José Augusto Maia Marques Instituto Superior da Maia e Câmara Municipal da Maia



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José Augusto Maia Marques

Instituto Superior da Maia e Câmara Municipal da Maia


Livros antigos de temática religiosa da Biblioteca Municipal da Maia

Resumo O autor dá a conhecer a colecção de livros antigos adquiridos por Bento Carqueja (1860-1935), jornalista, bibliófilo, co-fundador do Comércio do Porto, e que pertence à Biblioteca Municipal da Maia. Destacam-se, neste trabalho, as obras de temática religiosa editadas nos séculos XVII e XVIII.

Abstract The author provides information on a collection of old books, acquired by Bento Carqueja (1860-1935), journalist, bibliophile and co-founder of the newspaper Comércio do Porto, a collection currently held in the Municipal Library of Maia. The study focuses on the religious books published in the 17th and 18th centuries.

Já ninguém duvida que actualmente se acha formada huma numerosa sociedade de Deistas, que assistindo em diversos Reinos se confederarão para combater o Christianismo. Todos os seus escriptos modernos, ou ao menos a maior parte, provão este facto sem réplica. […] Sempre me admirou huma tal conspiração: qual he a mira destas gentes dizia eu? O Evangelho he huma contradição da sua vida; pois em

o renunciando tem feito o seu negocio!”.

Questão politica. Lisboa, 1787

A Biblioteca

A Biblioteca Municipal da Maia encontra-se instalada na ala norte do edifício do Fórum da Maia, espaço cultural autárquico dotado de uma área coberta superior a 13.000 metros quadrados e composto por três zonas com vocações distintas mas complementares - zona dos Auditórios, zona das Galerias de Exposição e zona da Biblioteca. Esta, depois de várias vicissitudes de instalação, abriu ao público em meados de 1994, tendo sido oficialmente inaugurada pelo então Secretário de Estado da Cultura, Dr. Pedro Santana Lopes, em 13 de Dezembro daquele ano.

A B. M. M. possui um fundo bibliográfico invulgarmente importante para uma biblioteca deste tipo. O seu riquíssimo acervo compõe-se, em primeiro lugar, dos espécimes que transitaram da antiga Biblioteca da Maia, de carácter generalista, muito antiquados, mas correspondendo ao perfil do que seria uma Biblioteca Municipal nos anos 40 do século passado.

Surgiram entretanto várias doações de valor bibliográfico e documental desigual, com relevo para o legado do Dr. Augusto Martins, mas constituindo, no caso deste, um núcleo importante de ciências económicas e jurídicas da primeira metade do século XX.

Finalmente, e sobretudo, o núcleo fundamental formado graças à incorporação das obras que compunham a Biblioteca Fixa 109 da Fundação Calouste Gulbenkian e à aquisição das Bibliotecas dos Jornais «O Primeiro de Janeiro» e «O Comércio do Porto», que em boa hora o Dr. José Vieira de Carvalho levou a cabo, salvando-as quer da desagregação quer da especulação.

No que toca ao valor bibliográfico do espólio da Biblioteca Municipal, há que referir um conjunto de “nichos” importantes, com destaque para:

  • um apreciável conjunto de publicações setecentistas e oitocentistas, abarcando todas as áreas temáticas, mas sobretudo os clássicos, a Filosofia, a História e a Teologia; são provenientes, na sua maioria, da colecção de Bento Carqueja;

  • um núcleo importante de obras de referência de meados do séc. XIX como é por exemplo o caso da Grande Enciclopédia Ilustrada e do Portugal Antigo e Moderno;

  • um notável acervo respeitante ao antigo ultramar português, não só constituído por quase todas as publicações oficiais disponíveis, como também por muitas séries de monografias e de periódicos;

  • diversas colecções de estatísticas oficiais e de legislação, desde os inícios do séc. XIX até ao Diário da República;

    1. várias séries completas de publicações das Câmaras Municipais de Lisboa e Porto, da Fundação Calouste Gulbenkian, quer as editadas em Lisboa quer em Paris, e de outras Instituições significativas;

    2. largas dezenas de monografias e periódicos constituindo o fundo local;

  • algumas centenas de títulos de periódicos, incluindo muitos com mais de 75 anos, como é o caso, por exemplo, da colecção completa da Ilustração Portugueza;

  • e, embora não se tratando de livros, um fundo de inquestionável importância constituído por algumas centenas de manuscritos de muitos dos vultos da cultura nacional dos últimos cem anos.


