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Mediunidade na Prática




  1. ESTUDO




  1. Necessidade e importância de estudo contínuo

O conhecimento humano está em constante progresso. Novas descobertas são feitas diariamente. A ciência não pára e, quanto mais o homem aprende a respeito da vida, do mundo e de si mesmo, mais tem consciência de que nada sabe, exatamente como já expressava Sócrates há milhares de anos.

Com a espiritualidade e a mediunidade não é diferente. A cada dia sabemos mais a respeito da nossa condição de espíritos em experiência passageira pela carne. A cada dia a ciência chega mais perto de comprovar a realidade da vida espiritual. A cada dia mais e mais pessoas têm experiências mediúnicas, mesmo sem saber do que se trata. A cada dia novos conhecimentos nos chegam, trazidos, inclusive, pela pela própria espiritualidade, através da mediunidade.

Como, então, nos mantermos “atualizados” diante de tanta oferta de informação? A resposta é simples: estudo, estudo e mais estudo.

O trabalhador espiritualista precisa saber que o estudo deverá ser uma constante em sua vida, se ele, de fato, quiser ser um trabalhador consciente, equilibrado e de qualidade para a espiritualidade.

E, para isso, ele precisará de mente aberta, disposição para a observação e o aprendizado, ausência de preconceito, interesse pelo que o outro tem a dizer e ensinar, respeito pelas crenças e idéias alheias, humildade para reconhecer o que não sabe e também para expressar o que acha que sabe e, acima de tudo, consciência de que, seja o que for que estiver estudando, tudo é obra de Deus, consequência da vontade dEle.

  1. Amor ao estudo, sem apego ao que é estudado

No entanto, amor ao estudo não significa apego ao que é estudado. Ou seja, estudo sim, mas sem fanatismo ou radicalismo com aquilo que se estuda.

Para o médium e o espiritualista, mais do que para qualquer outra pessoa, o estudo deve representar abertura, flexibilidade, capacidade de interagir com várias linhas de pensamento diferentes, sem se apegar a nenhuma e, ao mesmo, usando, de cada uma, aquilo que lhe parecer bom.

A rigidez de conceitos, a propalada “pureza doutrinária”, a intransigência e a intolerância religiosa são características que não combinam com o espiritualista comprometido com a prática consciente e universalista, livre de dogmas e imposições.

Sendo assim, o estudante espiritualista e o médium devem ter amor ao hábito de estudar sempre, mas não devem nunca se apegar a qualquer coisa que estudem, uma vez que, mais cedo ou mais tarde, isso poderá receber modificações, complementos ou até ser desmentido, à medida que o homem evolui e a ciência o acompanha.

Assim, para que não se veja frustrado, decepcionado ou perdido, que o estudante espiritualista seja capaz de se adaptar aos novos conhecimentos que se apresentam, amando o estudo pelo estudo, sem se apegar excessivamente ao que estuda ou ao conhecimento que estes estudos lhe proporcionam.

  1. A leitura como um dos principais meios de estudo

A literatura espiritualista é, provavelmente, a mais vasta do mundo. Afirmamos, sem medo de errar, que há centenas de livros, em vários idiomas, tratando do assunto, sob as mais diferentes perspectivas, dentro das mais diversas linhas de pensamento e desenvolvidas pelos mais variados autores, em todos os tempos.

Desse modo, um dos meios mais ricos para o estudo espiritual é, com certeza, a leitura.

Sendo assim, que os estudantes espiritualistas que tiverem preguiça de ler, revejam sua postura e descubram algum meio de vencer esta preguiça ou a falta de gosto pela leitura, pois, seja qual for a linha, a técnica, a finalidade ou o tipo de estudo, com certeza, envolverá muitas leituras.

A leitura é, inclusive, um meio muito bom para quem deseja conhecer um assunto, sem necessariamente aprofundar-se nele, ou para saber se deve ou deseja aprofundar-se nele. É um modo seguro de tomarmos contato com algo, fazermos a primeira aproximação para, depois, buscarmos outros meios de conhecer melhor o assunto estudado pela leitura.



  1. Cursos complementares

Com o advento da chamada “nova era”, como se os conhecimentos espirituais fossem, de fato, algo novo, surgiram, no Ocidente, milhares de novos cursos voltados para a espiritualidade humana, para as bioenergias, as terapias complementares e tudo o que se relaciona ao homem holístico.

No entanto, infelizmente, nem todos tratam o assunto com a seriedade, a competência, o equilíbrio e o discernimento que julgamos necessário. Há muito cursos que surgem no rastro do modismo da nova era, há outros que surgem como respostas mágicas a antigos anseios humanos, há outros ainda que surgem com a proposta de reverem tudo o que já se estudou, fazendo parecer que os conhecimentos alcançados até hoje possam ser jogados fora e substituídos, e quase todos surgem sem a profundidade e o comprometimento que estes assuntos exigem.

Todas as iniciativas no sentido de se esclarecer o ser humano a respeito de sua própria espiritualidade são válidas, no entanto, é precido que todos estejamos bem conscientes de que não há receita instatânea, não há fórmula mágica, não há milagre. Todo conhecimento exige esforço, tempo, dedicação, estudo e prática constantes para se efetivar e se tornar sabedoria.

