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IX Salão de Iniciação Científica PUCRS


O Melodrama e a Espetacularidade: Um Estudo Sobre a Construção Cênica da Dramaturgia Melodramática






Henrique Daniel Pereira, Deivid Machado Gomes, Luiza De Rossi, Aline Fernandes Ribeiro, Giane Luccas Albino, Thiago Theobald, Profa. Dra. Luciana Hartmann (orientador)




Faculdade de Artes Cênicas, UFSM, Instituto FIPE (Fundo de Incentivo à Pesquisa/UFSM)


Resumo
Introdução
Esta pesquisa faz parte do projeto “Como se cria um Vilão? Um estudo teórico-prático sobre a construção dos personagens-tipo do melodrama”, iniciado no ano de 2006, que busca realizar um estudo teórico-prático visando a reflexão e a criação de estratégias para construção cênica de espetáculos melodramáticos. Com isso, pretendemos enriquecer nossa compreensão sobre este gênero teatral, bem como sobre a influência que exerce em outros gêneros expressivos até os dias atuais. Para tal está sendo encenada uma peça melodramática, onde estão sendo desenvolvidos elementos da encenação, técnicas para a criação dos personagens-tipo (que possuem características psicológicas e de movimentações bem definidas), métodos de montagem do espetáculo, elementos como figurinos, iluminação, técnicas de efeitos especiais que irão gerar explosões, efeitos de reflexo da água, inclusão de um grande navio em cena, entre outros. Em meio aos elementos estudados, a espetacularidade está entre as principais características do Melodrama e, dentre elas, destacamos a chamada “estética do admirável” (Thomasseau, 2005). A “estética do admirável” traz o maravilhoso para as cenas, explorando diversos aspectos na peça, como naufrágios, erupções de vulcões, terremotos, animais em cena, coisas voando, variedade de cenários, alternando em cenas de interior e exterior, entre outros.
Metodologia

O trabalho sobre a espetacularidade melodramática iniciou em 2007 com um levantamento bibliográfico sobre o tema. Realizou-se pesquisa em livros, teses de doutorado, peças originais traduzidas para o português, artigos e informações extraídas da Internet, a partir da qual foram analisados imagens, músicas, efeitos sonoros e figurinos utilizados em encenações melodramáticas de diferentes períodos e locais. O resultado desta revisão teórica gerou diversas resenhas, resumos, relatórios e reuniões de debate sobre o tema, com a orientadora do projeto e o grupo de voluntários. Também foi feita uma pesquisa de campo em Porto Alegre/RS, na qual foram observados profissionais do ramo teatral em seu trabalho de criação dos elementos cênicos (iluminação, cenário, figurino), com especial atenção para os efeitos especiais.

Quanto à etapa prática, esta se caracteriza pela montagem de uma peça melodramática em que alunos voluntários (músicos, artistas plásticos e atores/atrizes) participam das reuniões teóricas, dos laboratórios de experimentação prática para a criação de cenas, da elaboração da trilha sonora instrumental, da confecção dos cenários, da maquiagem e dos ensaios abertos. Também está sendo realizado um vídeo documentário sobre todo o processo.

Resultados (ou Resultados e Discussão)
Dentre os primeiros resultados da pesquisa podemos mencionar, no âmbito teórico, a elaboração de um artigo científico, a apresentação do trabalho em jornadas de iniciação científica e em um congresso da área de teatro e, no âmbito, prático a criação e apresentação pública através de ensaios abertos, de algumas cenas da obra melodramática “A Filha do Mar”, do dramaturgo francês Lucotte (séc. XIX).
Conclusão
Uma das constatações mais marcantes foi o exíguo tratamento dado, marcadamente em tratados teóricos de teatro, a este Gênero que teve grande apelo popular e que influenciou outras formas de entretenimento, onde muitas das técnicas utilizadas pelo Melodrama ainda são utilizadas atualmente para dar apoio a grandes produções não só teatrais, mas também de outras áreas, como o cinema e a televisão.

Acreditamos que está sendo bastante produtiva a pesquisa com os métodos para a construção da linguagem cênica melodramática, pois podemos perceber diversos elementos importantes ao longo do processo: o desenvolvimento de jogos específicos para a atuação exagerada, o clima de liberdade e comicidade nos ensaios, a redescoberta de técnicas já antes utilizadas em nossas experiências pessoais no curso de artes cênicas, porém direcionadas para o propósito melodramático, entre outros. Também estreitamos relação com a forte noção de que teatro, em geral, e o melodrama, em particular, possuem uma relação de forte interdependência com outras formas de arte, como a música, as artes visuais, a dança, etc, em que todos os elementos são definitivos para a sua composição, visão que provém desta experimentação sobre diferentes aspectos teatrais: atuação, música, iluminação, cenário... Em suma, pode-se afirmar que estamos percorrendo um caminho em que ainda há muito o que pesquisar, fato possibilitado pela riqueza teatral do gênero melodrama.



Referências
BRAGA, Claudia Marisa Braga. Melodrama um gênero a serviço da emoção. Tese de livre docência, Instituto de Artes da UNICAMP, 2006.
CAMARGO, Robson Corrêa de. O Espetáculo do Melodrama: arquétipos e paradigmas. Tese (Doutorado em Teatro), ECA/USP, 2005.
HUPPES, Ivete. Melodrama: o gênero e sua permanência. São Paulo: Ateliê Editorial, 2000.
LAVER, James. A roupa e a moda. Cia das Letras, 1990.
LUCOTTE. A filha do mar. Copiado à mão por J. Vianna, Pará, 10/11/1911 (cópia digitalizada pelo GETEB/UFSJ)
THOMASSEAU, Jean-Marie. O Melodrama. Trad. Claudia Braga e Jacqueline Penjon. São Paulo, Perspectiva, 2005.
KOHLER, Carl. A História do Vestuário. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
Site da Web http://www.histofig.com/empire/france_hl_en.php Acesso em: maio 2008.


IX Salão de Iniciação Científica – PUCRS, 2008


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