É importante referir igualmente muitas centenas de valiosas primeiras edições e de outras obras que, pela sua raridade ou pelo seu valor intrínseco, fazem da Biblioteca Municipal da Maia uma das mais ricas bibliotecas municipais do País.

A Colecção de Bento Carqueja

Bento de Sousa Carqueja nasceu em Oliveira de Azeméis a 6 de Novembro de 1860. Formou-se em Agricultura na então Academia Politécnica do Porto. Foi lente nesta mesma academia, bem como docente da Escola Normal do Porto e da Faculdade Técnica da Universidade do Porto. Instalou o Jardim Botânico e os laboratórios de Fisiologia Vegetal e Química Agrícola da Universidade.

Em 1890 fez parte da Liga Patriótica do Norte, presidida por Antero de Quental.

Muito novo iniciou-se nas lides jornalísticas, tendo dirigido o mensário «O Lavrador». Em 1908, falecido Francisco de Sousa Carqueja, seu tio, assumiu a direcção de «O Comércio do Porto», que manteve até à sua morte em 28 de Agosto de 1935.

Foi organizador, promotor e patrocinador de muitas iniciativas de cultura, instrução e benemerência, com destaque para a homenagem do Porto ao Infante D. Henrique em 1894 e o auxílio às vítimas da peste bubónica de 1899. Promoveu a construção de bairros operários, organizou escolas agrícolas móveis e estabeleceu várias creches. Era sem dúvida um dos grandes vultos da cidade do Porto.

Entre outras obras publicou: O Imposto e a riqueza pública em Portugal: dissertação. Porto: Tipografia do Comércio do Porto. 1898; O futuro de Portugal. Questões económico-sociais. Lisboa: José Bastos Livreiro Editor, 1900; O capitalismo e as suas origens em Portugal. Porto : Livraria Chardron, 1908; “O materialismo histórico”. Annaes Scientificos da Academia Polytechnica do Porto. IX (1): 45-53, 1914; O povo portuguez: aspectos sociaes e economicos. Porto: Livraria Chardron, 1916; O ensino técnico e profissional em Portugal. Porto: «O Comércio do Porto», 1918; O futuro de Portugal. Portugal após a guerra. Porto: Livraria Chardron, 1920; O Comércio do Porto ao completar 70 anos: notas para a sua história. Porto: «O Comércio do Porto», 1924; Princípios da Economia Política. Porto: «O Comércio do Porto», 1926/30 (5 vols.); O imposto em Portugal. Porto: «O Comércio do Porto», 1930; Indicadores económicos portugueses. Porto: Tipografia Sequeira, 1930; O capitalismo: seu passado, seu presente, seu futuro. Lisboa: Academia das Ciências, 1933.

Ainda jovem jornalista, Bento foi o grande impulsionador do desenvolvimento da Biblioteca de O Comércio do Porto, como instrumento de trabalho fundamental para o Jornal e para os profissionais que aí exerciam o seu múnus. Significava isto uma biblioteca com aquisições específicas, e não apenas com ofertas. E tanto assim é que num Catálogo dessa Biblioteca, datado de 1890, contavam-se já 2759 obras autónomas, mais 1330 em 83 miscelâneas, perfazendo 4089 títulos.

Bento Carqueja, personalidade multifacetada, a merecer profundo estudo, tinha, de entre as muitas actividades conhecidas, uma que ele cultivava com especial prazer: a bibliofilia.

