Introdução 2 Perspectiva da Psicologia perante a tvp 4



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Sumário


Introdução 2

1. Perspectiva da Psicologia perante a TVP 4

2. A TVP no Brasil – Breve Histórico 9

3. O método de Márcio Godinho 13

4. Possíveis diálogos entre Psicologia e História 17

5. Visão pessoal e adaptações ao método 23

6. Relato de casos 26

6.1. Um pescador viúvo 26

6.2. Um nobre egípcio aventureiro 27

6.3. Mergulhando na sombra 29

Conclusão 32

Bibliografia 33




TERAPIA DE VIDAS PASSADAS E HISTÓRIA:

UMA ABORDAGEM HOLÍSTICA E INTERDISCIPLINAR


Introdução

Sempre fui uma leitora ávida, de qualquer tipo de literatura. E na minha concepção, uma boa introdução tem dois objetivos: apresentar o trabalho e falar um pouco sobre a trajetória intelectual e pessoal do autor.


Sobre este trabalho: ele tem o objetivo de condensar todo o aprendizado pelo qual passei no período de abril de 2003 a janeiro de 2004, na cidade de Erechim - RS, sob a orientação de Márcio Godinho, para me tornar uma Terapeuta de Vidas Passadas. Além disso, visa também contextualizar esse aprendizado: apresentar o histórico da TVP no Brasil, e o seu nascimento dentro da Psicologia, com os autores mais importantes - na minha visão pessoal. A partir desse ponto de partida, tenho a intenção de apresentar qual foi minha contribuição pessoal ao método de Márcio Godinho, e como pretendo empreender meu trabalho vindouro.
O objetivo da interdisciplinaridade já mostra um pouco da minha história. Literalmente, sou historiadora de formação - e futura psicóloga. Sempre tive o objetivo de fazer o casamento entre as duas áreas, História e Psicologia, uma interdisciplinaridade ainda pouco estudada. Principalmente quando se adiciona a TVP, que por si só ainda é matéria para muitos estudos com abordagens as mais diversas, que vão paulatinamente surgindo no meio acadêmico e científico – e fora dele também, sem por isso serem trabalhos de menor importância.
Sobre a autora: sou paulistana, tenho 24 anos, e pretendo dedicar minha vida a esse ideal. Para mim a reencarnação sempre foi um tema corriqueiro, dado que fui criada em um lar espírita. Depois de adulta descobri técnicas mais complexas dentro da doutrina, como a Apometria, tão injustamente combatida, e que carrega em si tamanho potencial de cura e ajuda a todos nós. Além disso, (re) descobri o mestre Ramatís, e com ele pude entender que o Espiritismo é um dos caminhos, mas que todos eles levam ao mesmo Deus.
Conclui também que as eternas discussões das facções religiosas são inúteis, além de uma belíssima perda de tempo. Participo do grupo Bandeirantes da Luz1, e abracei o ideal do universalismo.
Estudo TVP sistematicamente há três anos, mas todo meu estudo foi reformulado pela abordagem holística dada por Márcio Godinho, e pela arqueologia psíquica de Roger Feraudy, Roger Bottini Paranhos, L. Palhano Jr. e da psicóloga Helen Wambach, trabalhos esses que pretendo unir e continuar – espero que com muitos colegas vindouros, pois ele é por demais amplo.
A Metodologia Holística, aliada ao conhecimento sobre TVP e Apometria, abre muitas portas e possibilidades ao estudo do psiquismo. Faz com que toda a nossa lógica perante a vida se inverta.
Com ela aprendi que a doença muitas vezes, por mais estranho que pareça, é o que de melhor pode acontecer para uma pessoa em dado momento. Muito mais do que expiação de erros pretéritos, é uma oportunidade única de olhar para si próprio, de detectar quais são os pontos a serem trabalhados na encarnação, de procurar ajuda e de descobrir mais sobre os caminhos a tomar.
O momento em que vivemos é de transição, é especial. É um ajuste de contas final. E sem dúvida a TVP e a Apometria apareceram nesse cenário como duas formas de conscientizar o homem mais rapidamente. Cronos é impiedoso: o tempo urge mais do que nunca. O homem precisa aprender sobre si mesmo e sobre autocura, e ser responsável pela própria mudança.
Como Terapeuta de Vidas Passadas, pretendo levar essa lição para as pessoas. E sei que cada vez que o conseguir, ou que pelo menos tentar, estarei levando essa lição para mim mesma, pois sei que ainda tenho muito a aprender. Mas quero estar sempre ativa no meu processo de aprendizagem, e ajudar no das pessoas que puder, pois fazemos parte de um todo, e um indivíduo só será plenamente feliz quando todos os outros também o forem. Esse dia ainda está longe, mas eu pretendo colaborar para que ele chegue o mais breve possível!


