Iracy de Araujo Leite



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A FORMAÇÃO TEOLÓGICA FEMININA

PARA O NOVO MILÊNIO

Iracy de Araujo Leite


Reitora do SEC - Seminário de Educação Cristã
Reconhecemos a vastidão e complexidade do tema que nos foi proposto, o qual ao longo da historia possui também a característica do ser ora aceito e defendido, ora considerado estrategicamente irrelevante ou sumariamente rejeitado.
Resolvemos porém enfrentar este desafio a partir de uma seqüência a nosso ver lógica e adequada para esse momento. Iniciaremos abordando a atuação da mulher na Bíblia Sagrada; daremos um salto na historia para um estudo geral da trajetória feminina na Inglaterra e na América; passaremos depois para algumas considerações sobre a mulher cristã no Brasil. Procuramos trabalhar a questão apenas no âmbito dos Batistas e focalizando os paises acima mencionados. Em seguida pensaremos numa proposta de formação teológica feminina a partir das características do novo milênio e das tendências que a mulher tem apresentado ao longo da historia.
Estamos bem consciente de que este trabalho não tem objetivo de fechar questões sobre currículo e programas, bem como defender esta ou aquela posição no que tange às funções que podem ser desempenhadas pela mulher. Buscaremos, no entanto, trazer à nossa memória fatos históricos indiscutíveis que certamente serão salutares a todos nós comprometidos que somos com o reino de Deus, seu desenvolvimento e preparação adequada de obreiros que atendam os desafios do nosso tempo.


I. A mulher e sua atuação na Bíblia Sagrada

Em Israel, no sistema patriarcal, a mulher foi sujeita ao pai, se solteira, ao marido, se casada, e ao irmão ou filho mais velho, se viuva. Mesmo assim, o código deuteronômico interessou-se em proteger as mulheres do tipo de exploração que muitas vezes foi feita sobre os indefesos, especialmente garantir a sua castidade e a limitar a opressão econômica das viuvas (Deut. 22,23,24)