O conhecimento espiritual não se alcança da noite para o dia e com a experiência, a segurança e a vivência mediúnica não é diferente. Que o médium que inicia sua tarefa não se iluda e tenha plena consciência de que terá muito a fazer, estudar, treinar e aprender, durante toda a sua vida como médium, a fim de se fortalecer e se tornar um intermediário de confiança entre os dois planos de manifestação humana.

Todos os cursos espiritualistas completamentares estão, portanto, indicados, mas devem ser escolhidos a dedo pelo candidato, que deve sempre procurar obter referências a respeito dos instrutores que os ministram, das instituições onde se realizam e do conteúdo ou programa em que se baseiam.

É importante notar que não se trata de escolher a linha filosófica ou religiosa do instrutor ou da instituição, mas de se ter critério e cuidado ao escolher o curso em si, averiguando o seu conteúdo e a seriedade do seu instrutor, independentemente de sua linha filosófica ou religiosa.

Aliás, todas as linhas estão indicadas, pois há muitas informações importantes e valiosas para o médium em todas elas. O universalismo, portanto, deve ser a linha mestra de todo estudante espiritualista, a fim de que possa ter uma bagagem o mais abrangente possível.

  1. Estudo e universalismo

Vejamos o que diz Miramez, no livro Médiuns, pela psicografia de João Nunes Maia:

“Muitos dos que dirigem os desenvolvimentos mediúnicos apregoam para os candidatos que só devem ler tais ou quais livros, que ele ou eles, pessoalmente, acharam melhores, estreitando, assim, os conhecimentos que o aluno da doutrina espírita poderia ter. A nossa opinião neste assunto é a mesma de Paulo de Tarso, quando assevera: “Não apagueis o espírito. Não desprezeis as profecias. Julgai todas as coisas, retende o que é bom”. E termina desta forma, favorável aos direitos de cada criatura: “Abstende de toda forma de mal”.

“O médium que não se intrui, ou que limita sua instrução, coloca, com isso, viseira nos olhos, ficando sujeito a cair nas valas laterais. Abster-se de toda forma de mal não é imposição. É que a alma, em si, por ela mesma, escolha, com os conhecimentos adquiridos, o que deve ou não fazer. Todos os livros são, por assim dizer, escrituras, principalmente os livros espiritualistas. Cada facção tem uma missão de desvendar mistérios e revelar leis. A universalidade nos instiga a conhecer de tudo, como nos inspira Paulo, e retirar o bem que entendemos pelo limite de nossos conhecimentos e pelo que suportamos da verdade.”

Já Choa Kok Sui, no livro Milagres da Cura Prânica, diz que “uma pessoa inteligente não tem a mente fechada. Ela não age como o avestruz, enterrando a cabeça para fugir a novas idéias e a um aperfeiçoamento maior.

“Uma pessoa inteligente não é crédula. Ela não aceita as idéias cegamente.

“Uma pessoa inteligente estuda e assimila as idéias totalmente para, então, avaliá-las à luz da razão; ela testa essas novas idéias através da experimentação e de sua própria experiência.

“Uma pessoa inteligente estuda essas idéias com uma mente clara e objetiva.”

Vemos, portanto, que o médium não deve, nunca, se ater a apenas uma corrente espiritualista, fazendo o possível para obter a maior quantidade possível de informações a respeito da espiritualidade e também da própria mediunidade.

Sendo a espiritualidade condição inerente ao ser humano e a mediunidade tão antiga quanto o próprio homem, estando presente em praticamente todas as culturas e momentos da história humana, não faz sentido que nos limitemos a estudar apenas uma ou duas correntes, ainda que mais modernas, sabendo que existem outras correntes que vêm estudando a natureza espiritual do homem há milênios, dispondo de valiosos conhecimentos para o enriquecimento de nossa cultura espiritual e para o aperfeiçoamento de nossa prática mediúnica. Isso é, em essência, puro preconceito. E preconceito não condiz com espiritualidade, mediunidade e evolução.

Assim, o interessante é procurar o estudo universalista, tomando para si aquilo que faz sentido, aquilo que parece útil e válido para a sua lógica e razão, sem preconceitos, sem fanatismo, sem radicalismos. E mesmo o que não nos parece lógico e sensato, num primeiro momento, poderá nos ser útil no futuro, para distinguirmos outras correntes ou mesmo para entendermos conceitos novos com os quais possamos comparar os conceitos que conhecemos, ainda que não aceitemos.

E, para reforçar o que queremos dizer, transcrevemos o que Edgard Armond diz em seu livro Respondendo e Esclarecendo:

“Nenhuma religião, filosofia ou crença religiosa ensina verdades definitivas. Nem mesmo espíritos de maior condição que a nossa se julgam conhecedores de verdades definitivas. É que elas surgem à medida que podemos ir compreendendo-as e vivendo-as. Em um mundo tão atrasado como o nosso, o que se conhece é muito pouco e o que nos deve preocupar é nos tornarmos cada dia mais dignos de recebê-las. A melhor é que mais espiritualiza.

“Para seres humanos que fazem aprendizados e sofrem provações em mundos inferiores do tipo do nosso, religião mais perfeita é aquela que mais objetiva e eficientemente esclarece sobre a vida espiritual ao nosso alcance e nos leva mais depressa às realizações do campo interno, sem as quais não há adiantamento espiritual possível a não ser em avanços compulsórios, pela dor, em tempo indefinido.”

