Juventude abrahãO, Maria Helena Menna Barreto. As relações educação e trabalho na escola do “não-trabalho”


Centro da Juventude do Jardim do Éden



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Centro da Juventude do Jardim do Éden : um estudo sócio-antropológico. São Paulo, 1997. 197 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo.

ORIENTADOR(A): TEIXEIRA, Maria Cecília Sanchez.
DESCRIÇÃO:

Busca compreender o contexto comunitário que envolve jovens participantes do Centro da Juventude, na Favela Jardim do Éden, através da descrição e análise dos fatores que concorrem para sua socialização.


METODOLOGIA:

Realizou-se uma descrição etnográfica conforme sugerida por Pierre Erny, considerando os fatores, instituições, agentes de socialização, atos pedagógicos, mecanismos psicológicos e comportamentais envolvidos no cotidiano dos jovens. As análises foram norteadas pela sociologia de Michel Maffesoli, marcada pelo relativismo metodológico e defesa da compreensão poético-científica da realidade.


CONTEÚDO:

O estudo investigou o cotidiano dos jovens na faixa de idade entre 12 a 17 anos, moradores da favela do Jardim do Éden, que participam do programa de ação social do Município de São Paulo denominado "Centro da Juventude" desenvolvido no Centro Social "Espaço de Vida". Buscou-se compreender como se configura a realidade comunitária em que se dá o processo de socialização pretendido pelo programa, os fatores que interagem nesse processo, o alcance da intervenção do programa na vida dos adolescentes e como se manifesta a socialidade dos grupos na comunidade e no espaço da instituição. Foi realizada uma descrição etnográfica conforme sugerida por Pierre Erny, levando em conta os fatores, instituições, agentes de socialização, atos pedagógicos e mecanismos psicológicos intervenientes no cotidiano dos jovens. Utilizou-se a abordagem da sociologia do cotidiano de Michel Maffesoli nas análises, privilegiando a compreensão poético-científica da realidade, os aspectos plurais das microsituações do cotidiano, a apreensão de representações e rituais e o relativismo metodológico. Observou-se que o Centro da Juventude consistia em espaço para manifestação da socialidade dos jovens freqüentadores, os quais, no entanto, apresentavam condutas de resistência frente aos mecanismos de manutenção da ordem.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

Pode-se notar uma identificação afetiva dos jovens com o Centro da Juventude, pois lá podiam expressar livremente sua socialidade. O programa foi representado pelos adolescentes como um local de prazer, alegria, diversão e diálogo. As regras e mecanismo de controle da instituição eram alvo de pequenas resistências, expressas ora pela bagunça, ora por atitudes violentas que demonstravam a inexistência de uma acomodação passiva por parte dos jovens.


Inclui bibliografia.

CASCAES, Ana Maria Ribeiro. Caracterização socioeconomica-educacional do repetente escolar na primeira série do segundo grau no Instituto Estadual de Educação. Rio de Janeiro, 1981. 191 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

ORIENTADOR(A): CARVALHO, José Carmelo de.
DESCRIÇÃO:

Tem como objetivo geral caracterizar os repetentes escolares a partir de fatores socioeconomicos-educacionais, que hipoteticamente teriam sido relevantes a sua situação de repetência. Nos objetivos específicos busca identificar variáveis socioeconomicas que interferem na reprovação; analisar a ocorrência de maior freqüência de reprovação no noturno; detectar possíveis causas socioeconomicas-educacionais; identificar as disciplinas do quadro curricular da primeira série do segundo grau com maior número de reprovação e delinear suas causas; analisar a influência da expectativa do aluno sobre a reprovação; e esboçar possíveis linhas de ação para responder ao problema diagnosticado pelo estudo.


METODOLOGIA:

São utilizadas variáveis qualitativas e quantitativas. A amostra constituiu-se de todos os 451 alunos repetentes das primeiras séries do segundo grau, matriculados em 1980 no Instituto Estadual de Educação (IEE) de Florianópolis (SC), bem como os alunos do IEE matriculados no Colégio Estadual Prof. Anibal Nunes Pires (CEPANP) neste ano. Além disso, incluiu-se no universo da pesquisa, 19 professores, 8 orientadores educacionais e 7 supervisores escolares da primeira série do segundo grau do IEE. Como instrumento foram utilizados dois questionários, um respondido pelos alunos e outro respondido pelos professores, orientadores e supervisores. Foram também realizadas entrevistas com o diretor da divisão de segundo grau da Secretaria de Educação de Santa Catarina, com o diretor do Instituto Estadual de Educação, 3 orientadoras educacionais da primeira Coordenadoria Regional de Educação e 4 Orientadoras Educacionais do Instituto Estadual de Educação. Para análise dos dados foi dado tratamento estatístico.


