Introdução



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Liderança carismática e intermediários políticos. A formação de uma elite dirigente provincial no peronismo argentino, 1946-1950.

Oscar H. Aelo


Introdução


A poderosa imagem de um movimento político articulado na relação direta entre líder carismático e massas populares foi dominante nas interpretações sobre o peronismo. As análises acadêmicas tenderam a indagar nas características, atitudes ou motivações das classes populares, especialmente na classe operária, que explicariam a emergência e consolidação desse vínculo carismático1. Nesse marco, foi esquecido todo interesse por pesquisar nas origens ou formação dos elencos políticos de segundo nível. Como muito, bastava com a presunção de se tratar de “reacionários e gentes atraídas sem íntima convicção e pelo tanto somente interessados na sua prosperidade pessoal”, segundo a terminante sentença de T. Halperin Donghi2. Na nossa comunicação, propomo-nos mostrar o processo de formação e consolidação de uma elite dirigente peronista na província de Buenos Aires. Para tanto, relacionam-se as origens da elite parlamentar provincial, a importância decisiva dos seus componentes na configuração do Partido Peronista, e a confluência ou virtual identificação entre elites parlamentares e partidárias. Sugere-se, finalmente, que tal processo tem direta relevância para a explicação geral –nacional- do peronismo.

Primeiro problema: procedências


O General Juan D. Perón foi eleito presidente da Argentina em 1946 conduzindo uma coalizão política formada pelos partidos Laborista e Junta Renovadora, os que foram acompanhados por outras forças políticas menores3. Candidato “continuísta”, segundo a terminologia da oposição política da época, do regime militar conhecido como “Revolução de Junho” que havia tomado o poder em 4 de junho de 1943 derrocando o governo conservador, Perón derrotou na ocasião a uma aliança denominada “União Democrática”, formada pelos partidos Radical, Socialista e Comunista.

Os resultados da eleição de fevereiro de 1946 têm dado lugar a um ativo debate em torno à natureza dos apoios sociais que Perón recebeu. As interpretações mais relevantes destacam as diferenças regionais no voto peronista. Assim, nas áreas modernas, urbano-industriais do país, o peronismo emergente sustentou-se, quase exclusivamente, no voto operário. Pelo contrário, nas áreas do país mais atrasadas, ou periféricas, o voto peronista foi essencialmente “popular”, de classes baixas trabalhadoras não necessariamente operárias4. Por esta via, que destaca a existência não metafórica de “duas Argentinas”5, sugere-se que nas áreas não desenvolvidas a incorporação, ou o apoio, de atores políticos com práticas tradicionais geralmente provindos das classes altas locais (habitualmente denominados “caudilhos”) teria sido decisivo para o êxito da coalizão peronista6.

Partindo de um esquema similar, I. Llorente analisou os resultados da eleição de 1946 na província de Buenos Aires7. Segundo ele, também no próprio âmbito bonaerense podia descobrir-se a dicotomia básica entre áreas modernas e tradicionais, e uma correlação similar do voto. Mas o autor foi além desta comprovação, e propôs uma interpretação mais propriamente política da configuração inicial do peronismo na província. Neste sentido, destacava que o Partido Radical8, hegemonizado pela sua ala mais progressista, desenvolveu uma campanha muito agressiva contra o Partido Conservador9. Pela sua vez, os radicais da Junta Renovadora, embora na sua maioria pertencentes, segundo ele, à corrente “alvearista” também rejeitaram toda “infiltração” de dirigentes conservadores nas suas fileiras. Mas não aconteceu isso com o Partido Laborista, cujos dirigentes parecem ter realizado um acordo com os conservadores que lhes permitiu vincular-se com votantes dos distritos tradicionais que de outra forma lhes seriam inacessíveis. Deste modo, afirma Llorente, “nas zonas periféricas o laborismo montou-se sobre a base do antigo Partido Conservador”10. Nesta interpretação geral, que foi aceita e reforçada em trabalhos posteriores11, o nascente peronismo parece ter conformado a sua elite dirigente misturando a líderes sindicais com recrutas “oportunistas” provindos do radicalismo –especialmente alvearista- e do conservadorismo12.

Analisaremos a continuação a conformação originária do peronismo provincial. Cabem poucas dúvidas que o núcleo dirigente inicial do Partido Laborista na província de Buenos Aires esteve formado principalmente por sindicalistas, tanto “novos” quanto “velhos”13. Além de sua identificação com os postulados da Revolução de Junho e seu fervoroso anticomunismo, esse núcleo também foi sumamente relutante ao trabalho conjunto com os radicais renovadores14. Por outra parte, e contrariando a idéia proposta por Elena Pont no sentido que esse partido só foi formado por militantes sindicais15, a necessidade de conformar as listas de candidatos em 1946 nos distritos do interior da província onde a classe operária era fraca ou inexistente, levou à incorporação de pessoas que eram alheias ao mundo operário. Contudo, a análise do emergente elenco de dirigentes laboristas na província não confirma a presença entre eles de uma quantidade apreciável de antigos “caudilhos” conservadores16. Tratou-se, pelo contrário, de uma camada de homens novos, sem antecedentes políticos relevantes no âmbito provincial.

