Introdução 2 Fundamentação histórica 4



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5. Abordagens e contribuições de Vytgotsky para a educação

Os trabalhos e pesquisas de Vygotsky podem significar uma grande contribuição para a área educacional, pois trazem inúmeras reflexões sobre o processo de formação das características psicológicas tipicamente humanas e, conseqüentemente, levantam perguntas e questionamentos apontando diretrizes e instigando a formulação de alternativas no plano didático-pedagógico e na práxis dos professores. Vale ressaltar que, não é possível encontrar, nas suas obras e pesquisas ou mesmos nas propostas teóricas, soluções praticas ou metodologias que possam ser aplicadas de modo direto no cotidiano educacional.

“Lev Vygotski, intelectual soviético, nasceu na Rússia em 1896, mesmo ano do nascimento de Jean Piaget. Vygotsky viveu em sua cidade natal até 1924, quando se mudou para Moscou, a fim de trabalhar no Instituto de Psicologia. Viveu desde sua infância, em um ambiente militar muito culto, dedicando-se a interesses variados: literatura, filosofia. Psicologia, história e outros (...). Formou-se em Direito, em 1915. Seu interesse por diferentes áreas da atividade intelectual levou-o a escrever sobre diversos assuntos, em particular sobre a educação em geral e educação de crianças deficientes (...)Levado por seu objetivo de compreender o funcionamento psicológico do ser humano, Vygotski procurou conhecer os problemas neurológicos e, para isso, estudo medicina...As idéias de Vygotsky (...) sobre o desenvolvimento e educação são considerados interacionista. Isto é, elas consideram básica a interação entre organismos e meio e vêem a aquisição do conhecimento como um processo construído pelo indivíduo durante toda a sua vida” (Célia Barros. 1993 p.130).

A leitura das obras e produções teóricas de Vygotsky permitem identificar, em vários momentos, a atenção especial que o mesmo dedicava à educação escolar. “Sua preocupação com esse tema é coerente com a perspectiva histórica, que considera fundamental a análise das condições concretas para o desenvolvimento de um determinado tipo de cognição” (Oliveira, 1992, p.103).

Vygotsky construiu sua teoria tendo por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico, enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento, sendo essa teoria considerada histórico-social. Sua questão central é a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio.
As concepções de Vygotsky sobre o processo de formação de conceitos remetem às relações entre pensamento e linguagem, à questão cultural no processo de construção de significados pelos indivíduos, ao processo de internalização e ao papel da escola na transmissão de conhecimento, que é de natureza diferente daqueles aprendidos na vida cotidiana. Vygotsky propôs uma visão de formação das funções psíquicas superiores como internalização mediada pela cultura.

As concepções de Vygotsky sobre o funcionamento do cérebro humano colocam que o cérebro é a base biológica, e suas peculiaridades definem limites e possibilidades para o desenvolvimento humano.

Essas concepções fundamentam sua idéia de que as funções psicológicas superiores (por ex. linguagem, memória) são construídas ao longo da história social do homem, em sua relação com o mundo. Desse modo, as funções psicológicas superiores referem-se a processos voluntários, ações conscientes, mecanismos intencionais e dependem de processos de aprendizagem.

Uma idéia central para a compreensão de suas concepções sobre o desenvolvimento humano como processo sócio-histórico é a idéia de mediação: enquanto sujeito do conhecimento o homem não tem acesso direto aos objetos, mas acesso mediado, através de recortes do real, operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe, portanto enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias relações, ou seja, o conhecimento não está sendo visto como uma ação do sujeito sobre a realidade, assim como no construtivismo e sim, pela mediação feita por outros sujeitos. O outro social, pode apresentar-se por meio de objetos, da organização do ambiente, do mundo cultural que rodeia o indivíduo.

A linguagem, sistema simbólico dos grupos humanos, representa um salto qualitativo na evolução da espécie. É ela que fornece os conceitos, as formas de organização do real, a mediação entre o sujeito e o objeto do conhecimento. É por meio dela que as funções mentais superiores são socialmente formadas e culturalmente transmitidas, portanto, sociedades e culturas diferentes produzem estruturas diferenciadas.
A cultura fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade, ou seja, o universo de significações que permite construir a interpretação do mundo real. Ela dá o local de negociações no qual seus membros estão em constante processo de recriação e reinterpretarão de informações, conceitos e significações.

O processo de internalização é fundamental para o desenvolvimento do funcionamento psicológico humano. A internalização envolve uma atividade externa que deve ser modificada para tornar-se uma atividade interna, é interpessoal e se torna intrapessoal. Usa o termo função mental para referir-se aos processos de: pensamento, memória, percepção e atenção. Coloca que o pensamento tem origem na motivação, interesse, necessidade, impulso, afeto e emoção. A interação social e o instrumento lingüístico são decisivos para o desenvolvimento. Existem, pelo menos dois níveis de desenvolvimento identificados por Vygotsky: um real, já adquirido ou formado, que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria, e um potencial, ou seja, a capacidade de aprender com outra pessoa.