CONTEÚDO:

Procura identificar os fatores socioeconomicos-educacionais que provocam elevadas taxas de repetência na primeira série do segundo grau do Instituto de Educação de Santa Catarina. O estudo é desenvolvido tanto por meio da utilização de variáveis quantitativas, como qualitativas, em relação a fatores pessoais de alunos repetentes, dados de origem familiar e fatores endógenos ao sistema de ensino e a situação do escolar do Instituto de Educação. Como instrumento foram utilizados dois questionários, um respondido pelos alunos e outro respondido pelos professores, orientadores e supervisores. Foram também realizadas entrevistas. A análise dos dados quantitativos e qualitativos permite chegar a conclusão de que a repetência está mais ligada a variáveis técnico-pedagógicas do que socioeconomicas.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

Com relação às variáveis socioeconomicas: a maioria dos alunos que freqüentam esta série escolar está na faixa etária de 17 a 19 anos. Seus pais possuem na maioria o primeiro grau. Pais ocupam cargo médio e mães, baixos. Ambiente familiar não é motivador para o estudo. Metade dos alunos estuda a noite e maioria das rendas familiares está entre 1 e 4 salários mínimos. Quase metade destes alunos tem problemas familiares e dificuldades de aprendizagem. Maioria aspira altos cargos para o futuro. Quanto às variáveis técnico-pedagógicas: maioria dos alunos repetentes é oriunda de escolas estaduais e não havia repetido nenhuma série. Questão mais levantada (50%) se refere ao professor e o embasamento teórico por ele apresentado, seguido das deficiências da escola quanto ao programa e ao conteúdos das matérias. A avaliação é considerada importante, devendo continuar sendo realizada do modo como é feita. Quanto às variáveis dependentes: repetência escolar: a incidência de repetição individual por disciplinas se apresenta em até 6 disciplinas em cerca de 60% dos alunos noturnos. A área de maior concentração de repetência é a técnico ou cientifica. A percepção do repetente quanto a sua expectativa e aspiração é positiva tanto em relação a aprovação, como em relação a ocupação no futuro. Repetentes têm como causas de sua repetência: falta de embasamento nas séries anteriores e os problemas de ordem econômica, além de dificuldades pessoais de aprendizagem e problemas familiares. Relação entre as variáveis: fatores socioeconomicos parecem não ter associação significativa com a repetência, com o turno que o aluno estuda e com a repetência nas disciplinas da área técnica-científica. Estes fatores também não têm nível de significância tal que interfira na aspiração do aluno, quanto a sua chance de aprovação. Concluiu-se que as variáveis técnico-pedagógicas parecem levar o aluno a repetência escolar. Aponta a necessidade de novas medidas relativas a novos critérios de promoção do aluno. Quanto ao sistema de ensino, sugere-se um estudo comparativo sobre o rendimento do aluno após a implantação da 5692/71, estudos sobre o sistema de avaliação e uma integração vertical e horizontal quanto a estrutura dos programas das disciplinas de primeiro e segundo graus, embasados numa educação crítica e criadora, adaptada a realidade. No que se refere a escola, recomenda-se: elaboração de um plano piloto para turmas específicas de alunos repetentes, com planejamentos e programas especiais, bem como professores preparados, com assessoramento técnico pedagógico da equipe de especialistas para acompanhamento, controle e avaliação do desempenho do aluno; estudos e revisão sobre a sistemática da recuperação e montar uma situação piloto, com alunos matriculados na segunda série com dependências em algumas disciplinas.


Inclui bibliografia.

CASTRO, Elba Irene Diaz. Representações sociais em estudantes trabalhadores. Campinas, 1984. 104 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Estadual de Campinas.

ORIENTADOR(A): FRANCO, Maria Laura Puglisi Barbosa.
DESCRIÇÃO:

Identifica as representações sociais (de si mesmo, da família, da escola, do trabalho e do mundo social) expressas pelos estudantes trabalhadores, mediados pela linguagem; identifica as ideologias e visão do mundo do estudante trabalhador, a partir de seus discursos; fornece dados e análises para o diagnóstico da situação do estudante trabalhador.