1. Perspectiva da Psicologia perante a TVP

Oficialmente a Psicologia passou a ser abordada como ciência a partir de Wilhelm Wundt, em 1879, no Laboratório de Leipzig. A partir daí, resumidamente, tivemos duas revoluções principais: o Behaviorismo, nos Estados Unidos, que via o homem como fruto de condicionamentos, reforços e punições.


Freud trouxe a segunda revolução, com a Psicanálise, e a noção do determinismo psíquico: somos 10% consciente e 90% inconsciente, nossa vida de vigília é apenas a ponta do iceberg. Mas qual seria o conteúdo desse inconsciente?
A TVP foi fruto das primeiras investigações sobre o conteúdo do inconsciente, que começou a suscitar trabalhos mais contundentes a partir de Freud – apesar de outros teóricos já terem feito estudos correlatos2.
Nos Estados Unidos a procura por esses estudos começou a ser mais intensiva depois do caso Bridey Murphy, que foi pesquisado por Morey Bernstein através da hipnose em 1956. O livro foi um best seller, o que demonstrou o interesse pelo assunto. No referido caso, uma moça chamada Virginia Tighe, dona de casa americana, durante seis sessões revelou sua vida de irlandesa em 1798. Muitos fatos foram investigados e comprovados.
Outra autora que trouxe o tema da reencarnação para a grande mídia foi Shirley Maclaine. Em Minhas Vidas, a autora mostra o quanto pesquisou o tema, e traz citações de diversos pensadores que estudaram a reencarnação (Einstein, Jung, Ralph Waldo Emerson, Thoreau, Kant, Schopenhauer, Goethe e Thomas Edison).
Já em O Caminho, ela fala de suas regressões espontâneas, incluindo o encontro com o Imperador Carlos Magno e a vivência no extinto continente da Lemúria.
No meio acadêmico, pesquisadores estavam trabalhando nos anos 60 e 70 simultaneamente em alguns pontos do mundo, como Edith Fiore, Thorwald Dethlefsen e Morris Netherton. Por ter sido estudado por brasileiros, o Dr. Netherton se tornou o pai da TVP no Brasil. O autor desenvolveu o método da indução de forma inovadora, o que possibilita que a pessoa entre em regressão sem hipnose, de forma consciente. Eis a descrição do trabalho, realizado em 1979:
O analista freudiano procura fazer o paciente regredir aos primeiros anos de sua vida, buscando localizar a fonte de seus problemas atuais. A terapia de vida passada dá, simplesmente, o passo seguinte. Acreditamos que os acontecimentos de vidas precedentes podem produzir efeitos tão devastadores no comportamento atual de um paciente quanto qualquer coisa que lhe tenha acontecido nessa existência.
O inconsciente funciona como um gravador. Registra e armazena indiscriminadamente todo e qualquer acontecimento que ocorra.
Há quatro elementos decisivos presentes em uma sessão de terapia de vida passada: são a espinha dorsal do método. O primeiro é a solicitação de dados ao inconsciente enquanto o consciente permanece presente. O fato do inconsciente comunicar-se voluntariamente, e não por indução hipnótica, permite ao cliente ver claramente onde se encontra na medida em que revive suas experiências. Segundo, a reconstituição cuidadosa de sofrimentos e traumas emocionais é fundamental.
Eventualmente, à proporção em que revive o trauma, o paciente vai utilizando a frase que desencadeou a origem da lembrança do incidente, a frase com a qual iniciamos a sessão. Pode encontrar diversas variantes dessa frase. Toda vez que a profere, faço com que a repita várias vezes até que se desligue do trauma a ela associado. Esse processo de repetição e desligamento é o terceiro passo.
Ao final da sessão investigamos o período pré-natal, a experiência do nascimento e da infância, buscando acontecimentos e frases que desencadearam as experiências relativas à respectiva vida pregressa. Esse é o quarto e último elemento.” (Vida passada – uma abordagem psicoterápica, pp. 34-35; 46-47)
Tal abordagem teórica possibilitou a pesquisa da TVP com o uso da metodologia científica, sem recorrer a fenômenos mediúnicos. O Dr. Netherton abordava a regressão como um fato, independente da pessoa acreditar ou não em reencarnação. E a comprovação disso foi o alto índice de cura que o método atingiu.
Nos anos 80 o físico francês Patrick Drouot começou a publicar as suas pesquisas sobre TVP. O estudo do autor, baseado no pensamento oriental, envolve toda a parte energética da questão, incluindo a implicação de uma regressão no funcionamento dos chakras3.
Na sua primeira obra, em 1988, Dr. Drouot enfatiza;
A viagem através das vidas passadas permite alargar o conceito da tomada da consciência através da noção de continuidade do destino. Permite também pôr em evidência as más utilizações que fazemos do poder, do egoísmo, da perda do amor. E essa tragédia se repete sem cessar, enquanto emitimos falsos julgamentos em relação a nós mesmos, enquanto estamos limitados por falsas crenças. Somos como crianças separadas da última fonte e não podemos sem ajuda encontrar sozinhos o caminho para ela.” (Somos todos imortais, pg. 80)
O autor trabalha com relaxamento e indução consciente, com o auxílio de músicas desenvolvidas especialmente para o trabalho. Baseado na Psicossíntese, que será vista mais adiante, esclarece que a TVP é importante no processo de reunificação de nosso ser.
