John Maynard Keynes



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John Maynard Keynes


A euforia econômica do início do século XX nos EUA


  • Ao longo de todo início do século XX, até 1929, os EUA cresceram vertiginosamente, aumentando sua capacidade produtiva e o produto nacional consideravelmente. Vejamos alguns dados:

  • “ A população americana cresceu de 76 milhões em 1960 para 121 milhões, enquanto a expectativa de vida ao nascer foi aumentada em 10 anos(...) foram construídas duas cidades com capacidade para abrigar 1 milhão de pessoas, cinco cidades para 500 mil pessoas.Para isso gastou-se 75 bilhões em casas, 9 bilhões em estrutura produtiva agrícola, e mais de 30 bilhões em equipamento industrial novo(...)Além disso, os empregados viram sua jornada de trabalho semanal média cair de 60 para 44 horas. O salário médio por hora cresceu de US$ 0,20 para US$ 0,56, enquanto que os preços dos bens de consumo ficaram suficientemente para trás, para permitir um aumento nos salários reais de 10 ou 20 %.”1

  • O ambiente era de grande otimismo econômico, e as operações financeiras, principalmente o mercado de ações, tornaram-se uma prática que se popularizou grandemente no período.

  • A filosofia do enriquecimento rápido ganhou as pessoas, que aderiram à especulação abandonando os negócios e a atividade produtiva.Basicamente, a atividade especulativa consiste na compra e venda de ações por valores artificiais, que se movimentam não de acordo com a lucratividade da empresa, mas sim com a euforia do mercado.

  • Como as ações não são nada mais do que o direito adquirido de participação nos lucros de uma empresa, muitos investidores criaram empresas fictícias(fantasma), e passaram a vender suas ações, que nada valiam, por altos preços.

  • "Por exemplo, a empresa Georgia Power & Light era controlada pela Seaboard Public Service Corporation, que era controlada pela Middle West Utilities, que era controlada pela Insull Utility Investiments, Inc., que era controlada pela companhia de seguros de Chicago(a qual era controlada, por sua vez, pela Insull utility investiments, que ela presumivelmente controlava).Dessas empresas, somente uma-Georgia Power- realmente produzia eletricidade.O resto produzia somente lucros e oportunidades especulativas.” 2

  • A especulação atingiu patamares incríveis.Era como se, para ficar rico, só bastasse tomar emprestado algum dinheiro, aplicá-lo no mercado de ações, e esperar.

  • Então a grande bolha especulativa foi violentamente estourada.Em 29/10 de 1929, num dia que ficou conhecido como a quinta-feira negra, “uma avalanche de vendas esmagou as transações”. Não havia ofertas de compra, todos queriam vender suas ações, pois não mais acreditavam em sua lucratividade.

  • “Algumas semanas depois, $30 milhões de ‘riqueza’ haviam sumido no ar.Milhões de pessoas que contavam seus papéis(ações) acreditando que estavam em uma boa situação descobriram estar verdadeiramente pobres.” 3

  • A crise abateu-se ferozmente por sobre a economia americana.O PIB caiu de US$ 104 bilhões em 1929 para US$ 56 bilhões em 1933.Em 1929 o número de desempregados era de 1,5 milhões. Em 1933 tinha aumentado 8 vezes, até que uma de quatro pessoas pertencentes à força de trabalho estava desempregada.

  • O desespero e a miséria generalizaram-se com a queda dos salários e a extrema dificuldade de arrumar emprego.


A grande depressão

  • A especulação, por mais irracional e desmedida que fosse, não causaria por si só a depressão que tomou não só a economia americana, mas o mundo, em 1929.Esta depressão foi um processo que pôde encontrar sua causa na estrutura desta economia, e mais ainda no movimento de expansão desta estrutura. Vejamos como isso se deu.

  • Se olharmos para o setor agrícola perceberemos que todo o crescimento econômico que precedeu os anos de 1930 não encontrou meios para se reproduzir aí.

  • Os fazendeiros tiveram, ao invés disso, sua qualidade de vida depreciada e perderam grande parte de seu poder econômico ao longo do início do século XX, com exceção do período da I guerra mundial, situação na qual a produção e receita do setor cresceu(voltando logo a cair quando os produtores europeus retomaram suas atividades).

  • O crescimento dos setores não-agrícolas, que era de grande proporção, estava limitado pela queda do poder aquisitivo dos trabalhadores agrícolas e seus empregadores, pois este último movimento significava redução da demanda por produtos do primeiro setor.

