J. Herculano Pires Vampirismo



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J. Herculano Pires
Vampirismo


William Holman Hunt

A Costa


Conteúdo resumido


Conforme as palavras de Herculano Pires, as relações, no campo afetivo e mental, entre homens e espíritos permitem as ligações de espíritos viciados com homens de tendências viciosas. Essa relação mórbida e prejudicial é estudada nesta obra por Herculano, que discorre sobre as causas do vampirismo, os métodos de tratamento errôneos utilizados pela Psiquiatria tradicional e as técnicas adequadas para um tratamento eficaz, baseado no esclarecimento dos envolvidos no processo, levando-os a se curarem através da renovação de hábitos e costumes e do fortalecimento do seu livre-arbítrio e do seu caráter.

Herculano nos apresenta, ainda, o vampirismo com uma visão muito mais ampla, qual seja:



  • dos seres parasitas, que se sustentam com as energias de outros seres;

  • dos seres espirituais, que extraem as energias dos humanos para suas manifestações físicas;

  • dos homens gananciosos, que sustentam suas riquezas com o sacrifício dos mais humildes;

  • dos humanos que sugam as energias da natureza para saciar sua fome de conforto e prazer;

  • das várias trocas naturais de energia material e espiritual entre todos os seres do Universo.



Sumário


  • Teorias proteladoras 4

  • Parasitas e vampiros 10

  • O homem pela metade 17

  • Comportamento humano 24

  • Os vampiros sagrados 35

  • Apport e endopport 45

  • Casos atuais de endopport 53

  • O autovampirismo 63

  • Aves de rapina 69

  • Vampirismo telúrico 77

  • Dinâmica da consciência 84

  • Vampirismo cósmico 91


Vampirismo e Comportamento



Teorias proteladoras


Todo o campo da Psicoterapêutica atual está inçado de obstáculos que impedem o avanço dos pesquisadores nas tentativas necessárias de esclarecimento positivo de seus problemas. Jovens que entraram esperançosos em cursos universitários, em busca de conhecimentos positivos com que pudessem enfrentar e solucionar os problemas psíquicos angustiantes da atualidade, acabam na frustração e no desespero. Muitos deles acabam aderindo às correntes de aventureiros e exploradores do campo minado. Fracassam em seus próprios casos e aumentam as legiões dos desesperados, recorrendo a expedientes escusos para se manterem num equilíbrio aparente. Descobrem apavorados a inscrição dantesca nos portais do Inferno: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais”. Os veteranos do profissionalismo frustrado acomodam-se em algumas escolas teóricas e tentam subverter a escala de valores da Civilização da Angústia, normalizando tragicamente a anormalidade. Capitulam estrategicamente na batalha inglória, à espera de futuras descobertas salvadoras. Entregam o pescoço à Esfinge de Édipo.

Essa situação dolorosa das ciências do psiquismo, em meio ao esplendor do avanço geral das Ciências em outros campos, reafirma a falsa ideia gerada no criticismo kantiano, de uma dualidade trágica e irremediável do homem condenado: a da existência de um mundo inacessível às Ciências.

As teorias proteladoras seguem o caminho inevitável dos processos naturais a que tudo e todos nós estamos sujeitos: crescem, desenvolvem-se, envelhecem e morrem. Mas deixam, na vida dos organismos conceptuais, as gerações espúrias das descendências de uma espantosa filogênese do sistemático. Dessa maneira, a roda das frustrações continua a girar, como os moinhos de vento de Dom Quixote nas desoladas planícies da Mancha. Os moinhos fantasmais, que nada moem, continuam pelo menos desafiando a teimosia delirante dos quixotes. Enquanto isso, as teorias que atravancam o caminho das Ciências, como observou Richet, continuam a torturar as legiões de infelizes, submetidos a choques elétricos e químicos nos hospitais e nas clínicas do sem fim.

