Introdução 2 Fundamentação histórica 4



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Sumário


Introdução 2

1. Fundamentação histórica 4

2. As forças da Psicologia e seus objetivos educacionais 8

3. Paradigmas psicológicos na educação escolar 15

4. Teorias da Psicologia aplicadas à educação 16

5. Abordagens e contribuições de Vytgotsky para a educação 22

6. Abordagens e contribuições de Jean Piaget para a educação 26

7. Abordagem cognitiva da Psicologia da Educação 28

8. Psicologia e as habilidades sociais 30

Bibliografia 32




PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA NA PRATICA EDUCACIONAL
Balbino Queiroz
A Psicologia só pode ser, ou deve ser, como ciência, o conjunto de conhecimentos que nos permite conhecer e atuar sobre a vida humana e sobre o agente da mesma: O ser humano”. (Bleger, 1984:213)


Introdução

A importância da Psicologia no processo educacional é tão evidente quanto polêmica, contraditória e atual. Não é sem razão que, em dado momento histórico, apenas esta ou aquela abordagem, de acordo com o prestígio alcançado, constitui preferência – às vezes verdadeiro modismo – entre os educadores, instituições, pedagogos e órgãos oficiais que patrocinam o modelo de educação a ser adotado conforme seus critérios e necessidades.


O fato é que a formulação de cada abordagem quer pela concepção de homem que contém, quer pelos pressupostos teóricos adotados ou pelos seus desdobramentos práticos, necessariamente implica uma estrutura de política educacional, um conjunto de objetivos específicos na formação acadêmica e um projeto sociocultural contextualizado. As abordagens psicológicas, nessa perspectiva, são muitas, mas nem todas com repercussão significativa no contexto prático-educacional.
Dentre os objetivos e finalidades ou funções da psicologia na educação podemos destacar a de facilitar as relações interpessoais, observar as necessidades dos discentes, estruturar e definir o trabalho dos professores de acordo com os princípios pedagógicos definidos na instituição.Vale ressaltar, que uma das perguntas mais comuns entre os educadores com relação à psicologia no espaço escolar é como definir as atividades a serem desenvolvidas dentro de um contexto tão amplo e singularmente tão complexo como a escola e seus sistemas?
Sabe-se que, teoricamente, a atuação da Psicologia que está voltada para a área da Educação se destina à realização de pesquisas diagnósticas e intervenções psicopedagógicas em grupos ou individuais, levando em consideração alguns programas de ensino-aprendisagem e diferenças individuais.
Uma outra idéia da psicologia na educação e que a mesma serve de base para a elaboração de planejamentos e currículos escolares e de definição de técnicas de educação eficazes para melhor receptividade e aproveitamento do aluno no seu processo de aprendizagem e auto-realização. Neste sentido, surge o papel também do Psicólogo, enquanto “especialista-técnico” para fazer valer as diversas tendências da psicologia aplicada á educação.
Atualmente, percebe-se uma isenção cada vez maior do psicólogo no espaço e práticas educacionais, a fim de dirimir entraves, orientar pais e mestres quando houver necessidade de redirecionamento na construção do indivíduo, na orientação, capacitação e treinamento de professores quanto ao desenvolvimento de metodologias que contemplem os aspectos de ensino-aprendizagem, das habilidades sociais a serem desenvolvidas, observadas e avaliadas, no desenvolvimento de orientação vocacional e profissional, aplicando processos de sondagem de aptidões, na coordenação de grupos operativos com famílias e equipes profissionais da escola, na execução de oficinas pedagógicas, projetos de ordem multidisciplinar, a concentração acentuada na psicologia da criança e da aprendizagem, seguida à distância de estudos e pesquisas em torno de jovens e adolescentes no contexto escolar, visando também: a primazia de estudos, pesquisas e orientações legais acerca do desenvolvimento cognitivo, estágios ou fases do desenvolvimento psicológico e/ou afetivo,
Às vezes identificadas em termos de produção científica em educação, outras vezes explicitamente postuladas por seus proponentes, outras, ainda, implicitamente assumidas; as tendências psicológicas marcam os vínculos da psicologia com a educação de modo a estabelecer uma linha tênue e até certo ponto perigosa entre as ciências aqui definidas. A concentrada preocupação de tais tendências com o desenvolvimento da inteligência e da cognição não significa, é certo, que outras dimensões da vida do indivíduo em sociedade sejam simplesmente ignoradas. É pouco provável que atualmente alguém deixe de incluir como finalidade da educação, em discursos ou em escritos, o desenvolvimento do pensamento crítico e a formação para o exercício da cidadania, questões estas defendidas não apenas pela psicologia da educação e seus inúmeros segmentos, mas por qualquer ciência onde o homem seja o principal foco de estudo e atenção.
Assim, este trabalho tem duas finalidades: apresentar dados e informações (relevantes, mas não aprofundados) que permitam extrair as conseqüências, nem sempre positivas, da “intromissão” da Psicologia no campo educativo; e indicar, sob a ótica da psicologia social, humanista e demais tendências uma perspectiva crítica da relação entre a psicologia e a educação, bem como alguns dos principais ícones da psicologia educacional e suas contribuições teóricas na educação.