  • Havia então um descompasso entre o crescimento do poder de compra e a produção nacional.Mas a estrutura produtiva industrial em expansão também apresentava problemas.

  • O principal deles era causado pela introdução de novas tecnologias que aumentavam a produtividade de uma indústria, sem aumentar-pelo menos proporcionalmente-a demanda por seus produtos.

  • O resultado imediato de tais inovações era a substituição do homem pela máquina, o que acabava redundando em desemprego, já que a capacidade das outras indústrias para empregar não havia se alterado.

  • Assim, apesar do emprego estar crescendo em termos agregados, ele estava se reduzindo ou mesmo atingindo valores negativos, nos setores em que as tecnologias poupadoras de mão-de-obra eram introduzidas.

  • Mas como a economia estava em crescimento, a mão-de-obra liberada pelas indústrias logo era assimilada por outras. O importante é que existia uma tendência para o desemprego.

  • Além disso os ganhos do aumento de produtividade eram repassados em maior proporção aos capitalistas, na forma de lucros, do que aos trabalhadores.

  • Se juntarmos a perda do poder de compra dos fazendeiros com o crescimento não proporcional à produção dos salários reais, deduziremos que a maior proporção da renda estava sendo acumulada por aqueles que não se viam obrigados a gastá-la totalmente, de imediato.

  • O que acontecia, conforme a produção era aumentada, é que a renda concentrava-se, ficando retida até que surgisse, diante dos olhos dos capitalistas, uma possibilidade de aplicação satisfatoriamente lucrativa.

  • Assim percebemos que os investimentos se realizam somente quando o lucro que se espera obter com eles é suficientemente grande em magnitude e relativamente seguro, quanto ao risco que representa ao investidor.

  • Desse modo em um ambiente de grande incerteza e caos econômico, como aquele criado pela quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929, o resultado só poderia ser uma contração do investimento.

  • Daí a depressão que se seguiu ao estouro da bolha especulativa. “Assim a grande depressão pode ser caracterizada essencialmente como um tremendo e duradouro colapso na taxa de formação do capital.”4

  • Esta explicação da crise, que Keynes definiu como sendo uma crise de demanda efetiva, é inspirada em grande medida na obra A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, publicada por aquele autor em(1936). Este livro “chegava a uma conclusão surpreendente e desanimadora: não havia nenhum mecanismo de segurança!(..) A depressão, em outras palavras, podia não curar-se, e a economia ficaria indefinidamente parada, como um navio em meio à calmaria.” 5


A saída da crise


  • Para reverter o processo de depressão, o governo americano lançou um programa de políticas econômicas ao qual chamou “New Deal”.

  • Basicamente buscou-se fomentar o consumo, realizando obras públicas- e portanto não motivadas pelo lucro-que empregassem grande proporção da mão-de-obra, munindo-a de poder de compra. Era exatamente esta a política que Keynes recomendava em seu livro, que seria lançado posteriormente.

  • Em certos casos, o governo atuou controlando diretamente empresas e indústrias, impondo certas normas ou limites à suas atividades, e em muitos casos investiu recursos diretamente em sua recuperação.

  • A intervenção organizacional e regulatória foi a principal proposta levada a cabo pelo pacote do “New Deal”.Com isso construiu-se uma nova perspectiva do Estado, diametralmente oposta á que pregava o liberalismo econômico.

  • A II guerra mundial, e todos os gastos bélicos que demandou, fez-se em forte impulso para a recuperação da economia.

  • “Em 1945, nosso (dos EUA) produto nacional bruto tinha aumentado de 70% em termos reais em relação a 1939, e o desemprego reduziu-se a ponto de sumir.”6 Tais sucessos, resultantes do grande esforço de guerra, vieram a tornar o governo um importante agente econômico, aos olhos do público.

  • “O debate interior ao capitalismo não era mais se o governo deveria ou não tomar para si a responsabilidade de fazer funcionar o mercado; somente os meios apropriados eram questionados: qual a melhor forma de atingir-se aquele fim.” 7

  • O New Deal, apesar de render resultados positivos, não foi suficiente para colocar a economia americana no pleno emprego, e acabou se revertendo, durante a II Guerra, em exageros bélicos, que se fizeram em um apoio do qual a economia mais pôde se livrar.

