Introdução 2 Fundamentação histórica 4



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6. Abordagens e contribuições de Jean Piaget para a educação

Jean Piaget nasceu na Suíça, em 1896. Em sua meninice e adolescência apresentou um alto nível de intelectualidade. Era um indivíduo extremamente precoce. Graduou-se em Ciências naturais e segundo Zélia Ramozzi, “Piaget não é pedagogo (como pensam muitos - grifo meu), e jamais pensou ditar normas. Ao contrário é um pesquisador que, durante mais de 50 anos, tem estudado alguns aspectos da natureza humana sem, contudo, ignorar aqueles aspectos que não pesquisou, bem ao contrário do que fazem supor os “curiosos” da teoria piagetiana, quer no campo da Pedagogia, Psicologia...”(Wilma Millan, 1980 p:84). Piaget também demonstrou grande interesse em outras áreas como Sociologia,Religião, Filosofia e especificamente pelo estudo de como o conhecimento é adquirido. A partir deste conteúdo decidiu adentrar no ramo da psicologia.


Em paris envolveu-se com Binet, onde aplicava testes de inteligência em crianças de escolas públicas. Estudou também, de modo obstinado as respostas incorretas dadas pelas crianças, a fim de aprender a respeito da extensão e profundidade das idéias, estruturas e processos mentais das crianças.

O principal objetivo de Jean Piaget era compreender como as crianças de várias idades obtinham o conhecimento do mundo à sua volta. Descobrir, como elas adquiriam o conhecimento tornou-se para Piaget o trabalho de toda a sua vida de estudos, daí porque muitos acreditam ainda hoje que o mesmo era pedagogo. Entretanto, muitos educadores psicólogos da educação, orientadores e pedagogos, têm encontrado, nas descobertas e pesquisas de Piaget, muitos ensinamentos e orientações valiosos para o seu trabalho.


Defendendo que a construção do conhecimento da inteligência humana e do pensamento se dão pela troca do indivíduo com seus pares ou grupos, Piaget coloca as relações de cooperação e de reciprocidade no âmago dos processos de desenvolvimento e da aprendizagem. Sua concepção do indivíduo é a de um ser ativo no processo de ensino-aprendisagem e que se constitui por meio de suas interações com outros sujeitos que, para construir e reconstruir os conceitos, as leis que regem a natureza e suas relações sociais, precisa de estabelecer trocas inter e intra-pessoais. Célia Silva afirma que, Piaget determinava que todo o ser vivo se adapta ao seu ambiente e é organizado de um modo de possibilita a adaptação(...)Piaget acreditava, também, que a mente e o corpo não funcionavam independentemente um do outro e que a atividade mental se submete às mesmas leis que, em geral, governam a atividade biológica(...)Na teoria de Piaget, a inteligência está ligada à Biologia no sentido em que herdamos estruturas anatômicas(por exemplo: nossos sistemas nervosos e sensorial), bem como um modo de funcionamento mental. Sobre esta base biológica, o homem constrói o conhecimento.(...)Nessa construção, o homem transforma o ambiente agindo diretamente sobre ele e, ao agir, também se modifica. Por isso, a teoria piagetiana e considerada interacionista.”(Célia Silva Barros, 1996 p: 43)”.

Vale ressaltar que, o pensamento socializado na teoria piagetiana, aquele que é capaz de comunicar-se, que permite ao homem assumir o ponto de vista do outro e colocar o seu próprio ponto de vista é claramente uma conquista resultante de uma relação interacionista de troca e reciprocidade e cooperação.

Levando-se em consideração todos os pressupostos descritos acima é lembramos que o processo de desenvolvimento cognitivo para Piaget, ocorre a partir de quatro conceitos básicos que são: esquema, assimilação, acomodação e equilibração(equilíbrio e desequilíbrio).

Conforme Wilma Millan, “as estruturas mentais ou estruturas orgânicas que constituem a inteligência não são, para Piaget, nem inatas e nem determinadas pelo meio mas são o produto de uma construção, devida às perturbações do meio e à capacidade do organismo de ser perturbado e de responder a essa perturbação(...) As estruturas mentais, por hipótese, começam a se construir a partir dos esquemas motores. Os primeiros esquemas derivam-se dos reflexos e, pode-se dizer, dependem de toda a bagagem hereditária com a qual a criança nasce”(Psicologia e Ensino, 1980 p: 86).


Os esquemas são, portanto, estruturas mentais com que os indivíduos intelectualmente se adaptam e organizam o ambiente.

