Juventude abrahãO, Maria Helena Menna Barreto. As relações educação e trabalho na escola do “não-trabalho”


Repensando as concepções de adolescência



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Repensando as concepções de adolescência. São Paulo, 1991. 95 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

ORIENTADOR(A): FRANCO, Maria Laura Puglisi Barbosa.
DESCRIÇÃO:

Busca repensar as concepções de adolescência, a partir do pressuposto de que existe uma vinculação entre as especificidades do processo da adolescência do indivíduo e suas condições sócio-econômico-culturais, da qual as concepções convencionais não dão conta. Compreender até que ponto - dependendo da inserção social do indivíduo- o processo de adolescência se diferencia, assumindo coloridos específicos.


METODOLOGIA

O estudo privilegia aspectos qualitativos e usa como metodologia análise de discurso, análise de conteúdos, questionários e entrevistas semi-estruturadas.


CONTEÚDO:

Objetivou repensar as concepções de adolescência a partir do pressuposto de que existe uma vinculação entre as especificidade do processo da adolescência do indivíduo e suas condições sócio-econômico-culturais, da qual as concepções convencionais não dão conta. Desenvolve-se, assim, uma fundamentação a partir de algumas obras e, ao mesmo tempo, uma pesquisa empírica junto a um grupo de adolescentes - alguns de classe trabalhadora, inseridos no mercado de trabalho, outros de classe média, sem experiência de trabalho - todos freqüentando regularmente a escola (oito jovens de idade entre 15 e 18 anos). Os resultados indicaram que, dado o profundo contraste social que caracteriza a população brasileira, torna-se questionável tratar a adolescência de forma padronizada mesmo levando em conta que, por efeito de fatores culturais, principalmente dos meios de comunicação de massa, os adolescentes constróem interpretações semelhantes, independentemente do meio social que pertencem.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

O acentuado antagonismo social a que se expõe nossa população, ao definir modos de vidas tão distintos para os jovens, definem, também, diferentes formas de passagem da infância para a idade adulta, o que torna extremamente questionável tratar a adolescência de forma padronizada. Além disso, por força de influências culturais, ocorre uma certa "quebra" no forte impacto das diferenças de classe, produzindo uma aproximação nas representações sociais dos adolescentes. Propostas de ensino que invistam no potencial do indivíduo poderão favorecer o desenvolvimento dos jovens, influenciando-os na formação de um pensamento mais complexo e crítico. É imprescindível apreendermos os significados essenciais da condição do jovem na nossa sociedade. Para tanto, precisamos de uma concepção de adolescência que tenha por base uma compreensão histórica do comportamento humano.


Inclui bibliografia.

COELHO, Suzana Lanna Burnier. As disciplinas dos indisciplinados : código de normas e valores de jovens favelados de uma área industrial. Belo Horizonte, 1992. 157 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Minas Gerais.

ORIENTADOR(A): ARROYO, Miguel Gonzales.
DESCRIÇÃO:

Investiga os processos de construção dos sistemas de regras de condutas de jovens trabalhadores, buscando compreender os modelos de humanidade que perpassam tal grupo, em termos de aspirações e realização cotidiana e pretende identificar as influências carreadoras de tais lógicas.


METODOLOGIA:

Para compreender o universo cultural dos jovens foi realizada uma pesquisa etnográfica com duração de 18 meses através de uma observação direta utilizando como instrumento a entrevista com os jovens.


CONTEÚDO:

O trabalho constitui-se numa pesquisa etnográfica, através da qual se busca identificar os diferentes modelos de comportamento de jovens favelados. Analisa as normas e valores que são absorvidos, recusados ou ressignificados pelos diferentes subgrupos, identificando-se as influências que interferem em tais opções. O processo educativo, formador dos comportamentos e valores destes jovens, aparece, então, como processo social amplo onde variáveis como a pertença racial, o sexo, o processo de urbanização, o tipo de inserção no mercado de trabalho, a escolarização etc., vão definindo os diferentes modelos de comportamento adotados e as identidades passíveis de serem construídas a partir de então. No bojo de tal análise, busca-se identificar os mecanismos de interação entre as disciplinas gestadas pela moderna sociedade do trabalho e os jovens favelados com seus valores. Tendo como conclusão a constatação de que fatores como a estrutura do mercado de trabalho, a distribuição de renda, a estrutura urbana não são meros cenários onde se desenrolam processos de formação de hábitos, valores e comportamentos, intervindo no processo educativo. Os jovens procuram fugir da posição de estigmatizados buscando adquirir padrões disciplinares socialmente valorizados, sendo impedidos pelas condições objetivas em que estão inseridos.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