  1. Aplicação prática do estudo

Como dissemos, o estudo é muito importante para todo trabalhador espiritualista, mas de nada adianta o estudo se ele não for levado à prática, se ele não deixar de ser teoria para se transformar em vivência, em experiência.

O espiritualista que muito estudo e pouco pratica, torna-se superficial, pois falta-lhe a profundidade que somente a prática e a vivência direta proporcionam.

No seu livro Respondendo e Esclarecendo, Edgard Armond diz que “o conhecimento teórico por si só não gera realizações no campo interno, as quais, aliás, são indispensáveis. A finalidade do conhecimento teórico é conduzir o iniciante ao campo fecundo das realidades espirituais. Essas realidades, entretanto, só se tornam leis em nossa vida, rumo, diretriz a seguir com confiança, quando as realizamos em nós mesmos, no nosso íntimo, conscientemente.

“Conhecimento é uma coisa, realização espiritual positiva e viva é outra coisa. O conhecimento teórico pode viver sua vida sem, todavia, realizar algo de positivo e atuante no campo espiritual.”




  1. MEDIUNIDADE e COMPROMISSOS



  1. Compromisso espiritual

O primeiro e mais importante compromisso de um médium é o espiritual. Todo médium precisa saber-se espírito e, como tal, deve saber viver a sua vida física, sem, no entanto, se apegar ao mundo físico.

Embora tenha consciência do compromisso espiritual que tem, sabe que a vida física é parte dele e nunca a abandona, menospreza ou negligencia. Ao contrário, vive-a plenamente, com lucidez e discernimento, na certeza de que, vivendo-a dessa forma, estará também honrando seu compromisso espiritual de evoluir e, com a sua evolução, promover também a evolução de toda a Criação.

O médium sabe que é um ser espiritual vivendo uma experiência carnal e, desse modo, coloca-se todos os dias em sintonia com o Criador, entendendo que somente nEle poderá, de fato, compreender toda a beleza da Criação.

  1. Compromisso mediúnico

O segundo compromisso mais importante de um médium é com sua própria mediunidade. Todo médium deve saber que a mediunidade não lhe pertence e nem lhe foi concedida para seu uso exclusivo.

Por isso mesmo, tem consciência de que mediunidade é trabalho em equipe para o bem coletivo, o qual deve estar acima e vir à frente de todo e qualquer bem individual ou pessoal. Sabe também que nunca estará sozinho, seja para enfrentar os obstáculos, seja para colher as bênçãos da tarefa que executa. E usufrui dessa condição com equilíbrio e responsabilidade.

Como uma das pontes que une dois mundos muito próximos, embora aparentemente tão distantes, honra aos dois, sendo homem, sem deixar de ser espírito, e vivendo como espírito, sem deixar de viver como homem. E, como médium, procura ser homem e espírito dignos de respeito e confiança, por parte dos companheiros e parceiros que tem nos dois mundos.

  1. Compromisso com a instituição e o grupo mediúnico

Tendo consciência de que a mediunidade é trabalho de equipe, tarefa de cooperação mútua, todo médium sabe também o quanto são importantes o grupo mediúnico e a organização em que atua. Assim, ama-os incondicionalmente, respeita-os, preserva-os, sem esperar deles perfeição ou infalibilidade, por ter consciência de que são instituições humans, como ele mesmo o é.

Trabalha sempre para o bem do grupo e o crescimento de todos, contribuindo da melhor forma para a manutenção, física e espiritual, da instituição que os abriga, respeitando os princípios que a norteiam, sem abrir mão de seu direito de pensar e, pensando, agir, assumindo as consequências dos próprios atos.

Assim, procura também respeitar as normas do grupo, sendo pontual, assíduo e interessado. Colabora em tudo que lhe é possível e tem consciência de que, embora não seja insubstituível, é importante na composição do grupo e na realização do trabalho, naquilo que melhor sabe fazer.

  1. Compromisso com amparadores

Todo médium sabe que trabalha em parceria, com encarnados e desencarnados e, por isso, nunca se esquece daqueles companheiros que justificam sua condição de intermediário entre dois mundos: os amparadores.

Sabe que, além dos companheiros encarnados, também os amparadores contam com ele para a realização da tarefa. Sabe que, sem uma das engrenagens, a máquina não funciona e procura atender à sua função com amor e interesse.

Trata os amparadores com respeito e educação, obtendo deles também o mesmo tratamento. Sabe que amparadores são pessoas desencardas e não os endeusa ou idolatra, embora valorize a sabedoria que demonstrem ter, pela conduta que adotam.

Não julga amparadores pelo nome ou pelo título que apresentam, mas pelo amor que inspiram na realização da tarefa que é de todos, sem ser de ninguém em particular.



  1. Compromisso com necessitados encarnados e desencarnados

Todo médium sabe que seu trabalho não teria razão de ser se não pudesse ajudar, de alguma forma, a diminuir a ignorância e o sofrimento no mundo em que vive.

Consciente de sua responsabilidade para com o bem coletivo, trabalha para aliviar, orientar, esclarecer, ajudar, consolar e amparar o maior número possível de espíritos, estejam eles encarnados ou desencarnados.