Comprador exigente e informado, adquiria as boas edições que encontrava, nomeadamente da área das Literaturas, da Educação, da História, das Ciências, das Artes, da Teologia e Religião e da Economia, bem como da literatura de viagens.

A sua colecção, incorporada na Biblioteca d’«O Comércio do Porto» é constituída por muitas dezenas de títulos, alguns em vários tomos, e contém várias preciosidades.

Neste trabalho, dadas as naturais limitações de espaço e as características do homenageado, apresentamos apenas as obras de temática religiosa, completas, e editadas nos séculos XVII e XVIII. Deixamos as do século XIX para ulterior publicação.

As Obras – Séculos XVII e XVIII 1623

Catálogo e História dos Bispos do Porto. Por D. Rodrigo da Cunha, Bispo do Porto. Porto: por João Rodriguez Impressor de sua Senhoria, 16231.

História Religiosa sobre a Diocese do Porto. Encadernação inteira em pele. [22]+192+452+[80] páginas (Fig. 1).

1626

Praxis habendi concursum ad vacantes parochiales ecclesias. Per Io. Antonium Massobrium I.V.D., Archipresbyterum Alexandrinum, & S. Officii Consultorem. Romae: Ex Typographia Iacobi Mascardi, M.DC.XXVI.

Manual de Teologia e de confissão para uso dos párocos. Encadernação inteira em pele. [18]+496+[58] páginas (Fig. 2).

1709

Meditações da Infância de Christo Senhor Nosso, da encarnação até os trinta annos de Sua idade. Pelo Vener. Padre Bartholomeu do Quental. Nova edição

1 Inocêncio, T. VII, 167, n. 278 e Bibliotheca, III, 641-646.
Fig. 2

23

correcta, e emendada pela primeira. Lisboa: na Regia Officina Typographica, M.DCC.XC2.

História da Vida de Cristo. Encadernação inteira em pele. [14]+320 páginas.

1711

Rituale Romanum Pauli V. Pont. Max. Jussu editum. Conimbricae: apud Joannem Antune, Anno Domini 1711.

Ritual romano. Encadernação inteira em pele. 312 páginas (Fig. 3).

Fig. 3

2 Inocêncio, (T. I, 336, n. 65) refere a existência de duas edições do séc. XVIII (1666 e 1682) e uma outra em 1732, não referindo esta que descrevemos, o mesmo acontecendo com a Bibliotheca, I, 447.

1713

Vita di San Carlo Borromeo Prete Cardinale del titotlo di Santa Prassede, Arquievescovo di Milano. Scritta gia dal Dottore Gio. Pietro Giussano Sacerdote, nobile Milanese. Napoli: presso Domenico António Parrino, 1713.

Biografia de São Carlos Borromeu. Encadernação inteira em pele. [12]+622+[12] páginas. Na última página uma gravura representando o biografado. É uma nova edição desta obra. A primeira foi impressa em Brescia em 1613 por Francesco Tebaldino como se pode ver no frontispício (Fig. 4).

Fig. 4

1723

Promptuario da Theologia Moral… Composto pelo M.R.P.M. Fr. Francisco Larraga. Lisboa: Na officina de Francisco Xavier de Andrada, M.DCC. XXIII3.

Tratado de Confissão. Encadernação inteira em pele. [28]+764 páginas (Fig. 5).

3 Inocêncio (T. II, 415) refere esta 1ª edição, da qual diz “ninguém faz caso há muitos anos”, sem explicar porquê.

1724

Breviarum Romanum ex decreto sacrosancti Concilii Tridentini restitutum, Pii V. Pont. Max. Jussu editum, et Clementis VIII. Primum nunc denuo Urbani PP. VIII. auctoritate recognitum. Antuerpiae: ex Typographia Plantiniana, M.DCC.XXIV.

Breviário Romano. 1204+cciii+82+52+212 páginas. Encadernação inteira em pele, com vestígios dos dois fechos (Fig. 6).