1. Fundamentação histórica

É de suma importância abordar alguns aspectos histórico-sociais concernentes ao desenvolvimento da psicologia educacional e sua influência nos aspectos pedagógicos ao longo dos anos, bem como seus principais ícones e pressupostos. A realidade da pesquisa em Psicologia gerou no Brasil, mais precisamente em São Paulo, uma Psicologia da Educação com finalidade apenas de pesquisa, e data de 1930 a 1934. A preocupação era com uma forma de educação cuja estrutura fundamentava-se na Escola Normal que formava apenas professores primários. Nesse período já havia sido fundado o Instituto de Educação, na mesma Escola Normal. Em 1934-35, com a fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, verificou-se que ainda não havia lugar no Brasil para o mero pesquisador. A necessidade maior era de professores bem formados para o ensino secundário, o ginásio de cinco anos e a escola normal de dois e depois de três anos. O ensino secundário e normal contemplava os formandos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.


Passaram, então, os egressos da Faculdade de Filosofia a fazer sua prática de ensino no Instituto de Educação, onde recebiam o licenciamento para o exercício do magistério no ginásio e na escola normal. Segue-se daí, em 1935, a passagem do Instituto de Educação para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, com a formação do curso de Pedagogia e a seção de Licenciatura, independente do curso de Pedagogia, mas para o qual afluíam todos os interessados em ensino.
Seria interessante fazer-se um estudo do currículo destas duas seções da Faculdade de Filosofia para verificar-se que a psicologia educacional no Brasil permeava todos os anos de todos os cursos, tanto de pedagogia como de didática, em todas suas séries. Dividia-se esta Psicologia da Educação arbitrariamente em: Psicologia da Aprendizagem e Psicologia do adolescente. As pesquisas em Psicologia da Educação tinham, necessariamente um fundamento empírico, repetindo os modelos desenvolvidos nos Estados Unidos na segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX. Não era somente Stanley Hall, mas, também, Watson que eram os pesquisadores mais eminentes da época. Deixando um grande legado para os fundamentos da psicologia educacional. Segundo Jesús Palácios a grande contribuição do século XX para da psicologia para a educação foi a corroboração definitiva da infância como período claramente diferenciado e, sobretudo, o conceito atual de adolescência (1985 p:11).
Seguindo-se este período, já no final da segunda metade do século XX, Arthur S. Gates publicou um livro famoso denominado Psicologia para estudantes de Educação, que nada mais era do que um livro de fisiologia aplicada à aprendizagem. O segundo volume foi publicado logo após e referia-se às leis da aprendizagem, sem qualquer teoria, qualquer pesquisa ou comprovação, mas já eram chamadas leis de aprendizagem.
Os modelos de pesquisas publicados nos EUA tinham como objeto verificar o que acontecia com os alunos. Nos primórdios da Psicologia da Educação, nas escolas públicas norte-americanas, a grande abordagem da psicologia educacional era como os professores interpretavam os resultados e sentiam a produção individual.
Sendo a sociedade norte-americana uma democracia liberal que investe, mas que, também, quer garantir retorno, a maior preocupação era a questão da aprendizagem - isto é, o produto apresentado pelas escolas, quão bom eram os resultados do investimento. Esta postura, válida para uma sociedade que investia economicamente na educação e buscava os lucros deste investimento através dos resultados escolares, medidos em termos de aprendizagem, caracteriza os princípios funcionalistas e pragmatistas da filosofia educacional norte-americana que quer queira quer não foi adotado aqui no Brasil de modo menos drástico. Para conseguir este objetivo, os pesquisadores - psicólogos educacionais e educadores em geral - organizavam questionários infinitos para que os professores identificassem as dificuldades sentidas pelos alunos no processo de ensino-aprendizagem.
Esta era uma linha de trabalho proposta por pesquisadores empíricos, diferente, muito diferente da já proposta feita por John Dewey em 1929. É aqui que a grande confusão se estabeleceu no Brasil, quando pesquisadores empíricos da Psicologia encontram-se com a proposta de Dewey. De um lado são empíricos e quantitativos, mas de outro lado são deweynianos, portanto não-positivistas, mais qualitativos.

O aspecto principal das pesquisas em Psicologia da Educação foi sempre a aprendizagem. A mensuração do resultado da aprendizagem através de testes e, posteriormente, de um conceito que nunca ficou bem esclarecido e que se denominou avaliação, treinamento de professores, currículo no seu aspecto formal e avaliação de curricular.