Sem julgar, criticar, condenar ou fazer qualquer distinção, ajuda a todos indistintamente e tem consciência do quanto as pessoas contam com o seu trabalho.

Por isso, está sempre presente às reuniões, com disposição e boa vontade, ciente de que, mesmo que não possa ver, muitas criaturas esperam pelo seu trabalho para se recuperarem ou, simplesmente, tomarem outro rumo na vida.

No entanto, mesmo sabendo de tudo isso, tem consciência de que nada pode sozinho e sempre busca a ajuda dos amparadores e colegas encarnados para melhor desempenhar sua tarefa, pois sabe que, em conjunto, qualquer trabalho flui melhor.

  1. Compromisso consigo mesmo

Ciente de todas estas implicações de sua tarefa, o médium jamais negligencia a si mesmo, pois sabe o quanto é importante para o grupo, para os amparadores, para a instituição, para os necessitados. E sabe também o quanto prejudica a todos quando não se valoriza na devida medida.

Por isso, cuida-se em todos os aspectos, para que a saúde física e mental, o bem estar, a tranquilidade, a alegria, a confiança, a lucidez e o discernimento estejam sempre presentes em sua vida, de modo equilibrado.

Por outro lado, não se vangloria, não se envaidece, nem se imagina auto-suficiente, pois sabe que nada pode sozinho. Assim, mede a sua importância, pela importância do trabalho que realiza, na certeza de que o trabalho sempre será mais importante e sempre virá antes dele mesmo.

  1. Compromisso com o estudo e o auto-aperfeiçoamento

Ciente de quantas pessoas dependem do seu trabalho, do quanto está em jogo, de sua real responsabilidade na tarefa mediúnica, o médium jamais negligencia o estudo e o aperfeiçoamento de si mesmo.

Sabe que, quanto melhor preparado estiver, mais e melhor poderá contribuir com o grupo e os amparadores. Sabe também que quanto melhor for como ser espiritual, melhores serão a ajuda e a orientação que poderá prestar aos necessitados de toda ordem que o procuram, buscando uma luz.

Assim, estudo e revisão constante de sua conduta como espírito estão sempre em pauta no seu dia a dia, como filosofia de vida.

Além disso, sabe que estudo e auto-aperfeiçoamento são também compromissos de si para consigo mesmo, já que, para evoluir como espírito, depende também desses aspectos.



  1. Parceria espiritual e parceria mediúnica

Mediunidade é trabaho de equipe, mesmo que o médium trabalhe fisicamente só e isolado. Não há como ser médium sozinho, pois mediunidade pressupõe sempre a interação entre, pelo menos, duas consciências. O médium, para ser, de fato, médium, ou seja, intermediário, depende necessariamente do contato e da interação com outra(s) consciência(s).

E trabalho de equipe com equilíbrio e bom sendo pressupõe, necessariamente, parceria. Trabalho mediúnico é também, portanto, trabalho de parceria, trabalho de mão dupla, em que os dois lados contribuem e se responsabilizam pelas tarefas e pelos resultados.

O médium deve saber, portanto, que é considerado parceiro espiritual, em tempo integral, de todas as consciências, encarnadas e desencarnadas, que se servem de suas faculdades psíquicas.

Ao mesmo tempo, deve também saber que é considerado parceiro mediúnico, também em tempo integral, de todos os amigos, mentores, amparadores, guias, orientadores e instrutores espirituais que, através dele, trazem informações, ajuda e orientação aos encarnados.

E parceiro que é parceiro, de verdade, não trai, não abandona, não se omite nem omite, não mente, não julga e não cobra nada de nenhum de seus parceiros. Apenas permanece alerta e à disposição, sempre pronto a colaborar com a verdade que ilumina e o amor que alimenta e consola.

  1. Espírito de equipe e equipe de espíritos

Pode parecer que estamos andando em círculos, mas a questão do trabalho em equipe é de muita importância para que não nos ocupemos dela repetidas vezes.

Todo médium é, para usar uma expressão de Hermínio C. Miranda, em livro do mesmo nome, um “condomínio espiritual”, cuja administração está sob sua responsabilidade. Sua casa mental não é só dele. Dela também se servem muitas outras consciências que, de passagem ou de maneira mais permanente, ali se abrigam em busca de assistência e crescimento, trabalho e evolução.

Por este motivo, não cabe, no trabalho mediúnico, qualquer forma de personalismo ou individualismo. O médium deve entender que não é dono de si mesmo, mas somente daquilo que realiza, gerando benefícios ou malefícios.

Seus compromissos, portanto, são com os outros e, quando consigo mesmo, sempre visam o bem coletivo que se pode propiciar, o bem maior de todos, inclusive o próprio.

Na condição de “condomínio espiritual” é dono do espaço e dos recursos, mas não vive sozinho, e, para uma convivência pacífica e proveitosa para todos, deve administrar tudo visando sempre o bem comum, o bem de todos e de cada um, considerando direitos e deveres de todos, inclusive os seus.


  1. DISCIPLINA



  1. Disciplina interior e disciplina exterior

Disciplina é ordem, imposta ou consentida, que convém ao funcionamento regular de um grupo ou organização. Sem disciplina, não há organização, não há coerência ou coesão de procedimentos. Sem disciplina torna-se difícil saber quais são os deveres e os direitos de cada membro do grupo.

