Kristina Logan Copyright 1991 by Barbara Beharry Freethy



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Kristina Logan

Copyright © 1991 by Barbara Beharry Freethy

Originalmente publicado em 1991 pela Silhouette Books,

Divisão da Harlequin Enterprises Limited.

Todos os direitos reservados, inclusive o direito de reprodução total ou parcial, sob qualquer forma.

Esta edição é publicada através de contrato com a

Harlequin Enterprises Limited, Toronto, Canadá.

Silhouette, Silhouette Desire e o colofão são marcas

registradas da Harlequin Enterprises B.V.

Todos os personagens desta obra são fictícios.

Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas,

terá sido mera coincidência.

Título original: Hometown Hero

Tradução: Maiza Prande

Copyright para a língua portuguesa: 1992

EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.

Av. Brigadeiro Faria Lima, 2000 — 3º andar

CEP 01452 — São Paulo — SP — Brasil

Esta obra foi composta na Editora Nova Cultural Ltda.

Impressão e Acabamento: Gráfica Círculo

CAPÍTULO I



Preciso urgentemene de um homem bonito, rico, alentoso e muito, muito famoso — declarou Angela Moretti, entrando esbaforida no escritório da Fundação Californiana de Auxílio à Infância.

— E é você que vai encontrá-lo para mim, Lucy. Lucy Michaels sorriu, divertida.— Ora, é claro que vou, mas só depois que tiver encontra­do um para mim mesma, Angela — comunicou, enquanto con­tinuava a selar a enorme pilha de envelopes que tinha diante de si.

— E, agora, por que você não deixa de sonhar um pou­co e me dá uma mãozinha com esta correspondência, hem, mocinha?

Angela ignorou o comentário e, afastando uma pilha de pa­péis que estava na cadeira em frente à escrivaninha de Lucy, sentou-se, dizendo, com ar preocupado:



  • Deixe isto para depois, Lucy. Agora temos um assuntomais urgente para resolver.

  • Chama de urgente achar um homem para você!? — ex­clamou a outra moça, em um tom divertido.

  • Não é para mim sua boba, é para a Fundação. — Subi­tamente, a atitude brincalhona de Angela Moretti tornou-se séria e profissional. — Nosso Festival de Gurmês Famosos pode virar um verdadeiro fiasco, se não encontrarmos o astro cer­to para atrair o público e obtermos a renda necessária para
    manter a Fundação. Veja bem, existem dezenas de políticos querendo participar, contudo, precisamos de alguém que te­nha bastante popularidade, caso contrário não teremos inte­ressados em saborear os pratos corriqueiros que estas pessoasfamosas irão preparar. Entendeu?

  • Pensei que você já tivesse conseguido convencer Stefan Morino a participar — comentou Lucy, sabendo que o que a moça dizia era verdade. A Fundação havia preparado um festival beneficente onde as pessoas famosos seriam os gur-mês do dia, e o dinheiro da venda de ingressos poderia signi­ficar um grande alívio para as parcas finanças da entidade.

— E acertei. Mas ele é apenas um violinista, Lucy. Não que eu tenha alguma coisa contra os músicos. Porém, precisamos de alguém mais conhecido para conseguirmos o sucesso dese­jado. Quer dizer, necessitamos de um homem forte, conheci­do, poderoso e...

— Pelo que vejo, já tem alguém em mente, não é mesmo? — interrompeu Lucy, conhecendo muito bem o discurso per­suasivo da amiga. — Vamos lá, diga logo de quem se trata.

— Bem, devo confessar que mais uma vez você está certa, minha cara. Já sei quem pode nos garantir uma boa renda... Que acha de Matt Kingsley?

Lucy meneou a cabeça de um lado para o outro, dizendo, taxativa:

— Ah, não, Angela. Pode parar. Não vou fazer o que vo­cê tem em mente.

— Ora, como pode falar assim? Eu nem falei nada ainda!

— Não falou mesmo! Entretanto, como a conheço muito bem, sei que vai querer que eu use as ligações que tenho com o mundo do beisebol para convencer o tal jogador a partici­par de nosso Festival de Gurmês Famosos! — exclamou Lucy, sentindo uma pontada de culpa por recusar o pedido antes mes­mo de ter sido feito.

