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FUNDAÇÃO EDSON QUEIROZ.

UNIVERSIDADE DE FORTALEZA – UNIFOR.

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – CCS.

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM.



A AMBIÊNCIA DA UNIDADE NEONATAL NA PROMOÇÃO DO BEM-ESTAR DO RECÉM-NASCIDO

FORTALEZA

2008

FERNANDA JORGE MAGALHÃES



ISIS DE OLIVEIRA PINHEIRO

ELOAH DE PAULA PESSOA GURGEL

KARLA MARIA CARNEIRO ROLIM

A AMBIÊNCIA DA UNIDADE NEONATAL NA PROMOÇÃO DO BEM-ESTAR DO RECÉM-NASCIDO

Pesquisa apresentada como requisito para concorrer à prêmio do 11º Congresso Brasileiro de Enfermagem (CBCENF).

FORTALEZA

2008


SUMÁRIO

I – RESUMO................................................................................................................... 4


II - INTRODUÇÃO........................................................................................................ 5
III - OBJETIVO.............................................................................................................. 7
IV – METODOLOGIA ................................................................................................. 8
V – RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................ 9
VI – CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 14
VII – REFERÊNCIAS ..................................................................................................15

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I – RESUMO


Objetivamos investigar a prática da enfermeira na assistência ao recém-nascido de alto risco na Unidade de Internação Neonatal (UTIN), com base em pressupostos humanísticos. A preocupação com as questões relacionadas à crise ambiental tem sido cada vez mais freqüentes. Os efeitos catastróficos do processo de degradação do meio ambiente têm impactos, também, sobre a saúde humana, uma vez que são afetados todos os aspectos da vida como: saúde, qualidade do meio ambiente, tecnologia; além de dimensões morais e espirituais. A UTIN é vista como um ambiente desgastante, estressante e tenso, onde, muitas vezes, há dificuldade de prestar uma assistência humanizada ao bebê e sua família. Trata-se de uma pesquisa investigatória-descritiva, com abordagem qualitativa, tendo como referencial teórico-metodológico a Teoria Humanística de Paterson e Zderad, na qual afirmam que o ato de cuidar incrementa a humanidade na situação onde enfermeiros e pacientes coexistem, sendo dependentes e interdependentes. O cenário foi uma maternidade pública, na cidade de Fortaleza-CE, no período de fevereiro a abril de 2008. A análise dos dados foi realizada a partir de observação participante e entrevista semi-estruturada com 10 enfermeiras atuantes na UTIN, mediante assinatura de termo de consentimento livre e esclarecido. As considerações éticas fundamentam-se na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Percebemos que as enfermeiras consideram a assistência ao bebê de alto risco muito importante, cabendo-lhes não a resolução de tarefas de forma rápida e eficaz, mas a percepção da ecologia da UTIN e de todo o estresse que o bebê passa. Concluímos que a saúde na visão holística e na teia de relações que compreende o pensamento ecológico, exige do enfermeiro, em suas áreas de atividades uma percepção crítica concernente ao saber, saber-ser e saber-fazer comprometido com o bem-estar e o estar-melhor como premissa para qualidade da relação enfermeira/paciente.
Palavras-Chaves: Enfermagem, Recém-nascido, Humanização.

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II - INTRODUÇÃO


A preocupação com as questões relacionadas à crise ambiental tem sido cada vez mais freqüentes. Os efeitos catastróficos do processo de degradação do meio ambiente têm impactos também, sobre a saúde humana, uma vez que são afetados todos os aspectos da vida como: saúde, qualidade do meio ambiente, tecnologia; além de dimensões morais e espirituais.

A Unidade de terapia Intensiva Neonatal (UTIN) é vista como um ambiente desgastante, estressante e tenso, onde, muitas vezes, há dificuldade de prestar uma assistência humanizada ao bebê e sua família. O cotidiano enfrentado pelas enfermeiras que trabalham UTIN lhes impõe um alargamento de perspectivas na observação, realização e gerenciamento, do ponto de vista das suas atividades profissionais. No contexto de sua prática, o desempenho dos procedimentos técnicos constitui o melhor meio de aproximação dos bebês sob seus cuidados, os quais podem ser visualizados pelas enfermeiras como atitude e prática concreta.