METODOLOGIA:

O estudo de caso deu-se através da autonarrativa. Desenvolveu-se a partir de um roteiro de entrevista com tópicos e pontos chaves, sem perguntas preestabelecidas. Depois da elaboração do roteiro, da seleção dos alunos e famílias e de realização da entrevista, os depoimentos, colhidos em forma de narração e descrição, foram transcritos. Os dados das narrativas foram agrupados em tópicos para organização das categorias de análise. Marli André foi utilizada para explicação da metodologia do estudo de caso.


CONTEÚDO:

Estudo de caso de um grupo de 15 alunos, com idades entre 17 e 22 anos, do segundo ano do segundo grau de uma escola pública. O objetivo foi perceber as representações dos alunos trabalhadores em relação a si mesmos e aos fatos do mundo social e histórico. Foram feitas entrevistas para posterior análise dos discursos. Estes basearam-se em categorias elencadas pela autora: relação pais-filhos, relação homem-mulher, igualdade-desigualdade social, indivíduo-sociedade, escolarização e seu oposto, e emprego-desemprego. Conclui-se que, para os sujeitos, a imagem do pai é negativa e a mãe costuma atenuar o autoritarismo do pai, apesar de ser passiva; o trabalho é fonte de renda, oportunidade de independência econômica, local de aprendizagem e de fuga de casa; e a escola é um meio para conseguir emprego e intelectualizar-se.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

A imagem do pai é negativa para 90% dos entrevistados: agressivo, fechado e autoritário. Em geral a mãe atenua o autoritarismo do pai, mas é passiva. Características como timidez, insegurança, rebeldia, etc. são frutos da incompreensão familiar. O trabalho é visto como fonte de renda, oportunidade de independência econômica, local de aprendizagem e de fuga de casa; o intelectual é mais valorizado do que o braçal. A escola é um meio para conseguir emprego e intelectualizar-se. As desigualdades sociais são vistas como naturais. A relação entre os sexos é conflitante. Propõe que se considere, na análise das representações sociais, categorias que possam ir além da divisão de classes, como, por exemplo, o sexo e a família. A escola deve mudar sua pedagogia elitista para libertadora, levando os alunos a analisar e interpretar a sociedade.


Inclui bibliografia.

CASTRO, Maria Regina Bortolini de. A vida e a morte nas representações de violência de crianças e adolescentes. Rio de Janeiro, 1998. 100 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio de Janeiro.

ORIENTADOR(A): MAZZOTTI, Alda Judith Alves.
DESCRIÇÃO:

Analisa as representações de violência presentes no imaginário de estudantes de uma escola pública e outra particular da cidade do Rio de Janeiro.


METODOLOGIA:

Foram escolhidos dez alunos na escola particular e quatorze na escola pública, dos quais vinte e um foram selecionados através de sorteio aleatório e os outros três, escolhidos em razão de suas vivências como meninos de rua. Todos os alunos tinham idade entre 10 e 19 anos, por ser essa a faixa etária mais atingida pela morte violenta no Rio de Janeiro. Utilizou-se a entrevista semi-estruturada, a técnica de associação e os desenhos como instrumentos de coleta. A análise das associações foi feita a partir dos escritos sobre representação social do estudioso francês J. C. Abric, e as entrevistas e desenhos interpretados com base na análise de conteúdo proposta por L. Bardin.


CONTEÚDO:

O estudo investigou as representações de violência presentes no imaginário de crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos, estudantes de uma escola particular e outra pública, na cidade do Rio de Janeiro. O roteiro da entrevista abordou os seguintes aspectos: experiências violentas, estratégias de superação da violência, relação entre projeto de vida e de morte prematura devido ao envolvimento com a violência. A análise do material coletado foi feita com base em J. C. Abric e L. Bardin. Não foram encontradas diferenças significativas nas representações por sexo e idade, mas se observou que para os alunos da escola pública a noção de morte é central nas representações sobre a violência, pois é ela que articula todos os demais elementos relacionados a esse fenômeno. Para os alunos da escola particular, a noção de crime parece ser o eixo articulador das demais representações acerca da violência.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

Observou-se que, na escola pública, o núcleo central das representações sobre violência é constituído pela noção de medo. Na escola particular, o eixo articulador reside na noção de crime. A posição diferenciada que ocupam faz com que os alunos da escola particular se percebam como vítimas da violência, diferentemente dos alunos da escola pública, que não são vitimas nem agressores, mas pessoas diante da possibilidade de morrer. Para estes últimos, a violência ganha uma dimensão maior, mais existencial e dramática.