— Oh, Lucy, por favor! — implorou a outra, fitando-a com olhar suplicante. — Estamos desesperados, minha cara. Sabe muito bem que a única esperança que temos de continuar com nosso trabalho social é conseguirmos um bom dinheiro com este evento. Se não obtivermos sucesso, então podemos desis­tir da maioria de nossos programas assistenciais.

Lucy recostou-se na cadeira e, suspirando profundamente, indagou, ressentida:

— Mas por quê justo Matt Kingsley? Há centenas de as-tros famosos em São Francisco que poderiam nos ajudar!

—Sei disto, porém Matt é o que está mais em voga no mo­mento. Ele é o famoso atacante do time dos Cougars e venceu I último campeonato praticamente sozinho, isto sem falar que 6 0 homem que tem o contrato mais vultoso de toda a história ilo beisebol. Matt Kingsley é a pessoa ideal para nós, Lucy. Be é um verdadeiro herói, a imprensa o idolatra, os fãs o ado­ram e até eu devo confessar que o acho o máximo.

Lucy deixou sua cadeira e caminhou até a larga janela que dava vistas para o Fisherman Wharf. Uma expressão triste estampou-se em suas faces bonitas quando ela pensou que já livera o bastante de heróis de beisebol para o resto de sua vi­da. Seu pai, Jack Michaels, tinha sido um dos maiores joga­dores de todos os tempos, porém não hesitara em decepcionar u própria filha.

Recuperando um pouco de seu autocontrole, voltou a en­carar Angela, enquanto dizia:

— Ora, deixe disto. Ele é apenas um jogador eficiente, não um deus.

— Ah, é? Então tente dizer isto para minha sobrinha de dez anos e para minha tia Ellie, de sessenta e cinco. As duas idolatram Matt Kingsley.

— Se é assim, por que você não pega o telefone e tenta fa­lar com o sujeito? — sugeriu Lucy, sabendo que nada faria com que a outra moça mudasse de ideia.

— Já fiz isto, e mais de uma centena de vezes, devo dizer. A verdade é que não consigo ir além da secretária do agente de Matt.

— E o mesmo acontece comigo — anunciou uma voz so­nora, vinda da porta atrás dela. Tratava-se de Robert Hud-son, um dos diretores da Fundação.

Robert era uma excelente pessoa, porém, quando os inte­resses das crianças estavam em jogo, ele se tornava implacável.

— Já está na hora de usarmos todas as nossas armas para conseguirmos que este tal jogador participe do Festival de Gurmês.

Lucy balançou a cabeça e comentou, desalentada:

— Bem que eu gostaria de ajudar, mas...

— Não tem esta história de mas, Lucy. Precisamos de Matt Kingsley e pronto — afirmou Robert, usando sua autoridade de chefe. — Agora, não quero saber como você vai fazer para conseguir que ele compareça. Vá lá e faça isto, menina. E isto é uma ordem entendeu!? — informou ele, com o dedo em ris­te, enquanto saía da sala.

— Robert sempre dá um jeito de fazer uma saída triunfal — comentou Angela, dando uma piscadela para Lucy. — E o que você vai fazer agora, minha cara?

Lucy sorriu tristemente, balançando a cabeça, deixando os cabelos dourados espalharam-se pelos ombros.

— E tenho outra saída que não seja seguir as ordens de meu superior?

— Suponho que não.

— Exatamente. Por isto mesmo vou entrar em ação e ten­tar convencer este tal de Matt Kingsley a lutar pela nossa causa!

— Assim é que se fala garota! — animou-a Angela Moret-ti, enquanto caminhava para seu próprio escritório.

Uma sonora buzina soou atrás de Lucy e ela instintivamen­te freou seu carro diante do estádio de beisebol de São Fran­cisco. Sentindo-se impotente, conduziu seu Honda azul-claro até o estacionamento. Enquanto executava a manobra, viu que um ônibus lotado de adolescentes barulhentos parava diante dos portões que conduziam aos vestiários.

Uma certa frustração a dominou ao recordar-se de que es­tava ali obrigada. A última coisa que desejava era assistir a um treino de beisebol e ver a maneira ridícula como os fãs se atiravam sobre seus ídolos. No entanto, sabia que aquela se­ria sua grande oportunidade de conseguir realizar a missão de que Robert lhe incumbira.

