Introdução 2 Fundamentação histórica 4



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2.3. Conceitos Freudianos Aplicados à educação

Quando se pensa em aplicar os conceitos freudianos à educação, deve-se deixar claro que não se pode pensar em termos de uma educação de massa. Isto seria claramente um contra senso, pois Freud em sua teoria trata da singularidade do sujeito. A teoria freudiana, então, se permite a abordar os fenômenos psicossociais. É a partir do inconsciente que o sujeito passa a pensar tais fenômenos. Para Freud, isso quer dizer, que o sujeito tem uma carga energética procurando se desfazer dessa carga, isto é, se descarregar por completo. O outro, portanto, lhe oferece objetos de ligação, o que permite aplicar o processo de construção da subjetividade marcada pelos fenômenos sociais nos processos de ensino-aprendizagem. Cabe, entretanto, ao sujeito se apropriar desses objetos, transformando-os em algo próprio, pertencente ao sujeito em questão.

Com relação à especificidade da educação, Freud pouco refletiu diretamente sobre estas questões em suas teorias e escritos.

Freud acreditava que o ato de educar, o ato de governar e psicanalisar, constituía uma profissão impossível, posto que chegam sempre resultados insatisfatórios uma vez que a emancipação do homem, que estas buscam promover é extremamente difícil de ser alcançada. Isto é, com o inconsciente e a pulsão de morte fica impossível alcançar o ideal de promoção de bem-estar, uma vez que, estes escapam ao controle humano. Entretanto, este ideal continuará sendo um projeto na vida do ser humano.


Basicamente, as idéias de Freud, dizem respeito à transmissão de conhecimento por meio de ações inconscientes (o que nos leva a pensar nos conteúdos latentes e manifestos de toda a relação), à importância da relação professor-aluno e ao papel da educação enquanto auxiliar de uma certa repressão sexual (já que a curiosidade intelectual é derivada da curiosidade sexual), chamando a atenção é claro, para que essa repressão necessária não seja excessiva” (Ira Maria Marciel, 2001 p: 147).
É válido ressaltar que, no que diz respeito às teorias freudianas, têm-se grandes e novos desafios, pois as características do mundo atual são relevantes para serem estudadas quando se pensa em educação e a aplicabilidade de tais teorias. Afinal, lidando com teorias do desenvolvimento e com sujeitos em processo de ensino e de aprendizagem, é necessário conhecer melhor os modos subjetivos vigentes nas teorias abordadas para que isso não se apresente de forma abstrata e apenas teórica na prática educacional apresentando-se apenas como mais um compêndio de pressupostos.


2.4. Teoria humanista

A Psicologia Humanista, conforme historia DeCarvalho (1990), surgiu, com esse título, no final da década de 50 e início os anos 60. Foi, sobretudo graças ao trabalho de dois homens, Abraham Maslow e Anthony Sutich, que o Movimento Humanista pode ser articulado, organizado e institucionalizado.

No início da década de 50, Maslow era um promissor psicólogo experimental e professor de Psicologia na Universidade de Brandeis, mas seus interesses pouco ortodoxos e pouco afinados à forte predominância do Behaviorismo no ambiente acadêmico, apenas confrontado pela influência da Psicanálise nos meios clínicos, tendiam a levá-lo ao isolamento profissional e intelectual. Era-lhe inclusive difícil arranjar veículo adequado para publicar seus artigos, que não encontravam ressonância na linha editorial e teórica adotada pela maior parte das revistas técnicas de então. Um outro nome de grande relevância nesta corrente foi Sutich, psicólogo que conhecera Maslow no final dos anos 40 e que nos anos 50 tornara-se ativo participante da Rede e intenso colaborador na discussão das novas idéias, veio a ter fundamental papel no lançamento e institucionalização da Psicologia Humanista. De suas discussões com Maslow nasceu a percepção de que uma nova Força estava se configurando e já era a hora, ao final dos anos 50, de fundarem uma revista própria que difundisse e veiculasse a proposta. Sutich foi encarregado de encabeçar o empreendimento, dedicando-se intensamente à tarefa de articulação e organização.

Após considerável deliberação sobre o nome da nova revista - foram sugeridos Ser e Tornar-se, Crescimento Psicológico, Desenvolvimento da Personalidade, Terceira Força, Psicologia do Self, Existência, e Orto-Psicologia - foi adotado o título Revista de Psicologia Humanista, sugerido por S. Cohen, e que desde então passou a designar o Movimento, oficialmente lançado com o primeiro número da revista.