A assimilação, de acordo com Célia Silva Barros “consiste em encaixar um novo objeto num esquema mental ou sensório-motor já existente”(Psicologia e Construtivismo.1996,p:44). A assimilação ocorre de forma contínua e processa um grande número de estímulos, algumas vezes possibilitando a ampliação dos esquemas. ”Inicialmente, a assimilação consiste em uma incorporação dos objetos aos esquemas de ação do sujeito. Esses esquemas que podem ou não se ampliar aos objetos, são passíveis de modificação” (Wilma Millan Alves. 1980, p: 86 e 87). A tal modificação, Piaget chama de acomodação. A acomodação é o aspecto da atividade cognitiva que envolve a modificação dos esquemas para corresponderem aos objetos reais. Na acomodação o indivíduo e praticamente forçado s mudar seus esquemas ou mesmo criar novos para acomodar aos novos estímulos. Por fim a equilibração segundo Célia Silva Barros, “é um processo pelo qual uma pessoa reage a distúrbios ocorridos em sua maneira comum de pensar, através de um sistema de compensações; isto resulta em nova compreensão e satisfação, ou seja, em equilíbrio (...) Os mecanismos de assimilação e acomodação são modos de funcionamento de nossa vida mental para garantir um estado de equilíbrio ou um de adaptação ao nosso meio” (Psicologia e Construtivismo. 1980,p: 46). Vale ressaltar que, para Piaget o ambiente exerce grande influência na vida de um indivíduo, podendo retardar ou promover o seu desenvolvimento.Os aspectos sociais têm, portanto, um papel importante no padrão de desenvolvimento das crianças.



7. Abordagem cognitiva da Psicologia da Educação

De acordo com Maria da Graça Nicoletti, o termo cognitivista se refere a psicólogos que investigam os denominados processos centrais do indivíduo, dificilmente observáveis, tais como: organização do conhecimento, processamento de informações, estilos de pensamentos ou estilos cognitivos, comportamentos relativos à tomada de decisões (Ensino: As abordagens do processo; p: 59).

Uma abordagem cognitivista implica, dentre outros aspectos o estudo cientifico da aprendizagem como sendo mais um produto do ambiente onde o aluno está envolvido numa relação de reciprocidade, das pessoas ou mesmo de fatores alheios, internos e externos ao aluno, sujeito ativo no processo de ensino-aprendisagem.
A abordagem cognitiva enfatiza também os processos cognitivos e a investigação científica separada dos problemas sociais contemporâneos, sendo que as emoções devem ser articuladas ao processo de conhecimento e desenvolvimento do aluno. Abordam-se também as formas como o aluno lida com os estímulos ambientais, organizam os dados, sentem e resolvem problemas e conflitos, adquirem conceitos e os empregam simbólica e verbalmente à prática diária. Esse tipo de abordagem é extremamente interacionista, pois seus principais representantes usaram a teoria do Suíço Jean Piaget, como substrato para compor a abordagem citada.

De acordo com os cognitivistas o processo de ensino-aprendisagem, tem papel relevante, pois, deve provocar situações que promovam situações desequilibradoras para o aluno, desequilíbrios esses que sejam adequados ao nível de desenvolvimento em que os alunos se encontram, de modo que seja possível a construção gradativa das noções de conhecimentos ao mesmo tempo em que o aluno interage com o espaço, pessoais e vivências no qual está inserido.


A teoria é vista como sendo igualmente um processo de socialização e promoção da autonomia. Pois, “o objetivo da educação, não consistirá na transmissão de verdades, informações, demonstrações, modelos etc., e sim em que aluno aprenda por si próprio, a conquistar essas verdades, mesmo que tenha de realizar todos os tateios pressupostos por qualquer atividade real. A autonomia intelectual será assegurada pelo desenvolvimento da personalidade e pela aquisição de instrumental lógico-racional. A educação deverá visar que cada aluno chegue a essa autonomia” (Maria da Graça Nicoletti, 1986 p: 71).

A educação é, portanto, condição formadora para o desenvolvimento natural do aluno, e este por sua vez, é agente direto e atido do processo pelo qual está inserido, não adquirindo, portanto, suas estruturas mentais sem a intervenção dos aspectos exteriores. A escola, espaço de socialização, onde os principais acontecimentos relevantes ao processo de ensino-aprendizagem ocorrem, deve possibilitar o estabelecimento das relações de cooperação e reciprocidade, possibilitando também ao aluno o desenvolvimento de suas habilidades de ação motora e formação intelectual. Uma escola coerente com tal abordagem deve, portanto, promover as atividades intelectuais associadas à pratica, por meio de investigações, pesquisas espontâneas, trabalho em grupo, dando ao aluno a liberdade de construir por meio da ação comum, o seu conhecimento.


Nesse espaço, “a aprendizagem verdadeira se dá no exercício operacional da inteligência. Só se realiza realmente quando o aluno elabora seu conhecimento. A aprendizagem, no sentido estrito, se refere às aquisições relacionadas com informações e se dá no decorrer do desenvolvimento. A inteligência é o instrumento de aprendizagem mais necessário (...) O ensino, pois, deve levar, progressivamente, ao desenvolvimento de operações, evitando a formação de hábitos, que constituem a fixação de uma forma de ação, sem reversibilidade e associatividade”( Maria da Graça Nicoletti, 1986 p:76 e 77).

