Iv congresso estudantil da uff. Contribuição para o debate sobre Movimento Estudantil



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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE.
IV CONGRESSO ESTUDANTIL DA UFF.

Contribuição para o debate sobre Movimento Estudantil.

Conceituamos movimento social, como sendo um conjunto dinâmico composto por sujeitos que debatem a tão almejada qualidade para o coletivo social. Os sujeitos que não são detentores dos meios de produção, têm historicamente, se reunido em grupos criando organizações para a discussão das micro e macro questões acerca da conjuntura histórica, política, social e econômica nacional e mundial.

O debate em torno das questões das problematizações da nossa estrutura social, necessita de permanente ligação ao contexto histórico e do entendimento das relações de produção vigentes. A idéia da totalização iniciada por Karl Marx, caracteriza a compreensão de todos os campos epistêmicos que atuam num determinado objeto de estudo debatido inclusive, nos movimentos sociais. Acreditamos ser a análise do movimento social como objeto de estudo, os fenômenos sociais que por sua vez são inerentes aos fenômenos políticos.

Todas as nossas atitudes e ações têm uma resposta no coletivo, no sentido ou da reprodução social ou da ruptura social. Para entender a dialeticidade nas ações, não só sociais, também as individuais, precisamos perceber as idéias elaboradas pelos filósofos-pensadores na construção qualitativa da sociedade da qual nós sujeitos somos parte dessa construção histórico-social.

Percebemos a existência de duas concepções de sociedade, uma na linha teórica reprodutora, isto é, mantida através das nossas ações nas relações sociais e nas de produção. Mesmo tendo algumas concepções que amenizam os discrepantes índices de desigualdades sociais, não se altera a estrutura social, ou seja, como se deve organizar a sociedade. A outra linha teórica parte da divisão do trabalho ser a causadora das desigualdades sociais. A divisão do trabalho promove a divisão da sociedade em classes devido a uma específica habilidade profissional que o sujeito, de acordo com a sua condição econômica, tende a executar. Nesse caso, não temos concepções que amenizam como na outra linha teórica citada acima. O que temos é a diferença do método.

Chamaremos de corrente da permanência, aquela que procura com outras teorias chegar a uma sociedade harmônica, sem conflitos, não alterando a lógica do capital. A corrente revolucionária, possui um ideal-metodológico: a ruptura com o Modo de Produção Capitalista. Esse debate teve inicio a partir do século XIX por Karl Marx, o fundador do materialismo dialético, o qual analisa concretamente a história das relações sociais, num momento em que a esfera econômica dita normas, hábitos, valores interferindo diretamente nas relações políticas, sociais e culturais, permeadas de interesses pessoais, de ambição, de disputa, de preconceito, fruto da não reflexão interna do pensar no coletivo, ao mesmo tempo, pensar em si mesmo.

A maneira como se encaminha o processo de ruptura do Modo de Produção Capitalista, gera divergências a ponto de fragmentar os setores revolucionários.

O movimento estudantil é uma fração do movimento social. Por isso é inerente a todo esse processo de divergência historicamente construído por nós revolucionários, desde I Revolução Industrial (restringe-se a análise dos movimentos sociais a partir da consolidação do capitalismo.).

Existem setores no movimento estudantil, por afinidades de idéias, aproximam-se da corrente da permanência ou revolucionária. Essas correntes são antagônicas, por terem alicerces filosóficos e metodológicos distintos. Quando estas concepções são visualizadas num mesmo espaço vemos a materialização da correlação de forças, que nada mais é, a expressão concreta da luta de classes, ambas em prol da melhoria social. A correlação de força ocorre sempre em espaços onde os debates relacionados a temas sociais acontecem.

Os setores revolucionários, ai especificamos o movimento estudantil, devem buscar a unidade. Quando citamos unidade, não pretendemos fazer conotações homogeneizadoras, e sim a união de coletivos. Para isso devemos analisar e lutar para o movimento social revolucionário e não a particulares princípios de pequenos grupos que compõe estes setores. Se ficarmos restritos aos nossos fundamentos, o sentido da união se perde, até porque a flexibilidade é uma tarefa que o militante revolucionário deve exercitar para com seus pares. O movimento unificado torna nossas lutas coerentes, nos aproxima da base, esta ao se sentir sensibilizada, adentrará nos espaços políticos de luta.

Vivemos num grande momento histórico de influxo nos movimentos sociais revolucionários. Tanto é que estamos resistindo em manter os nossos ganhos históricos, em detrimento do avanço das bandeiras da transformação social. Se continuarmos a reproduzir um dos pilares do capitalismo nos movimentos revolucionários, que é a disputa de idéias a ponto de serem irreconciliáveis, teremos cada vez mais a corrente da permanência social mais forte e ocupando assim mais espaços políticos como líderes, espaços esses que o movimento revolucionário deveria ocupar sempre com união.

Citamos uma frase do filósofo Antônio Gramsci, no momento em que analisa a expulsão de Trotzky, Zinoviev e Kamenev do Partido Comunista Russo no ano de 1926: “Os prejuízos de um erro feito pelo partido unido são facilmente superáveis; os prejuízos de uma ruptura ou de uma longa condição de ruptura latente podem ser irreparáveis e mortais.”.

Acreditamos que a unidade promove um debate necessário de análise de idéias e métodos, sem considerar a saída dos espaços políticos, como alternativa para se construir a contribuição do espírito de mudança social. É necessário dar outro significado ficar as nossas práticas enquanto militantes revolucionários com a finalidade de ganharmos força, socializar e concretizar os nossos ideais de sociedade.

Rachel Aguiar Estevam do Carmo.



Estudante de Pedagogia da UFF.


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