caso. 2004. 183f. Dissertação (Mestrado em Lingüística Aplicada) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2004.

Dissertações e teses em andamento

SOL, V. A natureza da prática reflexiva de uma formadora de professores e duas professoras em formação. (Orientadora: Deise P. Dutra)

ARAÚJO, A. Formando professores de L2 reflexivos? Uma experiência com o trabalho colaborativo na graduação. (Orientadora: Herzila Bastos)

JORGE, M. O diálogo colaborativo na formação continuada de professores de inglês. (Orientadora: Deise P. Dutra)

OLIVEIRA, A. L. A. A relação teoria e prática num curso de formação continuada de professores: pesquisa colaborativa e análise de discurso à luz da etnografia da fala. (Orientadora: Deise P. Dutra)

SOUZA, G. de O ensino de inglês para crianças de 7 a 11 nas escolas de Belo Horizonte. (Orientadora: Deise P. Dutra)

NEDER NETO, T. O ensino de pronúncia de inglês em Belo Horizonte. (Orientadora: Heliana R. Mello)



AZEREDO, F. C. Métodos e técnicas utilizados por professores no ensino de pronúncia em língua inglesa. (Orientadora: Heliana R. Mello)


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