Como o Dr. Netherton, enfatiza a importância do trabalho com a fase uterina, exemplificando com um relato de caso:
Sua mãe já tinha uma certa idade quando começou sua gravidez e ficou doente durante toda a maternidade. Na hora do parto, quase morreu, e o bebê nasceu quando a mãe já estava inconsciente. A criança nasceu ao mesmo tempo com o medo inconsciente de matar a mãe e o sentimento de que jamais poderia contar com ela. Em sua vida de adulto, esse paciente desenvolveu uma relação extremamente difícil com os que o circundavam por causa desses sentimentos inconscientes. Essa recusa em ter confiança na mãe era uma decisão de sobrevivência. E era exatamente assim que ele vivia sua vida e se comportava em relação aos outros, como se, no momento do seu nascimento, tivesse decidido que jamais poderia ter confiança em ninguém. Tudo isso, obviamente, se situava no nível inconsciente.” (Somos todos imortais, pp. 88-89)
O Dr. Drouot assimilou ao seu trabalho a idéia yogue de que a sabedoria apaga o carma, pois inúmeros exemplos mostraram que a tomada de consciência era capaz de extinguir sintomas, como a tosse persistente de uma ex-judia na câmara de gás, ou o medo de exercer a cura pela imposição de mãos de um ex-torturado pela Inquisição.
Já nos anos 90, um médico psiquiatra contribui para ambas as causas: o estudo científico da TVP e a divulgação em grande escala do tema. O Dr. Brian Weiss alcançou notoriedade a partir de dois estudos que se tornaram referência no assunto: Muitas Vidas, muitos mestres e A cura através da Terapia de Vidas Passadas.
Catherine, que parecia um caso simples, trouxe ao Dr. Weiss o conhecimento sobre a vida após a morte, sobre o contato com espíritos mestres, a possibilidade de estabelecer a regressão com o uso da hipnose e o alto potencial de cura que esse tratamento carrega em si. Hoje em dia Brian Weiss já vendeu quatro milhões de exemplares de seus livros, meio milhão só no Brasil.
No livro A cura através da Terapia de Vidas Passadas, recheado de exemplos, o autor descreve minuciosamente sua abordagem, as curas que presenciou, e a metodologia que utiliza. Fala da rapidez do tratamento, fato que assombra muitos psicólogos e psiquiatras ortodoxos – o que faz com que alguns busquem estudar o fenômeno, e muitos o critiquem para se defenderem.
O autor demonstra que as mesmas pessoas que passaram anos e mais anos no consultório poderiam ser curadas em questão de meses. E mesmo que a cura não acontecesse, tinham mais qualidade de vida, pois adquiriam conhecimento espiritual sobre a vida após a morte – o que trazia calma, conhecimento, esperança e sabedoria nas ações cotidianas.
Com seu método, Dr. Weiss ajudou a desmistificar a hipnose, e a mostrar que na verdade ela está bem próxima ao método de indução direta, que veremos adiante. Segundo o autor:
Quando você está relaxado e sua concentração é tão intensa que não se deixa distrair por ruídos externos e outros estímulos, você está em um estado superficial de hipnose. Toda hipnose é na verdade autohipnose, pois o paciente controla o processo. O terapeuta é meramente um guia. Quase todos nós entramos freqüentemente em estado hipnótico – quando estamos concentrados num bom livro ou filme, sempre que ligamos o piloto automático. Alguns hipnotizados vêem o passado como se assistissem a um filme. Outros ficam mais intensamente envolvidos, com maiores reações emocionais. Outros ainda sentem mais do que vêem as coisas. Às vezes a reação predominante é auditiva ou até mesmo olfativa. Mais tarde, a pessoa recorda tudo que foi vivenciado durante a sessão de hipnose.” (A cura através da Terapia de Vidas Passadas, pp. 22-23)
Continuando entre os americanos, Denise Linn contribuiu trazendo a abordagem holística. A autora usa muito da tradição nativa norte americana, da qual ela é descendente, juntamente com a vivência que teve em vários anos dentro de um templo zen-budista.
Segundo essa abordagem, diversos tipos de problemas físicos, emocionais, financeiros e de relacionamento interpessoal são causados por crenças que a pessoa adota, principalmente no momento da morte. Essas crenças se apresentam atualmente como subconscientes, e determinam nossas vidas. A autora aponta:
A terapia de vidas passadas funciona porque nos faz chegar à origem dos nossos problemas, pois até esse momento você terá tratado muito mais com sintomas do que com causas. Criamos e recriamos para nós mesmos, nos dias de hoje, incidentes que lembram subconscientemente o incidente original, como forma de curar a dor original. São os traumas e emoções reprimidos no passado que criam problemas no presente”. (Vidas passadas, Sonhos presentes, pp. 89-90.)
Uma primeira forma sugerida pela autora para entrar em contato com as lembranças é fazer um pequeno diário de gostos e fatos da história pessoal, que seriam pistas dadas pelo inconsciente. Sobre o método, a autora ensina algumas técnicas de como trabalhar a energia que é liberada em uma regressão. São elas:


  • Seguir o sentimento: concentrar-se no que é sentido e ir buscando pistas a partir disso;

  • Distanciar-se: para cenas muito fortes emocionalmente, ela sugere que a pessoa se veja acima da cena, ou avance e retroceda rapidamente, para diminuir o impacto;

  • Mudar as circunstâncias do que aconteceu.

A principal contribuição de Denise Linn é mostrar que além da regressão outros caminhos podem ser usados, incluindo a observação dos sonhos, visualizações, meditações, ajuda de guias e totens animais, enfim: o terapeuta deve fazer o tratamento de forma holística dentro do seu âmbito de conhecimento, e buscar novas técnicas e especialidades tanto quanto possível.


Entre os especialistas brasileiros, inicialmente gostaria de falar sobre o trabalho da psicóloga Elaine de Lucca, que trabalha com Terapia de Vidas Passadas há 16 anos em São Paulo. Ela foi uma das primeiras a trazer o método para o Brasil, e mostra o desenvolvimento do trabalho de Morris Netherton.
Considera importante ressaltar que a técnica não faz milagres, e que simplesmente ver a vida passada também não é sinônimo de cura.
É preciso fazer associações com a vida presente, trabalhar cuidadosamente cada emoção, ou seja, é preciso preparo para trabalhar as informações – e aí reside a importância do trabalho ser feito por um bom profissional.
A autora enfatiza que raros são os casos onde a pessoa fica bloqueada, incapaz de efetuar a regressão. Normalmente a consciência do propósito e a intenção de buscar a cura são suficientes. Deixa claro que não é relevante o paciente acreditar ou não em reencarnação, apenas o terapeuta deve estar firme nas suas convicções. Sobre o perigo de “não voltar” do passado, enfatiza:
Apesar de todo o realismo, não há o menor perigo da pessoa ficar “presa” ou traumatizada, porque, de acordo com o método que pratico, demonstro as relações entre os fatos vistos na regressão e a vida atual, e conscientizo o paciente de que o conteúdo da regressão é passado – à medida que ele se libertar desse passado, compreendendo seus erros e acertos, conseguirá também se libertar dos problemas atuais, que são intrínsecos aos problemas passados”. (A Evolução da Terapia de Vidas Passadas, pg. 19)
Elaine contribuiu principalmente na solidificação do método de Netherton no Brasil, e no trabalho com a parte espiritual, trabalho esse que tem como colega a Dra. Maria Teodora Ribeiro Guimarães.
Os demais autores brasileiros serão apresentados vinculados às suas instituições, no próximo capítulo.





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