A posição da mulher na religião, no VT, também foi de subordinação. W.E. Hull afirma que: “Qualquer liderança no culto lhe foi proibida e, diferente da maior parte das religiões da antigüidade, não havia sacerdotisas em Israel. Mulheres podiam ministrar “`a porta” do tabernáculo (Ex. 38.8 I Sam. 2.22)” Podiam compartilhar das refeições, participar dos festivais religiosos, etc. Leon-Dufour porém faz a seguinte consideração em relação a mulher “Embora era proibido o seu acesso ao culto, o Espírito de Yahweh usa certas mulheres, transformando-as, assim como faria com homens, em profetisas, assim mostrando que o seu sexo não é impedimento a ser usada pelo Espírito.”
Embora a posição social da mulher melhorasse paulatinamente com o progresso da civilização, o seu papel religioso diminuiu com o judaísmo rabínico. Naquela época homens foram ensinados a dar graças diariamente: Abençoado és, ó Senhor nosso Deus, que não me fizeste uma mulher”. A mulher era considerada inferior e não tinha o direito de estudar.
Relembrando W.E Hull, quando se refere à mulher na criação ele afirma: “Quando o homem foi presenteado com seu “número correspondente” ele imediatamente se regozijou quando descobriu que nela ele agora teve um outro (quer dizer comunidade) e um igual (quer dizer: osso dos meus ossos, e carne da minha carne”) duas relações contrárias que ele nunca podia experimentar com os animais. Nem os dois juntos em uma só carne” constituem e completam o que significa genericamente ser humano”.
Para não prosseguir nesta análise profunda, complexa e muito vasta, podemos citar, no VT, exemplos de grandes mulheres que souberam marcar presença na história do povo de Deus. Miriam, irmã de Moisés. O que diríamos desta mulher? Desde sua infância fez parte do projeto de Deus para livrar o seu povo do Egito; soube aproveitar o grande momento de interceder junto à filha de Faraó por aquele menino, arranjando-lhe uma “ama”. Débora, casada com Lapidote, exerceu uma liderança firme e decisiva em Israel, livrando-o das mãos de Jabin, rei de Canaã. Jael completou a vitória. Mulher atualizada, acompanhava a história, sabia sobre a guerra, conhecia o grande general e com precisão soube apagá-lo do cenário da luta. Ana, mãe de Samuel, exemplo de desprendimento e fé ; Rute, a moabita, exemplo de fidelidade; Ester a grande rainha que soube salvar o seu povo e tantas outras. Não podemos esquecer que algumas dessas mulheres eram cultas e conseguiram produzir cânticos como o de Miriam e o de Débora que revelam conhecimento de Deus e da historia do seu povo.
Voltando-nos para o NT podemos constatar a posição de Jesus em relação à mulher durante o seu ministério. Madeline Southard em seu livro “A atitude de Jesus para com a mulher”, declara: “Jesus tratou as mulheres não como criaturas das suas relações mas como pessoas em si mesmas. Ele as aceitou, então, como capazes de plena compreensão intelectual e espiritual.” Como evidência vamos considerar dois momentos em que Jesus disse para mulheres algumas das suas palavras mais profundas.
À revelação de Jesus à mulher samaritana: Jesus passa da sede física para uma conversa sobre a sede espiritual, a descrição surpreendente da experiência mística da vida de Deus na alma humana.
A outra declaração é concernente à pessoa de Deus. Ao responder sobre o lugar onde se devia adorar Jesus a leva a contemplar um Deus não condicionado a um espaço. Jesus explica-lhe o conceito metafísico, transcendente, bem como, a maneira em que a alma pode chegar até Deus.
Mais uma indagação, quem seria este estrangeiro? Frederic W. Farrar declara: “Ö primeiro anuncio completo e claro para Ele de ser Ele mesmo o Messias foi feito ao lado de um poço ao meio-dia quando estava cansado, a uma só mulher, samaritana obscura. E para esta estrangeira, pobre e pecaminosa foram faladas palavras de significado imortal às quais todas as épocas futuras escutariam como se fosse com respiração quieta e de joelhos”.
Um outro fato interessante diz respeito à revelação de Jesus a Marta. Talvez esta mulher de Betania esteja sendo tratada injustamente através dos séculos. No túmulo do seu irmão Jesus fez-lhe revelações que certamente, nos indicam quanto o Mestre a considerou capaz de entender valores transcendentais. Foi naquele momento que Jesus lhe disse: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crer em mim ainda que morra, viverá; e aquele que vive e crê, em mim, jamais morrerá. Crês isto? E respondeu-lhe Marta: Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo”(João 11.21-27)
Estas palavras mostram a crença de Jesus na capacidade de mulheres compreenderem as verdades profundas da vida e do pensamento teológico. Elas também mostram que Jesus achou tão importante que mulheres entendessem essas verdades que se empenhou grandemente em levá-las a esta compreensão.