A mesma consideração pode se fazer a respeito dos integrantes da Junta Renovadora. Uma parte dos dirigentes deste agrupamento eram veteranos militantes radicais, afastados daquele partido desde começos dos anos trinta; fato, vale indicar, que abre sérias dúvidas sobre a sua pertença à corrente alvearista17. Mas a maior parte dos seus integrantes eram homens sem antecedentes públicos, ou ainda partidários, de mínima relevância. Além da Junta Renovadora, houve outro canal de incorporação de ex-radicais no peronismo. Referimo-nos à “Força de Orientação Radical da Jovem Argentina”, núcleo de jovens radicais opostos à direção alvearista da UCR, logo afastados do partido, e que se incorporaram ao peronismo tanto através da Junta Renovadora como inclusive do laborismo18.

Este novo elenco de homens políticos parece ter se incorporado espontaneamente ao peronismo ativados pela emergência de uma liderança “nacional e popular” que aparecia, na época, profundamente transgressora quando não “revolucionária”. Mas nem tudo foi espontâneo no novo movimento. A montagem do projeto político de Perón iniciou-se na província a finais de 1944 com a designação de Juan A. Bramuglia como Interventor Federal19. Além de questionar o monopólio do discurso “democrático” que a oposição ao regime militar tinha, o Interventor mostrou-se inclinado a incorporar dirigentes radicais (que se afastavam do seu partido) ao novo projeto, outorgando-lhes os instrumentos políticos necessários para potencializar a sua atividade. Assim, os ministros de Bramuglia foram caracterizados dirigentes radicais –principalmente, contrários ao alvearismo20-. Aliás, houve ainda uma forma mais precisa pela qual o Estado provincial colaborou na incorporação, ou no recrutamento, de dirigentes para o (ainda inominado) “peronismo”: a designação de “comissionados municipais”, ao longo da geografia provincial21. Sendo evidente que o interesse do Interventor era vincular-se com dirigentes radicais, parece óbvio que os comissionados designados pertenceriam a essa corrente política os quais, pode se supor, teriam sido “indicados” pelos ministros, e outros homens prestigiosos de origem radical aproximados a Perón e a seus mais íntimos colaboradores22. Em definitivo, o cargo de comissionado revelou-se como um “garimpo” de novos dirigentes, os quais se incorporaram, em 1946, principal –mas não exclusivamente- na Junta Renovadora23.

A configuração inicial da elite peronista na província de Buenos Aires não confirma a suposta presença dominante de atores provindos do conservadorismo. Pelo contrário, o componente principal, dentre as tradições políticas prévias, foi aportado pelos membros desligados do Partido Radical, embora a característica distintiva foi a emergência de uma nova camada de homens políticos.

Chegados a este ponto, talvez seria interessante fazer uma breve comparação interprovincial. Na sua análise sobre o peronismo da província de Córdoba, César Tcach demonstrou a estendida presença de homens provindos do conservadorismo no novo movimento, cujo “peso” relativo teria sido importante em três aspectos principais:

“por el sesgo ideológico que confirió al peronismo de Córdoba, por su aporte a los niveles de gestión estatal, y por la contribución de sus caudillos departamentales a la organización del partido”24.

O trabalho de Tcach inseria-se naturalmente na idéia geral, provinda da sociologia eleitoral, que sugeria a incorporação ao peronismo dos sempiternos “caudilhos” conservadores nas áreas periféricas do país. Em outras palavras, o peronismo cordobés aparecia como um exemplo preciso e documentalmente apoiado da hipótese formulada por Mora y Araujo, acerca da importância dos caudilhos políticos para controlar aos setores populares não operários e que para esse controle “o peronismo se serviu com bastante êxito dos aparatos políticos locais do conservadorismo”25.

Como vimos, o “caso” da província de Buenos Aires não confirma esta sugestão. Se neste âmbito o peronismo incorporou atores políticos com práticas tradicionais, de patronato ou clientela, eles não provieram do conservadorismo. Parece bem mais provável que fossem alguns dos dirigentes radicais que somavam-se ao peronismo os que levaram consigo tais práticas. Isto não seria estranho: radicais e conservadores poderiam brigar, e brigaram, nas altas cumes da política; mas os mecanismos das suas vinculações com o eleitorado popular mostraram-se em substância semelhantes26.

Os novos trabalhos que sobre a origem do peronismo nas províncias mais atrasadas e periféricas do país estiveram aparecendo nos últimos anos parecem apontar nesta mesma direção. Os casos de Salta, Jujuy e Mendoza indicam com suficiente precisão que a contribuição conservadora foi insignificante27. Nessas províncias, onde o laborismo apenas pôde se formar, as frações do Partido Radical que passavam-se ao peronismo foram decisivas na configuração inicial das suas elites dirigentes. Na província de Tucumán, o peronismo foi hegemonizado pelos líderes sindicais que formaram o Partido Laborista, os que aceitaram um tanto relutantemente o apoio dos dirigentes radicais cindidos do seu partido; novamente, os conservadores brilham pela sua ausência28. Numa província mais moderna, como Santa Fe, não parece ter sido apreciável o componente conservador, sendo mais notável a participação radical e a católica29. Adicionalmente, os elencos peronistas em um território nacional revelam uma evidente ruptura com respeito ao pessoal político prévio30.