1730/1731

Sermões do R. P. Doutor D. Luís da Ascenção. Coimbra: No Collegio dos Cónegos Regulares de S. Agostinho, e no Prelo de António Simões Ferreira, Anno de M.DCC.XXX (Vol. I) e M.DCC.XXXI (Vol. II)4.

Sermões. Encadernação inteira em pele. Vol. I, [?]+414 páginas; Vol. II, [20]+468 páginas. Ao primeiro volume falta o rosto e as páginas iniciais (Fig. 7).

1736

Officium B. Mariae Virginis S. Pii V. Pont. Max. Jussu Editum Et Urbani VIII… Venetiis: Ex Typographia Balleoniana, MDCCXXXVI.

Ofício à Virgem Maria. [24]+432 páginas. Encadernação inteira em pele.

4 Inocêncio T. V, 227 n.371 e Bibliotheca, III, 59.
Fig. 6
Fig. 7

1736

Templo Theologico Especulativo e Pratico onde se verá huma breve summa de theologia especulativa… Por Franconiano Adam Cuntin Favorino. Lisboa Occidental: na officina de Manoel Fernandes da Costa, M.DCCXXXVI5.

Manual de confessionário. Encadernação inteira em pele. [8]+328+140 páginas.

1738

Missale Romanum ex decreto sacrosancti concilii tridentini restitutum, et Clementis VIII. Primum, nunc denuo Urbani Papae Octavi auctoritate recogitum et Novis Missis ex Indulto Apostólico huc usque concessis auctum. Antuerpiae: ex architypographia plantiniana, M.D.CC.XXXVIII6.

Missal. Encadernação em pele com fechos e cravos. [62]+636+cxxxii+68 páginas. Várias excelentes gravuras representando motivos religiosos (Fig. 8).
Fig. 8

5 Inocêncio, T. XXIII escreve “ver António Baptista Viçoso”. Referência no volume anexo “Subsídios para um Diccionário de Pseudonymos Iniciaes e Obras Anonymas”, 33, n. 329. Ver tb. Bibliotheca, I,

214. 6 Na mesma encadernação uma outra obra, descrita abaixo em 1766.

1739

Ordo Verborum in Sacrosanctum, et ocumenicum Concilium Tridentinum. Por Francisco Freyre da Silva. Coimbra: na Officina de António Simoens Ferreyra impressor da Universidade, MDCCXXXIX7.

Crónica do Concílio de Trento. Encadernação inteira em pele. [12]+566 páginas (faltando aparentemente as duas últimas) (Fig. 9).

Fig. 9

1742

Catálogo dos Bispos do Porto. Composto pelo illustrissimo D. Rodrigo da Cunha. Porto: Officina prototypa Episcopal, M.DCC.XLII. 2ª edição ampliada por António Cerqueira Pinto8.

História Religiosa. Encadernação inteira em pele. 322+346 páginas (Fig. 10).

7 Inocêncio T. II, 382, n. 786 e T. IX, 294. A fazer fé no que este autor escreve na última referência, poderia tratar-se de uma «contrafacção». Ver tb. Bibliotheca, IV, 132-133. 8 Ver nota 2.

Fig. 10

1748

Breviarum Romanum ex decreto Sacrosancti Concilii Tridentini restitutum, S.Pii V. Pontificis Maximi Jussu Editum, Clementis VIII & Urbani VIII auctoritate recognitum, cum Officiis Sanctorum. Venetiis: Apud Nicolaum Pezzana, MDCCXLVIII.

Breviário Romano em quatro volumes: vol. 1 -Pars Hiemalis [14]+584+ +cclxiv+60 páginas, vol. 2 -Pars Verna [14]+608+cclxxxviii+72 páginas, vol. 3 – Pars Aestiva [14]+624+cclx+72 páginas, vol. 4 – Pars Autunalis [14]+528+cclxxxviii+84 páginas.

Encadernação inteira em pele.

