Juventude universitária católica figurações e Configurações da Identidade entre Ação Religiosa e Luta Armada (1950/1964)



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Ação Católica Brasileira

1950




Portanto, observamos que grupos de Ação Católica, agora mais ampliados, surgem repensando a conjuntura nacional e maneiras como se poderia avançar em suas lutas sócio-religiosas. Essas novas organizações ainda seguiam os padrões da Igreja, com a separação de sexo e área de convivência.

A fala do depoente J nos permite analisar a ação de militância da JUC, na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, ao passo em que toma parte do contexto como protagonista da História.
A Ação Católica Especializada era também conhecida como Espiritualizada (ACE). Os jovens não tinham muita voz, pois os padres e as freiras eram quem comandavam tudo. A Igreja controlava. Nesta época, o Jovem passa a ser protagonista, pois a Ação Católica começa a atingir o jovem. A partir disto, vão surgindo mais adiante os movimentos: JAC, JEC, JIC, JOC e JUC (a, e, i, o, u da Juventude).

Foi no ano de 1950 que as Ações Católicas Especializadas se tornaram entidades espiritualizadas, mais específicas em suas ações, a partir da evolução da necessidade de ações mais ativas. Os estudos marxistas, tanto o doutrinal quanto o aplicado como o comunista, adentrava o país. Eram anos de atuação das congêneres JAC, JEC, JIC, JOC e a JUC – enquanto formações especializadas mais ativas de luta, deixando pouco a pouco a Ação Católica Geral, seus princípios absorvendo e expandindo novas bases de ação.

As ações católicas, portanto, passam a se organizar efetivamente, tornando-se um movimento social mais significativo pela autonomia da Igreja e tomada de decisão. Era a transformação gradual do pensamento dos grupos especializados inserida em ações que abrangiam diversos tipos de ocupação ligados a setores como a JAC – Juventude Agrária para os camponeses; a JEC – Juventude Estudantil para os estudantes de nível médio; a JIC – Juventude Independente para os profissionais recém-formados em escolas superiores, geralmente militantes egressos da JEC e da JUC; a JOC – Juventude Operária para os operários, e a JUC – Juventude Universitária para os estudantes de nível superior.

Todos esses setores especializados fizeram parte dos movimentos sociais mais relevantes na história da juventude católica do país. Os movimentos sociais dessas congêneres se apóiam mutuamente, embora sem estratégias bem definidas. Estudantes e trabalhadores tentam se articular na luta por uma sociedade melhor, levantando suas bandeiras no país. Havia uma quebra de liderança da Igreja e autonomia na escolha de seus líderes.

José Luiz Sigrist (1982, p. 29) sustenta que essa atitude da Igreja de captar os leigos por meio da juventude que seguia a linha cristã cria uma nova consciência que moveu a Igreja de tal maneira que ela se mostrou com o ideal fortalecido. As essências e formas exemplares já não respondiam aos seus anseios e nem aos de seus fiéis, que buscavam migrar para novos credos. Desse modo, a Igreja Católica foi se definindo pelas ações especializadas que mais tarde ingressaram na ideologia marxista. Os grupos defendiam a abolição de propriedades particulares dos meios de produção, lutando pela igualdade social.

Em agosto de 1954 a tensões no país chegaram a um grau mais avançado quando Carlos Lacerda sofreu o atentado que resultou na morte de um major da Aeronáutica, acontecendo acusações ao presidente Vargas. O vice-presidente Café Filho propõe a renúncia conjunta, mas Getúlio Vargas não aceita. Estes rompem, o clima fica tenso resultando adiante no suicídio de Vargas em agosto de 1954.

Com a morte de Getúlio Vargas, chamas udenistas são acesas contra esses movimentos e a figura do Vice-presidente Café Filho aparece assumindo em agosto de 1954 o país num clima de tensão. No plano internacional o contexto é a Guerra Fria e seus reflexos na América Latina e no caso do Brasil, o governo procurava diminuir os impactos produzidos pelos reflexos externos e internos. A divulgação da Carta Testamento de Vargas, num momento em que o então presidente emitiu nota oficial afirmando seu compromisso com a nação e com o povo, dando-lhes proteção especialmente para os humildes, que, aliás, era uma das metas anunciadas por Vargas.

Debates entre católicos reformistas continuam impulsionando as ações dos leigos. A JUC - ala da esquerda católica empenhada em mudar a sociedade pela possibilidade de recristianizar grupos num confronto entre a religião e a política, buscando evangelizar pessoas sensibilizando-as para essa construção de uma nova sociedade, de acordo com os direitos humanos.

As agremiações de esquerda conquistaram grande número de simpatizantes e as massas populares lutavam pelos mesmos interesses, reivindicando melhoria na qualidade de vida para a sociedade. O momento político das especializadas permitia preocupação com o modelo econômico, social e a depuração de políticas, criando um clima de tensão.

Segundo Fábio Régio Bento (1999, p 13)


A Igreja Reformista (1955-1964) e a Esquerda católica (1958-1964) possuíam em comum a vontade de mudar a sociedade. Procuravam alternativas estruturais que conseguissem resolver os graves problemas sociais do Brasil.
Se os grupos, no entanto, concordavam com o tipo de estratégia a ser adotada em vista desse desejo de mudança, estes não se articulavam para criar novas estratégias de ação centralizadora, inclusive de resistência. As soluções assistenciais no país eram insuficientes e as soluções estruturais como projeto de mutação social era ação grandiosa.

De acordo com Mainwaring (1989, p 66-67) “a CNBB era a principal força reformista da Igreja Católica e os bispos brasileiros pensavam num sistema capitalista reformado, dando melhores condições de vida para as massas”. Esses grupos estavam ainda submissos à Igreja Católica.

De acordo com o Estatuto da Igreja, essas ações específicas se organizam contando com o apoio da CNBB (criada em 1955) com o intuito de estabelecer uma ações mais efetivas em suas especialidades: campo, universidade, cursos secundários e grupos independentes. O organograma mostra as unidades irmãs:

Estrutura Organizacional


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