Resumindo. É bem provável que o peronismo tenha incorporado, nas suas origens, atores políticos com práticas “caudilhistas”, especialmente nas províncias, ou distritos de províncias, mais tradicionais ou atrasadas. Mas esses atores parecem ter provindo, principal se não exclusivamente, do Partido Radical. Embora parece razoável a idéia que o voto peronista sustentou-se diferentemente nas áreas modernas e nas atrasadas, isto é, proletário nas primeiras e popular (ou policlassista) nas segundas, e que nestas últimas o controle político permaneceu nas mãos de frações das classes altas locais, é menos razoável (ou nada razoável) a suposição que essas características colocavam ao peronismo “em linha com a experiência do velho conservadorismo popular”31. Até que novos trabalhos sobre as províncias permitam uma comparação mais exaustiva, os dados existentes indicam que a configuração inicial das elites políticas peronistas no nível provincial conjugou sindicalistas, radicais e homens novos, acompanhados em escassa quantidade por integrantes de outras famílias políticas: conservadores, nacionalistas, socialistas, comunistas, etc.

Segundo problema: amálgamas

Recrutar e incorporar vontades militantes das mais variadas procedências pode ser útil para vencer numa eleição. Essa mesma variedade pode não mostrar-se tão útil quando se trata de governar. Deve se somar, no caso do peronismo, que os partidos formadores da coalizão que levou a Perón a presidência e à obtenção de todos os governos nas províncias mantiveram profundas diferenças durante toda a campanha eleitoral as que, uma vez vencedores, tenderam a se agravar mais do que apaziguar. Nesse marco, e depois de sucessivas tentativas de “unificação”, o presidente eleito Perón, auto-assumindo o cargo de “chefe supremo do movimento” ordenou a dissolução das forças políticas peronistas e a sua integração numa nova, denominada Partido Único da Revolução32. Como é possível suspeitar, as fricções entre os diferentes pontos de vista exprimidos por laboristas, radicais e demais integrantes da elite inicial peronista tenderam a se reproduzir no novo partido33.

Como conseguiram, se é que conseguiram, os peronistas amalgamar-se numa única força política após tão complicado ponto de partida? Voltaremos ao âmbito específico da província de Buenos Aires para indagar em algumas possibilidades. Elas enfocam principalmente a atividade dos dirigentes. Se bem é mais do que provável que o peronismo estivesse unificado na base em razão da liderança carismática de Perón, uma organização política depende crucialmente da sua elite dirigente. Como indicava Gramsci, para formar um exército é mais importante contar com capitães do que com soldados, o que traduzido à política significava que um partido não poderia existir sem dirigentes34.

Após a vitória eleitoral de 1946, praticamente os únicos que poderiam ser reconhecidos como tais dentro do peronismo eram os indivíduos que obtiveram cargos públicos, sendo o componente numérico majoritário entre eles os integrantes dos corpos parlamentares. O próprio Perón deu-se conta dessa situação ao encarregar aos “camaradas legisladores” (deputados e senadores no Congresso federal) a organização do Partido Único35. Até que o novo partido pudesse se estruturar, a defesa pública das políticas peronistas foi assumida pelos legisladores federais e provinciais. Desse modo, a “face parlamentar” de um partido ainda em formação foi de fato a única visível, desde o momento que os peronistas –com ou sem partido- deviam governar os estados e a nação. O grupo parlamentar peronista na província de Buenos Aires esteve composto inicialmente por 70 legisladores, dos quais 51 laboristas e 19 renovadores36. Entre os laboristas, por sua vez, observava-se uma composição variada: sindicalistas, socialistas, radicais, forjistas, etc. Ao começar o período parlamentar, em abril de 1946, os legisladores estiveram divididos em dois “bloques”, laborista e renovador. Pouco depois, no marco das pressões pela unificação das forças peronistas, os laboristas estiveram divididos entre os partidários da unificação e os “rebeldes” e, após a ordem de Perón, laboristas unificadores e renovadores formaram “bloques” peronistas, ficando uns poucos legisladores laboristas em forma independente37.

Como tem sido observado, os parlamentos não são âmbitos por onde os líderes “passam” senão onde os líderes se “fazem”38. Isto parece elementar no caso do peronismo. Pessoas sem experiência pública anterior, provindos de diferentes tradições políticas e que apenas se conheciam (se é que se conheciam) entre sí, acharam na Legislatura provincial o cenário propício para compartilhar idéias, conhecimentos, valores, que poderiam ser aplicados na articulação das políticas públicas que inevitavelmente necessitavam de validação parlamentar. Ao mesmo tempo, a defesa dos pontos de vista peronistas (que na época não eram necessariamente unívocos) nos debates legislativos, as negociações e confrontos com os membros da oposição sem dúvida precipitaram, no marco dessa experiência coletiva, o surgimento de uma “elite” entre os legisladores peronistas, legitimada por sua capacidade ou habilidade pelo conjunto dos seus integrantes.