Durante dois dias havia tentado entrar em contato com o agente de Matt Kingsley, contudo o homem parecia estar sem­pre ocupado demais para atendê-la. Usara todos os artifícios possíveis, desde ligar no horário do almoço da secretária para ver se o próprio Sam Blakely atendia ao telefone, até ir pes­soalmente ao escritório e ficar plantada por duas horas numa sala de espera, sem conseguir ser atendida. A resposta era sem­pre a mesma: "Se o sr. Kingsley estiver interessado em parti­cipar, ele próprio telefonará para a Fundação, senhorita", dizia a secretária, como um robô, repetindo uma frase pela milési­ma vez.

Com um suspiro, Lucy desceu do carro e bateu a porta com i oda força, como se tal atitude pudesse diminuir aquela sen­sação de impotência que a dominava. Era triste, mas tinha de admitir que iria precisar da influência do pai para conseguir sucesso em sua missão.

Dale Howard era o presidente do time dos Cougars e tam­bém um dos melhores amigos de Jack Michaels. Portanto, tal­vez ele exercesse alguma influência sobre a estrela do time, o tal Kingsley.

Quando cruzou os portões de entrada, sentiu um forte aperto no coração ao recordar-se dos muitos momentos que passara em lugares como aquele, quando ainda era uma menina tola e ingénua.

O estádio estava silencioso, porém ela podia ouvir em sua mente os aplausos e gritos de guerra que ecoavam por ali, nos dias de competição. Um leve tremor a percorreu quando se lembrou das longas noites em que adormecia no colo de sua mãe, enquanto aguardava que o pai terminasse mais uma par­tida e as levasse para casa.

Aquelas deveriam ser doces recordações, entretanto, Lucy sentia-se traída e magoada todas as vezes em que pensava em Jack Michaels.

Procurou andar mais rápido na esperança de que aquela ati-vidade física pudesse ajudá-la a afastar os maus pensamen­tos, mas, para todos os lugares que olhava, havia uma pequena recordação de sua infância.

"Angela estava certa", pensou ela, observando a intensa movimentação de fãs pelos corredores do estádio. "Os Cou­gars devem ser mesmo o time mais famoso da temporada. Nun­ca vi tanta gente aparecer só para assistir a um simples treino!"

Quando ouviu o gritinho de uma garota diante da porta do vestiário dos jogadores, teve vontade de sair correndo dali.

A cena lhe era tão familiar, que quase podia se ver corrend atrás de seu pai, enquanto as fãs o assolavam com pedidos de autógrafos e outras coisas mais. Naquela época, conside­rava o grande Jack Michaels como seu herói...

Meneando a cabeça tristemente, contornou o pequeno gru­po de garotas e caminhou até o primeiro andar onde ficava o escritório do clube.

Uma recepcionista a interceptou assim que cruzou a soleira da porta e, depois de perguntar com quem gostaria de falar, indagou, parecendo enfadada:

— A senhorita tem hora marcada com o sr. Dale Howard?

— Não, mas serão só alguns minutos. Sou uma velha ami­ga — insistiu Lucy, sabendo de antemão que a recepcionista não acreditaria em suas palavras.

— Sinto muito — informou a moça, confirmando suas sus­peitas. — O sr. Howard não está mais aqui. O treino dos ba­tedores terminou faz quinze minutos, e ele já se foi. Não gostaria de deixar recado?

— Claro — concordou, mesmo sabendo que dificilmente aquela mensagem chegaria às mãos de Dale. No mundo do astros famosos do beisebol, só o que era realmente muito im­portante conseguia atenção dos dirigentes dos clubes. — Su­ponho que eu também não conseguiria falar com Matt Kingsley — arriscou, jogando sua última cartada.

A moça sorriu de leve e declarou:

— Bem, só se fosse a mãe, o pai ou o agente dele...

— Foi o que imaginei. Obrigada de qualquer forma. Lucy desceu as escadas lentamente. Odiava ter de voltar para

a Fundação sem ter uma boa notícia para dar a Angela e a Robert. Tinha certeza de que eles ficariam bastante desa­pontados.

