Introdução a Homeopatia Karen Lobato Pádua Resumo



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Introdução a Homeopatia

Karen Lobato Pádua


Resumo

A homeopatia surgiu há pouco mais de 200 anos quando o médico alemão Samuel Hahnemann usou um princípio de Hipócrates, o pai da medicina, que dizia que uma das formas de curar é através dos semelhantes. Então, o princípio seria: semelhante cura semelhante, ou seja, uma mesma substância é capaz de curar o que ela provoca no organismo são. Esse é o princípio básico da homeopatia.


Palavras-chave: Semelhante. Hahnemann. Dinaminização.

Introdução
A homeopatia é uma prática médica que cura uma doença com o seu semelhante. Isto significa tratar a pessoa doente com uma substância que produziria, numa pessoa saudável, os mesmos sintomas. A medicina ortodoxa considera os sintomas como uma manifestação direta da doença. A homeopatia, ao contrário, vê os sintomas como uma reação contra a doença, e procura estimular essa reação ao invés de suprimi-la. Essencialmente um processe de cura natural, a homeopatia emprega remédios que ajudam o paciente a recuperar a saúde estimulando o poder de cura do próprio organismo. Assim trata-se o paciente e não somente a doença. Para a homeopatia não existem enfermidades, mas sim pessoas doentes. Segundo a filosofia homeopática, o funcionamento psicofísico do organismo é regido por uma forma de energia imaterial que interliga todas as suas partes. Essa energia vital é distinta não só da alma como das propriedades físico-químicas do organismo. Quando a energia vital vibra harmonicamente, a pessoa se encontra em perfeito estado de saúde e pode dirigir sua vontade, estando apta a realizar-se como ser humano. A doença nada mais é do que uma perturbação da energia vital, um sinal de que existe uma alteração do equilíbrio dinâmico e funcional do organismo. De acordo com essas ideias, a homeopatia não procura nem pretende combater as causas aparentes ou desencadeadoras da doença, mas sim trata de corrigir a susceptibilidade do individuo á doença, a fim de devolver á energia vital perturbada.
1 Fundamentos da homeopatia
A homeopatia é uma terapêutica médica que consiste em curar os doentes valendo-se de remédios preparados em diluições infinitesimais e capazes de produzir no homem aparentemente sintomas semelhantes aos da doença que devem curar num paciente especifico. Com esta conceituação da homeopatia, pode-se distinguir os seus três fundamentos básicos:

  • Principio da semelhança

  • Experimentação no homem sadio

  • Ação de diluições infinitesimais

A homeopatia além de ser uma especialidade metodológica no ramo da terapêutica médica, também propõe uma concepção médica avançada, abordando de forma integrada os binômios saúde-doença e doença-doente. Ela é uma terapêutica médica da pessoa, pois está orientada para a compreensão global da pessoa doente dentro do seu mundo e para o aspecto pessoal de suas reações mórbidas diante das agressões que sofre.


1.1 Princípio da semelhança
Similia similibus curentu, ou seja, que os semelhantes sejam curados pelos semelhantes: este é o principio básico e alicerce maior da terapêutica homeopática. Enunciado por Hipocrátes, o pai da medicina, somente veio a ser convenientemente entendido e aplicado a partir dos trabalhos de Hahnemann.

Toda substância capaz de provocar determinados sintomas (físicos ou psíquicos) numa pessoa sadia é também capaz de curar uma pessoa doente que apresente estes mesmos sintomas: esta é a ideia central do principio da semelhança.

Para que você compreenda com mais clareza, vamos tomar como exemplo uma situaçaõ em que poderia ocorrer a indicação homeopática da beladona, em um quadro de amigdalite aguda.

A beladona (Atropa beladona) pode ser facilmente lembrada como a “planta da beleza” das mulheres romanas no tempo dos grandes festins, deixando-as bonitas e atraentes (bela dona). De fato, se alguém ingere uma quantidade subtóxica surge um rubor facial, a pupila dos olhos se dilata, a boca fica seca e o individuo fica com sede, num estado febril e irradiante de calor que pode evoluir até o surgimento de delírios. Se uma pessoa, com intensa congestão de amigdalas, rubor facial, febre elevada de inicio abrupto, boca seca, com sede, apresenta ainda uma dilatação das pupilas estamos então autorizados a prescrever-lhe, homeopaticamente, a Belladona, baseados no principio da semelhança.


1.2 Experimentação no homem sadio
Hahnemann, antes de decidir pela experimentação repetida dos medicamentos em si mesmo, familiares e amigos, elaborou a hipótese de trabalho que os medicamentos somente curam em virtude de sua capacidade de tornar o homem doente, e também que somente curam doenças cujos sintomas são semelhantes aos que eles mesmos podem produzir no organismo aparentemente são.