O estudo conseguiu, do que se propôs, apenas arranhar a superfície do universo cultural de jovens trabalhadores favelados. Observou-se que as estruturas sociais cobram dos indivíduos seu enquadramento nos padrões modernos de comportamento de tal forma que pretendem excluir dos espaços sociais aqueles que não correspondem à demanda. A experiência da exclusão aparece assim como uma marca comum que perpassa os diferentes modelos de humanidade presente no universo cultural destes jovens. Questões como a estrutura do mercado de trabalho, distribuição de renda, dos benefícios sociais não constituem um mero cenário onde se desenrolam os processos de formação de hábitos, valores e comportamentos. Ao contrário, tais fatores mostraram possuir uma forte intervenção nos processos educativos, atuando como verdadeiros "filtros" que definem a possibilidade ou não de acesso dos sujeitos aos padrões exigidos. Verificou-se que os jovens convivem com estigmas de marginalizados, pobres e procuram adquirir padrões disciplinares socialmente valorizados, mas as condições objetivas em que se encontram inseridos atuam de forma a impedir tal aquisição. Os que alcançam um tipo de inserção social mais vantajosa não estão, necessariamente, assumindo uma atitude conformista com relação as estruturas sociais, uma vez que pode implicar também na construção de novos parâmetros articulados para os interesses do polo dominado da sociedade. A maioria dos jovens não tem encontrado condições de uma inserção positiva, construindo modelos alternativos e o momento captado pelo estudo era como que de espera, de suspensão: desempregados, expulsos da escola, desocupados, amparados pela família e vizinhança que buscam ajudá-los a resistir a inserção no mundo do crime. Merecem estudos posteriores muitos elementos da vida e da cultura da juventude trabalhadora, devendo serem aprofundados: a questão dos meios de comunicação de massa e da indústria cultural, a experiência religiosa, a vida sexual, entre outros elementos que não foram aprofundados neste estudo.


Inclui bibliografia.

CONSTANTINO, Elizabeth Piemonte. Meninos institucionalizados : a construção de um caminho. Marília, 1997. Tese (Doutorado em Educação) - Universidade Estadual Paulista - Campus de Marília.

ORIENTADOR(A): CARIOLA, Teresa Corrêa.
DESCRIÇÃO:

Descreve e analisa os tipos de cuidados oferecidos a meninos residentes, numa instituição de caráter beneficente de orientação religiosa, localizada na região Oeste do Estado de São Paulo. Paralelamente, visou-se não só acompanhar a trajetória da instituição, relacionando-a às principais diretrizes das políticas públicas de proteção a infância no Brasil, mas também reconstituir os caminhos percorridos por ex-internos na organização de suas experiências pós-internato.


METODOLOGIA:

Entrevista não diretiva tendo em vista a análise da representação social. Utilizou-se diversos tipos de documentos: atas, prontuários de ex-internos, artigos de jornal e de entrevistas a funcionários e membros da comunidade local integrantes do Conselho Diretor da Casa e de pessoas que, de alguma forma, estiveram ou estão relacionadas a entidade.