Por outra parte, essas vontades militantes postas em ação no âmbito parlamentar não podiam se limitar a um trabalho exclusivamente institucional. Os peronistas tinham que construir o seu partido e os legisladores tiveram, nesta tarefa, um papel crucial senão decisivo. Conformada a Junta Provincial do Partido Único, chefiada pelo Presidente da Câmara dos Deputados da província39, os peronistas defrontaram-se com vários problemas. Em primeiro lugar, a inexistência de critérios partilhados acerca de como “fazer” um partido. Neste sentido, os dirigentes exploraram diversas alternativas, embora pelo momento tiveram que se conformar na aceitação da informalidade predominante no tumultuoso conglomerado peronista40. Em segundo lugar, as insistentes demandas da oposição pela normalização dos governos municipais. Apesar de certas tentativas, neste caso os peronistas simplesmente deveram adiar essa normalização até tanto tivessem mecanismos apropriados para escolher candidatos a cargos públicos41.

Tais mecanismos experimentaram-se finalmente nas primeiras eleições internas desenvolvidas no (agora denominado) Partido Peronista42. Elas tiveram lugar o dia 21 de setembro de 1947, em todas as províncias do país, tendo como objetivo principal a eleição de delegados ao Primeiro Congresso Nacional partidário –que seria o Congresso fundador do partido-. Mais interessante é analisar o “formato” com o qual os peronistas bonaerenses organizaram a sua “interna”. Contando com um altíssimo grau de participação popular43, os filiados peronistas elegeram, além dos delegados “federais”, as autoridades partidárias em cada um dos municípios que integravam a província44. Este é um dado singular, que revela uma notável capacidade de engenharia política. Por uma parte, este desenho deixava a resolução da presumível legitimidade dos dirigentes -ou aspirantes a dirigentes- no nível municipal, tendo em vista a próxima convocatória (impossível de continuar adiando) a eleições gerais nesse nível. Pelo menos em parte, este critério permitia dirimir supremacias locais e facilitava a designação de candidatos públicos. Uma segunda característica do formato da eleição interna pode ser destacada. Em tanto as disputas no nível “nacional” do Partido Peronista continuavam livrando-se entre laboristas e renovadores (as vezes entendidos como “sindicalistas” e “políticos”), a limitação ao nível municipal do pleito eleitoral interno evitava a conformação de listas com alcance provincial que reproduzissem essa dicotomia45. Finalmente, uma outra característica que talvez deva entender-se como uma “conseqüência não intencional” do desenho experimentado reside nos curtos-circuitos entre a legitimidade inicial dos legisladores –como representantes do povo- e a nova legitimidade outorgada pelos filiados ao partido que poderia entrar em contradição com aquela (no caso, por exemplo, de um legislador que se apresentasse e perdesse na disputa partidária).

A proximidade das eleições gerais (que se realizariam em março de 1948) defrontavam ao parcialmente organizado Partido Peronista com outro problema: a designação dos seus candidatos para cargos públicos. Neste sentido, e deixando de lado pelo momento a questão de quem pode ser candidato, atenderemos ao problema de quem pode selecionar candidatos, e como o faz. Num continuum entre inclusividade e exclusividade, os habilitados para participar da seleção podem ir desde a totalidade do eleitorado (máxima inclusividade) até a vontade omnímoda do líder partidário (máxima exclusividade)46. Apesar que os opositores contemporâneos acreditavam que Perón era quem decidia as candidaturas, a realidade do caso que estudamos mostra-se bem diferente. Em janeiro de 1948, os delegados eleitos para o Congresso nacional do partido foram habilitados para se reunir como “Convenções” provinciais para escolher os candidatos a deputado federal47. Os convencionais bonaerenses, indo além dessa possibilidade outorgada pela Carta Orgánica, escolheram todos os candidatos que representariam ao peronismo nas seguintes eleições: deputados federais, legisladores provinciais, prefeitos e vereadores para todas as municipalidades. Após longas deliberações, que com certeza incluíram negociações “entre bastidores” entre delegados, legisladores e autoridades partidárias, os convencionais peronistas apresentaram os seus candidatos48. Isto significa que, nesse continuum de que falamos, os peronistas acharam-se num ponto intermédio, optando por encarregar esta tarefa numa agência partidária eleita pelos filiados. Os critérios utilizados na seleção devem ter sido variados, mas um dado é relevante: 49% dos candidatos haviam participado, e vencido, na eleição interna49. Também é possível indicar um outro elemento. Embora o formato da eleição interna, como dissemos, tendia a apagar a persistência de laboristas e renovadores como correntes dentro do partido, os candidatos selecionados mostram uma notável paridade entre indivíduos que tinham pertencido a uns ou outros50. Isto assinala duas coisas. Por uma parte, indica –como seria óbvio- que a maior percentagem de dirigentes peronistas foi recrutada entre aquelas linhas fundadoras. Por outra parte, é possível pensar que os delegados tentaram preservar um equilíbrio considerado por eles frágil e evitaram provocar a continuação das disputas internas outorgando cargos em proporções semelhantes. Finalmente, os resultados da Convenção e as muito limitadas denuncias de arbitrariedades que poderiam ter sido cometidas na montagem das listas51, revela o alto grau de “consenso” conseguido pelos delegados, na medida que os mecanismos partidários estavam ainda em processo de experimentação.