Quando tornou a passar em frente ao vestiário dos jogado­res, notou que o pequeno grupo de jovens havia aumentado muito enquanto ela estivera no primeiro andar. Parou hesi­tante e uma outra ideia surgiu em sua mente.

Decidida, tentou abrir caminho por entre as fãs. Contudo, logo percebeu que não seria tão fácil assim.

— Ei, espere sua v.ez! — gritou uma garota, quando Lucy lentou passar a sua frente. Com um gesto rápido, as fãs em­purraram Lucy para seu devido lugar e ela precisou ficar na ponta dos pés para poder ver alguma coisa.

Subitamente, percebeu que aquela não tinha sido uma boa ideia. Imagine só se Matt Kingsley iria sair por ali e ter de en­frentar uma centena de fãs estéricas. Não conhecia bem o es­tádio de São Francisco porque, na época que seu pai jogava, eles moravam em Los Angeles, porém sabia que todos aque­les estádios tinha uma saída privada para que os jogadores pu­dessem escapar do assédio das tietes.

Estava se virando para sair dali quando a porta do vestiá­rio abriu e dois rapazes de porte atlético surgiram, para o de­lírio das garotas. Pela maneira realizada como eles atendiam aos apelos das jovens, Lucy logo descobriu que nenhum deles era Matt Kingsley, um astro nunca gostava de ser assediado daquela maneira.

Desgostosa, lembrou-se de como o pai tratava as moças que insistiam em persegui-lo após os jogos, e teve certeza de que o tal Matt já deveria estar bem longe daquela confusão.

Com um olhar observador, ainda tentou encontrar alguma pista de onde ficava a porta de saída por onde Kingsley deve­ria ter escapulido. Tudo que conseguiu avistar foi um guarda parado dó lado oposto do grupo de garotas.

— Com licença? — pediu, aproximando-se do segurança.

— Algum problema, senhorita? — indagou o homem de porte atlético.

— O senhor saberia me dizer se Matt Kingsley ainda está no estádio?

As outras fãs fizeram um súbito silêncio aguardando a res­posta à pergunta de Lucy.

— Não, o sr. Kingsley não treinou hoje.

Ouviu-se um murmúrio geral de desapontamento, porém Lucy foi a única que deixou o estádio. As demais resolveram insistir com a sorte para ver se conseguiam encontrar o herói do beisebol americano.

Toda aquela tietagem fazia com que Lucy Michaels se recordasse da garotinha idiota que fora um dia. Não gostava de pensar na maneira orgulhosa como revelava às outras me­ninas que era a filha do famoso Jack Michaels, e tudo aquilo lhe parecia um verdadeiro pesadelo. Precisava esquecer aque­la parte de sua vida, agora era uma mulher madura e não po­dia se dar ao luxo de se deixar afetar por alguns sonhos de infância que haviam sido destruídos impiedosamente.

O barulho do salto de seu sapato ecoava pelo estacionamento vazio enquanto ela caminhava para seu Honda parado mais adiante.

Estava começando a abrir a bolsa para pegar as chaves quan­do avistou um homem muito alto e másculo que caminhava em direção a uma reluzente Ferrari vermelha estacionada bem afastada dos demais veículos.

Instantaneamente, Lucy soube quem era aquela figura atraente. Tudo nele, desde os cabelos muito bem cortados até as pernas sensuais escondidas sob a calça jeans, denunciava sua posição de superstar.

Naquele exato momento, Lucy não parou para pensar em qual seria a reação de Matt Kingsley, apenas queria finalmen­te realizar o trabalho que a trouxera até o estádio. Com pas­sos rápidos, alcançou-o no instante em que ele abria a porta da Ferrari.

— Sr. Kingsley! Espere por favor. Preciso falar com o senhor.

Ele voltou-se surpreso, e era óbvio, pela expressão estam­pada no rosto bonito, que não estava satisfeito por ter sido interrompido.

— Está querendo um autógrafo? — perguntou ele, afas­tando as mãos dela que o seguravam pelo braço.

— Não. Quero você — respondeu Lucy, dizendo a primei­ra coisa que lhe veio a cabeça, sem perceber o quão infeliz ha­via sido na escolha das palavras.

— Sinto muito garota, não estou disponível. Por que não tenta um daqueles rapazes lá? — sugeriu, apontando para seus colegas de time que caminhavam cercados pelas fãs.