E o que dizer de Maria de Betania? Evocando mais uma vez Madeline Southard vejamos suas palavras neste sentido: “Nenhum estudo da apreciação de Jesus da capacidade mental e espiritual da mulher seria completo se não incluísse Maria de Betania. (Lucas 10.38-42) Maria usou tanto o intelecto como a vontade. Ela, “sentando-se aos pés do Senhor, ouvia a sua palavra.” Isso não significa que ela estava num banquinho olhando em êxtase silencioso. Paulo diz que ele foi instruído aos pés de Gamaliel, conforme a precisão da lei de nossos pais”(Atos 22.3). Maria estava neste momento estudando com o maior professor do mundo. A desaprovação da irmã a forcou a considerar o caso e fazer uma escolha proposital. As palavras de Jesus são claras, “Maria escolheu a boa parte”. Jesus tinha achado uma aluna apta, com capacidade fora do comum para compreender aquelas coisas que ele considerou vitais e Ele recusou mandá-la embora. Através de sua resposta, “Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada,” Jesus abre o caminho para a mulher discípula no estudo da verdade teológica, e elogia sua decisão clara de vontade, em face da oposição, a procurar em primeiro lugar o reino de Deus e a deixar outras coisas em segundo lugar.”
Foi esta Maria que arrancou uma grande acusação dos discípulos masculinos quando tomando um vaso de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos. Jesus porém, compreendeu aquele gesto e disse: “deixai-a” “Em verdade vos digo que onde quer que for pregado este evangelho, também o que ela fez será contado para memória sua” (Mat. 26.13)
Pr. Dr. Ágabo Borges, falando ao SEC sobre As mulheres no Evangelho de Lucas, trouxe para nós afirmações importantes que vale à pena incluirmos nesta hora. Diz o Pr. Ágabo “As mulheres são apresentadas no Evangelho de Lucas em seu contexto de conflito. O evangelista a relaciona com doença, esterilidade, velhice, pecado, viuvez, espírito maligno, mas também, bem-aventurada, abençoada, curada, fiel, forte, etc. A mulher em Lucas é contextualizada, é agente na História. Lucas as trata simplesmente como pessoas, na sua individualidade, no seu valor intrínseco, sem limitar o valor da mulher à sua relação com o homem, como era comum na época”. E prossegue afirmando: “Parece que Lucas indica que Jesus teria um grupo “apostalar” de mulheres o acompanhando”.
Lucas 8. 1 a 3 registra nominalmente um grupo de mulheres que serviam a Jesus e Mateus 27.55 confirma que havia mulheres seguindo Jesus desde a Galiléia. Diz ainda o Pastor Ágabo “Não podemos esquecer de que é da Galiléia que procedem seus apóstolos; da Galiléia Ele parte em ministério; elas o seguem desde a Galiléia. Marcos faz menção destas que o acompanhavam desde a Galiléia e fala ainda de “ muitas outras que haviam subido com Ele a Jerusalém”. (Mc 15.41)
Lucas 24, narra os primeiros momentos da ressurreição, quando as mulheres não encontram o corpo de Jesus, mas “varões com vestes resplandecentes aparecem e questionam sobre o período em que elas estiveram aprendendo com o Mestre. “Fazem uma espécie de prova final”. O texto deixa claro que estas mulheres conheciam bem os ensinos de Jesus, e isto se tornara possível por causa de suas vidas de discípulas”. “Os homens não deram crédito às palavras das mulheres. Mas havia um Pedro no grupo que com João corre para ver o que estava acontecendo”, prosseguiu o Pr. Ágabo Borges.
As mulheres não encerram o seu ministério com a morte de Jesus Cristo. “Não perdem de vista o Mestre, nem seus ensinos, guardam o sábado como era devido”. Analisa o Pr. Ágabo uma questão fundamental que certamente legitima o trabalho feminino daquela época bem como de todos os tempos. Atos 2.4 registra “E todos ficaram cheios do Espírito Santo” Atos 1.14 afirma “Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele”. Portanto, conclui o autor, “as mulheres faziam parte do “todos” de Atos 2.4 sendo igualmente cheias do Espírito Santo.
Vemos mulheres que acompanharam Jesus no seu ministério outras porém ao longo da história foram desempenhando as mais diversas atividades no reino de Deus. Dorcas, a mulher que tinha prazer em trabalhar para os pobres. Era assistente social em sua comunidade. Paulo recomenda aos Romanos 16.1-2 um cuidado especial pela irmã Febe “porque ela tem sido o amparo de muitos e de mim em particular”.
Ainda Paulo chamou a Prisca e Áquila de “meus cooperadores”. O casal judeu Priscila e Áquila, chegando em Éfeso, conhecem Apolo. Diz a Bíblia: Ele começou a falar ousadamente na sinagoga, mas quando Priscila e Áquila o ouviram, levaram-no consigo e lhe expuseram com mais precisão o caminho de Deus” (Atos 18.24-26) Esta mulher cujo nome vem mencionado antes do marido, participou dos ensinamentos bíblicos ao pregador Apolo. Segundo Paulo este casal expôs a sua cabeça e todas as igrejas dos gentios são agradecidas a eles.
Paulo refere-se à educação aprimorada e à fé não fingida que Timóteo recebeu de sua avó e de sua mãe Loide e Eunice. II Timóteo 3.14 e 15 Paulo afirma: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido. E que desde a tua meninice sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.”
Ora o que é isto “desde a tua meninice sabes as sagradas letras”? Quem ensinou? Loide e Eunice. Como ensinaram se não sabiam? Ensina-se o que se sabe. Isto dentro de um mundo complexo em relação à mulher, como o meio socio-religioso em que viveu Timóteo, duas mulheres são alvo de menção honrosa pelo trabalho educacional religioso que realizou na vida daquele jovem.
Finalmente, irmãos, creio que já não mais necessitamos provar o que a mulher significa dentro do plano de Deus para este mundo. A questão agora é fazer a obra a exemplo de tantas outras que venceram os mais diversos obstáculos e foram à frente conscientes de sua missão no mundo e convictas da chamada divina. Vejamos o que ocorreu, por exemplo na Inglaterra e na América.