Inclui bibliografia.

CATALANO CALLEJA, Carlos. A educação física vista pelos alunos dos cursos de licenciatura da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1989. 298 p. Tese (Doutorado em Educação) - Universidade de São Paulo.

ORIENTADOR(A): DIAS, José Augusto.
DESCRIÇÃO:

Identifica, evidencia e compara as disposições afetivas de universitários em relação a educação física e investiga em que medida há dependência entre elas e as variáveis independentes sexo, faixa etária e áreas de estudo.


METODOLOGIA:

Investigação descritiva "ex post facto" do tipo transversal. Foram consideradas variáveis independentes: sexo, idade e áreas de estudo e como variáveis dependentes: disposições afetivas dos alunos em relação a educação física. O universo de pesquisa foi constituído pelos alunos matriculados na disciplina Estrutura e Funcionamento do Primeiro e Segundo Grau do curso de licenciatura da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Foi escolhido o questionário como instrumento adotado para coleta de dados. Este constituiu-se de 56 perguntas abertas e fechadas, sendo aplicado em classe no período de setembro a dezembro de 1986. Para a análise de dados, utilizou-se tratamento estatístico.


CONTEÚDO:

O trabalho objetivou identificar disposições afetivas de universitários em relação a educação física e em que medida existe influência do sexo, da idade e da área de estudos na formação dessas disposições. Fundamentou-se em um referencial teórico que abordou aspectos históricos e legais da educação física. A investigação caracterizou-se por uma pesquisa descritiva "ex post facto" do tipo transversal, junto a 298 alunos do curso de licenciatura da USP, vinculados as áreas de ciências biológicas, humanas e exatas. Utilizou-se um questionário, e as hipóteses de nulidade foram testadas através da prova do qui-quadrado. As informações obtidas serviram de base para recomendações tendentes ao desenvolvimento da prática da educação física no meio universitário.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

Embora a educação física não tenha se configurado como matéria preferida tanto em nível de primeiro quanto de segundo grau, o universitário demonstrou possuir ampla visão sobre sua importância no sistema de ensino. O estudante possui atitudes favoráveis a essa disciplina, embora sejam contrários a obrigatoriedade no terceiro grau. A maioria não pratica com regularidade atividades de educação física devido a compromissos intelectuais, e outros diretamente voltados a sua formação. A educação física, quando ministrada através da modalidade esportiva, tem o poder de melhor satisfazer os interesses dos universitários. A maioria das disposições afetivas dos universitários não é influenciada pelas variáveis independentes: sexo, faixa etária e áreas de estudo, e sim por uma questão puramente pessoal. Recomenda: que a legislação a respeito da educação física seja cumprida, já que atende satisfatoriamente aos objetivos desta disciplina; a realização de estudos científicos e debates a respeito das atividades de educação física, ao invés de progressivamente ir aumentando a lista daqueles que tem direito a não praticá-la; a universidade deve incrementar o oferecimento da disciplina através de modalidade esportiva, tanto no período diurno quanto noturno, para melhor atender preferências e disponibilidade de horários dos alunos; respaldar e subvencionar com maior ênfase as iniciativas das associações atléticas da LAAUSP, promovendo e multiplicando a realização de torneios, competições e outras manifestações esportivas; incentivar outras investigações a respeito da educação física no terceiro grau, particularmente para verificar razões que dificultam ou impedem aproveitamento do tempo ocioso no desenvolvimento da atividade esportiva.


Inclui bibliografia.

CAVALARI, Rosa Maria Feiteiro. Os limites do movimento estudantil (1964-1980). Campinas, 1987. 289 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Estadual de Campinas.

ORIENTADOR(A): VIEIRA, Evaldo Amaro.
DESCRIÇÃO:

Teve por objetivo analisar as possibilidades e limites do movimento estudantil das décadas de 60 e 70, através de uma reconstrução e contextualização histórica deste movimento.


METODOLOGIA:

Elabora uma reconstrução histórica do movimento estudantil das décadas de 60 e 70, privilegiando as declarações da época a partir da análise de documentos tais como jornais e revistas. São também utilizados estudos anteriores sobre o movimento estudantil. Para reconstruir a conjuntura histórica do período investigado utiliza-se de dados secundários.


