Joseph Alois Schumpeter



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Joseph Alois Schumpeter


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893 – 1950
Escola: evolucionária, schumpeteriana, austríaca

Principais Obras: História da Análise Econômica; Capitalismo, Socialismo e Democracia; Teoria do Desenvolvimento Econômico; Dez Grandes Economistas; Business Cycles.

Vida: Schumpeter nasceu no Império Austro-Hungaro. Estudou em Viena com Böhm-Bawerk e Wieser. Ocupou o cargo de ministro das finanças em 1919. Casou-se na Inglaterra com uma mulher 12 anos mais nova, vindo a abandoná-la quando passou a lecionar em Bonn. Sem se divorciar, casou-se novamente com outra mulher, que morreria no parto um ano depois. Com o advento do nazismo, migrou para os EUA, onde trabalhou como professor em Harvard até sua aposentadoria. Sua terceira esposa publicaria postumamente seu famoso livro de H.P.E.

Principais Idéias: Schumpeter foi influenciado por um conjunto eclético de economistas. Sua formação é austríaca, absorvendo a visão do mercado como um processo e particularmente de Wieser absorveu a importância do empresário no processo competitivo. De Marx, adotou o conceito de "capitalismo" para descrever a realidade econômica da época, procurando investigar o seu desenvolvimento histórico. Por outro lado, considerava Walras o melhor economista de todos os tempos, aceitando sua descrição da realidade na ausência de inovações. Essas influencias díspares ajudaram o autor a compor suas teorias sobre a natureza da competição e sobre os ciclos econômicos.

Antes de descrever o processo de mudança – seu verdadeiro interesse – Schumpeter parte de um estado inicial de equilíbrio. Nesse estado, que o autor denomina "fluxo circular", as atividades econômicas estão coordenadas. A cada período os agentes simplesmente repetem as ações dos períodos anteriores, sem que nenhuma mudança ocorra. Esse estado de coisas seria perfeitamente descrito pelo modelo walrasiano do funcionamento da economia. Essa, porém, não é uma descrição da realidade do capitalismo. Este seria caracterizado pela mudança. Mas como surgiria a mudança? Para Schumpeter, as mudanças – inovações – ocorrem devido a atividade dos empresários. A verdadeira competição no mercado se refere a ação dos empresários na busca por lucros. A criação de um novo bem ou alteração na qualidade de um bem existente, a criação de novo método de produção, a abertura de um novo mercado, a captura de nova fonte de oferta ou uma nova organização da indústria consistem em exemplos do que o autor entende por inovação. Esta difere da invenção. A invenção de uma nova máquina por um engenheiro, por exemplo, pode não ter impacto algum na economia se não for introduzido no mercado por um empresário inovador. Uma inovação pode dar uso econômico para uma velha invenção que até então não tinha sido explorada.

Para que as inovações sejam introduzidas nos mercados, Schumpeter enfatiza a necessidade de crédito aos empresários. O crédito permite que a todo instante inovações surjam no mercado, desafiando os métodos antigos de produção administrados burocraticamente pelos administradores estabelecidos. A essência da atividade competitiva não seria descrita pelos modelos de competição perfeita ou mesmo pelos modelos de Chamberlain-Robinson, mas sim pela atividade do gênio inventivo dos empresários. A atividade empresarial pode levar ao monopólio temporário de um produto, que cedo ou tarde seria corroído pela imitação de outras firmas. A existência de uma grande firma que domine um mercado não é vista como um sinal de monopólio, mas como fruto da atividade competitiva. Da mesma forma que para os austríacos, a competição deve ser analisada como um processo e não como um estado final de repouso. O capitalismo, para Schumpeter, seria caracterizado por ondas de inovações que trazem o progresso material para as sociedades. O estado de repouso inicial seria subvertido pela ação empresarial, que desencadeia um processo de imitação que resultaria em um novo fluxo circular, caso nenhuma inovação adicional ocorra. O impacto das inovações empresariais é aptamente descrito pelo autor através da expressão "destruição criadora".

Embora a atividade inovadora dos empresários seja a fonte do crescimento econômico, este não ocorre de forma contínua, mas está sujeita a ciclos de prosperidade e crise. Schumpeter procura explicara os ciclos através das idéias que expusemos acima. As inovações, segundo o autor, não se distribuem uniformemente ao longo do tempo, mas ocorrem segundo intervalos descontínuos. Grandes inovações trazem consigo a possibilidade de afloramento de mais inovações. A fase de prosperidade é marcada pelos investimentos advindos da exploração de grandes inovações. Porém, a imitação das inovações iniciais acaba por esgotar as oportunidades de lucro, o que resulta na fase de crise. Schumpeter identificava historicamente três tipos de ciclos conforme sua duração, que era determinada pelo tipo de investimento feito pela inovação. Teríamos inicialmente os ciclos de Kondratiev, que duravam cerca de 60 anos. O surgimento da indústria têxtil e das máquinas a vapor no séc. XIX ou as indústrias metalúrgicas no séc. XX deram origem a esse tipo de ciclos. Ao mesmo tempo, teríamos ciclos mais freqüentes: os ciclos de Juglar, que duravam 10 anos e os de Kitchin, de 40 semanas.

O processo de evolução social, para Schumpeter, levaria ao advento do socialismo e ao fim do capitalismo. Este pereceria não pelos seus fracassos, como acreditava Marx, mas sim pelos seus sucessos. Paradoxalmente, o padrão de vida mais elevado causado pelo capitalismo permitiu o advento de uma nova classe de intelectuais dedicados a criticá-lo. Com o surgimento de firmas gigantes, por outro lado, as atividades inventivas e inovadoras são burocratizadas, pois são realizadas no interior de seus departamentos de pesquisa e desenvolvimento (P&D), e não mais por pequenos empresários independentes. Em suma, a burocratização advinda com o progresso minaria a própria base de progresso do capitalismo. Ao mesmo tempo, Schumpeter acreditava ser possível alocar recursos de forma centralizada através da teoria de equilíbrio geral. Assim, embora não fosse socialista ele mesmo, e não desejasse tal mudança, acreditava no fim do capitalismo e na sua substituição pelo socialismo.

Schumpeter dedicou seus últimos anos ao estudo de HPE. A sua História da Análise Econômica é uma das maiores autoridades no assunto, cheio de teses polêmicas e observações interessantes sobre o desenvolvimento da Economia.



Schumpeter hoje: sob a luz dos escritos de Schumpeter, aprecie a significância do órgãos de fomento a atividade empresarial, como o BNDES, que fornece crédito subsidiado a projetos ou o SEBRAE, que fornece assistência a pequenos empresários. Avalie a tese do autor sobre a crescente burocratização do processo inovador. As grandes inovações atuais foram fruto de departamentos de pesquisa de grandes empresas ou surgiram em pequenas garagens de sonhadores?


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