Jesus cristo é nossa esperançA «Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente» (Ap 1, 17-18)



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Legião de Maria

Senatus


Texto de reflexão – Janeiro 2011

JESUS CRISTO É NOSSA ESPERANÇA

« Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente » (Ap 1, 17-18)

Num tempo de perseguição, tribulação e crise para a Igreja como era a época do autor do Apocalipse (cf. 1, 9), a palavra que ressoa na visão é uma palavra de esperança: «  Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente; conheci a morte, mas eis-Me aqui vivo pelos séculos dos séculos. Encontramo-nos assim com o «  feliz anúncio  », que é o próprio Jesus Cristo. Ele é o Primeiro e o Último: n'Ele, toda a história encontra o seu princípio, sentido, direcção e realização; n'Ele e com Ele, na sua morte e ressurreição, já tudo ficou dito. É o Vivente: estava morto, mas agora vive para sempre. Ele segura firmemente nas suas mãos as sete estrelas (cf. Ap 1, 16), isto é, a Igreja de Deus perseguida, que, embora em luta contra o mal e o pecado, tem motivos para sentir-se alegre e vitoriosa, porque está nas mãos de Cristo que já venceu o mal. Ele caminha no meio dos sete castiçais de ouro (cf. Ap 2, 1): está presente e activo na sua Igreja em oração.

Certamente não faltam prestigiosos símbolos da presença cristã, mas, com a afirmação lenta e progressiva do secularismo, correm o risco de reduzirem-se a meros vestígios do passado. Muitos já não conseguem integrar a mensagem evangélica na experiência diária; aumenta a dificuldade de viver a própria fé em Jesus num contexto social e cultural onde é continuamente desafiado e ameaçado o projecto de vida cristã; é mais fácil definir-se agnóstico do que crente; dá a impressão de que o normal é não crer, enquanto o acreditar teria necessidade de uma legitimação social não óbvia nem automática.

Assiste-se a uma generalizada fragmentação da existência; predomina uma sensação de solidão; multiplicam-se as divisões e os contrastes. Entre outros sintomas deste estado de coisas, regista-se o grave fenómeno das crises familiares e do esmorecimento do próprio conceito de família, a persistência ou reabertura de conflitos étnicos, o reaparecimento de alguns comportamentos racistas, as próprias tensões inter-religiosas, o egocentrismo que fecha indivíduos e grupos em si mesmos, o crescimento de uma indiferença ética geral e de uma preocupação obsessiva pelos próprios interesses e privilégios.

A par do aumento do individualismo, nota-se um progressivo enfraquecimento da solidariedade interpessoal: se as instituições de assistência continuam a desempenhar um louvável trabalho, observa-se uma atenuação no sentido da solidariedade, pelo que muitas pessoas, embora não lhes falte o necessário a nível material, sentem-se mais sós, deixadas à mercê de si mesmas, sem redes de apoio afectivo.

Na raiz desta crise, está a tentativa de fazer prevalecer uma antropologia sem Deus e sem Cristo. Esta forma de pensar levou a considerar o homem como «o centro absoluto da realidade, fazendo-o ocupar astuciosamente o lugar de Deus e esquecendo que não é o homem que cria Deus, mas é Deus que cria o homem. Neste horizonte, ganham corpo as tentativas, verificadas ainda recentemente, de apresentar a cultura europeia prescindindo do contributo do cristianismo que marcou o seu desenvolvimento histórico e a sua difusão universal. Pelo que não admira que, neste contexto, se tenha aberto amplo espaço ao livre desenvolvimento do relativismo no campo gnoseológico e moral, do pragmatismo e também do hedonismo cínico na configuração da vida quotidiana .A cultura europeia dá a impressão de uma apostasia silenciosa por parte do homem saciado, que vive como se Deus não existisse.



Cristo, « Aquele que vem  » (Ap 1, 4) através da missão e da acção da Igreja ao longo da história humana; vem como ceifeiro escatológico, no fim dos tempos, para levar à perfeição todas as coisas (cf. Ap 14, 15-16; 22, 20).
In Exortação Apostólica Ecclesia in Europa, de João Paulo II


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