Intervenção do Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César



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CERIMÓNIA DE INAUGURAÇÃO DAS OBRAS DE REABILITAÇÃO E ADAPTAÇÃO DO RECOLHIMENTO DE SANTA BÁRBARA A NÚCLEO DO MUSEU CARLOS MACHADO
Ponta Delgada, 10 de Maio de 2010

Intervenção do Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César
A inauguração, a que estamos a proceder, das obras de reabilitação do Recolhimento de Santa Bárbara e de adaptação a Núcleo do Museu Carlos Machado, envolve um justo sentimento de satisfação para todos os cidadãos de Ponta Delgada.
Com mais esta obra, realizada pelo nosso Governo, valorizamos o património construído nos Açores e valorizamos a cidade, à qual é restituído um imóvel de relevante importância arquitetónica, cuja história não se encerrará nas suas memórias porquanto se redimensionará e prolongará no tempo através da dinâmica cultural que aqui pretendemos empreender.
São ainda muitos os que, vivendo em S. Miguel, ou visitando esta ilha por ocasião das festas do Santo Cristo dos Milagres, que atraem tradicionalmente açorianos provenientes das mais variadas comunidades, sentem com emoção a reabertura deste espaço, volvidos tantos anos desde o seu encerramento.
A construção deste Recolhimento remonta, como se sabe, à segunda década do século XVII e pode considerar-se este imóvel como o único sobrevivente de um conjunto de três que outrora existiram na cidade de Ponta Delgada, designadamente o recolhimento da Trindade, que foi demolido no século XIX, e o de Santana, do qual hoje subsiste apenas a ermida e a ruína de um troço da sua cerca.
A história desta instituição tem um percurso fortemente religioso: a ermida foi construída sob a invocação de Santa Bárbara e, a partir de 1662, ele foi destinado a espaço de recolhimento. As filhas do proprietário, Roque Teixeira Fonseca, viveram em clausura nas casas e depressa outras donzelas se juntaram. Acentuou-se, desde logo, o vínculo do recolhimento à caridade e à benemerência, que atravessou o tempo até 1985, altura em que, devido ao estado de degradação em que o edifício se encontrava, foram transferidas para o Lar da Levada as últimas senhoras que aqui viviam.
Apesar do reconhecimento, pelo Governo Regional, em 1980, do Recolhimento como «Imóvel de Interesse Público», não foi realizada, na altura e posteriormente, qualquer intervenção com vista à sua salvaguarda construtiva. Com o intuito de, definitivamente, salvar o imóvel da sua progressiva degradação, no dia 27 de Novembro de 2006 o Governo dos Açores consignou a obra de Conservação e Adaptação do Recolhimento de Santa Bárbara como núcleo do Museu Carlos Machado, que se iniciou já em 2007, e cuja complexidade a fez prolongar até hoje, envolvendo um investimento de cerca de 4,8 Milhões de euros.

A partir de hoje, passa, também, o Museu Carlos Machado a dispor de melhores e mais adequadas instalações para o desenvolvimento das suas actividades. Neste edifício, preservado e reinventado, instalará a sua direcção, os serviços técnicos e administrativos, o serviço educativo, o centro de documentação e uma zona de exposições temporárias e de reservas visitáveis.