O papel do professor será o de um simples agente mediados do processo, pois caberá ao professor criar situações, propiciado condições onde se estabeleça uma relação de reciprocidade e cooperação. É papel do professor também, evitar a rotina e fixação de respostas, regras e hábitos, promovendo a interação do aluno bem como orientá-lo à busca da autonomia provocando no mesmo o desequilíbrio, a desconstrução para em seguida construir ou reconstruir.


A abordagem cognitivista é bastante diferente da abordagem comportamentalista, tendo algumas implicações para o ensino e seu processo.

8. Psicologia e as habilidades sociais



8.1. Considerações finais

Concluímos, portanto que, o principal objeto da Psicologia da Educação, apesar de não haver um consenso entre os principais teóricos e seus pressupostos básicos, é a análise, promoção e avaliação do comportamento do educador e do educando, assim como a relação entre ambos em situação educativa, através de métodos científicos.

Uma outra questão problemática que afeta a Psicologia da Educação é a sua extrema dependência em relação à Psicologia Geral ou Científica. Ressaltamos que, alguns teóricos, a considera uma disciplina dependente, incluindo nela tudo o que se refere à Psicologia e que diz respeito à Educação, sendo uma ciência aplicada. Enquanto que outros, como Dewey e Claparéde, consideram a Psicologia da Educação como independente, resultando da convergência da Psicologia com a Pedagogia, à semelhança da Psicologia Social, por exemplo, que serve de ponte entre a Psicologia e a Sociologia.
Em relação aos conteúdos da Psicologia da Educação, mais uma vez, não se verifica uma única linha consensual, mas parece ser unânime considerar como objeto fundamental o processo de ensino-aprendizagem, abordado de forma científica como principal foco de estudo, análise e abordagem que claramente tendem a açambarcar outros conteúdos e questionamentos no processo de ensino-aprendizagem com a qual a psicologia educacional se identifica.

Os inúmeros problemas com os quais as Ciências da Educação se têm deparado, nos conduz a uma reflexão no sentido de que muitos teóricos se recusem a considerar a psicologia da educação e suas vertentes como ciências rigorosas, contudo elas são dotadas de estatuto científico visto terem um objeto próprio e usam métodos científicos de abordagem como: observação, investigação de campo, quase-experimentação, entre outros. As dificuldades na investigação laboratorial devem-se ao fato da falta de controle das variáveis, devido à sua complexidade e diversidade, o que torna o método estritamente muito difícil de se aplicado.

Para uns, o fato da Psicologia, em geral, e da Psicologia da Educação, em particular, disporem de diversos modelos teóricos como foram resumidamente aqui abordados é encarado como falta de cientificidade, de rigor e falta de objetividade; enquanto que para outros é vantajoso, pois possibilita um maior leque de interpretações dado que as diversas teorias poderão ser integradas e servirem de complemento contribuindo deste modo para um saber mais aprofundado. Esta parece ser a melhor atitude para com a diversidade de modelos existentes no campo da Psicologia e de todas as Ciências Sociais e Humanas aplicadas à educação. É importante, pois conhecer bem todos os modelos e seus pressupostos para saber integrá-los e relacioná-los de modo singular às problemáticas vivenciadas em um espaço de promoção e construção do indivíduo, a escola.

É válido ressaltar que, à medida que cada modelo em si, sendo da memória, inteligência, aprendizagem, fatores e estruturas cognitivas, teorias das habilidades sociais ou outros, não explica, de forma cabal e específica o campo de estudo a que se refere, torna-se fundamental uma visão holística, integrante e de complementaridade entre as diversas teorias existentes para que o indivíduo, foco da atenção da diversas ciências humanas, possa ser contemplado e promovido a um novo paradigma, “ um paradigma que reconhecesse a interdependência existente entre os processos de pensamento e de construção do conhecimento e o ambiente geral, que colaborasse para resgatar a visão do contexto, que não separasse o indivíduo do mundo que vive e de seus relacionamentos, que os promovesse como seres interdependentes, reconhecendo a vida humana entrelaçada com o mundo natural. Uma proposta que trouxesse a percepção de mundo holística, global, sistêmica, que compreendesse o perfeito entrosamento dos indivíduos nos processos cíclicos da natureza, uma proposta capaz de gerar um novo sistema ético respaldado nos novos valores, novas percepções e novas ações e que nos levasse a um novo diálogo criativo do homem consigo mesmo, com a sociedade, e com a natureza, mas que, ao mesmo tempo reconhecesse a importância das novas parcerias entre a educação e os avanços (...) presentes no mundo de hoje”(Maria Cândida Moraes, O Paradigma Educacional Emergente.1997, p:17 e 18).



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