CONTEÚDO:

Estamos nos aproximando do terceiro milênio e a sociedade brasileira se encontra ainda diante do desafio de oferecer condições dignas de vida a maioria da população. As crianças e os jovens, representando um extenso segmento dessa população, são consequentemente vitimas do abandono e desamparo das famílias, sendo então recolhidas em instituições de assistência. Embora, a partir da década de 80, tenham aumentado de maneira considerável os trabalhos conduzidos por pesquisadores sobre os problemas de internação da criança abandonada em instituições governamentais como a Funabem e a Febem, ressente-se da falta de estudos que caracterizam os modos de funcionamento das entidades filantrópicas ou beneficentes. Neste sentido, a presente pesquisa, baseando-se em dados anteriores sobre o assunto, objetivou descrever e analisar os tipos de cuidados oferecidos a meninos residentes, numa instituição de caráter beneficente de orientação religiosa, localizada na região Oeste do Estado de São Paulo. Paralelamente, visou-se não só acompanhar a trajetória da instituição, relacionando-a às principais diretrizes das políticas públicas de proteção a infância no Brasil, mas também reconstituir os caminhos percorridos por ex-internos na organização de suas experiências pós-internato. Priorizando uma perspectiva histórica de análise do problema, as principais conclusões deste estudo tendem a indicar que a entidade em questão apresentou características mais positivas de estrutura e funcionamento, quando comparada com outras do tipo Febem. E também, como conseqüência, parece que a instituição tem proporcionado maiores possibilidades de inserção social e adaptação dos jovens egressos a comunidade.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

As principais conclusões desse estudo, tendem a indicar que a entidade em questão apresentou características mais positivas de estrutura e funcionamento, quando comparada com outras do tipo Febem. E também, como conseqüência, parece que a instituição tem proporcionado maiores possibilidades de inserção social e adaptação dos jovens egresso a comunidade.


Inclui bibliografia.

CORDEIRO, Ana Paula. Os meninos da rua da descida : uma proposta de arte e vida através do teatro. Marília, 1997. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Estadual Paulista - Campus de Marília.

ORIENTADOR(A): KOSMINSKY, Ethel Volfzon.
DESCRIÇÃO:

Desenvolve oficinas de teatro a fim de verificar as condições de vida e a forma de ver o mundo das crianças das camadas excluídas da população de Marília (SP).


METODOLOGIA:

Através das oficinas, as crianças elaboraram peças a partir da criação de histórias. Essas peças constituíram-se no principal material de análise. Além, das peças utilizou-se de diários de campo, questionário, conversas informais, jogos teatrais e fitas de vídeo.


CONTEÚDO:

A pesquisa visa desenvolver oficinas de teatro junto às crianças das camadas excluídas da população de Marília, atendidas pelo Seama (Serviço de Atendimento ao Menor e Adolescente), a fim de verificar as suas condições de vida e formas de ver o mundo. Busca também avaliar se o teatro é capaz de interferir de forma positiva na aprendizagem, no desenvolvimento da socialização, da autonomia, da criatividade e do senso crítico das crianças. Através das oficinas, elas elaboraram peças a partir da criação de histórias. Essas peças constituíram-se no principal material de análise. Além, das peças utilizou-se de diários de campo, questionário, conversas informais, jogos teatrais e fitas de vídeo. As conclusões indicam que os objetivos foram alcançados, pois as crianças revelaram muito de si mesma através das peças e apresentaram, ao longo do trabalho, um comportamento mais autônomo, crítico e inventivo.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

As conclusões indicam que os objetivos foram alcançados, pois as crianças revelaram muito de si mesmas através das peças e apresentaram, ao longo do trabalho, um comportamento mais autônomo, crítico e inventivo. Através da oficinas, buscou sempre resgatar a fala das crianças, que se configura nos seus mais pequenos atos. Durante os exercícios, se percebeu que certas crianças comunicavam melhor algumas através de seus movimentos. Outras, através de suas palavras e, algumas ainda, através do silêncio. Cada uma delas possuía características próprias, únicas. No entanto, todas foram perfeitamente capazes de criar, de comunicar sentimentos e de agir com autonomia, respeitando o grupo. O teatro propiciou tudo isso. As oficinas foram o principal procedimento do trabalho para a concretização dos objetivos que o autor propôs a cumprir. As crianças revelaram seu mundo, criaram suas próprias histórias, foram agentes durante todos o processo de elaboração das peças, dialogaram entre si, criticaram o trabalho, sugeriram e tomaram decisões, foram responsáveis. Por isso, o autor passou a acreditar cada vez mais na força do teatro como elemento essencial de uma educação que vise exercício da liberdade. Porque o teatro é uma arte que propicia esse exercício.