  1. A atuação da mulher na Inglaterra e na América.

Dr. Leon McBeth escrevendo sobre o papel da mulher na liderança da igreja Batista afirmou o seguinte: “Do ângulo do serviço, nós dependemos de você, do ângulo do ministério, nós a tememos; do ângulo de missões, nós a seguimos; do ângulo das escrituras, nós nos confundimos sobre você; do ângulo da história, nós a ignoramos; mas, do ângulo do futuro, nós tememos perder você ou que você se perca e determine seu próprio papel na vida dos Batistas” (Perspectiva das Mulheres na Vida Batista, julho, 1998)


Na Inglaterra, desde o começo da história dos batistas, as mulheres serviram como diaconisas, anfitriãs para receber as igrejas e até foram oradoras.
Em 1609 John Smyth escreveu que “a igreja tinha poder para eleger, aprovar e ordenar seus próprios anciãos, bem como para eleger, aprovar e ordenar seus próprios diáconos tanto homens como mulheres”. Outros autores falaram sobre o assunto o que evidencia que os Batistas, desde cedo aceitaram mulheres como diaconisas.
Em 1640 Dorothy Hazzard fundou uma igreja em Bristol, na Inglaterra, e apesar de não servir como pastora, por muitos anos ensinou, dirigiu os estudos bíblicos, ganhou almas e quando a igreja estava sem pastor, ela foi oradora.
Os batistas ingleses foram criticados por essa atitude e a história registra a reação de um ministro presbiteriano no que se refere às oradoras da época, mulheres que pregavam, ensinavam as escrituras nas casas, que faziam isto semanalmente as quais eram muito bem apreciadas.
O papel das mulheres Batistas, entre os ingleses, começou a diminuir nos anos 1700 a 1800. Algumas igrejas aboliram o cargo de diácono e outras questionavam o direito das mulheres votarem nas assembléias da igreja. No século vinte, as mulheres batistas inglesas começaram a reafirmar seus papéis históricos na liderança.
No ano de 1922 apareceu o nome de uma mulher na lista de ministros probatórios e mulheres que na 2 Guerra Mundial serviram regularmente em função pastoral. Em 1979 havia mais de 50 ministras ordenadas entre os Batistas ingleses e o Comitê de Reconhecimento Ministerial foi encabeçado por uma mulher.
O que ocorreu na liderança feminina na América? Foi o testemunho de uma mulher que conduziu à organização da primeira igreja batista na América. Catherine Scott persuadiu Roger Williams em 1939, a fazer uma profissão pública de fé Batista. Williams foi, em seguida, batizado e a 1 Igreja Batista de Providência, Rhode Island, foi organizada.
Porém, o papel das mulheres nas igrejas batistas na América colonial era preocupante. Em 1746, na Filadélfia, a Associação Batista concluiu que as mulheres não deviam falar em reuniões, mas tivessem o direito de votar “de dar uma voz em silêncio, erguendo para cima uma das mãos”. Em 1804, a Associação Black Creek, no Estado da Carolina do Sul regulamentou que as mulheres pudessem falar em casos de disciplina na igreja, mas não a respeito da autoridade implícita com relação aos homens.
McBeth observa que “na Carolina do Norte, entre as igrejas Batistas Independentes, o aspecto mais notório não eram as diaconisas ou bispos, mas a popularidade das oradoras entre eles”.
As mulheres batistas começaram a organizar as sociedades missionárias em 1800, quando Mary Webb, de Boston, formou o que geralmente é considerado como a primeira sociedade feminina missionária da América. Grupo semelhante espalhou-se por toda América, na Carolina do Sul em 1811, em Virgínia e em Maryland em 1813. O principal objetivo dessa sociedades era missões estrangeiras, embora tivessem nomes diferentes que as designassem.
Foi uma mulher que fez a primeira contribuição para a Convenção Trienal, organizada em Filadélfia em 1814. Esta convenção porém, relutou em nomear missionárias solteiras, no entanto, em 1815 uma viúva Charlotte White foi ao campo missionário, pagando sua própria passagem e ficando sob a responsabilidade de uma família de missionários.
Em 1845 nenhuma mulher alistou-se como mensageira à convenção Batista do Meridional, porém as mulheres batistas, do lado de fora, conduziram o movimento de missões que foi o principal fator da formação da Convenção.
Somente em 1868 em Baltimore realizou-se a primeira reunião das mulheres batistas. Durante vinte anos, até 1888, quando foi formada a UFM, houve um período de incerteza para as mulheres batistas. Elas porém encontravam-se nos períodos de Convenção e o interesse cresceu e as organizações multiplicaram-se ao nível das igrejas locais. Em 1872, a Convenção Batista Meridional fez o primeiro registro sobre o trabalho das mulheres, quando pediu à Junta de Missões Estrangeiras que incluísse em seu relatório uma seção sobre o trabalho das “Mulheres da Bíblia”. Depois disso o relatório do trabalho das mulheres foi regularmente incluído e sempre apresentado por um homem.
Em maio de 1888, em Richmond, Virgínia, as mulheres organizaram a União Feminina Missionária, como auxiliar à Convenção Batista do Meridional. O propósito dessa organização foi assim declarado: ä audácia de estimular o espírito missionário e a graça de dar entre as mulheres e crianças das igrejas e ajudar a coleta de ofertas para propósito missionário”.
As mulheres batistas estavam interessadas também na luta por seus direitos e suas sociedades eram um tipo de expressão de liberdade delas mesmas. Organizaram-se para liderança e para combinar energias e vozes para as causas nas quais elas acreditavam. Novas oportunidades surgiram e em muitos documentos batistas estaduais começaram colunas, ou páginas inteiras sobre o trabalho das mulheres. Surgiram mulheres escritoras, publicação de suas próprias revistas. O Diário de Missões Estrangeiras também deu oportunidade para mulheres expressarem-se.
As mulheres abriram caminho para criação de literatura missionária. Seus folhetos, com lições de estudos bíblicos, noticias sobre o que os outros estavam fazendo, testemunhos missionários e acima de tudo, cartas do campo de missões, fixaram o padrão para literatura missionária. Em alguns Estados, mulheres foram nomeadas para escrever em uma coluna do Jornal Batista para promover missões.
A questão do voto feminino e da apresentação do seu próprio relatório na Convenção levou algum tempo. O primeiro ocorreu em 1918, depois de alguma controvérsia e o segundo em 1928 quando a Sra. W.J.Cox presidente da UFM, foi convidada para dar o seu próprio relatório à Convenção. Isto criou um certo problema porque uma mulher nunca havia falado antes numa Convenção. Tanto assim que quando a Sra. Cox apresentou-se para falar muitos homens se retiraram uma vez que tinham sido logrados os esforços para impedir que uma mulher subisse ao púlpito.
Na América, as mulheres foram coluna vertebral de missões. A história de missões e predominante na história das mulheres, principalmente em seu começo. Elas responderam aos apelos de Ann Judson, esposa de Adoguiram Lottie Moon, cuja vida de sacrifícios e cartas que apelavam ao apoio a missões levaram a oferta anual ter o seu nome. Veio depois a oferta Annie Armstrong destinada a Missões Nacionais.
Foram também as mulheres batistas do Meridional que iniciaram a prática do dízimo. Elas ensinaram as igrejas batistas como dar sua contribuição.
Um outro papel importante na atuação das mulheres é a prática da oração. A literatura das primeiras mulheres era um folheto que listava pedidos de oração para os missionários para cada mês. Muitas mulheres batistas ficaram conhecidas pelo seu compromisso com a oração, como um modo de vida.
Uma outra área em que as mulheres exerceram, desde o início grande influência é na educação.
Na metade do século XIX houve uma explosão de novas escolas. As mulheres foram envolvidas em várias níveis de educação: a antiga escola feminina, as escolas co-educacionais, as faculdades femininas, e às vezes, os seminários. Algumas serviram como administradoras educacionais como Sally B. Hamner, presidente do Instituto Feminino de Richmond, 1877-1890; Anne Denmark, presidente da Faculdade Anderson, 1929-1954 entre outras. A Escola de Treinamento da UFM em Louisville, Kentuck, foi conduzida por algumas administradoras.