E, embora muitos tentem enganar a si mesmos e aos outros, não há disciplina externa que prevaleça sem que haja disciplina interna. Para que as pessoas sejam capazes de expressar disciplina em sua vida exterior, é preciso que elas tenham assimilado internamente a disciplina, como parte de seu próprio perfil, como característica pessoal, como base de funcionamento íntimo.

Com a mediunidade não é diferente. O trabalho mediúnico necessita de disciplina, interior e exterior, para que haja perfeita harmonia e sincronia entre o plano espiritual e o plano dos encarnados.

Se cada um agir por si, sem uma programação prévia conhecida de todos, sem uma norma que possa orientar a conduta de todos, torna-se difícil realizar um trabalho equilibrado, sereno, que obtenha resultados positivos ao final, pois não haverá coincidência de pensamentos, idéias, esforços, procedimentos, tarefas, etc.

Um trabalho mediúnico sem disciplina rende muito pouco, pois as energias se dispersam ou nem chegam a se concentrar, pela total ausência de coincidência de pensamentos, sentimentos e ações.

Além disso, um trabalho mediúnico onde impera a desordem e onde cada um faz o que quer, na hora que quer, costuma ser alvo fácil para assediadores pela total discordância de conduta entre os seus integrantes, a qual gera desarmonia energética, insegurança e desconforto psicológico, enfraquecendo, espiritualmente, os membros do grupo.

Assim, todo grupo mediúnico deve estabelecer, EM CONJUNTO, as normas de conduta que orientarão os trabalhos e os procedimentos do grupo como um todo e, uma vez acertadas e aceitas estas normas, todos devem se comprometer a segui-las, objetivando a disciplina saneadora e preventiva do trabalho.

É verdade que há pessoas que não se afinizam muito bem com ambientes disciplinados e organizados, mas é bom que tenham consciência de que, para trabalharem como médiuns, será necessário mudarem estas disposições, ou será sempre difícil a integração e a adaptação a qualquer grupo sério.



  1. Disciplina versus obediência

Por isso, é bom que sejamos capazes de distinguir muito bem entre disciplina e obediência, uma vez que elas podem, facilmente, ser confundidas entre si.

Enquanto obediência é apenas submissão passiva, sujeição cega à vontade de outra(s) pessoa(s), a disciplina é obediência com conhecimento de causa, obediência pensada e repensada, visando um objetivo comum.

Obedecer significa apenas decorar e seguir normas, enquanto ser disciplinado implica em conhecer as normas, ajudar a estabelecê-las e ser capaz de questioná-las para aperfeiçoá-las.

Quem obedece não pensa para agir, apenas faz o que lhe mandam. O disciplinado, ao contrário, sabe o que faz, por que faz e concorda em fazê-lo, porque sabe que isso contribui para um bem maior, um resultado mais importante, que etá além dele e das normas em si.

Aquele a quem a obediência é imposta sente-se humilhado, frustrado e diminuído, enquanto aquele que é disciplinado, sabe que está sendo orientado como parte de algo maior.

O médium obediente não se sente parte do grupo em que atua e, muitas vezes não quer se sentir como tal, para não ter que assumir responsabilidades. Por isso, limita-se a apenas agir como lhe dizem para agir, sem questionar, sem tentar entender, sem saber as razões para tais exigências.

O médium disciplinado, por sua vez, sabe que é parte do grupo e que tudo o faz interfere no andamento do trabalho. Assim, ao seguir as normas que ajudou a estabelecer, sabe que contribui com o melhor resultado daquilo com que ele mesmo está contribuindo e pelo que também é responsável.

  1. Disciplina versus mau humor

Embora disciplina implique em responsabilidade e seriedade, de modo algum deve implicar em mal-humor, até porque seriedade e mau humor não são sinônimos.

Qualquer pessoa pode ser disciplinada e séria, e continuar bem-humorada, pois o bom humor em nada compromete a responsabilidade, o equilíbrio, a seriedade e o comprometimento com que se assume uma determinada tarefa.

Com a mediunidade não é diferente. Médium mal-humorado, dificilmente, é médium sério e, consequemente, disciplinado, responsável. Até porque, mau humor é justamente uma das coisas que não devemos levar para as reuniões mediúnicas e de passes, para que as energias do ambiente e do trabalho não sejam contaminadas por energias mais densas e tóxicas de sentimentos negativos e emoções desequilibradas.

Que o médium que pretende demonstrar disciplina e seriedade não se apresente mal-humorado, pois além de estar sendo incoerente, está também prejudicando os trabalhos, o grupo e os assistidos, além de atrapalhar os amparadores, que precisarão isolá-lo num casulo energético, para que o seu mau humor não venha a contaminar o ambiente.

O médium verdadeiramente disciplinado sabe a hora de brincar e a hora de compenetrar-se, e nunca perde a alegria ou a boa piada. Sabe também rir de si mesmo e o tipo de brincadeira mais adequado a cada situação e pessoa.

Mau humor é aglutinador de energias densas e tóxicas que sobrecarregam o fígado e o coração de quem o carrega, diminuindo-lhe a sensibilidade e inabilitando-o para o trabalho com outras consciências, pela simples falta de capacidade para enxergar o lado bom que há em todas as coisas, uma vez que todas procedem de Deus e, são, por isso mesmo, perfeitas, mesmo que não possamos ver a sua perfeição.