Inclui bibliografia.

CORDEIRO, Suely Amélia Bayum. Interação professor-aluno : concepção de professores e alunos de sétima séries. São Paulo, 1995. 136 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

ORIENTADOR(A): PLACCO, Vera Maria Nigro de Souza.
DESCRIÇÃO:

Investiga como professores e alunos das sétimas séries concebem a interação professor-aluno, em sala de aula, e o papel desta interação no processo ensino-aprendizagem.


METODOLOGIA:

A pesquisa de campo deu-se em uma escola de primeiro grau e CEFAM, da rede de ensino público do Estado de São Paulo. Foram investigados, através de questionários, 71 sujeitos, alunos e professores, dos turnos matutino e vespertino. Categorias de respostas foram levantadas e realizados agrupamentos de questões, o que tornou possível apreender temas transversais emergentes, que foram analisados qualitativamente.


CONTEÚDO:

Analisa as concepções de professores e alunos das sétimas séries sobre a interação professor-aluno, em sala de aula, e o papel desta interação no processo ensino-aprendizagem. Com base na teoria sociointeracionista de Vygotsky, procurou-se mostrar a interação professor-aluno, como espaço privilegiado para a construção conjunta do conhecimento, o que envolve um movimento dialético das dimensões cognitivas e afetivas. A pesquisa de campo deu-se em uma escola de primeiro e segundo graus da zona oeste de São Paulo, na qual foram investigados, através de questionários, 71 sujeitos, alunos e professores, dos turnos matutino e vespertino. Os resultados mostraram que há pouca reflexão e valorização do papel da interação professor-aluno no processo ensino-aprendizagem. Tais dados indicam a necessidade de o orientador e outros educadores trabalharem mais próximo do cotidiano do professor e do aluno, criando oportunidades de discussão e reflexão, a fim de se alcançar uma prática de interação pedagógica professor-aluno mais eficaz.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

Na concepção dos alunos existe possibilidade de construção conjunta, desde que o professor ajude o aluno a estudar, já o professor se coloca como "promotor" da aprendizagem e do conhecimento, sem se dar conta da parceria e dos desafios que deve propor aos alunos. Os resultados mostraram que há pouca reflexão e valorização do papel da interação professor-aluno no processo ensino-aprendizagem. Tais dados indicam a necessidade de o orientador e outros educadores trabalharem mais próximo do cotidiano do professor e do aluno, criando oportunidades de discussão e reflexão, a fim de se alcançar uma prática de interação pedagógica professor-aluno mais eficaz.


Inclui bibliografia.

CORDEIRO, Verbena Maria Rocha. O ensino noturno de segundo grau : configuração e relação com os trabalhadores/alunos. Salvador, 1985. 136 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal da Bahia.

ORIENTADOR(A): PICANÇO, Iracy Silva.
DESCRIÇÃO:

A pesquisa tem como objeto o ensino noturno de segundo grau da cidade de Salvador. Focaliza, sobretudo, os alunos-trabalhadores, tentando apreender suas representações sobre a escola, curso e turno freqüentados, bem como compreender como elaboram a articulação destas opções com o mundo do trabalho. A pesquisa parte de algumas questões: como se coloca o ensino de segundo grau para os alunos-trabalhadores, nas condições concretas em que este se realiza; que razões levam o trabalhador a buscar o curso noturno; qual a relação entre seu atual emprego e o curso procurado; o curso noturno se constitui apenas num reforçador da estrutura de classes?


METODOLOGIA:

A pesquisa teve duas etapas. A primeira consistiu em levantamento do número de escolas de segundo grau de Salvador, que deu-se a partir de dados secundários para as escolas públicas e dados primários para as privadas. Foi definida uma amostra aleatória composta por 9 escolas públicas e 6 privadas, as quais foram visitadas pela pesquisadora com o objetivo de obter um maior conhecimento da realidade dos cursos de segundo grau. Foram realizadas entrevistas com a direção, equipe técnico-pedagógica, professores e alunos, orientadas por um pequeno roteiro de questões. A segunda etapa consistiu num estudo de caso numa escola pública, baseado em observações do cotidiano escolar, na aplicação de questionários a todos os alunos (dos quais somente 674 responderam, correspondendo a cerca de 70% do total de alunos) e na realização de entrevistas com 10 alunos-trabalhadores e 7 professores. Os questionários eram formados por itens fechados e itens abertos.