1766

Missae Novae in Missali Romano ex mandato Rom. Pont. Urbani VIII. Inocentii X. XI. XII. et XIII. Alexandri VII. Clementis IX. X. et XI. Benedicti

XIII. Postremoque s.d.n. Clementis Papae XII.. Portu: Ex Typis Antonii Alvares Ribeiro Guimaraens, M.DCC.LXVI.

Missal. 62 páginas. Encadernado com o Missale Romanum de 1738 (Fig.

11).

1770

Homo apostolicus instructus in sua vocatione ad audiendas confessiones… Auctore Ilustris et Reverendis D. Alphonso de Ligorio. Bassani: apud Remondini, MDCCLXX.

Manual de Confessor. Encadernação inteira em pele. Os três volumes encadernados juntos, com XVI+188+VII+165+IV+116 páginas.

1770

Instrucções Geraes em fórma de Catecismo nas quaes se explicão em compendio pela Sagrada Escritura, e Tradição, a Historia e os Dogmas da Religião a Moral Christã, os Sacramentos, as Orações as Ceremonias, e os usos da Igreja, impressas por ordem do senhor Carlos Joaquim Colbert Bispo de Montpellier com dous Catecismos abbreviados para o exercício dos meninos. Lisboa: na Regia Officina Typografica, anno M DCC LXX. 3 vols9.

9 Inocêncio, T. X, 93, n. 380.

Catecismo. Encadernação inteira em pele. Vol. I, [14]+442 páginas; Vol. II, [8]+282+[8]+280 páginas; Vol. III, [8]+380 páginas. O Vol. II alberga a segunda parte e a primeira secção da terceira parte, estando a segunda secção no Vol.

III.

1772

Doutrinas da Igreja sacrilegamente offendidas pelas atrocidades da moral jesuítica que foram expostas no Appendix do Compendio Historico…Lisboa: na Régia Officina Typografica, MDCCLXXII10 .

Obra de especulação religiosa, anti-jesuítica. Encadernação com lombada e cantos em pele. 368 páginas.

1772

Les Moeurs des Israélites. Par M. L’Abbé Fleury. Porto: Chez Clamopin Durand Grouteau & compagnie, M.DCC.LXXII.

Obra dedicada a João de Almada e Melo.

História (religiosa sobretudo) dos israelitas. Encadernação inteira em pele. [6]+274 páginas.

1772

Les Moeurs dês Chrétiens. Par M. L’Abbé Fleury. Porto: Chez Clamopin Durand Grouteau & compagnie, M.DCC.LXXII. 2 vols.

Obra dedicada a João de Almada e Melo.

História (religiosa sobretudo) de Israel. Encadernação inteira em pele. Vol. I, [6]+408 páginas; Vol. II, 408 páginas.

1774

Conduite pour la Confession et la Communion, pour les ames soigneuses de leur salut. Par Saint François de Sales. Paris: Chez Despilly, M.DCC.LXXIV.

Manual de Confessor. Encadernação inteira em pele. 396 pags. 2 gravuras representando S. Francisco de Sales e M. de Chantal.

1777

Universae Theologiae Moralis accurata complexio instituendis candidatis accommodata.B. Jacobi Salomonii. Venetiis: Apud Thomam Bettinelli, MDCCLXXVII.

Manual de Teologia. Encadernação inteira em pele. Dois volumes, o primeiro com xvj+578 páginas e o segundo com viii+464 páginas. No primeiro volume uma gravura representando D. Fulgentius Cuniliatus, o. p.

10 Não encontramos em Inocêncio referência a esta obra. Há no entanto uma entrada (T. II, 94, n. 375) que, pela data e impressor, poderá ser o «Compêndio Histórico» referido no título e de que esta obra é uma “consequência”.

1782

Breviarum Romanum ex decreto sacrosancti Concilii Tridentini restitutum,

S. Pii V. Pont. Max. jussu editum, et Clementis VIII. primum nunc denuo Urbani PP. VIII. auctoritate recognitum… Antuerpiae: ex Typographia Plantiniana, M.DCC.LXXXI11 .