  • Além disso o papel do governo, uma vez aumentado, tornou-se ameaçador para boa parte da iniciativa privada, que se viu obrigada a cooperar com sindicatos, remodelando sua tradicional lógica de atuação.

  • Tudo isso, e mais outros fatores, contribuíram para impedir o sucesso completo das políticas defendidas por Keynes.



A teoria de Keynes



Demanda efetiva: Conceito e importância na dinâmica capitalista8
Origens do conceito de demanda efetiva

  • A discussão da demanda efetiva, em Keynes, foi inspirada em debates levados a cabo por Malthus e Ricardo.

  • O primeiro destes autores argumentava que a poupança excessiva poderia resultar na destruição do motivo da produção.

  • Se todos poupassem demasiadamente, o consumo seria portanto insuficiente para assimilar a produção. Como solução à esta retenção generalizada de recursos, Malthus propôs o consumo improdutivo (gastos com bens de luxo) dos proprietários de terra.

  • Ricardo tomou tal raciocínio como inválido, uma vez que acreditava que a poupança era um fundo de investimento, que seria convertido, pelos capitalistas, em capacidade produtiva.

  • Em sua concepção a poupança e o investimento não poderiam ser separados.O argumento de Malthus, por não estar apoiado em uma análise rigorosa, fez-se em obscuridade teórica, só sendo retomado e então desenvolvido com sucesso por Keynes.

O princípio da demanda efetiva



  • A demanda efetiva é a quantidade de produto para a qual a expectativa de demanda dos produtores é igual em magnitude à demanda que estes encontram no mercado. É propriamente a demanda realizada, feita em renda. Vejamos como a demanda efetiva influencia a produção.

  • Numa sociedade agrícola cada produtor produz o máximo que sua capacidade produtiva lhe permitir. Levando sua produção ao mercado, ele a vende pelo preço que for estabelecido neste.

  • Já em uma sociedade industrial, a decisão de produção é tomada com base na demanda esperada. Os produtores ajustam a quantidade produzida de forma a fazê-la idêntica em magnitude à demanda que esperam encontrar.

  • A margem de manobra é limitada pela capacidade instalada e, uma vez que a demanda efetiva excede esta, o ajuste passa a se dar pelos preços.

  • O importante aí é que, conforme muda a expectativa de demanda dos produtores, mudará a intensidade com que os recursos são empregados, isto é, o desemprego e a capacidade ociosa são resultados diretos do ajuste da produção à demanda efetiva, servindo ao propósito de maximização dos lucros capitalistas.

  • Determinação da demanda efetiva

  • Seja De demanda efetiva. Existem dois tipos de agentes: os consumidores e os produtores, assim: De C + I; Como a demanda efetiva é aquela que gera receita, então: Y De C + I (1). Precisamos determinar o comportamento de C e I. Segundo Keynes, o consumo é função da renda, ou seja, C= F(Y) (2), onde f’ propensão marginal ao consumo, e a seguinte condição é válida:



  • O investimento é determinado pela “lucratividade esperada de todos projetos de investimento possíveis” 9 e também pela taxa de juros.

  • Ou seja, os empresários escolhem o investimento mais lucrativo daqueles que se espera um lucro igual ou maior do que o juro que se pode obter do mercado financeiro.Assim, I=f(E,i) (3).

  • A taxa de juro é, por sua vez, uma função da preferência pela liquidez (demanda de moeda) e da quantidade de moeda em circulação (emitida pelo Banco Central).

  • Estas duas forças, nomeadamente demanda e oferta de moeda, determinarão a taxa de juros, tratando-se, portanto, de uma questão monetária.

  • Temos então que i=y(L,M0) (4), onde L demanda por moeda e M0oferta de moeda, fixada pelo Banco Central.

  • Com tudo isso, está determinada a relação que define a demanda efetiva, pois sabemos agora como as decisões de consumo e investimento são tomadas pelos indivíduos.

  • A produção (Y) é igual, em magnitude, à demanda efetiva, relação que está representada no gráfico abaixo pela reta identidade (s).



  • Tal gráfico representa o equilíbrio do mercado de bens. No eixo horizontal temos a renda, ou produção total, e no eixo vertical a demanda efetiva.

  • A reta s, como já foi dito, representa a oferta de bens. A reta C=f(Y), o consumo em função da renda, supondo que temos aí uma relação linear do tipo C= A +aY.Quando o consumo é somado ao investimento obtemos a demanda agregada.