A experimentação no homem sadio, do ponto de vista homeopático, consiste na administração repetida de uma determinada diluição homeopática de uma única substancia e o registro de todos os sintomas proeminentes da sua administração, criteriosa e precisamente observados. Hahnemann estabeleceu, quase 30 anos de Claude Bernard (cientista francês considerado o pai da medicina experimental), um conjunto de orientações que garantem parcialmente, a confiabilidade dos resultados da experimentação.

Em primeiro lugar, definia com bastante precisão a origem da substância a ser experimentada (uma só em cada experimento), o seu modo de preparação e sua posologia (modo de administração, dose e repetição) Insistia na necessidade de “observações múltiplas em grande número de indivíduos de ambos os sexos, adequadamente escolhidos e de todas as constituições”, sugerindo a escolha de experimentadores fidedignos e conscienciosos (de preferencia médicos) que deveriam se submeter a um determinado regime (alimentar e físico) durante a realização da experimentação.

Várias reexperimentações de medicamentos ocorreram após a morte de Hahnemann, sob a responsabilidade quer de associações médicas ou de pesquisadores individuais, valendo-se agora de técnicas mais elaboradas e não utilizadas por Hahnemann, como o duplo-cego (tanto o experimentador como o diretor da experimentação desconhecem o real conteúdo da droga experimentada, que pode ser um placebo ou um medicamento), na tentativa de confirmar e aprimorar as patogenesias dos medicamentos homeopáticos(patogenesia: conjunto de sintomas objetivos e subjetivos obtidos em linguagem dos experimentadores). A descrição do conjunto dos sintomas patogenéticos, acrescidos dos sintomas curados na experiência clínica com o uso do medicamento e , caso existam, de dados referentes a intoxicações e ensaios farmacológicos do mesmo, constitui a Matéria Médica Homeopática.


1.3 A Ação de Altíssimas Diluições
Para a farmacologia clássica é condição necessária que todo medicamento ou fármaco seja um agente químico, portanto contendo matéria. A homeopatia, diluindo sucessivamente a substância de base, chega a diluições ditas infinitesimais, onde teoricamente não deveria existir uma única molécula da substância original, ou seja, o medicamento homeopático passaria a não ser mais um agente puramente químico, e sim físico.

Se tudo no universo é matéria e energia, se a matéria e a energia se interconvertem, se não há vida humana sem energia, é valida e oportuna a pesquisa de recursos energéticos (físicos) para reequilibrar um organismo doente, que por sua vez é também constituído por células e moléculas (matéria) e, inevitavelmente, mantem-se vivo à custa de reações metabó1icas (físico-químicas) que geram a energia necessária à vida.

Hahnemann, em 1816, afirmava que "não foi em virtude de uma opinião preconcebida nem por amor à excentricidade que me decidi a favor de doses tão fracas, tanto em relação à quina como a qualquer outra substancia. Cheguei aí depois de experiências e observações frequentemente repetidas, e elas me demonstraram que maiores quantidades de medicamentos, mesmo em caso em que fazem bem, agem com intensidade maior do que a necessária para obter a cura. Por isso diminuí-as, e como continuei a observar os mesmos efeitos, embora em grau menor, desci ate as mais ínfimas doses, que me parecem suficientes para exercerem uma ação salutar, sem agirem com violência capaz de retardar a cura".

Além das diluições sucessivas, os medicamentos também deveriam sofrer agitações verticais, ou sucussões, capazes de dinamizá-los. Esta ideia de diluição provocou o aparecimento de pilhérias, piadas e comparações ridículas, inclusive de autores considerados sérios na área de farmacologia médica, como A. G. Clark, que escrevia em 1933 (e foi copiado por muitos autores mais recentes de farmacologia, inclusive brasileiros): "de 1829 em diante Hahnemann recomendava que a administração de todas as drogas fosse feita empregando-se a 30a. potência, isto é, na concentração de 1 para 1060. Tal diluição corresponde a presença de uma molécula da droga ativa numa esfera de circunferência igual à ''orbita de Netuno".

Hoje, apesar da descoberta da ação de substâncias, como a prostaglandina, em diluições tão pequenas como a do picograma (um bilionésimo do grama), as pessoas ainda experimentam vertigens ao pensar que uma substância em diluição infinitesimal possa agir. E isto tem sido documentado em experiências biológicas com vegetais e animais e em observações clínicas com animais e seres humanos, embora ainda não tenha recebido uma explicação aceitável e consistente no terreno científico da física.
4 Diluição, dinamização e liberação de energia
Em seus experimentos, Hahnemann descobriu que os remédios obtidos eram mais eficazes quando extremamente diluídos. Isso era particularmente visível no caso dos venenos, que frequentemente produziam sintomas similares aos de certas doenças e que, em dose muito diluídas podiam ser usados como remédios segurando o principio do “semelhante cura semelhante”. Durante um longo período, Hahnemann e seus seguidores tomaram pequenas doses de várias substâncias reconhecidamente venenosas e anotaram os sintomas que elas produziam. Mais tarde pacientes que sofriam de sintomas similares passaram a ser tratados com essas substancias. Os resultados foram tão encorajadores que Hahnemann passou a pesquisar a menor dose eficaz, a fim de reduzir os efeitos colaterais. Foi assim que chegou ás doses infinitesimais e dinamizadas.