No Brasil a Psicologia Educacional, que deu os seus primeiros passos efetivamente de 1934 nas Escolas Normais e nas Faculdades de Filosofia, nos cursos de Pedagogia, observa-se que se desenvolveram teorias de aprendizagem, aprendizagem verbal, aprendizagem motora, aprendizagem de conceitos, aprendizagem emocional e algumas variedades e segmentações destas teorias. A concepção de Psicologia Educacional trazida para o Brasil tinha um aspecto essencialmente comportamentalista, algumas vezes calcada no sentido estímulo/resposta segundo modelo de Watson e Gates, com o que se chama de behaviorismo, “palavra procedente do verbo inglês to behave, que significa comportar-se. O termo, portanto, designa o estudo científico do comportamento. O behaviorismo apresentou um veemente protesto contra o método introspectivo utilizado pelo psicólogo Wilhen wundt(1832-1920), no seu laboratório de psicologia experimental em Leipzig, na Alemanha” (Fromm, Erich-1974p. 200).

Ao mesmo tempo, Anísio Teixeira, que também havia estado na América do Norte, na mesma época, tenta introduzir John Dewey no Brasil, nos seus discursos socialistas e nas suas concepções de educação, procurando um sistema. Não conseguiu, pois, mesmo sendo socialista, tinha ele visões ecléticas da psicologia e da educação, que dificultavam a formulação de um sistema correlato e indissociável. Lourenço Filho, empolgado com a idéia de "Educação Progressiva" de John Dewey, introduz no Brasil o termo "Escola Nova", que na realidade nunca existiu nos Estados Unidos. Uma tradução pouco feliz para o que Dewey fazia nos Estados Unidos como Educação Progressista. E publicou o seu primeiro livro sobre Escola Nova - Introdução ao Estudo da Escola Nova.

Com o surgimento da Escola Nova no Brasil, perdeu-se completamente a visão, não somente de John Dewey sobre a visão socialista da Educação, mas passou este tipo de escola a servir a burguesia e aos grupos sócio-econômicos mais favorecidos, porque na escola pública ela nunca teve o seu lugar. Era impossível numa escola controlada, opressiva, colocar uma visão de educação libertadora. Na verdade, “essa tendência (...) estava sob a influência da filosofia positivista surgida no século XIX, cujo principal representante foi Augusto Comte. “Para ele, o objetivo da ciência é só o positivismo, isto é, o que está sujeito ao método de observação e experimentação, analisando apenas os fatos e suas leis. Positivo é o que é real, palpável, baseado em fatos experimentais”(Maria Cândida Moraes, 1997. p: 52).

Um outro personagem de destaque que desenvolveu inúmeros trabalhos e pesquisas no campo da psicologia educacional, contribuindo bastante para o desenvolvimento da história da psicologia educacional foi o memorável Henri Wallon. No decorrer de suas atividades como psicólogo, o mesmo teve uma forte ligação com o processo educacional, pois buscava compreender o psiquismo humano, voltando toda sua atenção e estudos para a criança, pois é por meio dela que é possível ter acesso às origens dos processos psíquicos. “Se, por um lado, viu o estudo da criança como um recurso para conhecer o psiquismo humano, por outro, interessou-se pela infância como problema concreto, sobre o qual se debruçou com atenção e engajamento” (Izabel Galvão. 1995,p: 23). Para Wallon deveria haver uma estreita relação entre a psicologia e as teorias pedagógicas. Determinava a escola como um espaço fundamental para o desenvolvimento da criança. Acreditava que a escola, bem como o processo educacional poderia contribuir bastante para a psicologia por ser um espaço de constantes mudanças e construções, servindo assim do que chamou de Campo de observação à Psicologia. Segundo Wallon, “a Psicologia, por sua vez, ao construir conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento infantil oferecia um importante instrumento para o aprimoramento da pratica pedagógica” (idem). O mesmo esteve completamente envolvido com a educação de forma não apenas teórica, mas também prática.

A forte influência das teorias cognitivistas e da psicologia do desenvolvimento sobre a Educação, ao longo deste século, não deve ocultar outra perspectiva que, no mesmo período, de maneira mais tímida, menos evidente e menos elaborada, apresentava uma visão nada intelectualista da psicologia no campo educativo. A título de exemplo, as referências citadas a seguir de autores que difundiam idéias bastantes distintas sobre a educação e a psicologia, tais como os pragmatistas norte-americanos John Dewey (Behaviorismo) e George Herbert Mead, o materialista francês Henri Wallon, Vygotsky (Teoria da Zona Proximal), Piaget dentre outros, extraídas de momentos diferentes, são suficientes para evidenciar a pretensão de uma psicologia social e humanista aplicada à educação, de preferência a uma psicologia da inteligência ou cognitiva, onde o principal laboratório seria o espaço escolar e suas peculiaridades.

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