Nem mesmo as descobertas atuais de uma ciência universitária, a Parapsicologia, em acentuado desenvolvimento nos maiores centros universitários do mundo, conseguiram abalar o comodismo dos que se apoiam nas teorias proteladoras. Protela-se a angústia, o desespero, a tortura de milhões de criaturas, em defesa de métodos, princípios e esquemas já rompidos no próprio campo da Física, por medo de palavras e preconceitos do mundo científico, gerados em fase de transição já há muito superadas. A era dos vampiros fantasiosos já passou há muito, mas a do Vampirismo, nascida nos fins do século passado, com as descobertas científicas de Crookes, Richet, Schrenk-Notzing, Kardec, Zöllner e tantos outros – todos homens de Ciência, professores – catedráticos de grandes Universidades, apenas se esboça em nossos dias. Mas a leviandade humana, mesmo a dos homens mais sérios e dedicados ao labor científico, sustenta ainda as prevenções do passado, sem coragem de avançar no campo minado das superstições, como se a função primária das Ciências não fosse precisamente a de romper com elas.

O Vampirismo atual não se nutre de lendas assustadoras, mas de realidades positivas do campo do Psiquismo, que exigem esclarecimentos. As Ciências do Paranormal nasceram da pesquisa científica dos fenômenos psicofísicos. Onde há fenômenos tangíveis, susceptíveis de repetições e, portanto de pesquisas sob controle estatístico, a Ciência tem obrigação de penetrar com os seus instrumentos de comprovação. Os homens de formação científica, mormente os que se dedicam às profissões terapêuticas, não podem furtar-se a esse dever sem cair na violação da ética profissional e da traição aos princípios humanistas. Essa dupla prevaricação põe hoje o sinal de Caim na fronte de todos os que vivem nas teorias atravancadoras. As multidões de suas vítimas, que se contam por gerações inteiras, clamam contra essa perfídia no presente e fazem ecoar o seu clamor desesperado nas distâncias do futuro. Os psicoterapeutas atuais, na sua quase unanimidade, passarão à História como torturadores e exploradores das gerações sacrificadas.

Não fazemos uma acusação, registramos um fato.

A prova científica da existência da telepatia, da clarividência, da precognição, da sobrevivência da mente após a morte corporal (Rhine, Carington, Soal, Price, nas Universidades de Duke, Cambridge, Oxford, Londres, Berlim, Kirov e outras) não deixa dúvidas quanto à realidade da ação de entidades psicofísicas sobre as criaturas humanas. Rhine provou que a mente não é física, mas de constituição extrafísica. Carington reforçou essa prova e formulou a teoria das entidades psicônicas, formadas de psícons (átomos mentais). Soal designou com a sigla SHI a personalidade humana sobrevivente. Vasiliev, na URSS, entregou-se a experiências para demonstrar que o pensamento e a mente são materiais, mas acabou confessando a sua derrota. Louise Rhine aplicou-se a pesquisas de campo (fora dos métodos de laboratório) e comprovou o que o marido provara em laboratório. John Herenwald pesquisou e publicou seus trabalhos sobre as influências telepáticas nas relações interpessoais. O caminho foi desbastado por esses e outros cientistas atuais, que derrubaram as estacas atravancadoras, mas os negadores continuaram a negar, à margem das exigências científicas.

Remy Chauvin, do Instituto de Altos Estudos, de Paris, chamou os renitentes de “alérgicos ao futuro”, mas os psicoterapeutas não se arredaram de suas teorias e seus métodos de tortura.

No entanto, o psychic-boom, a explosão psíquica no mundo prosseguiu no seu desenvolvimento. E graças ao alheamento dos psicoterapeutas de formação universitária, que se alimentaram em seus cursos com o leite das Ciências, surgiram por toda parte os charlatões exploradores da credulidade pública e do desespero do século, com suas clínicas pseudoparapsicológicas, devastando a economia dos ingênuos.

Esse panorama desolador exige de todos nós, que não participamos desse comércio escuso e aviltante, o esclarecimento do problema, com base nos estudos e nas pesquisas desinteressadas de anos a fio, na comprovação diuturna da verdade através dos fatos.