Por ser um setor hospitalar, com locação de recursos humanos e tecnológicos, a UTIN é uma unidade de tratamento especializado. Nesse serviço, verifica-se profunda complexidade relacionada às situações críticas dos recém-nascidos (RN) ali internados que necessitam de assistência dirigida não apenas para seu estado fisiopatológico, mas também para as questões psicossociais, familiares e ambientais. Uma unidade hospitalar, assim diferenciada, é um local onde os equipamentos são avançados e de alta precisão. Nele, a contínua movimentação das pessoas que oferecem cuidados e o barulho dos equipamentos contribuem para o aumento do estresse e da ansiedade, tanto nos profissionais como nos pacientes e em seus familiares.

Dessa forma, no espaço cada vez mais burocratizado e “tecnologizado” da UTIN, pouco lugar sobrou para o humano se manifestar às claras, cabendo-lhe um viver periférico e, aparentemente, secundário nesse cenário de vida, sofrimento e morte dominante nas unidades neonatais.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o recém-nascido prematuro (RNPT) é aquele que nasce com idade gestacional inferior a 37 semanas; é, segundo Calil (1999), por necessidade vital, separado de sua mãe e conduzido a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), onde se deparará com um ambiente muito diferente daquele onde se encontrava. As luzes são contínuas e fortes e o nível sonoro é alto. Rugolo (2000) relata que o bebê passa a ser excessivamente manuseado,

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cerca de 134 vezes em 24 horas, durante a fase mais crítica, tanto por procedimentos dolorosos quanto para cuidados de rotina. Receberá cuidados urgentes na tentativa de melhorar seu estado e auxiliá-lo a viver, fazendo com que, muitas vezes, seja intubado, ventilado, perfurado durante um período longo, caracterizando um processo de excessivos episódios de manuseio.



Permanecerá por algum tempo em uma incubadora, longe do carinho e aconchego de sua mãe, onde sentirá não o cheiro de sua pele e de seu leite, mas o cheiro de substâncias usadas em procedimentos, na lavagem das mãos dos cuidadores e nos lençóis de seu leito, algumas vezes, desconfortável e frio.

De acordo com Perlman (2001), o meio ambiente estressante, barulhento e com iluminação excessiva da UTIN predispõe o bebê a desenvolver complicações clínicas, como bradicardia, apnéia e deficiência nutricional, entre outras. Humanizar este ambiente implica sensibilizar pessoas para o envolvimento, flexibilidade e singularidade para olhar as situações de enfermagem, buscando uma relação harmônica na qual profissional e o RN possam juntos estimular e serem estimulados na busca do bem-estar e de estar melhor.

A criação e implementação de ambientes para cuidados intensivos é um direito e necessidade de todos os seres humanos, uma meta a ser perseguida pelos profissionais de saúde, principalmente pela enfermeira, que deve ser comprometida em prover conforto e bem-estar no processo de viver e morrer, utilizando cuidados que preservem e estimulem a vida.

A presente pesquisa se justifica, e reveste-se de importância na medida em que busca modificar a atenção ao RN de risco, em um ambiente onde a tecnologia é tão importante que se sobrepõe às situações humanas e no qual o bebê vivencia a necessidade de lutar pela sua sobrevivência.

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III – OBJETIVO



  • GERAL



  • Investigar a prática da enfermeira na assistência ao recém-nascido de alto risco na Unidade de Internação Neonatal, com base em pressupostos humanísticos.

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IV – METODOLOGIA


O estudo é do tipo investigatório-descritivo, com abordagem qualitativa; tendo como referencial teórico-metodológico a Teoria Humanística de Paterson e Zderad, na qual afirmam que o ato de cuidar incrementa a humanidade na situação onde enfermeiros e pacientes coexistem, sendo dependentes e interdependentes.

Tem como cenário a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) de um Hospital-escola, público, de grande porte localizado em Fortaleza-CE.

Os sujeitos do estudo são constituídos por 10 enfermeiras que atuam na UTIN nos turnos matutino e vespertino. Os critérios para a inclusão no estudo são: ser enfermeira da UTIN da referida instituição, aceitar sua participação no estudo de modo espontâneo e assinar um termo de consentimento pós-esclarecido, assegurando o anonimato e a liberdade de se retirar do estudo a qualquer momento.

A coleta de dados foi realizada no período de fevereiro a abril de 2008 e envolveu um momento em que foram observados os cuidados realizados, pelas enfermeiras, e as respostas fisiológicas e comportamentais dos recém-nascidos a estes cuidados.

