InterpretaçAO



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INTERPRETAÇAO

“Não há sentido sem interpretação. Ela é sempre passível de equívoco. Os sentidos não se fecham, não são evidentes, embora pareçam ser. Além disso , eles jogam com a ausência, com os sentidos do não sentido. A vida é função da significação e de gestos de interpretação cotidianos, ainda que não sentidos como tal.”




  • Há uma questão de incompletude como constitutiva da linguagem.

  • Relação importante entre o silêncio, a incompletude e a interpretação.

  • Consideremos o fato de que o dizer é aberto. É só por ilusão que se pensa poder dar a palavra final. O sentido está sempre em curso. Não há sentido sem silêncio.

  • A linguagem e mundo tem suas mediações. Daí a necessidade da noção de discurso para pensar essas relações mediadas.

  • Não há linguagem em si. Não há um sistema de signos só, mas muitos. Porque há muitos modos de significar e a matéria significante tem plasticidade, é plural.

  • IMPORTANTE. Não é porque é aberto que o processo de significação não é regido, não é administrado. Ex. Nota de roda pé. São justamente os pontos em que há a possibilidade de fuga dos sentidos: onde a alteridade ameaça a estabilidade dos sentidos, onde a história trabalha seus equívocos, onde o discurso deriva para outros discursos possíveis. Daí a necessidade das notas como um aparato de controle, de administração, do governo da historicidade: lá onde o silêncio afronta a gregariedade da linguagem e a domesticação dos sentidos, irrompe a nota de roda pé, procurando inutilmente completar o que não se completa e resta como horizonte do possível.

  • O texto é um bólido de sentidos. Ele parte em inúmeras direções, em múltiplos planos significantes. Diferentes versões de um texto, diferentes formulações constituem novos produtos significativos. Nossa questão é então: o que muda nas diferentes versões ? É só uma explicitação do que lá já estava ? São os seus possíveis ? O que é uma outra formulação ? O que é colocar-se um final outro ? Ou outra direção ?

  • É só no imaginário que todas estas versões, formulações, partiriam de um texto original. Nesse sentido, o texto original é uma ficção, ou melhor, é uma função da historicidade. São sempre vários, desde sua origem, os textos possíveis num mesmo texto.

  • NO ENTANTO. Nas diferentes direções significativas que um texto pode tomar há um regime de necessidade de que ele obedece. Não é verdade que o texto possa se desenvolver em qualquer direção: há uma necessidade que rege um texto e que vem da relação com a exterioridade.

  • A informatização como a mídia produzem realmente a multiplicação ( diversificação ) dos meios mas, ao mesmo tempo, homogeneízam os efeitos. Não esqueçamos que a mídia é um lugar de interpretação e que funciona pelo ibope, que se rege pelo predomínio da audiência. Lembrar Roger Chartier ( Do leitor ao navegador ).

  • Ao mesmo tempo que a mídia produz esse esvaziamento , pela estabilização dos percursos, por essa imobilização pelo ibope, nela também o político não tem lugar próprio. Há atualmente, um silenciamento do discurso político, que desliza para o discurso empresarial, neoliberal, em que tudo é igual a tudo ( o político, o empresarial, o jurídico , etc.). Nesse sentido, se se pode dizer que a mídia é lugar de interpretação , ela rege a interpretação para imobiliza-la.

  • O gesto de interpretação se dá porque o espaço simbólico é marcado pela incompletude, pela relação com o silêncio. A interpretação é o vestígio do possível. É o lugar próprio da ideologia e é materializada pela história.

  • A ideologia é uma característica importante da interpretação. Ela sempre se dá de algum lugar da história e da sociedade e tem uma direção , que é o que chamamos de política.

  • A linguagem é necessariamente opaca e imcompleta, porque não há sentido em si. O papel de interpretar é dizer o dito. É um gesto clínico que desloca sentidos, que vai através da materialidade discursiva, descontruindo os efeitos do já dito, em direção a uma outra significação, ainda inédita ao olhar do clínico.

  • Não há sentido sem interpretação. Estabilizada ou não, mas sempre interpretação.

  • Alternativa. Metáfora: uma palavra por outra.