  • Esta cruza s em A (s=De), ponto no qual a produção é de Y’. Sendo Y0 a produção para a qual toda a capacidade instalada é utilizada, inferimos da situação representada que o equilíbrio entre produção e demanda efetiva pode se dar sob um emprego menos do que pleno.

  • Deste modo, a diferença Y0-Y’ representa a magnitude da capacidade ociosa ou do desemprego. “Este é o tipo de desemprego (devido à insuficiência da demanda efetiva), que ficou conhecido atualmente como desemprego ‘Keynesiano’.” 10

  • Mas, se a reta De’ pudesse ser alcançada, a economia seria colocada em pleno emprego(ponto B).Como fazer isso? Vejamos, precisamos aumentar a demanda efetiva sem investir em capacidade produtiva, pois assim o nível máximo de produção seria expandido, para além de Y0.

  • A questão é então gerar o pleno emprego da capacidade que temos e não aumentá-la, por isso o investimento em bens de capital não é a solução. Já que a relação entre consumo e renda está fixa, sendo dada por uma reta, como colocado no gráfico, a demanda agregada não poderá ser aumentada pelo consumo, pois este é máximo para cada valor de renda.

  • Assim a resposta que buscamos não está nas variáveis C e I, de (2) e (3), respectivamente. A resposta está em uma variável não considerada até agora, os gastos governamentais. Se o governo gerasse gastos de magnitude suficiente, a demanda efetiva se moveria da curva De para a curva De’, com a qual se atinge a produção de pleno emprego Y0 .


Crises de demanda efetiva


  • Keynes propõe com a Teoria Geral um estudo das “flutuações nos níveis de produto e emprego.”11

  • Para isso ele parte da definição de demanda e oferta agregadas, focando a primeira e subdividindo-a em demanda por bens de consumo e demanda por bens de investimento.

  • A demanda por consumo é função da renda corrente e da taxa de juros, relação esta que podemos entender como estável.Mas o mesmo não pode ser dito da demanda por investimento, que é função do lucro esperado.

  • O termo ‘esperado’ aí indica o caráter incerto ou instável de tal variável, que por isso pode ser vista como responsável por certas perturbações que se manifestam na demanda agregada.

  • Tais perturbações decorrem da dificuldade de prever com precisão, primeiro como o mercado reagirá á produção que nele será lançada, e segundo quais serão as condições (salários, preço dos insumos, etc.) que o empreendedor enfrentará.

  • Como este último toma sua decisão de investimento estimando o lucro a ser auferido e comparando-o com o retorno que pode obter em aplicações financeiras(juros, por exemplo), tal decisão é diretamente influenciada tanto por “flutuações nas expectativas empresariais quanto ao lucro futuro”, como pelo “comportamento da taxa de juros” 12

  • Daí advém as crises econômicas.A expectativa de lucro e a taxa de juros são calculadas de forma racional pelos capitalistas, e eles sabem que o investimento implica “iliquidez”, pois os recursos possuídos ficam engessados no empreendimento.

  • Por trás da decisão de investimento está, portanto, a escolha por ativos líquidos, como moeda e ativos “ de liquidez específica”, como um empreendimento.

  • Como a oferta agregada se determina pelo comportamento esperado do mercado e pelos preços dos fatores fixados pela produtividade marginal destes, temos então o sistema consolidado, pois já sabemos como se comportam os dois lados do mercado.

  • Agora podemos então perguntar:Como as crises se manifestam?A resposta depende da idéia de eficiência marginal do capital(EMgK), que nos diz quanto cada unidade de capital contribui para a formação dos lucros.

  • Keynes define a EmgK da seguinte forma: “ A relação entre a renda esperada de um bem de capital e seu preço de oferta ou custo de reposição, isto é, a relação entre a renda esperada de uma unidade adicional daquele tipo de capital e seu custo de produção dá-nos a eficiência marginal do capital desse tipo.Mais precisamente defino a eficiência marginal do capital como sendo a taxa de desconto que tornaria o valor presente do fluxo de anuidades das rendas esperadas desse capital, durante toda a sua existência, exatamente igual ao seu preço de oferta.Isto nos dá as eficiências marginais dos diferentes tipos de bens de capital. A mais alta destas eficiências marginais pode, então, ser considerada como a eficiência marginal do capital em geral.” 13

  • Quando o capitalista recebe sinais de que a EMgK cairá, ele age de forma a minimizar o impacto negativo de tal queda sobre seu patrimônio. Isto muitas vezes significa redução da capacidade instalada e demissão de funcionários, o que repercute em queda da renda e da demanda. Este fenômeno se difunde por outros setores produtivos, e é como se a previsão do capitalista se auto-realizasse.

