Jornal do Commercio (RJ) 2 Economia 2



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Clipping Regional - 20/03/2005

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Jornal do Commercio (RJ) 2

Economia 2

Milhares de empregos por um fio 2

Jornal do Commercio (RJ) 5

Economia 5

Advogados preparam debate internacional sobre tributos 5



Jornal do Commercio (RJ) 6

Direito & Justiça 6

Seguir as mudanças para não se perder 6



Jornal do Commercio (RJ) 9

Suas Contas 9

O que vale a pena arquivar 9



Jornal da Tarde (SP) 11

Economia 11

Caro Leão 11



Jornal da Tarde (SP) 12

Artigo 12

Prejuízo certo! 12



Hoje em Dia (MG) 13

CONTRAPONTO 13

Tributação é poço sem fundo? 13

Não, premia produção 14

Zero Hora (RS) 15

Economia 15

O contribuinte contra-ataca 15



Zero Hora (RS) 17

Economia 17

"Vamos costurar a boca do leão" 17



Zero Hora (RS) 18

Economia 18

Quem paga não recebe depois" 18



Zero Hora (RS) 20

Artigo 20

As poéticas ruas de antigamente 20



Folha de Londrina (PR) 21

Política 21

Funcionário da RF trabalhou para a Kroll 21



Folha de Londrina (PR) 22

Economia 22

Preços subfaturados estão na mira da Receita Federal 22



O Popular (GO) 22

Cidades 22

Prejuízo de milhões em fraudes contra o Ipasgo 22



O Popular (GO) 24

Economia 24

Na Grande Goiânia, despesa per capita chega a R$ 441,85 24



O Popular (GO) 25

Coluna 25

Giro 25


Restituição 25

Folha de Rondônia (RO) 25

Geral 25

Seminário visa a transparência 25



Folha de Rondônia (RO) 26

Política 26

ALE: R$ 174 mi na "caixa-preta" 26



Diario do Amapa (AP) 26

Política 27

Receita Federal já recebeu mais de 2,2 milhões de declarações 27



Correio da Bahia (BA) 27

Poder 28

Deputado deve revelar origem de patrimônio 28



Correio da Bahia (BA) 29

Economia 29

Fazenda fecha loja no Iguatemi 29



Diário de Pernambuco (PE) 30

Artigo 30

Necessidade do aumento do FPM 30



Diário de Pernambuco (PE) 31

Economia 31

Comida recheada com impostos 31

Taxas levam R$ 2,9 bi 32

Cesta básica pode subir de preço 33



Folha de Pernambuco (PE) 33

Economia 33

Brasil pode se tornar potência em biodiesel 33



Tribuna do Norte (RN) 35

Brasil 35

Especialistas criticam Fies e ProUni 35




Jornal do Commercio (RJ)


20/03/2005

Economia

Milhares de empregos por um fio


Concorrência desleal das exportações chinesas preocupa empresas brasileiras
Agnaldo Brito e

Patrícia Campos Mello/AE


No ano passado, o Brasil importou da China 40 milhões de luvas de algodão por R$ 0,05 cada uma, 2,5 milhões de calças masculinas por R$ 0,50 e 6 milhões de gravatas de R$ 0,15. Pechincha? Não, fraude generalizada. A Receita Federal vem apreendendo toneladas e toneladas de produtos chineses subfaturados. Para reduzir os impostos a pagar, os importadores registram preços menores ou falsificam documentos. No mês passado, a Receita apreendeu em Paranaguá 240 toneladas de tecido chinês subfaturado.

Segundo fontes do setor, as fraudes já custaram 14 mil empregos, por atingirem justamente as confecções onde se concentra a maior parte dos trabalhadores. A perda por evasão fiscal pode chegar a R$ 43 milhões.

O subfaturamento dos produtos têxteis chineses será um dos temas do documento que a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) vai encaminhar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A entidade reivindica um aumento da fiscalização para bloquear as compras fraudulentas, que chegam a 30% do total de importações.

- Como esses produtos não pagam impostos, entram no mercado muito baratos e nós somos obrigados a baixar nossos preços - afirma Jorg Albrecht, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas.

O documento da Abit vai propor também medidas de defesa comercial contra a China. "Queremos que o Governo regulamente as salvaguardas específicas", frisa Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente da Abit.