Os clamorosos triunfos peronistas nas eleições gerais de março e dezembro de 194852 contribuíram a solidificar tanto o partido como a sua elite dirigente provincial. Por uma parte, as autoridades partidárias eleitas em cada município comprovaram que as atividades conducentes à legitimação das diretorias locais não foram em vão: essas diretorias chefiaram as campanhas eleitorais nos seus respectivos distritos, obtendo contundentes êxitos perante os seus adversários53. Por outra parte, o corpo parlamentar provincial renovou-se incorporando dirigentes legitimados tanto pelos filiados ao partido como, noutros casos, pelo consenso entre os delegados (que em boa parte eram, pela sua vez, parlamentares). Desse modo, para finais de 1948 o Partido Peronista na província podia exibir-se como uma força política dinâmica, com autoridades partidárias locais legítimas e mecanismos de seleção de candidatos centralizados numa agência do partido (a Convenção provincial) eleita pelos filiados.

Dois anos depois da primeira eleição interna, os membros do partido foram convocados novamente para escolher autoridades partidárias. Para finais de 1949 os filiados peronistas acorreram para eleger integrantes dos Conselhos Diretivos locais e delegados ao Congresso provincial partidário. Uma vez mais, o nível de participação popular foi extraordinário. Os cronistas da época não puderam deixar de observar as novidades da mobilização peronista:

“Una “interna” es ahora tan movida y brava como una de candidatos a una representación comunal o legislativa. El mismo despliegue de fuerzas, el mismo alzar de tribunas, la misma pasión. En este terreno debemos declarar que nunca la democracia ha sido, en una “interna”, más abierta y de juego público que hoy.”54

Este aspecto claramente contrastava com as características da vida interna dos partidos tradicionais da província (radical e conservador), onde as “eleições” internas eram simples movimentos dos caudilhos e seus cabos eleitorais “portas adentro” do partido. Por outra parte, essa mesma “paixão” posta em jogo para dirimir supremacias internas nas ruas e praças da província toda contribuía, a sua maneira, na consolidação da identidade peronista dos militantes, filiados ou meros votantes. Adicionalmente, a conformação de uma, duas o mais listas para integrantes dos Conselhos Diretivos locais indicava o paciente trabalho de articulação de vontades militantes levado a cabo pelos dirigentes peronistas (tanto distritais quanto provinciais), solidificando em definitivo os mecanismos formais e informais pelos quais se consolidava a elite dirigente.

Após a eleição interna, a Convenção partidária bonaerense reuniu-se o dia 30 de dezembro de 1949. Duas tarefas principais tiveram a seu cargo os delegados. Em primeiro lugar, a designação dos candidatos peronistas para as eleições gerais que se realizariam em março de 1950. Aprofundando um critério de seleção já visto anteriormente, neste caso 76% dos candidatos peronistas a cargos públicos provinciais tinham participado (e vencido) na eleição interna de 194955. Deste modo, uma regra não escrita, que poderia se formular como “o prêmio aos vencedores”, parece que estava se impondo como norma crucial para escolher candidatos. A mesma tendência pode se perceber no caso dos candidatos a cargos municipais. A Convenção mudou o mecanismo utilizado dois anos antes e simplesmente aprovou as listas confeccionadas pelos Conselhos locais. Apesar que a Carta Orgânica estabelecia claramente que as designações de candidatos ficava nas Convenções, as diretorias locais avançavam sobre a letra do estatuto impondo a força da sua legitimidade interna. Na medida que os delegados também eram eleitos no nível local, parece claro que não estavam dispostos a se opor a esta norma informal, senão, pelo contrário, a reforçá-la.

A segunda tarefa dos delegados mostrou-se como uma contundente amostra do grau de consolidação partidária conseguido na província. Segundo a Carta Orgânica, o máximo órgão de autoridade partidária na província seria o Conselho Diretivo Provincial. Até então, não obstante, todas as direções provinciais do peronismo estavam nas mãos de Interventores designados pela autoridade nacional (denominada Conselho Superior). A Convenção provincial bonaerense de 1949, pela primeira vez na vida interna do peronismo, elegeu e designou aos integrantes do Conselho Diretivo Provincial. Na principal província argentina, no principal distrito eleitoral do país, a autoridade executiva do Partido Peronista passava de um Interventor a um conjunto de dirigentes eleitos por uma assembléia legítima e legal. A composição desse Conselho provincial aparece como todo um símbolo do processo de fortalecimento partidário e consolidação das suas elites dirigentes: todos os integrantes dele foram vencedores na interna do partido nos seus respectivos distritos e todos ocupavam cargos públicos provinciais ou nacionais56. Desta maneira, entre os anos 1947 e 1950 o peronismo bonaerense conformou um real e certamente bem-sucedido partido político de massas, participativo e representativo, ao mesmo tempo que uma elite dirigente no cujo núcleo se achavam os representantes parlamentares.



