Jesus nos revela um deus amigo



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Encontro04.08.2016
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JESUS NOS REVELA UM DEUS AMIGO

“... eles ouviram Javé Deus passeando no jardim à brisa do dia.

Então o homem e a mulher se esconderam da presença de Javé Deus.

Javé Deus chamou o homem: ‘onde está você?” (Gênesis 3, 8)


Ao longo da história da humanidade foram nascendo as diversas religiões, normalmente com a intenção de se aproximar de Deus (ou das divindades) para obter algum favor ou evitar algum mal. A Bíblia nos revela uma experiência nova, diferente. O Povo de Deus na Primeira Aliança (israelita) foi descobrindo ao longo da sua caminhada que era o próprio Deus quem peregrinava junto dele o auxiliando e protegendo nas fases da sua história. Esta revelação paulatina foi, aos poucos, descobrindo o verdadeiro rosto de Deus. Primeiramente foi na saída de Abraão da sua cidade de origem à procura de uma terra e de uma descendência. Depois com Moisés e o povo libertado da escravidão saindo (Êxodo) do Egito naquela passagem misteriosa pelo Mar Vermelho. Povo aquele que teve a experiência difícil do deserto onde encontrou fontes de água viva, da mística da Aliança da Lei, que brotava nas mãos puras e santas de Deus... A época dos juizes, dos reis e, muito especialmente, dos profetas abriram novas perspectivas da fé em Deus iluminando a consciência do seu projeto histórico para o povo. O povo foi entendendo que Deus quer uma humanidade fundamentada na justiça, na paz, na verdade e na misericórdia. A elaboração dos salmos que acompanham a história da fé do povo e dos escritos da sabedoria que recolhem as inspirações divinas para as diversas circunstâncias da vida exprimem maravilhosamente a fé de uma comunidade humana que tem a felicidade de encontrar o próprio Deus como companheiro da caminhada histórica.

Todo este processo de revelação foi chegando ao seu momento principal... até se concentrar plenamente na pessoa de Jesus de Nazaré. Para nós, cristãos, Jesus Cristo é o rosto perfeito de Deus. “Nos tempos antigos, muitas vezes e de muitos modos Deus falou aos antepassados por meio dos profetas. No período final em que estamos, falou a nós por meio do Filho. Deus o constituiu herdeiro de todas as coisas e, por meio dele, também criou os mundos. O Filho é a irradiação da sua glória e nele Deus se expressou tal como é em si mesmo” (Hebreus 1, 1-3). Jesus nos revela que Deus é Pai amoroso, cheio de misericórdia e de ternura para todos. “Ele quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2, 4). Jesus descobriu para ele próprio e para nós como é grande o coração de Deus, cheio de ternura e de amor. Deus é ABBA, Papai querido que vem até nós e busca a nossa amizade, quer dialogar amigavelmente conosco, estabelecendo relações familiares para nos comunicar a sua vida em plenitude. Jesus era um homem de oração e para Ele a presença amorosa de Deus era a motivação da sua missão de Evangelizar. Todos os dias buscava momentos de diálogo com o Pai. Em situações especiais (início da sua missão, escolha dos apóstolos, viagem a Jerusalém, na hora da paixão, etc.) dedicava tempos também especiais para a oração. Jesus experimenta na fé a comunhão do Pai e do Espírito Santo.


A partir de Jesus Cristo a Bíblia tem um sabor novo, de Boa Notícia para o povo e para cada ser humano. A partir de Jesus Cristo descobrimos como Deus procura a gente, igual que naquela tarde buscava o homem e a mulher pelo jardim para bater um papo amigo. A tentação de se esconder de Deus é tão antiga como a história da humanidade... mas Ele não falta à sua cita conosco. Espera. Sabe esperar. O tempo lhe pertence e o seu amor é grande demais como para desistir. Um dia (cada qual tem o seu momento) os seres humanos percebem, como Jesus, que esse encontro é incomparável, o mais humano e profundo de todos, o mais cheio de vida e de graça, a água pura e verdadeira para saciar a nossa sede de paz. Então nasce a experiência mística cristã, no santuário de cada coração humano, como uma explosão de luz e de alegria, fonte de água viva que não para de jorrar. Verdadeira adoração de amor em espírito e verdade (João 4, 23).
Deus busca infatigavelmente o diálogo e a amizade com cada ser humano. O ser humano que nasceu de Deus e para Deus, pelo mistério do pecado que interfere e gera confusão na consciência das pessoas, desconfia do seu Criador... Deus é comunhão de amor (Pai e Filho e Espírito Santo) que se abre à humanidade para que também nos possamos viver em comunhão de amor uns com os outros e cada um com Deus. O paraíso significa não tanto um lugar quanto uma atitude de vida: acolher a proposta de Deus de viver em comunhão de amor com Deus, com os outros, consigo mesmo e com a natureza. O pecado, porém, vem quebrar esta harmonia e as relações ficam desfiguradas, como nos relata a passagem da Escritura (Gênesis 3). Deus não desiste do seu empenho de viver em comunhão com as pessoas humanas. Insiste uma e mil vezes buscando por meio das circunstâncias da história renovar a Aliança de amor para nos trazer a vida em abundância (João 10,10). Derrama o seu Espírito e o coração que o acolhe é transformado em filho amado à semelhança de Jesus, o Filho Amado. “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. E vocês não receberam um Espírito de escravos para recair no medo, mas receberam um Espírito de filhos adotivos, por meio do qual clamamos: ‘ABBA! PAI!’ O próprio Espírito assegura ao nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Romanos 8, 14-16).
Deus nos oferece em Jesus Cristo uma proposta de vida que espera por uma resposta da parte de cada um de nós, mas também como comunidade de fé e como sociedade. Sabemos que o vinho novo do Evangelho é melhor que o velho da Primeira Aliança (João 2,1-11). Quem acolhe com fé este desafio que o Senhor nos oferece não ficará decepcionado.
“Já estou chegando e batendo à porta.

Quem ouvir minha voz e abrir a porta,

eu entro em sua casa e janto com ele,

e ele comigo”. (Apocalipse 3, 20).

Para Goretti



Com carinho do Pe. Fernando


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