A questão da Educação Teológica para as mulheres batistas na América cresceu com as mulheres em missões. Por volta de 1870 as únicas mulheres que estavam sendo nomeadas pela Junta de Missões Estrangeiras em uma base normal, não tinham recebido nenhum treinamento sobre a Bíblia. No ano de 1889 houve um pedido para se formar um seminário batista para moças da mesma forma que havia para os rapazes. Em 1906 já havia trinta e cinco moças freqüentando o seminário. Um detalhe é que estas moças não podiam participar das discussões em classe ou dos exames dos assuntos estudados, também não podiam receber diploma.
A Escola de Treinamento da UFM começou em cooperação com o Seminário do Sul. As mulheres assistiam às aulas suplementares só para mulheres na Escola de Treinamento. Posteriormente a Escola de Treinamento tornou-se a Escola Carver de Missões e Trabalho Social. Desde sua origem, 1908, o Seminário do Sul admitiu estudantes mulheres em igualdade com os homens. As mulheres matriculavam-se nos Seminários progressivamente até após a II Guerra Mundial. Seguindo-se depois um declínio que chegou a 10% em 1970.
McBeth vê três razões para esta tendência: Uma diferença na oportunidade para ministério. Não havia para as mulheres oportunidade viável, nem trabalho significativo na igreja. Até mesmo na área de missões estrangeiras, as solteiras eram preteridas. Finalmente, empregos mais atraentes no mundo secular cortavam o número de mulheres que poderiam ingressar nos seminários.
As mulheres porém, continuaram influenciando a igreja local. Elas formaram a maioria dos membros das igrejas, também dos freqüentadores, doadores, professores e trabalhadores de todos os tipos.
O papel de liderança da UFM foi marcado pelo encorajamento para o envolvimento pessoal ao nível local em missões na comunidade e ação missionária. O Serviço Pessoal foi incluído como um dos objetivos da organização em 1991 e foi escrito no primeiro Padrão de Excelência da UFM. As mulheres líderes inspecionaram a comunidade para identificar suas necessidades.
O resultado deste trabalho foi um planejamento impressionante de ações. A lista de trabalhos a serem executados abrange as escolas dominicais da missão, visitação em hospitais e prisões, creches, trabalho de salvamento, clubes bíblicos para imigrantes, Escolas Bíblicas de Férias, ministérios com idosos, programa de distribuição de alimentos e clube de mães.
Não faltam histórias de mulheres que organizaram e reavivaram igrejas mortas e que estimularam igrejas litárgicas.
McBeth relata a história de Lucinda Williams que fundou a Primeira Igreja Batista em Dallas. Esta senhora estava determinada a ter uma Igreja Batista naquela cidade. Localizou e visitou outros Batistas e os convocou para que a ajudassem a organizar uma igreja. Reuniram-se oito mulheres e três homens em 30/julho/1868 onde se organizou a 1ª Igreja Batista em Dallas. A igreja passou por tempos difíceis, não tinha edifício e aparentemente nenhum futuro. Mais uma vez as mulheres se organizaram e em 1872 tinham assegurado bastante dinheiro para construção do primeiro edifício da Igreja Batista em Dallas.
Foi o primeiro capital levantado e administrado por mulheres batistas em Dallas.
Uma questão a ser levantada: Consulta sobre Vocação Feminina relacionado à Igreja. Em setembro de 1978, aproximadamente 235 mulheres e 60 homens reuniram-se em Nashville para a primeira Consulta sobre Vocação Feminina relacionada à Igreja. Este trabalho foi desenvolvido com três objetivos gerais: 1) definir a atual situação da Convenção Batista com relação à Vocação Feminina relacionada à Igreja; 2) prover uma plataforma para a apresentação de uma variedade equilibrada das visões sobre o assunto; 3) identificar e explicar as opções disponíveis agora para as mulheres e meninas que têm vocação feminina no momento. Dessa pesquisa participaram várias entidades como: Junta de Missões Estrangeiras, Comitê de Rádio e Televisão, Seminários Teológicos, UFM, entre outras.
Naquela época, muitas mulheres já haviam sido ordenadas como ministras e diaconisas, porém a pesquisa não se constituiu foro de debate para ordenação. Alguém assim se expressou que “as mulheres batistas do sul aspiram por milhares de trabalhos, que não têm nenhuma relação com ordenação. Talvez, a maioria das mulheres presentes teria concordado com Elaine Dickson, na época trabalhadora numa igreja e coordenadora de materiais para a Junta de Escola Dominical, que disse: “O real assunto para as mulheres batistas, não é de nenhuma identidade, sabendo quem são elas, mas achar um lugar para trabalhar e para servir.”
As mulheres presentes àquela reunião traçaram mudanças em seus papéis na igreja, baseados nos ensinos bíblicos, apresentando o sério desejo de servir e muito pesou a melhoria das sugestões práticas. Talvez a maior contribuição daquela consulta foi permitir às mulheres que se sentem chamadas, estabelecer amplo conhecimento de outras mulheres em circunstâncias idênticas, mas que se sentiam isoladas e agora podiam experimentar um esforço maior de ser um grupo unido. Daí, as mulheres começarem a publicar o Folheto, Jornal das Mulheres, em 1983, r a reunirem-se anualmente antes da Convenção Batista do Sul.
Com relação aos papéis de liderança para Mulheres, Clay L. Price, em 1977, administrou uma pesquisa com 668 pessoas, inclusive pastores, quanto ao papel das mulheres na igreja e na sociedade. A pesquisa mostrou que 75% aprovaram a ordenação de mulheres para o trabalho em Educação Religiosa, trabalho com mocidade ou ministério social. Enquanto 24% aprovaram a atuação da mulher na área de capelania e 34% para o diaconato.
Dos votos apurados 18% apoiaram que a Bíblia permite a possibilidade das mulheres servirem como pastoras; 17% seriam aliadas das pessoas que aprovariam que as mulheres fossem pastoras e 16% pensaram que as mulheres poderiam ser pastoras efetivas. Dois terços dos que responderam a pesquisa esperam que os batista americanos se orientem para uma maior aceitação de mulheres no ministério nos próximos vinte e cinco anos. Price conclui o seu trabalho dizendo: “como o papel das mulheres se expandiu na sociedade, as igrejas batistas do sul terão que considerar um maior grau de envolvimento das mulheres na igreja”.
As mulheres estão envolvidas na liderança em várias áreas, além da UFM. São diretoras de treinamento nas Igrejas, diretoras de Biblioteca, de Mídia, etc. e as estatísticas revelam, em 1982, que 1.753 mulheres americanas serviam em missões estrangeiras e 1886 em missões nacionais e 232 mulheres ordenadas na Carolina do Norte, Kentucky, Virgínia, Carolina do Sul, Texas, Geórgia e Alabama, além de outros Estados.
Dr. Leon McBeth, escrevendo em História e Herança dos Batistas, explica sua perspectiva sobre as mulheres na vida de nossa Denominação como segue:
No Brasil, a situação da mulher ainda não é questão resolvida. Ouvi recentemente uma entrevista que pesquisas têm revelado quanto a mulher e o negro ainda são discriminados em nosso país. São funções iguais, salários diferentes, preferência por uns em detrimento de outros, até na igreja, em casos de funções exercidas por mulheres que recebem remuneração menor do que a do homem. Talvez, quem sabe, ainda haja quem pense como o filósofo Mallebranche que escreveu o seguinte: “As mulheres são intelectualmente inferiores aos homens já que sua fibra cerebral é mole e delicada, carecendo completamente da dureza, solidez, força e consistência da fibra cerebral masculina.”
Com tudo isto, porém, damos graças a Deus pelo que temos conquistado em nosso país. Hoje há quantas mulheres em liderança na denominação! Creio que é justo mencionar o nome de Josefa Silva, a pioneira na educação crista que em 1917, pela sua persistência e grande visão abriu as portas da primeira escola feminina de ensino teológico no Brasil, SEC, em Recife. Marcolina Magalhães também a primeira mulher que saiu do SEC para desbravar o sertão de nossa pátria levando a mensagem do evangelho realizando um trabalho missionário grandioso. Outras iniciaram trabalhos sociais, atuam como professoras, profissionais liberais em todo território nacional. Há muito a ser conquistado e temos comprovado que Deus está na direção de tudo.