Considerações finais

Acredita-se geralmente que o cimento que permitiu a amálgama de elementos provindos dos mais diversos âmbitos de atuação política foi a liderança carismática de Perón e os lineamentos doutrinários por ele estabelecidos. Sem negar validez a esta idéia, parece-nos que houve outros aspectos no peronismo originário que trabalharam também nesse sentido. Entre eles, os que temos exposto neste trabalho: o estabelecimento de mecanismos formais para resolver disputas internas, a atividade dos dirigentes para conformar órgãos partidários executivos e deliberativos e a consolidação de elites dirigentes representativas, tiveram o seu papel na difícil construção da unidade peronista. Estes processos, tal como acontecidos na província de Buenos Aires, revelam que a possibilidade de utilizar mecanismos “democráticos” ou ao menos representativos para dirimir conflitos internos partidários foi uma das alternativas abertas à experimentação. O fato de se tratar de um “caso” provincial não deveria iludir acerca das suas potencialidades, na medida que ele não é um simples reflexo de acontecimentos cuja explicação reside noutro nível (isto é, nacional) nem tampouco um mero racconto de particularidades locais. As províncias foram (e ainda são) “territórios de produção da política”57 e as suas características contribuíram a delinear o que se conhece como política “nacional”.



1 O debate acadêmico começou nas diversas atitudes que teria tido uma “nova” classe operária sem experiência política ou sindical e a “velha”, com ambas, segundo interpretou Gino Germani, Política y sociedad en una época de transición, Paidós, Buenos Aires, 1962, em tanto as explicações “revisionistas” negavam essa dualidade, como Miguel Murmis y Juan Carlos Portantiero, Estudios sobre los orígenes del peronismo, Siglo XXI, Buenos Aires, 1972. Uma síntese desse debate, Eldon Kenworthy, “Interpretaciones ortodoxas y revisionistas del apoyo inicial al peronismo”, Desarrollo Económico, vol. 14, Nº 56, julio-setiembre 1974, pp. 749-763.

2 Tulio Halperín Donghi, “Del fascismo al peronismo” (1956), in Argentina en el callejón, Ariel, Buenos Aires, 1994; p. 53.

3 O Partido Laborista foi fundado pelos líderes sindicais em outubro de 1945, na esteira da vasta mobilização popular de 17 desse mês que foi considerada a data fundadora do “peronismo”. A “União Cívica Radical (Junta Renovadora)” foi um agrupamento de dirigentes desligados do Partido Radical. Estes dois foram os partidos “nacionais” da coalizão peronista, no sentido que apresentaram candidatos em quase todas as províncias. Outras forças políticas tiveram um alcance provincial.

4 Walter Little, “Electoral Aspects of Peronism, 1946-1954”, Journal of Interamerican Studies and World Affairs, Vol 15, Issue 3, Aug. 1973, pp. 267-284. Manuel Mora y Araujo, “Introducción: la sociología electoral y la comprensión del peronismo”, in: M. Mora y Araujo e I. Llorente (comps.), El voto peronista: ensayos de sociología electoral argentina, Sudamericana, Buenos Aires, 1980.

5 Sobre esse tema, veja Adrián Gorelik, “Buenos Aires y el país: figuraciones de una fractura”, in Carlos Altamirano (ed.), La Argentina en el siglo XX, Ariel, Buenos Aires, 1999.

6 A mesma interpretação propôs Edward L. Gibson, Class and Conservative Parties. Argentina in Comparative Perspective, The John Hopkins University Press, Baltimore, 1996.

7 Ignacio Llorente, “Alianzas políticas en el surgimiento del peronismo: el caso de la provincia de Buenos Aires”, Desarrollo Económico, vol. 17, Nº 65, abril-junio 1977.

8 A União Cívica Radical (Partido Radical, tal como era nomeado popularmente) era uma força antiga da política argentina, fundada em 1891. Para começos dos anos quarenta, estava dividida em duas alas principais: “alvearistas” (logo “unionistas”) de características mais liberales, e “yrigoyenistas” (logo “intransigentes”) mais nacionalistas e populares.

9 Partido Conservador era a denominação popular do Partido Democrata Nacional, organizado em 1931 como uma federação de partidos (conservadores) provinciais.

10 Llorente: “Alianzas políticas...”, p. 84.

11 Por exemplo, Félix Luna, Perón y su tiempo. I. La Argentina era una fiesta 1946-1949, Sudamericana, Buenos Aires, 1984. Por sua parte, Juan C. Torre referindo-se à província de Buenos Aires afirma que “temerosos de una victoria radical, numerosos dirigentes [conservadores] optaron por emigrar a la coalición peronista”. Veja La vieja guardia sindical y Perón, Sudamericana, Buenos Aires, 1990, p. 166.

12 O termo “oportunista” referido aos radicais-peronistas parece que foi incorporado à linguagem acadêmica (com sorte excessiva) por Walter Little, “Party and State in Peronist Argentina, 1945-1955”, Hispanic American Historical Review, vol. 53, Nº 4, november 1973, pp. 644-662.

13 Referimo-nos ao debate sobre a participação de antigos líderes sindicais no apoio inicial ao peronismo. Novos dirigentes foram Cipriano Reyes (máximo dirigente na província) e R. Pedrera (vidrio), por exemplo. Antigos, H. Pugliese (frigoríficos), F. Arcucci ou B. Ottonello (ferroviários), todos atuantes desde os anos trinta.