CONTEÚDO:

Trata-se de pesquisa sobre o ensino noturno de segundo grau, focalizando os alunos-trabalhadores, suas representações sobre a escola, o curso e o turno que freqüentam, e como percebem as relações destes últimos - escola, curso e turno - com o mundo do trabalho. Focaliza-se o ensino noturno a partir de um quadro geral do ensino de segundo grau em Salvador. A pesquisa realizada permitiu afirmar que os alunos deste turno são geralmente jovens entre 18 e 23 anos. Descrevem-se, com base nos resultados de entrevistas com diretores, professores e outros agentes escolares, certos elementos da vida escolar que configuram a especificidade desse turno de ensino. A intenção foi compreender o que estes alunos trabalhadores buscam na escola após um dia de trabalho; e, em última instância, o que a escola pode representar para inserção ou manutenção desses jovens no mercado de trabalho, na perspectiva deles próprios que realizam, no turno noturno, um curso profissionalizante de segundo grau. Entendeu-se que a escola noturna, tal como existe, cumpre o papel que lhe foi determinado, perpetuando o ensino de segunda mão, incorporando uma série de elementos ideológicos que buscam ocultar sua realidade e contradições.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

Os alunos das escolas noturnas de segundo grau de Salvador são majoritariamente trabalhadores, semi ou não qualificados. Buscam a escola como meio de alcançar melhores posições sociais. A qualificação recebida na escola não corresponde às necessidades e aspirações dos alunos, enquanto classe social. Em geral, o discurso de diretores e professores varia da complacência a intransigência com os alunos trabalhadores. Atribuem o fracasso dos alunos a seu cansaço e a falta de tempo para estudar, sem reconhecer as causas estruturais e os aspectos sociais desta situação. Tal como existe, a escola noturna tem cumprido o papel de perpetuar um ensino de segunda mão que mascara as desigualdades sociais. Assinala as lacunas deixadas pela pesquisa e aponta algumas questões a serem investigadas: que interesses concretos estão determinando a manutenção dos cursos noturnos, considerando as pautas de interesses diversas de trabalhadores e capitalistas?; que papel desempenha o estado, enquanto elemento mediador frente a estas pautas de interesse?; como operam, no concreto, as estruturas de conhecimento/poder e as relações pedagógicas de hegemonia entre aluno-trabalhador/diretor-professor-patrão, e que significado tem para as relações entre escola e educação?


Inclui bibliografia.

CORREA, Maria Lúcia. Meninos e meninas de rua : um olhar sobre suas vivências e as repercussões destas em um programa de atendimento. Belo Horizonte, 1998. 151 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais.

ORIENTADOR(A): GIOVANETTI, Maria Amélia Gomes de Castro.
DESCRIÇÃO:

Investiga as relações estabelecidas entre os adolescentes e a vivência nas ruas, e seus impactos sobre as ações empreendidas por um programa de atendimento.


METODOLOGIA:

Foram realizadas entrevistas com sete adolescentes, dos quais três encontravam-se acolhidos pela família ou por alguma instituição, um morava numa Casa Lar e três continuavam estabelecendo uma relação intermitente entre a casa e a rua, permanecendo mais tempo nas ruas, todos eles freqüentadores, antigos ou atuais, da Casa Aberta, mantida pela Pastoral do Menor de Belo Horizonte. Foram coletados, também, os depoimentos de cinco educadores e duas coordenadoras do Programa.