  • O espaço da interpretação é o espaço do possível, da falha, do efeito metafórico, do equívoco, em suma: do trabalho da história e do significante, em outras palavras, do trabalho do sujeito.

  • A análise do discurso se faz na contradição da relação entre as outras.

  • FUNDAMENTAL: Se a lingüística deixa para fora a exterioridade ( que é objeto das ciência sociais ) e as ciências sociais deixam para fora a linguagem ( que é objeto da lingüística ), a AD coloca em questionamento justamente essa relação excludente, transformando, por isso mesmo, a própria noção de linguagem ( em sua autonomia absoluta ) e a exterioridade (histórica-empírica ).

  • A análise de discurso questiona é o que é deixado para fora, no campo da lingüística: o sujeito e a situação.

  • O mundo existe, mas no discurso ele é apreendido, trabalhado pela linguagem. Destaca-se aqui a construção discursiva do referente: trata-se então do mundo para ( e não do mundo em si ).

  • Se linguagem e ideologia fossem estruturas fechadas, acabadas, não haveria sujeito, não haveria sentido.

  • Para compreendermos o funcionamento do discurso será necessário compreendermos a sua historicidade, pois o repetível a nível do discurso é histórico e não formal.

  • Quanto ao social, não são os traços sociológicos empíricos – classe social, idade, sexo, profissão – mas as formações imaginárias, que se constituem a partir das relações sociais, que funcionam no discurso: a imagem que se faz de um operário, de um presidente, de um pai. Há em toda língua mecanismos de projeção para que se constitua essa relação entre a situação – sociologicamente descritível – e a posição dos sujeitos, discursivamente significativa.

  • Todo discurso remete a um outro discurso, presente nele por sua ausência necessária, de tal modo que os sentidos são sempre referidos a outros sentidos e é daí que eles tiram sua identidade.

  • Memória discursiva. Há uma parte do dizer, inacessível ao sujeito, e que fala em sua fala. Ex. O sujeito toma como suas as palavras da voz anônima produzida pelo interdiscurso.

  • Nesse sentido, a ideologia é a interpretação de sentido em certa direção, direção determinada pela relação da linguagem com a história em seus mecanismos imaginários.

  • Se se tira a história, a palavra vira imagem pura. Evidentemente que quando afirmamos que há uma determinação histórica dos sentidos, não estamos pensando a história como evolução e cronologia: o que interessa não são as datas, mas os modos como os sentidos são produzidos e circulam.

  • Althusser , na retomada de Marx, mostra que leitura é na realidade a construção de um dispositivo teórico que tem como efeito aprofundar, radicalizar.

  • Em Barthes, a leitura aparece fundamentalmente como uma re(escritura). E em Foucault, a leitura é a arqueologia ( passagem do documento a monumento ) Veremos mais detalhes a posteriori.

  • A análise de discurso confronta-se com a noção tradicional de hermenêutica da interpretação e produz um deslocamento no que é ler o arquivo hoje.

  • A compreensão, na análise do discurso , é política.

  • Em análise do discurso não se trabalha com as evidências, mas com o processo de produção das evidências.

  • Para ser texto é preciso ter textualidade. As palavras não significam em si. É o texto que significa.

  • A compreensão é a apreensão das várias possibilidades de um texto. Para compreender, o leitor deve se relacionar com os diferentes processos de significação que acontecem no texto.

  • O objetivo da AD é compreender como um texto funciona, como ele produz sentidos, sendo ele concebido enquanto objeto lingüístico-histórico.

  • Um sujeito não produz só um discurso. Um discurso não é igual a um texto. Feita a análise , não é sobre o texto que falará o analista, mas sobre o discurso. Uma vez atingido o processo discursivo que é o que faz o texto significar, o texto ou os textos particulares analisados desaparecem como referências específicas para dar lugar à compreensão de todo um processo discursivo do qual eles – e outros que nem mesmo conhecemos – são parte.

  • IMPORTANTE: distinção entre intérpretes e escreventes.

  • A interpretação não é um mero gesto de decodificação.