Os fenômenos paranormais revelam a natureza extrafísica do homem, o que vale dizer a sua essência espiritual. Os pesquisadores da Universidade de Kirov deslumbraram-se com a visão do que chamaram de corpo-bioplásmico do homem, luminoso e cintilante. Constituído por um plasma físico, sua matéria é rutilante. Verificaram, na observação pelas câmaras kirlian de fotografias paranormais, que o corpo do moribundo só se cadaverizava quando todos os elementos do corpo-bioplásmico se retiravam. Nas pessoas vivas constataram que esse corpo de plasma dirige todas as funções do corpo carnal e age nas manifestações paranormais através de projeções de pseudópodes que podem movimentar objetos à distância. Verificaram ainda a possibilidade de prevenção de doenças no corpo carnal. Tudo isso demonstra que o chamado corpo-bioplásmico do homem não é mais do que o corpo espiritual da tradição cristã, que o apóstolo Paulo chamou, na I Epístola aos Coríntios, de corpo da ressurreição. Essas descrições coincidem com o que Kardec chamou de perispírito, envoltório do espírito que liga o corpo carnal ao espírito, ou alma. A teoria kardeciana do homem tríplice – Espírito, Perispírito e Corpo Carnal – foi confirmada pelos cientistas materialistas de Kirov, que não a conheciam e não tinham nenhum interesse por uma conclusão favorável à sobrevivência do homem, que, segundo o Marxismo, deve desaparecer no túmulo para sempre.

Percebendo o risco a que se expunham os cientistas apegam-se ao que de matéria lhes restava: o plasma físico. Mas no próprio plasma, considerado o quarto estado da matéria e formado de partículas atômicas, encontraram partículas de natureza indefinida. Com a teoria espírita, que considera o perispírito como um organismo semimaterial, constituído de energias físicas e extrafísicas, Kardec antecipara de mais de um século a sensacional descoberta dos cientistas de Kirov. Ressalta de tudo isso a concepção necessária do homem como espírito. A descoberta da antimatéria e da interpenetração dos mundos físicos e não-físicos explicou também, necessariamente, a convivência de espíritos e homens corpóreos num mesmo espaço, mas em diferentes dimensões da realidade.

As pesquisas sobre a reencarnação, implantadas na Universidade de Moscou pelo Prof. Wladimir Raikov, propagaram-se nas demais universidades soviéticas. Sendo os espíritos nada mais que os homens desencarnados, é fácil compreender-se que as relações possíveis entre homens e espíritos, no campo afetivo e mental, permitem as ligações de espíritos viciados com homens de tendências viciosas. Esse o novo tipo de vampirismo que surgiu das pesquisas espíritas em meados do século XIX. Os problemas da perversão sexual, do alcoolismo, dos tóxicos e das tendências criminosas entram assim numa nova perspectiva, escapando ao círculo fechado da hereditariedade biológica, dos processos endógenos para a abertura dos processos exógenos. As pesquisas de Kardec nesse sentido foram decisivas. O tratamento desses casos tornou-se mais seguro, confirmando-se a teoria pelos fatos de cura, particularmente dos casos considerados incuráveis. Posteriormente, os resultados obtidos nos Centros Espíritas, e em muitos hospitais espíritas, deram de sobejo a plena confirmação dessa descoberta ao mesmo tempo assustadora e consoladora.

Vencidas as barreiras das superstições populares e da dogmática igrejeira, das imposições clericais da fé cega, da suposta infalibilidade das Escrituras Sagradas, a verdade surgia nua e pura do fundo sombrio do poço para a claridade meridiana da certeza científica. Não há mais dúvidas possíveis no tocante à existência de relações constantes e naturais, de ordem telepática, entre os dois planos interpenetrados da vida humana: o dos homens e o dos espíritos. As teorias proteladoras – carregadas de preconceitos e precipitações, as duras barreiras do conhecimento indicadas por Descartes ao mundo científico – só conseguem hoje agrupar em seu favor os cientistas hipnotizados pela obsessão materialista ou pelo fanatismo religioso. O racionalismo frio das Ciências Materiais fundiu-se ao calor humano das Ciências do Espírito. A metodologia mecanicista cedeu lugar a novas formas metodológicas de pesquisa, baseadas na adequação do método ao objeto, ante a evidência do rompimento dos conceitos tridimensionais da realidade objetiva. Novas dimensões do real surgiram do reconhecimento da multidimensionalidade das constituições atômicas e subatômicas da realidade intangível dos elementos e da natureza humana em sua essência invisível. Remontando do efeito à causa, as Ciências fragmentárias se unificaram nos fundamentos conjugados da causa única de todos os efeitos.


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