Hahnemann despertava energia curativa das substâncias através de sucessivas diluições e sucussões, até que já não restasse qualquer vestígio da substância original- quanto mais diluída a substancia, mais energia liberada. Não era a quantidade de substancia que importava, ao contrário: quanto menor a quantidade presente na diluição, maior o potencial de energia curativa desprendida. A dinamização é a essência da terapêutica homeopática, que não trabalha com a matéria em sua forma densa, e sim com a energia- ou forma sublimada e mais sutil dessa mesma matéria.


5 Preparo dos medicamentos

As substâncias solúveis são diluídas em um veiculo constituído por álcool e água; as insolúveis, por sua vez, são trituradas em porções de ladose até que se tornem solúveis. A partir daí, as diluições sucessivas. São feitas em duas escalas principais: decimal e centesimal. No primeiro caso, uma parte da substância básica é diluída em 9 partes do veículo e o frasco é agitado por 100 vezes - está pronta a primeira dinamização decimal, ou primeira potência. Para indicá-la, usa-se lD, D1 ou lx no rótulo do remédio. Ao diluirmos uma parte de D1 em 9 partes do veiculo e agitarmos mais 100 vezes, teremos a segunda dinamização ou segunda potência decimal, indicada por 2D, D2 ou 2x. No caso da escala centesimal, o processo é o mesmo, só muda a proporção: uma parte da substância básica para 99 partes do veículo. Assim, a indicação C6 no rótulo de um remédio indica que foram feitas 6 diluições na escala centesimal.


6 Diagnóstico e Aplicação
Para se tratar homeopaticamente, o paciente é submetido a um longo quetionário, através do qual o médico procura obter o maior número possível de informações, tanto a respeito da doença como do próprio paciente, Ás vezes, um simples traço da personalidade poderá auxiliar na escolha do medicamento masi adequado para a pessoa. Partindo do principio de que a reação orgânica varia conforme o individuo, cria-se um sistema de tratamento voltado especificamente para o doente. Procurando remover a causa energética das doenças -embora isso se baseia na observação dos sinais e sintomas- , a homeopatia promove a rearmonização do organismo e a cura real.

Quando combatemos apenas os sintomas, como faz a alopatia ao utilizar antibióticos, analgésicos, antitérmicos, etc., “abafamos” a capacidade de cura do organismo e permitimos a retenção de energias mórbidas, realizando uma falsa cura.


6.1 Dinamização e dosagens
Em geral as baixas dinamizações (D1, D2,D3, C1,C2,C3) são inicadas para o tratamento de casos agudos, e são ministradas a intervalos curtos (de hora em hora, por exemplo), aumentando-se os intervalos á amedida que os sintomas vão se tornando menos intensos.

As altas dinamizações, por sua vez, são utilizadas em casos crônicos, com intervalos maiores (diariamente, semanalmente ou mensalmente, por exemplo).



Considerações Finais
Dois séculos de atividade não foram suficientes para a homeopatia deixar de ser vista com desconfiança. Acusada de ser uma pseudociência ou um placebo (com resultados de natureza psicológica), a prática homeopática é polêmica porque não se encaixa no método de investigação adotado pela comunidade científica. O princípio da ultradiluição, por exemplo, um de seus pilares, intriga os cientistas. Faltam argumentos para comprovar sua eficiência, mas também para contestá-la.

Por outro lado, é cada vez maior o número de pessoas que, quando doentes, optam por tratamentos homeopáticos. Alguns médicos alopatas, da chamada medicina tradicional, reconhecem que o tratamento homeopático é o mais indicado, por exemplo, para as doenças alérgicas das vias respiratórias. Vários trabalhos científicos surgiram nos últimos anos com o intuito de esclarecer as bases dessa prática, e a maioria deles todos chegaram à conclusão de que esta funciona.


Referências
Revista Minas Faz Ciência. Disponível em www.revista.fapemig.br

Bibliografia Consultada
DANTAS, Flávio. O que é Homeopatia. 4ª ed. São Paulo, Brasiliense, 1989. Col. Primeira Passos, v. 134

CAIRO, N. "Guia de Medicina Homeopática" (21ª edição), ed. Livraria Teixeira LTDA. São Paulo, 1972.

CAMPBELL, A "The two faces of homeopathie. Robert Halle, ed Londres, 1984.

EIZAYAGA, F. X. "Tratado de Medicina Homeopática" Buenos Aires, ediciones Marecel, 1972.



LANDMANN, J "As Medicinas alternativas: Mito, Embuste ou Ciência?" Ed. Guanabara, 1987(?).

NOVAES, R.L. "O tempo e a ordem sobre a homeopatia", Ed. Cortez Editora, 1989


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