Os dados foram analisados, dentro da abordagem qualitativa, discutidos de acordo com a literatura pertinente ao tema e apresentados em discussões textuais. As falas dos participantes foram submetidas à analise de conteúdo segundo preconiza Bardin (2004).

Por tratar-se de estudo envolvendo seres humanos, para as questões éticas da pesquisa, foram observadas e respeitadas todas as diretrizes e normas regulamentadas de pesquisa envolvendo seres humanos da Resolução 196, de 10/10/1996 (BRASIL, 1996).


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V - RESULTADOS E DISCUSSÃO


5.1 - Conhecendo a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal
A UTIN é um ambiente cuja prioridade é salvar vidas, o qual destina-se aos recém-nascidos gravemente doentes, àqueles com instabilidade hemodinâmica ou das funções vitais, bem como àqueles que apresentam alto risco de mortalidade, por exemplo, os prematuros extremos e aos que requerem vigilância clínica, monitorização e/ou tratamentos intensivos.

É um ambiente bastante complexo e estressante pelos inúmeros equipamentos de suporte à vida; excesso de luminosidade, barulhento e, muitas vezes, estando superlotado, o que está diretamente relacionado com o bem-estar do recém nascido, ou seja, predispondo-o a alterações fisiológicas e comportamentais. Além de comprometer o estar-melhor da equipe multiprofissional, principalmente da enfermeira, a qual, dentre os profissionais da saúde é a que está mais próxima do paciente.

A busca da diminuição da morbimortalidade perinatal e o compromisso com o cuidado que priorize o bem-estar do bebê, no qual a avaliação e a adequação dos procedimentos respeitem e promovam a vida humana, justificam sobremaneira a realização deste estudo, tornando-nos convictas de que a profusão das informações que envolvem a assistência baseada na humanização é o caminho a ser traçado por aqueles que almejam qualidade em suas ações.

Percebemos, com a presente pesquisa, que as enfermeiras consideram a assistência ao bebê de alto risco muito importante, cabendo-lhes não a resolução de tarefas de forma rápida e eficaz, mas a percepção da ecologia local e de todo o estresse que o bebê passa e contorná-lo da melhor forma possível.

A atenção ao RN deve ser estruturada e organizada no sentido de atender a uma população sujeita a riscos. Para tanto, devem existir recursos materiais e humanos especializados e capazes de garantir uma observação rigorosa, além de tratamentos adequados ao bebê, que apresenta patologia capaz de ocasionar sua morte ou seqüelas que interferirão no seu desenvolvimento.

A assistência não deve ser direcionada somente para condutas técnicas operacionais, mas para uma tecnologia associada ao acolhimento, desenvolvendo uma visão esclarecedora, aquela que vem do “olho do coração” do cuidador para o ser que está sendo cuidado em sua integralidade, respeitando sua individualidade.


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A Enfermagem tem como terapêutica fazendo, refazendo, construindo e reconstruindo o cuidado, no qual o RN se comporta não como objeto, mas como sujeito ativo e receptivo, percebendo e interagindo com o cuidador.

Assim, acreditamos que o cuidado a ser implementado na UTIN necessita ser exercido e vivenciado em sua totalidade, na tentativa de reduzir manuseios excessivos que possam comprometer o bem-estar do bebê, provocando nele manifestações de estresse, dor, alterações fisiológicas e comportamentais.

Humanizar este ambiente implica sensibilizar pessoas para o envolvimento, flexibilidade e singularidade para olhar as situações de enfermagem, buscando uma relação harmônica na qual profissional e o RN possam juntos estimular e serem estimulados na busca do bem-estar e de estar melhor. O fazer com, no cuidado de Enfermagem requer envolvimento pessoal, moral e espiritual, no qual o cuidado não é somente emoção, atitude ou querer fazer.