No acordo que permitiu à China entrar na Organização Mundial de Comércio (OMC), existe uma cláusula que permite aos países baixarem salvaguardas contra produtos chineses, quando houver um aumento de importações que possa vir a causar danos. "Essas salvaguardas são legítimas para prevenir os danos à indústria nacional", diz Pimentel. Depois da regulamentação, o Governo poderia aumentar a tarifa de importação que incide sobre alguns produtos chineses.

Os empresários também vão propor uma reestruturação tributária para setor de confecções, que está passando por uma fase difícil. "Queremos dar mais força à confecção, que precisa ficar saudável e consumir mais fio e tecido", argumenta Albrecht. Segundo ele, o enfraquecimento das confecções nacionais é um perigo. "A China quer se tornar o grande fornecedor de confecções do mundo", diz.

"Daqui a pouco, estaremos fornecendo para eles fios e tecidos, e eles vendendo confecções."



Brasil pode perder participação

Já o fim das cotas têxteis, que passou a valer em dezembro de 2004, não afeta muito o mercado doméstico. O Brasil não tinha cotas restringindo a entrada de produtos chineses. Nas exportações, no entanto, o País deve perder participação para China e Índia, que poderão vender maiores volumes para grandes mercados consumidores de têxteis como Estados Unidos e União Européia.

Cristiane tem 23 anos, uma filha e um emprego ensurdecedor. Trabalha numa pequena tecelagem no histórico e decadente bairro de Carioba, localizado às margens do Rio Piracicaba, em Americana, interior de São Paulo. Não tem plano de saúde, nem um mísero protetor auricular. Desde os 13 anos é tecelã. Trabalha dez horas por dia e é responsável por manter pelo menos sete teares em funcionamento ininterrupto.

Mas nem esse tipo de tecelagem, que conta com Cristiane como força de trabalho barata e disposta, tem conseguido enfrentar os chineses. "Não importa o grau de competitividade a que o pólo chegue. Os produtos chineses entram no Brasil com preço 50% menor", lamenta Fábio Beretta Rossi, presidente do Sindicato das Indústrias de Tecelagem de Americana, Nova Odessa, Santa Bárbara d"Oeste e Sumaré (Sinditec).

Americana é o epicentro do maior pólo de tecido plano de fibras artificiais e sintéticas da América Latina. Essa região, que produz 160 milhões de metros lineares por mês, está no olho do furacão chinês. Teme os estragos que a concorrência asiática pode voltar a produzir. Em 1995, a produção caiu pela metade. A dura experiência foi suficiente para o setor, agora alerta, monitorar as ameaças. E a luz vermelha acaba de acender.

Em dois anos, as importações de têxteis e confecções da China aumentaram 275%. O país, que era o quinto fornecedor de têxteis para o Brasil, assumiu a liderança em dois anos. As principais vítimas da concorrência chinesa são as indústrias de fios e tecidos sintéticos e artificiais, como nylon, poliéster, rayon.



Polyenka já demitiu 50

A Polyenka, fábrica de filamentos de poliéster que tem 700 funcionários, precisou reduzir a produção pela primeira vez em seus 35 anos de vida. A empresa cortou em 30% a fabricação. Há dois meses, Jorg Albrecht, presidente da empresa, teve de demitir 50 funcionários. "Fomos obrigados a reduzir os preços para competir com fios chineses e nossa margem de lucro ficou muito pequena", diz Albrecht, que também é presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas.

- A situação nunca foi tão ruim - diz Albrecht. Segundo ele, os filamentos de poliéster importados abasteciam 1% do mercado em 1992. Hoje, respondem por 49% do mercado e seguem crescendo. "O mercado aumentou, mas os importados cresceram bem mais rapidamente."

A fábrica BerettaRossi - com 70 teares modernos e de alta produtividade - já está com capacidade superior à carteira de pedidos. Foi assim em janeiro, fevereiro. A situação é a mesma em março.

"São os chineses", diz Rossi com tom de lamento. Se em dois meses os pedidos não voltarem, Rossi não terá alternativa senão a demissão do pessoal.

A competitividade chinesa pesa muito. Enquanto os brasileiros são bastante competitivos em algodão, principalmente no segmento cama e mesa, os asiáticos são imbatíveis em sintéticos. A China tem acesso a empréstimos com juros baixos e vêm ampliando sua capacidade de produção, ganhando escala. Além disso, tem mão-de-obra baratíssima. E, para completar, o insumo dos tecidos sintéticos (as resinas petroquímicas) sai bem mais caro para o empresário têxtil brasileiro.