  1. Disciplina espiritual e disciplina mediúnica

Aqui também o médium deve distinguir entre o modo como deve agir como espírito encarnado e como médium.

Disciplina espiritual é aquela que todos devemos buscar, no sentido de sempre orientarmos nossa vida, nossas atitudes, nossas idéias, por aquilo que pode nos trazer bens maiores, mais efetivos e mais importantes como espíritos. É o comportamento consciente na busca de crescimento espiritual, é a obediência lúcida e pensada a certas normas e preceitos espirituais, buscando algo maior para nós mesmos e para aqueles com quem convivemos.

Já a disciplina mediúnica é a que está relacionada à tarefa do encarnado como médium, envolvendo todos os aspectos já vistos no item “Mediunidade e Compromissos” e tudo o que já falamos nos outros itens que tratam da disciplina. É, portanto, a obediência consciente, espontânea e voluntária aos preceitos e normas que o médium considera importantes e positivos para o bom desenvolvimento e prática de sua mediunidade.

  1. Preparo prévio para o trabalho mediúnico

Como parte de sua disciplina, o médium deve estar ciente de que sua preparação para o trabalho começa muito antes do momento em que o trabalho propriamente dito começa.

É comum os médiuns sentirem as primeiras alterações de humor, lucidez, disposição, etc, 24h ou mais antes do trabalho. Por esta razão, seu preparo deve também começar com a mesma antecedência, especialmente na noite anterior ao trabalho, preparando o sono de forma bastante cuidadosa para que possa aproveitar as horas de desprendimento do corpo físico para estudar os casos com que terá que lidar e também para que se fortaleça energeticamente, modulando as próprias vibrações para o trabalho que deverá ser realizado.

É importante destacar que os amparadores também iniciam o seu preparo e o preparo do próprio trabalho muito tempo antes de ele acontecer no físico, preparando, inclusive, o ambiente, o local onde os médiuns estarão reunidos, com energias e vibrações que não só propiciem o sucessso dos atendimentos, como também garantam segurança para os médiuns.

Nada mais justo, portanto, que os médiuns colaborem com essa preparação, fazendo eles mesmos as suas práticas energéticas, elevando seus pensamentos, sutilizando seus sentimentos e emoções, cuidando melhor da alimentação e do descanso, lendo algo relativo aos trabalhos e permanecendo atento às sugestões, inspirações e toques que, usualmente, os amparadores lhe enviam.

Devemos nos lembrar sempre que estamos falando de um trabalho de PARCERIA, onde cada participante deve fazer a sua parte para garantir o sucesso e o bem-estar de todos e, por isso, todos devemos estar dispostos a estudar e nos preparar para os trabalhos.

  1. Sintonia antes e depois do trabalho mediúnico

Embora pouco se fale a respeito e pouca gente saiba disso, o trabalho mediúnico nunca termina assim que acaba a reunião. As assistências continuam no astral e, muitas vezes, os médiuns são chamados para ajudar e continuar o trabalho lá depois da reunião.

Assim sendo, o médium deve procurar, o mais possível, além de fazer a sintonia prévia, manter a sintonia depois do trabalho até o dia seguinte à reunião. Durante a noite, aproveitando os momentos de liberdade do sono, muitos médiuns são convocados por seus amparadores para continuarem o trabalho iniciado no físico e, para isso, precisam estar ainda em sintonia com os amparadores.

Não se trata de se manter em transe por horas a fio, antes e depois do trabalho, mas de manter uma condição mental, emocional e espiritual elevada, que facilite o trabalho dos amparadores para nos ligarem aos trabalhos a serem realizados.


  1. ÉTICA



  1. Preconceitos

Ciente do mecanismo de reencarnação, pelo qual todos vivemos diversas vidas físicas, nas mais diferentes situações, o médium sabe que não faz sentido ter qualquer tipo de preconceito, seja com quem for, seja em que situação for, seja em tempo for.

Por isso, trata com respeito todos os assistidos, encarnados e desencarnados, todos os colegas e amparadores, sem fazer qualquer tipo de distinção entre eles.

Sabe que ninguém é melhor ou pior que ninguém, sabe que ninguém é perfeito e infalível, ou completamente mau, e busca sempre o melhor em cada um.

Com isso, vê sempre, em tudo e em todos, a criação divina em ação, trabalhando para que este lado divino, de tudo e todos, seja exaltado e valorizado.



  1. Julgamentos

Da mesma forma, não julga ninguém, nem nenhum fato, pois não conhece os antecedentes, nem as variáveis que levaram àquela situação.

Procura sempre prestar o maior bem que puder, a todos, sem se preocupar em saber se quem o recebe é merecedor ou não, se quem pede a ajuda merece ou não estar naquela situação, se quem busca o auxílio saberá fazer bom uso do que recebe ou se manter equilibrado dali por diante, pois sabe que, uma vez prestada a ajuda, o caso já não lhe diz mais respeito e a responsabilidade pelo que acontecer dali para a frente é daquele que recebeu o benefício.

O compromisso do médium, como já dissemos, é com o bem maior de todos, o bem coletivo, e para isso não pode se dar ao louxo de escolher quem merece ou não merece ser ajudado, até porque sua capacidade de análise é extremamente limitada e sabe que só Deus conhece todos os lances de cada vida, de cada história, podendo arbitrar sobre o que é melhor para cada um.