O cuidado requer concretude em dimensões humanísticas, sociais, éticas, biológicas e espirituais. Só se pratica a humanização quando se atende a pessoa em todas as suas dimensões (OLIVEIRA, 2002). A Sociedade Canadense de Pediatria recomenda observação nos sinais emitidos pelo RN, uma vez que a falta de respostas comportamentais e choro não é, necessariamente, indicativo de falta de dor. Refere ainda que as instituições de saúde devem desenvolver e implementar cuidados de prevenção à dor e ao estresse do RN, utilizando-se, entretanto, de programas educacionais que sensibilizem os profissionais quanto à utilização de estratégias e individualizando o cuidado (CANADIAN, 2000).
4.2 – Teoria Humanística de Paterson e Zderad
De acordo com Rolim et al (2005), teorias são proposições elaboradas para refletir sobre a assistência de enfermagem, tornando seus propósitos evidenciados além dos limites e relações entre profissionais e indivíduos demandadores de cuidados.

Ademais, teoria não é conhecimento; ela permite o conhecimento; não é chegada, é possibilidade de uma partida; não é solução, é possibilidade de tratar um problema; e só adquire vida com pleno emprego da atividade do sujeito. Teoria de enfermagem é um instrumento de trabalho que ressalta o conhecimento científico, expõe as tendências das visões acerca do processo saúde doença e sobre a experiência do cuidado terapêutico, favorecendo outras atitudes do cuidar, coerentes e adequadas à

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promoção de qualidades humanas, as quais contrariam, muitas vezes, a ambiência cotidiana assistencial. (ROLIM et al, 2005).



A enfermagem humanística é descrita por Paterson & Zderad (1988, p.18), como um “tipo de prática de enfermagem e de sua fundamentação teórica”. O termo Enfermagem Humanística foi escolhido para compreender os fundamentos e significados humanos da enfermagem, e para direcionar o desenvolvimento da enfermagem através da exploração de sua relação com o seu contexto humano.

A teoria de Paterson e Zderad contempla a prática da enfermagem humanística; o seu significado; a experiência existencial; a descrição fenomenológica; o fenômeno da enfermagem com o bem-estar; o potencial humano; a transação intersubjetiva; o diálogo vivo desenvolvido pelo encontro; a relação; a presença e o fenômeno da comunhão (ROLIM, 2005).

A enfermagem humanística considerada como um diálogo vivo oferece um marco de referência que envolve o encontro, a presença, o relacionamento e um chamado e uma resposta, e é um tipo particular de situação humana, na qual a relação inter-humana está dirigida intencionalmente a nutrir o bem estar e o estar melhor de uma pessoa com necessidades evidentes na relação com a dimensão saúde - doença, característica da vida humana.

O diálogo, nessa concepção, significa comunicação; seu emprego não está restrito à noção de enviar e receber mensagens verbais e não verbais, mas, sim, em chamados e respostas, confirmandos e que a enfermagem humanística é, realmente, um tipo especial do diálogo vivo. Ademais, o diálogo implica uma esfera ontológica, uma forma particular de relação intersubjetiva mediante a qual pode-se ver o outro como ser distinto e único, em mútua relação.

Na teoria de Paterson e Zderad (1988), utiliza-se uma forma de diálogo para descrever o “diálogo de enfermagem”. O interrelacionamento da teoria com a prática, na enfermagem humanística, depender da experiência, concepção, participação e do ponto de vista particular de cada enfermeira em relação às suas vivências no mundo e na enfermagem. Envolvido nesse diálogo está o encontro, influenciado pelos sentimentos que o antecedem. Este, ao ser planejado, dá origem a expectativas passíveis de influenciar o diálogo, surgindo, então, eventuais sentimentos de temor, ansiedade, medo, esperança, impaciência, dependência e outros. Ao mesmo tempo, gera o grau de controle e escolha com que se chega ao encontro. Desse modo, o encontro é único, pois

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cada participante vai a ele como o indivíduo singular que é, com suas próprias expectativas e capacidades para dar e receber ajuda. O relacionamento é o processo de fazer e ser da enfermeira, estar um com o outro. Ao profissional, cabe relacionar-se como sujeito e com o sujeito, permanecendo aberto como pessoa e como sujeito com o objeto, quando usa abstrações.



Através da acolhida carinhosa, a enfermagem se mostra como um diálogo vivo, percebendo no olhar uma palavra contida pela angústia do desconhecido. Assim, os pais ficarão mais próximos, tocando e cuidando do seu bebê até o momento em que o possam acolher de forma mais íntima.

A enfermeira deve acolher a família, em especial a mãe, informar a real situação do bebê, orientar, confortar, procurando manter um relacionamento agradável onde essa família sinta-se segura, valorizada e preparada para receber o recém-nascido. Vale ressaltar a importância paterna durante as visitas, dando apoio e força a mãe e contribuindo para o fortalecimento da tríade mãe-pai-filho.