A teoria citada absorve conceitos apresentados pelas outras forças da psicologia, em especial o valor da experiência humana. Busca ampliar a visão fragmentada do homem. A abordagem fenomenológica também é considerada. Segundo os humanistas os fenômenos cotidianos, a experiência e os sentimentos são altamente significativos no processo de desenvolvimento do sujeito. A verdade está nos dados da experiência do homem. Os psicólogos humanistas geralmente enfatizam os aspectos positivos do homem e sua capacidade de crescimento e desenvolvimento. Ênfase na pessoa humana em sua totalidade e unicidade. É extremamente personalisadora, pois, o crescimento pessoal se dá por meio de processo dialógicos, do encontro com outro, da intra-subjetividade, da comunhão e da experiência mútua. Tais conceitos estão presentes de forma direta ou indireta na maioria das tendências atuais da psicologia da educação, psicopedagogia e pedagogia.


2.5. Teoria da Gestalt

Os gestaltístas consideram como sendo o mais significativo aspecto da experiência do indivíduo sua totalidade e inter-relacionamento. Para a Gestalt, qualquer tentativa de analisar o comportamento do homem em partes estava fadada ao fracasso, porque perdia a mais importante e distinta característica da experiência - a sua totalidade, organização e configuração. Nenhum estímulo tem um sentido ou significado constante, tudo depende do padrão de eventos circundantes, reza a teoria.

A abordagem fenomenológica, “a fenomenologia é um método e uma filosofia que surge no final do século XIX, com Franz Bretano. O principal representante dessa corrente é Edmund Husseri (1859-1958). O postulado básico da fenomenologia é a noção de intencionalidade, pela qual toda consciência é intencional, Isto é, visa algo fora de si (...) Pó meio do conceito de intencionalidade, a fenomenologia se contrapões a filosofia positivista do século XIX, presa demais à visão objetiva do mundo. Á crença na possibilidade de um conhecimento cientifico cada vez mais neutro, mais despojado de subjetividade, a fenomenologia contrapões a retomada da humanização da ciência estabelecendo nova relação entre sujeito e objeto, ser humano e mundo, pólos inseparáveis” (Maria Lúcia de Arruda Aranha, 2003, p: 150), dirigiu o interesse da psicologia da gestalt para os processos de pensamento, raciocínio e solução de problemas; definições que quer queira quer não foram aplicadas à educação.

Uma outra área onde a Gestalt causou grande impacto foi particularmente a percepção-visual. Uma grande lei de percepção da Gestalt é a de agrupamento perceptual. Segundo esta lei, tendemos a organizar nosso campo ou mundo visual em grupos significativos de objetos, configurações ou estímulos.

O agrupamento ilustra claramente a noção geral da gestalt de que o todo é diferente da soma de suas partes. Uma cena global, portanto, depende de como se vê a relação figura-fundo e de como várias partes da cena estão organizadas umas em relação às outras. Os itens são agrupados, segundo a Gestalt, em termos de: Proximidade (relativa aos itens próximos uns dos outros); Semelhança (itens se parecem mais estritamente uns com os outros são notados como unidades); Simetria (itens que compõem unidades simétricas são agrupados juntos); Fechamento (itens são percebidos como formando uma unidade completa, mesmo que estejam interrompidos por lacunas); Continuação (itens com interrupções mínimas são percebidos como unidades).

A psicologia da forma como também é conhecida a Gestalt, teve em Kurt Koffka (1886-1941) o seu psicólogo mais preocupado com as questões do desenvolvimento infantil e em Wolfgang Kohler (1887-1968) o seu maior pesquisador do processo da aprendizagem, questões relacionadas e aplicadas atualmente à educação e ao ensino. A eles veio se juntar posteriormente Kurt Lewin (1890-1947), que desenvolveu uma variação da Gestalt conhecida como teoria de Campo, porque entendia que o ser mano age num mundo de forças (vetores) com cargas (valência) positivas ou negativas. Assim, Lewin usa termos como locomoção, vetor, valência, retrogressão, pouco comuns nas obras de outros psicólogos. De acordo com Lewin a personalidade de u indivíduo é um todo único que não pode ser analisado por partes. Nada adianta analisar separadamente traços. No conjunto, cada traço adquire uma outra significação daquela que tinha pelo estudo do passado histórico do individuo e do presente cultural.

A personalidade forma com o ambiente (escola, lar, etc.), que afeta uma só unidade. Essa teoria é o que Lewin chama de espaço vital. A personalidade, por outro lado, é o centro do campo de forças. As forças são representadas por vetores e o comportamento é resultante dos vetores presentes no campo, uns positivos outros negativos.

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