14 O anticomunismo é particularmente notável nos líderes bonaerenses. Veja Cipriano Reyes, Yo hice el 17 de octubre. Memorias, CEAL, Buenos Aires, 1984. Os líderes nacionais do laborismo rejeitavam a colaboração radical, como se vê em Luis Gay, El Partido Laborista en la Argentina, Biblos, Buenos Aires, 1999.

15 Elena S. Pont, Partido Laborista: Estado y sindicatos, CEAL, Buenos Aires, 1984.

16 Temos comparado o elenco inicial do peronismo com os elencos políticos conservadores entre 1931 e 1943. Do numeroso conjunto de caudilhos conservadores que registramos (361 indivíduos) apenas um apareceu como candidato peronista (no laborismo). As fontes utilizadas foram: Cámara de Diputados de la Provincia de Buenos Aires. Diario de Sesiones (DSCDPBA) La Plata: Taller de Impresiones Oficiales, 1931-1955. Senado de la Provincia de Buenos Aires. Diario de Sesiones (SENPBA) La Plata: Taller de Impresiones Oficiales, 1931-1955. As listas de candidatos laboristas em 1946, La Nación, 15/2/1946.

17 A comparação, neste caso, tomou como base até 1931 as nominatas de dirigentes radicais provistas por Carlos Giacobone y Edit Rosalía Gallo, Radicalismo bonaerense. La ingeniería política de Hipólito Yrigoyen 1891-1931, Corregidor, Buenos Aires, 1999. Para o período posterior tomaram-se os nomes dos candidatos a cargos públicos registrados em La Nación, assim como as listas de dirigentes que aparecem em Gabriel del Mazo, El radicalismo: el movimiento de intransigencia y renovación (1945-1957), Raigal, Buenos Aires, 1957.

18 Uma extensa lista de integrantes de FORJA pode se achar no livro de Juan J. Hernández Arregui, La formación de la conciencia nacional, Plus Ultra, Buenos Aires, 3ª ed. 1973 (1ª 1960).

19 Veja Raanan Rein: “Preparando el camino para el peronismo: Juan A. Bramuglia como Interventor Federal en la Provincia de Buenos Aires”, in: Revista Europea de Estudios Latinoamericanos y del Caribe; Nº 67, Dec. 1999, Amsterdam, pp. 35-55.

20 Por exemplo, Ramón del Río, assinante de uma famosa “Declaração de Avellaneda” em 1945, ponto de partida da “intransigência” na União Cívica Radical.

21 O “comissionado” tinha funções de prefeito em cada município.

22 Deve-se lembrar aqui que Bramuglia não era homem da província de Buenos Aires e pelo tanto não conhecia aos políticos dela. Distinto era o caso dos seus ministros radicais, quem sem dúvida sabiam que pessoas podiam ser “indicadas”. Outros dirigentes radicais da província estavam já colaborando diretamente com Perón, como Alejandro Leloir (presidente do Banco da Nação desde 1944).

23 Os comissionados designados no crucial ano 1945 foram 279; deles, 22% foram candidatos nas eleições de 1946 (e outros mais nas eleições posteriores). Um exemplo emblemático seria o de Román Subiza: comissionado em 1945, candidato a deputado federal em 1946 pela Junta Renovadora e depois alto funcionário no governo de Perón. Os dados provêm de Registro Oficial de la Provincia de Buenos Aires. La Plata: Taller de Impresiones Oficiales, 1943-1946.

24 César Tcach, Sabattinismo y peronismo. Partidos políticos en Córdoba 1943-1955. Sudamericana, Buenos Aires, 1991, p. 171. O autor mostra uma lista de 30 dirigentes peronistas antes conservadores na página 169.

25 Mora y Araujo: “Introducción...”, p. 49.

26 Veja Richard Walter, La provincia de Buenos Aires en la política argentina 1912-1943, Emecé, Buenos Aires, 1987.

27 Veja-se Adriana Kindgard, “Ruptura partidaria, continuidad política. Los ‘tempranos’ orígenes del peronismo jujeño”. Azucena del Valle Michel, Esther Torino y Rubén Correa, “Crisis conservadora, fractura radical y surgimiento del peronismo en Salta (1943-1946)”. Yamile Alvarez, “En torno de los orígenes del peronismo mendocino”.

28 Gustavo Rubinstein, “El Estado peronista y la sindicalización de los trabajadores azucareros”. Este artigo, como os citados na nota anterior, em Darío Macor y César Tcach (eds.), La invención del peronismo en el interior del país, UNL, Santa Fe, 2003.

29 Darío Macor, “Elites estatales en los origenes del peronismo santefesino”, in: Estudios Sociales, Nº 4, 1º semestre 1993.

30 Aixa Bona y Juan Vilanoba, “El peronismo en Santa Cruz: continuidades y cambios entre 1946 y 1950”, VI Jornadas de Historia Política, UNMDP, 2000.

31 Juan C. Torre, “Introducción a los años peronistas”, in: Juan C. Torre (dir.), Los años peronistas 1943-1955, Sudamericana, Buenos Aires, 2002, p. 55.