CONTEÚDO:

O estudo faz uma análise do movimento estudantil universitário, mais precisamente da esquerda desse movimento, nas décadas de 60 e 70, procurando-se apontar seus limites em relação as possibilidades de transformação social. Objetivando reconstruir o movimento estudantil procurou-se, sempre que possível, privilegiar as declarações da época dando ênfase na análise de jornais, revistas e documentos estudantis. Para a reconstrução histórica foram utilizadas fontes secundárias. Procurou-se mostrar que, por ser a praxis estudantil determinada pela situação de classe dos estudantes, essa praxis ficará sempre restrita as aspirações da pequena burguesia, mesmo quando assume características de radicalização. Em decorrência, conclui-se que mesmo em seus momentos de maior expressão - 1968 e 1977 - o movimento estudantil não chegou a ameaçar a ordem estabelecida. Foi um movimento da pequena burguesia, interessada em ampliar suas oportunidades, apesar da forma radicalizada de que se revestiu. Assinala-se, portanto, a impossibilidade de o movimento estudantil ser um agente de transformação social, devido as ambigüidades e contradições de classe que o identificam.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

A realização do estudo permitiu refutar os estudos de Bresser Pereira e de Martins Filho, pois mostraram-se limitados para compreender o movimento estudantil. O estudo de Foracchi mostrou ser mais adequado, pois a partir dele é possível investigar a praxis estudantil como uma determinação de classe e analisar o movimento dos estudantes como um movimento dos setores médios em ascensão social. Durante o período investigado, os estudantes assumiam posições que, além de refletirem a ambigüidade e indefinição características de sua situação de classe, evidenciavam a limitação de seu radicalismo. Tanto a luta pela reforma universitária, na década de 60, quanto a defesa do ensino público e gratuito, colocaram-se como necessidades das camadas médias em ampliar suas oportunidades educacionais, com vistas a ascensão social. Nem em seus momentos de maior expressão o movimento estudantil chegou a ameaçar a ordem estabelecida. Foi um movimento da pequena burguesia, interessada em ampliar suas oportunidades, e seus resultados não poderiam ter sido diferentes, pois o limite de suas ações estava dado pela sua vinculação de classe.


Inclui bibliografia.

CESAR, Maria Rita de Assis. A invenção da adolescência no discurso psicopedagógico. Campinas, 1998. 133 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas.

ORIENTADOR(A): CAMARGO, Ana Maria Faccioli.
DESCRIÇÃO:

O estudo buscou analisar criticamente o discurso psicopedagógico que constituiu a adolescência como problema. Foram questionados os pressupostos históricos e sociais que serviram de base para a formulação desse tipo de concepção médica e psicológica da adolescência.


METODOLOGIA:

Foram analisados manuais de psicologia da adolescência, desde os tratados do início do século XX até os escritos dos anos setenta, quando observou-se um decréscimo na produção de textos de psicopedagogia da adolescência.


CONTEÚDO:

O estudo teve como objetivo refletir criticamente sobre os discursos da adolescência como problema. Investigou-se a constituição histórico-discursiva do sujeito adolescente enquanto objeto das ciências médicas e psicopedagógicas. As fontes de pesquisa foram os manuais de psicologia da adolescência, desde os primeiros tratados do início do século XX até aqueles produzidos na década de setenta. Observou-se que a constituição da adolescência como objeto do discurso científico remonta da consolidação da biologia e da medicina, e da implantação das políticas de higiene. Num primeiro momento, a adolescência aparece associada a delinqüência juvenil e do jovem masturbador, figuras representativas do comportamento transgressor. Nos anos cinqüenta as transformações culturais acabaram por focalizar a sexualidade adolescente de outro ângulo, não mais através do adolescente delinqüente, mas do rebelde sem causa. Com a chegada dos movimentos políticos dos anos sessenta e setenta, o adolescente passou a ser visto como o principal protagonista das mudanças sociais e culturais. Foi traçada, também, uma relação recorrente entre adolescência e sexualidade através da metáfora da explosão hormonal, que permaneceu hegemônica no discurso da psicologia da adolescência.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

As teorias que associavam a adolescência a uma crise orgânica, psíquica e social, presentes nos manuais do início do século, sofreram deslocamentos importantes a partir da década de setenta, muito embora seja possível identificá-las nas entrelinhas de vários textos contemporâneos. Esgotava-se, também, o registro discursivo em torno da adolescência como período preparatório para uma idade adulta ideal. Assim, particularmente a partir dos anos oitenta, um novo discurso é fortalecido, aquele da literatura de auto-ajuda orientada pelo individualismo e pela busca da felicidade através do consumo. Diferentemente do início do século, quando os manuais respondiam a consolidação científica da biologia e medicina e portanto eram produzidos com preocupações de cientificidade, nos anos oitenta e noventa os escritos passam a adotar uma linguagem popular, já que se dirigem ao público em geral.


