IntervençÃo na reunião de meio de mandato da f. E. R. P. A



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INTERVENÇÃO NA REUNIÃO DE MEIO DE MANDATO DA F.E.R.P.A. *

Maria Isabel Lemos

Atenas, 27 de Junho de 2013

Quanto à proposta de declaração, nós estamos de uma maneira geral de acordo com a declaração política e saudamos o discurso um pouco mais duro no que diz respeito à caracterização das questões sociais na Europa e com as reivindicações.Na verdade, segundo números oficiais, em Portugal, em outubro de 2012 existiam 1.981. 968 de reformados com pensões dos quais 935. 124 eram homens representando 47% e 1.046.844 eram mulheres representando 53%.

Ser reformado, hoje, no nosso país representa para uma larga maioria, mesmo tendo trabalhado e contribuído durante toda uma vida, que as dificuldades e a regressão social são efetivamente uma realidade sempre presente tendo em conta que os reformados foram um dos alvos das políticas de austeridade do governo de direita (PSD/CDS-PP).

Como resultado de uma vida de salários baixos e de empregos muitas vezes precários, atualmente a situação dos idosos é cada vez mais frágil. Esta fragilidade é mais acentuada entre as mulheres que, em média tiveram sempre salários mais baixos. Em maio de 2012 a pensão média das mulheres era de 309.47 € enquanto a dos homens era de 525,33€ o que corresponde a que a pensão das mulheres era de 58,9 de da dos homens.

Em consequência das pensões baixas e do custo de vida as condições de vida das pessoas idosas são cada vez mais degradadas, conduzindo assim a situações de extrema pobreza:




  • Para lá da existência de muito poucas estruturas de ajuda às pessoas idosas há ainda a condição mais grave das famílias que não têm condições económicas para suportar os custos daquelas nem horários compatíveis para dar o apoio necessário.

Em 2012, quando se comemorou o Ano Europeu do envelhecimento Activo, a CGTP defendeu a manutenção e melhoramento das funções sociais do estado ( saúde, segurança social,…) e não a sua privatização ou destruição, permitindo assim uma vida com condições de dignidade para todos.

A conferência da Inter-Reformados, a minha organização, que se realizou no passado mês de Janeiro e que teve como lema “ Uma vida de trabalho exige reformas dignas e direitos sociais” refletiu exatamente estas preocupações, reivindicações e propostas alternativas.

O secretário-geral da CGTP, recentemente, aquando da Conferência da OIT afirmou: “Dizer que a Europa está mergulhada numa crise económica, que reina a política de austeridade são banalidade que não descrevem a situação que nós vivemos hoje. Princípios e progressos da humanidade que pensávamos adquiridos e que resultam de um consenso social formado após a segunda guerra mundial, fundados na ideia de que só a justiça social pode evitar as guerras, são hoje postos em causa ou mesmo liquidados”.

As convulsões sociais aí estão: nós sentimo-las e vemo-las.

A população não admite que os interesses do grande capital prejudiquem os direitos fundamentais. Em Portugal a proteção social aos desempregados/das foi reduzido, as pensões foram reduzidas

A contestação está nas ruas. Em 2012 houve mais de 3000 manifestações contra o atual governo. Hoje em dia, manifestantes proferem injúrias contra todos os governantes, incluindo o presidente da república, quando estes aparecem em eventos. Os professores portugueses levaram a cabo uma greve às avaliações finais e nenhum aluno obteve ainda a sua classificação de final do ano letivo; essa greve é contra o desemprego e o aumento do horário de trabalho.

As dificuldades impostas ao povo português pela troica e pelo governo de direita PSD/CDS-PP são tão graves que hoje, em Portugal, decorre uma grande greve convocada pelas duas grandes centrais sindicais e que conta  também com a adesão de sindicatos independentes; saúdo daqui  esta luta dos trabalhadores portugueses e proponho que  os participantes nesta conferência da FERPA, de meio de mandato me acompanhem nesta saudação

Nós, trabalhadores reformados não podemos alhear-nos das lutas dos trabalhadores no ativo tal como eles não poderão ficar indiferentes às justas reivindicações dos reformados.



Obrigada!



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