  • O capitalista se protegeu liquidando seus ativos, transformando-os em moeda. Esse comportamento, motivado por aquilo que Keynes chamou preferência pela liquidez, demonstra que o interesse individual é muitas vezes inconciliável com o bem-estar social.

  • Isto pois ao primeiro sinal de perda de lucro, o capitalista reduz sua capacidade, dispensando fatores, inclusive a mão-de-obra, o que redunda em desemprego.

  • Para reverter o processo da redução sucessiva da demanda efetiva e, portanto, a recessão, Keynes colocou que o Estado deveria atuar capturando o excesso de reservas imobilizadas (poupança, moeda retida) e revertendo-o em gastos produtivos capazes de estimular a demanda efetiva (esse mecanismo foi explicado acima).

  • Para isso o governo deveria entrar em déficit orçamentário e vender títulos de sua dívida.Aí temos uma saída para a crise de insuficiência de demanda efetiva, como proposta por Keynes.

  • É importante retomar a idéia registrada acima, para que fique claro que em Keynes está aberta a possibilidade de desemprego involuntário, o que contradiz a ortodoxia.

  • Ele fundamenta essa possibilidade apresentando como fato que os contratos não refletem as modificações do mercado de trabalho, sendo por demais rígidos e duradouros; e além disso o nível de emprego é determinado pela demanda efetiva, que está sujeita às flutuações discutidas.


O legado de Keynes

  • Keynes reabilitou o Estado a atuar como “agente” econômico, o que a ortodoxia tanto repudiava.O papel que atribuía a este, determinante para a reversão de uma recessão, passou a ser grandemente considerado no período pós-crise de 1929.

  • A grande contribuição de Keynes para a ciência econômica, segundo Pasinetti14, foi o princípio da demanda efetiva. Mas a forma como expôs tal descoberta, através de uma análise precisa e inovadora, foi o que tornou Keynes um autor consagrado.

  • Este autor buscou sempre deixar claro quais variáveis deveriam ser observadas, ou seja, soube selecionar entre todas as inter-relações dos parâmetros econômicos, aquelas capazes de representar melhor como o sistema se move. Tal focalização atribui precisão ao raciocínio de Keynes.

  • A crítica de Keynes à teoria econômica neoclássica(ortodoxa) de Marshall consistiu em raciocínios que puderam mostrar que, contrariamente ao que esse autor colocava, o comportamento individualista pode gerar resultados negativos para a sociedade.

  • Ou seja, o mecanismo da mão-invisível nem sempre encontra meios de funcionar, de acordo com a lógica de Keynes. Isto acaba trazendo à tona a observação de que “ O sistema capitalista tem um caráter intrinsecamente instável” 15.

  • Temos aí, portanto, a contestação do princípio de que as forças de mercado tendem, em sua interação, ao equilíbrio.

Bibliografia


HEILBRONER, R. L.Introdução à História das Idéias Econômicas:Grandes economistas. Rio de Janeiro: Zahar, 1965

HEILBRONER, R. L.The Making of Economic Society.Rio de Janeiro: Zahar, 1964



Hunt, E. K.História do Pensamento Econômico.Rio de Janeiro : Campus, 1987

KEYNES, J. M. A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. São Paulo: Abril Cultural, 1983



PASINETTI, L. Growth and Income Distribution. London, New York: Cambrigde University Press, 1974. Cap.II.

1HEILBRONER, Robert L.-The Making of Economic Society-pg.127

2Idem p.130



3Idem p.128



4HEILBRONER, Robert L.-The Making of Economic Society-pg.137

5Idem

6 HEILBRONER, Robert L.-The Making of Economic Society-p.149


7Idem

8 Esta seção traz uma síntese de parte do texto The economics of effective demand de Pasinetti, que pode ser encontrado no livro Growth and Income Distribution(1974).


9 Idem p.37


10Idem pg.39

11 Apresentação de Adroaldo Moura à Teoria Geral de Keynes in KEYNES, J. M.-A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda,Ed.Abril- pg.XIV


12 Idem pg.XV

13Idem p.101



14PASINETTI, L. -Growth and Income Distribution , p.41

15KEYNES, J. M.-A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (Ed.Abril) Apresentação p.XIII




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