A propósito de uma formação teológica feminina para o novo tempo.
Fizemos até aqui uma exposição histórica sucinta, da trajetória feminina, no âmbito do reino de Deus. Desse passado histórico e do momento presente podemos concluir que a mulher sempre apresentou tendências para vida de oração, evangelismo e missões, ação social, educação, cargos diversos de liderança num horizonte bem amplo de atividades e de funções distintas.
Que proposta teríamos para a formação teológica feminina para o novo tempo? Não apresentaremos aqui um elenco de disciplinas, um currículo pronto, embora creiamos que a formação teológica da mulher deve ser desenhada dentro dos padrões que refletem as tendências que sempre demonstrou e continua fazendo, deve ser contextualizada, em face das características do mundo que está aí projetando-se de maneira vertiginosa.
Conforme o grande educador Paulo Freire, “O importante não é a transmissão de conteúdos específicos com a experiência vivida”(Pedagogia libertadora)
Posto isto, em que mundo vivemos e quais as perspectivas do futuro? Dra. Joyce Every Clayton falando ao SEC por ocasião do I Congresso de Pós-graduação naquela Casa, fez algumas afirmações importantes sobre o novo tempo. Disse ela: “O mundo do século XXI será um mundo urbano e nossa missão também terá que ser urbana”. A urbanização contínua e rápida em todo mundo nos obriga a preparar alunos para um ministério encarnacional entre as massas pobres e miseráveis das favelas do mundo. Os nossos alunos precisam entender essas cidades, suas estruturas sociais, econômicas e políticas, suas culturas e sub-culturas. (Precisam conhecer as interfaces da nossa sociedade).( Grifo da autora)
O pluralismo religioso está aumentando no mundo e a concorrência também. O mercado religioso está ficando saturado com cada vez mais opções para o consumidor de bens religiosos. Os nossos alunos vão precisar saber se virar bem num mundo dessa incrível diversidade religiosa. Isso nem sempre é fácil, e é quase impossível para o obreiro que nunca aprendeu na prática, no seminário, o que é ser servo, ser liderado”.
.Os desafios em relação às estratégias missionárias são muito grandes neste milênio. Os missiólogos já estão publicando livros e encorajando novos métodos para atingir povos ainda não alcançados.
Estamos vivendo novos tempos, novas tendências. Hoje já se vê protestos públicos como, em países da Europa contra a globalização, reações políticas do povo, algumas vezes surpreendentes. Dra. Joyce Every Clayton afirma: “a espiritualidade crista dos dois-terços do mundo cristão já começa a mudar as coisas também”. Este é em linhas gerais o cenário em que vivemos e no qual somos desafiados a preparar mulheres capazes de atuar neste mundo novo. Mundo em que, nós mesmos, educadores, estamos entrando concomitantemente com os nossos discípulos e discípulas.
Diante deste quadro podemos aquilatar a responsabilidade de nossas Instituições quanto à definição de um currículo contextualizado, dinâmico, participativo e que se desenhe à medida que as necessidades são detectadas ao longo do processo de ensino-aprendizagem.
Não que o currículo não possua objetivos e metas definidas a serem alcançadas, mas, que ele seja elaborado a partir de uma dimensão técnica que contemple maior competência na busca de conteúdos e de metodologias que nos permitam interferir eficiente e eficazmente na realidade, com uma visão crítica e transformadora dessa realidade. “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo” (Mat. 5.13)
Diante deste contexto, algumas perguntas poderiam ser levantadas e quem sabe nos ajudariam nesta reflexão. Avaliação e reavaliação contínua são procedimentos fundamentais na elaboração de um currículo. Assim, podemos levantar as seguintes questões: Que ensino alimenta a educação integral? Qual o conteúdo de tal educação? Que significaria pesquisa num seminário direcionado à preparação da mulher? Como seria este seminário?
Nos Estados Unidos, segundo o trabalho Alternativas Femininas na Educação Teológica, a preparação de obreiras na área teológica está sendo feita ainda em Instituições que perpetuam a discriminação de sexo.
Escolas teológicas refletem a idéia de igrejas que tem perpetuado a discriminação contra a mulher, até mesmo em relação à estrutura e ao processo de educação teológica.
Seminaristas femininas entram em seminários que têm sua base no século XIX e que influencia até uma modificação no currículo com introdução de disciplinas práticas: psicologia e sociologia da religião, pregação entre outras. Há uma divisão entre disciplinas práticas e acadêmicas, o que tem sido reavaliado.
Seminários têm adotado o modelo universitário de educação, que vem do século XIX, que é competitivo onde pesa a relação de classe, raça e sexo. O currículo modificado de Andover contempla um estilo mais aberto em que o aluno pode juntamente definir seus próprios objetivos.
Em Andover, o treinamento feminino para o ministério está baseado no principio de que os alunos são capazes de direcionar sua própria aprendizagem. Um trabalho foi montado nesta direção, quando os alunos desenvolveram, em tempo integral um ministério que refletiu seus próprios alvos vocacionais.
Enquanto o programa tem-se desenvolvido através dos anos, tem sido possível identificar alguns elementos necessários para o programa alcançar seus objetivos. Alguns desses provaram ser pontos fortes, outros como questões a serem melhoradas. Vejamos o que tem sido considerado no Seminário de Andover; em linhas gerais, neste projeto:


  1. Compromisso: Um alto grau de compromisso e responsabilidade para com o grupo e o trabalho individual;

  2. Diversidade: Esta emergiu como um ponto forte a ser considerado. Diversidade nas tradições, personalidade, circunstâncias, alvos, talentos, entre outros.

  3. Processo: Neste aspecto foi considerada sobretudo a importância da liderança compartilhada e responsável.

  4. Método de equipe: Liderança múltipla tem efeitos bons pela exposição da aluna a uma diversidade de modelos no ministério.

Quanto à avaliação. Depois de três anos de operação do programa foi possível entender que a experiência ajudou a aliviar problemas que atingiam as mulheres como: isolamento, identidade vocacional, poder. Provou ser eficaz na educação teológica o modelo de equipes e desenvolvimento de ministérios práticos na experiência educacional.


Este programa demonstrou também a possibilidade da presença eficiente da mulher nas áreas do magistério e do ministério. O que permanece é a questão da persistência, e a luta pela motivação interna e externa nessa área.
Educação é a forma mais importante de socialização e política para poder fazer-se decisões acertadas quanto ao que somos no mundo.
Educação, ministério, reforma são alvos em nossas experiências pedagógicas. Os líderes são o que eles ensinam incluindo uma relação teoria e prática.
Para um trabalho educacional eficiente não se pode prescindir da Pesquisa. Pesquisa objetiva não é simplesmente uma operação que exclui, mas, um meio para levantarmos mais idéias, novas idéias. Isto acrescentará realidades e desafios novos. Ajuda também na seleção correta de livros que às vezes são apenas acrescentados ao trabalho pedagógico sem critério minucioso de escolha. Difícil haver progresso pedagógico sem a utilização constante e responsável da pesquisa baseado em critérios científicos. “No momento em que esse valoriza a pesquisa, por meio dos nossos alunos-pesquisadores, mergulhamos na nossa realidade, no nosso contexto sócio-cultural e religioso, procurando dar respostas a esse contexto” (Dr. Roberto Alves de Souza)
O nosso Seminário talvez tivesse esta face renovadora, libertadora, motivadora de valores. Nossos líderes seriam os visionários atentos à realidade presente e por vir. E nossos professores que seriam neste contexto? Antonio Nóvoa, da Universidade de Lisboa, Afirma que, a crença na escola “ajudou a consolidar uma imagem dos professores como sacerdotes da religião educativa”. Segundo a Pedagogia Progressista “no diálogo, como método básico, a relação é horizontal, onde educador e educandos se posicionam como sujeitos do ato de conhecimento.
Como dissemos no início, não temos propostas prontas que venham engessar a formação teológica feminina em nosso país, mas uma reflexão no interesse que este assunto venha constituir-se tema de pesquisa dos nossos renomados pensadores batistas.
Conclusão
Grandes desafios para o futuro
Oração e estudo da Bíblia. O papel das mulheres da Bíblia deverá direcionar o papel das mulheres no reino de Deus hoje. A mulher precisa fazer um trabalho exegético sério e claro sobre o assunto.
Cabe à mulher o grande desafio de investir junto aos excluídos pela sociedade moderna. Entre eles, a própria mulher que em vários países do mundo está sendo violentada em seus direitos morais, sociais, espirituais, bem como no seu próprio físico. No Afeganistão, por exemplo, o Taliban impõe às mulheres pelo menos, 31 restrições que incluem proibição ao exercício profissional, ao estudo em escolas e universidades, a fazer qualquer tipo de ruído quando caminha, proíbe cantar, ouvir música, etc., etc. O que a igreja cristã fará pelas mulheres afegãs?
O que a mulher fará junto à igreja, pela evangelização dos portadores de deficiência física como surdez, cegueira, e outras tantas! Em quantas igrejas batistas do Brasil funciona uma classe em Braile para atender aos deficientes visuais? E os portadores de deficiência mental, que estamos oferecendo para alcançá-los?
Por que a igreja ainda não abriu os seus olhos para a necessidade prioritária e urgente de um trabalho educacional de qualidade tão importante e absolutamente necessário para o desenvolvimento harmonioso e numérico do reino de Deus?
Por que o educador(a) religioso(a) ainda hoje é descartado e a educação religiosa neglicenciada? Que estamos produzindo para o futuro junto às crianças, adolescentes e jovens que constituem a igreja de hoje e serão os líderes do amanhã?
Quando jovem, aprendi na igreja a redigir uma ata, dirigir uma sessão e juntamente com os estudos seculares, fui treinada para assumir classes da EBD. E os jovens de hoje, o que temos para eles? Qual o planejamento educacional da igreja que inclua além do crescimento espiritual contínuo, um projeto de treinamento sistematizado que envolva líderes atuantes e líderes em potencial para os diversos ministérios da igreja no mundo?
Hoje, convivemos com G12, igrejas em células, igrejas com células, igrejas com ministério, o que será de qualquer experiência dessa natureza se não houver um planejamento bem estruturado que responda as perguntas fundamentais de qualquer projeto de trabalho?
O que queremos? Por que queremos? Como? Quando? Onde? Perguntas que precisam ser consciente e cientificamente respondidas a fim de que tenhamos como resposta um trabalho de qualidade.
Não podemos esquecer que a educação religiosa é a mola mestra da religião cristã.
Dr. Leon McBeth, escrevendo em História e Herança dos Batistas, explica sua perspectiva sobre as mulheres na vida Batista.
* Do ângulo do serviço, nós dependemos de você.
Segundo o referido autor, a mulher, desde o início da história dos Batistas, serviu fielmente, nutriu, encorajou e preservou igrejas. Sem seu serviço leal e efetivo através das gerações, nossa denominação seria muito diferente.
* Do ângulo do ministério nós a tememos.
Nós temos medo que você fale na igreja. Nós temos medo que você assuma a liderança. Nós temos medo que você ensine na assembléia. E nós estamos, especialmente amedrontados por você ir ao púlpito, a menos que, você esteja cantando um solo, que neste caso está certo.
* Do ângulo de Missões nós a seguimos
Nenhum fato da história dos Batistas está tão claro, quanto o de que as mulheres fixaram o passo para o envolvimento dos Batistas em missões... A mulher viu a mensagem Bíblica sobre missões antes que nós o fizéssemos. Viu o potencial de missões para energizar nossas igrejas antes que nós o fizéssemos.
* Do âmbito das Escrituras. Nós nos confundimos sobre você
Nós temos competentes estudiosos da Bíblia entre os Batistas Americanos que genuinamente acreditam que o Novo Testamento proíbe as mulheres de exercitarem o ensino ou papel ministerial na igreja. Nós temos outros estudiosos da Bíblia, igualmente competentes e dedicados, que acreditam que o Novo Testamento, corretamente interpretado, não desqualifica as mulheres de serem chamadas por Deus e de cumprir sua chamada no ministério da igreja. Assim, não é uma pergunta se a pessoa acredita na Bíblia, mas de como nós entendemos a Bíblia... A pessoa que assume aquele ensinamento bíblico, no papel das mulheres na igreja, é claro que é um equívoco, é tanto inacreditavelmente ingênuo ou então não está levando o texto da Bíblia a sério.
* Do ângulo da História. Nós a Ignoramos
Você não achará meia dúzia de mulheres, igualmente mencionadas em vários tomos da grande história dos Batistas... Minha primeira impressão era assumir que desde que estas pesquisas excelentes não tinham informado nada, não havia nada provavelmente significante para o relatório. Mas, o mais que eu entrei nos assuntos do início que relatam a história dos Batistas... achei mais uma vez, para minha surpresa, que as mulheres tiveram um papel proeminente na história dos Batistas. As mulheres participaram da vida da igreja. Elas falaram e ensinaram às vezes, pregararam entre Batistas. As mulheres, como também os homens serviram como diáconos, no Sul como também no Norte... mesmo assim, alguns estudantes acharão isto difícil de acreditar que as mulheres sempre exercitaram qualquer tipo de papel de liderança nas igrejas Batistas.
* Do ângulo do Futuro nós tememos perder você
Eu penso que já passou o tempo quando um homem podia falar sobre o papel das mulheres. Por gerações, os homens a definiam e definiram o papel delas. Os homens interpretavam as passagens das Escrituras sobre a mulher; os homens votaram as leis que determinaram os seus direitos na sociedade; os homens interpretavam seu lugar na história; os homens decidiam o que a mulher poderia fazer, dizer, usar, sobre si mesma. Os homens pronunciavam o veredicto se Deus podia chamá-la e quando podia fazer isto; os homens decidiram se a mulher pode servir como diácono, professor ou ministro. “Nós modelamos você para o que nós pensávamos que você deveria ser.”
Você tem que definir seus próprios papéis. Você tem que se tornar para seus estudos bíblicos e tem que interpretar para você mesma e para nós, o que pretende ser como mulher; você tem que discernir como Deus está lidando com você; você tem que determinar se Deus está lhe chamando e nesse caso para que e só você pode determinar sua resposta formal para o chamado de Deus.”