— Não foi isto que eu quis dizer! — exclamou Lucy, voltando a segurá-lo pelo cotovelo quando viu que ele tenciona­va entrar no carro. — Só desejo ter uma conversa com você. 1'reciso lhe fazer um pedido e...

— Hoje não, mocinha. Não tenho tempo para estas coisas. I í, por favor, solte minha manga — pediu ele, parecendo abor-i ccido com a insistência.

Lucy olhou para suas próprias mãos e só então percebeu que estava quase rasgando o suéter do rei do beisebol, tama­nha a força com que o segurava. Era inconcebível que estives­se tão exaltada apenas por precisar fazer um pedido a um simples jogador. Ainda mais que o pedido não era nem para cia. Por isto, tentou de novo.

— Escute, meu nome é Lucy e...

— Escute você, mocinha, não estou interessado em saber seu nome. Para ser franco, acho melhor nem saber. Só quero ir para casa e pegar uma boa cama... e sozinho. Ouviu? — disse Matt Kingsley, parecendo ficar seriamente zangado.

— Ora, mas só quero um minuto de sua atenção. Precisa­mos conversar — insistiu Lucy, exasperada.

— Conversar?! — repetiu ele, incrédulo. — Quer dizer que agora isto mudou de nome é?

— Sr. Kingsley...

— Droga! — vociferou Matt, respirando fundo. — Se eu lhe der o que deseja promete que vai embora?

— Sim, é claro — afirmou Lucy, não percebendo a que ele se referia, até que se viu envolvida por dois braços fortes e viris. — Ei? O que está fazendo!?

— Dando o que me pediu — murmurou Matt Kingsley, co­lando os lábios carnudos à boca delicada.

— Pare com isto! Pare já! — esbravejou Lucy, sentindo-se ultrajada. Não seria muito difícil impedir que aquele beijo prosseguisse, entretanto, por um breve momento, seu corpo traidor correspondeu aquele toque sensual do homem moreno.

Matt afastou-se e fitou-a, surpreso. Seus olhos verdes a ob­servaram detalhadamente, desde o terninho de linho creme até os sapatos de couro italiano. Pela primeira vez notava que aque­la moça não era mais uma adolescente que vivia a perseguiria!

Io. Aliás, precisava reconhecer que ela era uma mulher belís sima, com seus longos cabelos loiros caindo como uma relu zente cascata dourada por sobre os ombros delgados e com os olhos castanhos brilhando de indignação realçando a alvu ra da pele bem cuidada.

Deixando as mão caírem junto do corpo, Matt recostou-sc contra o carro e murmurou:

— OK, acho que já teve o que queria.

— OK?! Você me beija à força e depois vem me dizer com a maior cara deslavada que está tudo OK?!

Matt sorriu da expressão ultrajada e percebeu que estava começando a apreciar aquele encontro com a moça que se di­zia chamar Lucy.

— Bem, eu só estava tentando agradá-la.

— Ora seu, seu... Você é o homem mais arrogante que já conheci! — exclamou ela, sabendo que se utilizava de um cli­ché, mas sem conseguir dizer nada que fosse mais original. — É mesmo muita cara-de-pau!

Matt não parecia ofendido com os comentários.

— Foi você quem disse que me queria, lembra? — recordou-a, ficando cada vez mais interessado naquela história toda.

— Mas certamente eu não pedi que me beijasse, não é?

— Certo, certo. Reconheço que talvez tenha avançado o si­nal. Mas acontece que pensei que fosse uma fã. Contudo, agora que estou te vendo melhor, preciso admitir que não se parece com uma garotinha deslumbrada e nem beija como elas.

Lucy olhou-o furiosa, diante do comentário cheio de insi­nuações.

— O que está querendo dizer? — Antes mesmo que tivesse terminado de fazer a pergunta, percebeu que deveria ter ficado calada. Ele era apenas um jogador de beisebol, que dife- i rença faria a ideia que tinha dela? — Esqueça o que eu perguntei! — afirmou rapidamente.

Matt deu de ombros, enquanto sorria, zombeteiro.

— Tudo bem. Agora me conte quem é você e o que deseja de mim?

Lucy ergueu o rosto para ele completamente atónita. Enfim, apesar dos pesares, iria ter uma chance de realizar sua missão?