32 Juan C. Torre, La vieja guardia sindical...; Elena S. Pont, Partido Laborista....

33 Moira Mackinnon, Los años formativos del Partido Peronista, Siglo XXI, Buenos Aires, 2002.

34 Antonio Gramsci, La política y el Estado moderno, Planeta-Agostini, Barcelona, 1985.

35 Na sua proclama, Perón dizia: “Como Jefe, encargo en la fecha a los camaradas legisladores [...] la organización de todas las fuerzas peronistas como Partido Único de la Revolución Nacional. Ellos, como auténticos representantes del pueblo, elegidos por él, organizados en comisión responsable y representativa, ejercerán el comando y la dirección...”, até que houvesse eleições internas. O discurso de Perón aparece reproduzido em Roberto Cursack, Ideario social y político del Partido Único de la Revolución Nacional. Su organización en la Provincia de Buenos Aires, Buenos Aires, 1947.

36 DSCDPBA, 1946, Tomo I.

37 Ibídem. Os presidentes dos bloques peronistas foram Saúl Pardo em Senadores e José Palmeiro em Deputados. Os dois eram laboristas. Pardo havia sido major do Exército, em tanto Palmeiro provinha do socialismo.

38 Ver Gerard Loewenberg and Samuel Patterson, Comparing Legislatures, Little Brown, Boston, 1979.

39 Tratava-se de Roberto Cursack, provindo do laborismo.

40 Essa informalidade expressou-se na formação de inumeráveis “ateneos”, “bibliotecas” e agrupamentos variados, que posteriormente se denominariam “unidades básicas”, transformando-se nas células elementares do Partido Peronista.

41 O governo provincial convocou a eleição desse tipo de cargos para março de 1947, mas apressadamente anulou a convocatória. Os motivos da anulação foram claramente ditos pelo vice-governador numa entrevista: referindo-se ao distrito de Mar del Plata, afirmou que “allí había dentro mismo del peronismo cuatro fracciones distintas. Si las elecciones se hubieran realizado, fatalmente en ese distrito hubiera sido derrotado por los socialistas”. Citado por Nicolás Quiroga, “El Partido Peronista en Mar del Plata, 1946-1955”, VII Jornadas de Historia Política. Estado y poder durante el peronismo: los espacios provinciales y regionales, UNMDP, agosto 2003, p. 9.

42 A nova denominação foi decidida numa reunião nacional de dirigentes a finais de 1946 e começou a utilizar-se em janeiro de 1947.

43 Analisando os incompletos dados que oferece La Nación, 23 e 24/9/1947 computamos 109.000 votantes. Segundo o jornal La Capital, 3/10/1947, eles foram 147.000.

44 Na época, a província de Buenos Aires contava com 112 municípios.

45 De fato, em contados distritos da província o pleito pela direção partidária foi entre laboristas e renovadores. Na maioria fizeram-se presentes outras distinções, sendo a menos incomum a que opôs peronistas “da primeira hora” com recém chegados.

46 Ver Gideon Rahat and Reuven Hazan, “Candidate Selection Methods. An Analytical Framework”, Party Politics, vol. 7, Nº 3, 2001, pp. 297-322.

47 O Congresso Nacional do Partido Peronista reuniu-se o dia 1 de dezembro de 1947 e sancionou, entre outros documentos, a “Carta Orgânica” (o estatuto geral do partido). Uma das suas disposições transitórias autorizou aos delegados ao congresso nacional a se reunir como “convenções provincias” por única vez, até que o partido normalizara a sua estrutura. Ver “Carta Orgánica Nacional. Declaración de Principios. Teoría y Doctrina del Partido Peronista”, in Doctrina Peronista, Presidencia de la Nación, Subsecretaría de Informaciones y Prensa, 1951, pp. XXVII-XLII.

48 Ver El Dia, 26/1/1948. As listas de candidatos, em La Nación, 4/3/1948 e 14/3/1948.

49 Os dados foram colhidos em La Nación, 23 e 24/9/1947, e El Argentino 22 e 23/9/1947.

50 Especialmente no que se refere aos deputados federais: sobre 16 candidatos, 6 haviam sido laboristas e 5 renovadores.

51 algumas queixas houve

52 Em 7 de março elegeram-se deputados federais. Em 14 desse mês, legisladores provinciais, prefeitos e vereadores. Em dezembro, convencionais constituintes (para reformar a Constituição Nacional).

53 Sobre 112 municípios, os peronistas venceram em 100.

54 La Capital, 10/12/1949.

55 Ver El Día, 31/12/1949.

56 O Conselho Diretivo provincial esteve integrado por Mario Goizueta (presidente), Mauricio Scatamacchia, Raúl Pedrera, Oscar Bidegain, Héctor Cámpora, Eduardo Carvajal, Jorge Simini, Rafael P. Robles, Rodolfo Arce, José Passerini, Carlos Seeber, Roberto Cursack, Eduardo Forteza, Federico Cepparro e Gilberto Manzano. Todos eram dirigentes “da primeira hora” (pelo menos, a primeira hora do Partido Peronista). Ver El Día, 31/12/1949.

57 Esta idéia é de Darío Macor; veja “Elites estatales...”.


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