  1. O médium dá o exemplo

Com tudo isso em mente e ciente de sua responsabilidade, o médium é sempre o primeiro a dar o exemplo, dentro e fora da reunião mediúnica.

Trata todos com respeito e alegria, sem arrogância ou humildade forçada, e com igualdade, buscando receber o mesmo tratamento de todos.

Além disso, cumpre as normas que aceitou, sem se queixar e sem alarde, de modo a ser um exemplo vivo naquilo que acha correto, sem precisar falar.

Não procura privilégios, nem regalias, nem busca tratamento diferenciado. Coloca-se no mesmo nível de todos os outros trabalhadores e assistidos, fazendo a sua parte, cumprindo a sua obrigação, sem chamar a atenção para si ou para os seus problemas e sucessos.



  1. Discrição

O trabalho do médium é idêntico ao do médico ou ao do psicólogo no consultório, ou ao do padre no confessionário. Tudo o que ele ouve e fica sabendo, nos atendimentos que faz, nas assistências que presta ou de que participa, deverá ser considerado sigiloso, uma questão de ética espiritual ou de cosmoética.

Assim, evitará comentar os casos que vir, as assitências que fizer, os assistidos com quem encontrar, os espíritos com quem acoplar, suas histórias, seus dramas, suas condições, etc, por respeito a estas pessoas e também como meio de evitar que as as suas perturbações sejam agravadas pelas energias geradas pelos seus comentários.

Além disso, o médium sabe que, com isso, estará também cuidando de seu próprio bem-estar e segurança, evitando ligar-se às entidades e pessoas assistidas por meio de pensamentos e sentimentos negativos, relativos aos seus casos e histórias.

A discrição é, portanto, qualidade importante no médium, não só como questão de educação, mas também por questão energética preventiva e a única situação em que os comentários se justificam é aquela em que se pretende instruir ou esclarecer outras pessoas, usando os casos como exemplo ou referência, sem entrar nos detalhes que não sejam importantes para o esclarecimento.



  1. Compaixão sem paixão

É importante também que o médium esteja ciente de que ninguém sofre por acaso, ninguém é injustiçado, ninguém recebe aquilo que não merece ou não tem capacidade para resolver. Tudo está no lugar certo, do jeito certo, exatamente como tem que ser, embora, talvez, nós não sejamos capazes de compreender.

Com isto sempre em mente, o médium terá mais facilidade para manter a lucidez, a calma e a serenidade diante dos casos mais complicados, diantes dos dramas e tragédias mais terríveis, pois terá plena consciência de que tudo está como deve estar e é consequência pura e direta do que a própria criatura criou e buscou para si mesma.

Assim, o médium esclarecido e equilibrado jamais tem “dó” do assistido, seja ele encarnado ou desencarnado, assim como também não sente qualquer raiva ou mágoa pelo que ele fizer ou disser.

Sua atitude é de muita compaixão, mas sem envolvimento emocional com as pessoas ou os casos que atender. Ele entende que a criatura tem condições de sair da situação em que se colocou e apenas a orienta para que encontre, dentro de si mesma, a força e os elementos que permitirão esta transformação.

Ele entende também que sua emoção e sua piedade em nada ajudam. Muito pelo contrário, só atrapalham e debilitam ainda mais as forças do assistido, colocando-o em desequilibrio e perturbação ainda mais profundos.

Além disso, a atitude serena e firme diante da pessoa que sofre e se encontra desorientada, ajuda-a a se acalmar, ajuda-a a enxergar a realidade como ela verdadeiramente é, sem os exageros e as distorções, que a situações mais profundas de desequilibrio costumam gerar. Com isso, ela tem mais facilidade para compreender o que precisa fazer para mudar sua situação e começar nova fase de vida espiritual.

Para ilustrar o que estamos dizendo, transcrevemos abaixo texto nosso de junho de 2003.
Compaixão sem Paixão por Maísa Intelisano

Ter compaixão é compadecer-se. E compadecer-se é ser sensível e querer amenizar o sofrimento do outro, não importa qual seja.

Ter compaixão é estar disponível para aquele que sofre sem questionar seus motivos, sem julgar suas atitudes, sem medir ou comparar suas dores.

Ter compaixão é lembrar-se de que a dor é do próximo e que não se pode avaliar o estrago que ela está fazendo nele.

Ter compaixão é ser capaz de perceber a oportunidade de ajudar e prestar serviço, e fazer isso sem sair do próprio caminho ou interferir no do outro.

Compaixão implica respeito e não dá a ninguém o direito de querer retirar das costas de alguém, por mais querido que seja, o fardo que ele carrega.

Compaixão é exercício de compreensão, pois o que sofre pode não ter o mesmo entendimento daquele que se compadece.

Compaixão é agir sem paixão, é saber controlar-se para poder ajudar de fato aquele se sente desorientado.

Compaixão é manter-se equilibrado diante do sofrimento, levando companhia, apoio, orientação ou consolo onde for necessário.

Compaixão é educação para a verdadeira piedade, é teste de força espiritual, é treino para a humildade.

Compaixão é fiel confiança na capacidade do próximo para resolver seus próprios problemas e firme esperança na assistência de Deus que não desampara ninguém.