Breviário Romano. [60]+628+cclvii+96+64 páginas. Encadernação inteira em pele.

1786

Institutionum Jurisprudentiae Eclesiasticae. Pars I. Principia Júris Ecclesiastici. Pars II. Lib. I. et II. Decretalium. Pars III. Lib. III. Decretalium. Pars IV. Lib.

IV. et V. Decretalium. Pauli Josephi a Rieger. Venetiis: Sumpt. Haeredis Nicolai Pezzana, MDCCLXXXVI12 .

Direito Canónico. Encadernação inteira em pele. Vol. I, [6]+xxxiv+496 páginas; Vol. II, xliv+568 páginas; Vol. III, xxxii+544 páginas; Vol. IV, [4]+xxiv+518 páginas.

1786/1787

Traité Historique et Dogmatique de la Vraie Religion. Par M. L’Abbé Bergier. Paris: Chez Moutard, M.DCC.LXXXVI (Tomos 1 a 4) e M.DCC.LXXXVII (Tomos 5 a 12)13 .

Tratado histórico-teológico. Encadernação inteira em pele. Os 12 volumes têm, respectivamente, 620, 690, 708, 668, 596, 546, 612, 602, 614, 662, 642 e 264+242 páginas.

1787

Questão Politica. Onde se examina se os Religiosos, que possuem rendas são úteis, ou nocivos ao Estado. Por D.G.B. Lisboa: Na Officina de Lino da Silva Godinho, M.DCC.LXXXVII14 .

Dissertação sobre os religiosos que possuem rendimentos. Encadernação inteira em pele. X+166 páginas.

1790

Elementos de Historia Ecclesiastica. Porto: Na Officina de Bernardo António Farropo, 1790. 4 vols.

11 Fundada por Christophe Plantin, foi uma das mais importantes tipografias europeias, funcionando desde o século XVI.

12 Importante editora veneziana, em acção entre os séculos XVII e XIX. A Biblioteca Nacional possui uma edição da Typographia Académico-Régia, de Coimbra de 1782.

13 A Biblioteca Nacional Possui uma edição de 1784/1787.

14 Além desta, a Biblioteca Nacional possui a edição francesa de 1762.

História cronológica da Religião. Encadernação com lombada e cantos em pele. Vol. I, 436 páginas; Vol. II, 404 páginas; Vol. III, 332 páginas; Vol. IV, 536 páginas.

1791

O Pregador Instruído. Por Miguel António, Presbítero Secular do Bispado de Coimbra. Coimbra: na Régia Typografia da Universidade, M.DCC.LXXXXI15 .

Manual de pregação. Encadernação inteira em pele. X+320 páginas.

1794

Diccionário Abbreviado da Bíblia, traduzido do francez. Segunda edição, correcta e emendada. Lisboa: na Typografia Rolandiana, 179416 . Dicionário bíblico. Encadernação inteira em pele. [4]+420 páginas.

1796

Le Christianisme dévoilé, ou examen des principes & des effets de la Réligion Chrétienne. Par Boulanger. En Suisse [Yverdon]: de l’Imprimerie Philosophique, 1796.

Manual de Teologia. Encadernação com lombada e cantos em pele. XIX+320 páginas.

1796

Institutiones Theologicae ad usum scholarum lugdunensium in epitomen redactae. Venetiis: apud Remondini, MDCCXCVI. 2 vols17 .

Manual de Teologia. Encadernação inteira em pele. Vol.I, XII+386 páginas; Vol. II, XII+372 páginas.

1797-1799

O Pastor Evangelico repartindo o pasto da divina palavra nas praticas familiares dos Domingos e Festas. Por T.A.D.C.O. [Theodoro de Almeida]. Lisboa: na Regia Officina Typografica, Anno M.DCC.XCVII (1º Vol.); Lisboa: na Regia Officina Typografica, Anno M.DCC.XCVIII (2º Vol.); Lisboa: na Officina de Simão Thaddeo Ferreira, Anno M.DCC.XCIX (3º Vol.); Lisboa: na Regia Officina Typografica, Anno M.DCC.XCIX (4º Vol.)18 .