O campo urge por pessoas independentemente de sexo.


A mulher tem-se colocado à disposição do trabalho. O maior número de mulheres na formação acadêmica secular ou religiosa talvez sinalize uma reação à expressão que sempre existiu em relação à mulher. O campo está aberto para quem tem preparo independente do sexo a que pertença.
Consciente de sua chamada, a mulher certamente buscará enquadrar-se no plano de Deus e lutará pela conquista de um preparo de qualidade.
O preparo teológico feminino para o novo tempo há de contemplar esta mulher cada vez mais livre dos preconceitos tradicionais. Naturalmente, pelo fato de ser tolhida de alguma maneira em toda história, de exercer determinadas profissões, isto contribuiu para que a mulher, ela mesma tenha sentido dificuldades em romper tabus e apresentar-se mais livre, autêntica, no desempenho de suas potencialidades. É o caso, por exemplo da escritora francesa Marie Meudrac que ao publicar seu livro intitulado “Quimica caritativa e fácil em benefício das mulheres”, (1666) assim se explica no prefácio: “Mas se eu tinha razão para o publicar, também tinha outras para ocultá-lo e não expor à censura geral. A objeção que fazia a mim mesma era a de que ensinar não é profissão para uma mulher, que ela deve permanecer calada, escutar e aprender sem demonstrar o que sabe”...
Atualmente, porém, a mulher rompe situações que lhe prendiam, prejudicando suas funções no mundo. É a mulher que se firma como profissional competente, não apenas a “tia” da escola”, mas a mestra capaz; não apenas a mãe, a doméstica, mas a profissional que concorre em igualdade de condições no mercado de trabalho, é a obreira atuante e competente que tem condições de participar da discussão de qualquer tema relacionado com a obra de Deus e não se omitir de sua contribuição.
O preparo teológico feminino há de contemplar esta nova mulher que cada dia mais desabrocha com força e competência.
É claro que isto é um desafio não apenas para quem planeja e executa o ensino teológico, mas para a própria mulher que ainda enfrenta os preconceitos subjacentes na sociedade maxista em que vivemos.
Esta tem sido a nossa batalha a nossa experiência enquanto Seminário cuja maioria dos alunos pertence ao sexo feminino. Esperamos que mulheres treinadas, talentosas e comprometidas não encontrem portas fechadas nas avenidas do serviço. Que não haja entre nós o pensamento de que uma liderança forte por parte de mulheres debilitará os esforços dos homens.
A mulher, em todo o tempo esteve disponível para o exercício do ministério da educação religiosa, trabalho social e missões. Nosso esforço deve ser concentrado nestas áreas não apenas para uma formação de qualidade, bem como para compreensão de nossa responsabilidade enquanto igreja que envia e deve assumir o vocacionado em todos os aspectos, inclusive abrindo portas para o exercício desses ministérios.
A formação teológica feminina para o novo tempo deverá contemplar a mulher numa visão integral de sua personalidade. Como diz Amparo de Medina “O desafio para a verdadeira mulher cristã do século XXI é continuar tomando posição diante da família, da igreja e da sociedade, de tal maneira que possa reconhecer a si mesma e ao homem como seres criados por Deus à Sua imagem e semelhança com igualdades e diferenças”.
Está posto o desafio de continuarmos enquanto educadores cristãos na busca constante e responsável por entendermos o processo histórico que envolve a mulher cristã e juntamente desenharmos um currículo que atenda seus anseios, perspectivas e possibilidades. Este desafio implica em conseqüências sérias para o reino de Deus, porisso, nossa oração é que dEle dependamos na elaboração desse relevante projeto.

Bibliografia
COLLECTIVE, The Cornwall - Your Doughters Shall prophesy, New York,

The Pilgrim Press, 1980


FREIRE, Paulo – Pedagogia do Oprimido
GUNDRY, Stanley - Teloogia Contemporânea - São Paulo, Editora Mundo

Cristão, 1983


LANDERS, John - Teologia dos Principios Batistas, Rio e Janeiro, JUERP, 1987
LIBÂNEO, José Carlos - Democratização da Escola Pública - São Paulo, Loyola, 1985
MEC - Referencial Nacional de Educação
MCBETH, Leon - The Changing Role of Women in Batist History - Fort Worth,

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NÓVOA, Antônio - Relação Escola-Sociedade: Novas respostas para um velho

problema - II Congresso Estadual Paulista sobre a Formação de

Educadores - 1994
OLIVEIRA, Zaqueu Moreira de - Repensando a Imposição de Mãos para o

Ministério, Recife, STBNB, 1996


Apostilas
BRIDGES, Nancy Lee - Educação Teológica para as Mulheres Batistas do Sul

(EEUU) 1988


BRIDGES, Nancy Lee - Mulheres Batistas do Sul na Liderança, 1987
PLAMPIN, Carolyn, Atuação_______________________
Periódicos
O JORNAL BATISTA
STBSB, Revista Brasileira de Teologia, nº 01 - 2000
UNION FEMENIL BAUTISTA DE AMERICA LATINA, Noticiario/2000








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