Compaixão é prova de coragem e discernimento, pois a linha que separa a dó (pena) humilhante da piedade fraterna é muito tênue e incerta.

A compaixão é discreta e silenciosa, jamais fala de si mesma, e não costuma estar aparente nem mesmo para quem lhe recebe o concurso amigo.

Dizemos "ter" compaixão, quando, na verdade, o mais certo talvez fosse "sentir" compaixão, já que para tê-la é preciso primeiro senti-la.

A compaixão é a mola forte que nos impulsiona para junto dos que sofrem ao nosso redor, a fim de que possamos verificar nossa própria confiança na sabedoria divina. Quando nos compadecemos de alguém que já crê em Deus estamos reforçando suas esperanças e sua confiança em si próprio e na providência divina. E quando a nossa compaixão se dirige para aqueles que ainda não conhecem a Deus, levamos até eles a nossa própria fé para que, por ela, possam aprender a buscá-lo e encontrá-lo por si mesmos.


  1. AUTOCONTROLE MEDIÚNICO



  1. Passividade mediúnica versus disponibilidade mediúnica

É muito comum ouvirmos, especialmente nos meios espíritas, a expressão “passividade mediúnica”, dando a entender que o médium é apenas um “boneco” manipulado pelos espíritos, sem expressão qualquer no fenômeno, sem vontade própria como médium, totalmente sujeito à vontade dos espíritos.

Ao que nos parece, a causa disso é uma má interpretação de algo que Kardec transcreve em seu O Livro dos Médiuns, quando os espÍritos o esclarecem sobre a participação do médium nas comunicações que ocorrem por seu intermédio.

É preciso que se esclareça, no entanto, que o médium não deve ficar passivo durante o fenômeno, participando ativamente da comunicação, com pensamentos e sentimentos condizentes com a situação, controlando o que lhe ocorre, sem, no entanto, interferir no conteúdo da mensagem, para que quem a ouvir possa avaliar as condições e o nível do espírito.

O que o médium deve ter é DISPONIBILIDADE mediúnica, ou seja, ele deve estar disponível durante a comunicação, para que o fenômeno se dê de forma plena, tranquila e pura, sem qualquer interferência que possa mascarar as características pessoais da entidade e essenciais da mensagem que transmite.

Sua passividade é apenas no que diz respeito ao conteúdo do que transmite, nunca em relação ao fenômeno, ou ao modo, o momento, o local ou as condições em que ocorre. E todas as entidades que se utilizam das capacidades do médium, inclusive mentores e amparadores elevados e de luz, devem respeitar isso, lembrando sempre que a mediunidade é uma condição aceita voluntariamente pelo médium, para ser exercida espontâneamente, nunca sob pressão ou de forla coercitiva.

  1. O médium comanda o fenômeno

Seja em que condições for, com amparador ou necessitado, o médium deve ter consciência de que está sempre no comando do fenômeno mediúnico que intermedia. É ele que determina se o fenômeno deve ou não acontecer, se deve ser mais ostensivo ou não, se deve ser mais profundo ou não.

Mesmo com os médiuns inconscientes isso acontece, pois eles podem determinar como vai ser a comunicação antes de ficarem inconscientes pela ação da entidade e podem fazê-lo também durante a manifestação uma vez que a inconsciência não é total, já que ele se mantém afastado do seu corpo, mas permanece ligado e trocando, continuamente, impressões com o mesmo.

É preciso entendermos que a mente do médium está sempre presentel. Ainda que inconsciente, é ela o veículo para a comunicação e só ela pode ditar as regras para o fenômeno, uma vez que o corpo pelo qual a comunicação ocorre é comandado por ela.

Devemos nos lembrar de que, como já frisamos, NÃO EXISTE FENÔMENO MEDIÚNICO SEM ANIMISMO, ou seja, o médium pode sempre intervir na comunicação, impedindo-a ou mesmo interrompendo-a quando achar conveniente.

Assim, nada de o médium dizer que não tem controle sobre o que acontece com ele, que não é capaz de evitar as manifestações ou determinados comportamentos das entidades, etc., pois isso não é verdade e só indica “falta de educação” do médium, ou seja, desequilíbrio do médium e, não, da mediunidade em si

Isso, aliás, é o que diz também Maria Aparecida Martins em seu livro Conexão – Um nova visão da mediunidade, quando afirma que “não existe desajuste de mediunidade. O que existe é uma personalidade desajustada. Quando você tem uma manifestação mediúnica em desequilíbrio, saiba que é a personalidade que está desajustada. Cuide do ajuste da personalidade e a mediunidade se ajusta por consequência.”

Para que este autocontrole seja mais rápido e efetivo é necessário muito esclarecimento e orientação séria e desprovida de misticismo, muito estudo, de si mesmo e da natureza humana, e muita prática em grupos sérios e equilibrados, dirigidos por pessoas competentes e com conhecimento, a fim de que se possa ter orientação sobre como atuar mais diretamente sobre os fenômenos que ocorrem consigo.

Em alguns casos pode ser necessário, inclusive, acompanhamento profissional com psicoterapeura espiritualista que possa ajudar o médium a separar o que é seu do que é de outras mentes que se aproveitam de sua condição de desequilíbrio temporário e circunstancial para dar vazão ao seu próprio desequilíbrio.



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