15 Inocêncio T. VI, 217.

16 Inocêncio, T. IX, 114, n. 448. A tripografia Rolandiana, de Francisco Roland, situava-se no Bairro Alto e era das mais importantes da Lisboa dos séculos XVIII e XIX.

17 Autêntica dinastia de tipógrafos italianos, com a casa-mãe em Bassano del Grappa (Veneto), activa entre os séculos XVII e XIX. O fundador, Giuseppe Antonio Remondini iniciou a sua actividade em 1640.

18 Inocêncio, T. VII, 301-308, n. 29.

Colecção de Sermões para o Ano Litúrgico. Encadernação inteira em pele. Vol. I, [6]+XVI+382 páginas Vol. II, [2]+502 páginas; Vol. III, 370 páginas; Vol. IV, [6]+326 páginas.

Rematando…

Como havíamos referido, incluímos aqui apenas as obras completas e editadas nos séculos XVII e XVIII.

Ficam assim para outro estudo várias dezenas de livros datados do século XIX, bem como algumas obras impressas ainda no século XVIII, mas que, ou estão incompletas, faltando-lhe algum dos volumes, ou às quais foram arrancados os frontispícios. Está no primeiro caso, entre muitos outros, um Flos Sanctorum Abreviado da autoria de Frei Francisco de Jesus Maria Sarmento19, de 1780, e no segundo, um conjunto de várias colecções de sermões de distintos autores.

No que toca aos locais de edição e aos editores das obras apresentadas, o panorama é curioso. Para além das três grandes cidades portuguesas, Porto, Coimbra e Lisboa, com destaque para a Tipografia Rolandiana e para a Régia Oficina20, ambas na capital, encontramos várias outras grandes cidades da Europa. É o caso de Paris, Antuérpia, Veneza, Roma e Nápoles, onde, nesta última, laborava Domenico António Parrino, cuja marca comercial apresentamos na Fig. 12, que nos mostra um Cristo em majestade tendo como fundo a bela Baía de Nápoles.
Fig. 12

19 Ver Bibliotheca, II, 164.

20 Provavelmente a mesma que a Imprensa Régia, fundada pelo Marquês de Pombal e antecessora da Imprensa Nacional.

Mas estão também presentes as pequenas cidades de Yverdon, na Suíça, sede da bem conhecida Imprimerie Philosophique, e de Bassano, no Veneto, Itália, onde funcionava a multissecular tipografia Remondiniana (Mapa 1).

Mapa 1

Esta, uma das mais relevantes do velho continente, aparecia quase ao nível da tipografia Plantiniana, fundada por Christophe Plantin, e considerada uma das mais importantes se não mesmo a mais importante das oficinas tipográficas europeias, estando em actividade já no século XVI.

Procuramos, com esta sumária abordagem, revelar um curioso fundo bibliográfico dos séculos XVII a XIX, de temática variada, mas com maior enfoque na Religião e nas Ciências Humanas, pertencente à Biblioteca Municipal da Maia, e que, após tratamento técnico a que se procede neste momento, ficará à disposição da comunidade, especialmente dos investigadores que, tal como Geraldo Coelho Dias, a quem homenageamos, dedicam uma boa parte do tempo e das energias a querer saber mais, para poder ensinar melhor.

Bibliografia

ANSELMO, Artur. Origens da Imprensa em Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1981. Cathálogo da Bibliotheca do Commercio do Porto. Porto: Typographia do Commercio do Porto, 1890. MACHADO, Diogo Barbosa. Bbliotheca Lusitana, Histórica, Critica e Chronologica… Reedição. Coimbra: Almedina, 1965/1967. Reprodução fac-similada. SILVA, Inocêncio Francisco da. Dicionário Bibliográfico Português. Reedição. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1987. Reprodução fac-similada.




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