  • AUTOR: a função-autor se realiza toda vez que o produtor da linguagem se representa na origem, produzindo um texto com unidade, coerência, progressão, não-contradição e fim. O autor responde pelo que diz ou escreve pois é suposto estar em sua origem.

  • O sujeito só se faz autor se o que ele produz for interpretável.

  • O sentido que não se historiciza é inintelegível, ininterpretável, incompreensível.

  • PLÁGIO. Estancamento do movimento da interpretação, lugar em que há silenciamento da autoria. O plagiado silencia o trajeto do autor, calando a voz do outro que ele retoma. Não é um silenciamento necessário, mas imposto, uma forma de censura. Nega o percurso já feito pelo autor, estanca o fluir histórico do sentido.

  • Porque entre o dito e o não dito é irremediável que haja um espaço de interpretação que não se fecha. Lugar de equívocos, de deslocamentos, de debates, de possíveis. Ao censurar o plagiador se fecha narcisicamente na vontade que o dizer comece e acabe nele mesmo e não se deixa atravessar nem atravessa outros discursos.

  • Todo texto tem a ver com outros textos.

PERSPECTIVAS ACERCA DO MÉTODO E TÉCNICA DE ANÁLISE DOS DISCURSOS.


Pode-se dizer com certa propriedade que a essência formal do discurso se manifesta em sua ambigüidade e subjetividade.

Desta forma é preciso apreender na análise do documento o conteúdo referencial que subjaz na fala ou no discurso de seu autor ou autores, pois somente assim é possível o documento ganhar riqueza de análise.

É preciso dimensionar no discurso quais idéias e grupos sociais se confrontam e que interesses e ideologia defendem ou combatem.

Para se definir os agentes de um discurso é necessário saber que é o autor desse discurso, às vezes intencionalmente omitido por razões estratégicas de certos interesses individuais ou de classe, que estão por trás do enunciado ou da fala.

O importante é ver no discurso a projeção de interesses de classe ou de grupos sociais e qual a visão de mundo que permeia esse discurso.

Para a análise de um documento , o importante é objetivar não o que está explícito no discurso, mas sim, o que aparentemente está subtendido.

É preciso apreender não só os argumentos e as razões evidenciadas pelo autor, mas principalmente suas intenções e ambigüidades que recobrem todo o conteúdo do discurso nesse documento.

É importante sempre discutir e analisar os conceitos utilizados no discurso, para se estabelecer o sentido que eles têm no contexto histórico de sua elaboração.

Na primeira leitura do documento é necessário considerar dois pontos básicos de análise?


  1. Identificação do autor do discurso quanto a sua origem social, intenção e situação de poder de que dispõe.

  2. O autor não pode ser visto como indivíduo isolado, mas como agente social condicionado pelas contradições sociais que o identificam com uma determinada classe em oposição a outras classes ou grupos sociais. Logo, o discurso de todo e qualquer autor se situa num plano de limitações e condicionamentos sociais, políticos e ideológicos.

O poder da fala se funda na autoridade de quem fala e nos seus argumentos. Entretanto, o problema não é apenas convencer os receptores do discurso, mas principalmente fazer valer as ‘ordens’ que o autor expressa na sua fala.

O poder da fala não se esgota nos argumentos utilizados, mas nas ameaças explícitas e implícitas que o discurso remete ao receptores.

Lembrando Foucault, é necessário conhecer o estatuto do sujeito: saber , numa formação discursiva, quem fala, com que títulos, sob que condições, com que autoridade, segundo que sistema de legitimação institucional.

Todo discurso possui na sua tessitura uma empiricidade dominante que direciona os seus receptores e os convence das ‘verdades’ transmitidas na mensagem. É este o jogo do discurso.

O método correto para a busca dos significados do discurso, num documento submetido à análise , deve se nortear pelo princípio da dialética, que por sua vez, se fundamenta no conceito da contradição.



O discurso do poder. Trata-se de uma fala que define um posicionamento de uma classe que detém poder, e portanto, os instrumentos de opressão.

Da mesma forma a linguagem do dominado advém de pensar estruturado a partir da lógica do dominador, e portanto, é difícil romper com a capa que modela esse discurso.


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