Introdução 2 Fundamentação histórica 4


Paradigmas psicológicos na educação escolar



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3. Paradigmas psicológicos na educação escolar

Nenhuma das forças da psicologia descritas anteriormente foi criada com o intuito de responder a questões formuladas no terreno da educação em geral e, muito menos no campo específico da educação escolar. “A psicanálise, por exemplo, constitui a demonstração mais óbvia dessa afirmação, pois como se sabe o paradigma freudiano foi desenvolvido para atender a demandas oriundas da clinica psicológica, sendo assim, seu propósito inicial era encontrar um meio eficiente para curar a neurose” (Del Prete 2004).


Quanto ao comportamentalismo, tratou-se originalmente de uma iniciativa de construir uma teoria geral que contemplasse as leis regularidades e uniformidade do comportamento humano, em que estivessem descritas as relações entre respostas emitidas por m organismo e os estímulos ambientais (cf.Skinner, 1967) neste último caso, a educação foi claramente chamuscada por alguns princípios de tal teoria. Sobre a teoria piagetiana, é preciso lembrar que sua problemática primeira encontrava-se vinculada à área da epistemologia(como veremos mais à frete): O propósito de Piaget era “abordar o estudo do conhecimento através de uma epistemologia de natureza biológica” (Coll 1987, p.15), o que se mostrou inviável por intermédio do uso exclusivo de métodos próprios da Filosofia. Assim dada a necessidade de bases empíricas que permitissem uma ponte sólida entre a biologia e a epistemologia. Inicialmente ficou notório que “a principal finalidade das pesquisas de Piaget era a epistemológica e não educacional” (Célia Silva 1996 p.16).
Toda a psicologia piagetiana constitui, a bem da verdade, um conjunto de teses para responder a questões relacionadas com a origem e desenvolvimento da capacidade cognitiva do ser humano e em especial das crianças, e mais amplamente para explicitar como nasce e evolui a competência do indivíduo para aprender abstratamente o mundo que o redeia. É certo que alguns dos criadores dos paradigmas analisados envolveram-se diretamente com a educação e seus problemas, aplicando deste modo, algumas de suas teorias à educação de acordo com suas área de interesse. Vejamos o caso de Skinner, que é um grande exemplo, pois de certos princípios comportamentalistas decorrem sugestões de grande interesse para organizar o processo de ensino-aprendisagem escolar. Uma das teses fundamentais desse paradigma diz que o organismo - seja ele animal inferior ou superior- responde a estímulos ambientais, o que pode permitir ver o comportamento como resultado de arranjos no meio em que se localiza o indivíduo. “ O comportamentalismo ensina como instalar respostas novas e modificar padrões de respostas já existentes, o que torna, em sma um paradigma facilmente adaptável á educação, uma vez que esta se apresenta o espaço ideal para se obter estímulos. O próprio Skinner, em seu livro Tecnologia do Ensino (1972) elaborou propostas bem definidas para o espaço e ambiente escolares, como o ensino programado e o emprego de máquinas de ensinar” (Célia Silva 1996 p.155). Sendo assim, se é certo que os paradigmas psicológicos não nasceram para resolver os problemas educacionais em geral ou os problemas específicos da educação escolar, é preciso reconhecer, também, que toda e qualquer utilização para fins educacionais dos saberes oriundos da psicologia foram bem utilizados e aplicados nos sistemas educacionais. Alguns desses pressupostos foram até reestruturados, adaptados, o que requer uma certa reflexão, mas de um modo geral, é claro a utilidade prático-teórica da psicologia no sistema escolar.

4. Teorias da Psicologia aplicadas à educação

A psicologia da educação há algum tempo vem se dedicando ao estudo do desenvolvimento e da aprendizagem, considerando o indivíduo a partir de diferentes pontos de vista e como o mesmo se estrutura no processo de ensino aprendizagem. Para tanto, a psicologia tem desenvolvido inúmeras e diferentes concepções a respeito do processo de desenvolvimento do ser humano, apresentando variadas abordagens sobre o desenvolvimento humano no processo de aprendizagem e de ensino. Cada teoria baseia-se num modelo de ser humano, isto é, cada uma delas considera e vê o aluno de maneira completamente diferente dentro desse mesmo processo. Assim, procuram contribuir para o aperfeiçoamento máximo do individuo em sala de aula, mas cada teoria apresenta uma visão própria a respeito das habilidades e potencialidades desse mesmo individuo. É valido ressaltar, que de acordo com sua abordagem, cada teoria exigirá uma atuação diferenciada do professor frente ao seu fazer pedagógico, diante de sua prática. No que diz respeito ao desenvolvimento humano a psicologia considera que as diferentes concepções existentes sobre o assunto dividem-se em três grupos: O empirismo, o inatismo e o interacionismo, pressupostos estes que de uma maneira ou de outra foram ou continuam sendo aplicados na educação.




4.1. O empirismo

O empirismo, também conhecido como ambientalismo, é uma corrente extremamente objetivista do desenvolvimento humano. O empirismo acredita que o desenvolvimento do ser humano depende principalmente de seu ambiente e dos estímulos que diariamente recebe do meio em que vive e convive bem como de suas constantes experiências pelas quais este indivíduo passa.

O filósofo inglês John Locke (1632-1704) foi o mentor e iniciador desse modo de pensar. Nascido em Wrington, Inglaterra (1632-1704), Locke estudou na universidade Oxford, manifestando interesse por diversos campos de estudo, como química, teologia e filosofia, entretanto formou-se em medicina. De acordo com Maria Lúcia, “Locke assumiu papel importante na discussão sobre a teoria do conhecimento, tema privilegiado do pensamento moderno a partir de Descartes... defendia a teoria empirista, que enfatizava o papel da experiência sensível no processo do conhecimento” (Maria Lúcia.2003 p. 132 e 146), ou seja, todos os nossos conhecimentos resultam de sensações e experiências e que, quando nascemos, nossa mente é como uma “tábula rasa”(idem p. 133). “Ele comparava a mente humana, antes de qualquer experiência, a uma lousa ou a uma página em branco, aonde as experiências iriam inscrevendo as idéias” (Cotrim 2000 p.164). De acordo com ele nada existe em nossa mente que não tenha sua origem nos sentidos. Todas as idéias que possuímos são adquiridas ao longo da vida mediante o exercício da experiência sensorial e da reflexão. Locke utiliza-se do termo idéia no sentido de todo o conteúdo do processo do conhecimento. Gilberto Cotrim argumenta que “para Locke, nossas primeiras idéias, as sensações, nos vêm à mente através dos sentidos (experiência sensorial), sendo moldadas pelas qualidades próprias dos objetos externos”.(cf.Locke. Ensaio acerca do entendimento humano p.160).
A influência de seu modo de pensar, ou seja, das suas idéias empiristas, persiste até a atualidade, causando grande impacto para a educação, em especial a educação tradicionalista com abordagem conteúdista, onde o aluno (ser sem luz) é apenas mero expectante, ou seja, não agente do processo, mas somente parte dele.

Psicólogos dessa corrente podem ser encontrados especialmente nos Estados Unidos, onde exercem forte influência na educação. São famosos os trabalhos dos psicólogos J.B. Watson (1878-1958) e B.F. Skinner (1904-1990).







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