O cuidado em uma UTIN é, muitas vezes, realizado de maneira generalista, tecnicista; torna-se exaustivo e estressante, podendo desumanizar as relações. Dessa forma, na maioria das vezes, os chamados do bebê, como, choro, careteamento facial, aumento da freqüência cardíaca e hiposaturação, não são percebidos pelo cuidador. Em uma UTIN, onde se fazem prioridades a técnica, a especialização, uma equipe de profissionais qualificado e competente no uso de equipamentos e materiais ali utilizados, a tecnologia deve ser utilizada como meio para o cuidado e não como o seu fim. Os caminhos a serem percorridos pela enfermeira para atingir os objetivos assistenciais são os que preservem aspectos humanos, técnicos e éticos. Saber reconhecer os diferentes estados e perceber quando eles ocorrem e quais são as respostas esperadas do bebê, a enfermeira pode então ser capaz de atender com maior sensibilidade aos seus chamados.

O fazer com, no cuidado de Enfermagem requer envolvimento pessoal, moral e espiritual, no qual o cuidado não é somente emoção, atitude ou querer fazer. O cuidado requer concretude em dimensões humanísticas, sociais, éticas, biológicas e espirituais. Só se pratica a humanização quando se atende a pessoa em todas as suas dimensões (OLIVEIRA, 2002).

Um atendimento humanizado requer mudança de cultura, trazendo um paradigma no qual a pessoa seja recebida como única dotada de sua história pessoal,

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com seus valores e suas crenças. A humanização requer um encontro entre a equipe e a pessoa doente em que a condição essencial é a vontade de encontrar e de ser encontrado.



Esse encontro pressupõe escuta, olhar aberto e amoroso. O cuidador deve desenvolver uma capacidade de se conhecer e saber reconhecer sentimentos, como o amor, empatia, entre outros. Essa capacidade diminui as possibilidades de conflito, pois abre caminhos para a comunicação com o outro. Venuso (2001) diz que tudo é pessoal, individual e intransferível em seu sentir.

A humanização é compreendida como valor, na medida em que resgata a vida humana. Esse valor, diz Mezzomo (2002), é definido em função de seu caráter que se completa aos aspectos técnico-científicos que privilegiam a objetividade e a especialização do saber.

É possível constatar a urgência em humanizar o ambiente, não só da UTIN, mas de todo o hospital, com o envolvimento de todos os funcionários. Sabe-se que humanizar é adotar uma prática em que profissionais e pacientes são considerados em seus aspectos físicos, subjetivos e sociais que compõem o atendimento à saúde. A humanização prevê um encontro entre a equipe de enfermagem e a pessoa doente em que a condição essencial é a vontade de encontrar e de ser encontrado. O encontro pressupõe escuta, olhar, contato claro, aberto e amoroso (ROLIM, 2003).

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VI - CONSIDERAÇÕES FINAIS


Concluímos que a saúde na visão holística e na teia de relações que compreende o pensamento ecológico, exige do enfermeiro, em suas áreas de atividades uma percepção crítica concernente ao saber, saber-ser e saber-fazer comprometido com o bem-estar e o estar-melhor como premissa para qualidade da relação enfermeira/paciente.

A Enfermagem é uma atividade de cuidar e também uma ciência cuja essência e especificidade são o cuidado ao ser humano, individualmente, na família ou em comunidade de modo integral e holístico, desenvolvendo de forma autônoma ou em equipe atividades de promoção, proteção da saúde, prevenção e recuperação de doenças.

Acreditamos que existe a necessidade de uma maior interação enfermeiro/bebê/família, maior incentivo do toque da mãe no bebê, troca de olhares, demonstrando a ela a importância da sua presença, de sua voz e ainda, proporcionando momentos em que ela possa cuidar acalentar e superar os medos de ter um filho prematuro internado na UTIN. Portanto, a mãe deve sentir-se fazendo parte da equipe que restabelecerá a saúde do seu filho.

Portanto, cabe a nós, enfermeiras, humanizar esta tecnologia, tirar dela toda frieza e impessoalidade, torná-la aliada na busca de uma vivência menos dolorosa e menos estressante neste ambiente cheio de surpreendentes casos e insubstituíveis pessoas.

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VI - REFERÊNCIAS


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