Sira melhor não perder tempo.

Tomando coragem, ela fez o máximo para recuperar seu ar profissional e declarou:

— Meu nome é Lucy Michaels — contou rapidamente. — Trabalho para a Fundação Californiana de Auxílio à Infân­cia. Vim procurá-lo para pedir que participe de um evento be­neficente que estamos realizando. Sei que é muito ocupado, mas...

O sorriso que bailava nos lábios sensuais desapareceu subi-lamente.

— Não vou poder. Estou muito ocupado.

— Mas é por uma boa causa, sr. Kingsley — insistiu Lucy. Matt meneou a cabeça negativamente.

— Sempre é. Gostaria de poder ajudar, porém justamente neste mês vou precisar me concentrar unicamente no beisebol. Quem sabe numa outra oportunidade...

— Mas será apenas uma noite. Algumas horas e estará ter­minado. E significaria tanto para a Fundação! As crianças, elas...

— Eu já disse não — cortou-a Matt, taxativo.

— Será que o senhor não quer nem mesmo saber para que utilizaremos a renda deste evento? Não tem nem tempo para ouvir o quanto algumas pessoas seriam beneficiadas com sua simples aparição em público?

— Tenho certeza de que tudo está sendo feito por uma boa causa. Mas existem centenas de casas de caridade espalhadas por ai. E eu definitivamente não posso fazer o que me pede. Sinto muito! — Aquelas palavras soaram mais rudes do que ele desejava, porém Matt havia passado o último mês envol­vido com assuntos de negócio e, agora, tudo que queria era se dedicar de corpo e alma ao beisebol e esquecer o resto do mundo.

—' Mas a temporada deste ano só vai começar daqui a seis semanas! — insistiu Lucy, sabendo que de nada adiantaria seu apelo. Não deveria se surpreender com a atitude de Matt Kingsley. Ele era um jogador de beisebol, e isto já falava por si só. Seu próprio pai nunca mexera um dedo para ajudar quem quer que fosse.

— Sei muito bem quando começa a temporada. Mas o bei­sebol vem primeiro, e quero estar pronto quando precisar en­trar em campo. Sinto muito.

Aquelas palavras suscitaram nela uma revolta antiga. Para Jack Michaels, o beisebol também vinha primeiro, por isto ele negligenciara a própria filha.

Furiosa, Lucy voltou-se para Matt, com a voz cheia de desprezo.

— Sente muito sr. Kingsley? Disto eu duvido! Está tão preo­cupado com seu próprio mundinho de superstar que não con­segue ver um palmo adiante do seu nariz. A única coisa com que se preocupa é em como segurar um bastão direito. Para você, o fato de que o dinheiro arrecado pela Fundação vai para o tratamento de crianças com câncer e outras infinidades de obras assistenciais não faz a menor diferença. Oh, Deus, odeio jogadores de beisebol! — exclamou, erguendo a voz de tal for­ma, que ecoou por quase todo estacionamento.

Matt fitou-a completamente estupefato. Ninguém jamais ou­sara falar com ele daquela maneira.

— Olhem, é Matt Kingsley! —. gritou uma garota, atraída pela voz de Lucy.

Quando a multidão de fãs finalmente chegou até Matt, ela soube que não havia mais nada a fazer e, com passos lentos, caminhou até seu carro e deixou o estádio para trás.

Robert e Angela aguardavam ansiosos no escritório e, quan­do se levantaram para recebê-la, com os olhos cheios de espe­ranças, Lucy sentiu um intenso mal-estar invadi-la. Murmurou, cabisbaixa:

— Sinto muito, não consegui.

Angela sorriu tristemente e afirmou, convicta:

— Já sei, não encontrou o nosso astro.

— Droga! — vociferou Robert, perdendo a paciência. — Precisamos daquele sujeito. A Fundação não aguentará nem mais dois meses se não tivermos uma boa renda com o festi­val. Escutem, fiquei sabendo que o tal Kingsley frequenta o Clube Real Atlético todos os dias entre as seis e as oito da ma­nhã. Que tal o abordarmos lá?

— Não vai dar certo — interferiu Lucy, tentando explicar melhor o que havia acontecido. — Eu...

— Ora, não podemos ser pessimistas, Lucy. Precisamos ten­tar é muito importante — interrompeu-a Robert.