- O comércio da China não é leal - diz Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Segundo ele, não há igualdade de condições para competir com os chineses, porque eles têm moeda fixa subvalorizada em 40%, enquanto os brasileiros estão com o câmbio valorizado. "Já vimos esse filme, dez anos atrás, e sabemos que o mocinho morre no final se não forem tomadas providências", diz Pimentel, referindo-se à redução das alíquotas de importação de têxteis, política implementada pelo então ministro da Fazenda de Itamar Franco, Ciro Gomes, que levou a uma invasão de produtos chineses na época.

O desemprego ronda Americana e região. O setor emprega hoje 30 mil trabalhadores em toda a cadeia, fiação, tecelagem, preparação do tecido, até confecção. As indústrias ainda operam em três turnos, mas podem reduzir para dois. Mario Zocca, proprietário de uma tecelagem, já deu um passo à diante. Dos 24 teares, seis já foram parados. "Acho que o setor deve esperar no máximo dois meses.

Caso não haja uma reversão da situação, haverá demissões", afirma.

Efeito China ainda não atinge os tecelões

Das ruínas do bairro histórico de Carioba, em Americana, saem por ano 20 milhões de metros lineares de tecido, a maior parte produto sintético. Não é muito, 1% da produção do pólo têxtil, o suficiente para manter um grupo de pequenas tecelagens à facção. Esse é o nome das indústrias contratadas pelas grandes apenas para produzir. Operam sem descanso.

Recebem o fio, às vezes as máquinas, e agregam a mão-de-obra. Ganham por batida do tear. Por isso, o ritmo acelerado. O tempo, por ali, é precioso. Todas as tecelagens trabalham em três turnos.

Produzem sem parar. São a continuação de uma história que iniciou no final do século 19 e, apesar de tudo, ainda resiste. Os "faccionistas", como são chamados os industriais contratados na terceirização da produção de tecidos, são, em geral, tecelões.

Ganham centavos por metro de tecido produzido. O valor varia muito. Pode chegar a R$ 0,40, mas na média não passa de R$ 0,30. Por batida do tear, as indústrias ganham, em média, R$ 0,0022 (vinte e dois milésimos de real). Pode ser mais se o artigo for produzido em teares mais largos. "Não é fácil esse trabalho", reclama Orestes Bragagnoli, 58 anos, proprietário da pequena Mub Têxtil.

Com 40 máquinas e 12 funcionários (distribuídos em três turnos), a empresa consegue produzir 90 mil metros de tecidos por mês. Por enquanto, a tecelagem à facção não sentiu o efeito China. "Não sentimos nada aqui. Quem pode falar isso para o senhor são as grandes tecelagens", diz Bragagnoli.

Anísio do Amaral também é "faccionista". Tem 20 teares e capacidade para produzir 60 mil metros de tecido por mês. Produz tergal usado para forro de roupa. Anda aborrecido. Tomou um calote de uma indústria. Em novembro do ano passado, recebeu fio como nunca. Pôde colocar a fábrica a plena carga. Trabalhou, produziu, entregou, mas não recebeu um centavo. Tem sete funcionários, três sem registro. Com 65 anos, cuida de tudo. Dos contratos, dos pagamentos, da vida da empresa.

Amaral é apaixonado pela atividade de tecelão, afinal entrou nela aos 14 anos. O problema é a perspectiva. "Gosto muito da tecelagem, mas os faccionistas não têm muita perspectiva", acredita.

Tem os teares, ainda que obsoletos. Mas é o máximo que conseguirá. Investir na produção sem intermediação de outras tecelagens é um risco demasiado elevado. "Já vi quem tentou. Em três anos, faliu", lembra. Ademais, falta capital de giro para financiar a compra do fio e recurso suficiente para suportar ao menos seis meses produzindo por conta.

O melhor mesmo é continuar a ser "faccionista", diz Amaral, e tentar equilibrar os custos para conseguir alguma remuneração razoável para a sobrevivência da família. Família que, aliás, tem papel central neste tipo de indústria: significa providencial corte em custos trabalhistas. O que Amaral precisa agora é voltar a receber fios. A urdideira, máquina na qual começa a preparação dos fios para os teares, anda vazia nos últimos tempos.

Não é o que ocorre na pequena tecelagem de Milton Renato Carlstron. A urditriz não pára um minuto. Com a capacidade de pelo menos 130 mil metros por mês, a fábrica de Carlstron tem conseguido alguma vantagem em relação aos parceiros faccionistas. Abandonou a produção de tecidos sintéticos, por conta dos chineses. Produz agora tecidos de algodão. "Aí não tem chineses", diz.




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