Inclui bibliografia.

CLARO, Maria Aparecida de Lima. Procedimentos formais e informais de seleção do estudante universitário : um estudo sobre seletividade no ensino superior . São Carlos, 1983. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de São Carlos.

ORIENTADOR(A): SISTO, Fermino Fernandes.
DESCRIÇÃO:

Busca identificar os fatores externos e internos que podem estar provocando a seletividade no sistema de ensino universitário, analisando a seleção enquanto mecanismo do sistema. São colocadas 2 questões: através de quais procedimentos formais e informais são selecionados os estudantes do ensino superior?; como podemos medir e avaliar a atuação destes procedimentos?


METODOLOGIA:

Foram realizados estudos de três grupos de trabalhos: análise de legislação referente ao ensino superior brasileiro; exame de trabalhos teóricos e empíricos cuja temática é a seletividade; exame dos dados secundários apresentados por trabalhos empíricos (levantamentos, pesquisas, relatórios) que caracterizam a clientela do curso superior, através dos quais buscou-se verificar a relevância dos fatores apontados pelo segundo grupo de trabalhos analisados.


CONTEÚDO:

A pesquisa tem como tema a seletividade no sistema de ensino universitário em geral. Foi procedida a análise de três grupos de trabalhos: a legislação que fixa o processo formal de seleção de candidatos ao ensino superior; trabalhos que apontam fenômenos informais, internos e externos, que agem na formação da população universitária; trabalhos empíricos realizados por pesquisas anteriores, a partir dos quais foi possível avaliar a atuação dos procedimentos informais de seleção. As conclusões da pesquisa permitem afirmar que a seletividade ao nível de terceiro grau não é operada somente a partir de mecanismos formais, como o nível socioeconomico, mas sofre grande influência de fatores informais e sutis, difíceis de serem identificados. Aponta três tipos de indicadores de seletividade: aqueles que permitem predizer que os estudantes de primeiro e segundo graus terão maiores ou menores chances de ascender ao ensino de terceiro grau; aqueles que permitem indicar quais os inscritos no vestibular que terão maiores chances de ingressarem no curso e instituição de sua escolha. Entre os indicadores de seleção de alunos da universidade, temos: motivos da escolha do curso, taxas de evasão e retenção, turno cursado, características do estabelecimento universitário e número de conclusões.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

As conclusões da pesquisa permitem afirmar que a seletividade ao nível de terceiro grau não é operada somente a partir de mecanismos formais, como o nível socioeconomico, mas sofre grande influência de fatores informais e sutis, difíceis de serem identificados. Aponta três tipos de indicadores de seletividade: aqueles que permitem predizer que os estudantes de primeiro e segundo graus terão maiores ou menores chances de ascender ao ensino de terceiro grau, a saber, entidade mantenedora da escola, nacionalidade e escolaridade dos pais e avós, local de moradia, aproveitamento, profissão dos pais, renda familiar, composição do grupo doméstico, propriedades da família, cursos extra-escolares e turno freqüentado. Estes fatores também estão presentes na predição de quais os candidatos inscritos no vestibular terão maiores chances de ingressarem no curso e instituição de sua escolha, acrescidos de: distribuição etária, sexo, número de tentativas de ingresso, ocupação do estudante, preparação para o vestibular, tipo de provas, competitividade e escolaridade dos irmãos. Entre os indicadores de seleção de alunos da universidade temos: motivos da escolha do curso, taxas de evasão e retenção, turno cursado, características do estabelecimento universitário e número de conclusões. As pessoas encarregadas da definição de políticas educacionais no Brasil devem levar em consideração os processos de discriminação, de modo que a parcela da população que se encontra atualmente a margem do sistema possa ser atendida em seus anseios por educação. Cabe ainda refletir sobre o papel que a sociedade brasileira espera que seja desempenhado pelo sistema educacional.


Inclui bibliografia.

CLIMACO, Adelia Araújo de Souza.




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