CONTEÚDO:

O trabalho aborda as vivências de crianças e adolescentes no mundo da rua e as interferências dessas no processo educativo de um programa de atendimento. Foram realizadas entrevistas com sete adolescentes freqüentadores, antigos ou atuais, do espaço Casa Aberta, mantido pela Pastoral do Menor da Arquidiocese de Belo Horizonte e foram coletados depoimentos de cinco educadores e duas coordenadoras do Programa. Observou-se que as maiores dificuldades para que o Programa alcançasse eficácia eram as limitações profissionais dos educadores, a falta de ambiente físico adequado para a realização das atividades e a instabilidade dos próprios adolescentes no que diz respeito ao cotidiano nas ruas. É preciso instaurar espaços de expressão das vivências desses jovens de forma que elas se convertam nos principais parâmetros para as ações institucionais.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

Aponta a necessidade dos programas de atendimento buscarem conhecer de perto as vivências processadas pelos adolescentes nas ruas. Há uma atração fortemente exercida pelo espaço da rua sobre os adolescentes pobres e uma frágil delimitação entre esse espaço e o espaço da casa, quando ainda moram com suas famílias, o que nos ajuda a compreender a dificuldade que o Programa Casa Aberta tem de estabelecer demarcações claras entre seu espaço e a rua. Os adolescentes mostram-se mais sensibilizados com a sociabilidade gestada entre seus pares, num espaço de maior liberdade e expressão, aspecto que deveria ser levado mais a sério pelos programas a eles direcionados. Salienta-se a necessidade de relações mais individualizadas entre educador e educando e de um conhecimento mais aprofundado acerca das vivências dos adolescentes no espaço da rua.


Inclui bibliografia.

COSTA, Áurea de Carvalho. As palavras e as meias palavras : a evasão segundo os alunos e segundo os dados oficiais. São Carlos, 1995. 148 p. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de São Carlos.

ORIENTADOR(A): NOSELLA, Paolo.
DESCRIÇÃO:

Reflete sobre o problema do fracasso escolar, investigando suas diversas contradições e nuances. Aprofunda os estudos sobre evasão escolar nos cursos noturnos. Investiga as causas da evasão e busca formas de combatê-la.


METODOLOGIA:

Primeiramente buscou-se compreender o discurso da escola sobre a questão através da entrevista com uma supervisora de ensino, de consulta a documentos da Delegacia Regional e do levantamento estatístico de matriculados e evadidos em oitavas séries noturnas, feito em 16 escolas, com base no Registro e Controle do Resultado Final do Rendimento Escolar - modelo 73. Em segundo lugar buscou-se o discurso dos alunos. Para tanto foram feitas entrevistas não diretivas e gravadas com 9 alunos, das quais 7 foram transcritas e 4 escolhidas para a análise de discurso, baseada em Pecheux. Thiollent foi citado a respeito das pesquisas que envolvem levantamento estatístico, Michelar e Simon fundamentaram o conceito de entrevista não-diretiva e Orlandi a análise do discurso e da linguagem.


CONTEÚDO:

Estudo a evasão escolar em cursos noturnos, investigando suas causas e buscando formas de combatê-las, investigando suas diversas nuances e contradições. Foram estudadas 16 escolas da rede de ensino estadual de Rio Claro (SP), no período de 1981 a 1991. As principais constatações revelam que a evasão é uma das manifestações de improdutividade da escola e um gesto de resistência dos alunos. As repetências sucessivas durante a vida escolar, o trabalho concomitante e a falta de ações da escola para evitá-la são suas principais causas.


CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES:

A evasão é uma manifestação da improdutividade da escola e um gesto de resistência dos alunos a pressões decorrentes da disciplina da escola e do mundo do trabalho. É resultado da baixa qualidade de vida do trabalhador e da restrição de oportunidades. Contribuem para a evasão, o trabalho concomitante e a falta de ações da escola para evitá-la. Os entrevistados construíram uma imagem de culpa pelo próprio fracasso escolar; vêem a escola como um lugar de estudos, um meio de adquirir cultura, e de conseguir melhores lugares no mercado de trabalho e conseqüente ascensão social. Para a instituição escolar, a evasão é um prejuízo para o Estado e resultado do desinteresse do aluno.


Inclui bibliografia.

COSTA, Eloisa Helena de Campos.




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