A assinalar a abertura deste espaço foi instalada a exposição “Diários de Paisagem”, que é constituída por cerca de 50 pinturas seleccionadas da colecção do Museu Carlos Machado.
Como todos sabem, este é apenas mais um núcleo do Museu Carlos Machado. Já existe em funcionamento o Núcleo de Arte Sacra, na antiga igreja do Colégio dos Jesuítas e, num futuro próximo, daremos início à remodelação do edifício de Santo André, núcleo central deste Museu, conferindo-lhe as funcionalidades de que necessita e a dignidade que se deseja para a sua tão importante função na referenciação cultural dos Açores. O Núcleo de Santo André, cuja fase de projecto de remodelação decorre, passará a albergar a exposição de carácter permanente ou, melhor dizendo, de longa duração, assente nas colecções do Museu, bem como uma Loja de Cultura e um espaço de lazer. O conceito da exposição de longa duração irá centrar-se na evocação, significado e representações que emergem do acervo patrimonial do Museu. As várias colecções serão chamadas a criar núcleos evocativos, temáticos, de carácter diverso, assumindo significados e funções de representação que se poderão desenvolver sob várias formas: ao nível estético, ao nível sugestivo, ao nível interpretativo e científico.
Investindo na descentralização dos investimentos culturais, como factor de disseminação cultural e de preservação de todo o nosso património, o Governo envolveu-se também na requalificação e refuncionalização da antiga fábrica do álcool da Ribeira Grande, onde será criado e instalado um promissor projecto de um Centro de Artes, denominado “Arquipélago”, que terá vertentes laboratoriais e de ateliê ligadas à criação artística, para além de espaços para a realização de exposições e outras actividades culturais, num investimento que será superior a dez milhões de euros e cuja obra de construção se estima que possa ser iniciada já este ano.
Esse investimento efectuado e a efectuar é, porém, apenas, uma parte, pequena, do esforço que o Governo dos Açores vem fazendo no sentido de dotar todas as ilhas de equipamentos culturais adequados às suas necessidades. Mas há outras iniciativas, sem essa expressão material, que têm grande importância mobilizadora.
A cidade de Ponta Delgada, como outros locais na Região, terá, a breve trecho, um conjunto de roteiros de natureza cultural em torno de vultos da nossa história e cultura relacionados com a arquitectura, a literatura e as artes plásticas, entre outros. Estamos, por exemplo, neste momento, a preparar a criação do Roteiro Anteriano, que tomará como referência os lugares que compuseram o tempo e a vida do escritor e poeta, e como símbolo da Democracia e da Liberdade. A iniciativa está, como disse, associada à criação de Roteiros Culturais, que visam a identificação de polos de atracção nos nossos lugares – tão ricos do ponto de vista natural, patrimonial, artístico e cultural – associados aos interesses dos que nos visitem e ao próprio turismo interno.
No mesmo sentido, o Governo, através da Direcção Regional da Cultura, assinou recentemente mais um protocolo de cooperação, desta vez com a Fundação Medeiros e Almeida, que proporcionará o acolhimento, recíproco, de eventos culturais, incluindo a apresentação de acervos das colecções da referida Fundação nos museus dos Açores, assim como actividades no âmbito das artes, possibilitando-se, desse modo, a ultrapassagem de dificuldades tradicionais de divulgação e presença das nossas expressões culturais no exterior.
Com esse mesmo objectivo estamos também em contacto com outras organizações nacionais e internacionais, tendo em vista a realização de protocolos e parcerias para potenciar nos Açores exposições de arte contemporânea. Nomeadamente, encontram-se em curso – e muito bem encaminhadas – negociações com a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, tendo em vista a celebração de um protocolo com o Governo dos Açores que virá a permitir o depósito, na Região, de uma parte da sua vasta e valiosa colecção de arte contemporânea, actualmente à guarda da Fundação Serralves.
Tudo isto são acções que se pretende que venham a contribuir não só para a formação dos nossos públicos, como também para um mais amplo acesso às ofertas culturais de actualidade.
Ultimamente, a Comissão Europeia lançou à discussão pública o novo “Livro Verde das Indústrias Culturais e Criativas”. É uma óptima oportunidade para aprofundarmos o debate na Região, em conjugação com os nossos agentes culturais, sobre o novo ciclo que também a Cultura impõe como desafio numa época de tão importantes transformações e de uma nova atenção e consciência europeias. Estamos cientes de que desenvolvemos nos Açores um importante esforço de afectação de recursos financeiros ao sector da cultura, mas um debate associado a essa vantagem pode proporcionar-nos a melhoria da sua aplicação.
Hoje, justamente, assinalamos uma importante melhoria com a abertura do Recolhimento de Santa Bárbara. Recuperamos a memória e colocamo-la, com modernidade, ao serviço do presente e do futuro. Estamos, todos, de parabéns, e, quanto ao Governo, o mínimo que se pode dizer é: “Compromisso assumido, compromisso cumprido!”





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