Jan Klawitter: a implantação dos Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos das Nações Unidas – a experiência da empresa Anglo American



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Jan Klawitter: a implantação dos Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos das Nações Unidas – a experiência da empresa Anglo American
28 de junho de 2013
Esta é uma tradução não oficial, feita pelo Centro de Informação sobre Empresas e Direitos Humanos, da transcrição da entrevista com Jan Klawitter, como apresentada no blog Business Fights Poverty [Empresas Combatem a Pobreza].

Versão original, disponível somente em inglês:



http://businessfightspoverty.org/profiles/blogs/implementing-the-un-guiding-principles-on-business-and-human
Entrevista com Jan Klawitter, Gerente das Relações com o Governo na empresa Anglo American, realizada por Luke Wilde, diretor da empresa twentyfifty1
A empresa multinacional de mineração Anglo American e seu histórico de contribuição para o desenvolvimento social e econômico serão familiares aos leitores habituais do blog Business Fights Poverty [Empresas Combatem a Pobreza]. Em junho de 2012, nesta página, a então CEO da empresa, Cynthia Carroll, falou sobre a última versão do conhecidíssimo Conjunto de Ferramentas de Avaliação Socioeconômica [SEAT] da empresa, o qual fornece “orientação sobre as melhores práticas de gestão de desempenho socioeconômico, e que está enraizado simultaneamente nos aspectos práticos e nas considerações de ordem comercial de nossa empresa”. Neste artigo, Jan Klawitter, Gerente de Relações com o Governo na empresa Anglo American, fala com Luke Wilde, diretor da empresa twentyfifty ltd., sobre o que – se há efetivamente algo – uma empresa líder como a Anglo American está aprendendo com os Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos das Nações Unidas.
Luke Wilde (LK): Apesar de seu bom histórico de desempenho social e econômico, a Anglo American tem sido uma colaboradora notória em muitas das discussões sobre os Princípios Orientadores das Nações Unidas nos últimos anos. Por quê?
Jan Klawitter (JK): O respeito aos direitos humanos não é novidade para a Anglo American. Por muito tempo temos feito referência à Declaração Universal dos Direitos Humanos nos nossos princípios empresariais. Logo no início, assinamos os Princípios Voluntários de Segurança e Direitos Humanos e, desde 2007, incorporamos os direitos humanos em nosso Conjunto de Ferramentas de Avaliação Socioeconômica [SEAT]. Todavia, queremos constituir uma parceria ideal de desenvolvimento e por isso estamos permanentemente interessados em descobrir o que podemos aprender e como podemos continuar melhorando nossos métodos. Por conseguinte, estamos positivamente comprometidos com os Princípios Orientadores das Nações Unidas e com as iniciativas a eles relacionadas, interagindo com o Grupo de Trabalho sobre a questão dos direitos humanos e das empresas transnacionais e outras empresas das Nações Unidas, participando de iniciativas tais como a Comunidade de Prática para empresas e direitos humanos e dividindo nossa experiência com organizações como o Institute of Human Rights and Business [Instituto de Empresas e Direitos Humanos].
LW: Quem lidera a implantação dos Princípios Orientadores na Anglo American?
JK: Sua implantação está na esfera mais alta da empresa: é liderada pelo Comitê de Desenvolvimento Sustentável. Desta maneira, asseguramos que a implantação seja multifuncional e alcance todas as esferas exigidas da organização. Evidentemente, o Governo e as Relações Sociais, as Cadeias de Fornecedores, os Recursos Humanos e os grupos de Desenvolvimento Legal, de Segurança e Sustentável têm um papel significativo a desempenhar, mas a liderança é exercida pelo Comitê.
LW: E como a implantação está sendo conduzida?
JK: Estamos aplicando os Princípios Orientadores como norteadores de nossos processos já implantados. Como mencionado anteriormente, o respeito aos direitos humanos não é novidade para a Anglo American, por isso para nós é muito mais uma questão de identificar em que pontos nossas práticas de direitos humanos já em vigor podem ser melhoradas. Os Princípios Orientadores ajudaram-nos a refinar nossas abordagens para avaliação de impacto pré-desenvolvimento e devida diligência de fusões e aquisições [M&A - Mergers and Acquisitions] e nos focalizamos no âmbito de cadeias de fornecedores, segurança, reassentamento e manejo de propriedade, buscando nivelá-los. A última versão do Conjunto de Ferramentas de Avaliação Socioeconômica [SEAT] também inclui algumas emendas e faz referências explícitas aos Princípios Orientadores.

LW: Percebo que vocês não possuem uma “política típica de direitos humanos”. Por quê?
JK: Nossas políticas, como o Caminho Social e os Princípios Empresariais, abrangem os direitos humanos e acreditamos que o façam adequadamente. Entretanto, o nível de interesse gerado pelos Princípios Orientadores entre um grande número de acionistas, incluindo investidores, nos levou a reconsiderá-los, e planejamos preparar uma “declaração dos direitos humanos” para resumir nossa abordagem e nossos compromissos com eles. Isso não somente nos ajudará a nos comunicarmos com clareza com nossos acionistas, como também servirá para conscientização e ações internas vindouras.
LW: A indústria de mineração na África do Sul testemunhou sérios abusos aos direitos humanos no ano passado. Refiro-me às mortes na mina de Marikana pela polícia. Apesar de sabermos que não era uma área da Anglo American, gostaríamos de perguntar como vocês reagiram a este fato.
JK: Marikana fez toda indústria parar e pensar. Embora achemos que a implantação dos Princípios Voluntários sobre Segurança e Direitos Humanos fez efetivamente diferença para nós naquele momento difícil, estamos trabalhando junto com a International Alert para rever nossas práticas em todo grupo com o intuito de assegurar que há práticas boas e consistentes em toda sua extensão. Também estamos buscando mais amplamente melhorar o bem-estar dos funcionários e dos empreiteiros e a capacidade das municipalidades, reconhecendo que as condições de vida e o fornecimento de serviços públicos contribuíam de maneira subjacente para o desassossego estabelecido.



1 NOTA DO TRADUTOR: a twentyfifty ltd é uma empresa de consultoria para gestores que trabalha com companhias multinacionais na abordagem de seus desafios ambientais e sociais, bem como econômicos. Seu nome origina-se no mote da empresa: o que uma empresa faz hoje moldará o mundo em 2050.



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