—Eu sei que é — afirmou ela. — Mas acontece que já fa­lei com Matt Kingsley, e ele disse não. E, para piorar, acho que fui muito desaforada com o sujeito.

— Não acredito!? — gemeu Angela, boquiaberta com a re­velação.

— Infelizmente é verdade .

— O que você fez exatamente? — quis saber Robert, fran­zindo o cenho.

— Bem, pedi a ele que participasse de nosso evento e, co­mo ele foi logo dizendo não, perdi o controle. Eu o acusei de várias coisas, inclusive de ser um grande egoísta só preocupa­do em ganhar dinheiro.

Angela continuava a fitar a amiga, com expressão aturdida.

— Não acredito que teve coragem de fazer isto com um ho­mem como ele? — repetiu a moça.

— Ora, o que ele tem de tão especial? — replicou Lucy, não gostando da maneira como as pessoas idolatravam Matt Kingsley.

Robert olhou para ela com ternura e comentou, pensativo:

— Acho que eu não deveria ter lhe dado esta missão, Lucy. Deveria ter imaginado que suas próprias emoções estariam em jogo.

Infelizmente, ela precisava admitir que Robert tinha razão, mas não poderia deixar-se derrotar tão facilmente, por isto pegou um pedaço de papel e mostrou-o para os amigos.

— Vejam! Este é o telefone da casa de Dale Howard. Vou tentar falar com ele pessoalmente e ver se consigo que um dos outros jogadores participe do festival.

— Ora, os outros jogadores são fichinha perto de Kingsley

— comentou Robert, enquanto se dirigia para a porta. — Mas tente... De qualquer forma, não temos nada a perder — disse ele, sumindo no corredor.

Angela esperou que estivessem a sós e, depois de alguns ins­tantes, caminhou até a amiga e murmurou, com um sorriso:

— Vai dar tudo certo, Lucy! Agora, sabe que detesto me meter em sua vida, mas...

— Mas vai fazê-lo do mesmo jeito, não é? — respondeu Lucy, sabendo que por ter um diploma de psicóloga Angela às vezes era um pouco inoportuna, querendo analisar as emo­ções dos outros.

— Bem, não vou fazê-lo se você não quiser, minha cara!

— sussurrou Angela, desapontada. — Só pensei que poderia lhe fazer bem falar sobre sua reação à Matt Kingsley.

— Prefiro não falar no assunto. Tenho de voltar ao traba­lho urgentemente, se é que desejamos que este Festival de Gur-mês seja uni sucesso.

— Tudo bem. Se mudar de ideia, sabe que pode contar comigo.

— Sei, sim — afirmou Lucy, começando a ficar impaciente.

Boa sorte, então — desejou Angela, antes de sair.

Lucy voltou ao trabalho e, depois de pensar um pouco, re­solveu ligar para a casa de Dale Howard. Sabia que, se conse­guisse falar com ele, seu pedido não seria negado. Era só uma questão de driblar os auxiliares do homem.

Meia hora mais tarde colocava o telefone no gancho, desa­nimada. Discara o número de Dale, porém fora a secretária eletrônica que havia atendido e mais uma vez foi obrigada a deixar recado.

Cansada de tantos fracassos, resolveu voltar sua atenção para os outros projetos da Fundação e nem viu o quanto as horas passaram. Quando já eram mais de cinco e meia recebeu um telefonema e, no momento em que ouviu a voz do outro lado, soube que se tratava do sr. Howard.

O velho amigo de seu pai foi muito cordial e prometeu que iria ver o que conseguia com os atletas do Cougars.

Aliviada, pôde se dedicar melhor ao projeto e nem notou

quando os demais funcionários começaram a deixar o escri­tório.

Estava tão imersa em seus papéis que só percebeu que já passava das sete da noite quando uma forte batida na porta chamou sua atenção.

Um leve tremor percorreu-a, ao dar-se conta de que estava completamente sozinha no escritório. Quem poderia ser àquelas horas?

Contudo, não precisou esperar muito para saber a resposta a sua pergunta. No instante seguinte, um homem alto e more­no entrou pela sala, fitando-a com certa zombaria nos olhos esverdeados.

Era Matt Kingsley, em pessoa!


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