A aprendizagem interage com o desenvolvimento, produzindo abertura nas zonas de desenvolvimento proximal ( distância entre aquilo que a criança faz sozinha e o que ela é capaz de fazer com a intervenção de um adulto; potencialidade para aprender, que não é a mesma para todas as pessoas; ou seja, distância entre o nível de desenvolvimento real e o potencial ) nas quais as interações sociais são centrais, estando então, ambos os processos, aprendizagem e desenvolvimento, inter-relacionados; assim, um conceito que se pretenda trabalhar, como por exemplo, em matemática, requer sempre um grau de experiência anterior para a criança.

O desenvolvimento cognitivo é produzido pelo processo de internalização da interação social com materiais fornecidos pela cultura, sendo que o processo se constrói de fora para dentro. Para Vygotsky, a atividade do sujeito refere-se ao domínio dos instrumentos de mediação, inclusive sua transformação por uma atividade mental. Para ele, o sujeito não é apenas ativo, mas interativo, porque forma conhecimentos e se constitui a partir de relações intra e interpessoais.

È na troca com outros sujeitos e consigo próprio que se vão internalizando conhecimentos, papéis e funções sociais, o que permite a formação de conhecimentos e da própria consciência. Trata-se de um processo que caminha do plano social - relações interpessoais - para o plano individual interno - relações intrapessoais. Assim, a escola é o lugar onde a intervenção pedagógica intencional desencadeia o processo ensino-aprendizagem. O professor tem o papel explícito de interferir no processo, diferentemente de situações informais nas quais a criança aprende por imersão em um ambiente cultural. “Vygotsky afirma que o bom ensino é aquele que se adianta ao desenvolvimento, ou seja, que se dirige ás funções psicológicas que estão em vias de se completarem. Essa dimensão prospectiva do desenvolvimento psicológico e de grande importância para a educação, pois permite a compreensão de processos de desenvolvimento que, embora presentes no indivíduo, necessitam da intervenção de parceiros mais experientes da cultura para se consolidarem e, como conseqüências, ajuda a definir o campo e as possibilidades da atuação pedagógica” (Tereza Cristina Rego, 1995, p.107). Portanto, é papel do docente provocar avanços nos alunos e isso se torna possível com sua interferência na zona proximal.

Vemos ainda como fator relevante para a educação, decorrente das interpretações das teorias de Vygotsky, a importância da atuação dos outros membros do grupo social na mediação entre a cultura e o indivíduo, pois uma intervenção deliberada desses membros da cultura, nessa perspectiva, é essencial no processo de desenvolvimento. Isso nos mostra os processos pedagógicos como intencionais, deliberados, sendo o objeto dessa intervenção: a construção de conceitos.

O aluno não é tão somente o sujeito da aprendizagem, mas, aquele que aprende junto ao outro o que o seu grupo social produz, tal como: valores, linguagem e o próprio conhecimento. Vygotsky discorre que, “o indivíduo se constitui enquanto tal não somente devido aos processos de maturação orgânica, mas, principalmente, através de suas interações sociais, a partir das trocas estabelecidas som seus semelhantes. As funções psíquicas humanas estão intimamente vinculadas ao aprendizado, à apropriação (por intermédio da linguagem) do legado cultural de seu grupo” (idem. p. 109). A formação de conceitos espontâneos ou cotidianos desenvolvidos no decorrer das interações sociais diferencia-se dos conceitos científicos adquiridos pelo ensino, parte de um sistema organizado de conhecimentos.

A aprendizagem é fundamental ao desenvolvimento dos processos internos na interação com outras pessoas. Ao observar a zona proximal, o educador pode orientar o aprendizado no sentido de adiantar o desenvolvimento potencial de uma criança, tornando-o real. Nesse espaço, o ensino deve passar do grupo para o indivíduo. Em outras palavras, o ambiente influenciaria a internalização das atividades cognitivas no indivíduo, de modo que, o aprendizado gere o desenvolvimento. Portanto, o desenvolvimento mental só pode realizar-se por intermédio do aprendizado.

A respeito das pesquisas realizadas por Vygotsky sobre a aprendizagem e desenvolvimento em educação atual com a da linha histórico-cultural, levando-se em consideração a aprendizagem por meio da interação entre aptidão e os aspectos sociais da situação de tratamento; o que Vygotsky chama de mediação social na construção dos processos mentais; e, por outro lado, considerando os aspectos representacionais da situação de tratamento; o que o mesmo chamou de mediação instrumental na construção dos processos mentais. Ressalta-se que ambos os processos de mediação permitem que a criança opere e aprenda graças a tal mediação e ao apoio dos demais e da cultura, acima de suas possibilidades individuais concretas, em determinado momento de seu desenvolvimento. De forma que é preciso definir dos pontos centrais de teoria de Vygotsky o que o mesmo denominou Zona do desenvolvimento Proximal. “Se considerarmos a idéia de que a aprendizagem não surge simplesmente do desenvolvimento, mas que é, pelo contrário, aquilo que o impulsiona, como sustentava Vygotsky, será justamente essa aprendizagem que se dá a partir dos desenvolvimentos específicos estabelecidos – ou seja, a aprendizagem que se produza partindo de uma ZDA (Zona de Desenvolvimento Atual) – até alcançar os limites de autonomia possível a partir desta base, definidos pela ZDP (Zona do Desenvolvimento Proximal), o que nos permitirá desvendar a estrutura e características da aprendizagem” (César Coll, 1996 p: 96).

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